Floresta Amazônica de Terra Firme - Apostilas - Engenharia Ambiental, Notas de estudo de . Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Jorginho86
Jorginho864 de Março de 2013

Floresta Amazônica de Terra Firme - Apostilas - Engenharia Ambiental, Notas de estudo de . Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

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Apostilas de engenharia ambiental sobre o estudo da Floresta Amazônica de Terra Firme, flutuações climáticas, espécies e subespécies.
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Floresta Amazônica de Terra Firme

As florestas de terra firme ocupam terras não inundáveis. São recentes, originadas da sedimentação da bacia amazônica no período terciário. Caracterizam-se pelo grande porte das árvores e formação de dossel, isto é, uma compacta e permanente cobertura formada pelas copas das árvores. No geral possuem de 140 a 280 espécies arbóreas por hectare, número impressionante se compararmos com a diversidade das florestas temperadas e boreais.

A maioria dos 7 milhões de km2 da Floresta Amazônica é constituída por uma floresta de terra firme. Esta é uma floresta que nunca é alagada e se espalha sobre uma grande planície de até 130-200 metros de altitude, até os sopés das montanhas. A grande planície corresponde aos sedimentos deixados pelo lago "Belterra", que ocupou a maior parte da bacia Amazônica durante o Mioceno e o Plioceno, entre 25 mil e 1,8 milhão de anos atrás. O silte e as argilas depositados neste antigo lago foram submetidos a um suave movimento de elevação epirogenético, enquanto os Andes se ergueram e os modernos rios começaram a cavar os seus leitos. Assim surgiram os três tipos de florestas amazônicas: as florestas montanhosas Andinas, as florestas de terra firme e as florestas fluviais alagadas, as duas últimas na Amazônia brasileira.

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As flutuações climáticas do Pleistoceno se manifestaram numa sucessão repetida de climas frio-seco - quente-úmido - quente-seco. A última fase fria-seca data de 18 mil a 12 mil anos atrás, quando o clima da Amazônia era semi-árido, com temperatura média rebaixada por até 5ºC. Em seguida, houve o retorno do clima quente-úmido, que chega ao máximo em torno de 7 mil anos atrás. Desde então, e com várias oscilações de menor porte, vivemos um clima relativamente quente-seco. Muito importante foi o fato de que durante as fases semi-áridas, a grande floresta de terra firme se encontrava dividida e fragmentada por formações vegetais abertas, do tipo cerrados, caatingas e campinaranas, todas melhor adaptadas ao clima seco. A floresta sobrevivia em "refúgios", situados nas áreas de solos mais altos e com melhor abastecimento hídrico. Ao voltar o clima mais úmido, a floresta expandiu-se novamente, em detrimento da vegetação dos cerrados. Hoje em dia, o cerrado sobrevive em seus próprios "refúgios", dentro da imensidade das matas de terra firme. Este processo flutuante vai se repetir sem dúvida, a não ser que o homem interfira na situação.

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A floresta de terra firme tem inúmeras adaptações à pobreza em nutrientes dos seus solos argilosos e podzólicos. As árvores que a compõem são capazes de se abastecer com nitratos através de bactérias fixadoras de nitrogênio, que estão ligadas às suas raízes. Além disso, uma grande variedade de fungos também simbiontes das raízes, chamados micorrizas, reciclam rapidamente o material orgânico antes deste ser lixiviado. A serrapilheira (formada por folhas e outros detritos vegetais que caem ao solo) é reciclada rapidamente pela fauna rica de insetos, especialmente besouros, formigas e cupins. Os insetos constituem a maioria da biomassa animal na floresta de terra firme.

As florestas de terra firme dividem-se em florestas densas, as mais diversas e com maior quantidade de madeira, e floresta abertas, mais próximas dos escudos e depressões e que sustentam maior biomassa animal. Algumas espécies representativas são: castanha-do-pará, caucho, sapucaia, maçaranduba, acapu, cedro, mogno, angelim-pedra, paxiúba (palmeira) e figueira (mata-paus).

Esta floresta, especialmente rica em aráceas epífitas, é, comparada à Mata Atlântica, relativamente pobre em bromélias e orquídeas. Entre estas plantas epífitas estão as mirmecófitas, plantas que vivem em estreita simbiose com as formigas. No sub-bosque da floresta destacam-se especialmente as palmeiras e os cipós. As grandes samambaias são raras.

