Filo Annelida - Apostilas - Biologia, Notas de estudo de Biologia. Centro Universitario Nove de Julho (UNINOVE)
Jose92
Jose9214 de Março de 2013

Filo Annelida - Apostilas - Biologia, Notas de estudo de Biologia. Centro Universitario Nove de Julho (UNINOVE)

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Apostilas de Biologia sobre o estudo do Filo Annelida, vantagens do celoma, diversidade, Sistema circulatório.
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Protostomados: fi lo Annelida

Ao fi nal desta aula, o aluno deverá ser capaz de:

• Conhecer as vantagens funcionais relacionadas à presença de um celoma.

• Conhecer os aspectos gerais da arquitetura corporal e fi siologia do fi lo Annelida.

Pré-requisitos

Aulas 1 a 13. Disciplina Introdução à Zoologia.

Noções básicas de Citologia e Histologia. Noções básicas de diversidade

e fi logenia dos animais.

14AULA

ob jet ivo s

Diversidade Biológica dos Protostomados | Protostomados: fi lo Annelida

8 CEDERJ

INTRODUÇÃO Na aula anterior, você estudou a lógica utilizada nas chaves de identifi cação,

revisou vários assuntos importantes estudados nas Aulas 1 a 12 e aprendeu

a construir uma chave de identifi cação. Nesta aula, estudaremos algumas

características interessantes dos animais que formam o fi lo Annelida.

Antes de abordarmos as particularidades da arquitetura corporal e fi siologia

do fi lo Annelida, estudaremos duas interessantes características desses animais.

Como você já revisou na Aula 13, todos os animais estudados até agora

não possuem um celoma verdadeiro. Por isso, são chamados acelomados e

pseudocelomados. O fi lo Annelida será o primeiro grupo de animais eucelomados

(ou seja, que possuem um celoma verdadeiro) a ser abordado no nosso curso.

Associada à presença do celoma, há outra característica do fi lo Annelida

que traz vantagens para esses animais, a metameria, ou seja, a segmentação

do corpo em compartimentos semelhantes.

VANTAGENS FUNCIONAIS DO CELOMA E DA METAMERIA

O CELOMA é uma cavidade corporal preenchida por um fl uido

(o fl uido celômico). Este facilita o transporte interno de substâncias,

tornando-o mais efi ciente.

A presença de um celoma verdadeiro confere algumas vantagens

funcionais aos animais. Por exemplo, a separação entre o tubo digestivo e

a parede corporal permite que o animal se movimente independentemente.

Em outras palavras, o animal pode se virar, por exemplo, sem empurrar

o alimento que se encontra dentro do tubo digestivo, o que aconteceria

se este estivesse preso à parede corporal.

O surgimento dessa cavidade corporal também permitiu o desenvol-

vimento de vários órgãos, como as gônadas e órgãos excretores, que se

localizam no interior do celoma.

Provavelmente, a principal função do celoma e de seu fl uido é servir

como um esqueleto hidrostático, o qual fornece o apoio para a contração

muscular. A interação entre a musculatura e o esqueleto hidrostático

permite a movimentação mais efi ciente do animal.

CE L O M A

Cavidade corporal interna que se forma no mesoderma durante o período embrionário. Difere- se do pseudoceloma por estar rodeado de um revestimento mesodérmico (retorne às Aulas 1 e 9 deste curso e à Aula 17 do curso Introdução à Zoologia para rever os conceitos sobre cavidade corporal).

CEDERJ 9

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D U

LO 3

1 4Apesar de apresentar uma estrutura corporal vermiforme, como

outros animais já estudados nas aulas anteriores, a maioria dos anelídeos

possui um corpo formado por uma série de segmentos repetidos. Em

geral, cada segmento é formado por um conjunto de estruturas, pele,

musculatura circular e longitudinal, e sistemas, como o reprodutivo,

o nervoso, o excretor e o circulatório (Figura 14.1). Essa série de conjuntos

de órgãos e estruturas é chamada segmentação metamérica, metameria ou

metamerização e cada segmento é conhecido por metâmero. Os segmentos

(metâmeros) estão separados uns dos outros por septos, que são fi nas

camadas de tecido de origem mesodérmica (peritônio) (Figura 14.1). Cada

segmento tem a sua porção de líquido celômico, que não passa livremente

para os outros segmentos, pois é contida pelos septos.

