Insuficiência Cardíaca - Apostilas- Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)
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Neymar28 de Fevereiro de 2013

Insuficiência Cardíaca - Apostilas- Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)

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Apostilas sobre a insuficiência cardíaca, principais causas, sintomas, classificação, diagnóstico, tratamento e intervenções de Enfermagem.
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INTRODUÇÃO

Este trabalho abordará o seguinte tema: Insuficiência Cardíaca; trazendo as principais causas, sintomas, classificação, diagnóstico, tratamento e intervenções de Enfermagem.

Breve conceito: A visão atual da insuficiência cardíaca é diferente em relação ao início do século XX, quando as principais causas de insuficiência cardíaca congestiva eram miocardiopatia hipertensiva e valvopatias, especialmente estenose mitral. Atualmente, a insuficiência cardíaca é vista como doença de progressão lenta, permanecendo compensada por muitos anos, tendo como principal causa a miocardiopatia isquêmica, seguida pela miocardiopatia hipertensiva; no Brasil, a miocardiopatia chagásica ainda é prevalente.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Conceito: Síndrome onde ocorre a incapacidade do coração em manter o débito cardíaco necessário ao metabolismo, isto é, quando uma das cavidades do coração falha no processo de impulsionar a perfeita quantidade de sangue necessária ao organismo, durante um determinado período de tempo.

A Insuficiência Cardíaca (IC) não é uma doença do coração por si só. É uma incapacidade de o coração efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de outras enfermidades, do próprio coração ou de outros órgãos. Atualmente, a Insf. Cardíaca tem sido vista como uma doença da circulação e não apenas do coração. Quando o débito cardíaco cai após agressão miocárdica, mecanismos neuro-hormonais são ativados com o objetivo de preservar a homeostase circulatória.

CAUSAS MAIS COMUNS

Qualquer doença que afete o coração ou interfira na circulação pode causar insuficiência cardíaca.

• Defeitos na bomba. Essa categoria inclui várias doenças que danificam o miocárdio, reduzindo sua contractilidade.

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→ A causa mais freqüente é a doença aterosclerótica do coração;

→ Cardiopatia isquêmica;

→ Distúrbios elétricos (ex. fibrilação ventricular);

→ Miocardite.

• Insuficiência Valvar. Doenças que exigem um esforço maior do músculo cardíaco.

→ Endocardites;

→ Doenças degenerativas (ex. hipertensão arterial ou estenose da valva aórtica);

→ Doenças pulmonares como o enfisema.

• Cardiopatias restritivas/ constritivas que podem fazer com que uma quantidade maior de sangue retorne ao coração.

→ Pericardite;

→ Hipertireoidismo;

→ Anemia severa;

→ Doenças congênitas do coração.

Embora com uma freqüência muito menor, pode também acontecer que determinadas doenças que afetem outras partes do corpo aumentem exageradamente a necessidade de oxigênio e de nutrientes por parte do organismo, de tal modo que o coração, embora esteja normal, seja incapaz de satisfazer esta procura superior:

→ Obesidade;

→ Uso de álcool;

→ Uso de subst. tóxicas;

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→ Doenças infecciosas como Chagas, Toxoplasmose e Viroses (ex. HIV, Hepatite C, entre outras).

ETIOLOGIA

Existem a Insuficiência Cardíaca Aguda (ICA) e a Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC).

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA

Significa uma redução da capacidade do coração em manter um rendimento eficaz, geralmente devido a um distúrbio primário. É uma situação grave, exige tratamento médico emergencial, e mesmo assim é, muitas vezes, fatal.

Possíveis causas

• Infarto do miocárdio ou uma arritmia severa, após o qual o que resta do músculo cardíaco deve manter a circulação sangüínea e fazê-la necessariamente com maior esforço.

• Hipertensão, que obriga o coração a bombear sangue contra resistência acrescida.

Existem ainda as Insf. provocadas por doenças não cardíacas:

• Hemorragia severa;

• Traumatismo cerebral grave;

• Choque elétrico de alta voltagem.

