Histórico da Educação no Brasil  - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
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Gaucho_827 de Março de 2013

Histórico da Educação no Brasil - Apostilas - Pedagogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

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Apostilas de Pedagogia sobre o estudo do histórico da educação no Brasil do século XX, a contribuição de Anísio Teixeira.
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Educar para a democracia como fundamento da educação no Brasil do século XX: a contribuição de Anísio Teixeira

Educating for democracy as the foundantion of education in Brazil of the twentieth century: the contribution of Anísio Teixeira

RESUMO

O presente artigo se inscreve no contexto de uma investigação mais ampla que analisa a questão dos fundamentos da educação brasileira com pretensão de educar para a democracia, formulada ao longo do século XX, verificando a base filosófica e a forma de práxis educativa sugerida para viabilizar o discurso pedagógico enunciado. Neste artigo procedo a análise do papel de Anísio Teixeira para a configuração do ideal de educação para a democracia através da escola. Anísio Teixeira é um dos ícones do movimento escolanovista no Brasil do século XX, com forte atuação no cenário educacional brasileiro enquanto intelectual e também como gestor de sistemas educacionais, implicado em organizar formas práticas de viabilizar as suas ideias. O estudo de caráter bibliográfico verificou a influência do pragmatismo americano e do liberalismo na formação das ideias de Anísio Teixeira, bem como procede a discussão sobre as formas pedagógicas que o autor propõe para viabilizar o ideal de educar para a democracia através da escola. O estudo analisa, ainda, as críticas que o pensamento de Anísio Teixeira recebeu e pondera sobre as chances e o vigor do seu pensamento pedagógico no cenário educacional. Palavras-chave: educação brasileira; discurso pedagógico; democracia; Anísio Teixeira.

1 Doutor em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Diretor-Geral do Colégio Martinus, em Curitiba, Paraná, Brasil. Desenvolve estudos sobre discurso pedagógico e gestão educacional.

Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 39, p. 225-239, jan./abr. 2011. Editora UFPR 225

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ABSTRACT

The present article inscribes itself within the context of a wider research, that examines the issue of the foundations of Brazilian education with the ambition to educate for democracy, which was formulated during the twentieth century, by examining the philosophical basis and the kind of educational praxis suggested to make viable the enunciated pedagogical discourse. This article accomplishes the analysis of the role of Anísio Teixeira to the configuration of the ideal of educating for democracy by the school. Anísio Teixeira is one of the icons of the new school movement in Brazil of the twentieth century, with a serious performance in the Brazilian educational scenario as a scholar and as well as an educational systems’ manager, involved in organizing practical ways to make viable his ideas. The study of the bibliographical character has found the influence of American pragmatism and liberalism in the formation of the ideas of Anísio Teixeira, even as it carries the discussion on the pedagogical forms proposed by the author to achieve the ideal of educating for democracy by means of school. It further examines the criticism that the thought of Anísio Teixeira received and considers the chances and the force of his pedagogical thinking in the educational scenario. Keywords: Brazilian education; pedagogical discourse; democracy; Anísio Teixeira.

Anísio Teixeira e a Escola Progressiva

Anísio Teixeira integra o grupo dos educadores que produziram o célebre “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, de 1932. Esse grupo entendia não haver outra prioridade a ser enfrentada dentre os problemas nacionais do início do século XX que não fosse o grave problema da educação. Para o enfrentamento desta necessidade, cabia uma ação decisiva do Estado em favor da escola pública, gratuita, obrigatória e leiga. Dentro do quadro da pedagogia contemporânea, a chamada educação nova ou progressiva integra uma tendência com origens no final do século XIX, na Europa. Por “educação nova” entende-se, no dizer de Lorenzo Luzuriaga (1984, p. 227), “a corrente que trata de mudar o rumo da educação tradicional, intelectualista e livresca, dando-lhe sentido vivo e ativo. Por isso se deu também a esse movimento o nome de ‘escola ativa’”. É importante ressaltar que o movimento renovador acompanha a história da pedagogia em todas as épocas, embora a organização dos sistemas escolares seja mais recente na história da

