Bioterrorismo - Apostilas - Biologia Molecular_Parte2, Notas de estudo de Biologia Celular e Molecular. Centro Universitario Nove de Julho (UNINOVE)
Jose92
Jose9214 de Março de 2013

Bioterrorismo - Apostilas - Biologia Molecular_Parte2, Notas de estudo de Biologia Celular e Molecular. Centro Universitario Nove de Julho (UNINOVE)

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Apostilas de Biologia Molecular sobre o estudo do Bioterrorismo, varíola, peste bubônica, Tularemia.
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9   

capacidade de expansão do pulmão na respiração, disfagia, mucosa oral seca,

fraqueza muscular e parada cárdio-respiratória que leva o indivíduo a morte no

período de uma semana.

O tratamento médico deve ser feito por meio da administração da antitoxina

precocemente e a prevenção de infecções secundárias, além de cuidados intensivos

e o uso de suporte ventilatório para ajudar na respiração.

 Orthopoxvirus variolae – Varíola

A varíola é adquirida através de um vírus, transmitido pelo ar, por isso a contaminação ocorre através da respiração. Essa doença, como as outras usadas

como armas biológicas, apresenta sintomas semelhantes aos da gripe. A erupção de

pústulas na pele é uma das características da doença. Essa patologia é causada por

um vírus constituído por DNA que pertence ao gênero Orthopoxvirus e da família

Poxviridae, no microscópio podem ser vistos os corpúsculos de Pasche e finas

granulações, são resistentes se forem mantidas em baixas temperaturas, porém

pouco resistentes ao calor, podem permanecer viáveis por muitos anos.

A transmissão ocorre de pessoa para pessoa por meio do convívio e

geralmente pelas vias respiratórias. Uma vez dentro do organismo, o vírus da varíola

permanece incubado de sete a 17 dias. A seguir, ele se estabelece na garganta e

nas fossas nasais e causa febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor nas costas e

abatimento, esse estado permanece de dois a cinco dias, para finalmente atingir sua

forma mais violenta: a febre baixa e começa a aparecer erupções avermelhadas,

que se manifestam na garganta, boca, rosto e que depois espalham-se pelo corpo

inteiro. Isso ocorre, porque o O. variolae parasita as células do tecido epitelial para

se reproduzir. Com o tempo, as erupções evoluem e transformam-se em pústulas

(pequenas bolhas cheias de pus), que provocam coceira intensa e dor – nesse

estágio o risco de cegueira é maior, pois, ao tocar o olho, o enfermo pode causar

uma inflamação grave.

Os últimos casos confirmados de varíola foram diagnosticados há mais de

duas décadas. existem, no mundo, dois laboratórios conhecidos com estoque de

vírus vivo: um nos estados unidos e o outro na Rússia. após exposição respiratória e

10   

um período de incubação de 12 dias, a varíola evolui, em pacientes não vacinados,

com taxas de mortalidade em torno de 30%.

Dois antivirais disponíveis comercialmente têm atividade contra o vírus da

varíola: o cidofovir e a ribavirina. não se dispõe, atualmente, de vacina

comercialmente disponível; o centers for disease control (cdc) tem uma reserva de

alguns milhões de doses da vacina para prevenir uma nova emergência da doença e

outro tanto de imunoglobulina para tratar os potenciais complicações da vacina.

A variolização, processo de vacinação da varíola, não era totalmente

desprovido de riscos pois apresentava uma alta incidência de efeitos colaterais.

