Envenamento Exógenos - Apostilas - Odontolgia, Notas de estudo de . Centro Universitário do Maranhão (UNICEUMA)
Michelle87
Michelle8728 de Fevereiro de 2013

Envenamento Exógenos - Apostilas - Odontolgia, Notas de estudo de . Centro Universitário do Maranhão (UNICEUMA)

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Apostilas sobre o envenenamento exógenos, vias de administração, sinais e sintomas mais comuns, tratamento.
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Intoxicações Exógenas

Venenos são substâncias químicas que podem causar dano ao organismo.

Os envenenamentos são, na sua maioria, acidentais, mas resultam também de pratica de suicídio e homicídio.

Não existem muitos antídotos eficazes, sendo muito importante identificar a substância responsável pelo envenenamento o mais breve possível. Caso isso não seja possível no início, posteriormente devem ser feitas tentativas de obter informações (e/ou amostras) da substância e das circunstâncias em que ocorreu o envenenamento.

Um veneno pode penetrar no organismo por diversos meios ou vias de administração:

● Ingerido - Ex.: medicamentos, substâncias químicas industriais, derivados de petróleo, agrotóxicos, raticidas, formicidas, plantas, alimentos contaminados (toxinas).

● Inalado - gases e poeiras tóxicas. Ex.: monóxido de carbono, amônia, agrotóxicos, cola à base de tolueno (cola de sapateiro), acetona, benzina, éter, GLP (gás de cozinha), fluido de isqueiro e outras substâncias voláteis, gases liberados durante a queima de diversos materiais (plásticos, tintas, componentes eletrônicos).

● Absorvido - inseticidas, agrotóxicos e outras substâncias químicas que penetrem no organismo pela pele ou mucosas.

● Injetado - toxinas de diversas fontes, como aranhas, escorpiões, ou drogas injetadas com seringa e agulha.

Abordagem e Primeiro Atendimento à Vítima de Envenenamento - Verifique inicialmente se o local é seguro, procure identificar a via de administração e o veneno em questão. Aborde a vítima, identifique-se e faça o exame primário; esteja preparado para intervir com manobras para liberação das vias aéreas e de RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar), caso necessário. Proceda ao exame secundário e remova a vítima do local. Há situações em que a vítima deva ser removida

imediatamente, para diminuir a exposição ao veneno e preservar a segurança da equipe.

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Ingestão.

Se o veneno for ingerido e a vítima estiver consciente e alerta, dê-lhe dois ou três copos de água para beber, com a finalidade de diluir o veneno. Se a ingestão ocorreu há menos de quatro horas, induza o vômito. Cuidado: em alguns casos, isso não deve ser feito, como na ingestão de derivados de petróleo (gasolina, querosene.), de corrosivos, como soda cáustica, e quando a vítima está sonolenta ou comatosa. Nos casos indicados, a êmese (vômito) pode ser obtida pela estimulação cuidadosa da retrofaringe com o dedo ou cabo de colher, após ingestão de um ou dois copos de água. Caso o vômito não ocorra em 30 minutos, repetir a dose.

Existem medicamentos emetizantes, entre os quais o mais comum é o Xarope de Ipeca, eficaz e praticamente atóxico, embora não deva ser utilizado em crianças menores de dois anos, em gestantes e cardiopatas. Comunique os dados à Central. Administre oxigênio e transporte a vítima em decúbito lateral, para prevenir a aspiração no caso de vômitos. Leve para o hospital qualquer objeto que possa conter amostra do veneno (frasco, roupas, vômito). Esteja certo de que a vítima que você está atendendo é a única intoxicada; no caso de crianças, verificar se estava só ou brincava com outras, que também devem ser avaliadas.

Sinais e Sintomas mais Comuns

● Queimaduras ou manchas ao redor da boca;

● Odores característicos (respiração, roupa, ambiente);

● Respiração anormal (rápida, lenta ou com dificuldade);

● Sudorese, salivação e lacrimejamento;

● Alterações pupilares (midríase ou meiose);

● Pulso (lento, rápido ou irregular);

● Pele (pálida, rubra ou cianótica);

● Alterações da consciência;

● Convulsões;

● Choque;

● Distensão abdominal;

● Vômitos;

● Cefaléia (dor de cabeça);

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● Dor abdominal;

● Dificuldade para engolir.

