Biodigestores - Apostilas - Agronomia, Notas de estudo de . Universidade Federal de Goiás (UFG)
Ronaldo89
Ronaldo891 de Março de 2013

Biodigestores - Apostilas - Agronomia, Notas de estudo de . Universidade Federal de Goiás (UFG)

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Apostilas sobre o estudo do estado atual de como estão sendo empregadas as técnicas para a construção e operacionalização de Biodigestores bem como as vantagens e desvantagens dessas técnicas no meio rural.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CAMPUS CURITIBANOS

Biodigestores

CURITIBANOS

2012

Biodigestores

Monografia apresentada ao Campus Curitibanos, UFSC, para como parte da avaliação da disciplina de Produção Textual.

CURITIBANOS

2012

AUTORIZO A DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

SEÇÃO TECNICA DA BIBLIOTECA UFSC

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Dedicatória

Agradecimentos

RESUMO

Os biodigestores fazem parte da tecnologia limpa e sustentável, basicamente é um reservatório onde se coloca orgânicos encontrados na natureza misturado com água onde que no seu interior acontece a fermentação da biomassa (é colocada dentro do biodigestor, onde através da digestão e fermentação das bactérias anaeróbicas é transformada em um gás conhecido como metano), dando origem ao biogás. Na década de 70, foi introduzido no Brasil a tecnologia dos biodigestores, sendo os principais modelos implantados o Chinês e o Indiano. Esse tipo de bactéria não precisa de ar para sobreviver, por isso o ambiente tem que ser o mais vedado possível. Após todo o processo de produção do biogás, existe uma sobra dentro do biodigestor que podemos chamar de biofertilizante. O biofertilizante pode ser usado como adubo orgânico para fortalecer o solo e para o desenvolvimento das plantas. Cada biodigestor tem uma característica: Existem os de produção descontínua ou de produção continua. O de produção contínua pode acontecer por um longo período, sem que haja a necessidade de abertura do equipamento. A biomassa é colocada no biodigestor ao mesmo tempo que o biofertilizante é retirado. O de produção descontínua é colocada dentro do biodigestor que é totalmente fechado e só será aberto após a produção de biogás, o que levará mais ou menos noventa dias. Após a fermentação da biomassa, o biodigestor é aberto, limpo e novamente carregado para um novo ciclo de produção de biogás.

Palavras-chave: Biodigestores. Biogás. Biofertilizante. Biomassa.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 | Sistema descontinuo (batelada) de produção de biogás................ | 13 |

Figura 2 | Diagrama esquemático do biodigestor tipo contínuo...................... | 14 |

Figura 3 | Biodigestor Indiano.......................................................................... | 15 |

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Figura 4 | Vista lateral do biodigestor tipo Chinês........................................... | 16 |

LISTA DE TABELAS

Tabela 1- | Composição média do biogás....................................................... | 18 |

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SUMÁRIO

1 | INTRODUÇÃO......................................................................................... | 09 |

2 | OBJETIVO............................................................................................... | 11 |

3 | REVISÃO DE LITERATURA................................................................... | 12 |

3.1 | Biodigestores........................................................................................... | 12 |

3.2 | Processo descontínuo (batelada)............................................................ | 13 |

3.3 | Processo contínuo................................................................................... | 13 |

3.3.1 | Modelo indiano........................................................................................ | 14 |

3.3.2 | Modelo chinês.......................................................................................... | 16 |

3.4 | Biogás...................................................................................................... | 18 |

3.4.1 | Vantagens do biogás............................................................................... | 19 |

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3.4.2 | Principal componente do biogas: o metano............................................. | 20 |

3.5 | Biofertilizante........................................................................................... | 21 |

3.6 | Vantagens e desvantagens..................................................................... | 21 |

4 | CONCLUSÃO.......................................................................................... | 23 |

| REFERÊNCIAS....................................................................................... | 24 |

1.

2. INTRODUÇÃO

A escassez de fontes energéticas para fins produtivos é um grave problema enfrentado pelos produtores rurais. A lenha é um dos recursos mais utilizados principalmente para a cozinha e uso da mesma pode possibilitar problemas de saúde às pessoas, quando exposta por um longo período de tempo.

