Ecopedagogia - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
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Gaucho_827 de Março de 2013

Ecopedagogia - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

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Apostilas de Pedagogia sobre o estudo da Ecopedagogia, teoria da qualidade total, caminhos da educação ambiental, definição, conceitos e sua evolução.
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Abordagem sobre a consciência ambiental dentro da educação básica.

TRABALHO DE CURSO

TEMA: ECOPEDAGOGIA

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2011

TITULO: GRANDES DESAFIOS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

Projeto de Pesquisa apresentado ao Curso de Pedagogia de média semestral.

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2011

SUMÁRIO

BIBLIOGRÁFIA

RESUMO

INTRODUÇÃO

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CAPÍTULO I

A EDUCAÇÃO DE ONTEM E DE HOJE

1.1 A Teoria da Qualidade Total

CAPÍTULO II

OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

CAPÍTULOIII

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEITOS E SUA EVOLUÇÃO

3.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DEFINIÇÕES

3.2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: SUAS FINALIDADES

3.3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS GERAIS

3.4 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

CAPÍTULO IV

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: LEGISLAÇÃO ATUAL

CAPÍTULO V

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

5.1 A ESCOLA NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

5.2 A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ÂMBITO ESCOLAR

CONCLUSÃO

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BIBLIOGRÁFIA

• ITAIPU BINACIONAL. Cultivando Água Boa. Português e Espanhol. 2 edição.

• MEC. Coordenação de Educação Ambiental. 1998.

• MELLOWS, apud DIAS, Genebaldo Freire Dias. Educação Ambiental –

Princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 1992.

• MININI, apud DIAS, Genebaldo Freire Dias. Educação Ambiental – Princípios

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e práticas. São Paulo, Gaia, 1992.

• MUCELIN, N. I. S. VILAS BOAS, M. A.URIBE-OPAZO, Miguel Angel .SECCO,

D. Variabilidade espacial de atributos hídricos do solo; a inserção da

engenharia agrícola em projetos nacionais.cd-rom; 1; 3; XXXIII congresso

Brasileiro de Engenharia Agrícola. São Paulo, 2004. Impresso: www.sbea.org.br; .

• OLIVEIRA, E.M. O Que fazer Interdisciplinar. In: A Educação Ambiental uma

possível abordagem.Brasília, Edições IBAMA, 2000.

• PADUA, S.M. TABANEZ, M.F. Educação Ambiental – Caminhos Trilhados no

Brasil.1997.

• PERRENOUD, Philippe. Os Ciclos de Aprendizagem. Um caminho para

combater o fracasso escolar. Porto Alegre (Brasil), Artmed Editora, 2004.

Obra originalmente publicada sob o título Les cycles d'apprentissage. Une

autre organisation du travail pour combattre l'échec scolaire, Sainte-Foy, Presses

de l'Université du Québec, 2002.

• PHILIPPI, Arlindo Jr. PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação Ambiental

e Sustentabilidade. Editora Manole, 2005.

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• PRONEA.Programa Nacional de Educação Ambiental. Secretaria do Meio

Ambiente.2003

• SAVIANE, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo, Cortez, 1991.

• SATO, M. Educação Ambiental. São Carlos, Rima, 2002.

• SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE. Conceitos para se fazer Educação

Ambiental. 1997.

• VASCONCELLOS, H. S. R. A pesquisa-ação em projetos de Educação

Ambiental. In: PEDRINI, A. G. (org). Educação Ambiental: reflexões e práticas

contemporâneas. Petrópolis, Vozes, 1997.

