A Sociedade Americana - projeto de Pesquisa - Historia, Notas de estudo de . Universidade do Vale do Sapucaí
Reginaldo85
Reginaldo851 de Março de 2013

A Sociedade Americana - projeto de Pesquisa - Historia, Notas de estudo de . Universidade do Vale do Sapucaí

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Trabalho de pesquisa de historia sobre a sociedade americana: A sociedade americana nos Simpsons 1989-1996.
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Projeto de Pesquisa em História

A sociedade americana n?Os Simpsons

1989-1996

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?NDICE

1. INTRODU??O ........................................................................................... 3

2. OBJETIVOS .............................................................................................. 5

2.1 Geral ........................................................................................................ 5

2.2 Específico ............................................................................................... 5

3. JUSTIFICATIVA ........................................................................................ 6

4.1 FONTES ................................................................................................ 8

4.2 Análise das fontes ................................................................................. 9

5. METODOLOGIA ....................................................................................... 8

5.1 O que é História .................................................................................... 11

5.2 Fundamentação teórica ....................................................................... 12

6. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 14

7. CRONOGRAMA

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1. Introdução

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“Ah Marge. Desenhos não tem nenhum significado profundo.

Eles são só rabiscos toscos que proporcionam uma risada barata”

- Homer Simpson

Desde que estreou na televisão americana no início da década de 90, o

desenho animado Os Simpsons vem ganhando público e gerando debates.

As histórias da família típica de subúrbio atraem às crianças pelas peraltices

do menino Bart, tanto quanto interessam aos adultos pelas críticas à política,

costumes e cultura americanas.

Nos EUA, a série foi elogiada pela crítica e ganhou inúmeros prêmios, sendo

também transmitida para mais de 100 países. Tem ainda sido fonte de um farto

material para estudos acadêmicos, de áreas tão diversas como publicidade e filosofia.

Com este trabalho pretendemos analisar o desenho animado e reconhecer

nele as características típicas da sociedade norte-americana, utilizando a série de tv

como documento histórico que se propõe a retratar de forma irônica o seu próprio

tempo.

Vamos reconhecer na narrativa as representações de relações sociais que

possam estabelecer relações de poder entre os personagens, partindo da hipótese de

que ele se propõe a criticar o american way of life mas apesar das ironias e humor

politicamente incorreto, ele acaba por reforçar os comportamentos já tradicionalmente

aceitos nessa sociedade.

Por relações de poder entendemos que este é desigualmente distribuído, que

uma parte da sociedade é dominante em relação à outra parte, e a primeira se utiliza

de aparelhos ideológicos para dominar a segunda.

Entre esses modos de dominação está o sentido das formas simbólicas que

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está inserido no mundo social, representado no nosso material de estudo por ações,

imagens e textos.

Para compreender os textos, partiremos das teorias de Análise do Discurso em

que a linguagem é resultado de formações específicas sócio-culturais e deve ser

estudada como signo ideológico, com um sentido dentre os vários possíveis

determinado pelo seu contexto.

Como resultante dessas interações entre contexto de produção e expectativas

do mercado televisivo, temos um “inocente” desenho animado criando modelos de

idéias e comportamentos a serem seguidos por um público grande e diversificado.

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2. Objetivos

2.1 Geral

Estudar a construção e representação dos estilos de vida norte americanos na

mídia televisiva, em especial nos desenhos animados.

2.2 Específicos

Entender o conceito de american way of life,

Os alcances e influências que a televisão exerce sobre a sociedade

contemporânea.

Questionar os exemplos de ideologia existentes na série.

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3. Justificativa

A escolha dos desenhos animados como tema de pesquisa deve-se

principalmente, à crescente influência que a mídia exerce na sociedade

contemporânea, suscitando debates sobre seu poder como modelo de

comportamentos, formadora de opiniões e vendedora de idéias.

