Herança Cultural dos Romanos  - Apostilas - História, Notas de estudo de História. Centro Universitário do Vale do Rio Taquari (UNIVATES)
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Andre_855 de Março de 2013

Herança Cultural dos Romanos - Apostilas - História, Notas de estudo de História. Centro Universitário do Vale do Rio Taquari (UNIVATES)

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Apostilas de História sobre o estudo da herança cultural deixada pelos romanos, fatores que contribuíram para a ocupação da região, formas de governo.
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A herança cultural deixada pelos romanos contribuiu para transformá-los no mais importante e influente povo da civilização ocidental.

Alguns fatores contribuíram para a ocupação da região:

- os aspectos físicos (Roma está localizada na Península Itálica)

- o solo fértil (facilitava a produção de alimentos)

- ausência de bons portos (isolando relativamente a região)

A Roma Antiga conheceu 3 formas de governo: Monarquia, República e Império.

MONARQUIA

A forma de governo adotada em Roma até o século VI a.C. foi a Monarquia. Os romanos acreditavam que o rei tinha origem divina.

Esse período foi marcado pela invasão de outros povos (etruscos) que durante cerca de 100 anos, dominaram a cidade, impondo-lhe seus reis. Em 509 a.C., os romanos derrubaram o rei etrusco (Tarquínio – o Soberbo), e fundaram uma República. No lugar do rei, elegeram dois magistrados para governar.

REPÚBLICA

No início da República, a sociedade romana estava dividida em 4 classes: Patrícios, Clientes, Plebeus e Escravos.

A decadência política, social e econômica, fez com que a plebe entrasse em conflito com os patrícios, essa luta durou cerca de 200 anos. Apesar disso, os romanos conseguiram conquistar quase toda a Península Itálica e logo em seguida partiram para o Mediterrâneo.

Lutaram mais de 100 anos contra Cartago nas chamadas Guerras Púnicas e em seguida, ocuparam a Península Ibérica (conquista que levou mais de 200 anos), Gália e o Mediterrâneo Oriental.

Os territórios ocupados foram transformados em províncias. Essas províncias pagavam impostos ao governo de Roma (em sinal de submissão).

As conquistas transformaram exército romano em um grupo imbatível.

A comunidade militar era formada por:

- Cidadãos de Roma, dos territórios, das colônias e das tribos latinas que também tinham cidadania romana

- Comunidades cujos membros não possuíam cidadania romana completa (não podiam votar nem ser votados)

- Aliados autônomos (faziam tratados de aliança com Roma)

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Além do exército, as estradas construídas por toda a península itálica também contribuíram para explicar as conquistas romanas.

Os romanos desenvolveram armas e aperfeiçoaram também a técnica de montar acampamentos e construir fortificações.

A disciplina militar era severa e a punição consistia em espancamentos e decapitações. Os soldados vencedores recebiam prêmios e honrarias e o general era homenageado, enquanto que os perdedores eram decapitados nas prisões.

As sucessivas conquistas provocaram, em Roma, grandes transformações sociais, econômicas e políticas.

No plano social, o desemprego aumentou por causa do aproveitamento dos prisioneiros de guerra como escravos. A mão-de-obra escrava provocou a concentração das terras nas mãos da aristocracia (provocando a ruína dos pequenos proprietários de terras que foram forçados a migrar para as cidades).

Na economia, surgiu uma nova camada de comerciantes e militares (homens novos ou cavaleiros) que enriqueceram com as novas atividades surgidas com as conquistas (cobrança de impostos, fornecimento de alimentos para o exército, construção de pontes e estradas, etc).

Além disso, sociedade romana também sofreu forte influência da cultura grega e helenística:

- A alimentação ganhou requintes orientais

- A roupa ganhou enfeites

- Homens e mulheres começaram a usar cosméticos

- Influência da religião grega

- Escravos vindos do oriente introduziram suas crenças e práticas religiosas

- Influência grega na arte e na arquitetura

- Escravos gregos eram chamados de pedagogos, pois ensinavam para as famílias ricas a língua e a literatura grega

Essas influências geraram graves conseqüências sobre a moral: multiplicou-se a desunião entre casais e as famílias ricas evitavam ter muitos filhos.

