Vestibular de Língua Portuguesa - Universidade Estadual de Ponta Grossa - 2008 - uepg, Notas de estudo de Português. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Português

Descrição: Vestibular de Português da Universidade Estadual de Ponta Grossa do ano de 2008.
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA
COMISSÃO PERMANENTE DE SELEÇÃO
2o CONCURSO VESTIBULAR DE 2008
Questões de Língua Portuguesa
TEXTO PARA AS QUESTÕES 01 A 03
KANT, MARX E OS SIMPSONS
A lição dos imbecis
Nirlando Beirão
Somos nós, os Simpsons e os Simpsons somos nós. No non sense de sua cacofonia absurda quem diga: surreal , eles estão
sempre exprimindo, nas entrelinhas, a melhor lição desse acelerado, ensurdecedor mundo globalizado: se a mediocridade pode ser silen-
ciosa, a cretinice é sempre espalhafatosa.
É pura filosofia, aquela família tão certinha e tão disfuncional. Tanto que há quem venha interpretar suas neuras e seus insights à
luz de Schopenhauer, Marx, Heidegger, Miguel de Unamuno e Roland Barthes (Os Simpsons e a Filosofia, de Aeon Skoble, Mark Conard
e William Irwin, editado no Brasil pela Madras).
Quando se tenta analisar o balbuciante Bart, bad boy de comédia, pateta sem escrúpulos, é Nietzsche quem lhe vem ao encalço.
Nietzsche falou na "comédia da existência" em que a maldade é tão premeditada que vontade e representação se desencontram. Até
em sua maldade visceral, Bart é ingênuo e crédulo.
Aristóteles, por sua vez, entende muito de Homer, o pater familias, "clássico exemplo de um bobão antiintelectual", enquanto
Marge, a mãe, é um prato feito para Kant, em sua honestidade, bom senso e pragmatismo deitados sobre o mundo empírico de reações
imediatas em que prevalece a autonegão, incorrigível que é Marge na ânsia de servir mais aos outros do que a si mesma.
E Lisa, a filha ginasiana? Naquele retrato multicolorido do antiintelectualismo americano que é Springfield e que são os Simpsons,
ela vive em preto e branco seu isolamento afetivo, encastelada em dilemas socráticos. Lisa deixa, assim, todo mundo perplexo: afinal, é
para rir dela ou para admirá-Ia?
(Carta Capital, 19/9/2007)
01 Com relação ao texto dado, assinale o que for correto.
01) O autor critica a personagem Margie porque entende que ela se coloca num plano de alienação em relação à família.
02) A saga dos Simpsons tem sido analisada à base de princípios filosóficos clássicos e modernos.
04) Para a análise de Bart vale a máxima nietzcheneana em torno de todo espírito profundo brota sem cessar uma máscara,
podemos progredir mascarados.
08) Homer, segundo o autor, assume sua função patriarcal e suas ações se desvelam num processo de intelectualização em que
a premissa é: a virtude pode ser aprendida.
16) Um dos dilemas socráticos expressos pela personagem Lisa é o de que a virtude é o conhecimento e o mal agir é o rebento
da deficiência intelectual.
02 Quais são os propósitos do autor do texto?
01) Ressaltar a força imperativa da metáfora dos Simpsons. Se Springfield representa o planeta, os Simpsons representam a hu-
manidade.
02) Valorizar os padrões estéticos e culturais americanos.
04) Criticar o acelerado mundo globalizado, com sua mediocridade, competição e frustração.
08) Evidenciar que nenhuma família é tão universal e representativa quanto os Simpsons.
16) Demonstrar que uns traços em quadrinhos podem trazer, em imagem e subtexto, muito mais do que nossa filosofia pode
alcançar.
03 Com relação ao significado das palavras sublinhadas nos seguintes segmentos extraídos do texto, assinale o que for correto.