Sinais

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Em muitos casos o historial do doente ajuda a determinar o diagnóstico. Contudo, como os doentes sofrem de falta de ar, torna-se difícil obter a informação necessária dos mesmos.

Um exame físico pode revelar os sinais característicos de insuficiência cardíaca aguda:

→ Inchaço (edema), geralmente em volta do tornozelo, indicando uma condição crônica;

→ Dificuldade em respirar, dispnéia;

→ Sinais de choque.

Tratamento

A ICA representa um elevado risco para o doente e requer uma terapia intensiva e imediata centrada em:

→ Melhorar a oxigenação do doente;

→ Aliviar a carga sobre o coração;

→ Aumentar a força de contração do coração.

*No caso o alivio da carga exercida sobre o coração é possível controlando o balanço dos fluídos e dos minerais, daí que sejam utilizados diuréticos para diminuir o fluído em excesso. Outros fármacos dilatam os vasos sangüíneos e contribuem para aliviar a resistência contra a qual o coração bombeia. De modo a normalizar a função cardíaca, é fundamental encontrara as causas que lhe são subjacentes.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA

Pode aparecer de modo agudo, mas geralmente se desenvolve gradualmente, às vezes durante anos. Sendo uma condição crônica, gera a possibilidade de adaptações do coração o que pode permitir uma vida prolongada, às vezes com alguma limitação aos seus portadores, se tratada corretamente.

A principal cauda da ICC é a aterosclerose das artérias coronárias, pois são elas que dão suprimento sangüíneo ao coração.

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Classificação

Em termos clínicos: Congestiva Retrógada = represamento de sangue para trás no sistema venoso.

Congestiva Anterógrada = débito cardíaco diminuído, que será responsável pela má perfusão tecidual. O baixo débito renal leva a retenção de sódio (sal) e água.

Em termos anatômicos: Esquerda/ Direita.

Insuficiência Cardíaca Esquerda (ICE): é a dificuldade do ventrículo esquerdo de bombear sangue para o organismo. Isso resulta em uma hipóxia, pois essa parte do coração é responsável pelo bombeamento de sangue arterial, rico O2 para o organismo.

O território que congestiona é o pulmonar.

Manifestações Clínicas:

→ Dispnéia;

→ Congestão pulmonar;

→ Cansaço;

→ Fadiga;

→ Tosse;

→ Rouquidão;

→ Taquicardia;

→ Ortopnéia (falta de ar quando deitado) ;

→ Dispnéia Paroxística Noturna ( falta de ar à noite, a pessoa acorda e obriga-se a sentar para obter algum alívio, muitas vezes por causa do edema de pulmão, dado o fato de estar deitado favorece o deslocamento do líquido para o interior dos pulmões) ;

→ Agitação e nervosismo, e pode progredir para o estupor (estado de inconsciência parcial) e o coma;

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→ Pele fria e pálida;

→ Edema Agudo de Pulmão (na insuficiência cardíaca esquerda, há um acúmulo de sangue nas veias e capilares pulmonares a tal ponto que acontece um extravasamento de fluídos para os espaços aéreos dos pulmões. Isso deixa o pulmão menos elástico e com menos superfície de contato entre os gazes inspirados e o sangue).

Insuficiência Cardíaca Direita (ICD): é a dificuldade do ventrículo direito de bombear sangue para os pulmões, usualmente ela é uma conseqüência da ICCe, pois qualquer aumento de pressão na circulação pulmonar, por ICCe, produz uma carga aumentada sobre o lado direito do coração.