Mesmo com desenvolvimento e melhorias adquiridas ao longo anos observa-se que a utilização do gás de cozinha é um custo considerável no orçamento do produtor rural e o uso de outros recursos pode ser inviável por conta da poluição.

O uso de tecnologias limpas vem possibilitando uma série de inovações que tem como primazia o uso de ferramentas que devem ser de uma contínua aplicação estratégica ambiental, preventiva e integrada, aplicada a processos, produtos e serviços para aumentar a eco-eficiência e reduzir riscos para o homem e o meio ambiente.

Buscando essa prática mais saudável, vem sendo atribuída uma grande importância para o uso de Biodigestores nas propriedades rurais que beneficia com a produção de um gás com grande teor energético (gás de cozinha) e adubo orgânico para agricultura e pode auxiliar em outras fontes de pesquisas e benefícios para o meio rural.

O interesse pelos biodigestores no país teve início com a crise resultante aos preços do petróleo ocorrido em 1979. Entre as medidas adotadas pelo governo para reduzir a dependência deste insumo destacava-se um amplo programa de investimento voltado para substituição e conservação de derivados de petróleo (Programa de Mobilização Energética - PME, iniciado em 1980). No período entre 1980-1984, foram utilizadas diversas formas de estímulo à instalação de biodigestores (PALHARES, 2008).

Conforme (OLIVER et al., 2008) a produção de estercos, dejetos de animais e águas servidas em propriedades rurais estão entre as principais causas de contaminação dos lençóis freáticos questões pertinentes que podem levar a grandes prejuízos ambientais. Estas produções

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representam perda potencial de energia aproveitável e de adubo rico em fósforo, o qual apresenta alto custo e difícil aquisição, isto por ser adquirido, principalmente, por importação.

O manejo inadequado dos dejetos é um grave problema, pois pode atuar como vetor de doenças, contaminando água e o solo. No Brasil é comum a aplicação desses dejetos no campo e isso pode acarretar a queimas das plantas, poluição ambiental, sequestro de nitrogênio para decomposição da celulose (presente em grande quantidade no esterco) causando deficiência nas plantas, disseminar sementes de plantas daninhas e conter microoganismos patogênicos.

A biodigestão anaeróbia dos dejetos é uma tecnologia eficiente no aproveitamento de resíduos agropecuários que contribui no saneamento ambiental, produção de adubo para segurança alimentar e geração do biogás, usado como fonte energética (OLIVER et al., 2008).

3. OBJETIVO

O presente trabalho tem como objetivo buscar dados científicos na literatura que nos permita saber o estado atual de como estão sendo empregadas as técnicas para a construção e operacionalização de Biodigestores bem como as vantagens e desvantagens dessas técnicas no meio rural.

4. REVISÃO DE LITERATURA

5.1 Biodigestores

Cientificamente a biodigestão é um processo de degradação, transformação ou decomposição de substâncias vegetais, animais realizada por microorganismo ou bactérias.

Segundo Magalhães (1986) o biodigestor é uma câmara na qual ocorre um processo bioquímico denominado digestão anaeróbica, que tem como resultado a formação de biofertilizantes e produtos gasosos, principalmente o metano e o dióxido de carbono. O sistema que permite o mais eficiente funcionamento do biodigestor é constituído pelos seguintes componentes:

* Tanque de entrada: local onde são depositados os dejetos;

* Tubo de carga: conduto através do qual se faz a introdução do resíduo no digestor;

* Digestor: tanque fechado onde se processa a fermentação da matéria orgânica;

* Septo: parede que divide e direciona o fluxo do resíduo dentro do digestor;

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* Gasômetro: câmara em que se acumula o biogás gerado pela digestão anaeróbia;

* Tubo de descarga: conduto pelo qual é expelido o resíduo líquido depois de fermentado;

* Leito de secagem: tanque onde é recolhido o resíduo líquido, que após a perda do excesso de água se transforma no biofertilizante;

* Saída do biogás: tubulação instalada na parte superior do gasômetro para conduzir o biogás até o ponto de consumo.