Monóxido de Carbono (CO) - Gás incolor, sem cheiro e potencialmente perigoso. Liga-se fortemente à hemoglobina, (proteína que transporta O2 no sangue para os tecidos), competindo com o oxigênio e provocando HIPOXIA, podendo ocasionar lesão cerebral e morte.

O monóxido de carbono pode ser emitido por diversas fontes, como escapamento de veículos (perigo em lugares fechados, como garagens), aquecedores a gás, fogões, aquecedores e queima de praticamente qualquer substância em locais fechados.

Sintomas - Inicialmente, dor de cabeça, náusea, vômitos e coriza, posteriormente, distúrbios visuais, confusão mental, síncope (desmaio), tremores, coma, disfunção cardiopulmonar e morte.

Tratamento Medidas de suporte e oxigênio a 100%, iniciados mesmo que haja apenas suspeita de intoxicação por CO.

Depressores do Sistema Nervoso Central

● Álcool - o mais comum, frequentemente associado a intoxicações por outras drogas.

● Barbitúricos – Gardenal , Luminal, Nembutal, etc.

● Sedativos – Dormonid , Rohipnol, Halcion, etc.

● Tranqüilizantes menores - Valium e Diempax (diazepan), Librium, Lorax,Lexotan, etc.

Sinais e sintomas

A intoxicação por esse grupo de drogas revela sintomatologia semelhante. A vítima apresenta-se sonolenta, confusa e desorientada, agressiva ou comatosa; pulso lento,pressão arterial baixa, reflexos diminuídos ou ausentes, pele em geral pálida e seca e pupilas reagindo lentamente à luz.

Durante o atendimento, fale com a vítima, procure mantê-Ia acordada, reavalie-a com freqüência e esteja atento para a hipoventilação e os vômitos, pois ela, por ter os reflexos diminuídos, está mais propensa a fazer broncoaspiração.

Estimulantes do Sistema Nervoso Central - Anfetaminas, cafeína e cocaína.

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Anfetaminas são utilizadas como anorexígenos (para diminuição do apetite). As mais comuns são: fenfluramina (MINIFAGE AP, MODEREX AP), femproporex (DESOBESI M, LlPOMAX AP), Mazindol (ABSTEN PLUS, DASTEN AFINAN).

Sinais e sintomas - Distúrbios digestivos (náusea, dor abdominal e diarréia), sudorese, hipertermia, rubor facial e taquipnéia. Seguem-se distúrbios cardiovasculares, como palpitações, taquicardia, hipertensão arterial e arritmias.

As manifestações neurológicas compreendem cefaleia, tontura, nistagmo (movimentos oculares anormais), midríase, tremores, rigidez muscular, hiper-reflexia , convulsões e coma.

Picadas de animais peçonhentos.

Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândula de veneno que se comunicam com dentes ocos, ferrões ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Ex.: serpentes, aranhas, escorpiões e arraias. Animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento por contato (lagartas), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe-baiacu).

Ofídios (serpentes)

Para sabermos se uma serpente é peçonhenta, observam-se três características fundamentais:

● presença de fosseta loreal;

● presença de guizo ou chocalho no final da cauda;

● presença de anéis coloridos(vermelho, preto, branco ou amarelo).

A fosseta loreal é um órgão termossensorial situado entre o olho e a narina, que permite à serpente detectar variações mínimas de temperatura no ambiente.

No Estado do Paraná existem três gêneros de importância toxicológica:

● Bothrops;

● Crotalus;

● Micrurus.

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Gênero (Bothrops)

Jararaca, urutu, cruzeira, cotiara, jararacuçu etc.

Possuem fosseta loreal, ou lacrimal e escamas na extremidade da cauda de cor geralmente parda, vivem em locais úmidos, atingindo na idade adulta o tamanho de 40 cm a 2 m.