Manifestações Clínicas:

→ Fígado – causa hepatomegalia, anorexia, náuseas, falta de apetite;

→ Os rins – levando a uma maior retenção de líquidos (há aumento de peso), nictúria (diurese noturna), edema periférico e azotemia (uremia, excesso de uréia no sangue);

→ O sistema porta de drenagem – resultando em esplenomegalia e podendo levar a ascite (acúmulo de líquido na cavidade peritoneal) ou anasarca (edema generalizado);

→ Os tecidos subcutâneos – causando edema periférico nos MI, principalmente no tornozelo;

→ O espaço pleural e pericárdico – causando derrame pleural e pericárdico;

→ O cérebro - levando à congestão venosa e hipóxia do sistema nervoso central;

→ Distensão jugular (veias do pescoço dilatadas);

→ Tontura;

→ Confusão;

→ Intolerância aos esforços e ao calor;

→ Disritmias (ritmo anormal).

Em casos de disfunção cardíaca crônica o paciente pode apresentar a ICE e a ICD ao mesmo tempo, caracterizando a ICC plena.

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Diagnóstico

• Anamnese: determina a existência de dispnéia aos esforços, dispnéia noturna, fadiga, tosse...

• Ecocardiografia: Método que investiga através de ultrassom a posição e a movimentação de certas partes internas do coração para detectar doenças;

• Eletrocardiografia: Método de registro, em forma de gráfico, das correntes elétricas do coração. Evidencia sobrecarga ou crescimento cardíaco, ou isquemia miocárdica. Esse exame também pode mostrar o aumento dos átrios e taquicardia;

• Radiografia do tórax: Reprodução fotográfica por intermédio dos raios X, que mostram acentuação das tramas vasculares pulmonares, edema pleural e cardiomegalia;

• Monitoração da pressão arterial pulmovar, revela:

- Aumento da pressão arterial pulmonar;

- Aumento da pressão telediastólica do ventrículo esquerdo ( nos pacientes com ICC esquerda );

- Aumento da pressão venosa central ou atrial direita (nos pacientes com ICC direita).

Complicações

• Edema Pulmonar;

• Insuficiência de órgãos vitais como rins e cérebro;

• IAM;

• Desequilíbrio Eletrolítico: diurese excessiva;

• Obstrução uretral ( em pacientes idosos do sexo masculino );

• Disritmias;

• Tromboembolia;

• Derrame e tamponamento pericárdico;

Tratamento

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Não existe um tratamento curativo na maioria dos casos, mas pode facilitar-se a atividade física, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevivência:

• Monitoramento de sintomas e do peso

Os sintomas da ICC devem ser explicados para o paciente e seus familiares bem como tratamento. Ênfase deve ser dada ao monitoramento do peso corporal. Ganhos de peso repentinos de mais de 2 Kg em menos de 3 dias é sinal de alerta para o paciente procurar auxílio médico.

• Atividade Social e Laborativa

Deve se ter o cuidado de não permitir o isolamento mental e social do paciente. As atividades sociais devem ser encorajadas. Se possível devem manter seu trabalho diário adaptado a sua capacidade física.

• Viagens

Atenção para grandes períodos sentado, sem mobilização.

• Vacinações

Todos os pacientes com insuficiência cardíaca devem ser vacinados contra a influenza e contra o pneumococo, principalmente os com formas mais graves, apesar de não existirem dados que comprovem o benefício real na insuficiência cardíaca.

• Dieta

Objetivo primário é de reduzir a obesidade. O controle e a restrição do sódio é mais importante na IC mais avançada que na leve.

• Fumo

Deve ser desencorajado em todos os pacientes.

• Consumo de Álcool

Diante da suspeita de miocardiopatia alcoólica o consumo de álcool deve ser proibido. Em todos os outros casos o consumo diário não deve exceder 40g para homens e 30g para mulheres, embora até o momento os dados sobre os efeitos do álcool na IC são insuficientes para suportar essa recomendação.

• Exercícios

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O descondicionamento físico é uma possível causa de alterações no metabolismo muscular, relacionado-se com sintomas, e deve ser evitado.

Atividade muscular leve tipo caminhada, deve ser encorajada, enquanto exercícios isométricos e extenuantes devem ser evitados. Programas de treinamento devem ser adaptados ao grau de IC e sempre realizados sob supervisão médica.