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educação e da pedagogia. Especificamente sobre o movimento da escola nova, ou escola progressiva, como preferem Dewey e Anísio Teixeira, podemos identificar, ainda conforme Luzuriaga (1984, p. 228, 229) quatro etapas ou momentos principais: • o da criação das primeiras escolas novas na Europa e nos Estados Unidos: em 1889 e 1893 foram criadas duas escolas na Inglaterra; em 1898 foi criada uma na Alemanha e outra na França; e, em 1896, fundada por John Dewey, foi criada uma em Chicago, Estados Unidos; • o da formulação das novas ideias ou teorias da educação nova, entre 1900 e 1907, na qual se desenvolvem as duas principais correntes pedagógicas, uma baseada no pragmatismo ou instrumentalismo de John Dewey e a da escola ativa ou do trabalho, com as reformas do ensino feitas por Kerschensteiner, na Alemanha; • o da criação e publicação dos primeiros métodos ativos, que vai de 1907 a 1918, quando surgem os métodos de Maria Montessori, em Roma, o método dos Centros de Interesse, de Decroly, em Bruxelas, o Plano Dalton e o Método de Projetos, de William Kilpatrick; • o da difusão, consolidação e oficialização das ideias e métodos da nova proposta de educação, que se desenvolve a partir de 1918. Nesta etapa, surgem outras contribuições, como as de Cousinet e Freinet e surgem, também, reformas escolares que adotam o ideário escolanovista em vários países europeus. Essa divisão não deve ser tomada de forma estática e, sim, apenas como uma organização didática proposta por Luzuriaga para caracterizar o desenvolvimento da escola nova na virada do século XIX para o século XX. Reconheça-se, ainda, que a influência da escola nova atinge os tempos atuais. Em particular a partir da Reforma Educacional advinda da LDB 9394/96, fortemente marcada pela influência construtivista, vários elementos da escola nova, como o trabalho com projetos, são retomados e atualizados. As escolas progressivas adornam uma ideologia democrática, progressista de cunho liberal, ligadas a uma concepção fortemente individualista (aqui entendida no sentido de radicalmente individualizante) do sujeito humano, focada na autonomia e na possibilidade pessoal de escolha, fato que, para Dewey, traduzia a verdadeira liberdade. Tornar a escola mais adequada à sociedade moderna trouxe para a escola progressiva, conforme relata Franco Cambi (1999, p. 526-527), algumas características próprias como o puericentrismo, ou seja, o reconhecimento do papel essencial e ativo da criança, a preocupação com o tema da motivação, pois a aprendizagem real e funcional deve estar ligada ao interesse real da criança e ao estudo do ambiente, uma vez que a realidade concreta é produtora de experiências e a socialização, necessidade primária do

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ser humano, focada num desenvolvimento de autonomia que reveja as formas autoritárias de relacionamento, pois a liberdade de escolha é um objetivo importante para a vida imediata.

As raízes filosóficas do pensamento pedagógico de Anísio Teixeira

A obra de Anísio é a do pensador e também a do gestor público da educação, homem de discurso e de ação consequente em favor da escola pública. Segundo Marisa Cassim (1999, p. 17), a produção teórica de Anísio Teixeira é uma composição, uma vez que ele “reunia conferências, trechos de relatórios e artigos, tematizando seu fértil trabalho intelectual, antes disperso em revistas e boletins” e gerando, assim, os livros. Outra marca interessante na obra de Anísio Teixeira é o tom coloquial de seus textos, em geral presumindo mais um ouvinte do que propriamente um leitor. Avesso a excessos de forma, ao mesmo tempo em que denota um claro domínio dos conceitos com que opera, os desenvolve de modo didático, repleto de exemplos, que ao leitor qualificado podem se tornar supérfluos, mas significam uma chave de leitura oportuna aos neófitos. A obra de Anísio ainda que já iniciada na década de 1920, ganha maior volume no Brasil sob o governo de Getúlio Vargas, que de 1930 a 1945 ocupa o Palácio do Catete no Rio de Janeiro. Nesse contexto, o pensamento da Escola Nova traz o discurso educacional para a cena. Diz Anísio Teixeira:

Transforma-se a sociedade nos seus aspectos econômicos e sociais, graças ao desenvolvimento da ciência, e com ela se transforma a escola, instituição fundamental que lhe serve, ao mesmo tempo, de base para sua estabilidade, como de ponto de apoio para a sua projeção (TEIXEIRA, 2000, p. 25).

