A cidade antiga - resumo de livro - Direito Civil 2, Notas de estudo de Direito de Família. Universidade do Sul de Minas
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Vasco_da_Gama27 de Fevereiro de 2013

A cidade antiga - resumo de livro - Direito Civil 2, Notas de estudo de Direito de Família. Universidade do Sul de Minas

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Resumo do livro A Cidade Antiga - coulanges, Fustel de, A cidade antiga. Trad. Jean Melville, São Paulo, Martin Claret, 2002. Crenças sobre a alma e sobre a morte, o culto dos mortos, a religião doméstica, a família, a r...
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se sob a tutela do pai. Por meio da religião a família era organizada,

como uma pequena sociedade com o seu chefe e seu governo. "[...] o

pai era, além disso, o sacerdote, o herdeiro do lar, o continuador dos

ancestrais, o tronco dos descendentes, o depositário dos ritos misteriosos do culto e das formulas secretas da oração." (p.96). A

religião era residida pelo pai (p.92-96).

2.º Enumeração dos direitos que compunham o poder paternal

As leis gregas e romanas reconheciam o poder paterno. Era sobre

três categorias. A primeira, chefe supremo da religião, não tinha

nenhum superior a ele. Tinha o direito de reconhecer ou repudiar o

filho ao nascer, direito de repudiar a mulher, direito de casar a filha e o filho, direito de emancipar e adotar e também o direito de designar

quando morresse um tutor à esposa e aos filhos; a segunda era o de

usufrutuário da propriedade da família, a ele também pertencia o

dote da mulher e tudo quanto à mulher pudesse adquirir enquanto casada, o filho nada adquiria, seu trabalho, tudo era do pai. O filho

podia ser considerado como propriedade do pai que podia até vender

o filho e recomprá-lo por três vezes; a terceira categoria era o poder

sobre a mulher, o filho e o escravo. Tamanho era o poder que se alguém cometesse algum delito era o pai quem respondia. Só ele

podia aparecer perante o tribunal da cidade, o pai era o juiz, o chefe

da família sentenciava em virtude da autoridade que possuía. Todo

esse poder marital ou paternal, era em nome da família e era

também amparado pelas divindades domésticas. "O pai era o juiz. [...] como só o pai de família se submetia ao julgamento da cidade, a

mulher e o filho não podiam ter outro juiz além dele. era, no seio da

família, o único magistrado." (p.102). A religião impunha ao pai tanta

obrigação quanto direito, uma vez que ele podia adotar, mas se não tivesse filho; podia repudiar, mas precisava quebrar o vínculo

religioso ¾ o casamento ¾; da terra era o único proprietário, mas

não podia alienar. "E foi assim, durante muito tempo, a família

antiga. As crenças existentes nos espíritos foram suficientes, sem necessidade do direito da força ou autoridade de um poder social,

para constituí-la regularmente, para dar-lhe disciplina, governo,

justiça, e fixar em todos os detalhes o direito privado." (p.102).

(p.97-102).

A Antiga Moral da Família

Aquilo que a alma acreditou, pensou e sentiu era o conhecimento do

povo humano. A religião era puramente doméstica, não tinha um modelo a seguir. Pelo contrário isolava as famílias em seus próprios

núcleos. O ponto de partida sempre foi à família, "[...] tendo sido

mediante a ação das crenças da religião doméstica que apareceram

aos olhos do homem, os seus primeiros deveres." (p.103). O homem

era punido pelo próprio lar ¾ o seu deus o repelia ¾, baseando-se

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nisto nada de impuro deveria ser cometido à sua presença, a religião

era misericordiosa fundamentada em ritos, assim, aliviava o

sofrimento do homem. A religião ignorava os deveres de caridade,

"[...] traça, no entanto ao homem, com admirável nitidez, os seus deveres de família, Torna o casamento obrigatório; o celibato aponta-

se como crime aos olhos da religião, que faz da continuidade da

família o primeiro e o mais sagrado dos seus deveres." (p.104). Ao

homem a religião proíbe e pune. Pede pureza da família que é o ato de não cometer adultério ¾ falta mais grave ¾ uma vez, que

