Alfabetização e Aletramento - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
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Gaucho_827 de Março de 2013

Alfabetização e Aletramento - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

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Apostilas de Pedagogia sobre o estudo da Alfabetização e Aletramento, desenvolvimento, história, diferentes níveis de letramento.
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ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Tradicional e consensualmente, considera-se que o acesso ao mundo da escrita é incumbência e responsabilidade da escola e do processo que nela e por ela se dá — a escolarização. Em outras palavras, considera-se que é à escola e à escolarização que cabem tanto a aprendizagem das habilidades básicas de leitura e de escrita, ou seja, a alfabetização, quanto o desenvolvimento, para além dessa aprendizagem básica, das habilidades, dos conhecimentos e das atitudes necessários ao uso efetivo e competente da leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita, isto é, o letramento. A cada vez que se denunciam níveis precários de alfabetização, em crianças, jovens ou adultos, a questão é invariavelmente relacionada com a escola e o fracasso escolar em alfabetização; da mesma forma, a cada vez que se identificam dificuldades no uso da língua escrita ou desinteresse pela leitura, em crianças, jovens ou adultos, apontam-se, como causas, deficiências do processo de escolarização, fracasso da escola no desenvolvimento de habilidades de uso social da leitura e da escrita e na promoção de atitudes positivas em relação à leitura. O processo de alfabetização é visto não só como um componente essencial da escolarização inicial, como, mais que isso, esta é mesmo comumente confundida com aquele: a concepção corrente é a de que a criança vai para a escola “para aprender a ler e a escrever”.

Nos dias de hoje, ser alfabetizado, isto é, saber ler e escrever, tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente às demandas contemporâneas. Há alguns anos, não muito distantes, bastava que a pessoa soubesse assinar o nome, porque dela, só interessava o voto. Hoje, saber ler e escrever de forma mecânica não garante a uma pessoa interação plena com os diferentes tipos de textos que circulam na sociedade. É preciso ser capaz de não apenas decodificar sons e letras, mas entender os significados e usos das palavras em diferentes contextos.Numa sociedade letrada, o objetivo do ensino deve ser o de aprimorar a competência e melhorar o desempenho lingüístico do estudante, tendo em vista a integração e a mobilidade sociais dos indivíduos, além de colocar o ensino numa perspectiva produtiva. O ensino da leitura e da escrita deve ser entendido como prática de um sujeito agindo sobre o mundo para transformá-lo e, para, através da sua ação, afirmar a sua liberdade e fugir à alienação.É através da prática que desenvolvemos nossa capacidade lingüística. Conhecer diferentes tipos de textos não é, pois, decorar regras gramaticais e listas de palavras.

No rap Estudo Errado, Gabriel, o Pensador, diz com propriedade: “Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi. Decoreba: este é o método de ensino. Eles me tratam como ameba e assim eu num raciocino”.É lamentável que, no Brasil, a escola, lugar fundamental para a pessoa desenvolver sua capacidade de linguagem, continue limitando-se, na maioria das vezes, a um ensino mecânico. Na perspectiva do letramento, a leitura e a escrita são vistas como práticas sociais. A alfabetização é um período com começo, meio e fim,durante o qual o alfabetizador transmite ao alfabetizando o conjunto de signos que compõem o código da língua materna. De posse desse código o individuo poderá interagir socialmente por intermédio da leitura e da escrita. Já o letramento é um processo continuo de aquisição do conhecimento por meio das letras. Alguns estudiosos entendem o letramento como sendo, também, o resultado da ação das práticas sociais da leitura e da escrita no ser humano.O processo alfabetização inicia quando o bebê nasce em uma sociedade letrada e, aos poucos, vai-se familiarizando com as letras. Nas relações com os outros e com o mundo, as crianças aprendem a ler esse mundo e a

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internalizá-lo. O sujeito leitor do mundo vai produzindo suas singularidades, por meio das interações realizadas por meio da linguagem: palavras, gestos, olhares, silêncios, e assim por diante. A dimensão de cada um, a singularidade, cria-se e organiza-se em grande parte, em função das condições sociais em que se vive e reorganiza-se, a cada momento, em função das condições de interação a que se estiver exposto.

A singularidade tem estreita relação com as condições histórico-sociais e com o curso da existência do sujeito. No mundo interior, cada um constrói as suas apreciações, em um espaço marcado por tensões. O diálogo com o outro implica a internalização de sentimentos e valores que não se impõem de forma homogênea, sendo por isso mesmo, contestado desafiados. Alfabetização e Letramento são processos diferentes, contudo interligados. A alfabetização é o período onde se aprende a ler e escrever. O letramento é a apropriação da leitura e da escrita, é o domínio social da leitura e da escrita. O processo de letramento é diferente do processo de alfabetização. A necessidade de letramento tornou-se evidente quando o acesso a escolaridade foi ampliado do curso primário para o ginasial e depois para o ensino médio e houve mais pessoas que sabiam ler e escrever almejando mais do que simplesmente ler e escrever. O sistema capitalista exige o conhecimento, o letramento. Social e culturalmente, a pessoa que se torna letrada não é mais a mesma de quando era analfabeta ou iletrada, pois passa a ter outra condição social cultural e atender á demanda funcional da sociedade, comunicando-se oralmente e por escrito com mais precisão do que o pouco letrado, do que o analfabeto.