Figura 14.1: Metameria em um anelídeo típico, ilustrando a repetição dos sistemas em cada segmento.

nefridial

Diversidade Biológica dos Protostomados | Protostomados: fi lo Annelida

10 CEDERJ

A metameria também está associada à efi ciência na locomoção.

Em cada metâmero pode ocorrer uma movimentação independente, pois

a musculatura presente nesse segmento age contra o fl uido nele contido,

ou seja, seu esqueleto hidrostático. Isso permite a deformação localizada

da parede corporal externa resultante da ação da musculatura circular

e longitudinal do segmento.

A separação do corpo em vários conjuntos funcionais também

é vantajosa porque permite a continuidade do seu funcionamento quando um

segmento for danifi cado. Assim, se um anelídeo sofrer um dano em um ou

poucos segmentos, o resto do corpo permanece funcionando normalmente.

Como o animal mantém o seu metabolismo, a rápida reparação do conjunto

danifi cado é também facilitada.

DIVERSIDADE NO FILO ANNELIDA

Agora que já apresentamos essas duas importantes características

do fi lo Annelida (do latim, annelus = pequeno anel + -ida = sufi xo

denotando plural), vamos abordar as classes que o compõem e outras

características gerais.

O fi lo Annelida é um grupo de animais tipicamente protostomados.

Assim sendo, podemos relembrar as informações contidas nas Aulas 1 e 2 e

caracterizar os anelídeos quanto ao nível de organização, simetria, formação

da cavidade corporal e tipo de desenvolvimento embrionário (clivagem e

formação do ânus e da boca).

Os anelídeos possuem um nível de organização orgânico-sistêmico,

que apresenta o maior grau de complexidade. Nesses animais, o nível

de organização é tal que os órgãos trabalham juntos para realizar alguma

função. Dessa forma, as funções básicas do corpo de um anelídeo, como

a circulação, a respiração, a digestão, a reprodução e a excreção são

exercidas por sistemas.

CEDERJ 11

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LO 3

1 4Tais sistemas tornaram-se necessários devido ao aumento

do tamanho do corpo e, conseqüentemente, da complexidade dos

anelídeos. O surgimento de um celoma verdadeiro está relacionado a

esses dois fatores. O celoma, como já vimos, é um espaço entre a parede

corporal e o tubo digestivo. A sua presença permitiu o desenvolvimento

de órgãos internos. Dessa forma, o volume corporal dos anelídeos

cresceu mais que a sua superfície e, portanto, um sistema de transporte

de substâncias tornou-se essencial para suprir os tecidos mais internos

com nutrientes (oxigênio e alimentos) e retirar as substâncias indesejadas,

os restos metabólicos (excretas).

Os anelídeos possuem o corpo alongado (vermiforme). Como

vimos nas aulas anteriores, na arquitetura corporal de um verme,

a simetria bilateral é estabelecida e o arranjo corporal passa a ser dorsal

e ventral. Também, como conseqüência dessa forma do corpo, tal

simetria propiciou a cefalização, ou seja, o acúmulo de células nervosas

na extremidade anterior do animal. Essa é mais uma característica

presente no fi lo Annelida.

Figura 14.2: Formação esquizocélica do celoma de anelídeos, evidenciando a formação de novos metâmeros e o sentido do crescimento corporal.

O celoma dos anelídeos é formado a partir

de fendas que se abrem no mesoderma. Esse

processo de formação é chamado esquizocelia

e, na maioria dos anelídeos, está associado

à metameria (Figura 14.2) (retorne ao assunto

lendo mais uma vez a Aula 2 do nosso curso

e a Aula 17 do curso Introdução à Zoologia).

A clivagem dos anelídeos é espiral, holo-

blástica e determinada (reveja o assunto na Aula 2)

e a boca é formada primeiramente no embrião, a

partir do blastóporo. Por essa característica, os

anelídeos são considerados protostomados.

C d

Diversidade Biológica dos Protostomados | Protostomados: fi lo Annelida

12 CEDERJ

Annelida está subdivido em quatro classes:

e Polychaeta: com cerca de 63% das espécies do filo

oximadamente 10.000 espécies) (Figuras 14.3 e 14.4).