perturbaria a natureza do lar. Quando havia adúlteros, a lei da Grécia

e de Roma permitia que o pai repelisse o recém nascido. Em Atenas,

o marido podia matar a culpada. Em Roma o marido condenava a mulher à morte. Estas são as primeiras leis da moral doméstica. A

mulher tinha o dever de obedecer ao marido. Devia deixar o fogo

sempre puro. Mas a mulher tinha também sua importância, sem ela o

culto era incompleto. O "[...] lar sem esposa [...]" (p.106) era grande desgraça para o grego. O homem sem a mulher perdia o seu

sacerdócio. "[...] a mulher não tem autoridade igual à do marido, tem

pelo menos igual dignidade." (p.106). O filho era submetido à

autoridade dopai que podia vendê-lo ou condená-lo à morte. Neste

tempo, o homem amava a sua casa como hoje ama a sua igreja. [“...] Os deuses prescreviam a pureza e proibiam derramar o sangue;

se a nação de justiça não brotou dessa crença, pelo menos se

fortaleceu por seu intermédio.” (p.108). A casa era a origem da

moral. As famílias tinham seus deveres claros, preciosos e imperiosos, no entanto, eram reduzidos ao lar. Era uma moral

acanhada e primitiva (p.102-108).

A "Gens" em Roma e na Grécia

Não se tem a princípio um significado para a palavra gens. Mas esta

"[...] formava um corpo de constituição puramente aristocrática e,

graças a essa organização interior, os patrícios de Roma e os

eupátridas de Atenas puderam conservar seus privilégios por muito

tempo." (p.109).

1.º O que os escritores antigos nos dão a conhecer da "gens"

Acredita-se que gens "[...] era uma instituição universal entre os antigos povos." (p.110). "Cada gens tinha o seu culto especial."

(p.111). Tinham atos religiosos a fazer por uma religião particular,

não importando onde o indivíduo estivesse, era indispensável ir para

o local ou cidade para realizar o ato sagrado. A gens tinha culto, festas e também o túmulo em comum. Em Roma os membros de

uma gens herdavam uns dos outros. Tinham ainda, a justiça da

própria gens e dentre eles um único chefe, vale salientar que esta

gens era bastante numerosa. "[...] a gens tinha as suas assembléias

e promulgava decretos aos quais os seus membros deviam

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obediência." (p.113). Respeitados até pela própria cidade (p.110-

113).

2.º Exame de algumas das opiniões emitidas para explicar a

"gens" romana

Alguns eruditos têm que "[...] a gens seria apenas semelhança de

nome. Para outros, a gens nada mais era que a expressão de certa relação entre uma família que exerce o patronado e outras famílias

suas clientes." (p.113-114). Outra teoria ainda diz que gens designa

parentesco artificial. Mas diante das objeções como a de, por

exemplo, este povo antigo e religioso permitir parentesco artificial

diante de cultos, cerimônias, famílias. Isto era inaceitável, seria

impiedade grave tal ato (p.113-116).

3.º A "gens" é a família tendo ainda a sua organização

primitiva e a sua unidade

A gens muito se apresenta "[...] como ligada por um vínculo de

origens." (p.116). A gens era a família que respondia a um único

nome mesmo sendo numerosa, não deixava de ser uma única família.

Essa gens se originava da religião doméstica e do "[...] direito privado das antigas idades." (p.117). Era tudo de uma única família o

"Lar, túmulo, patrimônio, tudo isso, originariamente,. Era indivisível.

[...] gens era a família, mas a família que conservava a unidade

ordenada pela sua religião e que havia atingido o maior desenvolvimento permitido pelo antigo direito privado." (p.118). A

gens tinha o mesmo nome e este ra transmitido, de geração a

geração, perpetuava-se com o mesmo zelo que continuava o culto.

Esse nome deveria durar tanto quanto seus antepassados e sua

família, "[...] era sagrado." (p.119).