Tais transformações foram exploradas pelos grupos que lutavam pelo poder e esse fato desencadeou uma série de lutas políticas. A sociedade romana dividiu-se em dois partidos: o partido popular (formado pelos homens novos e desempregados) e o partido aristocrático (formado pelos grandes proprietários rurais). Essas lutas caracterizaram a fase de decadência da República Romana.

IMPÉRIO

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Dois nomes sobressaíram durante o Império Romano: Julio César e Augusto.

Após vários conflitos, Julio César tornou-se ditador (com o apoio do Senado) e apoiado pelo exército e pela plebe urbana, começou a acumular títulos concedidos pelo Senado. Tornou-se Pontífice Máximo e passou a ser: Ditador Perpétuo (podia reformar a Constituição), Censor vitalício (podia escolher senadores) e Cônsul Vitalício, além de comandar o exército em Roma e nas províncias.

Tantos poderes lhe davam vários privilégios: sua estátua foi colocada nos templos e ele passou a ser venerado como um deus (Júpiter Julius).

Com tanto poder nas mãos, começou a realizar várias reformas e conquistou enorme apoio popular.

- Acabou com as guerras civis

- Construiu obras publicas

- Reorganizou as finanças

- Obrigou proprietários a empregar homens livres

- Promoveu a fundação de colônias

- Reformou o calendário dando seu nome ao sétimo mês

- Introduziu o ano bissexto

- Estendeu cidadania romana aos habitantes das províncias

- Nomeava os governadores e os fiscalizava para evitar que espoliassem as províncias

Em compensação, os ricos (que se sentiram prejudicados) começaram a conspirar.

No dia 15 de março de 44 a.C., Julio César foi assassinado. Seu sucessor (Otávio), recebeu o título de Augusto, que significava “Escolhido dos Deuses”. O governo de Augusto marcou o início de um longo período de calma e prosperidade.

Principais medidas tomadas por Augusto:

- Profissionalizou o exército

- Criou o correio

- Magistrados e senadores tiveram seus poderes reduzidos

- Criou o conselho do imperador (que se tornou mais importante que o senado)

- Criou novos cargos

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- Os cidadãos começaram a ter direitos proporcionais aos seus bens. Surgiu assim três ordens sociais: Senatorial (tinham privilégios políticos), Eqüestre (podiam exercer alguns cargos públicos) e Inferior (não tinham nenhum direito).

- Encorajou a formação de famílias numerosas e a volta da população ao campo

- Mandou punir as mulheres adúlteras

- Estimulou o culto aos deuses tradicionais (Apolo, Vênus, César, etc)

- Combateu a introdução de práticas religiosas estrangeiras

- Passou a sustentar escritores e poetas sem recursos (Virgílio autor de “Eneida”, Tito Lívio, Horácio)

Quando chegou a hora de deixar um sucessor, Augusto nomeou Tibério (um de seus principais colaboradores).

A História Romana vivia o seu melhor período. A cidade de Roma tornou-se o centro de um império que crescia e se estendia pela Europa, Ásia e África.

Após a morte de Augusto, houve quatro dinastias de Imperadores:

Dinastia Julio-Claudiana (14-68): Tibério executou os planos deixados por Augusto. Porém, foi acusado da morte do general Germanicus e teve o povo e o Senado contra ele. Sua morte (78 anos) foi comemorada nas ruas de Roma. Seus sucessores foram Calígula (filho de Germanicus), Cláudio (tio de Calígula) e Nero. Essa dinastia caracterizou-se pelos constantes conflitos entre o Senado e os imperadores.

Dinastia dos Flávios (69-96): neste período, os romanos dominaram a Palestina e houve a dispersão (diáspora) do povo judeu.

Dinastia dos Antoninos (96-192): marcou o apogeu do Império Romano. Dentre os imperadores dessa dinastia, podemos citar: Marco Aurélio (que cultivava os ideais de justiça e bondade) e Cômodo que por ser corrupto, acabou sendo assassinado em uma das conspirações que enfrentou.

Dinastia dos Severos (193-235): várias crises internas e pressões externas exercidas pelos bárbaros (os povos que ficavam além das fronteiras) pronunciaram o fim do Império Romano, a partir do século III da era cristã.