Conforme Pedro Angelo Pagni (2001), a constituição da base do pensamento filosófico e pedagógico de Anísio Teixeira se dá entre 1930 e 1934. É o período em que Anísio Teixeira publica o livro “Vida e Educação”, contendo a tradução feita por ele dos textos “A criança e o currículo” e “Interesse e esforço”, de John Dewey. No mesmo livro publica o texto “A pedagogia de Dewey”, texto de sua autoria que contém uma apresentação ao pensamento do autor estadunidense. Pagni localiza nesta fase o esforço de Anísio em “introduzir os

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educadores numa Teoria da Educação” e “propor uma organização curricular para a Escola Nova nascente no Brasil” (PAGNI, 2001, p. 156). Anísio Teixeira declara que o seu pensamento não tem pretensões de originalidade. Apresenta como sua principal influência o filósofo estadunidense John Dewey (1859-1952) e confessa-se devedor, também, de William Kilpatrick (1871-1965). De Dewey, de quem foi tradutor de algumas obras (ver 1976, 1978), toma a influência da filosofia pragmatista e de Kilpatrick faz um empréstimo de ordem didática, que é a pedagogia de projetos (Kilpatrick, 1978). Anísio Teixeira foi aluno de ambos na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. Desta junção, formula a sua contribuição para o pensamento educacional brasileiro. O próprio Anísio Teixeira resumia essa filiação, apontando que “Dewey diz o que se deve fazer e Kilptrack diz o como se pode fazer, em educação” (TEIXEIRA, 1978, p. 17). Lourenço Filho (1978, p. 7), parceiro e colaborador importante do movimento da escola progressiva, traduz de forma sintética o que entende ser a marca da influência de Dewey na formulação do pensamento pedagógico de Anísio Teixeira. A marca deweyniana no pensamento anisiano, segundo ele, se traduz em três princípios básicos: • não pode haver nenhuma separação entre vida e educação, ou seja, não se acredita numa ideia de escola com função preparatória à vida. Ela própria é quem atua na escola. Sendo assim, os fins da educação não são fins idealizados, para serem cumpridos num tempo futuro, mas fins práticos, realizáveis pela experiência compartilhada na vida social em miniatura que deve ser a escola; • não há outro fim para a educação que não seja mais educação, e “mais educação” “significa maior capacidade de pensar, comparar e decidir com acerto e íntima convicção”, diz Lourenço Filho (p. 9). Neste sentido, a afirmação cruza com o entendimento de John Dewey (1976, p. 44) sobre o que seja liberdade, que para ele é “a capacidade de formar propósitos e levar a efeito.” • A escola deve assumir a feição de uma comunidade em miniatura, pois desta prática imediata resultaria uma melhor conexão com a vida social em geral. Nesta convicção, desenvolvem-se situações de comunicação e de cooperação entre as pessoas e da própria escola com as demais instituições como a família, organizações públicas e privadas, civis e religiosas, visando propósitos comuns e afirmandose como situação concreta de vivência do modelo de democracia que pretende desenvolver através do trabalho escolar. Segundo a filosofia de John Dewey cabe à educação, no mesmo sentido em que tudo progride no mundo, também ser progressiva e calcada na reconsEducar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 39, p. 225-239, jan./abr. 2011. Editora UFPR 229