Agressivas são responsáveis por 70% dos acidentes ofídicos no estado. Seu veneno tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágico. Pode haver manifestações locais (edema, eritema, dor) de instalação precoce e caráter evolutivo, com aparecimento de equimose, bolhas, sangramento no local da picada e necrose. Nos acidentes causados por filhotes, as manifestações locais podem estar ausentes. Como manifestações sistêmicas (gerais) pode-se observar: náuseas, vômitos, sudorese, hipotermia, hipotensão arterial, choque, hemorragias a distância (epistaxes, sangramento gengival, digestivo, hematúria) e insuficiência renal aguda.

Medidas gerais:

○ Lave o local da picada com água e sabão;

○ Não faça cortes, perfurações, torniquetes, nem coloque outros produtos sobre a lesão;

○ Mantenha o acidentado calmo e imóvel;

○ Ofereça água ou chá à vítima;

○ Transporte a vítima levando, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico e a escolha do soro mais adequado.

O único tratamento específico é a administração do soro, o que deve acontecer com a maior brevidade, via endovenosa, em dose única.

Gênero Crotalus

Refere-se ao grupo das cascavéis.

Sua característica mais importante é a presença de guizo ou chocalho na ponta da cauda. Possuem fosseta loreal , atingem na idade adulta 1,6 m de comprimento, vivem em lugares secos, regiões pedregosas e pastos, não sendo encontradas nas regiões litorâneas. Menos agressivas que as jararacas, não responsáveis por 11% dos acidentes ofídicos no Estado, que costumam ser de maior gravidade. Seu veneno possui ação neurotóxica , miotóxica, (lesão da musculatura esquelética)

e coagulante, causando manifestações muitas vezes pouco intensas: edema e parestesias (formigamentos) discretas, pouca dor.

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Manifestações sistêmicas: Cefaléia , náusea, prostração, sonolência; DIPLOPIA (visão dupla), visão turva, MIDRÍASE, PTOSE PALPEBRAL ("queda da pálpebra"), dificuldade para deglutir, MIALGIAS (dores musculares) e urina escura.

O tratamento consiste nas medidas gerais já citadas e na soroterapia específica precoce com soro anticrotálico (SAC). Em caso de dúvidas quanto ao agente agressor, pode ser utilizado o soro antibotrópico-crotálico (SABC).

Gênero Micrurus

Refere-se ao grupo das corais verdadeiras. São serpentes peçonhentas que não possuem fosseta loreal (isto é uma exceção) nem um aparelho inoculador de veneno tão eficiente quanto o de jararacas e cascavéis. O veneno é inoculado através de dentes pequenos e fixos. Padrão de cor: vermelho (ou alaranjado), branco (ou amarelo) e preto.

Habitam preferencialmente buracos, tornando os acidentes raros, mas muito graves, pela característica de seu veneno de provocar parada respiratória. O veneno deste gênero possui elevada toxicidade neurotóxica e miotóxica. Os acidentes com este gênero de ofídios geralmente não causam manifestações locais significativas, porém são graves as sistêmicas: vômitos, salivação, ptose palpebral, sonolência, perda de equilíbrio, fraqueza muscular, midríase, paralisia fi ácida que pode evoluir, comprometendo a musculatura respiratória, com apneia e insuficiência respiratória aguda. Todos os casos devem ser considerados graves.

O tratamento, além das medidas gerais já citadas, inclui o soro antielapídeo via endovenosa.

Aranhas (Aracnídeos).

Aranha Marrom (Loxosceles)

Pequena (quatro cm), pouco agressiva, de hábitos noturnos; encontrada em pilhas de tijolos, telhas e no interior das residências, atrás de móveis, cortinas e eventualmente nas roupas.

A picada ocorre em geral quando a aranha é comprimida contra o corpo (ao vestir-se ou ao deitar-se), não produzindo dor imediata. A evolução é mais frequente para a forma "cutânea", evoluindo para eritema (vermelhidão), edema duro e dor local (de seis a doze hrs);entre vinte e quatro e trinta e seis horas aparece um ponto de necrose central (escuro) circundado por um halo isquêmico (claro), Lesão em álvo; até setenta e duas horas, febre, mal-estar e ulceração local.

