Analise do Filme Germinal
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Phibes21 de Março de 2014

Analise do Filme Germinal

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Analise do filme Germinal, baseado no "Manifesto do Partido Comunista" de Marx e Engels.
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Discente: Everaldo José de Jesus Júnior

Docente: Vinicius Rezende

Disciplina: História Contemporânea

Analise do Filme “Germinal”

1

Cachoeira

2013

GERMINAL

"Proletários de todo o mundo, uni-vos!"

O filme, baseado no livro de mesmo nome do autor Émile Zola e este baseado

numa história real, retrata a situação degradante de trabalhadores duma mina de carvão

no Norte da França no século XIX, precisamente no ano de 1860. O filme é o retrato da

situação social e econômica do proletariado do século XVIII e XIX, a história se passa

em dois núcleos principais: os dos trabalhadores, representados pela família de

Toussaint Maheu, e seu agregado Étienne Lantier, e os burgueses, representados pelas famílias de Léon Grégoire, Victor Deneulin e Phillippe Hennebeau, donos de minas e

diretor de uma mina, respectivamente.

A chegada de Étienne Lantier, procurando por emprego, a mina de Voreux, nos

arredores de uma vila de operários da própria mina, inicia o filme. Marx e Engels define

bem o a situação econômica e social dessa vila:

A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de

produção, da propriedade e da população. Aglomerou as populações,

centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em

poucas mãos. A consequência necessária dessas transformações foi a centralização política. Províncias independentes, apenas ligadas por

débeis laços federativos, possuindo interesses, leis, governos e tarifas

aduaneiras diferentes, foram reunidas em uma só nação, com um só

governo... Uma só lei, um só interesse nacional de classe, uma só

barreira alfandegária.1

É nessa primeira cena que Étienne é apresentado a Vincent Maheu dit Bonnemort, o

trabalhador mais velho da mina, os dois conversam e nesse diálogo ao indagar

Bonnemort quem seria o dono da mina é apresentada na resposta do velho trabalhador

uma característica marcante do capitalismo, Bonnemort não sabe dizer quem é o dono.

2

1 MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Expressão Popular. 1a edição, 2008.

No sistema capitalista é comum ter uma empresa dívida por várias ações e administrada

por um presidente ou diretor escolhido por esses acionistas, como é no caso do filme

onde a mina é administrada por Phillippe Hennebeau.

Já trabalhando na mina, graças à ajuda Toussaint Maheu, Étienne nota o grande

número de crianças e mulheres naquele árduo trabalho. Por causa do baixo salário que

os “chefes” de família recebiam dessa mina, era comum crianças e mulheres (esposa ou

filhas) executarem esses trabalhos pesados, muito também por falta de opção no

mercado de trabalho. Mesmo assim o salário era somente de subsistência, a exploração

da mão de obra que sofria os trabalhadores dessa mina, infelizmente, também é comum

no sistema capitalista. O filme aborda com primor o processo de mais-valia, esse é o

termo usado para designar a disparidade entre o salário pago e o valor do trabalho

produzido. Karl Marx fez uma análise sobre o tema, o sistema capitalista representa a

exploração do trabalhador por parte do dono dos meio de produção, no caso do filme o

dono e diretor das minas de carvão. O salário pago ao proletário representa uma pequena porcentagem do que foi produzido, essa diferença configura concretamente a

chamada mais-valia, que deu origem a uma lucratividade maior para o capitalista.

Ao decorrer da história Étienne torna-se simpatizante do movimento comunista,

que estava na efervescência na Europa depois que Karl Marx e Friedrich

Engels publicaram o Manifesto do Partido Comunista (Manifest der Kommunistischen

Partei) em 1848. Uma das cenas marcantes do filme é quando o personagem Souvarine

retruca o que ele acha utopia da parte de Étienne e Rasseneur, dono da pensão/Bar que

estavam hospedados, eles falam sobre Associação Internacional dos Trabalhadores ou

Primeira Internacional, organização de apoio ao proletariado fundada em 1864 na

cidade de Londres, a expansão do comunismo da Europa e da união dos trabalhadores

que lutariam de igual para igual contra os patrões. Souvarine fala: “Vosso Karl Marx

continua a acreditar na evolução das forças naturais, querendo negociar com os patrões

cara a cara para obter aumento de salário. É preciso deitar fogo a todas as cidades,

arrasar tudo, quando já não restar nada neste mundo podre, talvez cresça outro melhor.”