Classe Clitellata: formada pelas subclasses Oligochaeta (com

cerca de 3.500 espécies, representando mais que 85% da

classe) e Hirudinea (com cerca de 630 espécies) (Figuras

14.3 e 14.4).

• Classe Pogonophora: formada por cerca de 120 espécies

(Figuras 14.3 e 14.4).

• Classe Echiura: formada por cerca de 140 espécies (Figuras

14.3 e 14.4).

A classe Polychaeta (do grego, poly = muitas + chaeta =

omposta, em sua maioria, por animais marinhos. As espécies

racterizam por possuir muitos feixes de cerdas distribuídos

ao longo do corpo (como o seu nome diz) e pela concentração de órgãos

sensoriais na região cefálica. Os poliquetas caracterizam-se também por

apresentar uma série de expansões laterais, chamadas parapódios (Figura

14.4.a), que auxiliam na locomoção e estão envolvidos na troca gasosa,

pois são bastante vascularizados. A classe está muito bem representada

em diversos ambientes marinhos, em várias latitudes e profundidades.

A classe Clitellata (do latim, clitellae = sela, A L B A RD A+ -ata =

portador) é formada pelas populares minhocas (subclasse Oligochaeta)

e pelas sanguessugas (subclasse Hirudinea). A classe se caracteriza por

possuir uma pronunciada região glandular, chamada clitelo (Figura 14.4),

que exerce importante papel na reprodução.

A subclasse Oligochaeta (do grego, oligo = pouco + chaeta =

cerdas) se caracteriza por possuir poucas cerdas ao longo do corpo (ao

contrário dos poliquetas). Apenas 6,5% das espécies são marinhas,

estando a maior parte das espécies distribuída em ambientes de água

doce e terrestre. Ao contrário dos poliquetas, não ocorre o acúmulo

de órgãos sensoriais na região cefálica das minhocas (oligoquetas)

nem projeções ao longo do corpo. Assim, a aparência geral do corpo de

uma minhoca é de um cilindro anelado e uniforme, exceto pela região

do clitelo (Figura 14.4.b).

Figura 14.3: Proporção estimada das classes do filo Annelida. A classe Clitellata está escurecida e suas duas subclasses estão representadas.

AL B A RD A

Sela grosseira, enchumaçada de palha, para bestas de carga. No caso dos anelídeos, o termo “sela” refere- se, por analogia, à porção diferenciada do corpo, onde há a fusão de segmentos, o clitelo (Figura 14.4.b e c).

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LO 3

1 4

Bo

us

Canal do

bóscide

Parapódios

a

c

d

e

us

Prostômio

Região bucal

Pe

Ventosa posterior

lo

Poro genital masculino

Poro genital feminino

Lóbulo cefálico

S a

C

Papila istossoma

Figura 14.4: Representantes das classes do fi lo Annelida: (a) classe Polychaeta; (b) classe Clitellata (subclasse Oligochaeta); (c) classe Clitellata (subclasse Hirudinea); (d) classe Pogonophora; (e) classe Echiura.

Diversidade Biológica dos Protostomados | Protostomados: fi lo Annelida

14 CEDERJ

A subclasse Hirudinea (do latim, hirudo = sanguessuga) se asse-

melha aos oligoquetas por não possuir qualquer prolongamento ao longo

do corpo (como os parapódios dos poliquetas) ou o acúmulo de órgãos

sensoriais na região cefálica. As sanguessugas também possuem clitelo e

são hermafroditas, como as minhocas. A maioria dos hirudíneos habita

o ambiente de água doce e terrestre (como os oligoquetas) e apenas

poucas espécies são marinhas. Ao contrário dos poliquetas e oligoquetas,

os hirudíneos não possuem cerdas no corpo e a divisão corporal em

segmentos (segmentação metamérica) não é perfeita, pois não há septos

internos. O que mais chama a atenção no corpo cilíndrico e anelado de

uma sanguessuga são as ventosas, presentes nas suas duas extremidades

(Figura 14.4.c). A maioria dos hirudíneos é ectoparasita e se alimenta de

sangue de outros invertebrados ou vertebrados (o que é mais comum). As

ventosas estão envolvidas na locomoção do animal, atuando na sua fi xação

ao substrato (Figura 14.5) ou na alimentação, quando há o ancoramento

no corpo do hospedeiro.

a

b

c

Figura 14.5: Locomoção nos anelídeos. (a) Ondas laterais em um poliqueta, formadas por contração e relaxamento alternado da musculatura longitudinal e circular; (b) ondas peristálticas em um oligoqueta, formadas pela alternância da contração da musculatura longitudinal (regiões das barras cinzas) e circular (regiões das barras pretas); (c) deslocamento típico em um hirudíneo, que utiliza a ventosa posterior para o primeiro ancoramento, estica o corpo e fi xa a ventosa anterior no substrato para depois encolher o corpo, locomovendo-se para a frente.