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trução da experiência. Tanto Dewey quando Anísio Teixeira, ainda que façam contrapontos entre a educação progressiva e a educação tradicional, sustentam que a melhor contribuição que a filosofia da educação pode realizar em relação ao pensamento pedagógico é o exame que opera o esclarecimento da linguagem de cada discurso pedagógico. Em suma, a ideia fundamental da filosofia de educação que Dewey sustenta, e da qual Anísio Teixeira é herdeiro e desenvolvedor, “é a de haver relação íntima e necessária entre os processos de nossa experiência real e educação,” (DEWEY, 1976, p. 8) o que traduz a unidade fundamentadora dessa teoria educacional. Para isto, conforme o próprio Dewey alerta, é necessário se ter uma ideia clara do que trata a experiência em educação e não tomá-la como um novo dogma. Se a educação tradicional operava com uma lógica de organização hermética, feita, acabada, a educação progressiva não pode dogmatizar a liberdade e correr o risco de dar pouca atenção à organização, abandonando qualquer forma de direção. Isso seria contraproducente e incoerente, alerta Dewey (1976, 1978), em vários comentários que permeiam os seus textos sobre os excessos de interpretação da filosofia da experiência por ele identificados, já na época, em muitas escolas progressivas, onde se adotaram medidas permissivas na organização escolar em nome dos ideais de liberdade e autonomia.

A influência do pragmatismo instrumentalista de Dewey

O pragmatismo surge como escola de pensamento no final do século XIX, nos Estados Unidos e envolve nomes ilustres como William James e Charles Peirce, que em 1870 encontravam-se regularmente com outros filósofos para discutir filosofia. O pragmatismo pode ser considerado um novo nome para antigas maneiras de pensar, uma vez que filosofias concentradas na ação existem desde os gregos. O pragmatismo, diz Cornelis de Waal (2007, p. 18), “desenha uma conexão íntima entre teoria e prática, entre pensamento e ação” e, ao contrário das filosofias fundacionistas, estabelece um critério de significação de qualquer conceito a partir de suas consequências práticas concebíveis. Ao considerar que não há nenhum mundo acabado a ser nominado conceitualmente e apresentado como a verdade em si, que ofereça um padrão seguro, confiável, absoluto, coloca a filosofia numa dimensão procedural, que, segundo alguns críticos, reverte num triunfo dos meios sobre os fins. Opondo-se à filosofia transcendental, pode-se dizer que o pragmatismo é mais um critério de significação do que propriamente um critério de verdade.

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A educação escolar gera situações que formam pontos de contato entre diferentes grupos, contextos valorativos, contribuindo para a ampliação da mobilidade social e da democracia. Sendo a educação responsável por cunhar as novas gerações e lhes repassar de forma ativa e orgânica o legado das gerações e da cultura, a construção prática da vida democrática no plano imediato é a única forma de torná-la possível no plano futuro. Não se educa para depois. O que a escola não for capaz de produzir para o presente também não o fará para o futuro. Para a filosofia pragmatista importa menos saber se uma sentença é verdadeira, pois se não há dados nem fatos que signifiquem por si mesmos, há, portanto, apenas linguagem e produção de discurso, este pautado ou não em evidências empíricas. A verdade, portanto, nesta perspectiva, é apenas o que se tem de melhor para acreditar, ou seja, um conjunto de enunciados que se mostram mais úteis para dominar o real ou para viver melhor do que outros. Dizer que “uma ideia tem seu valor pelos efeitos que ela produz” é uma das máximas do pragmatismo, desde a origem. A situação da experiência pedagógica, o “arranjo social global” no sentido em que Dewey (1976, p. 38) compreende, nos alerta para a estreita vinculação entre processo educativo, indivíduo e meio social. O meio social fornece as condições para que o indivíduo enfrente, desenvolva e, para usar uma expressão própria de Anísio, realize a sua personalidade. Na leitura da filosofia da experiência não existe qualquer contradição entre teoria e prática ou entre indivíduo e sociedade. A intenção, movimento individual que gera o esforço consciente, necessário à reconstrução da experiência, é fundamental. Se aprender é adquirir novos comportamentos, não é possível adquirir um novo modo de agir se não se tem esta intenção. Esse ponto vem combater o suposto veio espontaneísta atribuído normalmente à educação progressiva. Quando o indivíduo estabelece fins para si mesmo, põe em movimento o esforço e usa esses fins como medida para verificar o seu progresso ou fracasso e organizar um tipo de atitude pessoal que o desenvolve globalmente. Sendo a aprendizagem um processo de aquisição de novos meios de ação, ou seja, mudança de comportamento diante da vida, não se aprende somente o que se tem em vista, mas um conjunto de temas e de valores que estão ligados a uma atividade que é desenvolvida, ou seja, “aprende-se por associação”. Sendo assim, a experiência, como diz Anísio Teixeira, é “um modo de existência” em que situação e indivíduo se transformam. A atividade educativa, portanto, promove a reorganização da experiência e investe na formação de processos conscientes, que não podem ocorrer sem controle, sem intervenção. No entender desta filosofia, ao contrário dos que fazem dela uma leitura espontaneísta, o investimento da educação progressiva não é na falta de direção e sim