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Na forma "cutâneo-visceral" (mais grave), além do quadro acima, entre doze e vinte e quatro horas

após a picada, surgem febre, cefaléia, náuseas, vômitos, urina escura (cor de lavado de carne), anúria e isuficiência renal aguda.

O tratamento consiste em anti-sepsia, curativo local, compressas frias; medidas de suporte e soroterapia específica.

Aranha Armadeira (Phoneutria)

Muito agressiva, encontrada em bananeiras, folhagens, entre madeiras e pedras empilhadas e no interior das residências.

Tem coloração marrom escura com manchas claras e atingem doze cm de diâmetro.

Nos acidentes com as armadeiras, predominam as manifestações locais. A dor é imediata e em geral intensa, podendo irradiar para a raiz do membro acometido. Ocorrem edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada, onde podem ser encontradas duas marcas em forma de pontos. Especialmente em crianças, registram-se sudorese, náuseas, vômitos, hipotensão e choque.

Tratamento suportivo e sintomático; nos casos mais graves, está indicada a soroterapia específica.

Tarântula (Scaptocosa Iycosa)

Causa acidentes leves sem necessidade de tratamento específico.

Aranha pouco agressiva, com hábitos diurnos, encontrada à beira de barrancos, em gramados jardins e residências. Não faz teia.Geralmente sem sintomas; pode haver pequena dor local, com possibilidade de evoluir para necrose.

● Tratamento: analgésico.

● Tratamento específico: nenhum.

Caranguejeira (Mygalomorphae )

Aranha grande, peluda, agressiva e de hábitos noturnos; encontrada em quintais,

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terrenos baldios e residências.

Quando ameaçada ou manipulada, esfrega suas patas posteriores no abdômen e lança pêlos com farpas em grande quantidade ao seu redor, provocando irritação da pele

e alergia. Não há tratamento específico.

As aranhas atingem grandes dimensões e algumas são muito agressivas; possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas dolorosas.

● Tratamento: anti-histamínico via oral, se necessário.

● Tratamento específico:nenhum.

Escorpiões

Pouco agressivos, os escorpiões têm hábitos noturnos. Encontram-se em pilhas de madeira, cercas, sob pedras e nas residências.

Existem diversas espécies, mas somente o gênero Tityus tem interesse médico. Os escorpiões picam com a cauda, medem de 6 a 8 em, têm hábitos noturnos, escondendo-se durante o dia sob cascas de árvores, pedras, troncos, dentro de residências etc.

Escorpião amarelo (Tityus serrulatus).

A vítima apresenta dor local de intensidade variável (pode chegar a insuportável),

em queimação ou agulhada e com irradiação ;pode ocorrer sudorese e piloereção no local.

Manifestações sistêmicas: lacrimejamento, sudorese, tremores, espasmos musculares, priapismo, pulso lento e hipotensão. Podem ocorrer arritmias cardíacas, edema agudo de pulmão e choque.

O tratamento inclui medidas gerais e soroterapia específica.

Insetos

As lagartas (Lonomia), também chamadas de taturanas, são larvas de mariposas, medem de seis a sete em e possuem o corpo revestido de espinhos urticantes que contêm poderosa toxina. Sua cor é marrom-esverdeada ou marrom-amarelada, com listras longitudinais castanho-escuras,

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também conhecidas como lagartas de fogo e oruga , vivem durante o dia agrupadas nos troncos de árvores, onde causam acidentes pelo contato com seus espinhos .A vítima pode apresentar dor local em queimação, seguida de vermelhidão e edema.

A seguir surgem, cefaleia , náuseas e vômitos, artralgias. Após oito a setenta e duas horas, podem surgir manifestações hemorrágicas, como manchas pelo corpo, sangramentos gengivais ,pelo nariz, pela urina e por ferimentos recentes; os casos mais graves podem evoluir para insuficiência renal e morte. O soro específico ainda não está disponível. Tratamento suportivo e sintomático; no local, aplique compressas frias de solução fisiológica.

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