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1 4A classe Pogonophora (do grego, pogon(o) = barba + phoros =

portador) é composta por 120 espécies marinhas, que vivem, em sua

maioria, em grandes profundidades (centenas a poucos milhares de metros).

O conhecimento sobre a biologia desse grupo ainda é relativamente

pequeno, pois, ao contrário dos outros anelídeos, as primeiras espécies

de pogonóforos só foram descritas recentemente, no início do século

XX. O corpo dos pogonóforos possui pequenas semelhanças com os

outros anelídeos, pois apenas em sua porção mais posterior há uma

região anelada, o opistossoma (Figura 14.4.d). Na extremidade anterior,

encontram-se o lóbulo cefálico, a área glandular e os numerosos tentáculos

ciliados, que inspiraram o nome da classe por se assemelharem a uma

barba (Figura 14.4.d). Os pogonóforos vivem em tubos quitinosos que são

secretados na área glandular. Apesar de sedentários, podem se movimentar

livremente dentro do tubo. O tronco forma a maior parte corporal de um

pogonóforo (Figura 14.4.d). Ao contrário dos outros anelídeos, o tronco

dos pogonóforos possui duas cavidades celômicas contínuas e, portanto,

não é segmentado.

A classe Echiura (do grego, echis = serpentiforme) é composta por

animais em forma de salsicha, que não apresentam segmentação durante

a fase adulta e, por isso, não foram considerados como anelídeos por

muito tempo. A segmentação do corpo é evidenciada apenas durante

a fase do desenvolvimento embrionário. Sua posição dentro do fi lo

Annelida ainda é controvertida.

Os equiúros são animais relativamente pequenos (variam entre alguns

milímetros e aproximadamente 8cm) que vivem em sedimentos marinhos

lamosos ou arenosos em pequenas profundidades. Poucas espécies podem

ser encontradas em fundos rochosos. A estrutura corporal mais evidente

dos equiúros é a probóscide (Figura 14.4.e), que consiste em uma porção

muscular ciliada ventralmente e muito extensível, podendo alcançar até

25 vezes o tamanho do animal. A probóscide é uma projeção cefálica que

contém o cérebro e está envolvida na obtenção de alimento. O batimento

dos seus cílios cria uma corrente que desloca os sedimentos para a boca, que

está localizada na base da probóscide. Acredita-se que esta tenha a mesma

origem evolutiva que o prostômio dos outros anelídeos, o que contribui para

a hipótese de parentesco e inclusão do grupo no fi lo Annelida.

Outras particularidades de cada classe serão abordadas na Aula 16.

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16 CEDERJ

ASPECTOS DA FISIOLOGIA DO FILO ANNELIDA

Sistema circulatório

Como vimos anteriormente, o surgimento do celoma ocasionou

o aumento do volume e, conseqüentemente, da complexidade corporal.

Portanto, nos anelídeos, passou a ser necessário um sistema de transporte

mais efi ciente que pudesse unir as regiões de obtenção e demanda de nutrientes,

levando com rapidez as substâncias essenciais para o metabolismo e retirando

aquelas que restaram após o processo metabólico (as excretas). Você pode

imaginar uma situação semelhante se comparar a necessidade de um sistema

de transporte para uma cidade pequena e para outra grande. Na cidade

pequena, menos complexa, as distâncias a serem percorridas pelos seus

habitantes são bem menores do que na cidade grande. Esses habitantes

podem se deslocar a pé ou de bicicleta, que chegarão em um tempo adequado

para cumprir seus compromissos e, assim, manterão a cidade funcionando.

Ao contrário, na cidade grande, as distâncias entre a moradia e o trabalho

dos habitantes, freqüentemente, são muito maiores e torna-se necessário um

sistema de transporte de massa (ônibus, trem ou metrô) para garantir que os

habitantes cheguem em um tempo adequado para cumprir as suas funções.