Os desenhos animados são interessantes para uma análise na medida em que

desfazemos de sua pretensa "inocência" em ser um produto para diversão infantil, e

podemos compreender os processos em implantar ideologias, atitudes e crenças por

trás de sua apresentação em linguagem simples e imagens coloridas.

O desenho Os Simpsons nos interessa por apresentar um conteúdo que

agrada à crianças e adultos, tratando de temas contemporâneos com menções diretas

a eventos e personagens reais.

Tem sido produzido por mais de uma década e faz sucesso nas mais diversas

culturas, o que faz do desenho um objeto importante para análise. A popularidade do

desenho pode ser medida pelos altos índices de audiência em todos os países em que

é exibido, e pelos inúmeros prêmios e elogios de crítica.

Por sua vez, a sua relevância como fenômeno popular pode ser percebida

pelas polêmicas que eventualmente causa; como a tentativa do secretário de turismo

do Brasil em proibir um episódio que supostamente difamava o país, ou o mal-estar

que causou na imprensa brasileira a comparação que um jornalista fez do

telespectador com o personagem Homer Simpson.

Como uma fonte alternativa de registro histórico, apoiamo-nos da idéia de que

todo material produzido pelo homem é passível de análise crítica, compreendidas de

acordo com as condições da sociedade e tempo em que foi feito, e transformado em

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documento para estudo.

Entendemos as manifestações culturais de uma específica época como

inevitavelmente inseridas nas lutas políticas, econômicas entre os vários grupos

dominantes.

A mídia seria nesse sentido uma forma da indústrial cultural que repercute as

preocupações do povo, transformadas em entretenimento e ficção para serem

lucrativos.

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4.1 Fontes

A nossa fonte para estudos é o desenho animado Os Simpsons, produzido

pela rede de TV americana Fox. Criado pelo cartunista americano Matt Groening, o

cartoon é exibido desde 1989 até o tempo presente, com mais de 300 episódios.

No Brasil o desenho é exibido desde 1991 nos canais de tv aberta e paga, e

estão disponíveis em DVD pela Fox até a 7 temporada. Os roteiros são encontrados

em The Simpsons: A Complete Guide to Our Favorite Family.

Os Simpsons é passado no subúrbio de uma cidade sem exata localização –

Springfield, nome comum a várias cidades dos EUA – e retrata uma família típica de

classe média com o casal e três filhos em suas atividades cotidianas, como ir ao

trabalho, à escola, se divertir e se relacionar com os vizinhos.

O desenho retrata uma realidade satirizada, em que todos os personagens são

tipos comuns do bom e do ruim que é encontrado na sociedade americana.

Além da sátira, que se caracteriza por ridicularizar um determinado tema,

outra grande fonte de atração e comicidade no desenho são as paródias. Nas citações

à personagens conhecidos do público, com os obrigatórios exageros de defeitos ou

virtudes, já participaram desde presidentes, passando por bandas de rock, até figuras

históricas.

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4.2 Análise das Fontes

O american way of life que pretendemos analisar se refere ao processo que se

iniciou nos anos 1950 nos EUA, período que foi chamado por Eric Hobsbawm de

“Anos Dourados”.

Com o fim da 2 Guerra, os EUA lideraram o avanço dos países capitalistas,

num período que foi marcado que foi marcado pela explosão da produção em série e

com grande rapidez, transformando o país na terra da modernidade e abundância.

A popularização da televisão e da indústria da propaganda estimularam o que

depois seria exportado para outros países como o modo de vida tipicamente

americano, o hiper-consumo como símbolo de liberdade de escolha e fartura.

Após um período de recesso neste entusiasmo norte-americano com a Guerra

Fria, o país estava passando por um período de relativa prosperidade nas décadas de

de 80/90, com crescimento econômico e estabilidade política retomados. O sucesso

na Guerra do Golfo deu ao país o ânimo de supremacia internacional que estava

abalado desde os anos 70.

