Enzimologia e processos fermentativos - Apostilas - Engenharia Química_Parte3, Notas de estudo de Engenharia Química. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Pao_de_acucar
Pao_de_acucar5 de Março de 2013

Enzimologia e processos fermentativos - Apostilas - Engenharia Química_Parte3, Notas de estudo de Engenharia Química. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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Apostilas de Engenharia Química sobre o estudo da enzimologia e processos fermentativos, imobilização por ligação covalente, características desejáveis para o suporte ou matriz visando à imobilização.
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Bioquímica_completo_

adsorvida, normalmente não é afetado e a molécula retém a atividade após a adsorção. Uma desvantagem

da imobilização por adsorção é o fenômeno da dessorção das moléculas, principalmente na presença de

forças hidrodinâmicas elevadas ou por alterações no microambiente. Quando o fenômeno da dessorção

das moléculas torna-se um problema, resolve-se promovendo um conjunto de ligações cruzadas (cross-

linking) das moléculas adsorvidas, o que pode estabiliza-las e aprisiona-las sobre a superfície do suporte.

O cross-linking das moléculas pode ser efetuado utilizando-se glutaraldeído. Entretanto, o so do

glutaraldeído poderá desnaturar algumas moléculas.

Dentre os suportes ou matrizes utilizados para adsorver as enzimas temos materiais inorgânicos

como: alumínio, sílica, vidro poroso (CPG), cerâmicas, terra diatomácea, argilas, entre outros. Também

existem matrizes orgânicas formadas por celulose, por exemplo, CMC (carboximetilcelulose) e DEAE

celulose (dietilaminoetil), amido, carvão ativado e resinas de troca iônica comerciais (que foram

otimizadas) como a amberlite, Sephadex e Dowex.

As superfícies destes materiais normalmente precisam passar por um pré tratamento (ativação) que

pode ser químico ou físico para que a mobilização por absorção seja efetuada.

Imobilização por Ligação Covalente

É quando se promove a retenção das moléculas sobre a superfície de um suporte por ligações

covalentes. Isto é efetuado quando certos grupos funcionais tais como grupos amino, carboxílicos,

hidroxilas e sulfidrilas interagem covalentemente com o suporte. Obviamente, tais grupos não podem ser

do sítio ativo.

Para se evitar a perda do sítio ativo da enzima na imobilização covalente promove-se o bloqueio do

sítio ativo utilizando, por exemplo, um inibidor competitivo, que garante proteção ao sítio ativo. O inibidor é

descartável após a inibição covalente. Os grupos funcionais do material suporte são normalmente ativados

utilizando-se reagentes químicos como por exemplo, brometo de cianogênio (ativa grupos hidroxilas), (...).

Os grupos ligantes presentes na molécula de enzima são normalmente os grupos ou resíduos laterais dos

aminoácidos (...) os grupos amino e carboxílico presentes em ambas as extremidades da cadeia

polipeptídica.

Aula 12 – 07/04

(CONT.) imobilização enzimas

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Tabela 3.3 do shuler: “isso não cai na prova, despenca!” (piadinha idiota do Lucenae Cerevisae)

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Estudar:

 Suportes para imobilização de enzimas?

 Como é feita a imobilização por adsorção?

 Cap. 6 –Tecnologia de lãs enzimas – Gacesa e Hubble

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Além do glutaraldeído podemos efetuar as ligações cruzadas entre as moléculas de enzima (cross-link)

utilizando a bis-diazobenzidina e o ácido 2,2-dissufônico. Quando as moléculas em solução são

submetidas a esses agentes formar-se-á um agregado de moléculas insolúvel. Para se fazer o cross-

linking de moléculas de enzima adsorvidas, o suporte (adsorvente) deverá ser impregnado com solução da

enzima de tal modo a preencher todos os poros, em seguida deverá ser submetido aos agentes cross-

linking (normalmente glutaraldeído). Mas uma vez quando se faz as ligações cruzadas entre enzimas

haverá uma perda significativa da atividade bem como severas limitações difusionais (molécula tem

dificuldade de passar pela rede e reagir).

Características desejáveis para o suporte ou matriz visando à imobilização

O tipo de material suporte mais indicado para uma dada imobilização vai depender da enzima e da

aplicação particular. Os dois principais critérios usados na seleção de um material suporte são:

1. A capacidade ligante do suporte, ou seja, o número de grupos funcionais, a densidade de carga, a

porosidade e hidrofobicidade do suporte.