Existe atualmente uma gama muito grande de modelos de biodigestores, sendo cada um adaptado a uma realidade e uma necessidade de biogás. Quanto à forma de abastecimento os biodigestores, são classificados em bateladas e contínuos (SALOMON e THIAGO FILHO, 2007).

5.2 Processo descontínuo (batelada)

O biodigestor de batelada é um modelo simples, próprio para produções pequenas de biogás. Este tipo de digestor recebe um carregamento de matéria orgânica, que só é substituído após um período adequado à digestão de todo o lote. Trata-se de um tanque de alvenaria, metal ou fibra de vidro, o qual é carregado, fechado e, depois de 15 a 20 dias de fermentação (isso em função ao tamanho do biodigestor), começa a produzir biogás. Depois de usar o gás, o biodigestor de batelada é aberto, descarregado, para logo ser limpo e novamente recarregado, reiniciando o processo. É interessante e recomendável ter duas unidades. Quando um biodigestor começa a produzir, o outro é carregado, e quando acaba o biogás de um, o outro já começa a produzir.

Figura 1 – Sistema descontinuo (batelada) de produção de biogás.

Fonte: Série Energias Renováveis (2007)

5.3 Processo contínuo

Os biodigestores contínuos, do tipo mostrado na figura 2, são construídos de tal forma que podem ser abastecidos diariamente, permitindo que a cada entrada de material orgânico a ser processado exista uma saída de material já processado. Os modelos mais conhecidos de biodigestores contínuos são o Indiano e o Chinês. Ambos são construções que possuem a sua maior parte abaixo do nível do solo.

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Figura 2 – Diagrama esquemático do Biodigestor tipo Contínuo.

Fonte: Série Energias Renováveis (2007)

Num sistema contínuo a matéria orgânica é introduzida na cuba de fermentação com uma determinada taxa de diluição (a qual depende do tipo de matéria orgânica a fermentar), onde fica retida durante vários dias. O tempo de retenção resulta de um compromisso entre o volume de gás a produzir, o grau de digestão que se pretende e a temperatura de funcionamento. Depois de carregada a cuba e iniciada a fermentação, impõe-se a estabilização do sistema.

É importante a verificação de todos os parâmetros como o pH, temperatura, qualidade do efluente, produção e qualidade do gás. É de notar que a estabilização poderá ser demorada e exigir correções.

Neste tipo de fermentação, é absolutamente necessária a agitação da matéria orgânica incubada, a fim de evitar a formação de crostas na superfície, bem como a deposição de matéria no fundo, e permitindo uma homogeneização na concentração das bactérias e manutenção de uma temperatura uniforme no interior da cuba. A produção de biogás é uniforme no tempo e a quantidade produzida é função do tipo de matéria orgânica utilizada.

A classificação dos biodigestores também pode ser dada quanto ao modelo:

5.4.1 Modelo Indiano

Feito de alvenaria apresenta fácil construção, porém a campânula, que é feita de metal, pode encarecer o biodigestor além de necessitar de manutenções constantes devido à oxidação do metal.

No modelo indiano a cúpula vai subindo em torno de uma guia de metal à medida que se enche de gás, funcionando como gasômetro. Seu peso acaba imprimindo certa compressão ao gás estocado. Esta compressão pode ser aumentada por fixação de pesos na cúpula de metal.

Através desse sistema imprime-se maior pressão quando for necessário aumentar a velocidade de saída do gás, conforme apresentado na figura 3.

Figura 3: Biodigestor Indiano.

FONTE: Série Energias Renováveis (2007)

Como vantagens do digestor tipo indiano pode-se citar:

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* O digestor do modelo indiano é construído enterrado no solo e, como a temperatura do solo é pouco variável, o processo de fermentação que ocorre em seu interior tem a vantagem de sofrer pouca variação de temperatura. A temperatura elevada favorece a ação das bactérias (responsáveis pelo processo de fermentação anaeróbia) e a sua queda provoca uma menor produção de biogás.

* Ocupa pouco espaço do terreno, porque sua maior extensão é vertical.

* Em termos de custos, sendo as paredes do digestor construídas dentro do solo, o modelo dispensa o uso de reforços, tais com cintas de concreto, o que barateia as despesas.

