Aspesctos Básicos da Genética - Apostilas - Biologia Molecular, Notas de estudo de Biologia Molecular. Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Kaka88
Kaka886 de Março de 2013

Aspesctos Básicos da Genética - Apostilas - Biologia Molecular, Notas de estudo de Biologia Molecular. Universidade Estadual do Ceará (UECE)

PDF (370.6 KB)
9 páginas
1Números de download
1000+Número de visitas
Descrição
Apostilas de Biologia sobre o estudo dos aspectos básicos da genética, introdução, células, análise do cromossomo.
20pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 9
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo

BIOLOGIA MOLECULAR – ASPESCTOS BASICOS DA GENETICAO

INTRODUÇÃO

As neoplasias constituem o crescimento anormal de massas de tecidos e classicamente foram identificadas como benignas ou malignas dependendo do seu aspecto estrutural e das suas característi- cas de crescimento.

Muitos dos tumores benignos imitam o aspecto celular do tecido da sua origem, mantendo o as- pecto destas células e suas funções. Por sua vez, as células dos tumores malignos passam a exibir uma variabilidade ampla desde os graus bem diferenciados até os graus indiferenciados destas neopla- sias, passando a apresentar características de invasão local ou mesmo sua disseminação sistêmica com características de metastização a outros sítios-tecidos.

A CÉLULA

Todo o mecanismo de replicação celular é bastante complexo e, durante a sua evolução, a cé- lula passará através de varias fases, começando sempre pela síntese do DNA (Fase S) e culminando na mitose (Fase M).

Estes processos de divisão celular são os responsáveis pela criação de células diplóides, as quais, originadas de células preexistentes, sendo denominada mitose.

As fases preparatórias e que antecedem as fases S e M são conhecidas como fases de inter- valo (Gap) G1 e G2, e cada fase do ciclo celular só se iniciará se a fase anterior tiver sido completada. Estas fases de eventos celulares serão controlados por fatores intra e extracelulares. Após a mi- tose,as células entram numa fase em que não existe a síntese de DNA, que é a intérfase sendo esta dividida em G1—S—G2.

Fase G1: ocorre à síntese de proteínas e de RNA

Fase S: há duplicação do DNA e no final desta fase já houve a duplicação do DNA celular

Fase G2: a célula se prepara para a mitose e contem cópias idênticas de cromossomos.

Fase M: começa com a disposição e condensação central dos cromossomos, adotando as- pecto filamentar, sendo visíveis a microscopia.

A célula que não tem atividade proliferativa por longo período se mantém na fase G0, mas pode- rão manter ou retomar sua atividade proliferativa por estímulos apropriados ou sob ação de outros elementos ambientais. Os processos de proliferação celular são habitualmente iniciados pela ligação de fatores de crescimento a receptores específicos situados às vezes na membrana plasmática ou mesmo outras vezes em sites intracelulares. São conhecidos inúmeros fatores de crescimento e foram determinados como possuidores de ações especificas, tais como o PDGF (fator de crescimento deri- vado de plaquetas), EGF (fator de crescimento epidérmico), TGF-beta (fator de crescimento de transformação beta), FGF (fator de crescimento fibroblástico), fator de crescimento tipo insulina I, IL-2 e eritropoitina.

Todos os eventos celulares que foram induzidos pelos fatores de crescimento condicionam mudanças intracelulares em 2 grupos de proteínas, que são as quinases protéicas dependentes das ciclinas (CDK) e as ciclinas propriamente ditas.

Estes complexos de ativação e desativação induzem a resposta e o estabelecimento do ciclo celular, sendo que na fase S ocorre um aumento intracelular da ciclina A. O processo CDK- ciclina, também denominado fator promotor de maturação, é o responsável pela regulação da passagem da cé- lula de G2 para mitose.

docsity.com

Como atuantes contra a multiplicação celular existem diversos fatores que são conhecidos como inibitórios à proliferação, como sejam o interferon beta, o TNF (fator de necrose tumoral) e o TGF- beta (fator de transformação de crescimento beta), que poderão suprimir a resposta celular.

Outro mecanismo regulatório do ciclo celular são os inibidores de CDK, formado por grupo de proteínas da família Kip/Cip, proteínas p21, p27 e p57, que induzem o bloqueio do complexo CDK- ciclinas.