Essa vacinação foi suspensa em 1972, porém após a exposição ao vírus a vacina foi

indicada para atenuar a severidade da doença ou preveni-la, se aplicada em um

prazo de quatro dias sua alta incidência de efeitos adversos da vacina faz com que a

vacinação em massa não seja uma estratégia indicada contra a patologia. A vacina

da varíola apresenta um alta incidência de efeitos colaterais, sendo estimada uma

letalidade de um óbito para cada milhão de pessoas vacinadas, isso numa época de

poucos indivíduos imunocomprometidos. Essa relativamente alta incidência de

eventos adversos é o principal aspecto que contra-indica a estratégia de vacinação

em massa. Além disso, há a dificuldade operacional de vacinar um grande número

de pessoas num espaço curto de tempo, principalmente desde que os injetores de

pressão foram considerados de risco para transmissão de vírus como o da hepatite

C,AIDS e hepatite B. A vacinação de pessoal de maior risco, como funcionários de

aeroportos e hospitais, além de bombeiros e policiais, estaria na dependência da

magnitude e continuidade do risco, isto é, a possibilidade de número maior de

casos-índice.

Algumas medidas seriam razoáveis para serem adotadas a priori: a obtenção

de um estoque estratégico de vacinas contra a varíola e o aprimoramento dos

sistemas de vigilância epidemiológica para fazer frente a um novo tipo de ameaça de

introdução de uma doença.

Concluindo, caso o uso do vírus tenha finalidade terrorista haverá um impacto

imensurável, uma vez que, boa parte da população mundial não está imune ao vírus,

tudo isso somado ao fato de não haver tratamento antiviral ou disponibilidade

suficiente da vacina.

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 Yersinia pestis - Peste bubônica

A peste bubônica é uma infecção bacteriana produzida por bacilos Gram- negativos que pertencem a família das enterobactérias, não esporulado, anaeróbio

facultativo, oxidase negativo e catalase positiva que tem como hospedeiro natural

alguns roedores, chega a infectar o homem através de pulgas infectadas.

É uma patologia conhecida desde a Idade Antiga, quando houve uma

pandemia no Egito, conhecida como Peste Negra, a Y. pestis usada como arma

biológica, em forma de aerossóis, tem a capacidade de transmissão de pessoa para

pessoa quando na forma pulmonar, que é uma variante da doença.

Os primeiros sintomas da infecção de pulmão por Y. pestis são a febre,

cefaléia, fadiga, aparecimento de muco pulmonar purulento ou sanguinolento. Esse

quadro pode se agravar gerando um choque séptico evoluindo para óbito. O

diagnóstico clínico é baseado pelo aparecimento de ínguas, que é confirmado na

cultura de aspiração do linfonodo, também pode ser confirmado por meio de

técnicas de imunohistoquímica, seu tratamento é feito a base de antibióticos, com

extremo cuidado, pois é uma bactéria altamente contagiosa.

Existe uma vacina contra a peste bubônica, mas sua eficácia ainda é

duvidosa para a forma pulmonar da doença.

 Francisella tularensis – Tularemia

A Tularemia é uma doença bacteriana causada por um bacilo aeróbio, não esporulado, Gram-negativo, altamente resistente, com necessidades nutricionais

específicas para crescimento, a F. tularensis se divide em subespécies que são a

tipo (A) altamente virulenta e tipo (B) de baixa virulência, sua transmissão em

humanos se dá através da picada de insetos infectados como carrapatos e

mosquitos, a transmissão direta nunca foi descrita em literatura. Pode se apresentar

em seis diferentes formas: oculoglandular, orofaringeana, ulceroglandular, pulmonar

e séptica, depois do período de incubação começa a aparecer os primeiros sintomas

que são febre, linfadenopatia regional, fadiga, diarréia, lesões cutânea e

vesicopapulares, sem tratamento adequado ocorre a parada respiratória e o óbito.

12   

A sua forma eficiente para o uso terrorista seria em aerossóis, é considerada

uma arma em potencial, pela capacidade de dispersão, alta virulência e pela

capacidade de causar morte.

 Filovirus e Arenavirus - Febre hemorrágica

A febre hemorrágica é caracterizada pela infecção com vírus RNA de diferentes famílias, cada uma provocará um tipo de febre hemorrágica em uma

determinada região do corpo humano, sua transmissão ocorre por contato direto,

através de animais infectados, a transmissão por via aérea ainda é bem discutida e

controversa, apresentam alta mortalidade em humanos, fato que leva sua escolha

como arma biológica.

