Ensaio sobre plantation escravista na grande propriedade rural escravista nas colônias inglesas e francesas do Caribe e da América do Norte
Karina.Watashi
Karina.Watashi15 de Outubro de 2015

Ensaio sobre plantation escravista na grande propriedade rural escravista nas colônias inglesas e francesas do Caribe e da América do Norte

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Ensaio sobre plantation escravista na grande propriedade rural escravista nas colônias inglesas e francesas do Caribe e da América do Norte
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FLH0643 - História da América Colonial – Diurno/Segunda-feira

Ensaio sobre plantation escravista na grande propriedade rural escravista nas colônias

inglesas e francesas do Caribe e da América do Norte

Karina Lie Watashi Nº USP 8013541

As origens da historiografia da escravidão no Caribe e na América do norte, cuja

economia girava em torno da plantation, estão diretamente relacionadas ao surgimento do

movimento abolicionista, primeiro na Inglaterra a partir de 1777 e depois na França entre as

décadas de 1780 e 1790. Existem obras históricas datadas desde o Renascimento que trataram

de aspectos pontuais da escravidão romana e grega, mas não era tratada como um tema

específico. A escravidão antiga (romana e egípcia) e moderna começou a ser tratada como

objeto autônomo quando surgiu o movimento abolicionista na Inglaterra.. No final do século

XVIII, existiam textos pró-escravistas e abolicionistas. A historiografia da escravidão era uma

ferramenta na luta política. Porém, a base de observação tanto para escravistas, quanto para

abolicionistas foi a mesma, a escravidão do Caribe inglês e francês e do sul dos Estados

Unidos. A relevância disso está em uma das particularidades dessas sociedades escravistas: a

virtual ausência de alforrias nas sociedades. Esse foi um primeiro momento da historiografia

da escravidão que estava intrinsecamente relacionado com a ação política.

Essa ação política foi bem sucedida durante o século XIX. A Inglaterra acabou com o

tráfico em 1807 com a pressão abolicionista, acabou com a escravidão em 1833, com período

de aprendizagem que se encerrou em 1838. Logo, no fim da década de 1830, a escravidão já

tinha sido abolida. No Império Francês, houve uma primeira abolição pela força

revolucionária dos escravos de Saint-Domingue em 1794, Napoleão Bonaparte a reinstituiu

nas colônias francesas e ela foi novamente abolida no Império em 1848.

Portanto, ao longo do século XIX, a obra da primeira geração foi bem sucedida. Na

segunda metade do século XIX, ocorreu o Neocolonialismo, quando houve larga expansão

territorial imperial da Inglaterra e da França. A escrita da história sobre o império anterior

(sobre o antigo império inglês) e sobre a escravidão no império foi muito informada pelo

contexto daquele momento de expansão imperial britânico. A escola Imperial Britânica

estudava o presente e o passado imperial da Inglaterra. John Robert Seeley era um nome

importante dentro da escola no final do século XIX. Em 1873, escreveu The expansion of

England que procurava comparar os padrões de expansão imperial no final do século XIX

com o que naquela altura, ele chamava como Old Colonial System. Se há um antigo sistema

colonial, dele deve se contrapor a um Novo Sistema Colonial que seria contemporâneo a

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Seeley (final do século XIX). Dessa forma, o passado colonial correspondia ao Old Colonial

System e o presente, ao Novo Sistema Colonial. A historiografia Escola Imperial Britânica

sobre escravidão dividia esses dois períodos pela presença ou ausência de escravidão, ela era

um aspecto distintivo na história do Império Britânico. Segundo sua historiografia, o Império

se justificava no final do século XIX pela noção do fardo do homem branco. O que legitimava

essa montagem do império era a obrigação dela de levar civilização ao globo, a povos

racialmente subalternos através do comércio e outros meios pacíficos. Eles alegavam que a

escravidão foi adotada no século XVII por ter sido a única maneira encontrada de cultivar os

trópicos, sendo que os homens brancos não se adaptavam bem ao clima dos trópicos, apenas

os negros, ou grupos que eram considerados por eles racialmente subalternos, eram capazes

de cultivar os trópicos. Eles se consideravam uma nação moralmente superior ao resto do

mundo e seria por esta razão que foram o primeiro país do mundo a abolir a escravidão

unilateralmente impulsionada por motivos humanitários. Nesse argumento, a abolição se

ajusta e justifica à construção do Segundo Império. Essa era uma forma de legitimar império

o que a Inglaterra fazia, impondo padrões de conduta civilizados, liberais, baseados no

comércio, na livre inciativa etc. A escola tinha uma visão autocongratulatória de compreensão

do passado sobre a historiografia da escravidão, na qual Reginald Coupland teve papel central

com o lançamento o seu livro The British antislavery movement em 1933. Coupland

comandou com mão-de-ferro o ensino de história na Universidade de Oxford entre 1918 e

1945, período em que Williams fez seu doutorado na universidade.