01) No non sense de sua cacofonia absurda há quem diga: surreal [...] = obscenidade
02) Nietzsche falou na "comédia da existência" em que a maldade é tão premeditada [...] = urgente
04) [...] é Nietzsche quem lhe vem ao encalço. = seguindo de perto
08) Lisa deixa, assim, todo mundo perplexo: afinal, é para rir dela ou para admirá-Ia? = indeciso
16) Até em sua maldade visceral, Bart é ingênuo e crédulo. = estrutural
TEXTO PARA A QUESTÃO 04
O carnaval carioca é uma beleza, mas mascara, com seu luxo, a miséria social, o caos político, o desequilíbrio que se estabelece entre o
morro e a Sapucaí. Embora todos possam reconhecer os méritos de artistas plásticos que ali trabalham, o povo samba na avenida como
um herói de uma grande jornada. E, acrescente-se, manifestação em prol de processos judi-ciais contra costumes que ofendem a
moral e agridem a religiosidade popular. O carnaval carioca, porque se afasta de sua tradição, está se tornando desgracioso, disforme,
feio.
(Adaptado de João Bosco Ribeiro. Redação Científica)
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04 Com relação a este fragmento adaptado de João Bosco Ribeiro, assinale o que for correto.
01) falta de coerência entre a afirmativa inicial e a final.
02) A oração subordinada que se inicia com "embora" não apresenta coesão textual em relação à oração principal.
04) O texto não se constitui como um todo porque apresenta diversas informações e várias direções.
08) Não é possível entender o objetivo principal do texto.
16) O texto o apresenta completude, inteireza e unidade.
TEXTO PARA A QUESTÃO 05
Você trabalha para quê?
Os consultores vivem dizendo que, quando a gente tem uma meta, o foco aumenta e o esforço para realização seja ele em termos de
aprendizado, de performance ou de poupança vai mais fácil. Em nossa reportagem de capa desse mês, você vai conhecer a história
de quatro profissionais que estão focados em crescer na carreira e realizar sonhos.
(Juliana de Mari. Revista Você S/A, setembro/2007)
05 Quais das seguintes palavras, extraídas do texto, são acentuadas em rao da tonicidade?
01) fácil
02) mês
04) quê
08) você
16) história
TEXTO PARA AS QUESTÕES 06 A 08
(Extraído do último capítulo de Memorial de Aires, de Machado de Assis)
seis ou sete dias que eu não ia ao Flamengo. Agora à tarde lembrou-me de passar antes de vir para casa. Fui a pé; achei
aberta a porta do jardim, entrei e parei logo.
- Lá estão eles, disse comigo.
Ao fundo, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados, olhando um para o outro. Aguiar estava sentado ao portal direito,
com as mãos sobre os joelhos. D. Carmo, à esquerda, tinha os braços cruzados à cinta. Hesitei entre ir adiante ou desandar o caminho; con-
tinuei parado alguns segundos até que recuei pé ante pé. Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na atitude uma expressão a que
não acho nome certo ou claro; digo o que me pareceu. Queriam ser risonhos e mal podiam se consolar. Consolava-os a saudade de si
mesmos.
06 Assinale as alternativas em que a reescrita não altera a idéia original do período: "Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e
na atitude uma expressão a que não acho nome certo ou claro;"
01) Como havia transposto a porta para a rua, pude-lhes ver no rosto e na atitude uma expressão para a qual não acho nome cer-
to ou claro;
02) Porque cruzei a porta para a rua, pude ver no rosto e na atitude deles uma expressão a que não acho nome certo ou claro;
04) Ao cruzar a porta para a rua, vi em seus rostos e atitudes uma expressão para a qual não acho nome certo ou claro;
08) Quando passei a porta para a rua, vi no rosto e na atitude deles uma expressão para a qual não acho nome certo ou claro;
16) À medida em que transpunha a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na atitude uma expressão a que não acho nome certo ou
claro;
07 Assinale as alternativas em que o segmento sublinhado tem a mesma função morfossintática do vocábulo sublinhado em: estão
eles, disse comigo.
01) Fui a ; achei aberta a porta do jardim, entrei e parei logo.
02) Ao fundo, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados, olhando um para o outro.
04) ...continuei parado alguns segundos até que recuei ante .
08) Aguiar estava sentado ao portal direito, com as mãos sobre os joelhos.
16) Hesitei entre ir adiante ou desandar o caminho.
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08 Assinale as alternativas em que a palavra sublinhada exerce a função de objeto direto.
01) ...digo o que me pareceu.
02) Consolava-os a saudade de si mesmos.