Alguns fatores contribuíram para a crise do império: colapso do sistema escravista, a diminuição da produção e fluxo comercial e a pressão dos povos que habitavam as fronteiras do Império (bárbaros).

A partir do ano 235, o Império começou a ser governado pelos imperadores-soldados (que tinham como principal objetivo combater as invasões).

Com a ascensão de Diocleciano no poder, em 284, o Império foi dividido em dois: Oriente (governado por ele mesmo) e Ocidente (governado por Maximiniano). Cada um deles era

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ajudado por um imperador subalterno – o César. Diocleciano acreditava que essa estrutura de poder (Tetrarquia) aumentava a eficiência do Estado e facilitava a defesa do território.Diocleciano tomou várias medidas para controlar a inflação.

Seu sucessor (Constantino) governou de 313 até 337.

Constantino legalizou o cristianismo e fundou Constantinopla – para onde transferiu a sede do governo, além de ter abolido o sistema de tetrarquia.

A partir do século IV, uma grave crise econômica deixou o Império enfraquecido e sem condições de proteger suas fronteiras, isso fez com que o território romano fosse ameaçado pelos bárbaros que aos poucos invadiram e dominaram o Império Romano do Ocidente formando vários reinos (Vândalos, Ostrogodos, Visigodos, Anglo-Saxões e Francos).

Em 476 (ano que é considerado pelos historiadores um marco divisório entre a Antiguidade e a Idade Média), o Império Romano do Ocidente desintegrou-se restando apenas o Império Romano do Oriente (com a capital situada em Constantinopla é também conhecido como Império Bizantino – por ter sido construído no lugar onde antes existia a colônia grega de Bizâncio), que ainda se manteve até o ano de 1453 quando Constantinopla foi invadida e dominada pelos turcos.

Durante toda a Idade Média, Roma manteve parte da sua antiga importância, mesmo com a população reduzida. Era apenas uma modesta cidade quando foi eleita capital da Itália em 1870.

A civilização romana deixou para a cultura ocidental uma herança riquíssima.

- A legislação adotada hoje em vários países do mundo tem como inspiração o Direito criado pelos romanos

- Várias línguas (inclusive o português) derivaram do latim falado pelos romanos

- Arquitetura

- Literatura

GRÉCIA

Na península Grega disseminam-se, por volta de 3.000 a.C., povoados fortificados de tribos de cultura agrária. Entre 1.600 e 1.200 a.C. intensificam-se as migrações de povos pastores para a península, como os aqueus, os jônios e os dórios, que falam grego, conhecem os metais e utilizam carros de guerra.

PERÍODO HOMÉRICO

Tem início com o predomínio dos aqueus e jônios, por volta de 1.600 a.C. Período pouco conhecido que pode ser reconstituído pelos poemas Ilíada e Odisséia, atribuídos ao poeta grego Homero. Edificam fortalezas monumentais (Micenas, Tirinto, Pilos, Gia e Atenas), desenvolvem o comércio com Tróia, Sicília e península Itálica, fundam colônias (Mileto, Rodes,

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Lícia, Panfília, Cilícia, Chipre) e assimilam a cultura da ilha de Creta. Os guerreiros constituem a classe dominante, enquanto os agricultores e pastores são considerados servos e escravos.

FORMAÇÃO DA PÓLIS GREGA

Resulta, entre outros fatores, de migrações dos dórios, beócios e tessálios (1.200 a.C. em diante). Os núcleos urbanos construídos em torno das fortalezas micênicas se transformam em comunidades político-religiosas autônomas. Ática, Argos, Atenas, Esparta, Tebas, Mileto e Corinto estabelecem relações comerciais entre si e através de todo o Mediterrâneo. Em torno de 1.000 a.C. o intercâmbio comercial transforma-se num processo de colonização e escravização de outros povos.

GUERRA DE TRÓIA

Provocada pela disputa entre gregos e troianos pelas terras do litoral do mar Negro, ricas em minérios e trigo. Segundo a lenda, o estopim da guerra é o rapto de Helena, mulher de Menelau, rei de Amicléia (futura Esparta), por Páris, príncipe troiano. Para resgatar Helena, os gregos entram na fortaleza troiana escondidos dentro de um gigantesco cavalo de pau enviado como presente a Páris.