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no redirecionamento da forma de intervenção e no modo como a autoridade é utilizada. A significação social dos hábitos se manifesta não na dimensão do futuro a ser cumprido (premissa preparatória da escola tradicional), mas na “aquisição de certos modos visíveis e externos de ação” (TEIXEIRA, 1978, p. 23). Essa leitura pragmática do processo pedagógico, recolhida do pensamento de Dewey, alinha-se com a leitura de uma educação como “o processo de reconstrução e reorganização da experiência, pelo qual lhe percebemos mais agudamente o sentido, e com isso nos habilitamos a melhor dirigir o curso de nossas experiências futuras”, sublinha Anísio Teixeira (2004, p. 17), numa sentença que é uma síntese razoável desta filosofia.

A educação progressiva e a organização do sistema escolar idealizados por Anísio Teixeira

Anísio Teixeira avalia que a moderna sociedade industrial está produzindo um indivíduo perdido, fragmentado e neurótico, sensível apenas a formas de excitação ou da sensação. Esse novo regime, pautado na inteligência (uso da ciência) e na liberdade (uso da democracia), não se daria por um ato de vontade e também não pode ocorrer sem a interferência governamental. Deve, sim, ser “o resultado de um sistema de educação estendido a todos com extrema eficácia” (TEIXEIRA, 1978, p. 35). Além do sistema de educação, Anísio aponta a necessidade de sistemas de pesquisa científica e de um sistema de meios de comunicação livre e imparcial. O sistema de educação pública que Anísio Teixeira idealiza tem uma pretensão de equalização das diferenças sociais e pode ser descrito a partir de algumas características globais, como “a municipalização da escola, com administração local, programa local e professor local,” (1999, p. 64) pois acredita numa escola estreitamente vinculada com a comunidade. Defende, ainda, uma escola mais prática do que intelectualista, feita “sob medida para a cultura da região” (1999, p. 65). Anísio Teixeira compreende que a prioridade estava no atendimento à educação primária, numa época (1957) em que a taxa de conclusão da quarta série primária era de apenas 10% (1999, p. 61). A escola primária, para ele, deveria ser uma escola de base, a que ele chamou de “educação comum indispensável” e que não fosse subsumida pela atividade preparatória para a admissão em estudos posteriores. Deveria estar focada em seus próprios propósitos formativos. Esta escola deveria ser uma escola de tempo integral,

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nem uma escola somente de letras, nem uma escola de iniciação intelectual, mas uma escola sobretudo de prática, de iniciação ao trabalho, de formação de hábitos de pensar, de fazer, hábitos de trabalhar e hábitos de conviver e participar em uma sociedade democrática, cujo soberano é o próprio cidadão (TEIXEIRA, 1999, p. 63).

