Guerra do Paraguai - Apostilas - História, Notas de estudo de História. Centro Universitário do Vale do Rio Taquari (UNIVATES)
Andre_85
Andre_855 de Março de 2013

Guerra do Paraguai - Apostilas - História, Notas de estudo de História. Centro Universitário do Vale do Rio Taquari (UNIVATES)

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Apostilas de História sobre o estudo da Guerra di Paraguai, o Tratado da Tríplice Aliança, período, atividades.
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A guerra do paraguai

Acredite, houve um tempo em que rotular um produto como "paraguaio" era uma afirmação de sua boa qualidade. O atual país do contrabando, da falsificação e dos veículos roubados já foi uma das nações mais adiantadas do continente, e sua população tinha um padrão de vida muito superior ao dos povos vizinhos. Tudo bem, pode soltar a gargalhada, eu espero. Pronto? Pois então saiba que quem destruiu isso tudo e transformou o Paraguai no que é hoje fomos nós, brasileiros. Vamos clarear esta história. Episódio muito idolatrado no Brasil, a Guerra do Paraguai foi o maior conflito internacional do continente americano, com meio milhão de mortos em cinco anos de luta sangrenta. Se pudermos analisar os fatos com isenção nacionalista, veremos que a vitória brasileira destruiu o mais eficiente e importante modelo de desenvolvimento da América do Sul, selou a eterna submissão do continente aos interesses das grandes potências e nos transformou em eterno Terceiro Mundo. Em meados do século XIX, o Paraguai era um país diferente dos seus vizinhos por ter alcançado um razoável progresso econômico, a partir da independência em 1811. Sem recorrer ao capital estrangeiro e, portanto, sem dívida externa, o país desenvolveu seu próprio parque industrial com estaleiros, siderúrgicas e fábricas de armas, pólvora, tecidos, tintas, instrumentos agrícolas e outros produtos básicos. A influência da Igreja Católica tinha sido drasticamente reduzida, havia extensas estradas de ferro e uma eficiente rede de telegrafia. Não existiam analfabetos nem escravos, as escolas eram gratuitas e as "estâncias da pátria" (terras e ferramentas distribuídos pelo Estado aos camponeses em troca da metade da produção) forneciam alimentos e empregos para toda a população. Altas tarifas alfandegárias protegiam os produtos nacionais. O Paraguai conseguira formar uma forte base de sustentação interna, ignorando o modelo econômico britânico de submissão e endividamento que dominava a maioria da América. Os ingleses e os dirigentes dos países vizinhos ficavam cada dia mais preocupados: e se a "moda paraguaia" pegasse?

Tanta ousadia teve o seu preço político. Aos poucos, surgiu uma grande oposição fora do Paraguai, promovida nos bastidores pela antiga elite desterrada, a Igreja e os dirigentes das nações vizinhas, particularmente a Argentina e o Brasil. Os paraguaios viviam parcialmente isolados em sua "ilha de prosperidade", pois sofriam o boicote dos países vizinhos - um bloqueio comercial disfarçado. Por exemplo, havia grande dificuldade para exportarem sua produção agrícola - os principais produtos eram o fumo e a erva mate - uma vez que dependiam do Rio da Prata, dominado pelos poderosos mercadores de Buenos Aires. Mesmo assim, a "nação guarani" continuava progredindo. O enfraquecimento da Igreja, a organização de uma estrutura militar e a elevação do padrão de vida garantiam o apoio popular ao governo, que era exercido por presidentes em regime ditatorial. A criminalidade havia praticamente desaparecido e os paraguaios de origem índia - 80% do povo - desfrutavam dos mesmos direitos civis da população branca.Nesta época, a Inglaterra era a nação mais forte do planeta e, à exceção do Paraguai, todas as ex-colônias importavam produtos ingleses e apanhavam empréstimos em seus bancos. O desenvolvimento industrial e a independência financeira dos paraguaios colocavam em risco os interesses ingleses e sua hegemonia capitalista no continente sul-americano. Foi então que,

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em 1864, ampliando o boicote já existente, os britânicos recorreram aos seus "parceiros" Argentina, Brasil e Uruguai para que formassem a Tríplice Aliança e derrubassem o governo paraguaio, chamado por eles de "abominável ditadura". O acordo foi celebrado em Buenos Aires, sob a orientação de um representante inglês. A armadilha estava pronta.