Étienne responde Souvarine dizendo: “O operário sozinho não é ninguém, mas unido

representa uma grande força.” No meio dessa conversa que Étienne tem a ideia de criar

um fundo monetário para os operários, para que no futuro possam resistir mais na greve

que ele fomentava na sua cabeça, devido as péssimas condições de trabalho oferecida

nas minas, ele finaliza dizendo: “É preciso reconstruir um mundo novo muito mais

justo.” Étienne é retrucando novamente por Souvarine e seu pensamento anárquico

3

radical, próximo ao de Sergey Nechayev que pregava uma revolução utilizando

qualquer meio necessário, incluindo a violência política. Souvarine fala: “Aumentar os

salários numa economia capitalista é um sonho. Os operários só têm direito a comer

pão duro e a ter filhos. É uma lei férrea que se baseia no equilíbrio dos ventres vazios.

É uma condenação à prisão perpétua de fome e miséria. É preciso destruir tudo. Sim, a

anarquia e mais nada. A terra lavada pelo sangue, purificada pelo fogo. Depois

veremos.”

Toussaint Maheu convida Étienne a morar na sua casa ajudando nos custos dela,

ele é convidado devido a saída do seu filho Zacharie que se casa. Étienne se aproxima

mais de Maheu, que era tido como um líder entre os mineiros, e começa a disseminar o

seu plano grevista entre esses mineiros. Depois de um desmoronamento na mina onde o

filho de Maheu, Jeanlin, quebra a perna, os proprietários da mina decidem não aplicar

multa aos trabalhadores pelo mau escoramento, mas sim reduzir os preços das

vagonetas de carvão e pagar as escoras à parte. Com essa nova tarifa o descontentamento dos trabalhadores aumentam, os mesmo desconfiam que os patrões o

incitam para a greve. Souvarine concorda e diz: “Com certeza. É fácil de prever. Vão

forçar-nos. A crise piora com todas as fábricas que estão a fechar, e cada vez falta

menos carvão. A direção quer reduzir gastos, vão reduzir os salários, e serão os

operários os que terão que apertar o cinto. Há dois meses que a hulha se amontoa na

mina. Uma boa greve era uma maravilha para eles. Esgotam-se as reservas, mandam

parar os mineiros, e os outros, uma vez domados, pagam-lhes menos. Além do mais, já

sabem da caixa de resistência. Não dizem nada, mas afeta-os. Durante a greve se

esvaziará, antes de estar demasiado cheia.” Mesmo com discursos de alerta de

Souvarine e a ideia de Rasseneur de um diálogo maior com os patrões, a greve estoura.

Tendo como liderança Maheau e Etienne.

Como muitos suspeitavam, os patrões não ligaram muito para greve, isso é

nítido na conversa deles no jantar que Phillippe Hennebeau oferece. Pelo diálogo entre

eles percebe-se que uma crise assola os seus negócios, que era inevitável a baixa dos

preços e que os trabalhadores teriam que entender. Logo depois dessa conversa

Hennebeau é comunicado que os mineiros irão se reunir em sua casa para discutir a

greve. Já na sala de Hennebeau, Maheau, que os mineiros tinham escolhido como seu

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representante, e os outros operários pedem preços mais justos pelo seu trabalho e

reclamam sobre a redução do seu salário. Hennebeau retruca os trabalhadores falando

da peste que se espalha na Europa, o Comunismo, que promete mais pão a mesa,

promete que o proletariado tornara-se patrão, o diretor da mina fala que tudo não passa

de asneira e que os mineiros estão sendo enrolados pela Internacional Comunista.

Étienne rebate dizendo que ninguém aflou-se ainda, mas que era pretensão dos

trabalhadores faze-lo. Pelo discurso de Hennebeau, quando se dirige a Etienne, ele se

preocupa mais em combater o socialismo, espalhado pelo mineiro, nas minas do que

acabar com a greve. Ele se coloca também como empregado, como humilde peão. Por

fim acaba não aceitando as condições dos mineiros e greve continua.

