Afetividade Infantil - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
Gaucho_82
Gaucho_827 de Março de 2013

Afetividade Infantil - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

PDF (423.3 KB)
15 páginas
902Número de visitas
Descrição
Apostilas de Pedagogia sobre o estudo da Afetividade Infanti, o fil condutor na educação infantil, conhecimento.
20pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 15
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo

A AFETIVIDADE: O FIO CONDUTOR NA EDUCAÇÃO INFANTil1

RESUMO

A articulação da afetividade na Educação Infantil garante uma aprendizagem significativa?

Neste artigo procurou-se destacar a afetividade num convite ao educador a refletir sobre o

valor de uma educação fundada no respeito e no amor ao educando. A partir de pesquisa

bibliográfica, verificou-se que é através da inter-relação que se dá a interação com o meio e a

construção de um conhecimento altamente envolvente e significante.

Palavras-chave: Afetividade. Crianças. Educação. Conhecimento.

A criança necessita e deseja ser amada, acolhida, aceita e ouvida para que possa

despertar para a vida da curiosidade e do aprendizado.

A relação de afeto do educador com a criança é, portanto o suporte do conhecimento, é

um elemento fundamental na prática pedagógica, torna-se pertinente que o processo de educar

e de cuidar se envolvam simultaneamente, pois, são partes essenciais que formam um todo.

Para, além disso, torna-se fundamental questionar sobre a relevância da afetividade no

contexto educacional.

A articulação da afetividade na educação infantil garante a construção de um

conhecimento significativo?

Faz-se necessário ampliar o olhar do profissional de Educação Infantil no sentido de

que ele reconheça que as crianças têm necessidades de atenção, carinho e segurança, sem os

quais elas não sobrevivem.

Com base na afetividade a criança desenvolve a autonomia e a inter-relação com o

docsity.com

ambiente e com as pessoas que a envolve construindo um conhecimento global, altamente

progressivo.

1 Trabalho apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de Licenciatura em Pedagogia da

Faculdade Católica de Uberlândia.

* Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Católica de Uberlândia. E-mail:

mary.alice2008@yahoo.com. br.

** Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Católica de Uberlândia. E-mail:

mary.alice2008@yahoo.com. br.

Este artigo tem por objetivo destacar a afetividade como um canal de comunicação

harmoniosa entre a criança, os objetos e as pessoas que participam do seu desenvolvimento

em todos os aspectos da vida humana.

Para a construção deste trabalho usou-se a pesquisa bibliográfica, buscou-se respostas

para indagações propostas, atenciosamente avaliadas.

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituindo

principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido

algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de

fontes bibliográficas (GIL, 1999, p. 65).

Na história da humanidade por um bom período, não houve nenhuma instituição

responsável por compartilhar a responsabilidade pela criança com seus pais e com a

comunidade a que faziam parte.

Conforme as afirmações de Bujes (2001), durante muito tempo a educação da criança

foi considerada uma responsabilidade das famílias ou do grupo social ao que pertencia. Era no

convívio com os adultos e outras crianças que ela aprendia a se tornar membro desse grupo, e

a participar das tradições importantes por ele, apoderar-se dos conhecimentos necessários para

docsity.com

sua sobrevivência material e para encarar as exigências da vida adulta.

A autora destaca-se que a educação infantil, como nós a conhecemos nos dias atuais,

construída de forma a complementar à família é um fato bem recente. Não foi sempre que

ocorreu dessa forma, tem, no entanto, uma história.

Esta trajetória, porém só foi possível porque houve modificações na sociedade e nas

formas de pensar o que é ser criança e ao valor que foi dado à infância.

O aparecimento das instituições de educação infantil esteve de certo modo ligado ao

nascimento da escola e do pensamento pedagógico moderno, situado entre os séculos XVI e

XVII. A escola naquela época já era bem parecida com a que vemos hoje.

Houve um conjunto de possibilidades que propiciou a organização de tais instituições,

como por exemplo: a mudança da sociedade européia; o surgimento de novos mercados; o

desenvolvimento científico; a invenção da imprensa, o empenho da igreja pela alfabetização

usando interesses próprios; a implantação da sociedade industrial e as novas reivindicações

educativas feitas para dar conta das recentes ocupações no mercado de trabalho.