ZAPATA GARCIA VALSIROLLI, Rodrigo. GRANDES DESAFIOS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL, Curso de Pedagogia, UNIP, São Paulo, 2011

RESUMO

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A interação entre os homens e o ambiente ultrapassou a questão da simples sobrevivência. No decorrer deste século, para se atender as necessidades humanas foi-se desenhando uma equação desbalanceada: retirar, consumir e descartar. Ao contrário de outros seres vivos que, para sobreviverem, estabelecem naturalmente o limite de seu crescimento e conseqüentemente o equilíbrio com outros seres e o ecossistema onde vivem a espécie humana tem dificuldade em estabelecer o seu limite de crescimento, assim como para relacionar-se com outras espécies e com o planeta. Essa é a fronteira entre o conhecimento e a ignorância humana sobre sua própria casa, o Planeta Terra. Fica evidente a importância de sensibilizar os humanos para que ajam de modo responsável e com consciência, conservando o ambiente saudável no presente e para o futuro. Entendendo-se por educação ambiental os processos por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Promove-se a articulação das ações educativas voltadas às atividades de proteção, recuperação e melhoria sócia ambiental, e de potencializar a função da educação para as mudanças culturais e sociais, que se insere a Educação Ambiental no planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável. Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, sobressaem-se as escolas, como espaços privilegiados na implementação destas atividades. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta, auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. Tendo a clareza que a natureza não é fonte inesgotável de recursos, suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional, evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital.

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INTRODUÇÃO

Historicamente a humanidade, como um todo, não tem cuidado bem do planeta, nem dos seres que nele vivem. De acordo com Dias (1993), há uns cinco milhões de anos os primeiros seres humanos que habitaram o Planeta enfrentaram inúmeras dificuldades e desafios, pois "a natureza era mais poderosa que os homens", e os afetava mais do que era afetada por eles. Todos precisavam saber quais frutos serviam para comer, onde encontrar água durante a seca, como evitar animais selvagens, que plantas serviam para fazer um bom remédio, ou se poderiam ser utilizadas como materiais de construção.

Naquele momento o conhecimento ambiental era também necessário para a proteção contra ataques da natureza e para o melhor aproveitamento de suas riquezas.

Esse conhecimento foi sendo repassado de geração em geração, muitas vezes acrescido de novas descobertas, e a interação entre os homens e o ambiente ultrapassou a questão da simples sobrevivência.

Com a urbanização e evolução da civilização, a percepção do ambiente mudou drasticamente e a natureza passou a ser entendida como "algo separado e inferior à sociedade humana", ocupando uma posição de subserviência.

No decorrer do século passado, para se atender as necessidades humanas foi-se desenhando uma equação desbalanceada: retirar, consumir e descartar.

Mas foi a partir da Revolução Industrial que a natureza passou a ser administrada como um "supermercado gratuito, com reposição infinita de estoque", gerando, entre outros, o esgotamento de recursos naturais, a destruição de ecossistemas e a perda da biodiversidade. Afetando assim os mecanismos que sustentam a vida na Terra e evidenciando o modelo de desenvolvimento "insustentável" por trás desta realidade.

Chega-se aos dias de hoje com a maioria da população vivendo em centros urbanos. A água limpa sai da torneira e a suja vai embora pelo ralo, o lixo produzido diariamente é levado da frente das casas sem as pessoas terem a mínima preocupação de saber qual o seu destino. Ou seja, a grande maioria da população não consegue perceber a estreita correlação do meio ambiente, com o seu cotidiano. (DONELA,1997)

Ao contrário de outros seres vivos que, para sobreviverem, estabelecem naturalmente o limite de seu crescimento e conseqüentemente o equilíbrio com outros seres e o ecossistema onde vivem a espécie humana tem dificuldade em estabelecer o seu limite de crescimento, assim como para relacionar se com outras espécies e com o planeta. Essa é a fronteira entre o conhecimento e a ignorância humana sobre sua própria casa, o Planeta Terra. ( DONELA, 1997)

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Fica evidente a importância de sensibilizar os humanos para que hajam de modo responsável e com consciência, conservando o ambiente saudável no presente e para o futuro; para que saibam exigir e respeitar os direitos próprios e os de toda a comunidade tanto local como internacional; e se modifiquem tanto interiormente, como pessoas, quanto nas suas relações com o ambiente.