APOPTOSE: é um processo ativo, normal e fisiológico que culminará na morte celular. Esta situação é condicionada e induzirá uma remodelação tecidual, sendo essencialmente uma resposta imunológica. Histologicamente, a apoptose celular caracteriza-se por uma desagregação celular com condensação de cromatina e degradação intranuclear. Difere do processo de necrose celular quando nesta situação ocorre edema celular, bem como lesões da membrana celular com au- mento da sua permeabilidade,edema das mitocôndrias, ruptura do DNA e do RNA e degradação protéica pela liberação de hidrolases lisosomais. Esta degradação enzimática induz intensa rea- ção inflamatória nos tecidos vizinhos e resultará em necrose celular.

A apoptose poderá ser induzida por genes supressores de tumores, oncogenes ou mesmo linfócitos citotóxicos como o CD8-T.

Senescência Celular — as células se duplicam até um número finito de vezes cujo limite estabelecido tornou-se conhecido como “limite de Hayflick”.

Este processo é regulado pela perda dos telômeros dos cromossomos e,quando isto acon- tece, a célula entra num processo de senescência ou mortalidade. Apesar disto, existem linhagens celulares que “escapam” deste estagio e são capazes de se replicarem e proliferarem indefinidamente e poderão ser consideradas imortalizadas. O essencial nesta circunstancia é a manutenção do compri- mento do telômero, induzido pela reativação das telomerases. Devido a isto foi evidenciado que em 90% dos tumores humanos há manutenção ou aumento da expressão da telomerase.

METODOS DE ANÁLISE

1. ANÁLISE DOS CROMOSSOMOS

No momento atual, a citogenética não está restrita apenas à descrição de diversas síndromes ou a detecção de possíveis anomalias em fase pré-natal, mas possui, pelos métodos de Biologia Molecu- lar, a condição de prever, determinar e acompanhar também as mais diversas neoplasias e ou fenôme- nos genéticos desde a sua origem.

Exemplos clássicos das primeiras determinações foram a ocorrência de anomalias cromossômi- cas como a translocação do proto-oncogene abl, translocado do cromossomo 9 para o 22 que foi determinado como sendo um fator indutor para o aparecimento da leucemia mielóide crônica.

Outras anormalidades cromossômicas evidenciadas foram ao nível do cromossomo 13q14 causador de uma anormalidade gênica que predisporia ao surgimento dos retinoblastoma tendo impor- tância também para o surgimento do linfoma de Burkitt.

Entre as técnicas básicas para o estudo dos cromossomos, a essencial compreender o estudo de culturas de sangue-leucócito que são induzidos pela fito-hemoaglutinina à divisão mitótica.

Essa divisão mitótica deverá posteriormente ser interrompida pela colcemida, análogo da colchi- cina, e na seqüência estas células serão tratadas com solução hipotônica de cloreto de potássio, que in- duz um aumento do volume celular, e tais células assim distendidas depois serão fixadas e colocadas em laminas para análise e fotografias dos cromossomos.

docsity.com

Outro método que é a HIBRIDIZAÇÃOin situ utilizada para determinar a localização de cada cromossomo e a distribuição dos genes dentro da sua banda. As laminas serão preparadas do mesmo modo como anteriormente descrito, e o DNA do núcleo é hibridizado, isto é, vai se tentar acoplar a son- das específicas, as quais poderão ou não ser radioativas.

A hibridização in situ fluorescente conhecida como FISH (fluorescence in situ hybridiza- tion) utiliza anticorpos marcados com substancias que emitem fluorescência colorida, sendo este um método não radioativo.

Com estes métodos, é possível determinar com estes métodos a seqüência gênica em um cromossomo metafásico e ou o sinal fluorescente no núcleo ou na mitocôndria.

A perda de material genético poderá refletir a presença de genes supressores de tumores, en- quanto que o ganho deste material poderá representar a presença de oncogenes dominantes.

Também a Hibridização Genômica Comparativa(CGH - comparative genomic hybridiza- tion) permite uma análise genômica mais ampla e total. Estas alterações são caracterizadas com diferentes corantes marcadores e a região que foi deletada na amostra e não sofrerá hibridização para os cromossomos aí localizados, causando na amostra controle um excesso de corante. Assim deste modo, poderá ser evidenciada uma anormalidade cromossômica neste sitio.