Em geral, os anelídeos têm um sistema circulatório fechado,

que consiste em dois vasos sangüíneos principais (um dorsal e outro

ventral) ligados por uma rede de capilares. O vaso sangüíneo dorsal conduz

o sangue para a região anterior, enquanto o vaso ventral leva o sangue

para a região posterior (Figura 14.6). O fl uxo unidirecional do sangue é

garantido pela presença de válvulas nesses vasos sangüíneos. O fl uxo do

sangue é mantido pela contração dos próprios vasos, principalmente o

dorsal. Isso ocorre na maioria dos anelídeos.

Apenas os pogonóforos têm uma estrutura (tipo de coração)

especializada na propulsão do sangue. Entre as sanguessugas (subclasse

Hirudinea), esse tipo de sistema circulatório fechado está muito reduzido

ou mesmo não existe. Nesses animais, o fl uido celômico é responsável pela

circulação, seja integralmente ou parcialmente. O fl uido alcança os tecidos

internos pelos canais e seios celômicos, presentes nos hirudíneos.

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1 4

Outra característica importante do sistema circulatório dos

anelídeos é a presença de P IGMENTOS RESP IRATÓRIO no sangue da maioria

dos poliquetas, oligoquetas, hirudíneos e em todos os pogonóforos.

Não há pigmentos respiratórios no sistema circulatório dos equiúros, mas

estes estão presentes no fl uido celômico. A hemoglobina é o pigmento mais

comum, mas também ocorrem dois outros pigmentos, a clorocruonina e a

hemeritrina. Esses pigmentos podem ocorrer simultaneamente no sangue

de um anelídeo. Há mais de um tipo de hemoglobina, mas em todos há

uma ligação das moléculas de oxigênio com os átomos de ferro presentes

na molécula desse pigmento. Como a hemoglobina, a clorocruonina

também contém ferro em sua molécula, mas, apesar de ser quimicamente

semelhante à hemoglobina, este pigmento possui uma coloração esverdeada

e encontra-se dissolvido no sangue.

A hemeritrina ocorre, no mínimo, em uma espécie de poliqueta.

Este pigmento é estruturalmente diferente dos outros dois e se encontra

dentro de células, e não em solução no sangue.

Figura 14.6: Organização das estruturas internas de um anelídeo típico.

PI G M E N T O S RE S P I R A T Ó R I O

Substâncias responsáveis pelo

transporte de gases, pois possuem grande

afi nidade química com o oxigênio e o

gás carbônico. Podem estar ligadas a algum corpúsculo sangüíneo

(hemácias) ou em solução no sangue.

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18 CEDERJ

Sistema nervoso e órgãos dos sentidos

O sistema nervoso da maioria dos anelídeos (classes Polychaeta e

Clitellata) é formado por um cordão nervoso ventral e uma agregação de

tecido nervoso na região anterior (Figuras 14.1, 14.6 e 14.7). Esse acúmulo

forma o gânglio cerebral (um tipo de “cérebro” simplifi cado), que, nos

poliquetas, está conectado com alguns órgãos sensoriais da região cefálica

(anterior) como os olhos e os órgãos nucais. Os olhos dos poliquetas

não produzem imagens, mas são sensíveis às alterações de luminosidade.

Os órgãos nucais são fendas ou depressões ciliadas que possuem muitas

terminações nervosas e estão associadas às funções quimiorreceptoras.

Em algumas espécies, os órgãos nucais são internos e pequenos, sendo

evidenciados apenas por cortes histológicos. Em outras espécies, os órgãos

nucais são retrácteis.

O cordão nervoso de um anelídeo típico (classes Polychaeta e Clitellata)

possui gânglios em cada segmento (Figura 14.7) e projeções nervosas

que se estendem para a parede corporal (conectando-se às musculaturas

longitudinais e circulares e a receptores tácteis) e para o tubo digestivo.

Os impulsos nervosos controlam a contração e o relaxamento muscular,

o que possibilita a movimentação sincronizada em ondas laterais (no caso

dos poliquetas errantes) ou em ondas peristálticas (no caso de oligoquetas e

poliquetas tubícolas) (Figura 14.5).

