A Idade Média - Apostilas - História, Notas de estudo de História. Centro Universitário do Vale do Rio Taquari (UNIVATES)
Andre_85
Andre_855 de Março de 2013

A Idade Média - Apostilas - História, Notas de estudo de História. Centro Universitário do Vale do Rio Taquari (UNIVATES)

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Apostilas de História sobre o estudo da idade Média, períodos, os reinos bárbaros, a sociedade germânica, o reino Franco, os Merovingios, os Carolingios.
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A Idade Média

A Idade Média é o período histórico compreendido entre os anos de 476 ( queda de Roma ) ao

ano de 1453 ( a queda de Constantinopla). Este período apresenta uma divisão, a saber:

-ALTA IDADE MÉDIA ( do século V ao século IX ) - fase marcada pelo processo de formação do

feudalismo.

-BAIXA IDADE MÉDIA ( do século XII ao século XIV ) -fase caracterizada pela crise do feudalismo.

Entre os séculos IX e XII observa-se a cristalização do Sistema Feudal.

Posto isto, vamos dividir o estudo do período medieval em duas partes. Nesta revisão

abordaremos a Alta Idade Média e na próxima revisão veremos o Feudalismo e a Baixa Idade

Média.

ALTA IDADE MÉDIA

Período do século V ao século IX é caracterizado pela formação do Sistema Feudal. Neste

período observa-se os seguintes processos históricos: a formação dos Reinos Bárbaros, com

destaque para o Reino Franco; o Império Bizantino -parte oriental do Império Romano - e a

expansão do Mundo Árabe. Grosso modo, a Alta Idade Média representa o processo de

ruralização da economia e sociedade da Europa.

1. OS REINOS BÁRBAROS

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Para os romanos, "bárbaro" era todo aquele povo que não possuía uma cultura greco-romana e

que, portanto, não vivia sob o domínio de sua civilização. Os bárbaros que invadiram e

conquistaram a parte ocidental do Império Romano eram os Germânicos, que viviam em um

estágio de civilização bem inferior, em relação aos romanos. Eles não conheciam o Estado e

estavam organizados em tribos. As principais tribos germânicas que se instalaram na parte

ocidental de Roma foram:

-Os Anglo-Saxões, que se estabeleceram na Grã-Bretanha;

-Os Visigodos estabeleceram-se na Espanha;

-Os Vândalos fixaram-se na África do Norte;

-Os Ostrogodos que se instalaram na Itália;

-Os Suevos constituíram-se em Portugal;

-Os Lombardos no norte da Itália;

-Os Francos que construíram seu reino na França.

Os Germânicos não conheciam o Estado, vivendo em comunidades tribais - cuja principal

unidade era a Família. A reunião de famílias constituía um Clã e o agrupamento de clãs formava

a Tribo. A instituição política mais importante dos povos germânicos era a Assembléia de

Guerreiros, responsável por todas as decisões importantes e chefiada por um rei ( rei que era

indicado pela Assembléia e que, por isto mesmo, controlava o seu poder ). Os jovens guerreiros

se uniam -em tempos de guerra -a um chefe militar por laços de fidelidade, o chamado

Comitatus.

A sociedade germânica era assim composta:

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-Nobreza: formada pelos líderes políticos e grandes

proprietários de terras;

-Homens-livres: pequenos proprietários e guerreiros que

participavam da Assembléia;

-Homens não-livres: os vencidos em guerras que viviam sob o regime de servidão e presos à

terra e os escravos - grupo formado pelos prisioneiros de guerra.

Economicamente, os germânicos viviam da agricultura e do pastoreio. O sistema de produção

estava dividido nas propriedades privadas e nas chamadas propriedades coletivas ( florestas e

pastos ).

A religião era politeísta e seus deuses representavam as forças da natureza.

Como vimos na aula 02, o contato entre Roma e os bárbaros, a princípio, ocorreu de forma

pacífica até meados do século IV. À partir daí, a penetração germânica deu-se de forma violenta,

em virtude da pressão dos hunos. Também contribuíram para a radicalização do contato:

crescimento demográfico entre os germanos, a busca por terras férteis, a atração exercida pelas

riquezas de Roma e a fraqueza militar do Império Romano.

Entre os povos germânicos, os Francos são aqueles que irão constituir o mais importante reino

bárbaro e que mais influenciarão o posterior desenvolvimento europeu.

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O REINO FRANCO

A história do Reino Franco desenvolve-se sob duas dinastias:

-Dinastia dos Merovíngios ( século V ao século VIII ) e -Dinastia dos Carolíngios ( século VIII ao

século IX ).