Recentes avanços técnicos têm permitido o estudo de segmentos do genoma pela técnica de microarranjos (microarrays). Esta técnica permite um aumento na resolução e na eficiência, sendo um método com boa reprodutibilidade. Atualmente, são disponibilizados e usados comercialmente microarranjos oligonucleotídicos ou com nucleotídeos polimórficos. Os microarranjos são utilizados na detecção e quantificação de ácidos nucléicos (RNAm na forma de cDNA ou DNA genômico) provenientes de amostras biológicas,as quais são postas a hibridizar com o DNA fixado no arranjo. Pela sua alta performance técnica, pode-se determinar a expressão diferencial de milhares de genes em um único experimento.

Seu uso tem permitido uma conveniente análise de diferentes tipos histológicos de tumores, seus estágios e sua comparação com tecidos normais.

Estas comparações permitem identificar genes de expressão aberrante existentes em tumores, quando comparados com áreas normais

2. O ESTUDO DOS GENES

A caracterização do gene que se está estudando e dos seus produtos protéicos torna-se cada vez mais essencial.

O desenvolvimento de técnicas de hibridização para estudo do DNA e do RNA possibilitou a identificação de genes e das suas funções. Também a simplificação progressiva das diversas técnicas, tem possibilitado a detecção de oncogenes ou genes supressores tumorais, os quais são essenciais na avaliação de neoplasias em todos os sítios do organismo e assim propor novas medidas e estratégias até mesmo direcionadas à sua terapêutica.

docsity.com

Dentre estas novas técnicas desenvolvidas enumeramos:

Extração do DNA pela digestão enzimática da membrana e das proteínas celulares presentes, ob- tendo-se o DNA purificado.

Clivagem por enzima de restrição, onde são determinadas a seqüência especifica de bases na hélice dupla de DNA e o DNA da própria, que não é degradado.

Clonagem em associação a uma outra enzima, dita DNA ligase, consegue-se ligar o fragmento de DNA a um vetor. Este vetor faz o transporte do DNA para dentro de uma célula procariota (hospedeira), que tem uma velocidade de reprodução celular acelerada. Assim deste modo, serão obtidos inúmeros fragmentos de DNA que poderão auxiliar na detecção de mutações e na expressão e seqüenciamento de proteínas.

“Southern Blot” é um método usado para a determinação de seqüência especificas de DNA,se está ou não presente em determinada amostra. O gel aonde foi feita a eletroforese do DNA é tratado com solução alcalina de hidróxido de sódio com o intuito de induzir a desnaturação da dupla fita do DNA, que por sua vez é separado em fitas simples. Na seqüência, uma membrana de nitrocelulose é posta sobre o gel e o DNA vai se ligar a ela. Esta membrana será tratada a seguir com uma sonda hibridizadora que é uma molécula de DNA conhecida idêntica ou complementar àquela seqüência que se quer determinar. Conhecendo-se os pontos onde a amostra de DNA foi clivada, é possível dizer em que trechos a sequência procurada estará ou não presente.

“Northern Blot” direciona-se para estudar a expressão gênica, isto é, evidenciar se determinado gene de um genoma é ou não transcrito em RNA e quantificá-lo. Os usos de sondas hibridizadoras poderão ser feitas de DNA ou RNA, mas neste procedimento o ácido nucléico que está fixo a mem- brana é uma coleção de fragmentos de DNA isolados, e a sonda será RNA extraído de um tecido marcado radioativamente.

Reação em cadeia de polimerase(PCR) é uma técnica que induz uma amplificação de uma sequência conhecida a partir de pequena quantidade de DNA.

A enzima responsável por esta replicação é a DNA polimerase, que usa uma molécula de DNA de fita simples como molde para a síntese de uma fita complementar. Durante esta síntese, é necessário a presença de desoxinucleotídeos trifosfatados (dNTPs)e cátions de magnésio que são cofatores da DNA polimerase. Para a replicação do DNA in vitro, é essencial que este seja desnaturado, ou seja, que as fitas duplas sejam separadas em fitas simples. Toda esta técnica direciona-se a detecção de possíveis mutações e doenças hereditárias, seqüenciamento de genes, determinação de paternidade e na medicina forense.

Transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase é usada para a detecção de RNAs mensageiros, isto é, os correspondentes aos genes celulares expressos.

Na primeira fase, a enzima transcriptase reversa induz o RNA mensageiro (mRNA) a ser convertido em DNA complementar(cDNA), e este é amplificado por uma PCR. Esta técnica tem permitido determi- nar translocações cromossômicas que são responsáveis por sarcomas ou leucemias

Seqüenciamento ou sequenciação de DNA: consiste numa série de métodos bioquímicos com in- tuito de determinar a ordem das bases nitrogenadas tipo adenina (A), guanina (G), citosina (C) e ti- mina (T) na molécula de DNA.