EXPANSÃO GREGA

Acentua-se a partir de 750 a.C., resultado do crescimento da população, da expansão do comércio, das disputas internas e das guerras entre as póleis. Jônios, aqueus, eólios e dórios fundam colônias no Egito, Palestina, Frígia, Lídia, na costa do mar Negro, sul da península Itálica, Sicília e sul da Gália. Os gregos enfrentam os assírios e os medo-persas, na Ásia Menor, e os fenícios, particularmente de Cartago, no Mediterrâneo ocidental e no norte da África. O assédio dos medo-persas resulta nas guerras médicas, entre 492 e 479 a.C.

GUERRAS MÉDICAS

Têm origem no domínio persa sobre as cidades jônias da Ásia Menor, a partir de 546 a.C. Em 500 a.C. as cidades jônias se rebelam, sendo derrotadas em 494 a.C. A partir de 492 a.C. os medo-persas ocupam a Trácia e a Macedônia e desencadeiam a Segunda Guerra Médica. Em 480 a.C. o exército persa comandado por Xerxes avança sobre a Tessália, Eubéia, Beócia e Ática, ao mesmo tempo que os cartagineses atacam os gregos na Sicília. Tem início a Segunda Guerra Médica, que se estende até 479 a.C. Os medo-persas ocupam a Beócia e a Ática e saqueiam Atenas. Mas os gregos vencem as batalhas de Salamina, Platéia e Micala, o que leva os persas a desistirem da conquista da Grécia, entrando logo depois em decadência.

PÉRICLES (495 A.C.-429 A.C.)

Filho de uma família de elite, educado por filósofos, é o maior dirigente da democracia ateniense. Torna-se arconte (chefe político) em 432 a.C., com uma plataforma de reformas democráticas. Reelege-se, anualmente, durante mais de 30 anos. Célebre orador e estrategista, torna-se o principal artífice da expansão imperial de Atenas como potência comercial da Grécia. Instala novas colônias e amplia a hegemonia ateniense sobre 400 cidades- Estado, através da Liga de Delos, contra os persas. Realiza grandes construções em Atenas,

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como o Partenon, e estimula as artes e a cultura. Morre em 429 a.C., durante a Guerra do Peloponeso, de uma peste que elimina um terço da população da Ática.

GUERRA DO PELOPONESO

Começa em 431 a.C. Decorre do antagonismo entre os interesses econômicos e políticos de Corinto (aliada de Esparta) e Atenas. Atenas ataca e domina Potidéia, mas seu exército é derrotado em Espartalos. A guerra continua até a Paz de Nícias, em 421 a.C. Em 415 a.C. Esparta e Atenas voltam a se enfrentar pelos mesmos motivos. Finalmente, em 405 e 404 a.C., os espartanos vencem os atenienses em Egospótamos e invadem Atenas, que é obrigada a destruir sua muralha de defesa, dissolver a Liga de Delos, entregar a esquadra, fornecer tropas e reconhecer a hegemonia de Esparta. A aristocracia substitui a democracia pela oligarquia.

PERÍODO HELENÍSTICO

Estende-se de 338 a 30 a.C., período que corresponde à expansão e o posterior declínio do império de Alexandre, o Grande, da Macedônia. As conquistas de Alexandre e a fundação dos reinos diádocos difundem a cultura grega no oriente. A biblioteca de Alexandria, com 100 mil rolos de papiros, transforma-se no centro de irradiação cultural do helenismo, incentivando um novo florescimento da geografia, matemática, astronomia, medicina, filosofia, filologia e artes. Em 220 a.C. começa uma crise econômica e política, a ascensão de novas potências e a reação dos povos gregos contra o helenismo, contribuindo para o seu declínio. A tomada de Alexandria pelas legiões romanas, em 30 a.C., encerra o período.

IMPÉRIO MACEDÔNICO

Séculos seguidos de guerras internas e externas debilitam o poderio grego e abrem espaço para a ascensão da Macedônia, região no norte da Grécia anteriormente ocupada por tribos trácias que foram assimiladas pelas migrações e cultura gregas. A expansão macedônica começa em 359 a.C., com o início das campanhas de Felipe II. As relações econômicas e culturais entre o Mediterrâneo e o oriente se intensificam com o estabelecimento do Império Macedônico. Felipe é sucedido por seu filho Alexandre, o Grande, que expande o império, funda mais de 70 cidades, entre as quais Alexandria, no Egito. Essas cidades funcionam como mercados de intercâmbio com a China, Arábia, Índia e o interior da África e facilitam a difusão cultural grega.