A autora ressalta que várias outras condições contribuíram para o surgimento da escola

moderna. Destacou-se: um novo olhar sobre a infância deu-lhe um destaque que

anteriormente não havia: a organização dos espaços exclusivos para educar as crianças, as

escolas; o surgimento de profissionais especializados sobre as características da criança, da

importância da infância na vida do sujeito e de como se organizaria as aulas, os conteúdos de

ensino, os horários, os alunos e a forma de recompensá-los e também de puni-los, estabelecer,

portanto, a forma de ensinar e de como ensinar.

As creches e pré-escolas surgiram após as escolas, o seu aparecimento se deu em

função da necessidade do trabalho da mãe fora de casa a partir da revolução industrial. Vale

lembrar também que isso esteve relacionado a uma estrutura familiar nova, onde pai/mãe e

filhos conviviam num mesmo espaço de forma ampliada, vários adultos convivendo juntos.

Ela ressalta ainda que nesta época tinha um grande interesse em descreverem as

crianças na sua natureza moral, defendiam a idéia de que em alguns casos promover a

docsity.com

educação era proteger a criança das más influências do seu meio, em outros casos era

necessário afastar a criança da ameaça da exploração, em outros, ainda, a educação

proporcionada à criança tinha por objetivo suprimir as suas tendências para a preguiça, a

vagabundagem que eram consideradas típicas das crianças pobres.

Bujes (2001) afirma que na verdade o que é nítido para justificar o surgimento das

escolas infantis é que as idéias sobre o que constituía uma natureza infantil, que de alguma

forma delineava o destino das crianças, o que elas iriam se tornar, explicava a ação dos

governos e da filantropia para transformar principalmente as crianças pobres em cidadãos

úteis numa sociedade almejada que era caracterizada por poucos. De qualquer forma o

aparecimento de creches e pré-escolas teve a finalidade de ampliar o olhar com relação a

infância e as suas possibilidades, com outros objetivos, como a questão da disciplina que viam

essencialmente nas crianças uma ameaça a ordem social e ao progresso.

Ressalta ainda que a expansão de tais instituições, especificamente no final do século

XIX na Europa e na metade do século XX no Brasil recebeu grande influência do pensamento

dos psicólogos e médicos higienistas que delimitava estritamente o que caracterizava o

desenvolvimento normal quais deveriam ser as condutas das famílias e das crianças

consideradas normais ou patológicas. Percebe-se que este conjunto de idéias fundamentou- se0

em concepções particulares, algumas assinaladas de forma clara pelos preconceitos, se

fizermos uma retrospectiva histórica veremos que este fato marcou gerações.

Bujes (2001, p. 15) afirma que:

Estas idéias vieram fazer com que muitas práticas discriminatórias fossem exercidas no nome

do que era “certo”, “normal”, “adequado”, em relação às condutas humanas, levando à

exclusão daqueles que eram “diferentes”, por uma mera impossibilidade de tolerar algo que

fugisse a uma norma estabelecida de forma arbitrária e que acabava por se tornar não discutível

(não podia ser posta em dúvida).

A autora aponta ainda que, uma confirmação disso é a discriminação sofrida pelas

docsity.com

crianças ditas excepcionais, consideradas por um enorme tempo como incapazes de aprender

e de se adaptarem e interagirem com crianças caracterizadas normais.

Portanto as creches e pré-escolas apareceram em virtude de mudanças políticas,

sociais e econômicas que aconteceram na sociedade: na organização das famílias, no novo

papel da mulher no mercado de trabalho e numa relação nova entre os sexos. Por outro lado,

também por uma função de idéias novas sobre a infância, sobre o papel da criança na

sociedade e de como por meio da educação torná-la um cidadão produtivo e íntegro, coerente

às exigências sociais.

Atualmente de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, (LDB)

Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a Educação Infantil é considerada a primeira etapa da

educação básica, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio. (BRASIL, 1996).

Segundo o seu Capítulo II, artigo 29, a Educação Infantil tem como finalidade o

desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos, físico,

psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade

(BRASIL, 1996).

Conforme o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), a

educação infantil deve ser organizada para atender aos seguintes objetivos:

- desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente,

confiante em sua capacidade e percepção de suas limitações;

- descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites,

desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidados com a própria saúde e bem-estar;

- estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua auto-estima e

ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;

- estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular

seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo

docsity.com

atitudes de ajuda e colaboração;

- observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais

como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes

que contribuam para sua conservação;

- brincar expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;

- utilizar as diferentes linguagem (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às

diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido,

expressar suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de

construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;

- conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e

participação frente a elas e valorizando a diversidade (BRASIL, 1998 a, p.63).