Uma educação transformadora envolve não só uma visão ampla de mundo, como também a clareza da finalidade do ato educativo, uma posição política e competência técnica para programar projetos a partir do aporte teórico e formador de profissional competente. (JR PHILIPPI; PELICIONI, 2005)

1º CAPÍTULO

A EDUCAÇÃO DE ONTEM E DE HOJE

Historicamente tem havido uma tentativa de subordinar as práticas educativas aos interesses das classes dominantes. Ao longo do tempo esse intento tomou formas e conteúdos diversos e específicos para cada etapa do desenvolvimento econômico, seja inicial, monopolista ou globalizado.

Vários estudiosos têm se dedicado a analisar as práticas educativas. Frigotto (2000:34) faz um alerta de que mesmo nos primórdios do liberalismo, antes da consolidação de um sistema de ensino, em 1757, Voltaire já recomendava ao rei da Rússia que as massas não deveriam ser esclarecidas, pois era essencial haver pessoas ignorantes para alguns serviços, assim, o povo deveria ser guiado, não instruído. Arroyo (1997:17) adverte que a burguesia de todos os tempos, seja tradicional ou moderna, sempre teve um projeto educativo específico para submeter os cidadãos e trabalhadores a seus interesses.

Bárbara Freitag (1986) faz uma breve retrospectiva das políticas educacionais brasileiras desde os tempos coloniais, mostrando que também no Brasil, a educação tem se constituído em um campo de disputa hegemônica, isto é, uma tentativa de ligar a organização dos processos e conteúdos educacionais aos interesses de classe.

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No período colonial a economia agroexportadora exigia uma qualificação mínima, e assim, constituía-se função da escola apenas reproduzir as relações de dominação e tornar dócil os indígenas e escravos. O Brasil permaneceu ainda por muitos anos como um país essencialmente agrícola.

Foi no governo Vargas, que se iniciou o processo de industrialização do país. Isso, permitiu a ascensão de novas classes econômicas ao poder em substituição aos cafeicultores. A política educacional do Estado Novo de Vargas, visava transformar o sistema educacional em um instrumento mais eficaz para manipular as massas subalternas.

Essas, anteriormente estavam totalmente excluídas do acesso ao sistema educacional, e agora lhes era aberta “generosamente” uma chance. Em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde, sendo o ponto de partida para as mudanças substanciais na educação com a implantação da gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário para todo o povo.

Com a Constituição de 1937, foi instituído o ensino profissionalizante para as classes

menos privilegiadas. Entretanto, a real intenção por detrás dessa abertura, era atender às necessidades das empresas privadas que passavam por uma mutação em sua infra-estrutura e precisavam de mão de obra qualificada para o processo de industrialização que se iniciava.

Segundo Manfredi (2003), nos anos 40 em virtude da necessidade de expansão da industria nacional e no contexto das políticas socioeconômicas da era Vargas, foi criado o SENAI, Serviço Nacional da Industria e o SESI, Serviço Social da Industria. Esse projeto já

vinha sendo desenvolvido por um grupo de industriais, engenheiros, sanitaristas e educadores, tendo como um de seus líderes, o empresário Roberto Simonsen. Seu objetivo era garantir aos industriais novas possibilidades de intervenção nas relações sociais, sendo parte da estratégia empregada para disciplinar o trabalhador e garantir a paz social.

Baseava-se na premissa de que o desenvolvimento industrial era conveniente tanto aos empresários quanto aos trabalhadores.

No decorrer da década de 40, os empresários do comércio se reuniram e elaboraram

um documento recomendando ao governo federal que intensificasse e aperfeiçoasse o ensino, como também estimulasse a criação de escolas para atenuar a complexidade crescente das funções especializadas na área mercantil. Foram criados para esse fim as

estruturas gêmeas do SESC – Serviço Social do Comércio e o SENAC – Serviço Nacional do Comércio.

Portanto, cientes desta tendência histórica em fazer o homem servir às relações de produção, devemos estar atentos para impedir a nova tentativa da classe dominante de subordinar a educação ao mercado. Hoje, a educação explicitada pelos organismos internacionais como FMI – Fundo Monetário Internacional, BID – Banco Interamericano de

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Desenvolvimento e BIRD – Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, visando exclusivamente atender a lógica da acumulação do mercado capitalista, assenta-se sobre as categorias de sociedade do conhecimento, competitividade e educação de qualidade total.