Na família Filoviridae encontra-se os vírus Ebola. O ebola, como os outros vírus, adere à célula do hospedeiro, onde entra ou

apenas injeta seu material genético, o genoma. Este usa a estrutura da célula para

se reproduzir e cada nova cópia do genoma obriga a célula a fazer o invólucro de

proteína. Os novos vírus deixam a célula do hospedeiro com capacidade de infectar

outras células. O início dos sintomas é súbito com febre alta, calafrios, dor de

cabeça, anorexia, náusea, dor abdominal, dor de garganta e prostração profunda.

Em alguns casos, entre o quinto e o sétimo dia de doença, aparece exantema de

tronco, anunciando manifestações hemorrágicas: conjuntivite hemorrágica, úlceras

sangrentas em lábios e boca, sangramento gengival, hematemese (vômito com

presença de sangue) e melena (hemorragia intestinal, em que as fezes apresentam

sangue). Nas epidemias observadas, todos os casos com forma hemorrágica

evoluíram para morte. Nos períodos epidêmicos e de surtos, a taxa de letalidade

variou de 50 a 90%. Seu contágio pode ser por via respiratória, ou contato com

fluidos corporais de uma pessoa infectada.

Não há vacina, cura, nem tratamentos eficazes. Os doentes devem ser postos

em quarentena e os familiares devem ser impedidos de ter qualquer forma de

contato com o doente, ou mesmo de tocar o corpo após o falecimento. Devem ser

administrados cuidados básicos de suporte vital como restabelecimento de

eletrólitos e fluidos perdidos, além de possíveis tratamentos paliativos.

13   

O ebola não pode infectar outras pessoas pelo ar, só é contagioso pelo

contato direto com secreções e sangue. Hoje o pessoal médico é aconselhado

apenas a usar luvas de látex e filtro respiratório. Devido a isso é praticamente

impossível haver uma epidemia em larga escala de ebola nos países ocidentais,

pois a higiene bloquearia qualquer expansão de casos. No entanto, o risco para o

pessoal médico e laboratorial, se não forem observadas as regras de higiene, é

considerável.

Já na família Arenaviridae encontra-se o vírus Lassa, com incubação de cinco a quinze dias e o vírus Arenavirus do Novo Mundo, com incubação de sete a

quatorze dias, os principais sintomas dos vírus desta família são: febre gradual,

náuseas, mialgias, conjuntivites, petéquias, linfadenopatia generalizada, dores

absominais em alguns casos ocorre sangramentos, derrame pleural, choque ou

hipotensão, e por fim o óbito.

O diagnóstico de um paciente infectado por febre hemorrágica é feito através de técnicas de imunoenzimática, como ELISA ou PCR, deve-se ter cuidado

para não confundir os sintomas com infecções virais como dengue hemorrágica,

rubéola, meningococcemia, entre outras.

Ainda não existe vacina e nem tratamento específico para esses tipos de

febres hemorrágicas, apenas se sabe que o paciente deve ser encaminhado ao

isolamento a e terapia intensiva, receber suporte hídrico com reposição de

eletrólitos, oxigenoterapia, transfusões e cuidados para complicações hemorrágicas

secundárias.

 Hantavírus - Febre hemorrágica viral,

Febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR);

Síndrome pulmonar por Hantavirus (SPHV).

É um gênero que agrupa vários vírus ARN, pertencente à família

bunyaviridae. Existem sete gêneros dentro da família bunyaviridae, todos tendo

artrópodes como agente etiomiológico, exceto pelo hantavírus, que é transmito por

roedores, que causam infecções.

A doença foi pela primeira vez reconhecido pela medicina ocidental durante a

Guerra da Coréia, no início dos anos de 1950. Em 1993, uma espécie de hantavírus

14   

foi encontrada como causadora da síndrome cardiopulmonar por hantavírus,

causada pelo vírus Sin Nombre, no Novo México e em outros quatro estados.

