Doença de Huntington - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)
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Neymar28 de Fevereiro de 2013

Doença de Huntington - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)

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Apostilas sobre a doença de Huntington. Definição, sintomas, causas, evolução, tratamento, núcleos da base e neurotransmissores.
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Doença de Huntington

A Doença de Huntington (DH) é uma desordem hereditária do cérebro que afeta pessoas de todas as raças em todo mundo. Até bem recentemente, pouco era conhecido ou publicado sobre a DH. Entretanto, nos últimos 20 anos muito se aprendeu sobre as causas e efeitos da DH e sobre tratamentos, terapias e técnicas para lidar com os sintomas da doença.

A DH é uma doença degenerativa cujos sintomas são causados pela perda marcante de células em uma parte do cérebro denominada gânglios da base. Este dano afeta a capacidade cognitiva (pensamento, julgamento, memória), movimentos e equilíbrio emocional. Os sintomas aparecem gradualmente, em geral nos meados da vida, entre as idades de 30 e 50 anos. Entretanto, a doença pode atingir desde crianças pequenas até idosos.

Na maior parte dos casos, as pessoas podem manter sua independência por vários anos após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Um médico bem informado pode prescrever um tratamento para minimizar o impacto dos sintomas motores e mentais, embora estes sejam progressivos.

Ela é passada de uma geração para a seguinte pela transmissão, de pais para filhos, de um gene defeituoso (alterado). Cada filho com um dos pais afetado tem uma chance em duas, ou 50 porcento, de herdar o gene que causa a DH, e é considerado "em risco" para a DH. As pessoas que carregam o gene irão desenvolver a DH, a não ser que morram de alguma outra causa antes do aparecimento dos sintomas, por isso é chamada de doença autossômica dominante de penetrância completa.O teste genético já está disponível para determinar se uma pessoa carrega ou não o gene da DH.

Os pacientes apresentam uma expansão da trinca CAG presente na porção 5’do gene IT15 no braço curto do cromossomo 4, resultando na formação de uma proteína funcionalmente alterada. As mutações por expansão de segmentos de trinucleotídeos são denominadas dinâmicas ou instáveis, pois tendem a aumentar de uma geração para outra.

Mutações novas como causa da DH são muito raras, não tendo nenhum relato na literatura.

Só se pode chegar a um diagnóstico clínico de DH através de um exame completo, que geralmente vincula um exame neurológico e psicológico e uma história familiar detalhada. A RM (ressonância magnética) ou TC (tomografia computadorizada) podem ser incluídas, mas os achados destes procedimentos não são suficientes para formar um diagnóstico, e sim para excluir outros problemas que causam sintomas semelhantes.

O gene IT15 normal é responsável pela codificação da proteína"huntingtina. Ela está presente em vários tecidos do corpo, embora esteja mais concentrada no cérebro. Quando no tecido cerebral, ela é quase exclusiva do citoplasma neuronal , sendo vista nos axônios, dendritos e corpo celular. Na DH, a huntingtina possui uma cadeia anormal de poliglutaminas que confere à sua estrutura novas propriedades que desencadeiam interações anômalas com outras proteínas.

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A primeira alteração neuropatológica da DH é a perda de neurônios na parte paraventricular medial do núcleo caudado e no putâmen dorsal. Esses neurônios compreendem 80% das células do corpo estriado, são gabaérgicos e se projetam do estriado para o globo pálido e para a porção reticular da substância negra. Essa modalidade de comprometimento do tecido cerebral apresenta potencial capacidade em depletar substâncias próprias dos neurônios como GABA(ácido gama amino butírico), encefalinas, substância P, dentre outras. O padrão mais precoce de perda celular mostra depleções de projeções de GABA e encefalina no globo pálido lateral.

Os movimentos anormais da DH acredita-se que sejam causados pela perda da maioria dos corpos celulares dos neurônios secretores de GABA no núcleo caudado e no putâmen e dos neurônios secretores de acetilcolina (Ach) em muitas partes do cérebro. As terminações axonais dos neurônios gabaérgicos normalmente causam inibição do globo pálido e da substância negra. A perda da inibição parece permitir descargas espontâneas de atividade do globo pálido e da substância negra que causa os movimentos de distorção. A demência na DH provavelmente não resulta da perda dos neurônios GABA, mas da perda dos neurônios secretores de Ach, talvez especialmente localizados nas áreas de pensamento do córtex cerebral( lobo frontal).