1.1 A Teoria da Qualidade Total

Segundo Drugg (1994), Qualidade total é uma nova teoria de administração construída paulatinamente a partir da soma e transformação de outras teorias tais como: a Teoria da Administração: com a publicação do livro de F.Taylor em 1911, que defendia o aumento da eficiência através de normas e processos técnicos e na divisão e hierarquização do trabalho, e a teoria do Controle Estatístico de Qualidade (CEQ) ou Controle Estatístico de processo (CEP) que surgiu nos anos 30 com o Dr. W.Shewhat. Esta baseava-se em gráficos de controle de processos chamados ciclos PDCA, iniciais das palavras em Inglês Pla (Planejamento): onde se define os métodos e formas de alcançá-lo; Da (Execução): onde havia o treinamento, educação e coleta de dados para executar a tarefa; Check (Verificar): verificação dos resultados da tarefa executada; Action (Agir): Agir e realizar correções necessárias.

Esse método era usado nos Estados Unidos, mas desapareceu durante a segunda guerra, quando as empresas passaram a dar mais valor a produção em massa em detrimento da qualidade, pois a marca “MADE IN USA ” já era considerada sinônimo de qualidade no mundo. Ao contrário, a marca “MADE IN JAPAN ” representava um produto inferior, pois o país tinha sido derrotado pela guerra. Mas o Japão, que estava determinado a reverter a situação, entrou em um processo de reconstrução para superar as seqüelas da guerra e afastar a fome. Nos anos 50 começou a buscar pela qualidade total confiando no autor americano W. Edwards Deming que defendia a posição de que era preciso produzir com qualidade. Ele não foi ouvido em seu país, e isso custou caro aos americanos que em pouco tempo perderam os maiores mercados mundiais enquanto o Japão, em apenas quatro anos conquistou o mercado internacional e até mesmo o americano.

Posteriormente essa teoria, cujo lema é produzir mais com cada vez menos, veio satisfazer o excludente ideário neoliberal, e sua incessante busca de maiores lucros.

Recomendando que o governo assuma uma política de corte com os gastos sociais, observasse cada vez mais, uma crescente vulnerabilidade social, onde a maior parte da população mundial fica coagida pela negação de direitos que lhe é imposta, pois as políticas públicas conflitam com as suas demandas. Esse modelo foi imposto a quase todo mundo desde a vitória política liberal conservadora de Margareth Tatcher, na Inglaterra, ao fim dos anos 70 e inicio da década de 80, sendo que “Aqui no Brasil, a partir de 1991, a adoção do ideário neoliberal está intimamente ligada as pressões/imposições decorrentes de nossa dívida externa...com reflexos perversos no salário e, particularmente, nas políticas sociais.” (CALAZANS, et al. 1999:13)

A partir dos anos 90, o ideário neoliberal apontou que também o sistema educacional deveria atender aos avanços tecnológicos e buscar a Qualidade Total. Assim, a escola deveria

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ser vista como uma empresa, onde devem ser aplicados os mesmos princípios, visando satisfazer as exigências de um mercado em constante mutação. Deste modo, criou-se, uma proposta que legitima uma educação tecnicista, subordinando a formação humana à economia, nos mesmos moldes do passado.

A formação apenas técnica, a fim de satisfazer ao mercado, é fruto do atual paradigma onde a acumulação e a competição são vistas como condições sadias e a natureza, a serviço do homem, pode ser destruída. Mas este modelo começa a ser questionado.

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2º CAPÍTULO

OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A partir de 10 mil anos a.C. a revolução agrícola acarretou impactos sobre a natureza, pelas derrubadas das florestas. Desde então, o homem ouviu falar em extinção de espécimes da fauna e flora, poluição do ar pelas queimadas, poluição do solo, excesso de matéria orgânica e erosão. (MUCELIN, 2004). No início da década de 60, os problemas ambientais já mostravam a irracionalidade do modelo econômico, mas ainda não se falava em Educação Ambiental. Somente em março de 1965, na Conferência de Educação da Universidade de Keele, na Inglaterra, colocou-se pela primeira vez a expressão Educação Ambiental, com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos.