ALEXANDRE, O GRANDE (356 A.C.-323 A.C.)

Filho de Felipe II, assume o reino da Macedônia aos 20 anos, após o assassinato do pai. Aluno de Aristóteles, passa a apreciar a filosofia e as ciências. Estabelece completo domínio sobre a Grécia, Palestina e Egito, avança através da Pérsia e da Mesopotâmia e chega à Índia. Em 13 anos, Alexandre, também conhecido como Magno, cria o maior império territorial até então conhecido. No delta do rio Nilo funda Alexandria, que logo se projeta como pólo cultural e comercial. Morre de febre aos 33 anos, na Babilônia.

DIVISÃO DO IMPÉRIO

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O império Macedônico se organiza em nove reinos ou diádocos, considerados propriedade privada. A base do poder desses reinos é o exército mercenário e a coleta de impostos. A morte de Alexandre, em 323 a.C., abre um processo de disputas em que se envolvem os diádocos, os povos submetidos e as potências emergentes, principalmente Roma. As guerras entre os diádocos pelo domínio do império se estendem até 280 a.C. Resultam na formação de três grandes reinos com dinastias independentes: Macedônia, Ásia Menor e Egito.

ECONOMIA E SOCIEDADE GREGAS

A introdução da metalurgia do bronze e do ferro, o desenvolvimento do artesanato e a intensificação do comércio aumentam a produtividade entre os séculos VI e IV a.C. Esses fatores, associados às migrações e às guerras, modificam as antigas relações sociais, baseadas em clãs. Os habitantes passam a agrupar-se principalmente nas póleis. O trabalho na agricultura e nas demais atividades manuais fica a cargo de escravos (em geral presas de guerra) e parceiros semilivres. As terras comunais ou gentílicas passam à propriedade de uma classe de proprietários territoriais, a nobreza. O desenvolvimento do comércio faz surgir uma classe de comerciantes e artesãos ricos.

ESPARTA

É fundada em 900 a.C., não como pólis, mas como a fusão de quatro povoamentos rurais dórios no vale do rio Eurotas. A partir de 740 a.C., Esparta conquista Messênia e se expande para o norte da península. Em 706 a.C. funda a colônia de Tarento, na península Itálica, e começa a disputa com Argos pelo predomínio do Peloponeso. Em 660 a.C. os messênios rebelam-se, mas voltam a ser submetidos depois de 20 anos de guerra. Nessa guerra, Esparta adota uma nova formação militar, a falange dos hoplitas, armados de lança e espada e protegidos por escudo e couraça, e se transforma em um Estado militar. O Estado espartano é dirigido por dois reis (diarquia), com apoio e controle dos nobres organizados num conselho de anciãos (Gerúsia) e num conselho de cidadãos (Éforos). Os espartanos são educados pelo Estado e formados para a guerra. A economia depende do trabalho dos camponeses (os hilotas), carentes de qualquer direito, e dos habitantes (periecos) das cidades dominadas, obrigadas a fornecer contingentes militares a Esparta.

ATENAS

Pólis originada da fortaleza (Acrópole) fundada por volta de 1.400 a.C. pelos jônios. Desenvolve-se no comércio marítimo e na fundação de colônias na península Itálica e Mediterrâneo ocidental, Ásia Menor e costa do mar Negro. A sociedade é formada por cidadãos (possuidores de direitos políticos), metecos (estrangeiros) e escravos (maioria da população).

LEGISLADORES ATENIENSES

Os mais conhecidos são Drácon, Sólon, Psístrato e Clístenes, que procuram abrandar os conflitos sociais que explodem a partir de 700 a.C. decorrentes do endividamento dos camponeses, pressão demográfica, ascensão dos comerciantes e arbitrariedades da nobreza.

DRÁCON

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Em 624 a.C. publica leis para impedir que os nobres interpretem as leis segundo seus interesses. Mesmo assim, a legislação é considerada severa, daí a expressão draconiana, mas é o primeiro passo para diminuir os privilégios da aristocracia.