A doença de Huntington (DH) é um distúrbio degenerativo progressivo que causa alterações no controle motor e emocional, prejuízo da habilidade cognitiva e o aparecimento de movimentos involuntários, classicamente a coréia. A média de idade no início da doença é de 40 anos, embora já tenha sido observado aos dois anos de idade e aos 80 anos de idade. A idade atrasada da manifestação reduz a seleção natural contra o gene, visto que as pessoas que desenvolvem a doença, em geral, já tiveram filhos. Os dois sexos são afetados em igual proporção.

A doença do adulto tem, freqüentemente, início insidioso de inabilidade e movimentos adventícios, inquietos, aleatórios e rápidos. Sinais clínicos como nistagmo, disartria, movimentos disrítmicos e repetitivos dos dedos ou da língua e a presença de reflexos aumentados podem participar do quadro inicial da doença. O começo das manifestações clínicas pode ser prenunciado por uma alteração na personalidade, que interfere com a capacidade com a capacidade do paciente de adaptar-se ao seu ambiente. A coréia é o sinal motor mais notável da doença, estando presente em cerca de 90% dos afetados. Os movimentos involuntários estão continuamente presentes durante o período em que o paciente está alerta, sendo o mesmo incapaz de suprimi-los.

Ainda não há cura para a moléstia, mas existem terapias para atenuar seus sintomas. Os movimentos involuntários e os distúrbios psiquiátricos são tratados com neurolépticos tradicionais e atípicos. Antidepressivos são úteis nos estados depressivos, e benzodiazepínicos, em alterações comportamentais. Fisioterapia e fonoaudiologia também podem auxiliar na manutenção da qualidade de vida dos doentes. As pessoas não morrem da própria DH, mas sim de complicações da imobilidade causada pela doença, tais como engasgo, infecções ou traumatismos cranianos. A morte geralmente ocorre cerca de 15 a 20 anos após o aparecimento da doença.

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Núcleos da base e Neutransmissores

Os gânglios da base ou núcleos da base são um grupo de núcleos no cérebro interconectados com o córtex cerebral, tálamo e tronco cerebral. Os núcleos da base estão associados a diversas funções: controle motor, cognição, emoções e aprendizado.

Os principais constituintes dos gânglios da base são: estriado (caudado e putâmen), globo pálido externo e globo pálido interno (Gpe, Gpi), núcleo subtalâmico e substância negra.

Os diferentes tipos de neurônios dos núcleos da base sintetizam diferentes neurotransmissores.

No Corpo estriado o neurotranmissor é o GABA. São neurônios médios, as células principais, são inibitório. A sua disfunção leva a Doença de Huntington.

Na Substância negra é a Dopamina. A pars compacta da Substância Negra (SNc) primariamente atinge o striatum com seu neurotransmissor (mostrado como uma conexão magenta na conectividade clássica no diagrama abaixo). Problemas na biossíntese ou transmissão de dopamina podem levar a sérios déficits motores e cognitivos, como ocorre na doença de Parkinson.

No Globo pálido o neurotranmissor também é o GABA. O globo pálido contém um segmento interno e um segmento externo. O segmento interno projeta para o tálamo, ao passo que o segmento externo projeta para o núcleo subtalâmico. Problemas podem levam a Síndrome de Tourette.

No Núcleo subtalâmico é o Glutamato. Os neurônios do núcleo subtalâmico excitam neurônios do globo pálido interno. Lesões no núcleo subtalâmico podem resultar em hemibalismo.

A doença de Huntington envolve os gânglios da base e produz uma síndrome hipercinética caracterizada pela presença de movimentos involuntários do tipo corêico. Nessa doença ocorre preferencialmente a degeneração das células estriatais que vão formar a via indireta.