Portanto o professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento,

organizando e oportunizando espaços e situações de forma que os recursos e capacidades

afetivas, emocionais, sociais e cognitivas sejam articuladas. Sua intervenção é extremamente

necessária para que as crianças alarguem suas capacidades de apropriação das diferentes

linguagens e dos conceitos sociais.

Segundo Craidy (2001), vivemos nos dias atuais momentos de muitos temores e

interrogações diante das novas definições legais sobre Educação Infantil, principalmente as

decorrentes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB n. 9.394/96. Frente a

tantas discussões e expectativas sobre a Educação Infantil, é importante considerarmos que a

LDB 9.394/96 assim como as outras leis recentes a respeito da infância, são conseqüência da

Constituição Federal de 1988 que definiu no artigo 227 uma nova doutrina em relação à

criança considerando-a como sujeito de direitos. Ficou, portanto, definido que os pais, a

sociedade e o poder público têm que respeitar e garantir os direitos das crianças.

O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: atendimento

docsity.com

em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade (BRASIL, 1998 a).

A partir de tais definições decorre que as creches e as pré-escolas são direito tanto das

crianças como de seus pais e são instituições de caráter educacional e não somente

assistencial como várias vezes foram considerados.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) destacou melhor cada um dos direitos

da criança e do adolescente bem como os princípios que devem delinear as políticas de

atendimento. Determinou ainda a criação dos Conselhos da Criança e do Adolescente e dos

Conselhos. Os primeiros devem zelar pelo respeito aos direitos das crianças e dos

adolescentes, entre os quais o direito à educação, incluindo para as crianças pequenas o direito

a creches e pré-escolas (BRASIL, 2001).

A creche e a pré-escola têm, portanto, uma função de complementação e não de

substituição da família como tantas vezes foi entendido.

Duarte e Gulasso (2000), embasados nas experiências de Wallon, afirmam que a

criança começa a sua vida em uma situação de total dependência do externo a partir dos seus

impulsos ela estará comunicando seu desconforto ou suas necessidades provocando reações

que comunicará em seu meio imediato, e estabelecendo uma relação profunda, intima e

indiferenciada entre o bebê e àqueles que estão envoltos.

Afirma o RCNEI que no primeiro ano de vida da criança predomina a dimensão

subjetiva do movimento, sendo as emoções o canal privilegiado de interação do bebê com

outras crianças e com o adulto.

O dialogo afetivo que se estabelece com o adulto, caracterizado pelo toque corporal, pelas

modulações da voz, por expressões cada vez mais cheias de sentido, constitui-se em espaço

privilegiado de aprendizagem (BRASIL, 1998 c, p. 21).

Ressalta ainda o RCNEI, que neste período a criança imita o parceiro e cria suas

reações próprias como: balança o corpo, bate palmas, vira ou levanta a cabeça, rola etc. Antes

de andar podem desenvolver formas variadas de locomoção, como arrastar-se ou engatinhar.

docsity.com

Nesta fase acontece a exploração do corpo, brincar com as mãos e os pés. Do ponto de vista

das relações com o objeto, a enorme conquista do primeiro ano de vida é o gesto de prender

os objetos. Aquisições como a locomoção e a preensão significam importantes conquistas no

campo da motricidade objetiva (BRASIL, 1998 c).

Aponta ainda que na fase de um a três anos , quando a criança aprende a ficar tão

encantada com sua nova conquista que locomove de um lado para outro sem um objetivo

específico e se diverte com isso, e numa soma do amadurecimento progressivo do sistema

nervoso com essa prática propicia o aperfeiçoamento do andar. Nesta etapa acontece a grande

independência para exploração do espaço, a criança nesta idade não para, mexe em tudo,

explora, pesquisa.

Na medida em que explora, aprende gradativamente a adequar seus movimentos e

gestos às próprias intenções e as exigências da realidade.

Dessa forma a criança manipula os objetos. Outro aspecto da dimensão expressa do

ato motor são os gestos simbólicos que são desenvolvidos, tanto aqueles que são ligados ao

faz-de-conta quanto os que têm a função de indicar, apontar, dar tchau etc. Nesta faixa

também ocorre a imitação.

O RCNEI aponta que no plano da consciência corporal, a criança nesta idade, ao

reconhecer a imagem do seu corpo, o que acontece por meio das interações sociais que

organiza e das brincadeiras que realiza frente ao espelho, aprendendo a reconhecer as suas

características físicas, o que é fundamental para a construção de sua identidade (BRASIL,

1998 c).