Entre estes métodos constam o de Maxams & Gilbert, que é um método de clivagem química e o de Sanger e cols. que é um método de replicação enzimática com interrupção controlada. Ele consiste na adição de nucleotídeos modificados (didesóxiribonucleotídeos) que impedem o crescimento de um fragmento de DNA em replicação pela DNA polimerase. Os fragmentos resultantes desta reação são

docsity.com

submetidos a uma eletroforese de alta resolução, e a sequência de bases da cadeia do DNA que foi sintetizada é lida a partir de auto-radiograma de 4 terminadores (A,C,G,T) provenientes destas 4 rea- ções.

No entanto, na atualidade, com o seqüenciamento automático do DNA onde se empregam oligonucleotídeos ou ddNTP’s (“terminadores”) marcados com fluoresceína, o emprego de marcadores radioativos está entrando em desuso. Diversas técnicas para a detecção das mutações

Várias alternativas têm sido efetuadas através de diferentes técnicas para determinar deleções, inserções ou substituições de nucleotídeos que induzem mutações, podendo assim condicionar a doen- ças, entre elas o câncer. Elas estão fulcradas em técnicas de mobilidade eletroforética, susceptibilidade à clivagem com enzimas de restrição e mesmo a detecção de desalinhamento com proteínas específi- cas e, com isto, a produção de proteínas truncadas. São elas:

Single-Stranded Conformational Polymorfism of PCR Products (PCR-SSCP): possibilita determinar os polimorfismos em DNA de fita simples, sendo esta técnica de alta sensibilidade e conseqüentemente determina mais de 80% das mutações presentes em fragmentos menores que 300bp.

PCR Heteroduplex: é um método que permite determinar as deleções ou inserções de modo mais fácil e rápido. O produto de PCR é desnaturado por aquecimento e o pareamento das fitas é feito em temperatura ambiente, e a seguir aplica-se gel de poliacrilamida. Esta técnica baseia-se na mobilidade eletroforética entre a dupla fita homoduplex e a dupla fita Heteroduplex que,por possuí- rem uma inserção ou deleção, não são totalmente complementares.

Clivagem por Enzima de Restrição (RFLP – Restriction Fragment Length Polymorfism): as enzimas de restrição digerem o DNA em sítios específicos daquele fragmento amplificado pela PCR. Esta mutação poderá estar dentro do sitio de restrição e a enzima não será capaz de fazer seu reconhecimento. Se a mutação criar um novo sítio de restrição, os fragmentos originados serão menores em relação ao DNA normal. Esses fragmentos de DNA serão separados pelo seu peso molecular através do gel de poliacrilamida.

Protein Truncation Test: é um teste de alta sensibilidade para analise de fragmentos grandes e maiores que 600 bp .O mesmo auxilia na análise de genes onde a maioria das mutações leva a formação de um códon de parada precoce com a criação de proteínas truncadas.

CARCINOGÊNESE

 Os processos biológicos geradores dos tumores dependerão de um processo de iniciação e de promoção que, a partir daí, gerarão a proliferação celular.

No processo de iniciaçãoestá o primeiro estágio da carcinogênese que condiciona mudanças irreversíveis no DNA celular. Estes agentes poderão ser químicos, físicos ou mesmo virais.

 As atividades dos agentes químicos causarão distorção do DNA, mas tais mudanças estarão sujei- tas a dose e ao tempo de atuação deste agente, bem como do órgão envolvido.

 Entre os agentes químicos carcinogênicos, citamos as aminas aromáticas, nitrosaminas, clorocarbonados, agentes alquilantes, hidrazinas e diversos metais pesados como o cobalto, cromo e o níquel. Entre os agentes físicos que também são carcinógenos referimos as radiações ionizantes, como os raios ultravioletas e os raios-X, que produzem mutações do DNA.

A promoção é a segunda fase dacarcinogênese e envolve uma série de mudanças celulares que resultam na proliferação e expansão das células. Estes mecanismos celulares proliferativos dependerão de fatores hormonais e de crescimento tumoral, com estimulo da atividade de fatores de transcrição e da ação gênica.

docsity.com

 O efeito marcante será alterando a reprodução celular, ou produzindo expansão clonal das células já iniciadas. Assim é que a exposição a diversos agentes químicos e ambientais poderão induzir o desenvolvimento de diversas neoplasias ginecológicas, como sendo principalmente os tumores ovarianos tipo neoplasias das células da granulosa. Tais agentes químicos em associação aos estrogênios, por exemplo, tem importância na gênese de neoplasias tipo adenocarcinomas do endométrio. Estes agentes assim caracterizados são nominados como “promoters” de neoplasias.

