Constipação - Apostilas -  Gastroenterologia, Notas de estudo de . Faculdade Medicina Estadual (ISEP)
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Pipoqueiro11 de Março de 2013

Constipação - Apostilas - Gastroenterologia, Notas de estudo de . Faculdade Medicina Estadual (ISEP)

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Apostilas de Gastroenterologia sobre o estudo da constipação, definição, constipação orgânica, doenças do cólon, causas neurogênicas.
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Constipação: – distúrbio da função intestinal caracterizado por alteração da frequência das evacuações e/ou

alteração da consistência das fezes; – frequência normal: 3+ vezes/semana; – 20-30% da população mundial; – + comum em mulheres; – qualquer idade, mas mais comum em idosos por falta de mobilidade, dd. crônicas,

desidratação, medicamentos, depressão. – constipação orgânica:

– há causa orgânica ou metabólica que justifique os sintomas (estreitamento anatômico da luz intestinal, bloqueio mecânico luz intestinal, alteração motora);

– tto da causa faz melhorar/desaparecer sintoma; – doenças do cólon:

– extraluminais: tumores, compressão externa benigna (mioma, cisto ovário), volvo, hérnia;

– luminais: CA de cólon, estenose, doença diverticular, tuberculose, colite isquêmica, endometriose, pós-cirurgia (fístula);

– neuromusculares: distrofia muscular de Duchenne, dermatomiosite, amiloidose, dolicocólon;

– lesões do canal anal: estenose, fissura, prolapso, abscesso; – lesões do reto: proctite ulcerativa, retocele (dobra para fora), intussuscepção

(crianças); – causas neurogênicas:

– centrais: tumores, AVE, Parkinson, esclerose múltipla, trauma raquimedular, tabes dorsalis;

– periféricas: Hirschprung (semelhante a Chagas, mas é primária, hereditária), Chagas; – endócrinas: hipotireoidismo, DM; – metabólicas: hipercalcemia, hipopotassemia, acidose, desidratação, uremia (são

distúrbios eletrolíticos que ocorrem, principalmente, em UTI); – medicamentos: analgésicos, anestésicos, antiácidos, anticolinérgicos, antidepressivos,

anti-hipertensivos, antiparkisonianos, bismuto, diuréticos, sulfato ferroso, opioides, inibidores da MAO;

– constipação funcional: – não existe causa orgânica ou metabólica que justifique os sintomas; – ROMA III:

– 1) para dx, deve incluir 2+: – esforço para evacuar em ao menos 25% das evacuações; – fezes ressecadas ou endurecidas em ao menos 25% das evacuações; – sensação de evacuação incompleta em ao menos 25% das evacuações; – sensação de obstrução anorretal em ao menos 25% das evacuações; – manobras manuais para facilitar a evacuação em até 25% das vezes; – menos de 3 evacuações por semana;

– 2) fezes amolecidas raramente estão presentes sem o uso de laxativos; – 3) ausência de critérios para o diagnóstico de SII; – sintomas presentes nos últimos 3 meses, com início dos sintomas pelo menos 6

meses antes do diagnóstico; – associação com hábitos alimentares e sedentarismo; – manifestações associadas:

– dor/desconforto abdominal;

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– flatulência / distensão abdominal; – peristalse alterada / borborigmo; – manifestações gerais (irritabilidade, cefaleia, anorexia);

– sinais de alarme: – dor abdominal forte; – hemorragia digestiva; – perda ponderal significativa; – anemia; – tenesmo; – deve-se afastar causas orgânicas graves, que requerem tratamento rápido;

– inspecionar região perianal para fístulas e fissuras; – toque retal:

– avalia tônus do esfíncter anal; – checa calibre do canal anal; – abscessos/fístulas; – tumores (reto / extrínseco – próstata, colo útero);

– avaliação laboratorial individualizada, de acordo com suspeita clínica (exemplo: HC, eletrólitos, hormônios tireoide...);