Nessa fase, ela aprende a reconhecer as características físicas que integram a sua

pessoa, o que é essencial para a construção de sua identidade.

Já as crianças de quatro a seis anos ampliam seus repertórios de gestos instrumentais

os quais ocorrem com progressiva precisão. Atos que implicam coordenação de muitos

segmentos motores e o ajuste a objetos específicos como colar, recortar, encaixar pequenas

peças, etc., que se ampliam junto a isso, permanece a tendência lúdica da motricidade quando

docsity.com

desviam durante uma atividade a direção do gesto como transformar a tesoura numa espada

ou avião, etc (BRASIL, 1998 c).

Progressivamente, o movimento começa a submeter-se ao controle voluntario,

refletindo na capacidade de pensar antes de agir e no desempenho crescente de recurso de

esforço motor. Nesse sentido, percebe-se que:

[...] gradativamente, o movimento começa a submeter-se ao controle voluntário, o que se

reflete na capacidade de planejar e antecipar ações, ou seja, de pensar antes de agir – e no

desenvolvimento crescente de recursos de contenção motora (BRASIL, 1998 c, p. 24 - 25).

Ainda nesta fase é muito grande a quantidade de jogos e brincadeiras encontradas nas

mais diversas cultuas que abrangem complexas seqüências motoras para serem reproduzidas

favorecendo conquistas no plano da coordenação e precisão do movimento. As brincadeiras

que formam o repertório infantil e que se diferem conforme a cultura regional apresentam-se

como oportunidades privilegiadas para desenvolver habilidades no campo motor, como soltar

pipas, atirar com estilingue, jogar bolinhas de gude, pular amarelinha etc.

A LDB determina ainda que cada instituição do sistema escolar, também, as de

educação infantil deverão ter um plano pedagógico elaborado pela própria instituição com a

participação dos educadores e, que eles deverão ter sempre que possível o curso superior e

como formação mínima o curso normal com especialização em educação infantil (BRASIL,

1996).

Logo o diálogo interno da classe tanto quanto os investimentos na formação e na

carreira do profissional, pelas redes de ensino é nos dias atuais um desafio presente no que se

refere à profissionalização do professor de educação infantil.

O RCNEI afirma ainda que:

O trabalho direto com crianças pequenas exige que o professor tenha uma competência

polivalente. Ser polivalente significa que ao professor cabe trabalhar com conteúdos de

naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos

docsity.com

específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. (BRASIL, 1998 a, p.41).

Esta característica por sua vez exige uma formação muito ampla do profissional que

deve ele também, tornar-se um aprendiz, reflexivo de sua prática, debatendo com seus pares,

dialogando com a comunidade e com as famílias e pesquisando informações imprescindíveis

ao trabalho que desenvolve. É necessário que os projetos educativos das instituições, para

atender de fato esse diálogo e debate constante tenham:

[...] professores que estejam comprometidos com a prática educacional, capazes de responder

às demandas familiares e das crianças, assim como às questões específicas relativas aos

cuidados e aprendizagens infantis. (BRASIL, 1998 a, p. 41).

A sensibilidade das propostas retratadas instigando reflexão, convida o educador a

comprometer-se cada vez mais com o desenvolvimento do ser em sua totalidade.

Conforme Saltini (2002, p.70), o professor precisa conhecer a criança:

[...] mas deve conhecê-la não apenas na sua estrutura biofisiológica e psicosocial, mas também

na sua interioridade afetiva, na sua necessidade de criança que chora, ri, dorme, sofre e busca

constantemente compreender o mundo que a cerca, bem como o que ela faz ali na escola.

Quando uma criança chega a uma escola, não vai apenas para aprender, mais para

vivenciar também o aprendizado de forma total e quando o professor assim a percebe poderá

então orientá-la rumo ao amanhã.

De acordo com Horn e Barbosa (2001), organizar o cotidiano das crianças na escola

infantil é perceber que o estabelecimento de uma sequência de atividades diárias é, antes de

tudo, o resultado da leitura que se faz do nosso grupo de crianças a partir especificamente de

suas necessidades.

docsity.com

A jornada diária de uma escola infantil tem de prever momentos diferenciados que

certamente se organizarão da mesma forma para crianças maiores e menores. Vários tipos de

atividades envolverão o cotidiano das crianças e dos adultos:o horário de chegada, a

alimentação, o repouso, a higiene, os jogos diversificados: como o faz-de-conta:os jogos

imitativos e motores, as brincadeiras, os livros de historia, as atividades coordenadas pelo

adulto e outro.