Como desvantagens pode-se citar:

* Quando a cúpula for de metal, ela está sujeita ao problema de corrosão. Para evitá-lo, recomenda-se fazer uma boa pintura com um antioxidante.

* O sistema de comunicação entre a caixa de carga e o digestor, sendo feito através de tubos, fica sujeito a entupimentos.

* Sua construção é limitada para áreas de lençol freático alto, ou seja, não é um modelo indicado para terrenos superficiais, pois nestes casos pode ocorrer infiltração.

* As diferenças entre os modelos chinês e indiano de biodigestores não são expressivas. O detalhe se refere à cúpula do gasômetro, região onde fica armazenado o biogás gerado pela fermentação.

* O biodigestor indiano tem cúpula móvel de metal, na qual o gás é retido e a partir de onde pode ser distribuído. Já o modelo chinês tem cúpula fixa de alvenaria e uma câmara cilíndrica para fermentação com o teto em forma de arco, onde o gás fica retido.

5.4.2 Modelo Chinês

É totalmente construído de alvenaria, não utiliza do uso do aço, como é feito no modelo indiano, reduzindo os custos. Entretanto, devido aos solos encontrados no Brasil e o clima, constantemente ocorrem rachaduras em sua estrutura liberando o gás. Não é recomendado para instalações de grande porte, semelhante ao indiano o material orgânico deve ser fornecido continuamente.

Figura 4 – Vista lateral do biodigestor tipo Chinês.

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Fonte: Série Energias Renováveis (2007)

Como vantagens do digestor tipo chinês pode-se citar:

* Este modelo tem um custo mais barato em relação aos outros, pois a cúpula é feita de alvenaria.

* O biodigestor chinês é o que ocupa menos espaço na superfície do solo.

* Como é construído completamente enterrado no solo (tanto o digestor, como o gasômetro), sofre muito pouca variação de temperatura.

Como desvantagens pode-se citar:

* O sistema de comunicação entre a caixa de carga e o digestor, sendo feito através de tubos, está sujeito a entupimentos.

* Tem limitação quanto ao tipo de solo. Sua construção em solos superficiais não é indicada.

* Não é um biodigestor próprio para acúmulo de gás, devido a sua construção de cúpula fixa (a área de reserva de gás é menor). É um modelo mais indicado na produção de biofertilizante.

De acordo com SGANZERLA (1983), o modelo indiano é o mais usado no Brasil devido à sua operacionalidade. Apresenta o formato de um poço ¾ que é o local onde ocorre a digestão da biomassa ¾, coberto por uma tampa cônica, isto é, pela campânula flutuante que controla a pressão do gás metano e permite a regulagem da emissão do mesmo. Outro motivo para sua maior difusão está no fato do outro modelo, o chinês, exigir a observação de muitos detalhes para sua construção.

SGANZERLA (1983) salienta que uma das vantagens do modelo indiano é a sua campânula flutuante, que permite manter a pressão de escape de biogás estável, não sendo necessário regular constantemente os aparelhos que utilizam o metano. Uma desvantagem, razoavelmente significativa, é o preço da construção da campânula, normalmente moldada em ferro. Este modelo oferece, em relação ao modelo chinês, algumas vantagens no momento da construção, pois pode ser adaptado ao clima local e ao tipo de solo. Não há necessidade de se estabelecer medidas fixas para o diâmetro e a profundidade, bastando que se observe a relação de capacidade do tanque digestor e da campânula.

Em função da variabilidade do solo (profundidade dos lençóis freáticos próximos) é possível alterar a profundidade do biodigestor em função do diâmetro. Assim, quanto menor a profundidade maior deverá ser o diâmetro, e vice-versa. Sganzerla (1983) lembra que o tanque de digestão pode, inclusive, ser construído acima do nível do terreno, contanto que a

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facilidade de abastecimento não fique dificultada. Reside aí uma das grandes vantagens do modelo indiano sobre o chinês, uma vez que este necessita observar medidas que se relacionam entre si (profundidade e diâmetro), o que pode inviabilizar sua instalação quando o solo for pedregoso, encharcado ou ambos.

O biodigestor indiano, por sua vez, pode ser construído em clima frio, temperado ou mesmo tropical, bastando alterar a relação diâmetro-profundidade do mesmo (GASPAR, 2003).

