Febre Aftosa - Apostilas - Agronomia, Notas de estudo de . Universidade Federal de Goiás (UFG)
Ronaldo89
Ronaldo891 de Março de 2013

Febre Aftosa - Apostilas - Agronomia, Notas de estudo de . Universidade Federal de Goiás (UFG)

PDF (395.6 KB)
13 páginas
1000+Número de visitas
Descrição
Apostilas sobre o conceito de Febre Aftosa, definição, sintomas, profilaxia e cuidados, vacinação, tratamento, diagnóstico.
20pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 13
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo

Definição - A Febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca a todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos, e muito menos os carnívoros, mamíferos; os animais solípedes são resistentes. Dá-se em todas as idades, independente de sexo, raça, clima, etc., porém há diferenças de suscetividade de espécie.

Sintomas - A elevação da temperatura e a diminuição do apetite são os primeiros indícios da infecção. O vírus ataca a boca, língua, estômago, intestinos, pele em torno das unhas e na coroa. No inicio, febre com papulas que se transformam em pústulas, em vesículas, que se rompem e dão aftas na língua, lábios, gengivas e entre os cascos, o animal baba muito e tem dificuldade de se alimentar. Devido às lesões entre os cascos, o animal tem dificuldade de se locomover. Nos dois primeiros dias a infecção progride pelo sangue produzindo febre; depois aparecem as vesículas na boca e no pé. Também surgem nas tetas. Então a febre desaparece, porém, a produção de leite cai e a manqueira aparece, bem como a mamite com todas as suas graves conseqüências.

As vesículas se rompem e libertam um líquido transparente ou turvo; aftas, que aparecem após 24 a 48 horas, resultantes são dolorosas e podem sofre infecção secundária. A secreção de saliva aumenta e fios de baba começam a cair da boca. O animal mastiga produzindo ruído caracterizado, ao abrir a boca, chamado "beijo da aftosa". Nos ovinos e caprinos, as lesões das patas são características, enquanto que as da boca podem ser pequenas e passarem desapercebidas. Os surtos de aftosa surgem repentinamente e com muita freqüência; todos os animais suscetíveis do rebanho apresentam os sintomas praticamente ao mesmo tempo. A intensidade da doença é muito variável. Na forma leve, as perdas podem alcançar uns 3%, enquanto que nas graves alcançam 30 a 50%, porém, em média, a mortalidade é baixa nos adultos e elevada nos jovens , principalmente os em aleitamento, porque as mães não os deixam mamar. Os animais que sobrevivem, se recuperam dentro de vinte duas porém, às vezes, a recuperação é bastante demorada; alguns animais com lesões cardíacas são irrecuperáveis, bem como as perdas de tetas.

Profilaxia e Cuidados

* Nos países livres de febre aftosa o método geralmente empregado consiste no sacrifício dos animais doentes e suspeitos, destruição dos cadáveres e indenização dos proprietários.

* Vacinação regular do gado de 6 em 6 meses a partir do 3º mês de idade ou quando o Médico Veterinário recomendar.

* Os animais que receberam a primeira dose de vacina, deverão ser revacinados 90 dias após a primeira vacinação.

* Suspeitando da existência da doença em sua propriedade ou na de vizinhos, avise imediatamente o Médico Veterinário.

docsity.com

* Confirmada a doença, isole os animais doentes, proíba a entrada e saída de veículos, pessoas e animais, instale pedilúvios com desinfetantes e siga as orientações do Médico Veterinário.

* Quando comprar animais, exija que os mesmos estejam vacinados.

* Só faça o transporte com atestado de vacinação.

* As vacas prenhes devem ser vacinadas a fim de que elas possam proteger o bezerro através do colostro.

* A vacinação não causa aborto nos animais. Cuidados especiais devem ser tomados no manejo das vacas prenhes, pois é o mau manejo que poderá causar aborto e nunca a vacina.

* Exija sempre que o revendedor acondicione bem e faça o transporte correto das vacinas.

* Animais vindos de outras propriedades devem ser isolados, vacinados e observados por um período mínimo de 15 dias, antes de serem misturados com os outros animais da propriedade.

* Nos recintos de exposições, feiras e remates, devem ser adotadas rígidas medidas de higiene e desinfecção, e se a situação exigir, as autoridades sanitárias podem suspender os referidos eventos.