O individuo letrado pelo próprio vocabulário que adquiriu por meio de suas leituras, possui condições para compreender e fazer-se compreender com probidades. O analfabeto e pouco letrado por possuir um vocabulário bem menor possui extrema dificuldade na interação social. Estudos científicos indicam que o individuo que se tornar letrado tornar-se cognitivamente diferente. A pessoa passa a ter um modo de pensar diferente em relação aos poucos letrados e analfabetos. Aprender a ler e a escrever é imprescindível a qualquer cidadão que vive em sociedade letrada. Usar continuamente a leitura e a escrita o transforma e o leva a um outro estado ou condição em vários aspectos: social, cultural, cognitivo, lingüístico, entre outros.O individuo letrado é um leitor freqüente, um estudioso, que estuda através da leitura e da escrita, ou seja, ele pratica a leitura e a escrita. O letramento é um mecanismo básico no crescimento do individuo. Na medida em que o analfabetismo vai sendo superado e que um número cada vez maior de pessoas, que aprendem a ler e a escrever, e na medida em que concomitantemente, a sociedade vai-se tornando cada vez mais grafocêntrica, isto é, cada vez mais centrada na escrita, um fenômeno evidencia-se: não basta apenas aprender a ler e a escrever, tem-se que saber usar a leitura e a escrita. As pessoas alfabetizam-se, aprendem a ler e a escrever, mas não necessariamente praticam a leitura e a escrita e, muitas vezes, não adquirem competência para usar a leitura e a escrita. Não lêem livros, jornais, revistas, não sabem escrever uma declaração, preencher um recibo ou requerimento, sentem dificuldade para escrever um simples telegrama ou interpretar um manual, etc. Assim sendo, estar em processo continuo de letramento é imprescindível para o individuo que vive e trabalha em uma sociedade letrada, e que quer efetivamente participar dessa sociedade. O processo de letramento é o estado ou condição de quem se dedica a atividades que envolvem a leitura e a escrita, respondendo as demandas sociais da leitura e da escrita. O processo de alfabetização é, portanto, um evento no processo de letramento.

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Há diferentes níveis de letramento. O grau de letramento influencia a fala e a escrita e dependem muito diretamente das necessidades do individuo no seu meio profissional e o seu meio social. Dependem do contexto sociocultural em que o individuo está inserido e das suas oportunidades de acesso a leitura. De acordo com estudos sociolingüísticos, o grau de letramento das diversas comunidades relaciona-se fundamentalmente com as suas condições sociais, culturais e econômicas. A condição precípua para que o letramento não seja interrompido é a de que haja disponibilidade de material de leitura. O que ocorre nos países em desenvolvimento, especialmente no Brasil, é que crianças, jovens e adultos são alfabetizadas, mas não lhes são dadas as condições para desenvolver a leitura e a escrita. Não há material impresso colocado a sua á sua disposição. O preço dos livros, revistas e dos jornais é inacessível á maioria dos cidadãos brasileiros e há poucas bibliotecas. Esses são alguns dos dados que explicam o fracasso das campanhas de alfabetização no Brasil. escola pública tem- se contentado em ensinar a ler e escrever,quando deveria criar condições para que o estudante pudesse ficar imerso em um ambiente de letramento,permitindo e facilitando a estes entrarem no mundo letrado em que as pessoas tem acesso a leitura e escrita, aos livros, jornais e bibliotecas, vivenciando as condições sociais da leitura e da escrita. Estas devem ser reveladas e encaradas como tendo uma função social precípua, a de ser uma necessidade e também uma forma de lazer para todos. Tendo isso tudo se percebe que não é suficiente alfabetizar, ensinar a ler e a escrever. É necessário ensinar ao individuo fazer uso da leitura, escrita e envolver-se nas praticas sociais. O ideal é alfabetizar letrando, ou seja, ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, para que o individuo torne- se concomitante e paulatinamente, alfabetizado e letrado.

BIBLIOGRAFIA

* SOARES, Magda. Letramento: como definir, como avaliar, como medir. In: SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998. p. 61–125.

* FERRARO, Alceu Ravanello. Analfabetismo e níveis de letramento no Brasil: o que dizem os censos. ln: Educação e Sociedade . Campinas, v. 23, n. 81, p. IS-19, dez. 2002.

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