Para a antiga religião doméstica, a família era o verdadeiro corpo, o verdadeiro ser vivo, do qual o indivíduo era membro inseparável:

assim o nome patronímico foi o primeiro no tempo e o primeiro em

importância. A nova religião, pelo contrário, reconheceu ao indivíduo

vida própria, liberdade completa, independência toda pessoal e não lhe repugnou de modo algum, não procurou isola-lo da família: por

isso, o nome de batismo foi o primeiro e, durante muito tempo, o

único nome. (p.120).

Esta nova religião libertou o homem (p.116-120).

4.º Extensão da família; a escravidão e a clientela

A antiga família era baseada na religião domestica "[...] sua unidade,

o seu desenvolvimento de geração em geração até formar a gens, a

sua justiça, o seu sacerdócio, o seu governo interno, tudo leva

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forçosamente o nosso pensamento à época primitiva, quando a

família era independente de todo o poder superior e quando a cidade

ainda nem existia." (p.120-121). Como as famílias eram isoladas,

nada mais existia do que a família e os seus deuses domésticos, não conheciam outra sociedade que não fosse a familiar. Os ramos mais

novos agrupavam-se ao redor do mais velho, junto do lar e túmulo

únicos. Esta família tinha ainda outros componentes que eram os

servos e escravos. Estes faziam parte da família e dos cultos, orações e festas. O escravo era sepultado no túmulo da família, estando

ligado por toda a vida e morte. Assim, dentro da grande família

tinham as pequenas clientes e subordinados. "A clientela é instituição

de direito domestico e existiu nas famílias antes do aparecimento das cidades." (p.124). Esta era considerada um por adoção e passava a

adorar aos mesmos deuses domésticos, a clientela era um laço

formado pela religião. Sendo assim, a família formava núcleos

numerosos com ramos mais novos, com servos e clientes e ainda o ramo mais velho. "Esses milhares de pequenos grupos viviam

isolados, mantendo poucas relações entre si, não necessitando uns

dos outros, não estando unidos por nenhum laço religioso ou político,

e tendo cada qual o seu domínio, o seu governo interno e os seus

deuses." (p.126). (p.120-126).

A Cidade

A Fratria e a Cúria; a Tribo

As sociedades antigas mais cedo ou mais tarde se limitaram, uma vez que não eram auto-suficientes diante de todas as experiências da

vida. Pois, a sua inteligência do ser divino e também a moral deste,

se revelou conseqüentemente mesquinha e incompleta. Não

satisfazendo por muito tempo a inteligência humana. Dessa forma, a religião e a sociedade humana foram simultaneamente abrangendo-

se, naturalmente modificando-se. Algumas famílias formaram um

grupo que a língua grega deu o nome de fratria, e a latina chamou de

cúria. Ambas uniram-se por seus próprios deuses domésticos e para

estes em conjunto "[...] erigiram-lhe altar, acenderam o fogo sagrado e instituíram-lhe o culto." (p.128). Tudo ficou comum a estes grupos

de famílias, a religião mantinha a mesma natureza, mesmo banquete

fúnebre e altar com suas preces. Continuando com os mesmos

costumes para as celebrações sagradas. Para se fazer parte das fratrias o indivíduo deveria ter nascido de casamentos legítimo entre

as famílias do grupo. Só se transmitia pelo sangue como na família. O

jovem era apresentado como filho e era admitido pela religião da

fratria. Caso o grupo não aceitasse o jovem retirava-se a carne de uma vitima imolada no altar. Se fosse bem vindo à carne era assada

e repartida com o recém admitido na sociedade. Sobre o altar era

feita a santa união com os vínculos das famílias a qual não acabaria

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nem mesmo com a morte. Cada fratria tinha seu chefe a quem cabia

presidir os sacrifícios. e em cada fratria "[...] havia um deus, um

culto, um sacerdote, uma justiça e um governo. Eram umas

pequenas sociedades modeladas exatamente sobre a família." (p.130). Partindo disto, várias fratrias se agrupavam dando origem à

tribo e as tribos unidas tinham um herói, o qual tinha o seu dia de

festa com cerimônia religiosa que era o banquete onde todos se

faziam presentes. Nestas tribos eram feitas assembléias, tinham tribunais e jurisdição sobre os membros. Eram consideradas como

sociedade a qual não respondia a ninguém acima dela (p.127-131).