A indústria cultural da América recém-saída do conservadorismo produzia

itens que eram prontamente exportados para o resto do mundo: filmes, música,

programas de tv ajudavam a disseminar a idéia de abundância e democracia que

vendiam ao mundo as imagens da terra dos livres e dos bravos.

Entre as inúmeras produções televisivas de sucesso, escolhemos como fonte

para estudo o desenho animado Os Simpsons.

Altamente satírico, o seriado critica a sociedade americana tendo como alvos

principais a classe média e seus modos de vida, ao contar a história de um pai

“bobão” e sua família, seu emprego, os filhos na escola.

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Para este estudo, pretendemos analisar os episódios até a 4 temporada, por

julgarmos ser uma fase bastante representativa das histórias - a mais polêmica e

premiada, além de já constituir um grande volume de episódios para estudo.

No tratamento das fontes, pretendemos selecionar trechos de episódios do

desenho que melhor representem os comportamentos cotidianos e interação dos

personagens, que possam ser importantes para nossa análise em implantar

ideologias, atitudes e crenças.

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5. Metodologia

5.1 O que é História

Entendemos a história como o estudo das experiências humanas no passado e

no presente, sendo posteriormente organizado a partir de diversos discursos feitos por

estudiosos.

Estudar a história é tentar compreender as diversas maneiras como os homens

viveram e pensaram suas vidas e a de suas sociedades, através do tempo e do

espaço.

O registro, a escrita e transmissão da história são trabalhos do historiador, que

se utiliza de fontes específicas e forma o conhecimento que chega até outros tempos.

Como mencionado por FONSECA,

é por meio dos diversos registros das ações humanas, dos documentos, dos

monumentos, dos depoimentos de pessoas, de fotografias, objetos, vestuários que o real

vivido por homens e mulheres nos diversos tempos e espaços chega até nós. A história como

experiência humana torna-se objeto de investigação do historiador que a transforma em

conhecimento. (FONSECA, 2003)

As múltiplas interpretações possíveis desses dados fazem a história como

impossível de ser um relato definitivo e verdadeiro do passado, mas destinada a ser

“um constructo pessoal, uma manifestação da perspectiva do historiador como

narrador” (JENKINS, 2004.)

Essa visão pessoal é por sua vez, condicionada pelas influências do presente,

pelas leituras e vivências que possui o historiador. ? limitada pelos interesses

particulares em transmitir uma ou outra visão, pelas pressões exteriores em divulgar

ou não a versão de história como entendida pelo autor.

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5.2 Fundamentação teórica

Para realizar uma análise crítica das fontes iremos utilizar trechos dos

desenhos em que os personagens interagem em cenas cotidianas.

Iremos observar as conversas e relações entre os personagens, tendo em

vista a idéia de que os sujeitos são essencialmente determinados por sua classe

social, nacionalidade, raça, e seu discurso é onde as ideologias se manifestam.

Por ideologia, entendemos a concepção como explicada por CHAU? (1980),

em que as idéias e representações produzidas pelos homens tendem a esconder o

modo real de como funcionam as relações sociais e formas de exploração econômica

e dominação política, fazendo com que pareçam verdadeiras e justas.

Este ocultamento da realidade é feito por meio de símbolos – ações e falas,

imagens e textos - inseridos nos contextos sociais em que as pessoas participantes

possuem diferentes graus de poder para produzir e capacidade para entender estes

símbolos.

De acordo com Chauí, a ideologia é um instrumento de dominação de classe

porque a classe dominante faz com que suas idéias passem a ser idéias de todos.

Segundo apreendido de Marx como uma crítica ao sistema capitalista, a

ideologia é o sistema de representações separado da condição material de produção,

em que apenas a classe dominante expressa suas idéias e todos os homens a tomam

com verdadeira, mesmo sendo oposta à outras realidades.