* É muito importante o pecuarista conhecer bem a Febre Aftosa, para que ao aparecer a doença em animais de seu rebanho, ele esteja capacitado para adotar medidas sanitárias, visando ao seu controle.

* Siga corretamente as orientações do Médico Veterinário. É importante o contato freqüente com o Médico Veterinário, o qual estará sempre pronto a prestar os esclarecimentos necessários.

Vacinação - No Brasil, o processo mais aconselhável é a vacinação periódica dos rebanhos, assim como a vacinação de todos os bovinos antes de qualquer viagem. Em geral a vacina contra a febre aftosa é aplicada, de 6 em 6 meses, a partir do 3º mês de idade. A vacinação contra a Febre Aftosa no Estado de São Paulo deve ser feita nos meses de MARÇO E SETEMBRO. Na aplicação devem ser obedecidas as recomendações do fabricante em relação à dosagem, tempo de validade, método de conservação e outros pormenores.

CUIDADOS COM A VACINA - Antes da aplicação devem ser obedecidas as recomendações do fabricante e alguns cuidados devem ser rigorosamente observados, tais como:

* Conservação Adequada das Vacinas;

* As vacinas devem ser conservadas na temperatura entre 2 e 6 graus centígrados, em geladeiras domésticas ou em caixas térmicas com gelo;

docsity.com

* É muito importante a conservação, pois tanto o congelamento quanto o calor inutilizam a eficiência da vacina;

* O transporte das vacinas do revendedor até a propriedade deve ser sempre feito em caixas térmicas com gelo;

* A dose a ser aplicada em cada animal deve ser aquela indicada no rótulo da vacina. Uma dosagem menor do que a indicada pelo fabricante não vai oferecer aos animais a proteção desejada;

* Não devem ser utilizadas agulhas muito grossas, pois a vacina pode escorrer pelo orifício deixado no couro do animal pela agulha e em conseqüência, diminuir a quantidade de vacina aplicada;

* A vacina deve ser aplicada embaixo da pele;

* Os animais sadios deverão ser sempre vacinados, pois os doentes ou mal-alimentados, não respondem bem à vacinação e, nesses casos, é conveniente procurar orientação com o Médico Veterinário.

* Os efeitos da vacina somente aparecem depois de 14 a 21 dias de sua aplicação. Se os animais apresentarem a doença antes desse prazo, é sinal que já estavam com a doença quando foram vacinados, mas ainda não tinham manifestado seus sintomas.

Tratamento - Em casos especiais pode ser empregado o soro de animais hiper-imunizados. São úteis as seguintes medidas coadjuvantes:

1. desinfecção dos alojamentos com soda cáustica a 4% no leite de cal de caiação;

2. fervura ou pasteurização do leite destinado à alimentação animal ou humana;

3. uso de pedilúvios na entrada dos currais e estábulos;

4. alojamentos limpos e ventilados;

5. fornecimento aos animais de alimentos de fácil mastigação;

6. lavagem da boca com soluções adstringentes e anti-sépticas;

7. tratamento das feridas dos cascos e das tetas;

8. administração de tônicos cardíacos, em certos casos de muita fraqueza.

A importância da febre aftosa em saúde pública

Introdução

docsity.com

Os agentes de doenças animais prejudicam a população humana de diversas formas, provocando doenças que são as chamadas zoonoses, ou seja, as doenças que se transmitem dos animais vertebrados ao homem. Representam uma importante ameaça, pois, além de afetarem a saúde e o bem estar, diminuem a produtividade dos rebanhos e reduzem a disponibilidade de alimentos protéicos para a população humana.

Para examinar a importância da saúde animal para a saúde humana, devemos considerar a definição de saúde da Organização Mundial da Saúde como um guia. “...Saúde não é a mera ausência de doença ou injúria, é um estado de completo bem estar físico, mental e social...”. A Saúde Pública Veterinária contribui diretamente para alcançar este objetivo, pois “...compreende todos os esforços comunitários que influenciam e são influenciados pela Medicina Veterinária e Ciência aplicada para a prevenção de doença, proteção da vida, e promoção do bem estar e eficiência do homem...” e permite um campo de trabalho ilimitado, ao participar no estudo da inter–relação de doença e saúde no homem e animais.