A macrofauna do chão da floresta é relativamente pobre. Os vários sapos e pererecas ali encontrados apresentam diversas adaptações para garantir a água necessária para o desenvolvimento dos girinos. Alguns grandes mamíferos, tais como as antas, o cateto e a queixada, assim como os mutuns e os inhambus, entre as aves do chão, merecem destaque. Perto do chão da floresta encontram-se também muitas aves "papa-formigas", que tiram proveito das enormes migrações de formigas de correição.

A grande diversidade animal encontra-se nas copas das árvores entre 30 e 50 metros de altura, um ambiente de difícil acesso para o pesquisador. Ali é rica a fauna de aves, como papagaios, tucanos e pica-paus. Especialmente vistosos são o pavãozinho do Pará e a cigana. Entre os mamíferos das copas predominam os marsupiais, os morcegos, os roedores e os macacos. Os primatas possuem nichos bem diferenciados. O bugio é diurno e se alimenta de preferência com folhas. O macaco da noite Aotus é o único macaco ativo durante a noite. Os sauins, insetívoros vorazes, possuem várias espécies e subespécies que se diferenciam pelo colorido e forma das faces. Ao lado dos polinizadores clássicos - abelhas, borboletas e aves - os macacos da Floresta Amazônica têm também um papel de destaque como polinizadores. As aves, os morcegos e os macacos frugívoros da mata de terra firme têm um importante papel de disseminar os frutos e sementes das árvores.

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As espécies e subespécies de macacos, preguiças, esquilos e outras são freqüentemente separadas pelos grandes rios tributários do rio Amazonas. As unidades biogeográficas formadas pelas bacias destes rios explicam em parte a grande bioversidade da biota amazônica. Além disso, podemos sobressaltar áreas de floresta que serviram de refúgio às várias populações diferenciadas durante os períodos de clima árido do passado, acima mencionados, quando grandes áreas de cerrado fragmentavam a Floresta Amazônica. Hoje em dia, o desmatamento descontrolado está fragmentando a floresta de terra firme. Sem os cuidados necessários, províncias faunísticas inteiras e antigos centros de especiação correm o risco de serem obliterados para sempre.

As florestas alagadas estão ao alcance das enchentes anuais do rio Amazonas e de seus tributários mais próximos. As flutuações do nível da água podem chegar a 10 metros ou mais. De março a setembro, grandes trechos de floresta ribeirinha são alagados. As plantas e os animais da floresta alagada amazônica vivem em função das suas diversas adaptações especiais para sobreviver durante as enchentes.

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As águas amazônicas possuem características diferentes, resultantes da geologia das suas bacias fluviais. Os rios chamados de rios de água branca ou turva, como o Solimões ou o Madeira, percorrem terras ricas em minerais e suspensões orgânicas. Os rios chamados de água preta, como o Negro, oriundos de terras arenosas pobres em minerais, são transparentes e coloridos em marrom pelas substâncias húmicas. Existem também rios de águas claras, como o Tapajós, que nascem nas áreas dos antigos escudos continentais, também pobres em minerais e nutrientes.

As matas banhadas pelas águas brancas costumam ser chamadas de florestas de várzea e as banhadas pelas águas pretas e claras, de florestas de igapós. A vegetação da várzea é muito mais rica do que a vegetação dos igapós, por causa da fertilidade das águas brancas e dos solos aluvionais por elas trazidos. O mesmo se constata com a fauna dos dois tipos de florestas, especialmente com a biota aquática. Os rios de água branca são ricos em peixes, enquanto os rios de água preta são "rios da fome". As áreas onde os dois tipos de águas se misturam, como a área perto de Manaus, são consideradas especialmente ricas.

As árvores das matas alagadas têm várias adaptações morfológicas e fisiológicas para viverem parcialmente submersas, como raízes respiratórias e sapopembas. As árvores são pobres em plantas epífitas e o sub-bosque praticamente inexiste. Em seu lugar existe uma rica flora herbácea, como o capim-mori, a canarana e o arroz selvagem. Na estação das enchentes, o capim se destaca e forma verdadeiras ilhas flutuantes. Outras plantas flutuantes, tais como a vitória-régia e o aguapé, também acompanham o nível das águas.