Para a filosofia da educação anisiana, a mudança fundamental não é tanto nos fins, mas, ao renovarem-se os meios, e por intermédio dos meios, os próprios fins também se atualizam. Para ele há uma intersecção entre meios e fins, que não se distinguem senão mentalmente. Considerando que a escola deve ser uma réplica da sociedade a que ela serve, a ideia de comunidade em miniatura a que Dewey se refere, é necessário reformar a escola e adequá-la ao progresso da sociedade, promovendo um reajuste “pelo desenvolvimento interno de suas próprias forças melhor analisadas” (TEIXEIRA, 2000, p. 12), o que situa claramente a perspectiva de reconstrução da experiência que orienta Anísio Teixeira, dado o seu credo nas possibilidades do método científico e da necessidade de pensar uma filosofia da educação que se encontre em sintonia com um conhecimento interligado com a ação e com a prática, portanto empírico e experimental, e que efetivamente funcione, pois a escola não pode ficar no seu estagnado destino de perpetuadora da vida social presente. Anísio idealiza um sistema de educação articulado nas três esferas: municipal, estadual e federal. O Poder Público atuaria em diferentes ordens, cabendo ao município as escolas primárias e médias, enraizadas na comunidade, ao estado caberiam as escolas médias, superiores e profissionais e a formação dos professores primários e à União caberia manter um sistema supletivo em todos os níveis, com escolas demonstrativas, geradoras de pesquisa educacional (TEIXEIRA, 1999). Desta ação tríplice articulada moveria uma assistência técnica e financeira das instâncias superiores sobre as inferiores. Na esfera local haveria conselhos de administração escolar, ligados à comunidade, ligados à vereança local com poderes de gestão dos recursos municipais, que deveriam ser de 20% dos recursos tributários municipais, e de direção das escolas locais. Esta educação sob medida ao aluno e à comunidade local é uma marca da proposta anisiana, orientado que é por uma ideia de gestão descentralizada e autônoma, contrário à educação seletiva e intelectualista como finalidades em si para a educação. O modelo educacional que ele idealiza possui uma unidade vital, ou denominador comum, que é o eixo pragmatista. Este suporte pontua que é preciso pensar à luz das consequências, pois, como disse Dewey, a experiência vale pela projeção de sua repercussão prática. Em suma, Anísio Teixeira preserva e investe

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na forma democrática, na educabilidade humana e se orienta por uma formação equilibrada das oportunidades sociais. Entende que cabe ao Estado assegurar a garantia do direito à educação que cada cidadão tem e vincula a existência da democracia a “um certo mínimo de educação para todos” (TEIXEIRA, 1999, p. 97). O caráter federativo do sistema de ensino, que de forma solidária integra as três ordens do poder público e a existência de fundos para a educação, administrados pelos conselhos locais e uma educação primária compulsória, completa estas características

Finalizando: das relações entre a filosofia da educação e a ação pedagógica na escola a partir de Anísio Teixeira

Anísio não pretende fazer a revolução ou alterar a ordem econômica. Entende que o modelo liberal faculta a possibilidade da sociedade democrática que deve ser forjada através da escola. Essa tarefa grandiosa exige um processo pedagógico que suplante a ideia de que estudar é o modo de aprender uma lição e de que ensinar é fazer preleções temáticas, sobre ciência ou mesmo sobre moral, cujos conteúdos seriam tomados no dia seguinte. Essas práticas são discursos vazios porque não preenchidos da prática social necessária para estimular o pensamento. A escola tradicional se ocupara de ensinar, informando os resultados da ciência. Para Anísio, a tarefa de profundo desafio e de elevada ousadia era ensinar os meios de obter os resultados, ou seja, capacitar as crianças e jovens nos meandros da reconstrução da experiência social e científica, essa sim, uma prática de provocação e incremento da inteligência e o do caráter necessários à vida democrática. Assim, para Anísio, “aprender significa ganhar um modo de agir. Aprendemos, quando assimilamos uma coisa de tal jeito que, chegado o momento oportuno, sabemos agir de acordo com o aprendido.” (TEIXEIRA, 2000, p. 43-44). Essa visão radical em relação às funções da escola não pode ser relativizada por uma crítica apressada de cunho ideológico. Anísio é liberal. Portanto, desqualifica-se a sua contribuição ao pensamento filosófico educacional, que, sem dúvida alguma, promove avanços na forma de compreender os processos de ensinar e de aprender e se esquece a sua obra em defesa da escola pública de qualidade para todos. É também evidente que a sua pedagogia pode ser alertada sobre os riscos de um processo demasiadamente individualizante, mas não há como negar que a força da sua reflexão altera de vez o horizonte da educação brasileira.

