A Linguagem Barroca - Apostilas - Linguistica, Notas de estudo de Linguística. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
VictorCosta
VictorCosta5 de Março de 2013

A Linguagem Barroca - Apostilas - Linguistica, Notas de estudo de Linguística. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Apostilas de Linguística sobre o estudo da linguagem Barroca, características, o Barroco, o metalismo, tendências do Barroco, economia, política e sociedade.
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A Linguagem Barroca

Características:

- Emprego constante de figuras de linguagem;

- Uso de uma linguagem requintada;

- Exploração de temas religiosos;

-Consciência de que a vida é passageira: ao mesmo tempo em que o homem ao pensar na efemeridade da vida busca a salvação espiritual ele tem desejo de gozar dessa antes que acabe;

- Cultismo: exploração dos efeitos sensoriais.

- Jogo de idéias: formado por sutilezas do raciocínio e do pensamento lógico.

Na estética barroca, observam-se duas tendências: o cultismo e o conceptismo.

- O cultismo se refere à exploração de elementos sensoriais, baseadas em figuras de linguagem.

- O conceptismo se caracteriza pelo uso de conceitos, linguagem marcada pelo jogo de idéias e pelo raciocínio lógico.

O cultismo predomina na poesia e o conceptismo na prosa.

O Barroco

Barroco é o nome dado ao estilo artístico que floresceu entre o final do século XVI e meados do século XVIII, inicialmente na Itália, difundindo-se em seguida pelos países católicos da Europa e da América, antes de atingir, em uma forma modificada, as áreas protestantes e alguns pontos do Oriente. Considerado como o estilo correspondente ao absolutismo e à Contra-Reforma, distingue-se pelo esplendor exuberante. De certo modo o Barroco foi uma continuação natural do Renascimento, porque ambos os movimentos compartilharam de um profundo interesse pela arte da Antiguidade clássica, embora interpretando-a diferentemente, o que teria resultado em diferenças na expressão artística de cada período. Enquanto no Renascimento as qualidades de moderação, economia formal, austeridade, equilíbrio e harmonia eram as mais buscadas, o tratamento barroco de temas idênticos mostrava maior dinamismo, contrastes mais fortes, maior dramaticidade, exuberância e realismo e uma tendência ao decorativo, além de manifestar uma tensão entre o gosto pela materialidade opulenta e as demandas de uma vida espiritual. Mas nem sempre essas características são evidentes ou se apresentam todas ao mesmo tempo. Houve uma grande variedade de abordagens estilísticas, que foram englobadas sob a denominação genérica de "arte barroca", com certas escolas mais próximas do classicismo

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renascentista e outras mais afastadas dele. As mudanças introduzidas pelo espírito barroco se originaram, pois, de um profundo respeito pelas conquistas das gerações anteriores, e de um desejo de superá-las com a criação de obras originais, dentro de um contexto social e cultural que já se havia modificado profundamente em relação ao período anterior.

O Metalismo

O metalismo é uma teoria econômica da Idade Moderna (1453-1789) que quantifica a riqueza através da quantidade de metais preciosos possuídos. Foi uma das práticas econômicas usadas no mercantilismo.

Baseia-se na crença de posse e acúmulo de ouro e metais preciosos,o metal é a maior fonte de riquezas, confundindo estes com capital, não investindo em atividades lucrativas como manufaturas, comércio, etc. Um exemplo de um país metalista no período citado foi a Espanha, que não percebeu que o acúmulo de metais preciosos (ouro e prata) era apenas uma ilusão de prosperidade, tornado-se periferia econômica na Europa enquanto a economia mineradora na América, principal fonte de riqueza espanhola, se esgotava.

Durante a Idade Moderna, Espanha e Portugal, que buscavam uma balança comercial favorável por meio do monopólio, defenderam o entesouramento de metais preciosos, prática denominada Metalismo.

Tendências do Barroco

São duas as tendências básicas do Barroco: Cultismo e Conceptismo. Embora constituam estilos diferentes, podem coexistir num mesmo autor ou até numa mesma obra. Há casos em que a distinção entre eles é muito difícil, se não impossível.