5.4 Biogás

Segundo GUSMAO (2008) o biogás é uma mistura gasosa rica em metano, sendo o componente predominante no gás natural combustível. O potencial energético do biogás varia em função da presença de metano na sua composição: quanto mais metano, mais rico é o biogás. A proporção de cada gás na mistura depende de vários parâmetros, como o tipo de reator e o substrato a digerir.

Esta mistura é essencialmente constituída por metano (CH4) com valores médios na ordem de 50 a 75%, e por dióxido de carbono (CO2) com aproximadamente 25 a 40%. Outros gases, também, participam da mistura: hidrogênio (H2), nitrogênio (N2), monóxido de carbono (CO), oxigênio (O2) e gás sulfídrico (H2S) (PIRES, 2000; apud PINTO, 2006). A Tabela 1 apresenta uma composição média do biogás.

Tabela 1- Composição média do biogás.

Componente | Teor de Volume % |

Metano(CH4) | 50 a 75 |

Dióxido de carbono (CO2) | 25 a 40 |

Hidrogenio (H2) | 1 a 3 |

Nitrogenio (N2) | 0,5 a 2,5 |

Oxigênio (O2) | 0,1 a 1 |

Gás sulfídrico (H2S) | 0,1 a 0,5 |

Amônio (NH3) | 0,1 a 0,5 |

Monóxido de carbono (CO) | 0 a a,1 |

Água | Variável |

Fonte: PIRES (2000) apud PINTO (2006).

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Entretanto, quando comparado com o gás natural (85 a 95% de metano), o biogás apresenta menor poder calorífico, em conseqüência do menor conteúdo de metano. O poder calorífico do biogás diretamente relacionado com a quantidade de metano existente na mistura pode atingir de 5.000 a 6.000 kcal/m3, mas pode ser melhorado pela retirada do CO2, chegando a valores de 12.000 kcal/m³ (LENZ, 1980; apud ZAGO, 2003).

5.5.3 Vantagens do biogás

O biogás é considerado uma fonte de energia renovável e, portanto, sua recuperação e seu uso energético apresentam vantagens quer ao nível de tratamento dos resíduos, quer em termos energéticos e ambientais e quer a nível econômico (GUSMÃO, 2008).

Em termos de tratamento dos resíduos:

* É um processo natural para se tratar resíduos orgânicos;

* Requer menos espaço que aterros sanitários ou compostagem;

* Diminui o volume de resíduo a ser descartado.

Em termos de energia:

* É uma fonte de energia renovável;

* Produz um combustível de alta qualidade e ecologicamente correto (a combustão do metano só produz água e dióxido de carbono, não gerando nenhum gás tóxico).

Em termos de meio ambiente:

* Maximiza os benefícios da reciclagem/reaproveitamento da matéria orgânica;

* Produz como resíduo o biofertilizante, rico em nutrientes e livres de microorganismos patogênicos;

* Reduz significativamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de metano (CH4) para atmosfera, gases causadores do efeito estufa;

* Reduz a geração de odor nas vizinhanças, de chorume e de contaminação do lençol freático;

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A nível econômico:

* Apesar do alto custo inicial, numa perspectiva de longo prazo resulta numa grande economia, pois reduz gastos com eletricidade, transporte de botijão de gás, esgoto, descarte dos demais resíduos.

No entanto, GUSMÃO (2008) diz que o biogás apresenta um grave inconveniente: a formação de gás sulfídrico (H2S) (gás tóxico), que dependendo do tipo de resíduo, produzirá uma quantidade maior ou menor, implicando uma possível etapa de tratamento do gás obtido, dependendo do uso dado ao mesmo e a escolha adequada do material utilizado na construção do biodigestor, pois que com a formação de gases corrosivos, como o H2S, há a longo prazo um custo extra com a manutenção.

5.5.4 Principal componente do biogás: o metano

O metano é um gás incolor, inodoro e inflamável e de pouca solubilidade na água. É um potente gás de efeito estufa que contribui em 20% para o aquecimento global (SOUZA, 2005).