Novas Crenças Religiosas

1.º Os deuses na natureza física

Os objetos das religiões eram seus antepassados e como símbolo

principal tinham o lar. Pesquisando as crenças observaram-se duas

religiões. Uma inspirada pelos deuses da "[...] alma humana [...]"

(p.132) e outra baseou seus deuses na "[...] natureza física [...] (p.132).O homem por estar constantemente em contato com a

natureza se via sem separação desta e encontrada perante as belezas

e grandezas "Gozava da luz, receava a noite e, ao ver reaparecer, „a

santa claridade dos céus,‟sentia-se reconhecido e grato. A sua vida

dependia “inteiramente da natureza.” (p.132). Assim, um misto de sentimentos que ora fazia o homem amar, ora temer ou venerar a

natureza deu-os a concepção de deuses. Este homem não via a terra,

o sol, os astros como fazendo parte de um mesmo plano.Das duas

religiões não se sabe ao certo qual é mais remota (p.131-133).

2.º Relação dessa religião com o desenvolvimento da

sociedade humana

A religião da natureza não nasceu em um só dia ela "Surgiu nas diferentes inteligências por efeito de sua força natural". (p.134). Os

astros eram divinizados, e eram chamados por vários nomes e se

tratavam absolutamente dos mesmos astros. As famílias chamavam e

criavam um deus particular como se o Sol não brilhasse em outros locais. Tinham estes astros como patrimônios próprios às famílias não

consentiam partilhar seus deuses mesmos que naturais. A religião da

natureza teve por berço a família, mas de fato, os antepassados, os

heróis e os manes eram deuses que pela sua essência só podiam ser adorados por numero limitado de homens definindo, para sempre,

linhas intransponíveis de demarcação entre as famílias. “A religião

dos deuses da natureza era um campo mais largo.” (p. 136). À

medida que a religião desenvolveu-se, cresceu também a sociedade.

E o que antes era um altar em um lar, se tornou um altar em um tempo aonde multidões junto à sociedade iam desenvolvendo-se (p.

133-137).

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Forma-se a Cidade

Como as tribos tinham sua própria religião duas não podiam ter um

mesmo deus, não podiam fundir-se. Mas como nestas tribos havia

várias fratrias, essas tribos uniram-se sob a condição de que os

cultos individuais fossem respeitando. Dessa união originou-se a aliança chamada de cidade. Mesmo sendo cidades, as tribos não

deixaram de ascender o seu fogo sagrado e de ter uma religião

comum. "Família, fratrias, tribo, cidade são, portanto, sociedades

perfeitamente análogas e nascidas umas das outras por uma série de federações." (p.138). Assim, cada família continuava com suas

particularidades. Era responsabilidade da família e não da cidade o

que ocorria no sei de cada uma delas. O juiz era o pai e este é que

tinha direitos sobre a mulher e o filho. O indivíduo fazia parte ao

mesmo tempo de quatro sociedades distintas: "[...] era membro da família, de uma fratria, de uma tribo e de uma cidade." (p.139). A

pessoa era admitida na cidade aos seus dezoito anos onde era

obrigado, além de outras coisas a respeitar a religião da cidade. E era

assim que ele se tornava um cidadão. À medida que a sociedade foi evoluindo formou-se confederações que mais tarde formaram uma só

cidade, com uma só religião, um só deus, um só culto. Para que se

formasse um só núcleo, não se necessitava de força, filosofia ou

interesse. Tinha que ser algo que tomasse os corações e que pusesse autoridade, "E isso é crença. [...] A crença é obra do nosso espírito,

mas não encontramos neste a liberdade para modificá-la a seu gosto.