Até começo dos anos 1930, a história da escravidão do Império Britânico era escrita

sob perspectiva da Inglaterra como forma de legitimar o presente imperial inglês naquela

época. Esse modelo de análise do século XIX que se prolongou na primeira metade do século

XX foi quebrado por dois historiadores negros nascidos em Trindad e Tobago e que foram

muito importantes para a compreensão do passado colonial americano: Cyril Leonard Robert

James e Eric Williams. Ambos eram radicais politicamente e romperam essa forma inglesa de

escrever a história da escravidão. C. L. R. James escreveu Jacobinos Negros em 1938 e Eric

Williams escreveu Capitalismo e escravidão em 1944.

Eric Williams escreveu uma dupla tese muito conhecida no mundo que estruturou o

livro mencionado. A primeira tese apontou a relação genética entre a exploração dos recursos

naturais pela escravidão negra e os capitais que deram origem à Revolução Industrial.

Segundo ele, o lucro gerado pela plantation escravista foi o elemento que gerou o capitalismo

industrial na Inglaterra.

A primeira tese, que é desenvolvida nos primeiros cinco capítulos de Capitalismo e

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Escravidão. Williams desenvolve diversas teorias, dentre elas, a da fronteira aberta que

afirma que em situações onde a densidade demográfica (trabalhadores/terra) é baixa, é

necessário haver algum tipo de coerção extra-econômica para se obter trabalho para produção

de mercadorias. Se não houver essa coerção, o trabalhador que se desloca para uma região

com excesso de terra não irá se submeter ao assalariamento, mas se tornará um proprietário.

As fronteiras devem ser fechadas para que os trabalhadores não tenham acesso livre às terras

e forçar o trabalhador a vender sua força de trabalho. Um dos principais modelos

apresentados no livro, com a qual James também possui forte implicações políticas é a do

“racismo funcional”. Segundo essa tese, o racismo existente no Império Britânico, derivava

das relações de classe e não das relações de raça. Portanto, o racismo não foi produtor da

escravidão, e sim, resultado das relações de classe. Durante os séculos XVII e XVIII, todas as

camadas da sociedade inglesa estavam envolvidas com negócios negreiros. E portanto, o

tráfico era um ponto central da política inglesa. A tese central do livro sustentava a ideia de

que o mecanismo básico de monopólio garantido pelas Leis de Navegação do comércio

triangular, com a Europa, América e escravos negros num conjunto orgânico de trocas,

estabelecia um ciclo comercial perfeito e torno do tráfico negreiro. Manufaturas da Europa

eram exportadas para a África, que eram trocadas por escravos que eram transportados para a

América, trabalhavam em plantations e trocados por açúcar e outros produtos tropicais que

eram enviados para a Europa. Esse comércio dentro do mercantilismo foi o principal impulso

para a expansão britânica do século XVIII. Além disso, os lucros do comércio triangular

foram investidos em diversos empreendimentos como bancos e seguradoras da Inglaterra.

A segunda tese dizia que no momento que ocorreu a Revolução Industrial na virada do

século XVIII para o XIX, as forças da Revolução Industrial trouxeram a crise na escravidão

colonial. As relações entre a indústria britânica e as Índias Ocidentais começaram a mudar a

partir da independência norte-americana com a queda dos lucros das plantations escravistas.

C. L. R. James e Eric Williams acreditavam na modernidade da escravidão caribenha e

argumentavam que ela estava no coração da história europeia e da Revolução Industrial. O

“racismo funcional” também era uma tese comum entre os dois. Para eles, a situação de

subalternidade racial tinha implicação econômica e combater o colonialismo e a ideia da não

existência de subalternidade racial, era uma forma de combater o capitalismo. Eles foram

grandes incentivadores da renovação historiográfica ocorrida nas décadas de 1950 e 1960.

