Extrofia Vesical - Apostilas - Enfermagem, Notas de estudo de . Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Pamela87
Pamela8727 de Fevereiro de 2013

Extrofia Vesical - Apostilas - Enfermagem, Notas de estudo de . Universidade Federal da Bahia (UFBA)

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Apostilas sobre a extrofia vesical, definição, manifestações clínicas, tratamento, cuidados de enfermagem.
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EXTROFIA VESICAL

A palavra Extrofia é derivado da palavra grega ekstriphein , que literalmente significa "virar do avesso". Extrofia vesical ou comumente chamada de extrofia da bexiga trata-se uma malformação congênita da bexiga e suas estruturas relacionadas, onde estas são virados do avesso (protrusão). A pele da parede abdominal inferior, que normalmente cobre a bexiga, também não é formada corretamente e é separada, expondo o interior da bexiga para o mundo externo. Acontece devido à uma falha de crescimento embrionário que começa no início da gestação, onde o embrião ainda está com 4mm e leva a uma ruptura prematura da membrana cloacal. Dependendo do tamanho do defeito e do estágio de desenvolvimento que ocorre irá gerar uma extrofia vesical, extrofia cloacal ou epispádias. Estas variações de patologias podem ocorrer separada ou simultaneamente.

Manifestações clínicas

Embora seja uma condição física rara, ocorrendo entre cerca de 10.000 a 40.000 nascimentos, numa relação de 1,5 a 2,3/1 entre o sexo masculino e feminino.

As alterações anatômicas são diversas:

1) Sistema músculo-esquelético: a pelve possui uma abertura maior que a habitual contribuindo para a redução do tamanho do pênis e o característico “andar de pato” das crianças, o qual será eliminado com o passar do tempo.

2) Cicatriz umbilical: por conta da bexiga nascer para fora da parede abdominal as crianças com extrofia deverão ter uma reconstrução do orifício do umbigo.

3) Hérnia: a maioria das crianças nascidas com extrofia apresenta uma hérnia na região da virilha (inguinal), que deve ser corrigida preferencialmente durante a reconstrução vesical.

4) Anomalias anorretais: em alguns casos é possível observar o estreitamento do canal ou orifício retal (estenose anorretal) que pode requerer dilatação obtida por intermédio de cirurgias.

5) Genitália masculina: a condição óssea faz com que os corpos cavernosos fiquem separados e o pênis pareça menor. Assim o pênis tem uma aparência achatada e, em alguns casos, pode vir grudado ao abdome. Os testículos parecem estar fora da bolsa escrotal (criptoquirdia), mas na maioria dos casos são móveis devendo voltar à bolsa escrotal com o tempo.

6) Genitália feminina: a abertura da uretra fica localizada entre um clitóris e dividido em duas metades iguais e os pequenos lábios os quais, quando aproximadas durante a reconstrução, tendem a ter resultados estéticos bastante satisfatórios. É comum que haja um estreitamento

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do canal vaginal alem do habitual, necessitando de exercícios de dilatação ou cirurgia para permitir a passagem do fluxo menstrual e o ato sexual. Não é incomum, entretanto, o prolapso uterino (literalmente, a queda do útero para fora da vagina) em mulheres extróficas grávidas. Todavia, isto já é bem controlado por procedimentos médicos atuais.

7) Sistema urinário: há alguns estudos que apontam para a presença de irregularidades na estrutura dos tecidos da mucosa da bexiga, o que sugerem maior vulneralibilidade ao câncer na vida adulta, mas a principal característica é a possibilidade de haver refluxo de urina da bexiga reconstruída para os ureteres, podendo comprometer os rins. No caso, aconselha-se o implante de ureteres a partir de técnicas anti-refluxo.

O diagnóstico de extrofia vesical pode ser sugerido já na ultrassonografia pré-natal. Em muitos fetos, uma bexiga distendida se enche e se esvazia pode ser vista na ultrassonografia. Já numa criança com extrofia vesical, não é possível vermos a bexiga e este se torna o fator decisivo para a elaboração do diagnóstico.