A febre aftosa representa uma importante ameaça para o bem estar da população, devido ao seu impacto sobre a economia nacional de diversos países, onde o comércio com o exterior e estabilidade, dependem diretamente da confiabilidade dos alimentos de origem animal, que devem ser oriundos de animais isentos desta enfermidade, demonstrando a estreita relação que existe entre saúde pública, o ambiente e o bem estar sócio-econômico.

A importância da febre aftosa em saúde pública seria ínfima se não considerássemos sob o ponto de vista social e econômico. Afeta os produtores, empresários e famílias rurais por seus efeitos desfavoráveis sobre a produção, produtividade e rentabilidade pecuária. Incide negativamente nas atividades comerciais do setor agropecuário, prejudicando o consumidor e a sociedade em geral pela interferência que a enfermidade exerce na disponibilidade e distribuição dos alimentos de origem animal, assim como pelas barreiras sanitárias impostas pelo mercado internacional de animais, produtos e subprodutos. E mais, onera os custos públicos e privados, pelos investimentos necessários para sua prevenção, controle e erradicação.

Apesar da enfermidade de ter sido descrita pela primeira vez em 1546, e dos esforços para o controle e erradicação, continua sendo alvo de permanente pesquisa e preocupação. Nos anos 2000 e 2001, a febre aftosa voltou às manchetes dos jornais de todos os continentes, e as imagens dos milhares de animais sendo sacrificados ficarão para sempre registrados na memória da população mundial. A reintrodução do vírus em países e regiões reconhecidas como livres ocasionou elevados prejuízos econômicos e sociais, como no Japão e Taiwan, livres da doença há quase 100 anos, vários países da Comunidade Européia, livres há 10 anos, Argentina, Uruguai Circuito Pecuário Sul do Brasil já reconhecidos como livres, fez com que a comunidade científica e todas as classes sociais se preocupassem com o assunto.

No Brasil, a febre aftosa é um fator limitante para o desenvolvimento econômico da indústria animal. Sua presença impõe a adoção de medidas sanitárias no comércio interno de animais e seus produtos não tratados, de áreas infectadas para áreas livres bem como internacional.

docsity.com

A doença

A febre aftosa é uma enfermidade viral, muito contagiosa, de evolução aguda, que afeta naturalmente os animais biungulados domésticos e selvagens: bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e suínos. Entre as espécies não biunguladas, foi demonstrada a susceptibilidade de elefantes e capivaras. É considerada como zoonose, porém com raros casos em humanos e em situações muito especiais. Caracteriza-se por febre e formação de vesículas na cavidade bucal e espaços interdigitais.

O vírus pertence à família Picornaviridae, gênero Aphthovirus. Seu genoma é constituído por uma única molécula de RNA. Foi demonstrado como agente etiológico da febre aftosa em 1897 por Loeffler e Frosch. São conhecidos 7 sorotipos antigênica e imunogênicamente diferentes: O, A, C, SAT 1, SAT 2, SAT 3 e Ásia 1. No Brasil foram identificados 3 tipos: A, O e C . O agente apresenta grande tendência a mutações que originaram numerosos subtipos e centenas de cepas diferentes, mas com certo grau de proteção cruzada. O aparecimento de novos subtipos em uma região leva a falhas de imunidade das vacinas utilizadas e como conseqüência, podem aparecer surtos. Estas diferenças genéticas entre os agentes de doenças são o motivo pelo qual se impõem barreiras sanitárias para evitar que o vírus seja trazido junto com animais, produtos e subprodutos importados, mesmo que sejam agentes de doenças já existentes no país.

O vírus da febre aftosa é lábil em pH ácido (menor que 6) e alcalino (maior que 9), é sensível aos desinfetantes químicos como carbonato de sódio a 4%, formol a 10%, hidróxido de sódio 2% (soda cáustica) e meios físicos como calor, radiação ultravioleta, ionização por raios gama e luz solar.

| |

Lesão coroa do casco, descolamento do mesmo | Lesões da língua |

| |

Febre Aftosa - sinais clínicos - vesícula rompida na gengiva | Febre Aftosa - lesão boca |

Diagnóstico

A febre aftosa pertence ao chamado grupo de doenças vesiculares, no qual estão incluídas a Estomatite Vesicular, o Exantema Vesicular dos Suínos e a Doença Vesicular dos Suínos. Estas doenças têm em comum a propriedade de provocar a formação de vesículas típicas com

docsity.com

coloração esbranquiçada contendo líquido incolor ou ligeiramente sanguinolento, sendo seu diagnóstico baseado nos sintomas clínicos, nos dados epidemiológicos e no diagnóstico laboratorial.