SÓLON

Em 594 a.C. Sólon anistia as dívidas dos camponeses e impõe limites à extensão das propriedades agrárias, diminui os poderes da nobreza, reestrutura as instituições políticas, dá direito de voto aos trabalhadores livres sem bens e codifica o direito.

PISÍSTRATO

As desordens e a instabilidade política resultantes das reformas de Sólon levam à tirania de Pisístrato, em 560 a.C., que impõe e amplia as reformas de Sólon, realizando uma reforma agrária em benefício dos camponeses. As lutas entre aristocratas e trabalhadores livres conduzem a novas reformas, entre 507 e 507 a.C.

CLÍSTENES

É considerado o fundador da democracia ateniense. Introduz reformas democráticas baseadas na isonomia, o princípio pelo qual todos os cidadãos têm os mesmos direitos, independentemente da situação econômica e do clã ao qual estejam filiados. Divide a população ateniense em dez tribos, misturando homens de diferentes origens e condições. Introduz a execução dos condenados à morte com ingestão de cicuta (veneno) e a pena do ostracismo (cassação de direitos políticos daqueles que ameaçassem a democracia). A partir de suas reformas, Atenas converte-se na maior potência econômica da Grécia entre 490 e 470 a.C.

ARTES E CIÊNCIAS GREGAS

Os gregos desenvolvem a dramaturgia (Sófocles, Ésquilo, Eurípedes, Aristófanes), a poesia épica e lírica (Homero, Anacreonte, Píndaro, Safo), a História (Heródoto, Tucídides, Xenofonte), as artes plásticas (Fídias) e a arquitetura (Ictinas e Calícrates). Dedicam-se ao estudo da natureza e do homem pela filosofia (Aristóteles, Platão, Heráclito, Epicuro), astronomia (Erastótenes, Aristarco, Hiparco), física, química, mecânica, matemática e geometria (Euclides, Tales de Mileto, Pitágoras, Arquimedes).

MITOLOGIA E RELIGIÃO GREGAS

A mitologia é particularmente rica ao registrar toda a diversidade da religiosidade e da vida econômica e social da Antigüidade e dos períodos anteriores à civilização grega. Na religião politeísta, praticada pela aristocracia e difundida por Homero, os deuses Zeus, Hera, Deméter, Poseidon, Hefestos, Ares, Apolo, Artêmis, Hermes e Atena moram no Olimpo e estão relacionados aos elementos naturais e humanos.

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA GREGA

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A princípio, as póleis assimilam a forma monárquica de governo dos povos submetidos. Em diferentes momentos, os nobres destronam os reis e estabelecem governos oligárquicos ou ditatoriais. Nobres, artesãos, comerciantes e camponeses lutam entre si para fazer predominar seus interesses. A presença de numerosa população escrava estrangeira traz a ameaça constante de rebeliões. O processo de luta entre essas classes desemboca na democracia. São concedidos direitos civis aos estratos livres da população, independentemente da classe social a que pertençam. Os escravos, não sendo parte do povo, são mantidos alijados desses direitos. As diversas póleis gregas, com diferentes formas de governo, travam guerras entre si pelo predomínio de seu sistema político.

DEMOCRACIA GREGA

Forma de governo adotada por várias póleis, baseada nos princípios da soberania popular e na distribuição eqüitativa do poder político. Os diversos estratos da população têm os mesmos direitos civis e políticos e participam do controle das autoridades. A forma democrática de governo criada pelos gregos é única durante a Antigüidade e só é retomada na Idade Moderna.

A civilização minóica – nome pelo qual também costumamos chamar o povo cretense nos primeiros séculos de existência – desenvolveu-se de uma forma organizada em cidades por volta de 3000 a.C. na ilha assinalada no mapa abaixo, às portas do Mar Egeu e com posição destacada no Mar Mediterrâneo. Mas arqueólogos já acharam diversos indícios que a ilha era habitada por povos neolíticos desde 6000 a.C.. As primeiras peças de cerâmica encontradas em escavações na ilha datam de 5700 a 5600 a.C.