De acordo com Dias (1991), foi no ano de 1972 que ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da abordagem ambiental no mundo. A Organização das Nações Unidas promoveu, do dia 5 a 16 de julho, na Suécia, a “Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano”, (ou Conferência de Estocolmo), como ficou consagrada. Considerada um marco histórico-político internacional, a Conferência estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e, em particular, recomendou que devesse ser estabelecido um Programa Internacional de Educação Ambiental.

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Foi onde a Educação Ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica, adquirindo relevância e vigência internacionais.

No ano de 1975, a UNESCO promoveu em Belgrado, Iugoslávia, o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental, unindo especialistas de 65 países. No encontro, foram formulados princípios e orientações para um Programa Internacional de Educação Ambiental, segundo os quais esta deveria ser contínua, multidisciplinar, integrada ás diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. A discussão sobre as terríveis disparidades entre os países do Norte e do Sul gerou, nesse encontro, a Carta de Belgrado, na qual se expressava a necessidade do exercício de uma nova ética global, que proporcionasse a erradicação da pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição e da dominação e exploração humana.

Assim, em 1977, celebrou-se em Tbilisi, URSS, a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, que constitui até hoje o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes, em nível nacional e internacional. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global, orientada para a resolução dos problemas, em favor do bem estar da comunidade humana.

Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais, deve desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas, utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para a aquisição de conhecimentos, sem esquecer da necessidade de realização de atividades práticas e de experiências pessoais, reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes.

O avanço a ser destacado com essa conferência, é a importância dada às relações natureza- sociedade. A importância de fazer crescer, através da divulgação de informações por meio de livros, filmes e outros meios de comunicação, a sensibilidade diante das questões ambientais, principalmente entre as populações mais ricas e com maior nível de educação.

Passados dez anos da Conferência de Tbilisi, realizou-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987), em Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO.

No documento elaborado, "Estratégia Internacional de ação em matéria de educação e formação ambiental para o decênio de 90", a ênfase é colocada na necessidade de atender prioritariamente à formação de recursos humanos nas áreas formais e não-formais da Educação Ambiental e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis de ensino.

Vinte anos após Estocolmo, quinze depois de Tbilisi e cinco depois de Moscou, chegou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), que se transformou num momento especial também para a evolução da Educação Ambiental. Além dos debates oficiais, dois, entre os incontáveis eventos paralelos, foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental", um dos encontros do Fórum Global atraiu

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cerca de 600 educadores do mundo todo; e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado pelo MEC.

Destes eventos, nasceram três documentos que hoje estão entre as principais referências para quem quer praticar Educação Ambiental:

• Agenda 21: subscrita pelos governantes de mais de 170 países que participaram da Conferência oficial, dedicou todo o Capítulo 36 a "Promoção do Ensino, da Conscientização e do Treinamento". Este capítulo contém um conjunto de propostas que ratificaram, mais uma vez, as recomendações de Tbilisi, reforçando ainda a urgência em envolver todos os setores da sociedade através da educação formal e não-formal. Além disso, a conscientização e o treinamento são mencionados em outros capítulos, já que estas são necessidades que permeiam todas as áreas.

• A Carta Brasileira para a Educação Ambiental: produzida no Workshop coordenado pelo MEC, destacou, entre outros, que deve haver um compromisso real do poder público federal, estadual e municipal, para se cumprir a legislação brasileira visando à introdução da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino. Também propôs o estímulo a participação das comunidades direta ou indiretamente envolvidas e das instituições de ensino superior.

• O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global: resultante da Jornada de Educação Ambiental, elaborado pelo fórum das ONGs, explicita-se o compromisso da sociedade civil para a construção de um modelo mais humano e harmônico de desenvolvimento, onde se reconhecem os direitos humanos da terceira geração, a perspectiva de gênero, o direito e a importância das diferenças e o direito à vida, baseados em uma ética biocêntrica e do amor.