Entre as espécies de interesse econômico, a discreta intensidade das lesões em ovinos, caprinos e búfalos fazem com que o diagnóstico clínico seja bastante difícil. São freqüentes os casos em que animais doentes destas espécies não demonstram sintomatologia clínica, mesmo estando em íntimo contato com bovinos doentes. Isso não significa que não estejam infectados ou mesmo doentes. Esta é a maior causa de persistência do vírus em muitas regiões e uma das principais responsáveis pelas variações antigênicas de cepas de campo durante surtos.

O diagnóstico laboratorial é orientado para o isolamento e identificação do vírus, a partir de amostras de epitélio das vesículas ou líquido existente nestas, em lesões de língua, patas ou úbere. O sorodiagnóstico algumas vezes é possível a partir de amostras pareadas, quando se busca a conversão de níveis de anticorpos, porém, não é o método ideal em se tratando de animais vacinados.

Febre aftosa em humanos

A febre aftosa é considerada uma zoonose, embora o homem raramente se infecte e adoeça, sendo este um hospedeiro acidental. Fato comprovado pelo reduzido número de casos humanos descritos no mundo, mesmo perante as freqüentes oportunidades de exposição ao agente, a ampla distribuição geográfica, e a alta incidência da enfermidade nos animais domésticos. A transmissão ocorre por contato com animais enfermos ou material infeccioso, através de lesões mínimas, por exemplo, arranhões e erosões da pele, pelos quais o vírus penetra no organismo ou pela ingestão de leite não pasteurizado. A contaminação humana devido à ingestão de carnes e produtos cárneos não foi comprovada. A transmissão entre seres humanos também não foi relatada.

A infecção no homem pode ocasionar uma enfermidade clinicamente aparente ou pode ser assintomática, diagnosticada apenas por provas sorológicas. Acredita-se que para produzir a infecção em humanos, deva haver exposição massiva ou causas predisponentes que alterem a suscetibilidade do indivíduo. É de caráter benigno e o período de incubação varia de 2 a 8 dias, sendo a evolução da doença similar à dos animais.

Na fase inicial observa-se febre, dor de cabeça e anorexia. A vesícula primária aparece no local de penetração do vírus e logo se generaliza, com formação de aftas secundárias na boca, mãos, e pés. Quando não há contaminação bacteriana secundária, o paciente se restabelece em cerca de duas semanas. Clinicamente a aftosa pode ser confundida com outras enfermidades vesiculares, por este motivo, invalida qualquer diagnóstico realizado apenas com base clínica, sem a confirmação laboratorial. É importante salientar que apenas 40 casos foram documentados com isolamento e identificação ou pela comprovação de anticorpos no sangue de

docsity.com

pessoas recuperadas. E a maior parte desses casos foram registrados na Europa, onde as fontes mais freqüentes de infecção decorreram de acidentes de laboratório e infecção em ordenhadores, que foram expostos por contato direto, através de feridas cutâneas da mão durante a prática da ordenha de animais infectados. Há poucos registros de enfermidade por ingestão de leite cru, infecção adquirida em matadouros, e por manejo de animais doentes durante a colheita de material infeccioso.

A prevenção da enfermidade no homem, consiste, sobretudo no controle da enfermidade nos animais domésticos. Para prevenção individual, recomenda-se proteger as feridas ou abrasões das pessoas em contato com animais enfermos ou com materiais contaminados com o vírus e pasteurizar ou ferver o leite.

As pessoas podem ter um papel muito importante na transmissão mecânica do vírus aos animais, pelas vestimentas, calçados e mãos contaminadas, uma vez que o vírus pode sobreviver durante vários dias no meio ambiente.