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Os mamíferos das matas alagadas - antas, capivaras e outros - são todos bons nadadores. Até as preguiças são capazes de nadar. A fauna de macacos e de outros mamíferos arborícolas em geral é pobre, comparada com a fauna da terra firme. Nos rios de várzea encontram-se, porém, várias espécies de mamíferos aquáticos, como os botos, o peixe boi, a ariranha e as lontras. A fauna de primatas é muito reduzida. O vegetariano peixe boi e os botos predadores são, entretanto, muito raros nas águas pretas e claras dos igapós, pobres em vegetação aquática e pouco piscosas.

Na avifauna relativamente pobre das florestas de igapós predominam as aves aquáticas, tais como as garças, biguás, jaçanãs, mucurungos e patos.

As águas das florestas alagadas são ricas em répteis aquáticos. As tartarugas são importantes herbívoros da vegetação aquática e são muito caçadas. A tartaruga verdadeira (Podocnemis expansa) está em perigo de extinção; a cabeçuda (P. dumeriliana) e a tracajá (P.unifilis) são também muito apreciadas pelos caçadores. Os cágados Phrynops são encontrados com mais freqüência nas corredeiras. Entre os jacarés, o jacaretinga (Palaeosuchus trigonatus), gênero com uma única espécie endêmica na Amazônia, está ameaçado de extinção. O jacaré-açu (Melanosuchus niger) é o jacaré comum na área. Vários autores atribuem aos jacarés predadores um importante papel de "reguladores" na várzea. A grande jibóia amazônica merece também ser mencionada.

Na Amazônia vivem em torno de 10 mil espécies de peixes. Aqui, mencionamos apenas algumas espécies ligadas à floresta de inundação. São estas os peixes frugívoros que evoluíram em estreita co-evolução com as árvores e arbustos amazônicos: as frutas caem na água, são engolidas pelos peixes e as sementes resistentes às enzimas gástricas são transportadas para longe. Vários peixes, especialmente os da grande ordem dos Characinoidea, apresentam dentições especializadas para certos tipos de frutas. O tambaqui (Collosoma macropomum) é um comedor especialista das frutas da Hevea spruceana. Pacus, dos gêneros Mylossoma, Myleus e Broco, são também comedores importantes de frutas de palmeiras, embaúbas e outras árvores. A piranheira é uma planta preferida por algumas espécies de piranhas. A dispersão das plantas pelos peixes da várzea e dos igapós tem uma importância comparável à da dispersão clássica de sementes pelas aves e mamíferos nas florestas de terra firme. O tambaqui e os pacus, bem como o pirarucu (Arapaima gigas), são os peixes de maior importância comercial na Amazônia. Nada ilustra melhor o papel ecológico importante da frugivoria dos peixes. O tambaqui é muito procurado por pescadores turísticos.

Os peixes frugívoros constituem somente um dos tipos de peixes na várzea, mas o papel deles é particularmente importante nas águas pretas e claras. Devido à pobreza excessiva dessas águas em fito e zooplâncton, são as árvores que fornecem a maioria dos alimentos. Mesmo assim, os peixes do rio Negro são de tamanhos menores do que os seus coespecíficos no rio Solimões. Os cardumes também são menores.

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A fauna de insetos é principalmente ligada à vegetação flutuante. As poucas espécies de cupins e de formigas acompanham a subida e a descida das águas ao longo dos troncos das árvores. Vários tipos de insetos vivem sobre a vegetação flutuante, enquanto nas águas criam-se enormes populações de mosquitos e outros dipterros irritantes. Os rios de água preta são isentos deste flagelo.

As matas alagadas contêm várias espécies de árvores de utilidade econômica, além de madeiras de lei. A seringueira, a sorva, a andiouba, a macaranduba, o buriti e o tiucum produzem borracha, alimentos, óleos, resinas e fibras de importância econômica. As várzeas são especialmente ricas e produtivas. Ali se encontravam as grandes concentrações indígenas e atualmente são desenvolvidos grandes projetos agro-pecuários e industriais.