Geralmente, no cordão nervoso dos anelídeos, há algumas poucas

células muito mais grossas que as demais. Estas são chamadas neurônios

gigantes e podem transmitir um impulso nervoso até mil vezes mais

rápido do que as outras fi bras nervosas. Essa capacidade é funcionalmente

importante, pois permite uma rápida resposta a um estímulo externo

(de um predador, por exemplo), resultando na contração simultânea e

coordenada da musculatura ao longo do corpo.

Na classe Pogonophora, há um cérebro na região anterior, um cordão

nervoso ventral e um par de gânglios em cada segmento do opistossoma.

Provavelmente, os rápidos movimentos de recolhimento do corpo para

dentro do tubo são coordenados por neurônios gigantes.

Na classe Echiura, o sistema nervoso está limitado a um cordão

nervoso ventral e um anel nervoso ao redor do esôfago. Não existem

gânglios nervosos evidentes e as únicas células sensoriais localizam-se

na probóscide.

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1 4

Figura 14.7: (a) Olhos e sistema digestivo da região anterior de um poliqueta; (b) sistema digestivo e nervoso da região anterior de um oligoqueta.

Sistema digestivo

O sistema digestivo de um anelídeo típico é formado por um tubo

digestivo linear que se estende ao longo do corpo. O tubo digestivo é completo,

ou seja, inicia-se na boca e termina no ânus. Entretanto, o tubo digestivo

não é segmentado, isto é, passa através de cada septo ao longo do corpo

(Figuras 14.1, 14.6).

O alimento é conduzido para as regiões posteriores por intermédio

do batimento de cílios ou por contrações peristálticas da musculatura

corporal. A digestão é extracelular na maioria das espécies, podendo ser

intracelular em uma minoria.

O tubo digestivo dos equiúros (classe Echiura) é longo e bastante

enrolado dentro da cavidade celômica. Nos pogonóforos (classe Pogonophora),

ao contrário, não há tubo digestivo na fase adulta.

lh

Diversidade Biológica dos Protostomados | Protostomados: fi lo Annelida

20 CEDERJ

Na classe Polychaeta, o tubo digestivo pode ser dividido em boca,

faringe, esôfago, intestino e reto. Em algumas espécies, há projeções

laterais do tubo digestivo que formam as chamadas glândulas digestivas

(Figura 14.7). Estas aumentam, consideravelmente, a superfície disponível

para a digestão e a absorção dos alimentos.

Na classe Clitellata, há algumas especializações do tubo digestivo,

como uma porção de armazenamento (o papo) e outra de trituração

(a moela). Na subclasse Hirudinea, há, geralmente, uma faringe musculosa

capaz de realizar fortes movimentos de sucção. Ligadas à faringe,

há glândulas salivares que produzem uma substância anticoagulante.

Em algumas espécies, há glândulas digestivas e papo.

Na subclasse Oligochaeta, geralmente, o trato digestivo é mais

especializado, dividindo-se em boca, faringe, esôfago, papo, moela,

intestino e ânus (Figura 14.7). O papo é especializado na estocagem dos

alimentos e a moela, com suas paredes formadas por forte musculatura

e cutícula, tem a função de triturar os alimentos. No esôfago, existem

glândulas calcíferas (Figura 14.7) que regulam a concentração de íons de

carbonato, controlando, dessa forma, o P H do sangue. Em muitas espécies

de minhocas terrestres, o intestino possui uma dobra (prega) longitudinal

da parede interna (chamada tifl ossole) que aumenta a superfície de contato

para a absorção de nutrientes. Associado ao intestino e ao vaso sangüíneo

dorsal das minhocas, há uma porção de tecido amarelado (chamado

cloragógeno) que atua no metabolismo de proteínas, carboidratos e

lipídios (gorduras) presentes nos alimentos ingeridos.

Excreção

O sistema excretor típico de um anelídeo (classes Polychaeta e Clitellata)

consiste basicamente em um conjunto de M E T A N E F R Í D I O S , distribuídos em

pares em cada metâmero (segmento) (Figuras 14.1 e 14.8). Um metanefrídio

é uma variação do protonefrídio que você estudou em vários grupos, como

nos fi los Platyhelminthes, Nemertea, Gastrotricha, Kinorhynca e Priapulida

(Aulas 6 a 12 deste curso). Apesar de ambos serem órgãos excretores, um

protonefrídio possui apenas uma abertura, como um saco, enquanto um

metanefrídio é um duto aberto nas duas extremidades. Algumas espécies de

poliquetas possuem protonefrídios, o que corrobora a idéia de pertencerem

às linhagens mais antigas dentro da classe.