A crença é de nossa criação, fato que o ignoramos. É humana, e

julgamo-la sobrenatural." (p.143). A religião e esta crença foram os resultados "[...] todo o direito privado e todas as regras da

organização doméstica." (p.143). E estas passaram da família

desenvolvendo-se e aperfeiçoando-se até à cidade. E esta religião

sendo uma só para toda a cidade, protege conseqüentemente toda a

mesma. "A idéia religiosa foi, entre os antigos, o sopro inspirador e organizador da sociedade." (p.143). Pois tudo, as leis sociais,

organizações municipais foram obras dos deuses, que nada mais

eram que crenças humanas. Depois que a organização municipal

fundou a cidade não se fazia necessário que todas as novas caminhassem pela estrada longa e dificultosa. E quando alguém não

concordava com a cidade atual, construía uma nova mais não deixava

de ocupar-se das semelhanças da que deixara. Para cada cidade

eram estabelecidos heróis, sacrifícios e tradições (p.137-144).

A Cidade

"A cidade era a associação religiosa e política das famílias e das

tribos." (p.145), a urbe como a cidade era chamada, era o lugar onde aconteciam reuniões, era o domicílio, o santuário da sociedade. A

cidade era fundada de uma só vez, mas esta já deveria estar

corretamente organizada, que era o mais longo e mais difícil de

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providenciar. A urbe dava-se quando as famílias, fratrias e tribos

uniam-se num só culto, pois, ali seria seu santuário. A urbe era

fundada não por acaso e sim por intermédio dos deuses. Até mesmo

a escolha do local. Depois do local chegava o dia da fundação. O primeiro passo é que todos se purificassem, passando por cima do

fogo sagrado aceso no altar da urbe. Em seguida é cavado um fosso

onde são lançados torrões de outros lugares para demonstrar ter

nesta cidade terra dos antepassados que agora pertencem à cidade, onde o indivíduo vai situar-se. Em volta do fogo ergue-se a urbe. E o

fundador anda puxado, por um touro e uma vaca branca, símbolos da

religião. É traçado o limite, o marco que deve ser inviolável, e, exceto

passar nas chamadas portas deste perímetro qualquer outro local era impiedade. Assim, foi fundada Roma, e esta fundação é recordada

todos os anos. Nenhuma colônia deveria ser fundada sem esta

cerimônia. E mesmo numa urbe já construída dava-se a cerimônia,

pois toda urbe era um santuário, chamada ainda, de morada dos

deuses nacionais (p. 145-154).

O Culto do Fundador; a Lenda de Enéias

O fundador era quem eternizava o fogo sagrado, eram responsáveis pelas preces, ritos. Ele convocava os deuses e fixava a urbe para

sempre, era o pai da cidade, adorado e julgado como um homem

sagrado. A fundação da urbe era a memória mais sagrada da cidade.

Tinha poemas em memória a fundação de urbes. Quanto a Enéias, foi

estabelecido um "[...] conjunto de tradições e memórias já consignadas nos versos do velho Névio e nas histórias de Catão, o

Antigo." (p.156). No poema via-se o fundador, a urbe, crenças e

império, considerados deuses e sem eles a cidade de Roma jamais

existiria (p.154-158).

Os Deuses da Cidade

O culto dos deuses era o que constituía o vínculo de toda sociedade.

Era a reunião onde todos cumpriam seu ato religioso num mesmo altar. Seus mortos eram os guardiões e assim eram para estes

celebrados cultos. A cidade admirava-se por ter como mortos homens

notáveis. Quando lutavam, se tivessem a oportunidade apoderavam-

se dos ossos dos guerreiros ou de homens notáveis do seu inimigo, e todos os deuses habitavam uma só urbe. As divindades de uma urbe

protegiam somente a sua cidade e a nunca a um estrangeiro. Cada

cidade tinha suas próprias orações guardadas em segredo. A religião

era particular e especial a cada cidade. Cada urbe buscava e esperava de seus deuses a salvação e também as vitórias em