Para aplicar essas noções à interpretação de nossas fontes, vamos utilizar a

Análise do Discurso da escola francesa (Foucault e Pecheux), que considera o

indivíduo essencialmente ideológico, e vê o discurso como um processo de articulação

entre o domínio lingüístico e o campo social, nunca uma construção individual.

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A linguagem é vista como uma interação entre indivíduos, em que o enunciado

é feito com uma elaboração mental orientada socialmente, representado por um

símbolo que é recebido ativamente pelo outro, que constrói o seu próprio significado.

Para Bakhtin, a linguagem é um distanciamento entre a coisa representada e o

que representa, e nesse espaço reside o ideológico. A palavra como produto de

interação social se caracteriza pelos diferentes valores; “por isso é o lugar privilegiado

para a manifestação da ideologia, retrata as diferentes formas de significar a

realidade, segundo vozes, pontos de vista daqueles que a empregam.” (BRAND?O,

2002.)

Os conflitos entre as diversas formações ideológicas dos indivíduos faz com

que tudo o que é dito pode ter um sentido diferente dependendo do contexto social no

qual isto é feito, possibilitando um ou outro entendimento.

A ligação entre linguagem – como mero instrumento formal de comunicação –

e suas significações histórica e socialmente construídas é feita pelo discurso, que é

interação entre os dois componentes. O discurso não é neutro, nem natural, mas um

suporte das relações ideológicas em conflito, e não pode ser estudado fora da

sociedade e de suas condições de produção.

O discurso como visto na mídia está também inserido em um contexto de

produção e distribuição. Sendo determinado pelas respectivas regras de mercado e

consumo, ele é feito para chegar a um receptor e influenciar na produção de seus

próprios discursos.

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6. Bibliografia

BITTENCOURT, Circe. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto,

2002.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro : J. Zahar, 1997.

BRAND?O, Helena Nagamine. Introdução à análise do discurso. Campinas: Editora

da Unicamp, 1997.

CARDOSO, Ciro Flamarion S. Dominios da historia : ensaios de teoria e

metodologia. Rio de Janeiro : Campus, 1997.

CHAU?, Marilena. O que e ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1984.

ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1993.

ENCICLOP?DIA DO MUNDO CONTEMPOR?NEO. São Paulo: Publifolha, 2000.

FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática do Ensino de História. Campinas:

Papirus, 2003.

FOUCALT. Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária,

1997.

GROENING, Matt. The Simpsons: A Complete Guide to Our Favorite Family.

Harper Paperbacks, 1997.

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Compania das Letras, 1999.

IRWIN, William. Os Simpsons e a Filosofia: o D?oh! de Homer. São Paulo: Madras,

2004.

JENKINS, Keith. A História repensada. São Paulo, Contexto, 2004.

KELLNER, Douglas. A Cultura da mídia. Bauru: Edusc, 2001.

LE GOFF, Jacques. Historia e memoria. Campinas : Ed. da Unicamp, 1996.

MERI?O, Adriana. El rol de la interacción ficcional televisiva en la formación de

identidades sociales.

MESSADI?, Gerald. A crise do mito americano. São Paulo : ?tica, 1989.

PECHEUX, Michel. O discurso. Campinas : Pontes, 1997.

THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna : teoria social critica na era dos

meios de comunicação de massa. Petropolis: Vozes, 1995.

VALENZI, Mírlei Aparecida. The Wonder Years: A identidade Americana na mídia

televisiva. Tese de Mestrado, Inédita, USP 2001. disponível em

<http://www.teses.usp.br/>

na internet

Folha Online ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u31065.shtml ) acessado

em 29 de maio de 2006 ás 23:40

__________. (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55778.shtml )

acessado em 29 de maio de 2006 ás 23:48

Portal Simpsons (http://www.thesimpsons.com.br/) acessado em 17 de abril de 2006

ás 16:40

Wikipédia - Os Simpsons (http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Simpsons) acessado em 29

de maio ás 23:15

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