Uma passagem do Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich

Engels, reflete bem esse momento do filme e o restante da greve:

Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de produtos

já fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças

produtivas já desenvolvidas. Uma epidemia, que em qualquer outra

época teria parecido um paradoxo, desaba sobre a sociedade - a

epidemia da superprodução. Subitamente, a sociedade vê-se

reconduzida a um estado de barbaria momentânea; dir-se-ia que a

fome ou uma guerra de extermínio cortaram-lhe todos os meios de

subsistência; a indústria e o comércio parecem aniquilados. E por quê?

Porque a sociedade possui demasiada civilização, demasiados meios

de subsistência, demasiada indústria, demasiado comércio. As forças

produtivas de que dispõe não mais favorecem o desenvolvimento das

relações de propriedade burguesa; pelo contrário, tomaram-se por

demais poderosas para essas condições, que passam a entravá-las; e

todas as vezes que as forças produtivas sociais se libertam desses

entraves, precipitam na desordem a sociedade inteira e ameaçam a

existência da propriedade burguesa. O sistema burguês tornou-se

5

demasiado estreito para conter as riquezas criadas em seu selo. De que

maneira consegue a burguesia vencer essas crises? De um lado, pela

destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de

outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais

intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais

extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las. 2

Alguns trabalhadores, liderados por Chaval, furam a greve e voltam ao trabalho,

o que causa uma extrema revolta entre os grevistas, que partem para a mina e a destrói. Ainda em marcha os grevistas partem para cidade aterrorizando a burguesia que estava

no caminho. É importante ressaltar a militância das mulheres na greve, quando Maheau

e Etienne estavam quase desistindo da greve, Maheude, mulher de Maheau, que os

incentivou a continuar. Já na vila, as mulheres se encontram com Maigrat, dono de uma

mercearia, que as exploravam não só financeiramente, mas sexualmente também, na

tentativa de fuga Maigrat acaba caindo do telhado e morrendo, uma das grevistas corta

o órgão genital do comerciante e o exibe à todos os grevistas, causando espanto em

alguns e êxtase a outros, aquele pênis representava a exploração que elas sofriam de

Maigrat, e ele ser cortado o fim dela. A manifestação só acaba com a chegada dos

guardas, que causa a retida dos grevistas.

Dois meses depois do início da greve, a miséria e a doença já assolava os

grevistas e suas famílias. As minas decidem contratar operários belgas, o que causaria a

derrocada da greve. Étienne já desiludido com a greve agora já prega que os operários

devem chegar a um acordo com os patrões, ideia oposta à de Maheude, que prega

violência, se necessário, para impedir o funcionamento das minas com seus novos

empregados belgas que são protegidos por guardas. Mesmo com guardas protegendo as

minas, os grevistas vão em direção dela. No confronto com os guardas Maheu acaba

morrendo, esse último evento põe fim à greve, o próprio Étienne volta a mina e é

hostilizado pelos seus antigos companheiros grevistas.

Finalizando o filme, Souvarine cumpre o que tinha dito numa reunião entre os futuros grevistas na pensão/Bar: “Seria melhor começar por destruir esta prisão”. Tenta

alertar Étienne do que tinha feito, mas o mesmo não entende que o anarquista queria o

proteger. A mina começa a desabar e inudar com trabalhos dentro dela, boa parte

6 2 Idem, ibidem.

consegue escapar, mas muitos morrem. Étienne consegue escapar, juntamente com

Catherine Maheu, filha de Maheu e Maheude, mas na tentativa de ajudar na sua fuga

Zacharie Maheu acaba morrendo, vítima de um vazamento de gás, que é alertado por

Catherine para Étienne no começo do filme, que acaba causando uma explosão. A

última cena do filme mostra Étienne partindo da vila, mas antes passa na mina onde

encontra Maheude, depois de uma breve conversa ele segue seu caminho, refletindo e

ainda acreditando que um dia os trabalhadores se unirão e tomarão o poder, acabando

com os patrões. E terão um amanhecer de verdade, com justiça.

Bibliografia

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Expressão Popular. 1a edição, 2008.

MARX, Karl. O capital. Coleção Os economistas. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

ZOLA, Émile. Germinal. Martin Claret, 2006. Disponível em <http://ciml.250x.com/

archive/literature/portuguese/zola_germinal.pdf> Acesso em 18 de outubro de 2013.

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