Fatores de risco

Estudos epidemiológicos determinaram claramente a existência de ecossistemas diferentes que proporcionam as condições necessárias para a manutenção do vírus. Assim, áreas de exploração extensiva, possuem todos os elementos para que o agente se mantenha em atividade através dos tempos, com surgimento de epidemias em determinadas épocas, levando à falsa conclusão de que a doença possui características cíclicas de apresentação.

Na realidade, uma série de fatores sócio-econômicos determina sua ocorrência. Todos estes fatores podem ser controlados e em prazos variáveis. Um país ou região pode alcançar sua erradicação de forma natural a exemplo de vários países europeus e vários países sul americanos, onde a aplicação de programas com rigoroso controle de trânsito, controle de focos, vacinação e educação sanitária, permitiu alcançar a erradicação com uma relação custo/benefício bastante positiva.

Porém, o mais difícil no mundo atual globalizado, é manter a condição sanitária alcançada, pois exige a constante realização de atividades de vigilância sanitária. Exemplos desta dificuldade puderam ser demonstrados pela reintrodução do vírus no Japão, no Reino Unido, na França, na Holanda, na Argentina, no Uruguai e no Sul do Brasil nos anos de 2000 e 2001.

Recentemente assistimos ao primeiro caso da enfermidade registrado em 2004 na cidade de Monte Alegre – Pará, área distante a 700 km da zona livre de febre aftosa. E mais uma vez os importadores valeram-se do fato para justificar a suspensão, mesmo que por pouco tempo, da compra da carne bovina brasileira. E o segundo foco registrado no município de Careiro da Várzea, próximo a Manaus, a 500 km da atual zona livre de aftosa com reconhecimento

docsity.com

internacional. Estes focos servem de sinal de alerta para os pecuaristas brasileiros atentos e cientes de suas responsabilidades, quanto à vacinação do rebanho.

As causas de reintrodução mais freqüentes são o contato com animais suscetíveis de países vizinhos que ainda tenham a doença, o ingresso de animais, produtos e sub-produtos de origem animal, legal ou ilegalmente, através de portos, aeroportos e fronteiras, ingresso de pessoas de países contaminados, ingresso de meios de transportes contaminados e falhas nas medidas de biocontenção de laboratórios que manipulam o agente.

Com relação a produtos e subprodutos, o único procedimento que pode garantir a ausência de risco de transmissão do vírus da febre aftosa, por carnes provenientes de regiões infectadas, é o tratamento térmico do produto. Com relação a carnes in natura, ainda que o processo de maturação garanta a eliminação do vírus nas carnes bovinas, o processo normal de abate e desossa é incapaz de assegurar a ausência completa de gânglios, coágulos sangüíneos ou fragmentos ósseos, nos quais o vírus persiste. Desta maneira quanto mais elaborado seja o produto in natura comercializado, nos quais a probabilidade de existência de gânglios, grandes vasos ou fragmentos ósseos seja mínima, menor será o risco de transmissão viral.

Recomenda-se que, ainda no destino, seja realizado o processamento térmico e destruição de todos os resíduos da industrialização, evitando-se que estes possam ser acessíveis a animais susceptíveis, particularmente suínos, que se infectam com dose reduzida de vírus e excretam em maiores quantidades que os ruminantes.

Parece que todos os serviços sanitários que alcançaram a erradicação, contaminam-se pela sensação de que tudo acabou e não há mais motivo para se preocupar com a possível reincidência da doença. Estabelece-se a falsa idéia de que, uma vez erradicada, a enfermidade não voltará jamais. Com isso, cometeu-se um grave erro ao permitir o desmantelamento das estruturas de atenção veterinária, principalmente em relação à vigilância epidemiológica. São raros os exemplos de programas que obtiveram sucesso na erradicação da enfermidade e que mantiveram, após esta difícil etapa, a realização de uma vigilância sistemática.