Os primeiros habitantes, provavelmente povos oriundos das cercanias do Mediterrâneo e do Egeu, tinham na agricultura o principal sustento. Cultivavam principalmente oliveiras, vinhas e cereais como trigo e lentilhas, além de criar bois e cabras, tanto nas planícies da ilha como em volta dos primeiros assentamentos populacionais, que mais tarde tornaram-se as primeiras cidades cretenses.

Os cretenses também desenvolveram um forte artesanato e, por volta de 3000 a.C. – portanto, já na Idade do Bronze – aprenderam a manusear metais e passaram a fabricar utensílios que eram vendidos em diversos pontos do Mediterrâneo. Comercializavam muito com os egípcios e com os povos das ilhas do Mar Egeu, além das regiões da Palestina e da Síria.

Aproximadamente no ano de 1750 a.C. Creta passou por um sério problema que desestruturou toda a organização social da ilha. Não se sabe ao certo se foi um grande terremoto que destruiu muito do que existia, ou uma invasão de povos vindos de outros pontos do Mediterrâneo que “desfigurou” a sociedade cretense. O que se sabe é que realmente houve um grande evento que abalou a sociedade minóica.

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Por volta de 1700 a.C., já no reinado do rei Cnossos, Creta voltou a se organizar de forma mais consistente. Os cretenses instalaram vários portos ao longo do Egeu e do Mediterrâneo, o que garantiu o ressurgimento da economia marítima da ilha. Cnossos também ficou conhecido por construir um palácio belíssimo, e grande parte de suas ruínas estão de pé até hoje!

Ruínas do Palácio de Cnossos. Em volta do palácio funcionavam mercados, casas de banho, oficinas e armazéns. Cnossos pode ser considerado uma cidade. E muitas obras de arte ainda estão intactas nas paredes das ruínas, entre outras que foram encontradas por arqueólogos e levadas para museus.

No século XV a.C. o povo aqueu, originário do Mar Egeu, invadiu lentamente a ilha de Creta. Apesar da “invasão”, a fusão das duas culturas criou a sociedade micênica, que no futuro seria a base de formação da cultura grega. É bom citar que nesta época cidades cretenses influenciavam cidades gregas, que chegavam a pagar tributos à Creta. No século XII a.C. invasões mais rápidas e violentas acabaram com a sociedade micênica. A chegada dos eólios, os jônios e principalmente os dórios - vindos da região do Peloponeso - promoveram uma invasão realmente violenta. Grande parte da cultura da ilha foi assimilada ou simplesmente sumiu por volta de 1380 a.C..

Alguns historiadores sustentam a tese de que a erupção de um vulcão por volta de 1470 a.C. na ilha de Santorini, bem próximo a Creta e que causou um maremoto - tsunami? - destruiu muitos dos grandes portos cretenses e que esta destruição abalou os moradores da ilha que, sem muito o que fazer e sem muitas motivações para reconstruir tudo que foi destruído, teriam sucumbido aos dórios sem muita luta.

Eu, Vinicius, enquanto historiador, acredito que os dois fatores - a invasão e o maremoto - foram fundamentais já que os cretenses, na época, deveriam ser bem mais desenvolvidos que os dórios, até mesmo na parte militar. Mas vamos falar mais sobre alguns aspectos da sociedade cretense.

Organização Política:

Creta foi uma talassocracia formada por cidades que eram parecidas com as cidades-estado gregas, governadas pelas elites locais mas, diferente da Grécia, as cidades estavam ligadas e eram dependentes de uma capital - neste caso, a capital era a cidade de Cnossos. Também diferente da Grécia, as cidades cretenses não lutavam entre si, o que dá uma noção de que havia uma unidade, uma idéia de povo comum entre os habitantes da ilha.

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O rei Minos - aquele da lenda do Minotauro - nunca teria existido na verdade. Pelo menos é o que concluem os arqueólogos e historiadores que se debruçam sobre o passado cretense. A conclusão vem do fato de que até hoje não foi encontrada em Creta qualquer vestígio de que realmente tivesse existido qualquer rei com este nome. O palácio de Minos, onde estaria o famoso labirinto na verdade é o palácio de Cnossos. Os gregos é que acharam o palácio um verdadeiro labirinto e criaram a lenda.

Aliás, "lenda" e "Grécia" são duas palavras que geralmente andam juntas na Antiguidade...