. Cultismo: Graças ao poeta espanhol D. Luís de Góngora, seu maior representante, este estilo também costuma ser chamado Gongorismo. Consiste na hipertrofia da dimensão sensorial (sonoridade e imagens) da obra literária. O autor cultista recorre exageradamente a metáforas, sinestias de toda ordem, aliterações, hipérbatos, antíteses, trocadilhos, neo-logismos estranhos... enfim, a um descritivismo rebuscado, tão rico quanto tortuoso. A obra cultista oferece-se como um espetáculo para os sentidos, chegando, muitas vezes, a obscurecer o entendimento (hermetismo).

. Conceptismo: Consiste na hipertrofia da dimensão conceitual da obra literária. Utilizando-se mais da razão dos sentidos, o autor conceptista cria raciocínios engenhosos, num refinado jogo intelectual de paradoxos e sutilezas lógicas. Enquanto o Cultismo é essencialmente descritivo, o

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Conceptismo é analítico. Considera-se o espanhol D. Francisco de Quevedo o mais representativo e influente autor desse estilo.

Exemplo de texto cultista:

O todo sem a parte não é todo;

A parte sem o todo não é parte;

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,

E todo assiste inteiro em qualquer parte,

E feito em partes todo em toda a parte,

Em qualquer parte sempre fica todo.

O braço de Jesus não seja parte,

pois que feito Jesus em partes todo

assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,

Um braço que lhe acharam, sendo parte,

Nos diz as partes todas deste todo.”

Exemplo de texto Conceptista

BUSCANDO A CRISTO – GREGÓRIO DE MATOS

A vós correndo vou, braços sagrados,

Nessa cruz sacrossanta descobertos,

Que, para receber-me, estais abertos,

E, por não castigar-me, estais cravados.

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A vós, divinos olhos, eclipsados

De tanto sangue e lagrimas abertos,

Pois, para perdoar-me, estais despertos,

E, por não condenar-me, estais fechados,

A vós, pregados pés, por não deixar-me,

A vós, sangue vertido, para ungir-me,

A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,

A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

Para ficar unido, atado e firme.

Economia, Política e Sociedade

O contexto social em que floresceu o Barroco foi marcado por numerosas mudanças na situação política européia e pelo conflito constante. Foi assinalado que entre 1562 e 1721 a Europa como um todo não conheceu a paz senão em quatro anos. A maior guerra deste período foi a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que envolveu a Espanha, França, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Áustria, Polônia, Império Otomano e Sacro Império. De início desencadeada pela disputa entre católicos e protestantes, logo repercutiu para o campo secular em questões dinásticas e nacionalistas. Na conclusão do confronto, a Paz de Vestfália determinou uma reorganização ampla na geografia política continental, favoreceu o fortalecimento de Estados absolutistas, enfraqueceu outros, mas reconheceu a impossibilidade da reunificação do Cristianismo, que foi deslocado como força política pelas realidades práticas da política secular.

Na economia a principal mudança foi a formação de um sistema de mercado internacional através do desenvolvimento do sistema colonial nas Américas e Oriente, com a escravidão como uma das bases de seu funcionamento. O sistema bancário também foi aprimorado, as práticas de comércio se tornaram mais complexas e a importação de produtos coloniais, como o café, tabaco, arroz e açúcar, transformou hábitos culturais e a dieta. Junto com a afluência para a Europa de outros bens da colônia, incluindo grandes quantidades de ouro, prata e diamantes, o

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sucesso do sistema mercantil europeu enriqueceu o continente e afetou as relações sociais e políticas, originando novas regras de diplomacia e etiqueta, além de financiar um grande florescimento artístico.

Na época do Barroco, a sociedade como um todo vivia sob o domínio da igreja, por isso, as pessoas tentavam conciliar a glória e o valor humano despertados pelo Renascimento com as idéias de submissão e pequenez diante de Deus e da igreja.

Além disso, as pessoas da sociedade viviam com o pensamento entre céu e terra, conscientes de sua grandeza, mas perseguido pela idéia de pecado e por isto, buscavam a salvação de forma angustiada.