2. A estabilidade e retenção da atividade enzimática, o qual dependerá dos grupos funcionais do

suporte e das condições microambientais. Se a imobilização provocar alterações conformacionais na

enzima ou se grupos reativos envolvidos na imobilização estiverem no sítio ativo com certeza haverá perda

de atividade. Cabe lembrar que normalmente as moléculas imobilizadas ganham maior estabilidade ou até

mesmo aumento de atividade. Também durante a imobilização a molécula de enzima poderá ter seu sítio

ativo orientado de tal forma que impedirá o acesso do substrato (efeito estéril).

A figura abaixo ilustra algumas consequências da imobilização das enzimas

Figura 7. Imobilização de enzimas

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Normalmente enzimas cujo substrato seja de alta massa molecular terá sua atividade reduzida

após a imobilização o que ocorre em menor extensão para as enzimas cujo substrato possui baixa massa

molecular. Isto ocorre principalmente devido a impedimentos estéricos. Por exemplo, substrato de alto

peso molecular como a caseína e o amido, cujo peso molecular é comparável ao das enzimas podem não

ser capazes de atingir o sítio ativo da molécula da enzima imobilizada.

A imobilização normalmente afeta a estabilidade térmica das enzimas, em geral a estabilidade

térmica melhora já que haverá a presença de barreiras difusionais térmicas e menor agitação e

deformação das moléculas que se encontram imobilizadas.

Também a estabilidade com relação ao pH normalmente aumenta após a imobilização.

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Resumindo: Quando a enzima é imobilizada haverá mudanças na atividade comparadas com a enzima

livre. Isto pode ser devido a diversos fatores como, por exemplo, mudanças conformacionais da molécula

após a imobilização e também a imobilização poderá dificultar o acesso do substrato ao sítio ativo da

enzima. Também poderemos ter efeitos de partição que nada mais é que as diferenças de concentração

(de enzima, substrato, cofatores, etc) entre o seio do meio reacional e a película ou filme estagnado que se

encontra ao redor da partícula. E assim, essas diferenças implicarão em diferentes atividades.

Também, a imobilização promoverá o surgimento de efeitos difusionais de Transferência de massa, que

pode ser de 2 tipos: os internos referentes aos poros do suporte e os externos referentes a presença da

película estagnada ao redor da partícula. Assim, se a velocidade da reação for maior que a velocidade de

difusão do substrato na película, a concentração do substrato na superfície será menor que na solução. A

espessura desta película poderá depender das condições de fluxo hidrodinâmico ao redor da partícula.

A resistência interna à T.M. também aparece para as enzimas imobilizadas em partículas porosas.

Novamente a velocidade da reação poderá fazer com que a concentração do substrato diminua já que a

difusão poderá ser mais lenta. A velocidade observada dependerá da difusividade do substrato, da

porosidade da partícula, da concentração de substrato no seio do líquido e da cinética enzimática.

Aula 13 – 12/04

Aplicações da catálise enzimática (= uso das enzimas)

As enzimas utilizadas pelas indústrias químicas e farmacêuticas provem em sua grande maioria de

processos fermentativos onde se cultiva um determinado micro-organismo num processo fermentativo que

conduz a enzima de interesse. Também algumas enzimas podem ser obtidas de tecidos de plantas e/ou

animais.

Dentre as de utilização industrial as proteases são as mais utilizadas pela indústria representando cerca

de 60% do mercado de enzimas. As proteases podem ser utilizadas pelas indústrias de alimentos,

panificação, fabrico de queijos em amaciantes de carne e também nas indústrias de detergentes, pois sua

adição melhora a eficiência na remoção de manchas proteicas.

As lípases também são importantes pois hidrolisam lipídios produzindo ácidos graxos e glicerina e são

utilizadas também na industria de detergentes, de processamento de óleos vegetais, em laticínios, e na

produção de biodiesel.

As amilases são utilizadas na hidrólise do amido sendo as mais importantes a α-amilase, a β-amilase e

a glico-amilases. São utilizadas na formação de detergentes, na indústria têxtil para desengomação de

tecidos, na produção de açucares pela sacarificação de amidos.

Outras enzimas importantes são as pectinases utilizadas nas indústrias de suco de frutas e indústrias

de vinhos, pois melhoram o rendimento, reduzem a viscosidade e a turbidez.