04) Agora à tarde lembrou-me lá de passar antes de vir para casa.
08) Queriam ser risonhos e mal podiam se consolar.
16) Lá estão eles, disse comigo.
TEXTO PARA AS QUESTÕES 09 E 10
Cinzas do norte
Trecho de abertura
Li a carta de Mundo num bar do beco das Cancelas, onde encontrei refúgio contra o rebuliço do centro Rio e as discussões so-
bre o destino do país. Uma carta sem data, escrita numa clínica de Copacabana, aos solavancos e com uma caligrafia miúda e trê-
mula que revelava a dor de meu amigo.
"Pensei em reescrever minha vida de trás para frente, de ponta-cabeça, mas o posso, mal consigo rabiscar, as palavras são
manchas no papel, e escrever é quase um milagre ... Sinto no corpo o suor da agonia", é o que se pouco antes do fim. Na mar-
gem da última página, estas palavras: "meia-noite e pouco".
Talvez tenha morrido naquela madrugada, mas eu não quis saber a data nem a hora: detalhes que não me interessam. Uns vin-
te anos depois, a história de Mundo me vem à memória com a força de um fogo escondido pela infância e pela juventude. Ainda
guardo seu caderno com desenhos e anotações, e os esboços de várias obras inacabadas, feitos no Brasil e na Europa, na vida à
deriva a que se lançou sem medo, como se quisesse se rasgar por dentro e repetisse cada minuto a frase que enviou para mim num
cartão-postal de Londres: "Ou a obediência estúpida ou a revolta".
(Milton Hatoum. Cinzas do Norte)
09 Sobre este excerto, assinale o que for correto.
01) O narrador no primeiro parágrafo do texto, personagem ainda não nomeada, fala de uma carta que recebeu de alguém cha-
mado Mundo e que lê num bar.
02) O personagem, Mundo, explica ao amigo que pensara em fazer uma autobiografia, começando pelo fim; entretanto, não con-
seguiu porque se sentia doente.
04) O narrador deduz que o amigo, Mundo, deve ter morrido de madrugada, pelas palavras escritas: "meia-noite e pouco".
08) Percebe-se pela progressão narrativa que Mundo era um artista plástico irreverente.
16) O emprego dos verbos na primeira pessoa tem o objetivo de criar situações subjetivas, uma vez que o narrador é também
personagem de seu texto.
10 Assinale o que for correto com relação ao que indicam as aspas, em suas três ocorrências no texto.
01) A mudança de interlocutor.
02) A intervenção do narrador.
04) A construção do discurso direto.
08) A utilização do discurso indireto livre.
16) A alteração do sentido referencial.
TEXTO PARA A QUESTÃO 11
Carta Pras Icamiabas
Ás mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.
Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis,
São Paulo.
Senhoras:
Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de sauda-
de e de muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo a maior do universo, no dizer de seus proli-
xos habitantes não sois conhecidas por "icamiabas", voz espúria, sinão pelo apelido de Amazonas [...]
[...] as donas de cá tombam nos leitos nupciais.
Andam elas vestidas de rutilantes jóias e panos finíssimos, que lhes acentuam o donaire do porte, e mal encobrem as graças, que,
a de nenhuma outra cedem pelo formoso torneado e pelo tom. São sempre alvíssimas a dona de cá; e tais e tantas habilidades demons-
tram no brincar, que enumerá-las aqui, seria fastiendo porventura; e, certamente quebraria os mandamentos, discrição, que em relação
de Imperator para súbditas se requer. [...]
Ci guarde a Vossas Excias.
Macunaíma,
Imperator
(Mário de Andrade. Macunaíma o herói sem caráter)
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11 A respeito da "Carta pras Icamiabas", que constitui o capítulo nono de Macunaíma, e sobre a obra de Mário de Andrade como um
todo, assinale o que for correto.
01) Mário de Andrade prende-se à crítica de costumes, ao criar heroínas idealizadas e mitificar a figura da mulher numa socieda-
de urbana em transformão.
02) A paródia, presente na obra de Mário de Andrade, é uma das características do Modernismo, que visava combater o academi-
cismo, o conservadorismo na arte, a cultura reacionária burguesa e patriarcal da produção nacional.