Devido ao pioneirismo na “nova” historiografia da escravidão moderna e importância

do trabalho de Williams, muitos historiadores escreveram livros e artigos com argumentos

totalmente ou parcialmente contra ou apoiando suas teses. Houve um boom da historiografia

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sobre escravidão nos anos 1960, e seu trabalho ganhou destaque internacional, mas foi

submetido à muitas visões historiográficas antagônicas, passando rapidamente de autoridade

discursiva a discurso desautorizado para mais tarde, voltar a ganhar mérito no assunto.

Robin Blackburn, historiador nascido na Grã-Bretanha, foi um nome importantíssimo

no tema da escravidão e colonização das Américas. Um dos seus mais importantes livros foi

lançado em 1988 chamado A queda do escravismo colonial. Sua linha de pensamento ia, em

sua maioria, de acordo com a tese de Williams. Em seu livro A construção do escravismo no

Novo Mundo: do Barroco ao moderno, 1492-1800 publicado em 1997, ele traça o surgimento

do tráfico de escravo a partir de padrões existentes de escravidão na África. A história segue

as descobertas portuguesas e as origens do tráfico de escravos do Atlântico através da

emersão do açúcar brasileiro a partir dos anos 1600. No entanto, foi o Sistema Colonial Inglês

que realmente desenvolveu e eventualmente dominou o comércio do Atlântico e o sistema de

plantation dos escravos.

Os lucros da escravidão foram centrais para a acumulação primitiva que

pavimentaram o caminho para a industrialização da Inglaterra. A transformação capitalista da

agricultura colaborou na criação de proletariado sem-terra, que estava disponível para

emigração ou para trabalho assalariado na Inglaterra. Inicialmente, foi o trabalho assalariado

que funcionava nas novas plantations em Barbados e outros lugares. Emigrantes britânicos

eram contratados para serviço a termo por até sete anos em plantations e, então, obteriam suas

liberdades para procurar outros empregos. Em 1638, Barbados tinha 2000 servos e apenas 200

escravos negros. Em 1653, haviam 200.000 escravos e apenas 8.000 servos. Os servos

brancos passavam por enormes dificuldades nas propriedades. O trabalho era extremamente

duro, condições, terríveis e a expectativa de vida era baixa. Como escravos, os servos eram

vistos como propriedade e eram valorizados de acordo com a quantidade de tabaco e açúcar

que era esperado produzir antes do contrato vencer.

Os donos de plantations tinham dois problemas. À medida que as exportações de

plantations aumentavam rapidamente, eles precisavam de mais mão-de-obra. Apesar da

emigração da Grã-Bretanha ter sido voluntária, ela não poderia garantir a expectativa das

necessidades do sistema. Ao mesmo tempo, histórias sobre a vida nas colônias chegavam à

metrópole que desencorajavam voluntários a fazer o mesmo. Portanto, era a demanda

crescente por fontes seguras de trabalho que produziu a mudança em direção à escravidão

africana. Quanto a essa questão, David Eltis argumentou em 1993, que havia mão-de-obra

excedente na Europa que poderia ter sido enviada às Américas e escravizadas, mas que havia

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uma barreira que considerava todos os europeus como um único povo e, então, os

colonizadores recorreram à África. Nesse contexto, os meados do Século XVII viram um

rápido crescimento da plantation escravista nos Caribes ingleses.

Blackburn, juntamente com P.C. Emmer separa dois tipos de escravidão, a ibérica e a

escravidão inglesa/francesa. Para diferenciá-las, ele toma a plantation como base de

observação e argumenta a respeito da evolução da plantation para uma empresa capitalista.

No Caribe, a produção e comercialização do açúcar eram integrados por meio dos absenteístas

que comandavam as operações açucareiras no mundo metropolitano. A plantation caribenha

tinha uma integração vertical, diferentemente da ibérica que era um elemento de transição

para o capitalismo industrial. As plantations escravistas caribenhas eram empresas

dependentes e híbridas em termos socioeconômicos. Essa historicidade das formas

escravistas foi muito explorada por Blackburn e outros historiadores com o emprego dos

termos escravidão barroca, que seria a portuguesa e a moderna que seria a caribenha francesa

e inglesa.

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