– exames complementares: RX simples de abdome, clister opaco, retossigmoidoscopia, colonoscopia. Descartam causas orgânicas (CA de cólon, doença diverticular, DII, megacólon);

– tempo de trânsito colônico (TTC): – administração por via oral de marcador radiopaco com RX simples de abdome após

120h; – retenção do marcador > 20% = TTC prolongado; – medicina nuclear: cintilografia;

– manometria anorretal: – contração inapropriada do esfíncter anal; – aumento da pressão no esfíncter anal; – hipersensibilidade retal; – ausência de reflexo inibitório anorretal (d. de Hirschsprung);

– defecografia: – anatomia da região anorretal; – dinâmica da evacuação; – diagnóstico de condições como prolapso retal, retocele...;

– tto: – orientações gerais: reeducação do hábito evacuatório (disciplina de horário e

obediência ao reflexo evacuatório), evitar sedentarismo; – orientação dietética: riqueza de fibras, hidratação adequada (30-50ml/kg/dia); – medicamentos que incrementam o bolo fecal: suplementação de fibras (aumentam

volume fecal, reduzem consistência das fezes, estimulam fisiologicamente a evacuação). Psyllium, ágar-ágar, metilcelulose;

– emolientes: lubrificam a parede intestinal, reduzem a absorção de fluido pelo cólon e amolecem fezes, facilitando seu deslizamento. Uso crônico: deficiência de vitaminas lipossolúveis (ADEK). Óleo mineral;

– laxativos osmóticos: substâncias não absorvidas pela mucosa intestinal, com poder osmótico. Estimulam a secreção de líquido para a luz intestinal, lubrificando e alterando a consistência das fezes. Polietilenoglicol, lactulose, sais de sódio e magnésio;

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– laxativos estimulantes ou irritativos: promovem aumento da contração da musculatura intestinal por estímulo ao plexo mioentérico. Rápido início de ação (6- 12 hs). Uso crônico: lesão no plexo mioentérico, levando à dismotilidade colônica. São medicamentos de exceção. Fenolftaleína, bisacodil, cáscara sagrada, sene, óleo de rícino;

– laxativos procinéticos: aumentam a velocidade de trânsito intestinal. Cisaprida (cuidado com cardiotoxicidade), domperidona, tegaserode (SII);

– ordem de tto: dieta rica em fibras + hidratação → fibra suplementar → laxativo osmótico → laxativo lubrificante → procinéticos ou laxativos irritativos;

– fecaloma: – massa fecal de grande volume e consistência endurecida, impactada no reto e sigmoide; – imóvel, não eliminada através do ato evacuatório; – em geral, resulta de evacuação incompleta, por período de tempo prolongado; – pode causar obstrução intestinal;

– obstrução intestinal: – bloqueio total ou parcial à progressão do bolo alimentar; – etiologias de delgado: aderência, hérnia; – etiologias de grosso: CA de cólon, diverticulite; – etiologia em crianças: bolo de áscaris; – manifestações clínicas:

– dor abdominal; – parada de eliminação de gases e fezes; – vômitos intensos e precoces (alta); – vômitos fecaloides (baixa); – distensão abdominal; – aumento dos ruídos peristálticos, borborigmo (“luta”); – redução ou ausência dos ruídos peristálticos (“silêncio”);

– dx: – RX simples de abdome permite diagnóstico em cerca de 50-60% dos casos; – alças dilatadas proximalmente ao local da obstrução; alças colapsadas distalmente

(decúbito dorsal); – níveis hidroaéreos (ortostática); – ausência de gás e fezes no reto;

– tto: – descompressão do TGI com sonda nasogástrica; – reposição hidroeletrolítica; – antibióticos (estrangulamento; anaeróbios e Gram-negativos); – indicações para cirurgia:

– obstrução mecânica completa de delgado (alto risco de estrangulamento); – obstrução parcial de delgado que não evolui com melhora pós 48h de conduta

conservadora; – maioria dos casos de obstrução colônica; – antibióticos (estrangulamento; anaeróbios e Gram-negativos).

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