OS MEROVÍNGIOS

O unificador das tribos francas foi Clóvis ( neto de Meroveu, um rei lendário que dá nome a

dinastia). Em seu reinado houve uma expansão territorial e a conversão dos Francos ao

cristianismo. A conversão ao cristianismo foi de extrema importância aos Francos que passam a

receber apóio da Igreja Católica; e para a Igreja Católica que terá seu número de adeptos

aumentado, e contará com o apóio militar dos Francos.

Com a morte de Clóvis, inicia-se um período de enfraquecimento do poder real, o chamado

Período dos reis indolentes. Neste período, ao lado do enfraquecimento do poder real haverá o

fortalecimento dos ministros do rei, o chamado Mordomo do Paço (Major Domus). Entre os

Mordomos do Paço, mercerem destaque: Pepino d'Herstal, que tornou a função hereditária;

Carlos Martel, que venceu os árabes na batalha de Poitiers, em 732 e Pepino, o Breve, o criador

da dinastia Carolíngia.

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A Batalha de Poitiers representa a vitória cristã sobre o avanço muçulmano na Europa. Após esta

batalha, Carlos Martel ficou conhecido como "o salvador da cristandade ocidental".

OS CAROLÍNGIOS

Dinastia iniciada por Pepino, o Breve. O poder real de Pepino foi legitimado pela Igreja,

iniciando-se assim uma aliança entre o Estado e a Igreja - muito comum na Idade Média, bem

como o início de uma interferência da Igreja em assuntos políticos.

Após a legitimação de seu poder, Pepino vai auxiliar a Igreja na luta contra os Lombardos. As

terras conquistadas dos Lombardos foram entregues à Igreja, constituindo o chamado

Patrimônio de São Pedro. A prática de doações de terras à Igreja irá transformá-la na maior

proprietária de terras da Idade Média.

Com a morte de Pepino, o Breve e de seu filho mais velho Carlomano, o poder fica centrado nas

mãos de Carlos Magno.

O IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Carlos Magno ampliou o Reino Franco por meio de uma política expansionista. O Império

Carolíngio vai compreender os atuais países da França, Holanda, Bélgica, Suiça, Alemanha,

República Tcheca, Eslovênia, parte da Espanha, da Áustria e Itália.

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A Igreja Católica, representada pelo Papa Leão III, vai coroá-lo imperador do Sacro Império

Romano, no Natal do ano 800.

O vasto Império Carolíngio será administrado através das Capitulares, um conjunto de leis

imposto a todo o Império. O mesmo será dividido em províncias: os Condados, administrados

pelos condes; os Ducados, administrados pelos duques e as Marcas, sob a tutela dos marqueses.

Condes, Duques e Marqueses estavam sob a vigilância dos Missi Dominici -funcionários que em

nome do rei inspecionavam as províncias e controlavam seus administradores. Os Missi Dominici

atuavam em dupla: um leigo e um clérigo.

No reinado de Carlos Magno a prática do benefício (beneficium) foi muito difundida, como

forma de ampliar o poder real. Esta prática consistia na doação de terras a quem prestasse

serviços ao rei, tendo para com ele uma relação de fidelidade. Quem recebesse o benefício não

se submetia à autoridade dos missi dominici. Tal prática foi importante para a fragmentação do

poder nas mãos de nobres ligados à terra em troca de prestação de serviços -a origem do

FEUDO.

Na época de Carlos Magno houve um certo desenvolvimento cultural, o chamado Renascimento

Carolíngio, caracterizado pela promoção das atividades culturais, através da criação de escolas e

pela vinda de sábios de várias partes da Europa, tais como Paulo Diácono, Eginardo e Alcuíno -

monge fundador da escola palatina.

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Este "renascimento" contribuiu para a preservação e a transmissão de valores da cultura clássica

( greco-romana ). Destaque para a ação dos mosteiros, responsáveis pela tradução e cópia de

manuscritos antigos.

DECADÊNCIA DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Com a morte de Carlos Magno, em 814, o poder vai para seu filho Luís, o Piedoso, o qual

conseguiu manter a unidade do Império. Com a sua morte, em 841, o Império foi dividido entre

os seus filhos. A divisão do Império ocorreu em 843, com a assinatura do Tratado de Verdun

estabelecendo que:

Carlos, o Calvo ficasse com a parte ocidental ( a França atual);

Lotário ficasse com a parte central ( da Itália ao mar do Norte) e

Luís, o Germânico ficasse com a parte oriental do Império.

Após esta divisão, outras mais ocorrerão dentro do que antes fora o Império Carolíngio. Estas

divisões fortalecem os senhores locais, contribuindo para a descentralização política que,

somada a uma onda de invasões sobre a Europa, à partir do século IX ( normandos, magiares e

muçulmanos ) contribuem para a cristalização do feudalismo.