P H (PO T E N C I A L H I D RO G E N I Ô N I C O)

Símbolo que representa o logaritmo decimal do inverso da atividade dos íons hidrogênio numa solução. Utilizado para expressar a acidez ou alcalinidade da solução, o pH varia em uma escala de 0 a 14, onde valores menores que 7 representam acidez; iguais a 7, a neutralidade e maiores que 7, a alcalinidade.

NE F R Í D I O

Órgão excretor de grande número de invertebrados, constituído de dutos ectodérmicos que penetram na cavidade celômica.

ME T A N E F R Í D I O

Tipo de nefrídio composto por uma estrutura em forma de funil ciliado (“bexiga”) que está ligado ao celoma (pelo nefróstoma), a um tubo e ao exterior do corpo (pelo orifício chamado nefridióporo).

CEDERJ 21

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LO 3

1 4O funcionamento de um metanefrídio consiste na retirada de restos

metabólicos (excretas) e excesso de água presentes no fl uido celômico.

Este é coletado pelo nefróstoma e conduzido, por batimentos ciliares,

até a porção mais larga do funil (bexiga), que está envolvida por capilares

sangüíneos (Figura 14.8). Nesse ponto, há a reabsorção seletiva de várias

substâncias, como sais, aminoácidos e água e a secreção ativa de excretas

para dentro do funil ciliado. Dessa forma, o líquido que entra pelo

nefróstoma (fl uido celômico antes da fi ltragem) difere em composição

daquele que sai do corpo do animal pelo nefridióporo (urina).

al

Vaso sangüíneo ventral

Figura 14.8: Sistema excretor típico de um anelídeo.

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22 CEDERJ

Reprodução

A grande maioria dos poliquetas possui sexos separados (isto é,

são dióicos) e liberam seus gametas na água. Após a fertilização externa,

forma-se uma larva do tipo trocófora, que permanecerá na coluna d’água

por um tempo variado (semanas a meses) até sofrer a metamorfose

e se transformar em um juvenil. O tempo da fase larvar varia bastante

dentro da classe. Muitas espécies são capazes de se reproduzir

assexuadamente, através da divisão do corpo, em um processo chamado

epitoquia. Você saberá mais detalhes desse processo na Aula 16.

As minhocas e sanguessugas (classe Clitellata) são hermafroditas

e realizam a fertilização cruzada entre dois indivíduos. Não há liberação

de gametas no ambiente, portanto, a fecundação dos ovos (ricos em

vitelo) ocorre dentro do corpo do animal.

Há pouca informação sobre a reprodução dos pogonóforos

e mesmo dos equiúros. As espécies de pogonóforos em que a reprodução

é conhecida são dióicas, possuem clivagem espiral e desenvolvem larvas

do tipo trocófora, como outros protostomados. Entretanto, a formação

celômica parece ser a que caracteriza os deuterostomados, ou seja,

enterocélica. Ainda são necessários mais estudos para esclarecer esse

ponto intrigante do desenvolvimento dos pogonóforos.

Os equiúros também são, geralmente, dióicos, liberam seus gametas

na coluna d’água e a fertilização ocorre externamente. Não há gônadas

individualizadas, os gametas são formados ao longo do peritônio e são

liberados pelos nefróstomas. Situação semelhante ocorre em algumas

espécies de poliquetas. O desenvolvimento embrionário dos equiúros é

essencialmente típico dos protostomados, culminando em uma larva do

tipo trocófora.

Respiração

A troca gasosa ocorre nos anelídeos através da parede corporal,

que é, em geral, bastante permeável. Entretanto, devido ao aumento

da complexidade corporal, como vimos anteriormente, a troca de gases

respiratórios por simples difusão pela parede do corpo não é sufi ciente

para manter o seu funcionamento.

CEDERJ 23

A U

LA

M Ó

D U

LO 3

1 4Em muitas espécies, especialmente de poliquetas, a troca gasosa

ocorre em expansões corporais especializadas, que possuem grande

vascularização de capilares sangüíneos, como é o caso dos parapódios dos

poliquetas. Os parapódios funcionam com brânquias e estão presentes

em grande número ao longo do corpo do animal.