As autoras ressaltam que:

É importante que o educador observe o que as crianças brincam como estas brincadeiras se

desenvolvem, o que mais gostam de fazer, em que espaços preferem ficar, o que lhes chama

mais atenção, em que momentos do dia estão mais tranqüilos ou mais agitados. Este

conhecimento é fundamental para que a estruturação espaço-temporal tenha significado.

(HORN; BARBOSA, 2001, p. 67).

Ao lado disto é fundamental considerar o contexto sociocultural no qual a criança se

insere e a proposta pedagógica da instituição, que devera lhe dar suporte.

Ainda Horn e Barbosa (2001) afirmam que ao planejarem o espaço para as crianças,

deve-se levar em conta que o ambiente é formado por gosto, toque, sons e palavras, regras de

uso do espaço, luzes e cores, mobílias, odores, equipamentos e ritmo de vida.

É de grande importância educar as crianças no sentido de categorizar, observar, propor

e escolher, proporcionando-lhes interações com vários elementos.

Conforme Saltini (2002), a criança no grupo busca satisfazer suas necessidades de

amor, afeto, acolhimento, registros que traz da primeira socialização, ela, mãe e pai. Ela

procura de imediato encontrar esses valores no professor e depois no grupo.

A inter-relação da professora com o grupo de alunos e com cada um individual deve

ser constante, na sala, no pátio, nos passeios, sendo em função dessa proximidade afetiva que

acontece a interação com os objetos e a construção de um conhecimento totalmente

docsity.com

envolvente. Nesse sentido Bertoline e Oliveira (2001, p.55-56) afirmam que “conforme as

crianças vão estabelecendo vínculos, os conflitos vão sendo amenizados”.

Sentir-se segura e confiante são aspectos fundamentais que possibilita a criança

explorar o ambiente; por tua sua vez, a exploração é essencial para o desenvolvimento motor,

cognitivo e emocional.

De acordo com Rodrigues (2001), a relação afetiva ou relação de apego, como se pode

chamar também, vai sendo edificada desde a primeira infância e vai sendo elaborada durante

toda a vida. A autora ressalta, ainda, sobre a necessidade de estarmos atentos para a

construção dos vínculos afetivos das crianças, dos educadores e das famílias, principalmente

durante o período de adaptação na instituição.

É nossa função estarmos atentos para a construção dos vínculos afetivos das crianças

dos educadores e das famílias, principalmente durante o período de adaptação na instituição.

A adaptação não é algo estático, é um processo de mudança, de desenvolvimento, de

atendimento às novas necessidades das crianças e às angústias dos pais, geradas pela

insegurança e pela incerteza da aceitação da criança em um novo espaço, mediante uma nova

história que se inicia.

Buscando como eixo do trabalho a afetividade como forma peculiar de interação,

comunicação infantil, de criação de vínculo, da inter-relação como suporte afetivo do

conhecimento, vale ressaltar uma plenitude de significados e valores confrontados a cada dia

nas situações, dentro de uma atmosfera afetiva de estabelecimento de relações diversificadas,

na qual a aceitação de cada singularidade seja objeto de atenção.

Pode-se portanto dizer que o educador serve de continente para a criança, sendo o

espaço onde são depositadas as pequenas construções e onde elas são valorizadas e acolhidas

como num seio materno.

O papel do educador é diferenciado, ele prepara o micro-universo onde as crianças

buscam, estabelecem vínculos construindo um conhecimento progressivo e envolvente.

A relação afetiva, também chamada relação de apego, que se estabelece com o grupo

docsity.com

como um todo, e ainda, as relações estabelecidas individualmente vão se construindo desde a

primeira infância. Dessa forma tais experiências vão sendo elaboradas durante toda a vida.

A postura do professor deve-se manifestar na percepção e na sensibilidade aos

interesses das crianças que em cada idade diferem seu modo de sentir o mundo, respeitandose

sua maturidade, seu pensamento e sua individualidade.

A afetividade é por conseqüência um rico canal de comunicação entre a criança, os

objetos e as pessoas com quem convive.

Por quanto, o afeto é imprescindível desde a concepção da criança, como também no

decorrer da existência, perpassando pelo percurso de sua escolaridade, é inerente ao ser

humano, independente de sexo, etnia ou condição social.