batalhas. Este povo levava deuses ¾ estátuas ¾ para guerrear, e

quando venciam era pelos deuses, e, quando perdiam a derrota era

dos deuses e chagavam a atirar pedras nos templos. Quando uma

urbe era conquistada, os deuses dela ficavam cativos. Para que os

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vencedores se apoderassem dos deuses ditavam preces; ou para que

os deuses fossem embora antes da conquista. Alguns raptavam as

estátuas, acreditando levar o deus junto para que este ficasse do seu

lado e lhe desse a vitória em batalhas. Com isso, algumas cidades guardavam ¾ escondiam ¾ suas estatuas ou mantinham o nome do

deus em segredo para proteger os deuses, de serem roubados, ou,

por meio de preces, ir embora da urbe (p.158-170).

A Religião da Cidade

1.º Os banquetes públicos

A principal cerimônia de uma cidade era o banquete, a partir dele se

dava à comunicação entre o povo e seus deuses, e toda a cidade participava. Em Atenas, por exemplo, era sorteado o homem que

tomaria parte no banquete, se este recusasse era severamente

punido. Seguia-se o prato, o ritmo e o hino dos antepassados e se

não o fizesse toda a cidade era responsabilizada perante os deuses. "Essas regras da antiga religião jamais deixaram de ser observadas, e

os banquetes sagrados conservaram sempre toda a sua simplicidade

primitiva." (p.173). Assim, "A associação humana era uma religião; o

seu símbolo, o banquete comum." (p.174). (p.170-174).

2.º As festas e o calendário

Durante sua vida o homem reservava dias aos deuses, esses dias

eram para as festas. Pois, "Era preciso que a virtude de tais ritos

fosse renovada todos os anos, por nova cerimônia religiosa; chamava-se essa festa de dia natalícia, e todos os cidadãos deviam

celebrá-la." (p. 174-175). Nestas festas eram realizados ritos,

sacrifícios. Estes povos tinham inúmeras festas e todas com preces,

havia a festa do fundador, festa dos campos, do trabalho, da sementeira, da floração e a das vindimas. Toda cidade tinha uma

festa para cada divindade, e nestas festas era proibido o trabalho, e,

eram obrigados a alegrar-se, a cantar, entre outros. O calendário

variava de cidade para cidade e o ano tinha duração variada também. Em algumas cidades o ano começava no aniversário da sua fundação.

O calendário era administrado por sacerdotes e suas leis misteriosas

(p. 174-176).

3.º O censo e a lustração

"Os ritos observados e o seu próprio nome nos indicam que essa

cerimônia devia ter a virtude de resgatar as faltas cometidas pelos

cidadãos contra o culto. (p.177). O censo era o magistrado para pronunciar a formula das orações e também era o responsável à

imolar as vitimas das cerimônias. Estas eram realizadas pedindo a

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participação de todos e toda a cidade devia se inscrever no relatório

da cerimônia. Quem não fazia perdia o direito a cidadania, pois não

estava inscrito no censo. Antes do início das cerimônias o censor

denominava quem era senador, cavaleiro e tribo. Assim, até a lustração próxima os homens tinham que se manter na categoria

denominada na cerimônia pelo censor. "Só os cidadãos assistiam à

cerimônia [...]" (p.179). Mulheres, filhos, escravos e seus bens eram

purificados pela pessoa chefe da família. Dessa forma, antes do sacrifício, cada chefe devia dar ao censor o rol das pessoas e das

coisas que dependiam dele (p.176-179).

4.º A religião na assembléia, no senado, no tribunal e no

exército; o triunfo

"Não havia um único ato da vida pública em que não se fizesse

intervir os deuses." (p.179). Qualquer ação era realizada partindo da

permissão da religião. As assembléias, a tribuna, as reuniões do Senado, as deliberações eram realizados após um pronunciamento da

religião: um ato religioso, uma oração. Tanto na guerra quanto na

paz a religião era poderosa, o exército da cidade seguia a religião. As

batalhas não eram travadas sem que os deuses mostrassem sinais para irem ou não. E depois de cada vitória, ofereciam sacrifícios aos

deuses ¾ a religião ¾ "A alma, o corpo, a vida privada, a vida

pública, os banquetes, as festas, as assembléias, os tribunais, os

combates, tudo estava sob o domínio da religião da cidade [...]