Religião e mitologia:

Neste ponto os cretenses eram diferentes de todos os povos antigos: ele adoravam exclusivamente divindades femininas, ou seja, tinham uma religião matriarcal.

Homens participavam dos cultos na posição de sacerdotes, mas as divindades cultuadas eram todas femininas. Eles não valorizavam só o Sagrado Feminino, mas as mulheres também ocupavam posições de destaque no organização pública. Enfim, e mulher era venerada pela sociedade cretense como deveria ser.

Também veneravam o touro, animal encontrado em diversas gravuras juntamente com outros elementos religiosos para os cretenses, como o martelo de dois gumes - também conhecido como labrys.

Quanto à mitologia cretense os gregos - conforme comentado mais acima no texto - é que criaram toda uma mitologia usando a ilha como pano de fundo. Platão, ao falar sobre Atlântida, descreve a grande cidade como uma ilha desenvolvida e próspera que teria sido engolida pelo mar e sua população desapareceu. Ao ver fotos das ruínas do palácio de Cnossos e saber que Creta alcançou um certo desenvolvimento social e econômico considerável para a época, de quem vocês imaginam que Platão poderia estar falando?

- A lenda do Minotauro:

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Além da associação com Atlântida, Cnossos abrigou a lenda do Minotauro. O rei Minos teria pedido a Poseidon que mandasse um touro branco como reconhecimento de seu reinado. Só que Poseidon queria que o rei Minos sacrificasse o animal, o que não foi atendido - Minos acabou sacrificando outro animal no lugar deste.

Afrodite então fez com que a mulher de Minos, Parsifae, se apaixonasse pelo touro. Parsifae então pediu para que o artesão Dédalo construísse uma vaca de madeira para que ela, uma vez escondida dentro da vaca, pudesse "se entregar" ao animal. O resultado desta união é o Minotauro.

Parsifae cuidou da criança, mas à medida que ela crescia ficava cada vez mais furiosa. A única coisa que aplacava a fome do Minotauro era a carne humana, e Minos mandou construir um grande labirinto para abrigar a criatura.

Nesta época a cidade de Atenas era governada pelo rei Egeu. Uma versão da lenda diz que Androgeu, filho de Minos, teria sido morto por atenienses e que seu pai declarou guerra a Atenas e venceu, obrigando Egeu a enviar anualmente 14 jovens, sendo 7 homens e 7 mulheres, para servir de alimento para o Minotauro.

No terceiro ano que teria que enviar os jovens, o filho de Egeu, Teseu, se ofereceu para matar o Minotauro e seguiu junto com os outros jovens para Creta. Mesmo contrário à idéia, Egeu aceitou que o filho fosse até Creta mas pediu que, caso Teseu voltassecom vida, levantasse velas brancas no barco. Chegando à ilha, a filha de Minos, Ariadne, apaixonou-se por Teseu e deu a ele um novelo, no qual ele poderia se guiar no caminho de volta - uma versão diz que a própria Adriadne guiou Teseu até onde estava o Minotauro.

Teseu então lutou bravamente contra o monstro e conseguiu matá-lo. Liderando outros atenienses na fuga, conseguiu ainda destituir Minos do trono só que, ao voltar para casa, esqueceu de hastear velas brancas no barco e Egeu, seu pai, ao ver velas pretas no horizonte, entrou em desespero - acreditando que o filho estava morto - e se jogou no mar, que acabou ganhando seu nome.

Arte cretense:

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Como a civilização foi uma das "bases" para a cultura grega, existem semelhanças entre a arte dos dois povos, mesmo em épocas de desenvolvimento distintas. Segue abaixo algumas obras famosas dos cretenses (algumas imagens ao clicar abrem em uma melhor definição):

Afresco "As Damas de Azul".

"O touro"

Vaso retratando um polvo, animal encontrado em diversas cerâmicas.

Máscara cretense feita em ouro.

Afresco das "Mulheres Pugilistas" em Akrotiri.

Quem já conheceu Creta sabe - e sempre comenta - que a ilha guarda diversas obras de arte de seu passado. Pesquisando para colocar as imagens aqui no texto eu pude constatar que além das obras de arte a ilha tem suas belezas naturais, além da sua importância histórica. O certo é que Creta é passagem obrigatória para todos que querem conhecer um pouco mais sobre a civilização grega.

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