Desta forma, os programas de erradicação, devem ter em conta o seguimento do processo com programas de prevenção, mantendo um serviço veterinário oficial estruturado e a participação efetiva da comunidade diretamente envolvida. Como parte deste processo o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento realiza estudo sorológico anual para detecção de anticorpos do vírus da Febre aftosa em propriedades rurais em Estados reconhecidos como áreas livres da doença no Brasil. Este procedimento periódico é uma exigência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e busca comprovar a ausência da chamada atividade viral nas regiões de maior risco de reintrodução da aftosa nesses Estados. Esta ação é mais um requisito para manter a condição sanitária internacional conquistada pelo Brasil, que tem atualmente o reconhecimento da OIE como área livre da doença com vacinação em 15 estados brasileiros (Figura 1).

docsity.com

| |

FIGURA 1

FONTE: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) |

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) |

A estratégia do programa nacional considera a implantação gradativa de zonas livres, de acordo com as regras definidas pela OIE para os processos de zonificação e regionalização, visando conquistar em futuro próximo todo o País como livre desta doença.

Avanços

O conjunto de esforços visando integrar o trabalho de todos os segmentos da agropecuária tem permitido um avanço sustentável para alcançar a erradicação da enfermidade em uma vasta área do país, compreendida pelo Estado de Santa Catarina, considerada internamente como zona livre de aftosa sem vacinação, e pelos Circuitos Sul, Centro-Oeste e Leste, reconhecidos pelo Escritório Internacional de Epizootias, OIE, como zona livre de aftosa com vacinação.

A erradicação da febre aftosa abre perspectivas para uma maior rentabilidade das empresas e famílias rurais, cria oportunidade para o crescimento da produção animal com melhores fluxos de distribuição, acesso e disponibilidade de produtos pecuários, imprescindíveis para a segurança alimentar e nutrição das populações humanas, em especial as carentes, pois estas padecem de desnutrição. Atende ainda, o mercado global que privilegia e valoriza a qualidade e segurança sanitária dos produtos de origem animal. A incorporação de vários países onde a atividade pecuária é importante, ao circuito livre de febre aftosa, seguramente incidirá numa reestruturação do mercado mundial de carnes, com mudanças na oferta dos produtos e ajustes dos custos e preços internacionais.

Grupo Interamericano para a Erradicação da Febre Aftosa

GIEFA

Situação da Febre Aftosa na região

Revisou-se a situação sanitária da Febre Aftosa (FA) do Continente. Têm a condição de

livre sem vacinação, os territórios da América do Norte, América Central e Caribe, assim

também como Chile, Guyana, Guyana Francesa, o território da Argentina ao sul do

paralelo 42 e a zona do Chocó na Colômbia. Por outra parte, estão com a condição de

livre com vacinação : Uruguai, 15 Estados do Brasil, La Chiquitanía na Bolívia e a costa

docsity.com

atlântica da Colômbia. (Mapas 1 e 2). No resto dos territórios da América do Sul, a situação durante 2003 foi a seguinte: houve ocorrência de só um foco de FA na Argentina e Paraguai em áreas marginais e se registraram situações de emergências, por brotes de FA, na Bolívia e Venezuela. A enfermidade continuou apresentando-se em forma endêmica no Equador.

Identificaram-se como vírus FA atuantes os tipos A (Paraguay e Venezuela) e O

(Argentina, Bolívia, Paraguai, Equador e Venezuela). Mantém-se a ausência de detecção do vírus C, cujo último registro de ocorrência foi em 19951. De acordo as análises realizadas por PANAFTOSA, os vírus A y O detectados se situam dentro das cepas endógenas da região, com exceção do vírus tipo A identificado no Paraguai, o qual tem estreita relação com a cepa vacinal A24/Cruzeiro/Bra/55. No caso do foco reportado por Argentina (Tartagal/Salta), se realizou identificação sorológica de vírus tipo O, não se podendo obter isolamento. Até a presente data, durante 2004, a situação de FA é a seguinte: se mantém a situação de brotes na Venezuela e Equador, mantendo a situação de risco de FA para os países vizinhos. Detectaram-se focos de FA no Peru, depois de cerca de três anos de ausência, provavelmente de origem extra fronteira. Também se detectou um foco no Estado do Pará no noroeste do Brasil. No resto dos territórios não se registrou presença da enfermidade.

Focos de Febre Aftosa reportados 2001, 2002, 2003 e 2004 (até 3 de Julho*)

Mapa 1

* Foco de aftosa tipo C en Careiro da Várzea, Estado de Amazonas, Brasil.

