Cardiologia - Apostilas - diagnóstico diferencial, Notas de estudo de Cardiologia. Faculdade Medicina Estadual (ISEP)
Pipoqueiro
Pipoqueiro8 de Março de 2013

Cardiologia - Apostilas - diagnóstico diferencial, Notas de estudo de Cardiologia. Faculdade Medicina Estadual (ISEP)

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Apostilas e exercicios de Cardiologia sobre o estudo do diagnóstico diferencial, definição, causas, caracteristicas.
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Diagnóstico diferencial

Como a síndrome coronariana aguda (IAM e angina instável) representa quase 1/5 das causas de dor torácica nas salas de emergência, e por possuir uma significativa morbi-mortalidade, a abordagem inicial desses pacientes é sempre feita no sentido de confirmar ou afastar este diagnóstico. O exame físico na doença coronariana aguda não é expressivo. Mas alguns achados podem aumentar sua probabilidade, como uma 4ª bulha, um sopro de carótidas, uma diminuição de pulsos em membros inferiores, um aneurisma abdominal e os achados de sequela de AVE. Doenças não-coronarianas causadoras de dor torácica podem ter o seu diagnóstico suspeitado pelo exame físico, como é o caso do prolapso da válvula mitral, da pericardite, da embolia pulmonar, etc. A descrição clássica da dor torácica na síndrome coronariana aguda é a de uma dor, desconforto, queimação ou sensação opressiva na região precordial ou retroesternal, que pode irradiar para o ombro e/ou braço esquerdo, braço direito, pescoço ou mandíbula, acompanhada frequentemente de diaforese, náuseas, vômitos, ou dispneia. A dor pode durar entre 10 e 20 minutos e ceder na angina instável, ou mais de 30min no IAM. O paciente pode também apresentar queixa atípica de mal-estar, indigestão, fraqueza ou apenas sudorese, sem dor. Idosos e mulheres frequentemente manifestam dispneia como queixa principal no IAM, podendo não ter dor ou não valorizá-la o suficiente. Dissecção aguda da aorta → hipertensos, portadores de síndrome de Marfan ou traumatismo torácico recente. Dor súbita, “rasgada”, iniciando-se no tórax anterior, com irradiação para dorso, pescoço ou mandíbula. No exame físico podemos encontrar um sopro de regurgitação aórtica. Pode haver um significativo gradiente de amplitude de pulso ou de pressão arterial entre os braços. Embolia pulmonar → dispneia em73% dos pacientes, dor torácica (geralmente súbita) em 66% dos casos. Ao exame clínico, o paciente pode apresentar dispneia, taquipneia e cianose. Pneumotórax espontâneo → dor torácica localizada no dorso ou ombros e acompanhada de dispneia. Grande pneumotórax pode produzir sinais e sintomas de insuficiência respiratória e/ ou colapso cardiovascular (pneumotórax hipertensivo). Ao exame físico podemos encontrar dispneia, taquipneia e ausência de ruídos ventilatórios na ausculta do pulmão afetado. Pericardite → dor torácica pleurítica, retroesternal ou no hemitórax esquerdo, mas que, diferente da isquemia miocárdica, piora quando o paciente respira, deita ou deglute, e melhora na posição sentada e inclinada para frente. No exame físico podemos encontrar febre e atrito pericárdico (dado patognomônico). Prolapso da válvula mitral → dor de localização variável, ocorrendo geralmente em repouso, sem guardar relação nítida com os esforços, e descrita como pontadas, não apresentando irradiações. O diagnóstico é feito através da ausculta cardíaca, na qual encontramos um clique meso ou telessistólico seguido de um sopro regurgitante mitral e/ou tricúspide. Estenose aórtica → dor torácica cujas características se assemelham à da doença coronariana. A presença de um sopro ejetivo aórtico e hipertrofia ventricular esquerda no ECG indica a presença da estenose aórtica, mas não afasta a possibilidade de síndrome coronariana aguda. Miocardiopatia hipertrófica → dor torácica ocorre em 75% dos pacientes sintomáticos, e pode ter características anginosas. No exame físico podemos encontrar uma 4ª bulha e um sopro sistólico ejetivo aórtico. O diagnóstico é feito pelo ecocardiograma transtorácico. O ECG geralmente mostra hipertrofia ventricular esquerda, com ou sem alterações de ST-T. DRGE → desconforto torácico em queimação (pirose), mas que às vezes é definido como sensação opressiva na região retro ou subesternal, podendo se irradiar para o pescoço, braços ou dorso, às vezes associada à regurgitação alimentar, e que pode melhorar com a posição ereta ou com o uso de antiácidos, mas também com nitratos, bloqueadores dos canais de cálcio ou repouso. Úlcera péptica → localiza-se na região epigástrica ou no andar superior do abdome, podendo ser referida na região sub ou retroesternal. As dores geralmente ocorrem após uma refeição, melhorando com o uso de antiácidos. Na palpação abdominal geralmente encontramos dor epigástrica.

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Ruptura de esôfago → dor excruciante em 83% dos casos, retroesternal ou no andar superior do abdome, geralmente acompanhada de um componente pleurítico à esquerda. O diagnóstico é firmado quando encontramos à radiografia de tórax um pneumomediastino, ou um derrame pleural à esquerda de aparecimento súbito. Costocondrite → dor torácica não relacionada a trauma, febre ou malignidade, com características pleuríticas, que por ser desencadeada ou exacerbada pelos movimentos dos músculos e/ou articulações produzidos pela respiração. Palpação das articulações ou músculos envolvidos quase sempre reproduz ou desencadeia a dor. Dor psicogênica → não tem substrato orgânico, sendo gerada por mecanismos psíquicos, tendendo a ser difusa e imprecisa. Sinais de ansiedade são detectáveis e com frequência se observa utilização abusiva e inadequada de medicações analgésicas.

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