CARCINOGÊNESE VIRAL

 Experimentos realizados desde 1990, quando se procedeu à inoculação de extratos celulares provindos de células cancerosas em animais sadios,evidenciaram a possibilidade de desenvolvi- mento de neoplasias. Este fenômeno foi demonstrado em leucemias e sarcomas de aves e, posteriormente, também em ratos, quando se determinou ser RNA de um retrovírus. Estes retrovírus entram nas células hospedeiras por absorção ou por endocitose via receptores específicos situados na superfície celular dos receptores.

 Outros tipos de retrovírus de ação crônica e lenta com um período de latência prolongado foram demonstrados como sendo agentes mutagênicos. O papilomavirus de Shope extraído de verrugas de coelhos e o SV40, um papovavírus que é encontrado em macacos, são agentes virais causado- res de neoplasias em animais.

 Na espécie humana, é bastante controverso, mas muito importante na atualidade, os diversos tipos de HPV que são relacionados à carcinogênese ginecológica. O HPV pertence à família papovavi- rus e o seu DNA é epiteliotrófico, sendo que mais de 80 tipos já foram identificados através de métodos de hibridização.

ONCOGENES E GENES SUPRESSORES DOS TUMORES

Na gênese das neoplasias, tem se evidenciado distúrbios genéticos na sua origem e estes são essencialmente condicionados por mutações gênicas. As alterações das expressões gênicas é que contribuem para o desenvolvimento destas neoplasias, mas estas mudanças são tempo-dependentes. A configuração da progressão em vários estádios tem mostrado que estes tumores originam-se na sequência de uma hiperplasia, displasia, carcinoma in situ e carcinoma invasor.

Assim é que o câncer humano representa o ponto final de um longo processo que envolve diver- sas alterações celulares caracterizadas no genótipo ou no fenótipo.

Os tumores humanos sólidos são geralmente de origem monoclonal, isto é, todas as células pro- vem de uma única célula progenitora, e implicando deste modo que essas células sejam geneticamente idênticas.

As alterações genéticas nas células cancerosas vão depender basicamente da ação dos oncogenes e da não ação dos que são genes supressores dos tumores. As proteínas codificadas pelos oncogenes são vistas como tendo um comportamento estimulador e aquelas codificadas pelos genes supressores tem efeito inibitório ao desenvolvimento tumoral.

Genes supressores dos tumores são genes encontrados nos genomas das células normais e que são os responsáveis pela produção de proteínas relacionadas ao controle negativo do crescimento celular. O desequilíbrio entre esses dois tipos de genes poderá levar ao desencadeamento do cresci- mento anormal de linhagens celulares e ao surgimento de neoplasias.

docsity.com

Muitas vezes, estas mutações dos genes supressores dos tumores alteram a sequência de ba- ses e a codificação das proteínas é truncada, o que induz vários tipos de mutações.

Outras eventualidades são as microdeleções ou inserções de um ou mais nucleotídeos, ou mesmo grandes deleções do genoma, onde ocorre a perda destes genes supressores dos tumores.

Já de há muito está demonstrado que as alterações gênicas são capazes de induzir prolifera- ções ou mesmo neoplasias malignas.

Esta ativação dos oncogenes poderá se suceder a custa de vários mecanismos, sendo que em tumores sólidos e o mais comum pela amplificação e superexpressão de diversas proteínas. Alguns oncogenes poderão também se tornar resistentes à inativação quando afetados por situações mutantes especificas ou quando estes oncogenes são translocados de um cromossomo para outro. Estes então, sob a ação de uma seqüência de fatores de promoção, poderão induzir uma super expressão destes genes.

Também durante o processo de carcinogênese a manutenção do alelo-específico silencioso do oncogene é perdido, resultando assim num aumento da expressão deste.

Atualmente, são conhecidos cerca de 100 diferentes tipos de oncogenes e um numero sensivel- mente menor de genes supressores de tumores. No entanto, nem todos estão relacionados a tumores humanos. Muitos dos conhecimentos pertinentes aos oncogenes foram obtidos de inicio em estudos de retrovírus e eles poderão induzir um maior risco de transformações neoplásica por meio de 2 mecanis- mos:

 Seria pela integração de uma sequência gênica viral no genoma do hospedeiro ou então deixá-lo sobre o controle de fortes elementos regulatórios do genoma viral.