As celulases (na verdade um complexo enzimático) são usadas na hidrólise da celulose e são utilizadas

por algumas indústrias de processamento de cereais, produção de álcool a partir de resíduos ligno-

celulósicos como palhas e cascas de cereais cuja tecnologia está em desenvolvimento.

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Dentre o uso médico, as enzimas podem ser utilizadas em diagnósticos como, por exemplo, o uso da

glicose oxidase na determinação no nível de glicose do sangue na urina. Também podem ser utilizadas em

terapias, como por exemplo a tripsina, uma enzima digestiva que pode ser utilizada pro pessoas que

tiveram o estômago removido(por câncer). Também a lisozima que é utilizada como bactericida, pois

hidrolisa a parede celular de bactérias gram-positivas.

Outra importante aplicação da catalise enzimática no campo médico e que tem salvo milhares de vidas

no mundo é o uso da estreptoquinase em conjunto com o TPA (Tissue Plasminogen Activatar) utilizada na

dissolução de coágulos presentes nas artérias de recém infartados.

Outra importante aplicação industrial das enzimas é a conversão do fumarato para aspartato utilizando

a aspartase. O aspartato é utilizado para produzir o aspartame um adoçante (edulcorante) de baixa caloria.

Também, outra aplicação é a conversão da glicose para frutose pela enzima glicose isomerase. A frutose é

cerca de 1,5 vezes mais doce que a glicose, sendo bastante utilizada na industria de refrigerantes e sucos.

Enfim, as enzimas tem inúmeras aplicações incluindo o desenvolvimento de bio-sensores capazes de

monitorar substâncias esprecificas em um meio complexo.

TABELA 3.5 shuler – enzimas de importância industrial.

Cap. 7 do Gacesa

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Considerações sobre a utilização das enzimas

O critério de viabilidade econômica de um processo está estritamente relacionado com as normas

legais tanto para as operações que fazem parte do processo, como para a pureza do produto final. Muitas

das restrições legais se referem a assuntos de segurança que afetam os equipamentos usados no

processo bem como o direcionamento do produto final. No caso de materiais biológicos e bioprodutos a

diversas áreas que apresentam risco potencial com efeitos nocivos:

1. Microbiológica

2. Toxidade química

3. Toxidade relacionada com a atividade enzimática

4. Reações alérgicas;

Os problemas oriundos da atividade microbiológica dependerão do micro-organismo selecionado como

agente produtor e deverão refletir-se nas medidas de segurança incorporadas no processo de produção.

Os produtos destinados ao consumo humano necessitam cumprir todos os critérios de pureza que

assegurem nenhum risco de contaminação química ou microbiológica.

A toxidade química geralmente advém de substâncias produzidas no metabolismo secundário dos

micro-organismos, como por exemplo, as mico toxinas e as aflo toxinas, a produção de metanol na

fermentação alcoólica, etc.

A toxidade relacionada com a atividade enzimática pode ser vista, por exemplo, no caso das enzimas

proteolíticas utilizadas na produção de detergentes. A inalação do pó pelos operadores pode provocar

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lesões nos brônquios pulmonares com graves consequências. Logo, deve-se tomar todo cuidado na

manipulação destas substâncias especialmente as que se encontram na forma de pó, que podem ser

inalados, ou de líquidos concentrados que podem causar lesões tipo cáusticas na pele e mucosas. Logo o

contato deve ser evitado. Também o contato com material biológico estranhos pode causar uma resposta

imunológica que pode se agravar ao longo do tempo provocando uma resposta alérgica que poderá ser

grave e em alguns casos fatal dependendo do organismo.

Aula 14 – 14/04

Processos fermentativos

Figura 8. Processo Fermentativo genérico

Um processo fermentativo envolve um conjunto de operações e técnicas envolvidas na

transformação de um dado substrato num produto de interesse econômico e estas transformações serão

efetuadas por um micro-organismo especialmente selecionado para aquela transformação em particular a

nível industrial. Denominamos fermentação estas transformações efetuadas sob determinadas condições

controladas de pH, temperatura, de nutrientes, de aeração, etc. Isso se processa dentro de um bio-reator

também conhecido como fermentador ou dorna de fermentação. A nível industrial esses fermentadores

apresentam de dezenas a milhares de litros.