Cerca de 60% da emissão de metano no mundo é gerado pela ação humana, principalmente proveniente da agricultura. Do total das emissões de metano pelo setor agrícola no Brasil, estima-se que a pecuária,através da fermentação entérica e dos dejetos, contribui com cerca de 96% do total emitido.Desse total, a pecuária bovina contribui com 95% das emissões, sendo o resto de outras categorias de animais.

De acordo com o Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa, (OLIVEIRA, 2002), as emissões de metano a partir da geração e do manejo de dejetos animais, em 1990, correspondem a cerca de 4% das emissões totais de metano da pecuária. O gado de corte foi a principal categoria de animais a contribuir para as emissões de metano, emitindo cerca de 53% das emissões por manejo de esterco, seguido pelo gado de leite com 17% das emissões. Em 1994, as emissões de metano provenientes por esta mesma fonte foram estimadas em 53% atribuídas à categoria de gado de corte, 16% à de gado de leite, 16 % à de aves e 8 % à de suínos.

5.5 Biofertilizante

O biofertilizante é o "subproduto" da biodigestão e é de extrema importância como o próprio biogás. Além de ser utilizado como um excelente fertilizante pode ser usado como corretivo de acidez, da vida bacteriana e de textura.

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Apresenta esta capacidade enorme, devido a sua alta concentração de Nitrogênio e a baixa concentração de Carbono. Este fato é devido à biodigestão a qual ocorre dentro de um biodigestor, que libera o carbono em forma de CO2 e CH4, deixando-o rico em nutrientes.

De acordo com o (OLIVER et al., 2008) o biofertilizante apresenta características peculiares que o torna interessante para o uso agrícola, os efeitos no controles de pragas e doenças de plantas têm sido bem evidenciados. Efeitos fungistático, bacteriostático e repelente sobre insetos já foram constatados.

Deste modo, obtém-se uma melhora em suas condições para fins agrícolas, sem contar com o baixo custo, um dos grandes motivos para a sua utilização em lavouras.

5.6 Vantagens e desvantagens

A geração de biogás e biofertilizantes não compete pela posse da terra com as culturas alimentares e de exportação ela pode promover a fixação do homem do campo, oferecendo uma melhor qualidade de vida e consequentemente aumentar a produtividade agrícola e a renda do produtor já que a aplicação do biofertilizante reduz a demanda de fertilizantes derivados do petróleo e se caracteriza por ser uma energia explorada a baixo custo, com tecnologia simples ajudando a recuperar ou regenerar aquele solo degradado.

Segundo (JAVARONY, YU e KAZUO, 2011) o Brasil possui dimensões continentais, com a maior parte de seu território localizado entre o equador e o trópico de capricórnio, oferecendo condições climáticas para a utilização da tecnologia da digestão anaeróbia.

Esta grande extensão territorial dificulta a implantação de redes de transmissão elétrica, gasodutos e de transporte de combustíveis fósseis, o que favorece a adoção de soluções locais para o suprimento de energia e de outros insumos agrícolas. Deve-se ressaltar que a utilização do biogás é de caráter regional, mas pode trazer melhoria na qualidade de vida de comunidades menos favorecidas economicamente, já que também reduz a dependência energética externa.

É interessante atentar aos possíveis riscos com o uso de biogás. Por ser altamente inflamável, existem riscos de manejo incorreto e possibilidade de acidentes. Há uma atenção quanto a este ponto, pois tal fonte é principalmente de produção e consumo local, por isso tem-se o destaque para o conhecimento técnico quanto ao manejo do biogás (SIMIONI, 2006 apud LINDEMEYER, 2008).

5. CONCLUSÃO

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Levando em conta os ganhos ambientais, o biodigestor é um excelente método de tratamento de resíduos, propiciando um desenvolvimento sustentável e continuo.

Apresentar as vantagens da tecnologia de biodigestão anaeróbica em termos ambientais e econômicos são nítidos os ganhos em termos de poluição, produção de energia limpa por meio do biogás e biofertilizantes para lavoura, contribuição para a redução das emissões de gases de efeito estufa causadores do aquecimento global, comercialização dos créditos de carbono.