Hantavírus tem um tempo de incubação de 2 a 4 semanas em seres

humanos, antes de ocorrer sintomas de infecção. Estes sintomas podem ser

divididos em cinco fases:

1. Fase febril: Os sintomas incluem febre, calafrios, mal-estar, dores de

cabeça, náuseas, dor abdominal e dor nas costas, problemas

respiratórios, tais como os vírus da gripe comum, assim como

problemas gastro-intestinal. Estes sintomas normalmente ocorrem de

três a sete dias.

2. Fase hipotensora: Isso ocorre quando os níveis de plaquetas

sanguíneas queda e sintomas podem levar à hipoxemia e taquicardia.

Esta fase pode durar de 2 dias.

3. Fase oligúrica: Esta fase tem a duração de três a sete dias e é

caracterizada pelo aparecimento de insuficiência renal e proteinúria

ocorre.

4. Fase diuréica: Esta é caracterizada por diurese de 3 a 6 litros por dia,

que podem durar vários dias e e até semanas.

5. Fase convalescente: Isto normalmente ocorre quando se inicia a

recuperação e os sintomas começam a melhorar.

15   

CONCLUSÃO

A ameaça de ataques terroristas é algo iminente com a crescente

globalização, todo avanço na área científica e o desenvolvimento político mundial,

levando-se em consideração que as armas biológicas são pouco dispendiosas em

relação a outras armas de destruição em massa, como uma arma nuclear por

exemplo que precisaria investimento de mais ou menos 750 a 800 dólares a mais

para cada dólar investido com a arma biológica , a capacidade da criação de vacinas

tanto quanto de agentes, o uso legal de instalações com fins farmacêuticos e os

profissionais com o mínimo de instrução na manipulação dos agentes, também

ajuda a baixar o custo da produção de armas biológicas.

Para um microorganismo (bactérias, fungos e vírus) se transformar em uma

arma biológica, ele deve ser, antes de tudo, capaz de causar doenças e mortes no

homem, nos animais ou nas plantas, ser de fácil dispersão e disseminação, não

possuir vacina contra o agente ou que sua vacina seja limitada e tenha estabilidade

no meio ambiente. Ainda existe a vantagem de se usar uma arma com alto potencial

de destruição, sendo ela incolor, insípida e inodora. Isso faria com que o inimigo

nem percebesse de imediato que está sendo atacado, como uma arma “silenciosa”,

ou seja uma arma que tem o efeito retardado, porém o desejado são atributos

importantes em uma guerra, tudo isso faz com que a natureza imprevisível do

bioterrorismo leve os países a não desconsiderar a ameaça

de um ataque bioterrorista.

Assegurar uma resposta estratégica de prevenção e contenção ao ataque

com o reforço da vigilância militar e o surgimento de um sistema de comunicação

entre as agências de saúde e defesa, assim como, a criação de laboratórios

forenses, centro de pesquisas biológicas, produção de vacinas, preparação de

profissionais treinados prontos a lidar com as conseqüências de um ataque,

discussão de planos e protocolos de ações e medidas educativas para que a

população saiba como proceder em caso de ato bioterrorista deve ser a

preocupação não só para o Brasil, mas para todos os países. Sabendo que o

principal objetivo do uso de armas biológicas é a eliminação de inimigos e o

enfraquecimento da segurança militar implica em um desdobramento criminalístico,

porém, ainda é a saúde pública que tem a incumbência da neutralização ou

16   

minimização de atos bioterrorista o que faz com que se invista cada vez mais no

surgimento de novas tecnologias e pesquisas na área médica, pois conforme

apresentado no decorrente artigo apenas uma bactéria manipulada de forma correta

em laboratório pode se tornar uma arma de destruição em massa e há a

necessidade de preparação para que no futuro esses ataques não sejam

considerados ameaças de grande magnitude em nossa população.

BIBLIOGRAFIA

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