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O sucesso de um dado processo fermentativo depende muito da correta definição de quatro pontos

básicos:

1. A escolha do micro-organismo;

2. A formulação do meio de cultura;

3. A forma de condução do processo fermentativo (contínuo, batelada, etc);

4. As etapas de recuperação do produto.

Na verdade esses 4 pilares de um processo fermentativo interagem enormemente sendo necessário

defini-los de forma conjunta levando em consideração os aspectos bioquímicos e econômicos o que pode

ser complexo.

Os micro-organismos devem reunir um conjunto de características de forma a serem indicados para

uma aplicação industrial. Tais características desejáveis veremos adiante.

O meio de cultura e a matéria prima utilizada para obtê-lo também deve possuir características para ser

utilizado numa aplicação industrial como, por exemplo, ser de fácil obtenção e exigir o mínimo de

tratamentos prévios e obviamente conter o substrato que será transformado no produto.

Com relação às formas de condução do processo fermentativo estas podem ser dimensionadas para

operação contínua ou descontínua (batelada), cada uma com suas características próprias de controles

físico-químicos. Cabe lembrar que cada uma delas apresenta vantagens e desvantagens que veremos

mais adiante.

Com relação a recuperação do produto vai depender das características deste produto, a elaboração de

estratégias com a seleção de um conjunto de operações unitárias a serem utilizadas numa sequencia até a

obtenção do produto final na forma desejada, que deverá obedecer normas legais dependendo de sua

aplicação, por exemplo, consumo humano ou animal. Além disso, não se pode esquecer dos tratamentos

dos efluentes produzidos de tal modo que a produção tenha maior impacto possível.

Todas as etapas que se seguem após a fermentação são denominadas de tratamentos downstream, e

são da mais alta importância para o rendimento final do produto. Em geral deve-se estabelecer o menor

número de operações downstream para maximizar o rendimento do produto. Além dos aspectos

econômicos envolvidos.

Substratos e matérias primas para o processo de fermentação industrial

A maioria dos substratos utilizados nas fermentações industriais é direta ou indiretamente originado de

produtos agrícolas, em geral, os processos de fermentação tem a vantagem de serem versáteis com

relação a matéria prima, adaptando-se como seja conveniente de acordo com a disponibilidade e custo da

matéria prima.

Em geral, a matéria prima para uso industrial deve possuir maior número das seguintes características

desejáveis:

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1. Ser o mais barato possível, ou seja, ser de fácil obtenção e exigir pouco o nenhum tratamento

prévio;

2. A matéria prima deve conter o substrato e atender as necessidades nutricionais do micro-

organismo, para que este se desenvolva e produza o produto desejado;

3. Deve auxiliar no controle do processo, ou seja, não causar dificuldades como variações drásticas

no pH ou produção de espuma excessiva;

4. Não provocar problemas na recuperação do produto, por exemplo, possuir alta viscosidade o que

aumenta custos com energia para filtração;

5. A matéria prima deve ser de fácil estocagem e permitir algum tempo de armazenamento a fim de

estarem sempre disponíveis ;

6. Deve ter composição razoavelmente fixa;

7. Não causar dificuldades no tratamento final dos efluentes.

Tipos de matérias primas

1. Matérias primas amiláceas: o substrato principal é o amido que é um polissacarídeo formado por

moléculas de glicose unidas através de ligações glicosídicas α-1,4. O amido está presente em cereais

como trigo, milho, cevada e arroz, e também em batatas, mandiocas, e outros tubérculos. Todas as

metérias primas amiláceas podem ser utilizadas na obtenção de álcool etílico de qualidade destinado as

indústrias de perfumes e cosméticos, de licores, cervejas, saquês, etc.

2. Matérias primas celulósicas: Neste caso o substrato principal é a celulose, e também é um

polissacarídeo formado por moléculas de glicose unidas por ligação β-1,4. As matérias primas celulósicas

são obtidas dos resíduos agrícolas como cascas de cereais e suas palhas, bagaços de frutas, sabugo de

milho, serragens, e outros resíduos das indústrias madeireiras e de móveis. Também são chamadas

matérias primas lignocelolósicas. Tais matérias primas apresentam baixo teor de nitrogênio e sais

minerais, podem ser utilizadas na produção de proteína unicelular (SCP – Single cell protein) e também na

produção de etanol celulósico que tem ganhado importância nos últimos anos, visto que os resíduos

lignocelulósicos são os mais abundantes no mundo (matéria prima barata).