Específicas dos igapós de solos arenosos e de água preta são a piranheira (Piranhea trifoliata), a oeirana (Alchornea castaniifolia), várias espécies de Inga e de Eugenia, as palmeiras Copaifera martii (copaíba) e a Leopoldinia. Algumas árvores têm grande resistência às enchentes prolongadas, tais como a Myrciaria dubia, a Eugenia inundata (araçá de igapó) e, finalmente, a Salix humboldtiana, que sobrevivem a vários anos de submersão permanente.

Muitas espécies da várzea estão ameaçadas de extinção devido ao rápido desenvolvimento das áreas urbanas, da construção de represas, da poluição com o mercúrio dos garimpos etc. A caça e a pesca desregulada na várzea já colocaram em risco a existência de vários vertebrados aquáticos de grande porte. A lista das espécies em extinção é encabeçada pelos botos, peixe boi, ariranha, tartaruga verdadeira, jacaretinga e outros. Entre os peixes ameaçados destacamos o pirarucu, o maior peixe de água doce do mundo.

A alta produtividade da várzea possibilitou uma povoação indígena densa à época da descoberta. As margens do grande rio abrigaram muitas aldeias com milhares de habitantes. A densidade populacional alcançava 14,6 pessoas por quilômetro quadrado. Os ribeirinhos cultivavam milho e mandioca no rico solo aluvional, coletavam arroz selvagem e usufruíam de pesca rica. Estes índios tinham uma organização de classes sociais e utilizavam trabalho de escravos.

Os rios de água preta, pelo contrário, considerados "rios de fome", foram historicamente pouco habitados. Porém, pela falta de dípteros molestadores, como mosquitos, borrachudos e mutucas, os novos colonizadores preferiam morar nas margens dos rios de água preta. Por um curto período, a capital da região foi para Barcelos, no médio rio Negro, mas mudou rapidamente para Manaus, perto da várzea rica em peixes. Ainda é preciso considerar que os solos férteis na Amazônia são os solos de várzea, justamente onde os grandes centros urbanos tendem a se localizar, junto com as suas bases de abastecimento.

Uma estação ecológica está situada por inteiro no ambiente dos igapós: é a Estação Ecológica Federal do arquipélago de Anavilhanas, no baixo rio Negro. Nas enchentes, o arquipélago de centenas de ilhas é praticamente submerso. O laboratório de pesquisa da Estação fica em casas

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flutuantes que acompanham também o nível das águas. Uma outra estação, Mamirauá, está situada na várzea, perto de Tefé. O grande centro de pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, e o Museu Goeldi, em Belém, mantêm várias reservas e áreas de pesquisa nas matas de terra firme. Em Santarém encontra-se um grande centro de pesquisas piscívoras.

Comparação entre florestas de várzea e de terra firme do Estado do Pará

A cobertura florestal dos Estados do Pará e da Amazônia como um todo está subdividida - com base no critério fisionômico - em dois subtipos: matas de planície de inundação (terminologia regional - mata de várzea e mata de igapó) e matas de terra firme, além de outras formações como o cerrado e a floresta semi-úmida (PANDOLFO, 1978).

A floresta de várzea, cuja vegetação ocorre ao longo dos rios e das planícies inundáveis, normalmente apresenta menor diversidade do que a terra firme e abriga animais e plantas adaptados a condições hidrológicas sazonais (KALLIOLA et al.,1993). A menor diversidade ocorre porque poucas espécies dispõem de mecanismos morfofisiológicos que tolerem o ritmo sazonal de inundação (SILVA et al., 1992).

A terra firme é o ecossistema de maior expressividade e de grande complexidade na composição, distribuição e densidade das espécies. Caracteriza-se pela heterogeneidade florística com predominância de espécies agregadas em algumas formações e aleatórias em outras (ARAÚJO et al., 1986).

Na maior parte dos casos, a exploração florestal no Pará tem ocorrido de forma desordenada, provocando danos significativos à vegetação. Contudo, se a floresta for manejada de modo a gerar o melhor aproveitamento de madeira e produtos florestais não-madeireiros, poder-se-á proporcionar o desenvolvimento sustentável para a região. Nesse sentido, estudos de similaridade ou dissimilaridade entre comunidades vegetais, aliados às características estruturais da floresta, permitem inferir sobre a estratificação de unidades básicas de manejo (BARROS, 1986). Tais estudos são também de grande importância para a gestão dos recursos naturais, como a planificação do manejo e a conservação da biodiversidade (RUOKOLAINEN et al., 1994).