Considerações finais

Dentro do contexto histórico das instituições, ocorreram relevantes mudanças sobre a

forma de conceituar a infância.

Com a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996)

e o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (BRASIL, 1998), houve um

grande progresso, um novo olhar em relação à criança, com a finalidade de rever a prática do

educador, a qualificação, ressaltando o objetivo, a cognição, o acolhimento, a inclusão, o

perfil do educador, a postura diante à diversidade, entre outros, articulando a afetividade à

inteligência para produzir conhecimento, compreendendo a criança em sua totalidade. Assim

é extremamente importante defender o direito da criança à sua infância.

As crianças são seres totalmente ativas, tornam-se cada vez mais competentes e

preparadas para conviverem socialmente, se tiverem oportunidades para tal.

Ela participa da transformação que ocorre no contexto histórico em que se insere e

pelas experiências que vivem neste universo extremamente dinâmico.

Logo estamos diante de um grande desafio, pois, a criança tem uma lógica que é

docsity.com

inteiramente sua, ela encontra formas peculiares de se expressar, porque é capaz, através da

relação afetiva com o brinquedo, do sonho e da fantasia de viver em um mundo unicamente

dela, construído por ela, possui sua própria identidade, são únicas, diferindo-se totalmente

umas das outras, o que nos convida à reflexão para uma nova conduta que implica o respeito

às diversidades e a igualdade.

Razão pela qual a educação infantil e os educadores precisam se qualificar a cada dia,

incluindo o acolhimento, a segurança, o lugar para o lúdico, a emoção, o faz-de-conta e a

sensibilidade, sem deixar de lado o desenvolvimento das habilidades sociais, nem o domínio

do espaço, do corpo e da expressividade.

A criança simboliza em sua plenitude e ingenuidade, a esperança e a certeza de que

nasce uma espera e consolida-se um tempo, crer no poder da educação é transformar, é

acreditar que educamos o ser para si e para seu meio, capacitando-o para a assumir a vida e

buscar a verdade, receber e doar amor.

Cumprir esta responsabilidade social de partilhar com as crianças a estimulante

descoberta do mundo é tarefa enorme que nos compromete e nos convida a uma postura e

uma opção de abraçar esta causa.

O afeto é, portanto essencial à criança é a base do seu desenvolvimento processual,

segundo o qual o conhecimento só produz mudança na medida em que também é

conhecimento afetivo.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Lei

de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

Brasília: MEC/SEF, 1996.

______. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.

docsity.com

Referencial curricular para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998 a.

______. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.

Referencial curricular para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998 b.

______. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.

Referencial curricular para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998 c.

______. Câmara dos Deputados. Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069, de 13

de julho de 1990/Lei 8.242, de 12 de outubro de 1991. Brasília: Centro Gráfico, 2001.

BERTOLINI, Cândida; OLIVEIRA, Mirian, S. L. Novo ano, nova turma, nova adaptação. In.

FERREIRA, Maria Clotilde Rosseti (org.) Os fazeres na Educação Física. São Paulo:

Cortez, 2001, p. 55-56.

BUJES, Maria Isabel Edelweiss. Escola Infantil: pra que te quero? In. CRAIDY, C. M.

Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2001, p.13-22.

DUARTE, Márcia Pires: GULASSO, Maria Lúcia Car Ribeiro. Estágio impulsivo emocional.

In: MAHONEY, A. A; ALMEIDA, L. R. Henri Wallon: Psicologia e Educação. São Paulo:

Loyola, 2000, p. 23-25.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

HORN, Maria da Graça Souza; BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Organização do Espaço e

do Tempo na Escola Infantil. In: CRAIDY, Carmem Maria (org) Educação Infantil. Porto

Alegre: Artmed Editora, 2001, p. 67-73

SALTINI, Cláudio J. P. Afetividade e inteligência: a emoção na educação. 4. ed. Rio de

Janeiro: DP&A, 2002.

RODRIGUES, Marta A. M. Encontro e despedidas. In: FERREIRA, Maria Clotilde Rossetti

(org.) Os fazeres na Educação Infantil. São Paulo: Cortez, 2001, p. 52-53

docsity.com

comentários (0)
Até o momento nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Docsity is not optimized for the browser you're using. In order to have a better experience we suggest you to use Internet Explorer 9+, Chrome, Firefox or Safari! Download Google Chrome