A expansão Islâmica ocorreu em três momentos:

1ª etapa ( de 632 a 661 )- conquistas da Pérsia, da Síria, da Palestina e do Egito;

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2ª etapa ( de 661 a 750 )- a Dinastia dos Omíadas, que expandiu as fronteiras até o vale do Indo

(Índia); conquistou o Norte da África até o Marrocos e a Península Ibérica na Europa. O avanço

árabe sobre a Europa foi contido por Carlos Martel, em 732 na batalha de Poitiers.

3ª etapa ( de 750 a 1258 )- a Dinastia dos Abássidas, onde ocorre a fragmentação político-

territorial e a divisão do Império em três califados: de Bagdá na Ásia, de Cordova na Espanha e

do Cairo no Egito.

Após esta divisão, do mundo Islâmico será constante até que no ano de 1258 Bagdá será

destruída pelos mongóis.

AS CONSEQÜÊNCIAS DA EXPANSÃO

A expansão árabe representou um maior contato entre as culturas do Oriente e do Ocidente. No

aspecto econômico a expansão territorial provocará o bloqueio do mar Mediterrâneo,

contribuindo para a cristalização do feudalismo europeu, ao acentuar o processo de ruralização

e fortalecendo a economia de consumo.

A CULTURA ISLÂMICA

Literatura: poesias épicas e fábulas. Destaque para os contos de aventuras, como As Mil e uma

Noites.

Ciências: muito práticos os árabes aplicaram o raciocínio lógico e o experimentalismo.

Desenvolveram a Matemática ( álgebra e trigonometria ), a Química ( alquimia ), Medicina (

sendo Avicena o grande nome ) e a Filosofia ( estudo de Aristóteles ).

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Artes: a grande contribuição foi no campo da Arquitetura, com construção de palácios e de

Mesquitas. Na Pintura, dado a proibição religiosa de reproduzir a figura humana, houve o

desenvolvimento dos chamados arabescos.

O IMPÉRIO BIZANTINO

No ano de 395, Teodósio divide o Império Romano em duas partes: o lado ocidental passa a ser

designado por Império Romano do Ocidente, com capital em Roma; o lado oriental passa a ser

Império Romano do Oriente com capital em Bizâncio ( uma antiga colônia grega). Quando o

imperador Constantino transferiu a capital de Roma para a cidade de Bizâncio, ela passou a ser

conhecida como Constantinopla.

A ERA DE JUSTINIANO (527/565)

Justiniano foi um dos mais famosos imperadores bizantinos. Seu reinado corresponde ao apogeu

do Império Bizantino. Em seu reinado destacam-se:

-o cesaropapismo: significa que o chefe do Estado ( César ) torna-se o chefe supremo da religião

( Papa ). As constantes interferências do Estado nos assuntos religiosos provocam desgastes

entre o Estado e a Igreja resultando, no ano de 1054, uma divisão na cristandade -o chamado

GRANDE CISMA DO ORIENTE. A cristandade ficou dividida em duas igrejas: Igreja Católica do

Oriente ( Ortodoxa ) e Igreja Católica do Ocidente, com sede em Roma.

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-a guerra de Reconquista: tentativa de Justiniano para reconstituir o antigo Império Romano,

procurando reconquistar o Norte da África, a Itália e Espanha que estavam sob o domínio dos

chamados povos bárbaros;

-a Revolta Nika: para sustentar a Guerra de Reconquista, o governo adotou uma política

tributária o que gerou insatisfações e lutas sociais. Justiniano usou da violência para acalmar o

Império;

Justiniano foi também um grande legislador e responsável pela elaboração do Corpus Juris Civilis

( Corpo do Direito Civil ), que estava assim composto:

-o Código: revisão de todas as leis romanas; -o Digesto: sumário escrito por juristas; -as

Institutas: manual para estudantes de Direito; -as Novelas: conjunto de leis criadas por

Justiniano.

Com a morte de Justiniano, o Império Bizantino inicia sua decadência. Entre os séculos VII e VIII

os árabes conquistam boa parte do Império Bizantino e em 1453 os turcos ocupam a capital -

Constatinopla.

A CULTURA BIZANTINA

O povo bizantino era muito religioso e exerciam os debates teológicos. Muitas questões

teológicas foram discutidas, destacamdose:

-o monofisismo: tese que negava a dupla natureza de Cristo

humana e divina. Segundo o monofisismo, Cristo tinha uma

única natureza: a divina.

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-A iconoclastia: movimento que pregava a destruição de

imagens sagradas ( ícones ).

Nas artes, os bizantinos destacaram-se na Arquitetura: construção de fortalezas, palácios,

mosteiros e igrejas. A mais exuberante das igrejas foi a Igreja de Santa Sofia, construída no

reinado de Justiniano. A característica da arquitetura bizantina era o uso da cúpula.

Os bizantinos também se destacaram na arte do mosaico, utilizados na representação de figuras

religiosas, de políticos importantes e na estilização de plantas e animais.

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