O objetivo deste estudo foi identificar e analisar possíveis agrupamentos entre 34 comunidades florestais situadas em diferentes regiões do Estado do Pará.

No total foram listadas 1.257 espécies. Ao se analisar a distribuição das espécies, verificou-se que 85,6% foram exclusivas de terra firme, 5,2% foram exclusivas de várzea e 9,2% ocorreram nas duas tipologias florestais. Esses resultados estão em concordância com o estudo de Ivanauskas et al. (1997), que compararam florestas secas e inundáveis no Estado de São Paulo.

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As espécies de maior freqüência em todo o gradiente, ou seja, tanto em floresta de várzea quanto em terra firme, foram: Tapirira guianensis Aubl., que ocorreu em 62% dos inventários florestais analisados, Inga alba (Sandw.) Willd. (53%), Hevea brasiliensis (Willd. ex Juss.), M. Arg. (53%), Sterculia pruriens K. Schum. (50%), Symphonia globulifera L. (50%), Carapa guianensis Aubl. (47%), Virola michelii Heckel (38%), Inga edulis Mart. (35%), Guarea kunthiana A. Juss. (35%), Vatairea guianensis Aubl. (32%), Licania heteromorpha Benth. (29%), Sarcaulus brasiliensis (A. DC.), Eyma (29%), Quararibea guianensis Aubl. (24%) e Socratea exorrhiza (Mart.) Wendl. (24%).

Essas espécies ocorreram em mais de três inventários de cada tipologia estudada, portanto apresentam ampla distribuição nas florestas do Estado do Pará. Segundo Ivanauskas et al. (1997), são espécies que possuem mecanismos adaptativos aos diferentes níveis de armazenamento de água no solo, desde o ponto de murcha permanente até a presença de água superficial, ou seja, quando ocorre elevação do nível do rio na época das cheias.

As florestas de terra firme apresentaram 1.192 espécies, sendo 1.076 espécies exclusivas dessa tipologia florestal. As mais freqüentes foram: Dialium guianense (Aubl.) Sandwith, Theobroma speciosum Willd. ex Spreng., Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire, Steyerm. & Frondin., Tachigalia myrmecophila Ducke, Laetia procera (Poepp.) Eichler, Poecilanthe effusa (Huber) Ducke, Trattinnickia rhoifolia Willd., Vitex triflora Vahl., Brosimum guianensis (Aubl.) Huber, Caryocar villosum (Aubl.) Pers., Eugenia patrisii Vahl., Manilkara huberi (Ducke) Standley, Micropholis venulosa Pierre, Protium sagotianum Marchand., Ambelania acida Aubl., Clarisia racemosa Ruiz et Pav., Dipteryx odorata Willd., Enterolobium schomburgkii Benth., Eschweilera odora (Poepp.) Miers., Goupia glabra (Gmel.) Aublet, Hymenolobium excelsum Ducke, Inga heterophylla Willd., Protium altsonii Sandwith, Saccoglotis guianensis Benth., Sapium marmieri Huber e Thyrsodium paraensis Huber.

Uma espécie que, segundo Oliveira (2000), é importante na composição florística e estrutura da floresta de terra firme na Amazônia é Eschwelera coriacea (D.C.) S. A. Mori, que neste trabalho ocorreu em 29% das florestas inventariadas.

A floresta de várzea apresentou 181 espécies, dentre estas 65 foram exclusivas dessa tipologia florestal. Entre as mais freqüentes, destacaram-se: Pterocarpus officinalis Jacq., Astrocaryum murumuru Mart., Matisia paraensis Huber, Theobroma cacao L, Cedrela fissilis Vell., Hura creptans L. e Protium krukoffii Swart.

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Na floresta de várzea não se observou a formação de grupos devido à proximidade geográfica das florestas, ou seja, não foram as florestas situadas em menores distâncias geográficas que começaram a formar os grupos, sendo essa mesma tendência verificada por Ivanauskas et al. (1997). Na floresta de terra firme, observou-se a tendência de agrupamento das florestas geograficamente mais próximas, tal como as florestas 7 e 17 (Paragominas, PA), 11 e 10 (Reserva do Mocambo, Belém, PA), 16 e 5 (Reserva Florestal de Curuá-Una, PA), 24 e 22 (Carajás, PA, e Marabá, PA), 20 e 18 (Transamazônica, PA) e 6 e 4 (Belterra, PA). Isso demonstra que a proximidade geográfica é um dos fatores que contribuem para o aumento da similaridade florística, entre florestas de terra firme.