Nas espécies de poliquetas que vivem em tubos (poliquetas

sedentários), há o desenvolvimento de tentáculos na região anterior que

possuem a função de brânquias, além de realizar a coleta de alimentos.

Nos pogonóforos e equiúros, não há nenhum órgão respiratório

evidente, exceto os tentáculos dos pogonóforos que devem realizar esta

função. Os oligoquetas e hirudíneos dependem da difusão de gases pela

parede corporal. Por isso, as espécies terrestres estão limitadas aos ambientes

úmidos e bem oxigenados, pois necessitam manter a parede corporal

umedecida para facilitar a absorção de oxigênio. A presença de vasos

sangüíneos próximos da parede do corpo e de pigmentos respiratórios no

sangue aumentam a efi ciência da troca gasosa e do transporte do oxigênio

para os tecidos mais internos.

Diversidade Biológica dos Protostomados | Protostomados: fi lo Annelida

24 CEDERJ

R E S U M O

Nesta aula, você aprendeu as importantes características do fi lo Annelida, como

as vantagens funcionais de um celoma verdadeiro, seja no aumento do volume

corporal (possibilitando o desenvolvimento de órgãos internos), seja na atuação

do esqueleto hidrostático (fornecendo o apoio para a contração muscular).

Outra característica importante dos anelídeos é a divisão do corpo em segmentos

semelhantes (metameria), presente na maioria das espécies do fi lo. Cada segmento

é dividido por septos e possui uma porção semelhante de órgãos e sistemas

funcionais.

O filo Annelida está dividido em quatros classes (Polychaeta, Clitellata,

Pogonophora e Echiura), a maioria das espécies incluídas nas classes Polychaeta

e Clitellata (especialmente na subclasse Oligochaeta).

O aumento da complexidade corporal alcançada com a presença do celoma

tornou necessário um nível de organização orgânico-sistêmico para os anelídeos.

Dessa forma, as funções vitais (como a circulação, o controle nervoso e sensorial,

a digestão, a excreção, a reprodução e a respiração) são realizadas por conjuntos

de estruturas e órgãos (sistemas) que atuam harmoniosamente para garantir

o bom funcionamento do corpo.

Os anelídeos possuem um sistema circulatório fechado, um sistema nervoso

complexo (com formação de gânglios e cérebro), um tubo digestivo completo

(com ânus), um sistema excretor efi ciente (formado por metanefrídios), um sistema

reprodutor complexo e variável (com o desenvolvimento de uma larva do tipo

trocófora na maioria das espécies marinhas) e um sistema respiratório composto

por regiões bem vascularizadas por capilares sangüíneos (seja a parede corporal

ou mesmo expansões do corpo que atuam como brânquias).

CEDERJ 25

A U

LA

M Ó

D U

LO 3

1 4EXERCÍCIOS

1. Que vantagens funcionais são alcançadas pela presença de um celoma

verdadeiro?

2. Qual a diferença entre um pseudoceloma e um celoma verdadeiro?

3. O que é metameria?

4. Quais as classes que compõem o fi lo Annelida e como podem ser distinguidas?

5. Qual é a diferença existente entre o líquido celômico que entra no metane-

frídio (pelo nefróstoma) e aquele que sai dele pelo nefridióporo?

AUTO-AVALIAÇÃO

Você estará pronto para a próxima aula se tiver compreendido os seguintes

aspectos abordados nesta aula: (1) as vantagens e conseqüências da arquitetura

corporal de um anelídeo; (2) características básicas da morfologia e da fi siologia

dos representantes do fi lo Annelida. Se você compreendeu bem esses pontos e

respondeu corretamente às questões dos exercícios, certamente está preparado

para avançar para a Aula 15.

INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA

Na Aula 15, estudaremos a morfologia externa e a anatomia interna de uma minhoca

(classe Oligochaeta). Além disso, você observará o mecanismo de locomoção da

minhoca e fará as relações com as informações apresentadas na Aula 14.

comentários (1)
belaoliveira
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
há 4 anos
Olá, gostaria de saber quem é o autor/livro desse capítulo, pois vou utilizá-lo como bibliografia de um trabalho. Obrigada
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