 Pela recombinação ou troca de segmentos de DNA entre o genoma viral e a célula sa- dia,fazendo com que o genes celulares passem a ser regulados pelos promotores virais.

Em células normais, a ativação dos oncogenes poderá se suceder por mutação, rearranjo gênico ou amplificação gênica.

Atualmente, é conhecido que a inativação de genes supressores dos tumores é uma situação bem mais comum do que a inativação dos oncogenes. No entanto, com os esforços direcionados ao conhecimento exato das seqüências gênicas, a identificação de mutações das proteinoquinases permi- tirá que novos oncogenes sejam identificados.

Entre os oncogenes temos:

Fatores de crescimento dos peptídeos e seus receptores: estão situados nos espaços extracelulares, os quais poderão induzir um aumento em cascata de todos os mecanismos dos receptores situados na membrana celular. É postulado que diversos tipos de cânceres secretariam diversos tipos de fatores de crescimento que interagiriam com os receptores celulares locais e aumentariam, deste modo, a sua proliferação, de modo autócrino humanos. Os receptores da mem- brana celular ligam-se a fatores de crescimento dos peptídeos e estas agregações e arranjos dos receptores induzem ativação intracelular das tirosino-quinases.

Família dos receptores dos fatores de crescimento epidérmico: é uma importante família de receptores de fatores de crescimento transmembrana que têm merecido inúmeras pesquisas nas ultimas décadas. O EGF (epidermic growth factor) é um fator de crescimento peptídico constituído de 53 aminoácidos, e a maioria destes receptores são proteínas transmembrânicas, com um domí- nio externo ao qual se liga o fator de crescimento e um domínio citoplasmático com propriedades de tirosina-quinase. Estes EGF têm sido demonstrados em diversas neoplasias da cabeça, pescoço, pulmões e também em neoplasias epidérmicas da vulva. Embora as expressões do EGF sejam

docsity.com

diversas nos diferentes tipos de neoplasias, eles não são preditores do comportamento clínico des- tas. Em algumas neoplasias, como seja a neoplasia de pequenas células dos pulmões, tem sido desenvolvido inibidores específicos do EGF tal como a gefitinibina e a erlotnibina, que pare- cem ser eficazes para o seu tratamento. A justificativa para o efeito anti-EGF seria caracterizado como um “choque oncogênico”, onde tais substâncias teriam a capacidade de induzir altos níveis celulares de efeito apoptótico, com conveniente resposta clínica.

Fatores de transdução extra-nucleares: existindo uma interação entre os fatores de crescimento peptídicos e seus receptores, ocorre a transmissão de estímulo mitogênico ao núcleo. Muitos destes sinais envolvem a fosforilação de proteínas por enzimas conhecidas como quinases, Proteína- quinases C, AKT2 que estão envolvidas no estimulo proliferativo celular. Em contrapartida a ativi- dade regulatória das quinases é procedida pelas fosfatases que agem de modo oposto pela remo- ção de fosfatos.

Fatores regulatórios nucleares: são fatores encontrados dentro dos núcleos, cuja ação é ativar genes que induzem a replicação celular do DNA e culminam na mitose. Assim é que varias destas proteínas nucleares se ligam ao DNA. Nesta classe de proteínas, estão representadas os oncoge- nes c-myc, c-fos e c-jun. Já foram evidenciados como tendo participação destes oncogenes no desenvolvimento do linfoma de Burkitt, no neuroblastoma e nos carcinomas de pequenas célu- las dos pulmões.

RAS: são proteínas que representam outra classe de moléculas que estão envolvidas nos sinais de crescimento estimulatório da membrana celular diretamente para o núcleo. Estas proteínas RAS são moléculas com 21-kDa que localizam-se no interior das membranas celulares e sua ação é catalisa- dora, tendo a capacidade de induzir a troca da guanosina 5’-trifosfato em guanosina 5’-difos- fato. Mutações nesta família de proteínas estão presentes em mais de 1/3 das neoplasias sejam em cânceres gastrointestinais ou do endométrio (KRAS, HRAS e NRAS).

docsity.com

docsity.com

comentários (0)
Até o momento nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Docsity is not optimized for the browser you're using. In order to have a better experience we suggest you to use Internet Explorer 9+, Chrome, Firefox or Safari! Download Google Chrome