No grupo das florestas de terra firme houve forte tendência de agrupamento de acordo com a situação antrópica, seguida da proximidade geográfica. Tal tendência está evidente na formação dos seguintes grupos: TF-fne 10 e 11; TF-fne 19, 22, 23 e 24; TF-fne 14, 18 e 20; TF-fe 4 e 6; e TF- fe 1 e 3. Esse fato ocorreu, provavelmente, devido à exploração dessas florestas, o que causou sensíveis alterações na composição florística. Carvalho (2002), estudando mudanças na composição florística de uma área na Floresta Nacional do Tapajós, verificou que o número de espécies decresce imediatamente após a exploração. Porém, começa a crescer cinco anos depois e, no final de oito anos, foi maior do que antes da exploração.

Outras variáveis que, provavelmente, contribuíram para a diferenciação florística entre terra firme e várzea foram: altitude - variou de 4 m, em áreas de várzea, até 700 m em florestas de terra firme localizadas na região de Carajás, PA; temperatura - variou de 25 até 27 ºC; e precipitação - aumentou no sentido sul-norte, desde 1.650 até 3.000 mm. Conforme Oliveira- Filho e Fontes (2000), o regime de chuvas, a temperatura e a altitude causam diferenciação significativa entre tipologias florestais.

CONCLUSÕES

Com base na análise e discussão dos resultados, pode-se concluir que:

- As composições florísticas das florestas de várzea e terra firme são bem distintas; poucas espécies ocorrem nos dois ecossistemas.

- A floresta de terra firme apresenta maior riqueza de espécies arbóreas que a floresta de várzea.

- As florestas de terra firme tenderam a se agrupar mais pela situação antrópica e proximidade geográfica do que as florestas de várzea.

- As florestas se agrupam em ordem decrescente de importância dos fatores: saturação hídrica do solo, situação antrópica e proximidade geográfica.

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- Todas as espécies arbóreas requerem um "habitat" específico. Entretanto, a maior parte requer um "habitat" muito específico, determinado pelas condições climática e edáfica, fundamentalmente.

RESUMO

Foram analisados agrupamentos florísticos entre comunidades arbóreas localizadas em diferentes locais do Estado do Pará, por meio de um banco de dados composto por 24 inventários em florestas de terra firme e 10 em floresta de várzea. Utilizaram-se o índice de Jaccard no cálculo da matriz de similaridade florística, que foi transformada em matriz de distância euclidiana, e o Método de Ward na definição dos grupos. Pelos resultados, foi possível concluir que as composições florísticas das florestas de várzea e terra firme são bem distintas. Poucas espécies ocorrem nos dois ecossistemas; a floresta de terra firme apresenta maior riqueza de espécies arbóreas que a floresta de várzea; houve tendência das florestas de terra firme em se agruparem mais pela situação antrópica e proximidade geográfica do que as florestas de várzea; em geral, as florestas agruparam-se em ordem decrescente de importância dos fatores: saturação hídrica do solo, situação antrópica e proximidade geográfica.

Sites e livros consultados

1 - www.mre.gov.br/CDBRASIL/ITAMARATY/WEB/port/meioamb/ecossist/amazon/apresent.htm

2 - portalamazonia.globo.com/artigo_amazonia_az.php

3 - ALMEIDA, S.S. Estrutura e florística em áreas de manguezais paraenses: evidências da influência

do estuário amazônico. Boletim de Museu Paraense Emílio Goeldi, série Ciência da Terra, v. 8,

p. 93-100, 1996.

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4 - ALMEIDA, S.S.; LISBOA, P.L.B.; SILVA, A.S.L. Diversidade florística de uma comunidade arbórea

na Estação Científica "Ferreira Penna", em Caxiuanã (Pará). Boletim do Museu Paraense

Emílio Goeldi, Série Botânica, v.9, n. 1, p. 93-128, 1993.

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