As Contradições do Barroco

Ao longo do século XVII ocorre um conflito entre ambas as tradições, o qual pode ser explicado através de uma perspectiva histórica. A partir da terceira década do século XVI, a Reforma liderada por Lutero desfez a unidade religiosa européia e abalou o poder da Igreja Católica. A reação da Contra-Reforma, por meio do Concílio de Trento (1545 a 1563), acentuou um embate idológico que se estendeu por todo o século XVII, avançando, em alguns países, pelo século XVIII.

As contradições entre ideias antropocêntricos podem explicar o surgimento do estilo Barroco na Espanha, na Itália e em Portugal. O barroco seria, portanto, a expressão, nas artes, da profunda crise ideológica e da multiplicidade de estados de espírito do homem seiscentista, dividido entre a razão e a fé , entre a mentalidade em expansão (tradição clássica) e os valores medievais defendidos pelo clero e pela nobreza.

No Brasil, o barroco litrário coincide com o ciclo da cana-de-açúcar, com as invasões holandesas, com a formação da família patriarcal nos engenhos de cana do Nordeste, com a ocupação efetiva do território brasileiro, com o domínio espanhol (União Ibérica), com a implantação do espírito católico contra-reformista, através da presença dos jusuítas, etc.

A Temática Barroca

A temática utilizada pelos artistas deste estilo artístico estava baseada, essencialmente, na dualidade entre o humano e o divino (antropocentrismo x teocentrismo) e na subjetividade. Os artistas usavam efeitos de luz e sombra, curvas e texturas, dando uma idéia de movimento. Vale ressaltar também que a arte barroca teve certas características regionais.

Principais Características do Barroco:

Tentativa de fundir duas características diferentes do pensamento europeu.

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Culto exagerado da obra, sobrecarregando a poesia de figuras de linguagem.

Dualismo: conflito entre o bem e o mal, o Céu e a Terra, Deus e o Diabo, o material e o espiritual, o pecado e o perdão...

Culto do Contraste, onde o poeta se sente dividido e confuso por causa do dualismo de idéias.

Pessimismo, que era acarretado pela confusão causada pelo dualismo.

Literatura moralista, já que era usada pelos padres jesuítas para pregar a fé e a religião.

O barroco revela a busca da novidade e da surpresa , o gosto da dificuldade.

O homem dividido entre o desejo de aproveitar a vida e o de garantir um lugar no céu. Conflito existencial gerado pelo dilema do homem dividido entre o prazer pagão e a fé religiosa. Antropocentrismo x Teocentrismo (homem X Deus, carne X espírito). Detalhismo e rebuscamento- a extravagância e o exagero nos detalhes. Contradição- é a arte do contraditório, onde é comum a idéia de opostos: bem X mal, pecado X perdão, homem X Deus. Linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos estilísticos e figuras de linguagem e sintaxe, hipérboles, metáforas, antíteses e paradoxos, para melhor expressarem a comparação entre o prazer passageiro da vida e a vida eterna.

O Poder Absolutista da época Barroca

Em Portugal, o absolutismo passou por várias fases do desenvolvimento em um sentido crescente do aumento de autoridade e concentração do poder nas mãos dos reis, atingindo o seu auge no reinado de João V. Contudo, não se pode determinar com muita precisão o período em que a monarquia portuguesa já se encontra estruturada em bases absolutistas. Essa questão é difícil de datar porque as raízes do poder monárquico foram se desenvolvendo aos poucos, em várias estruturas e crescendo ao longo de três séculos. Outrora, devemos entender o regime absolutista português como um processo de longa duração, e ao decorrer de toda a Época Moderna, colheu frutos do prestígio que tinha em seu território.

A Espanha conheceu em 1469 a unificação política com o casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão. Unificado, o reino espanhol reuniu forças para completar a expulsão dos mouros e, com a ajuda da burguesia, lançar-se às grandes navegações marítimas.

Na França, o longo processo de centralização do poder monárquico atingiu seu ponto culminante com o rei Luís XIV, conhecido como "Rei Sol", que reinou entre 1643 e 1715. A ele atribui-se a célebre frase "o Estado sou eu". Ao contrário de seus antecessores, recusou a figura de um "primeiro-ministro", reduziu a influência dos parlamentos regionais e jamais convocou os Estados Gerais.