De acordo com Phipippi Jr; Pelicioni (2005), a sociedade capitalista urbano-industrial e seu atual modelo de desenvolvimento econômico e tecnológico têm causado crescentes impactos sobre o ambiente, e a percepção desse fenômeno vem ocorrendo de maneiras diferentes por ricos e pobres. Se o homem não mudar radicalmente a sua mentalidade de depredar a natureza, ele ficará soterrado em seus próprios dejetos. Nem a natureza deixará a sociedade impune dos equívocos cometidos contra o ambiente, pois, teme-se que o homem do século XX, apesar de seu suporte tecnológico, fique marcado, na história da humanidade, como um bárbaro (MUCELIN, 2004).

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3º CAPÍTULO

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEITOS E SUA EVOLUÇÃO

De acordo com Dias (1991), a evolução dos conceitos de EA (Educação Ambiental) esteve diretamente relacionada á evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. Dessa forma podem-se analisar vários conceitos de EA no decorrer da evolução.

• Em 1969, a EA foi definida como um processo que deveria objetivar a formação de cidadãos:

• Em 1970, a Internacional Union for the Conservation of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias á compreensão e apreciação das inter- relações entre o homem, sua cultura e seu entorno biofísico:

• Em 1972, Mellows apresentou a EA como um processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente, baseado em um complexo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente e a sua volta:

• Em 1977, a conferência realizada em Tbilisi, definiu a EA como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente, através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade;

• Em 1996, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), definiu a EA como um processo de formação e informação, orientada para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividade que levem á participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental:

• Em 1992, elaborados pela Comissão Internacional para preparação da Rio-92, a EA se caracteriza por incorporar a dimensão socioeconômica, política, cultural e histórica, não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e o estágio de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva holística. Assim sendo, a EA deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conforma o ambiente, com vista a utilizar racionalmente os recursos do meio, na satisfação material e espiritual da sociedade, no presente o no futuro:

• Em 2000, Minini relatou que a EA é um processo que consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa, a respeito das questões relacionadas com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais, para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado.

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3.1 Educação Ambiental: Definições

• Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a sua vida enquanto membros da biosfera;

• Educação Ambiental é o aprendizado para compreender, apreciar, saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade;

• Educação Ambiental significa aprender a ver o quadro global que cerca um problema específico - sua história, seus valores, percepções, fatores econômicos e tecnológicos, e os processos naturais ou artificiais que o causam e que sugerem ações para saná-lo;

• Educação Ambiental é a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente, de modo integrado e sustentável;

• Educação Ambiental significa aprender a empregar novas tecnologias, aumentar a produtividade, evitar desastres ambientais, minorar os danos existentes, conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas.

3.2 Educação Ambiental: Suas Finalidades

• Ajudar a fazer e compreender claramente, a existência da interdependência econômica, social, política e ecológica, nas zonas urbanas e rurais;

• Proporcionar, a todas as pessoas, a possibilidade de adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, as atitudes, o interesse ativo a as atitudes, necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente;

• Induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto, a respeito do meio ambiente.

3.3 Educação Ambiental: Princípios Gerais

• Sensibilização: processo de alerta, é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico;

• Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais;

• Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista;

• Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema;

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• Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade.

3.4 Educação Ambiental: Princípios Básicos

• considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, em seus aspectos naturais e criados pelo homem, tecnológicos, sociais, econômico, político, técnico, histórico-cultural, moral e estético;

• construir um processo contínuo e permanente, começando pela pré-escolar, e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal;

• aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina, de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada;

• examinar as principais questões ambientais, do ponto de vista do local, regional, nacional e internacional, de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas;

• concentrar-se nas situações ambientais atuais, tendo em conta também a perspectiva histórica;

• insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional para prevenir e resolver problemas ambientais;

• considerar de maneira explícita, os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento;

• ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais;

• destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócio ambientais) e, em conseqüência, a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas;

• utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente, acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais.

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