3. Matéria prima proteica: Neste caso o substrato principal são as proteínas solúveis. Por exemplo, o

sub produto da industrialização do milho, conhecido como milhocina ou água de milho, contém proteínas

solúveis e sais minerais que podem ser utilizados na produção de antibióticos por fermentação , também o

soro do leite é uma matéria prima proteica que além das proteínas solúveis contem a lactose que é um

dissacarídeo composto por glicose mais galactose, que pode ser também um substrato dessa matéria

prima.

4. Matérias primas diversas: Além das anteriores, outras podem ter importância, como por exemplo os

hidrocarbonetos, tanto alifáticos como aromáticos, que podem ser utilizados na produção de compostos

orgânicos oxigenados como gorduras, ésteres, ácido salicílico, álcool, e proteína unicelular, também as

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algas e plantas marinhas, que são ricas em glicídios e proteínas podem ser utilizadas na produção de

acetona; também os esteróis encontrados em vegetais superiores, podem ser utilizados na produção de

hormônios, etc.

Tratamentos da matéria prima

1. O amido deve ser sacarificado previamente, caso os micro-organismos a serem utilizados não

produzam enzimas, do tipo amilases. A sacarificação do amido consiste na sua hidrólise, liberando

açucares como glicose e maltose. A sacarificação pode ser efetuada por métodos químicos (hidrólise ácida

ou básica) ou por via bioquímica (utilização de enzimas, as amilases). A hidrólise enzimática é a preferida

pois é feita de forma branda e conduz a uma sacarificação limpa do amido evitando problemas de

corrosão comuns na hidrólise ácida e também produz um mosto ruim (mosto é o caldo que será

fermentado). As enzimas amilases existem naturalmente em alguns grãos maltados e também são

produzidas por alguns fungos e bactérias. A amilases de origem vegetal são uma combinação de α e β

amilase, um exemplo é a fabricação da cerveja na qual a cevada germinada (o malte) contem amilases em

grandes proporções que sacarificam o amido do grão liberando açucares utilizados pela levedura na

produção da bebida alcoólica. Dentre os micro-organismos que produzem amilases podem citar o

Aspergilus Níger. Para que o amido seja sacarificado pela enzima é necessário estar disperso numa

solução (amido solúvel), consegue-se isso fazendo o cozimento do amido.

2. Celulose: Os resíduos lignocelulósicos quando hidrolisados fornecem aproximadamente 70% de

monossacarídeos como glicose, frutose, xilose. E aproximadamente 30% de lignina. A lignina atua como

uma barreira para o acesso da enzima a cadeia de celulose, logo, tais resíduos precisam de tratamentos

prévios para remoção da maior parte da lignina, dentre estes temos: o alcalino quando se utiliza NaOH a

cerca de 4% em temperatura elevada ou solução de peróxido de hidrogênio(H2O2) conhecido como

tratamento oxidativo. Também existe o método de explosão por vapor, quando o matéria é submetido a

vapor e altas temperaturas e uma redução rápida na pressão promove uma explosão na cadeia

lignocelulósica, todos estes métodos objetivam expor a cadeia de celulose, tornando-a suscetível ao

ataque enzimático.

Aula 15 – 19/04

Micro-organismos de interesse industrial

Fontes de micro-organismos de interesse

Os micro-organismos para uso industrial podem ser obtidos das seguintes formas principalmente:

1. Isolamento a partir de recursos naturais: os micro-organismos estão presentes no solo, na água,

nas plantas, em resíduos em decomposição, etc. Porém a obtenção de micro-organismos a partir destes

recursos exigirá muito trabalho experimental e custos altos devido a enorme flora microbiana a ser

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pesquisada. No entanto o trabalho de pesquisa tem enorme importância na obtenção de novas linhagens

de interesse industrial, ou seja, espécies bastante eficientes na transformação do substrato no produto de

interesse. O isolamento de novas linhagens deve ter inicio com certas premissas e objetivos bem

definidos, visto que há uma disponibilidade muito grande de espécies até que haja convergência para o

processo ou produto que se deseja produzir.

2. Compra em coleções de culturas: muitas espécies podem ser adquiridas em coleções de cultura,

como por exemplo, o Centro de Culturas Tropicais (CCT). Neste caso é preciso saber qual espécie de

micro-organismo é de interesse e então faz-se a compra. Normalmente os micro-organismos são

disponibilizados na forma de pó liofilizado contido em pequenas ampolas e no laboratório da indústria

promove-se a preparação do inoculo em volumes crescentes até se atingir um volume suficiente para

inocular o bio-reator.