Tratamento

A extrofia vesical requer intervenções cirúrgicas que são tecnicamente denominadas “reconstrução”. Os objetivos destas reconstruções são basicamente dois: correção anatômica e alcance das funções típicas dos órgãos envolvidos. Os processos e objetivos da reconstrução, embora variem, incluem primeiramente, uma equipe treinada e um hospital equipado para realizar os procedimentos assim descritos:

1) Fechamento da bexiga e uretra;

2) Fechamento da parede abdominal;

3) Preservação dos rins e das funções sexuais;

4) Melhora da aparência estética do pênis nos meninos e da genitália externa nas meninas (clitóris e lábios inferiores);

5) Preservação da função sexual visando permitir a atividade sexual satisfatória;

6) Uma família e criança psicologicamente estáveis e integradas socialmente.

Recentes avanços nas cirurgias reparatórias de crianças com extrofia vesical foram alcançados e a experiência comprova que quanto mais cedo o fechamento da bexiga for realizado, melhor será o seu funcionamento a longo prazo. De fato, o grande sucesso é alcançado quando o fechamento da bexiga e da parede abdominal são realizados logo no primeiro ou segundo dia de nascimento por um especialista experiente.

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Crianças mais velhas frequentemente irão necessitar de osteotomia para facilitar o fechamento da bexiga e posterior fechamento da uretra e genitália da pelve. A necessidade de alterar a pélvis é um conceito muito importante e talvez o conceito pivô no alcance de um reparo anatômico e funcional efetivo.

O ideal é que todas as cirurgias já possam ser finalizadas antes da entrada da criança na escola. Porem o que se verifica é que isso não acontece frequentemente. Seja por questões da própria complexidade do caso, seja por questões de debilidade do serviço público de saúde.

O procedimento padrão, portanto, é realizar o fechamento da bexiga dentro de 24 ou 48 horas de nascimento. Esta cirurgia dura cerca de quatro a seis horas e as crianças tendem a reagir muito bem a ela e a anestesia geral.

O pós-operatório dura cerca de duas semanas de internação hospitalar, os pacientes já poderão se alimentar após 48 ou 72 horas após a cirurgia. O pós-operatório é geralmente muito dolorido, por isso é de costume a utilização contínua de analgésicos. Um dos desafios da equipe de saúde é manter a imobilização da criança, para que não haja complicações decorrentes de abertura da cirurgia; sendo assim é importante o empenho do acompanhante e de toda a equipe de saúde.

Muitos pesquisadores têm se empenhado em demonstrar que a qualidade de vida de uma pessoa extrófica é de boa a excelente, e que, mesmo tendo muito sofrimento envolvido neste percurso, ainda assim vale a pena percorrê-lo. De fato, há uma tendência a se reconhecer que a satisfação com a vida sexual ocorre em praticamente 100% dos casos do sexo feminino chegando as mulheres extróficas a gerarem e darem a luz a filhos não nascidos com extrofia. Os homens por sua vez, tendem a apresentar insatisfação quanto à aparência e tamanho do pênis, e dificuldades em ter e manter a ereção na adolescência e fase adulta. Entretanto estes fatores não os impediram de namorar, casarem-se e/ou constituírem família.

Cuidados de enfermagem

Os pacientes acometidos por essa doença necessitam de uma atenção especial de toda equipe de saúde, principalmente da enfermagem. O cuidado de enfermagem consiste na prevenção de infecções e ruptura da pele, realizando cuidados pós-operatórios eficientes em relação aos drenos e cateteres.

No período pré-operatório inicial, o cuidado é focado na prevenção do extravasamento da bexiga novamente (deiscência) e prevenção de infecções nos cuidados de enfermagem, utilizando para isso materiais estéreis e perfeita aplicação das técnicas.

Em geral segue abaixo alguns cuidados necessários para a assistência:

* Verificar Sinais Vitais;

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* Manter a criança em decúbito dorsal;

* Trocar fraldas imediatamente à defecação, para evitar contaminação da bexiga;

* Realizar banho com esponja, ao invés de imergir a criança, para evitar contaminação pela água;

* Evitar ruptura da pele abdominal, aplicando pomada na pele íntegra (Conforme Prescrição Enfermagem);

* Monitorar o débito urinário;

* Monitorar os sinais do trato urinário para infecções e verificar se surgem feridas;

* Prevenir úlceras por pressão nas partes íntegras, principalmente costas, cabeça e membros superiores, realizar hidratação da pele conforme prescrição;

* No caso da bexiga ainda exposta, manter a integridade da mucosa com uso de bolsa plástica estéril e úmida;

* Recomendar ao acompanhante e visitas o uso de luvas e máscaras, a higienização das mãos sempre que houver contato com a criança;

* Administrar medicamentos rigorosamente nos horários prescritos;

* Oferecer apoio aos familiares, estando sempre à disposição para prestar um cuidado humanizado.