REFERÊNCIAS

GASPAR, R. M. B. L. Utilização de biodigestores em pequenas e médias propriedades rurais, com ênfase na agregação de valor: um estudo de caso na região de Toledo-PR. Florianópolis, 2008. Disponivel em:< http://www.tede.ufsc.br/teses/PEPS4022.pdf >. Acesso em: 23 maio 2012.

GUSMÃO, M. M. F. C. C. Produção de biogás em diferentes sistemas de criação de suínos em Santa Catarina. Florianópolis, 2008. Disponivel em:< http://www.tede.ufsc.br/teses/PGEA0335-D.pdf >. Acessado em: 23 maio 2012.

JAVARONI, F. L.; YU, B.; KAZUO, D. Biodigestores. Piracicaba, 2011. Disponivel em:<https://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:fnGIv60iIB8J:www.leb.esalq.usp.br/discipl inas/Romanelli/leb244/Trabalhos_2011/Biodigestores%25202011.docx+biodigestores+JAVAR ONI,+YU&hl=ptBR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEEShgQwVvcgtIaPl1Zx3tM6CUY3_wfD5p_jCwXKd xHtyY6r4CUSfY8mCeS8AByxDfPKNPJLi5CiHJLr0EN5lw1ZN4O9wCtJp7zsEVlZWFZ74MBK5kgctEc RfzFO5ho9uhngSJuE&sig=AHIEtbTXvG8sPVxNEoquseUtc5vQN-gnuw>. Acesso em: 23 maio 2012.

LINDEMEYER, R. M. Análise da Viabilidade Econômico Financeira do Uso do Biogás como Fonte de Energia Elétrica. Florianópolis, 2008. Disponivel em:< http://www.aneel.gov.br/biblioteca/trabalhos/trabalhos/TCC_Ricardo_Matsukura_Lindemeye r.pdf >. Acesso em: 23 maio 2012.

MAGALHÃES, A. P. T. Biogás: um projeto de saneamento urbano. São Paulo: Nobel, 1986. 120 p.

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OLIVER, A. P. M.; NETO, A. A. S.; QUADROS, D. G.; VALLADARES, R. E (Org.) Manual de treinamento em Biodigestão. v. 2. Instituto Winrock – Brasil, 2008. Disponível em: < http://wp2.oktiva.com.br/ider/files/2010/01/16.Manual-de-Treinamento-em-Biodigestao.pdf >. Acesso em: 23 maio 2012.

OLIVEIRA, P. A. V. Produção e manejo de dejetos de suínos. Concórdia: PNMA II – Programa Nacional do Meio Ambiente, 2002, Documento Técnico n. 8, p. 79 – 90.

PALHARES, J.C.P. Biodigestão anaeróbia de dejetos de suínos: aprendendo com

o passado para entender o presente e garantir o futuro. 2008. Disponível em:<http://www.infobibos.com/Artigos/2008_1/Biodigestao/index.htm>. Acesso em: 25 maio 2012.

PINTO, R. O. Avaliação da digestão anaeróbia na bioestabilização de resíduos orgânicos, lodos de tanques sépticos, dejetos suínos e lixiviado. 2006. 233 f. Tese (Doutorado em Engenharia Ambiental). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.

SGANZERLA, E. Biodigestor, uma solução. Porto Alegre: Agropecuária, 1983.

SALOMOM, K. R.; TIAGO FILHO G. L. Biomassa. Itajuba: FAPEPE, 2007. ( Série Energias Renovaveis, 1. ed.). Disponivel em:< http://www.cerpch.unifei.edu.br/arquivos/cartilhas/cartilhas-energias-renovaveis- biomassa.pdf>. Acesso em: 23 maio 2012.

SOUZA, P. F. M.; Metodologias de monitoramento de projetos de MDL: uma analise estrutural e funcional. 2005. 116 f. Dissertação (mestrado em Planejamento energético). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.ppe.ufrj.br/ppe/production/tesis/pfernandez. pdf>. Acesso em: 23 maio 2012.

ZAGO, S. Potencialidade de produção de energia através do biogás integrada à melhoria ambiental em propriedades rurais com criação intensiva de animais, na região do Meio Oeste Catarinense. 2003. 90 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental). Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, 2003.

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