3. Obtenção de mutantes naturais: Devido a sua alta taxa de crescimento poderão surgir espécies

mutantes dentro da população original. Tais mutações espontâneas poderão conduzir a espécies

interessantes para uso industrial, por exemplo, maior eficiência na transformação de substrato em produto.

Tais mutações naturais são aleatórias e imprevisíveis, o que pode não ser interessante aguardar as

linhagens.

4. Obtenção de mutantes induzidos: Como vimos anteriormente pode ser dispendioso aguardar o

surgimento de linhagens mutantes, para isso, lança-se mão de técnicas próprias capazes de induzir a

mutação numa dada população, por exemplo, pode-se submeter uma dada população de micro-

organismos de interesse à ação de agentes mutagênicos, como raios ultravioletas, ou substâncias

químicas (como a nitrosoguanidina). Todo esse processo de seleção de mutantes é caro, mas todo esforço

pode ser recompensado como, por exemplo, o que houve com a indústria de antibióticos, quando

linhagens de Penicillium chrysogenum que produz a penicilina, cujo processo sofreu significativas

melhoras desde a descoberta.

5. Obtenção de micro-organismos recombinantes: Neste caso a engenharia genética e seus avanços

possibilitam a criação de espécies capazes de produzir substâncias que originalmente não eram capazes,

para isso, genes específicos de espécies diferentes são combinados na cadeia genética do micro-

organismo, que então se desenvolve com as novas características genéticas, por exemplo, o micro-

organismo receptor é uma espécie bem conhecida fisiologicamente como a levedura Sacaromices

cerevisiae e a bactéria Escherichia coli.

Características desejáveis de micro-organismos de interesse industrial

Os micro-organismos também devem reunir um conjunto de características, para que seja utilizado

em um processo larga escala. Dentre as características desejadas, temos:

1. Apresentar elevada eficiência na conversão do substrato em produto: a matéria prima pode pesar

significativamente no custo final do produto, logo, o micro-organismo a ser utilizado deverá ser capaz de

converter o substrato no produto de forma eficiente.

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2. Permitir o acúmulo do produto no meio: ao transformar o substrato no produto o micro-organismo

deve ter a capacidade de tolerar as mais elevadas concentrações de tal forma a reduzir os custos nas

operações de recuperação, separação e purificação do produto, ou seja, o micro-organismo deverá sofrer

o menos possível com os fenômenos de inibição pelo produto.

3. Não produzir substâncias incompatíveis com o produto: durante o seu crescimento, os micro-

organismos produzem diversas outras substâncias além do desejado e tais substâncias não poderão

interferir negativamente com o produto de interesse, por exemplo, é a produção da glico-amilase por

aspergillus. A glico-amilase é a enzima que hidrolisa o amido, produzindo glicose muito utilizada na

industria de alimentos. Ocorre que alguns micro-organismos produtores de glico-amilase também

produzem a trans-glocosidase, uma enzima que promove a polimerização da glicose, e que não pode mais

se hidrolisada pela glico-amilase.

4. Apresentar constância quanto ao comportamento fisiológico: neste caso, não basta apenas o micro-

organismo ser bom produtor da substância desejada, caso ele não tenha constância desejada, que deverá

se manter durante todas as etapas do processo, ou seja, o micro-organismo deverá ter comportamento

previsível em todas as etapas do processo fermentativo.

5. Não ser patogênico: por razões óbvias os micro-organismos não poderão ser causadores de

doenças exceto nos casos específicos, como vacinas, etc. Neste caso todos os cuidados de manipulação

e isolamento da produção deverão ser observados com critérios rígidos.

6. Não exigir condições de processo muito complexas: a operação de bio-reatores e os controles de

processo desempenham um papel fundamental, logo, os micro-organismos deverão suportar condições de

operação de tais reatores reais, e todos problemas envolvidos com a transferência de massa (de

nutrientes, de oxigênio, etc.), e de transferência de calor.

7. Não exigir meios de culturas caros: Neste caso, a matéria prima deverá sofrer o mínimo de pré-

tratamentos, seja de tratamentos físicos ou químicos, como adição de suplementos e nutrientes.

8. Permitir uma rápida liberação do produto para o meio, obviamente estamos lidando com a cinética

da produção e quanto mais rápida, melhor visto que as operações subsequentes dependem da liberação

do caldo fermentado.

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