Estado e religião estavam tão intimamente unidos que seria impossível não só fazer idéia do conflito entre eles, mas mesmo

diferenciá-los entre si." (p.184). (p.179-184).

O Ritual e os Anais

A religião era ritos, cerimônias, atos de cultos, ela era quem

mantinha o homem na escravidão. "Ele a temia, não ousando

raciocinar, discutir, nem sequer olhá-la de frente." (p.185). Com a

religião o homem não amava os seus deuses e sim os temiam e receavam ser traídos por eles. Os costumes, as orações eram

mantidas em livros que passavam dos antepassados para que nem

uma sílaba fosse dita diferente, pois se isto acontecesse os deuses se

manteriam indiferentes. Toda a cidade tinha um livro, onde guardavam as suas fórmulas para que não caíssem no esquecimento.

Estes livros mesmo passando épocas e épocas nunca eram mostrados

a estrangeiros. "As cidades apegavam-se ao passado, porque no

passado se encontravam todos os motivos e todas as regras de sua religião." (p.188). A cidade não esquecia coisa alguma, pois tudo o

que os livros continham era sua história, que se encontrava em seus

cultos. Tudo era para o ensinamento dos seus descendentes. "A

história da cidade dizia ao cidadão aquilo em que devia acreditar, e

tudo aquilo que deveria adorar." (p.188). estas histórias eram

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singulares, cada cidade tinha o seu livro com a sua história. Estes

anais eram mantidos em segredo pelos sacerdotes, pois deveriam

permanecer inalterados (p.184-191).

Do Governo da Cidade. O Rei

1.º Autoridade religiosa do rei

As instituições políticas cresceram junto à cidade e a religião

prescrevia a forma de governo e de organização. Como no lar se tinha um sacerdote, na cidade este sacerdote era chamado de rei,

prítane ou arconte, "[...] personagem que é, sobretudo chefe do

culto; quem cuida do lar, faz o sacrifício e pronuncia a oração, e

preside aos banquetes religiosos." (p.192). Este tinha como principal tarefa, realizar cerimônias religiosas, tinha liberdade para fazer linhas

de limite, pronunciava preces e escolhia chefes e era o intermédio

para saber se os deuses aceitavam tal chefe como responsável por

algum cargo nomeado. Este rei era responsável pela salvação da cidade por suas orações e sacrifícios e ainda eram responsáveis em

certificar se os deuses aceitavam ou não o novo rei (p.191-194).

2.º Autoridade política do rei

A autoridade era inerente ao sacerdócio uma vez responsável pelo

altar "[...] conferia-lhe a dignidade." (p.194). Essa autoridade de rei

foi encontrada em quase todas as sociedades. Este era o intermédio

do homem com os deuses. Ele velava pelo fogo sagrado e tinha um

culto diário de salvação a cidade. Somente ele conhecia as formulas sagradas da oração para pedir os deuses em combate. Era sem

dúvida reconhecida como chefe. Este sacerdócio era passado de pai

para filho. E foi a crença quem impunha a sucessão do pai ao filho à

proteção da cidade. As revoluções mais tarde acabaram com a realeza, mas esta não deixou "[...] rastro de ódio no coração do

homem." (197). (p.194-198).

O Magistrado

A Cidade Antiga

"A superposição da autoridade política e do sacerdócio no mesmo

indivíduo não cessou com a realeza." (p.198). o magistrado que

substituiu a realeza foi sacerdote e chefe político. A religião dizia como se vestir, se portar, e até que tipo de cabelo deveria usar. Este

magistrado representava a cidade, que se apresentava tão religiosa

quanto política com orações, ritos e proteção dos deuses. Em fim,

"[...] qualquer forma de autoridade tinha algum aspecto religioso." (p.200). Essa autoridade era passada de pai para filho. Alguns faziam

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