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“Por que será que, embora reconhecido como um dos mais importantes educadores brasileiros, recorre-se tão pouco a ele como uma tradição de pensamento que merece ser apropriada pela atual geração de educadores?” Com esta pergunta, as pesquisadoras Zaia Brandão e Ana Waleska Mendonça abrem os questionamentos do texto “Por que não lemos Anísio Teixeira?”, publicado em 1997. As autoras desenvolvem o texto a partir do argumento de que a contribuição anisiana compõe uma tradição esquecida. Parafraseando a expressão tradição desafortunada, cunhada por Hugo Lovisolo (1990), as autoras acreditam que este “esquecimento” pode ter sido gerado como um “desdobramento de um certo preconceito para com os representantes do pensamento liberal em educação”, uma vez que é um hábito no campo educacional adjetivar como conservadora toda contribuição que tenha essas raízes, em particular, eu destacaria, a partir da ênfase e influência de uma certa leitura de esquerda marxista que povoou a pesquisa educacional, em particular a partir da década de 1980. Autores de importância no meio educacional como Luiz Antonio Cunha, em “Educação e Desenvolvimento Social no Brasil”, Carlos Jamil Cury, em “Ideologia e Educação Brasileira”, e Dermeval Saviani, em “Escola e Democracia”, ainda que com argumentos distintos, apontam a contribuição anisiana como ilustração dos efeitos da “ideologia liberal” sobre a área educacional, indicando que esta referência educacional promove a legitimação da classe dominante no poder, como uma proposta educacional a serviço do sistema capitalista dominante, pautada na ocultação das desigualdades sociais, promotora de falsas consciências, ao não priorizar a leitura do conflito de classe como promotor do progresso e, sim, o desenvolvimento individual das aptidões naturais, que geraria uma correção das desigualdades sociais sem alterar a ordem econômica. Paulo Ghiraldelli Jr., professor paulista e estudioso do pragmatismo americano, entende que “ser liberal, no sentido americano como Anísio via nesta palavra, nada tinha de conservador” (GHIRALDELLI, 2001, p. 143). O autor acredita que esse tipo de leitura, que ele chama de “patrulha ideológica”, é derivado de interpretações vindas do contexto da redemocratização do Brasil. Ali havia uma “semântica de tempos de guerra,” (GHIRALDELLI, 2001, p. 142) que gerou uma leitura depreciativa de Anísio Teixeira. A sua contribuição foi adjetivada com termos como escolanovista, tecnicista, americanista, liberal, resultado de um tipo de “marxismo quase mítico,” (GHIRALDELLI, 2001, p. 147) promotor de uma leitura empobrecedora da sua obra. Essa redução ideologizada da contribuição do pensamento de Anísio Teixeira aparece como uma “via de desqualificação” (MENDONÇA; BRANDÃO, 1997, p. 188), e, talvez, a mais importante, destaquemos, é a que aponta suspeitas sobre o caráter democrático de seu pensamento, este que lhe era o ideal mais caro e fundamento principal de sua filosofia de educação. O fato dos EUA ter