Por se tratar de uma situação complexa, os demais cuidados são realizados de acordo com o quadro do paciente, sua recuperação e circunstancias decorrentes das cirurgias. Cada caso é avaliado conforme suas peculiaridades.

INTRODUÇÃO

Ate o momento a extrofia vesical tem sido uma questão puramente médica, uma doença. Porem seu alcance é muito maior, já que atinge questões francamente profundas e de difícil resposta que deixa qualquer profissional que dela se aproxima numa situação de desconhecimento quase absoluto, forçando-o a rever posições e inventar novos percursos.

É uma doença que além de se tratar de uma anomalia, onde traz grande risco de morte ao paciente, também interfere muito no emocional das famílias que possuem alguma criança portadora.

Os profissionais da área de enfermagem lidam diretamente com estes pacientes, e devem ter seriedade e muita competência técnica para trabalhar com eles, pois os cuidados são muitos

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específicos, envolvendo curativos complexos, tratamento de feridas e também todo um trabalho de humanização no atendimento, que sempre é indispensável.

Por esse motivo este trabalho é muito importante. Buscamos acoplar nele informações básicas sobre o assunto - sua possível causa manifestações clínicas, tratamento e alguns cuidados de enfermagem.

Acreditamos que acrescentará no leque de conhecimentos necessários a um técnico de enfermagem para sua atuação profissional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Extrofia da bexiga é uma condição de vida, necessitando de intervenção cirúrgica extensa, começando logo após o nascimento, quando a criança está ainda com poucos dias de idade. Cirurgias podem ser numerosas ao longo de uma vida inteira dependendo da gravidade e / ou complicações.

Além dos aspectos físicos da extrofia vesical, existem questões sociais e emocionais que podem surgir devido à natureza íntima e complexidade da condição. Devem ser tomadas medidas para dar conta dessas necessidades também. As crianças submetidas ao tratamento têm condições de viver muito bem, porém enfrentam dificuldades em encarar a si mesmas, ou sofrem traumas por causa de sua sexualidade que pode muitas vezes ser afetada. Sendo assim, o suporte emocional tanto as crianças quanto aos familiares é muito importante. Nos casos onde se encontra problemas de aceitação graves recomenda-se encaminhá-los ao serviço de assistência social.

Diante do que foi exposto neste trabalho, observamos que se faz necessário que o técnico de enfermagem, na sua condição de cuidador e referencia para família dos pacientes, deve ter um conhecimento mínimo sobre o assunto. Por mais que a extrofia vesical não seja uma doença muito comum, pode acometer crianças em qualquer lugar, então o conhecimento é extremamente essencial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) TEIXEIRA FILHO, Fernando Silva. Extrofia vesical: orientações para família, portadores e profissionais da saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo: FAFESP, 2004.

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2) RICCI, Susan Scott e TERRI, Kyle. Maternity and Pediatric Nursing. Wolters Kluwer,2009. Disponível em books.google.com.br

3) BANGO, García Vanesa, SATURNINO, Marco Lujan, MANUEL Sanz Bosquet, [et al]. Adenocarcinoma vesical primario en extrofia vesical no corregida. Departamento de Urologia do Hospital Universitário La Fe de Valência, Espanha. Actas Urol Esp v.33 n.2 Madrid em fevereiro. 2009. Disponível em http://scielo.isciii.es/scielo.php?pid=S021048062009000200017&script=sci_arttext.;

4) http://www.bladderexstrophy.com/learning_center_faq.htm#D_WhatisBladderExstrophy;

5) http://pediatric-nursing.blogspot.com/2009/03/bladder-exstrophy.html

6) http://www.exstrophyresearch.org/about-be/

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