Proposta de categorização dos programas de erradicação da Febre Aftosa e da

situação sanitária dos países

Elaborou-se uma proposta de caracterização dos programas de FA como forma de classificar a condição de funcionamento dos programas de FA e da situação da enfermidade a nível de unidades territoriais definíveis. Por razões de disponibilidade de informação e de facilidade de manejo se propõe que a unidade territorial base da classificação seja a primeira divisão administrativa de cada país.

As categorias propostas são as seguintes:

docsity.com

Categorias para o Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa

• Livre: livre sem vacinação (segundo requerimentos da Organização Mundial de

Saúde Animal – OIE)

• Livre com vacinação: livre com vacinação (segundo requerimentos da

Organização Mundial de Saúde Animal – OIE)

• Nível 1: Áreas de risco baixo

• Nível 2: Áreas de risco intermediário

• Nível 3: Áreas de risco alto ou desconhecido

Ações Estratégicas Gerais

Analisaram-se os documentos básicos preparados por PANAFTOSA e os gerados no marco da Conferência de Houston. Com base nestes documentos estabeleceram-se os seguintes critérios de ação prioritária.

• Melhorar o sistema de reporte de focos de FA

- Apoiar a coordenação entre PANAFTOSA e OIE

• Fortalecimento da rede de laboratórios de diagnóstico (ênfase em diagnóstico diferencial)

• Criação de bancos de vacina e/ou antígeno

• Melhorar os sistemas de prevenção/resposta de emergência (sorotipos exóticos ou emergentes do vírus da FA)

• Caracterização epidemiológica sobre a presença/ausência do vírus tipo C

• Planejamento de reuniões do grupo GIEFA (completo e Grupo Executivo)

• Desenvolvimento dos níveis do programa (detalhes da tabela guia) pelo GIEFA

Ações Estratégicas para Equador, Venezuela e áreas de Bolívia

Em consideração à situação sanitária e o desenvolvimento dos programas em zonas críticas se estabeleceu um conjunto de atividades específicas, as que se resumem a continuação:

• Visitas do GIEFA antes de 15 de Agosto

docsity.com

- Venezuela: E. Correa, J. Naranjo, S. Guedes

- Equador: E. Correa, J. Giraldo, V Saraiva

• Designação de Coordenadores regionais para

- Equador: em Quito

- Bolívia: em Santa Cruz

• Caracterização da situação epidemiológica nas áreas críticas, considerando o estado das seguintes ações: (em relação aos estandartes do programa)

- Antecedentes epidemiológicos

- Vacinação

- Controle de movimentos

- Atenção das denúncias de focos

- Sistema de informação

- Comunicação social/Educação sanitária

- Legislação e regulações

- Auditoria interna

- Planejamento

- Participação do setor privado

- Diagnóstico de laboratório

- Cadastros de prédios

- Sistemas de prevenção

- Incentivar a formalização do comércio pecuário em relação ao risco da área

• Propostas de ações específicas de acordo à caracterização da cada área afetada

- Ações de responsabilidade nacional

- Ações com participação/coordenação do GIEFA

Conclusão

docsity.com

Após os dados analisados no contexto Febre Aftosa, chegamos a conclusão de que só conseguiríamos viver livre dessa enfermidade se todos os países vizinhos começassem um programa de erradicação tão eficaz quanto o brasileiro; que incluem processos de vacinação e eliminação dos focos da doença. Fazendo assim, que tenhamos um rebanho livre e saudável destinado a consumo humano.

Referências Bibliográficas

Olacoaga, R.C.; Gomes, I.; Rosenberg, F.; De Mello, P.A.; Astudillo, V.; Magallanes, N. Fiebre Aftosa. Editora Atheneu, 1999, 458p.

Acha P.N.; Szyfres, B. Zoonosis y enfermidades transmisibles comunes al hombre y a los animales. Publicação nº 503 da Organização Panamericana de Saúde. 1986, 989p.

Darsie, G.C. Febre Aftoa: eventos recentes na Europa e na América Latina. In: Reunião Anual do Instituto Biológico, 14., 2001, São Paulo. Arquivos do Instituto Biológico, v. 68 (supl.), 2001

EMBRAPA – São Paulo e Rio Grande Do Sul

docsity.com

comentários (0)
Até o momento nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Docsity is not optimized for the browser you're using. In order to have a better experience we suggest you to use Internet Explorer 9+, Chrome, Firefox or Safari! Download Google Chrome