O Tratado da Tríplice Aliança entre o Império do Brasil, a República Argentina e a República Oriental do Uruguai foi secretamente engendrado um ano antes de sua publicação. A farsa tornou-se pública na época, e vários países protestaram - inutilmente - contra o plano premeditado de destruir e partilhar o Paraguai¹.Os brasileiros usaram um tratado de ajuda militar mútua entre o Uruguai e o Paraguai como estopim da guerra, invadindo o Uruguai e depondo o seu presidente. A reação foi inevitável: enquanto sitiávamos Montevidéu, o paraguaio Francisco Solano López entrou na província de Mato Grosso e depois na província argentina de Corrientes, visando chegar a seus aliados uruguaios e socorrê-los da agressão brasileira.O Paraguai tinha o melhor exército dentre os envolvidos no conflito, e saiu-se vitorioso no primeiro ano dos combates. Foi então que a oportunista Inglaterra emprestou dinheiro ao Brasil para comprar - dos próprios ingleses - milhares de armas e 49 navios de combate velhos, quase sucata. Os argentinos, sentindo a superioridade do exército guarani, logo abandonaram as campanhas, alegando que os soldados se recusavam a lutar ao lado dos "macacos" brasileiros². O Uruguai pouco atuou no conflito, até porque estava dominado pelas forças brasileiras. Restou ao Brasil, portanto, assumir praticamente sozinho os últimos quatro anos da guerra.Adotamos uma política genocida contra os paraguaios - a ordem era barbarizar, exterminar a raça guarani. No Paraguai, o dia 16 de agosto é o Dia da Criança. Em vez de festa, sorrisos e alegrias, a data evoca a Batalha de Acosta Ñú, onde mais de 3.500 crianças foram degoladas pelos soldados brasileiros. Comandando a matança, Conde D`Eu ainda mandou incendiar o matagal cheio de meninos feridos e agonizantes. Na missão de destruir o país inimigo, os aliados contaminaram as águas dos rios com cadáveres, queimaram um hospital com dezenas de enfermos, degolaram milhares de crianças e estupraram mocinhas guaranis antes de matá-las. Notas¹(Milanesi 2004, apud Mocellin 1985 e Chiavenato 1998)² O termo fazia referência ao predomínio dos negros nas tropas brasileiras. Até hoje, somos chamados de "macaquitos" pelos argentinos e paraguaios.

A guerra durou de 1864 a 1870, quando Solano López foi morto com um tiro pelas costas em Cerro Corá. Terminado o conflito, o Paraguai estava em ruínas: foram exterminados mais de 75% da população (600 mil mortos), toda a população masculina com mais de 20 anos sucumbiu, indústria e agricultura foram destruídas, terras e ferrovias entregues a estrangeiros. Sobre os escombros do país, caiu o primeiro empréstimo da sua história (negociado com a Inglaterra, naturalmente), destinado a pagar dívidas de guerra¹ impostas pelos países da Tríplice Aliança. As fábricas paraguaias foram destruídas uma a uma; máquinas e ferramentas, lançadas nos rios.O Paraguai ficou sem 40% de seu território, entregues à Argentina (94 mil km²) e ao Brasil (60 mil km²). Nós perdemos mais de 100 mil homens (sobretudo negros²) e assumimos uma duplicata de 10 milhões de libras do Banco Rothchild, de Londres, que nos deixou combalidos financeiramente até o final do Império (a República logo fez outros empréstimos com o mesmo banqueiro, mas isto é outra história). Sem considerar que, por temor de que a Bolívia ajudasse

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Solano López, o governo brasileiro cedera ao ditador boliviano Melgarejo a região inteira do Acre, um "agrado" que posteriormente nos custou muito dinheiro, esforços diplomáticos e vidas para desfazer. A Inglaterra foi quem mais lucrou com a Guerra do Paraguai: fez empréstimos aos aliados a juros exorbitantes, vendeu armas e navios, passou a ter direito de navegação na Bacia do Prata, ficou com as ferrovias paraguaias e, finalmente, forçou o país a se submeter ao poder econômico e político britânico.

Notas¹A dívida de guerra era tão grande que foi perdoada posteriormente pelos aliados, mas não pela Inglaterra, que cobrou o empréstimo e seus altos juros integralmente, é claro² Registros da época indicam que a proporção racial nas tropas era de 45 negros para 1 branco.

Fonte de Pesquisa :Celso Cerqueira

atividades

1. Pesquise no Atlas as informações sobre o Paraguai e sobre o Brasil e compare:

Forma de governo

Área

População

IDH

Capital

Línguas

Renda “per capita”

Mortalidade infantil

2. O que diferenciava o Paraguai dos outros países durante o século XIX?

3. Qual foi o resultado da guerra para o Paraguai? E para o Brasil?

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4. Qual foi o resultado da guerra para os países sul-americanos?

5. Qual era o interesse da Inglaterra no conflito sul-americano?

6. Que comparação podemos fazer da situação à época da Guerra do Paraguai com os dias de hoje?

bom trabalho a todos!!!!

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