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sido o berço intelectual fundamental de Anísio Teixeira, país onde amadureceu as suas convicções e interpenetrou conhecimento e modo de vida, transformando a sua teoria em fundamento da própria existência, fez com que ele assumisse a sua identificação com o pensamento liberal na apresentação de suas ideias. A sociedade democrática precisa de “homens conscientes, informados e capazes de resolver os seus próprios problemas”, diz Anísio Teixeira (2000, p. 40). Para o autor, o fim da escola é justamente “ajudar os nossos jovens, em um meio social liberal, a resolver os seus problemas morais e humanos.” (TEIXEIRA, 2000, p. 42, grifo meu). O pensamento de Anísio Teixeira sobre educação escolar sustenta uma reflexão filosófica pautada na ideia de progresso. Progresso do conhecimento científico, propiciado pela disseminação do método experimental e no investimento na ideia de democracia como forma moral fundamental. A expectativa de gerar desenvolvimento, de promover a modernização da sociedade brasileira através da educação e colocar o país inserido no movimento global que ele percebia estar sendo produzido a partir da indústria, da ciência e do avanço da democracia. A escola tradicional havia educado o homem moderno para a realidade moderna. O modelo de educação anisiano opera com a consciência de estar vivendo em um mundo em vital transformação e que a democracia ainda é um processo em igual transformação, a ser consolidada como modo de vida. Este otimismo que tem a construção de uma sociedade pautada na democracia como télos tem, no entanto, um aterramento importante. Anísio Teixeira, coerente com o pragmatismo que o orienta, sabe que uma ideia boa é aquela que tem boas repercussões práticas e imediatas. Isso traz a sua filosofia de um idealismo futuro que poderia ser traduzido num “educar para a vida” e assenta uma filosofia da educação do “educar na vida.” É preciso destacar que a contribuição fundamental de Anísio Teixeira para a filosofia da educação está na defesa da dinâmica da democracia como motor educacional que, mesmo compondo discurso com certo nível de idealização, contém uma dinâmica prática, uma preocupação em operacionalizar e gerar as condições estruturais que viabilizem a ação educacional com tais fins, que acentuam o seu compromisso não só com o mundo das ideias mas como homem de ação e fiel, portanto, ao pragmatismo que o inspira. Mas não é um pragmatismo de curto prazo, como se poderia denunciar. A sua preocupação em gerar sistemas estruturais comprova isso, assim como a sua vasta preocupação em divulgar estudos e investir na qualificação dos professores. Anísio tem clareza de que, ao defender a democracia, insere esta possibilidade numa construção que integra o quadro de mudanças que a civilização está vivendo, ou seja, participa do dinamismo do culto ao que é novo que ele viu acontecendo nos EUA.

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LIMA, J. F. L. Educar para a democracia como fundamento da educação no Brasil...

Anísio Teixeira entende que o seu propósito pode ser cumprido e isto implica não em dizer como fazer, mas em organizar a situação para que o télos pretendido, a democracia, antes de mais nada um atributo de origem moral, uma atitude, possa se produzir na interação entre as condições do meio e a disposição dos sujeitos em ação na realidade do agora, na concretude do imediato, porém, um imediato que não se esgota no curto prazo, uma vez que se pretende tornar este um modo de vida, pois que internalizado. Anísio acredita que a escola deva ser uma réplica da sociedade e que o ato de aprender deva se dar em uma situação real de experiência. O conhecimento geral deve ser oferecido pela educação comum organizada em uma prática singular, localizada, inserida na comunidade local. O desejo do aluno, que vem da consciência da necessidade, formula os recursos necessários para o aprender como ato global. Essa escola não prepara para a vida e sim é um centro onde se vive. Aqui e agora. Diante do futuro incerto, indefinido, é no presente que os homens podem governar suas vidas. Esta discussão coloca Anísio Teixeira numa linha de confluência entre a substantivação, o conteúdo em si, e a sua adjetivação, ou seja, o seu assentamento no contexto imediato, que o qualifica de modo distinto das premissas pautadas no idealismo abstrato. A filosofia da educação nos lembra que não podemos cultivar ou ensinar algo sem justificativa. Sem a formulação de um metadiscurso não há como educar, não há como atuar no campo educacional sem esse anteparo organizador. No entanto, pode-se buscar coerência e razoabilidade na organização do discurso pedagógico e atenção à condições de sua realização prática como bem nos ensina Anísio Teixeira. Essa combinação dupla pode ser importante para dizer aos sujeitos envolvidos no processo pedagógico que uma determinada ação educacional faz sentido.

REFERÊNCIAS

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Texto recebido em 20 de agosto de 2009 Texto aprovado em 28 de setembro de 2009

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