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Na Inglaterra, o absolutismo teve início em 1509 com Henrique VIII, que apoiado pela burguesia, ampliou os poderes monárquicos, diminuindo os do parlamento. No reinado da Rainha Elisabeth I, o absolutismo monárquico foi fortalecido, tendo iniciado a expansão marítima inglesa, com a colonização da América do Norte. Contudo, após a Guerra Civil Inglesa, o Absolutismo perdeu força em Inglaterra, com o rei gradualmente perdendo poderes em favor do Parlamento. A Revolução de 1688 - a "Revolução Gloriosa" - pôs um ponto final no absolutismo inglês.

A Literatura e a Propagação da Fé

O crescente individualismo que marginalizou a espiritualidade

na Renascença é combatido no Seiscentismo. Neste último período

revela-se a tendência a uma doutrinação dirigida. A cristianização

tenta dar retorno às questões religiosas, que o homem havia ignorado

no seu interesse terrenalista do período anterior. Instaura-se, assim, a

dúvida, o conflito, a tensão psicológica de um homem que tentava

conciliar as necessidades materiais (da carne) e as aspirações religiosas

(espirituais).

Padre Antônio Vieira serve ao ideal da literatura moralizante,

espiritual, com vistas a doutrinar o homem que estava perdido em

desgraças neste mundo. Já Gregório de Matos, reflete em suas obras

o homem em conflito com os valores terrenos e espirituais, que tenta

conciliar as duas idéias opostas e se perde na dúvida.

PADRE ANTÔNIO VIEIRA

Padre Antônio Vieira viveu no contexto do Barroco, em que

se cultivava a cultura do excesso, juntamente ao saber ornamental da

palavra. A oratória, cuja função social era a propagação da fé e do

catolicismo, adquire grande importância priorizando as regras da eloqüência

e produzindo um discurso engenhoso. O belo está presente

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como ornamentador do discurso. Os sermões de Padre Antônio Vieira

servem a este propósito: propagar a fé com os recursos da retórica.

Conceptista, ele presta especial atenção ao conceito.

Padre Antônio Vieira acreditava ser escolhido por Deus para

uma missão na Terra: disseminar a palavra de Deus. “Vieira, como

porta-voz deste Senhor Absoluto, se dirige a um mundo desordenado,

a um mundo que caminha para a destruição, tal como ele, se não tivesse tido o privilégio de ser o escolhido. Na foto Abaixo, Padre Antônio Vieira.

Barroco Em Portugal

O barroco em Portugal desenvolveu-se entre 1580 e 1756. Em 1580, Portugal perde sua autonomia como país, passando a integrar o reino da Espanha. Em 1756 funda-se a Arcádia Lusitana – uma academia poética -, e tem início um novo estilo: o Arcadismo.

Ao contrário do resto da Europa (onde se vivia um forte sistema político absolutista) o Barroco português não se inicia em 1600. Portugal encontra-se nesta época em profunda crise política, econômica e de identidade social; provocada principalmente pela perda do trono para Felipe II de Espanha. A nobreza abandona as cidades, saindo para o campo, levando pequenas cortes consigo, desta forma tentando preservar a identidade sócio-cultural portuguesa. Fechados às influências de Espanha, encontram-se também fechados ao mundo. É nesta época que nasce a Arquitetura Chã.

O Barroco como estilo arquitetônico exige dinheiro que Portugal, após a perda do Brasil para os holandeses, não tinha. A economia não era sustentável porque grande parte da riqueza nacional baseava-se no ouro e nas pedras vindas do Brasil, com as quais se comprava todos os bens de consumo que não eram produzidos no país. Só no fim do século XVII a crise econômica do país melhora, remetendo, no entanto, para uma situação semelhante à do reinado de D. Manuel.

Na continuação da corrente absolutista vivida já no resto da Europa, D. Pedro II depõe o irmão D. Afonso VI, alegando-o incapaz de governar e de comandar o reino.

Pe. Antônio Vieira

Padre Antônio Vieira ((Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 – Bahia, 18 de julho de 1697) foi um religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e Oratória, destacou-se como missionário em

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terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).

António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.

Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades freqüentemente exigem sua leitura.

O Barroco: A Arte da Indisciplina

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