04) Mário de Andrade inverte, aqui, os relatos dos cronistas quinhentistas, como Pero Vaz de Caminha, Gabriel Soares de Sousa
e Pero de Magalhães Gandavo. Agora é o índio que descreve a terra desconhecida e seus habitantes para seus pares distan-
tes.
08) Na carta a tentativa de Macunaíma em expressar uma linguagem culta, que para o autor assume na obra a finalidade de
carnavalização da norma culta, ou seja, uma sátira da linguagem culta.
16) O texto constitui uma paródia à Carta de Pero Vaz de Caminha. Esta apresenta uma visão ufanista da terra, enquanto no texto
de Mário de Andrade encontra-se um tom irônico de revisão do mito da boa terra, de crítica acerba aos portugueses.
TEXTO PARA A QUESTÃO 12
Canto IX I Juca Pirama
O guerreiro parou, caiu nos braços
Do velho pai, que o cinge contra o peito,
Com lágrimas de júbilo bradando:
"Este, sim, que é meu filho muito amado!
E pois que o acho enfim, qual sempre o tive,
Corram livres as lágrimas que choro,
Estas lágrimas, sim, que não desonram".
(Gonçalves Dias. Poesias Americanas)
12 Com relação à obra indianista de Gonçalves Dias, e sobre este poema em particular, assinale o que for correto.
01) O herói do poema não é apenas um índio tupi: representa todos os índios brasileiros ou ainda todos os brasileiros, uma vez
que o índio foi durante o Romantismo o representante de nossa nacionalidade.
02) O poeta, ao pôr em discussão profundos valores e sentimentos humanos, como a bondade filial e a honra, supera os limites
da abordagem puramente indianista e ganha universalidade.
04) O índio de Gonçalves Dias diferencia-se do de Joaquim Norberto e Gonçalves Magalhães, não pela questão de autenticidade
do índio, mas por ser mais poético, como vemos em "I-Juca-Pirama". O deslumbramento sem vulgaridade do herói indígena
traduz a poesia do poeta, malabarista de ritmos nos sentimentos de heroísmo, dignidade, generosidade, bravura, maldição e
tradição.
08) Quanto aos aspectos formais, em "I-Juca-Pirama" Gonçalves Dias variou a métrica de trecho em trecho. Teoricamente, o poeta
teria desprezado a metrificação. No entanto, do ponto de vista expressivo, a va-riação métrica utilizada produz a iconicidade
sonora do texto, construindo plasticamente o poema como um significante rítmico do ritual narrado.
16) I Juca Pirama significa "aquele que é digno de ser morto"; o poema conta a história de um guerreiro tupi, aprisionado pelos
Timbiras, que vai morrer em um festim canibal.
13 Em relação à problemática e à estrutura da peça "O Auto da Compadecida", assinale o que for correto.
01) A preocupação maior do autor reside em distanciar-se da estrutura de um auto de moralidade, ao estilo quinhentista português
(modelo Gil Vicente).
02) Os componentes estruturais do texto revelam personagens que simbolizam pecados (maiores ou menores), que recebem o di-
reito ao julgamento, que gozam do livre-arbítrio e que são ou não condenados.
04) A peça se embasa em determinadas tradições localistas e regionalistas do folclore.
08) A realidade nordestina está presente, através de seus instrumentos culturais mais significativos, as crenças e a literatura de
cordel.
16) A intenção clara e expressa do texto dramatúrgico em questão é de natureza moral, desvinculada de credo religioso.
14 Assinale o que for correto a respeito do livro Luzia-Homem, de Domingos Olímpio.
01) No romance, Luzia integra um grupo de retirantes, e sua figura forte e personalidade marcante se destacam no bordel em que
ela é obrigada a trabalhar.
02) A obra tematiza a violência e o sadismo que caracterizam a literatura naturalista.
04) Há nuanças da estética barroca na descrição, rica em detalhes, das paisagens e da aridez da seca.
08) Explora a duplicidade da personagem principal, que apresenta aparência frágil e é de pouca beleza, mas cuja força é desco-
munal.
16) Entre os problemas sociais causados pela seca, denunciados no romance, esa degradação dos valores humanos e familia-
res, provocada pelas péssimas condições de vida.
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Subject: Português
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