A via direta constitui um feedback positivo sobre os movimentos iniciados no córtex cerebral, enquanto a via direta constitui um feedback negativo obre tais movimentos.

A via indireta começa na projeção que vai do estriado ao globo pálido externo (gpe), segue então ao núcleo subtalâmico (nst) e só depois termina nos núcleos de saída (gpi/snr). a via indireta inibe o movimento, inibindo o tálamo. Essa modalidade de comprometimento do tecido cerebral apresenta potencial capacidade em depletar substâncias próprias dos neurônios (neurotransmissores) como GABA(ácido gama amino butírico), encefalinas, substância P, dentre outras. O padrão mais precoce de perda celular mostra depleções de projeções de GABA e encefalina no globo pálido lateral. Os movimentos anormais da DH acredita-se que sejam causados pela perda da maioria dos corpos celulares dos neurônios secretores de GABA no

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núcleo caudado e no putâmen (corpo estriado) e dos neurônios secretores de acetilcolina (Ach) em muitas partes do cérebro. As terminações axonais dos neurônios gabaérgicos normalmente causam inibição do globo pálido e da substância negra. A perda da inibição parece permitir descargas espontâneas de atividade do globo pálido e da substância negra que causa os movimentos de distorção. A demência na DH provavelmente não resulta da perda dos neurônios GABA, mas da perda dos neurônios secretores de Ach, talvez especialmente localizados nas áreas de pensamento do córtex cerebral( lobo frontal).

Desregulação da Via

A desregulação da via leva a um quadro de síndrome hipercinética, causando alterações no controle motor e emocional, prejuízo da habilidade cognitiva e o aparecimento de movimentos involuntários, classicamente a coréia entre outros sintomas.

A coreia consiste em movimentos involuntários breves, espasmódicos, semelhantes à dança, que se iniciam numa parte do corpo e passam para outra de um modo brusco e inesperado, e muitas vezes de forma contínua. A atetose é um fluxo contínuo de movimentos lentos com posições retorcidas e alternantes que se exprimem geralmente nas mãos e nos pés. A coreia e a atetose costumam apresentar-se conjuntamente (coreatetose).

Manifestações na face são comuns, sendo representadas por contrações da bochecha, ataxia ocular, franzimento das sobrancelhas e movimentos labiais com formação de bico. A fixação do olhar para cima está prejudicada. Há alteração do pescoço, com movimentos anteriores e posteriores, bem como rotação da cabeça. A respiração pode estar alterada. Nos membros, as pernas podem ser cruzadas e descruzadas de forma alternada; normalmente os dedos sofrem movimentos de flexão e extensão. Em geral, a coréia inicia distalmente; entretanto, à medida em que a doença evolui, torna-se generalizada e pode interromper os movimentos voluntários.

A distonia é caracterizada por movimentos lentos anormais e por alterações posturais, sendo infreqüente no início das manifestações e tornando-se proeminente no estágio final da enfermidade.

Hemibalismo é o movimento involuntário abrupto (pode ser violento) e envolve mais a musculatura proximal do que distal (especialmente nas extremidades dos membros superiores).

Em geral, a coréia inicia distalmente; entretanto, à medida em que a doença evolui, torna-se generalizada e pode interromper os movimentos voluntários. A princípio, esses movimentos sem propósitos podem ser incorporados a atos intencionais normais ou mascarados por eles, retardando a identificação da coréia. Da mesma forma, quando observadas pela primeira vez, essas alterações motoras são freqüentemente mal interpretadas como espasmos ou tiques sem conseqüências, adiando o reconhecimento da doença, especialmente se a história familiar é desconhecida.Os pacientes são incapazes de aprender habilidades motoras complicadas. A perda do controle motor progride com o curso da doença até atingir a incapacidade de efetuar qualquer movimento proposto. A maioria dos pacientes possui anormalidades no discurso.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/doenca-de-huntington/doenca-de- huntington.php#ixzz1xUe05Wkr

MACHADO, Angelo. Neuroanatomia Funcional 2ª edição

http://www.icb.ufmg.br/neurovia//nucbase

TUMAS, Vitor; CURSO DE NEUROLOGIA 2010. Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto –USP.

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