Existem evidencias que em pacientes com IC estável um programa de condicionamento físico melhora a capacidade física e a qualidade de vida, embora os efeitos sob o prognóstico sejam desconhecidos.

• Repouso

Não deve ser encorajado no paciente com doença estável, sendo recomendável nos quadros agudos ou nas exacerbações de quadros crônicos.

Também faz parte do tratamento:

• Diuréticos: Reduzem o volume sanguíneo e a congestão circulatória, O diurético torna- se desnecessário quando o paciente:

→ Mantém uma dieta hipossódica;

→ Evita ingesta excessiva de líquido;

→ Pratica atividade.

Exemplos de diuréticos: Furosemida, hidroclorotiazida, espironolactona, ácido etacrínico, bumetanida, triamtereno.

• Dieta Hipossódica e controle da ingesta líquida ( diminuem a quantidade do volume circulante, diminuindo a necessidade do coração de bombear esse volume );

• Oxigenioterapia: Facilita a oxigenação de órgãos vitais e do miocárdio;

• Inibidores da ECA: Uso oral ou venoso, proporcionam a vasodilatação e a diurese, diminuindo o trabalho cardíaco. São indicados para pacientes com ICC branda que manifestam fadiga ou dispnéia ao realizarem esforços, mas não apresentam aumento de volume hídrico e congestão pulmonar. Exemplo de inibidores da ECA: Benazepril, captopril, enalapril, enaprilat (EV), fosinopril, insinopril, quinapril, ramipril.

• Meias elásticas para prevenir trombose e estase venosa.

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• Anticoagulantes: Em presença de fibrilação atrial ou trombo mural, ou história de embolismo.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM

São medidas que visam melhorar e promover a recuperação do paciente com IC:

← Administrar medicamentos prescritos (os diuréticos devem ser administrados pela manhã para evitar a nictúria);

← Orientar o paciente a manter repouso alternando com atividades leves para evitar úlceras de decúbito (notadamente em pacientes edemaciados), flebotrombose e embolia pulmonar;

← Controlar dieta, que deve ser hipossódica;

← Manter balanço hídrico (principalmente no paciente com ascite);

← Pesar diariamente no mesmo horário (preferencialmente pela manhã);

← Auscultar o paciente para observar diminuição ou ausência dos estertores

pulmonares e sibilos;

← Identificar distensão venosa jugular;

← Observar a existências de edemas;

← Verificar sinais vitais assim como o nível de consciência do paciente;

← Observar sintomas de sobrecarga hídrica (Ortopnéia, dispnéia);

← Auxiliar no controle da ansiedade: Os pacientes com IC têm dificuldade para manter a oxigenação necessária, com isso ficam agitados e ansiosos, o que causa uma vasoconstricção dos vasos, elevação da pressão arterial e aumento da freqüência cardíaca. A enfermagem deve orientar de forma clara e tranqüila, tomando medidas que venham a proporcionar conforto e alívio;

← A IC torna o paciente vulnerável, o que pode gerar uma sensação de impotência. O paciente deve ser tratado de uma forma sincera e participativa, tendo o direito de tomar decisões relativas à sua vida (gostos, preferenciais, hábitos, etc.), desde que não venham prejudicar o seu tratamento.

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Orientações de Enfermagem para o paciente com IC após a alta hospitalar

Após a alta hospitalar o paciente deve manter os cuidados relativos à IC, os quais evitam internações desnecessárias e diminuição da expectativa de vida:

- Monitorizar diariamente os sintomas e o peso;

- Restringir a ingestação de sódio;

- Não ingerir líquido em excesso;

- Evitar álcool e fumo;

- Praticar exercícios regulares leves, atentando para sinais de fadiga e dispnéia;

- Repouso;

- Evitar estresse emocional;

- Usar os medicamentos prescritos diariamente e nos horários aprazados;

- Observar efeitos do medicamento (possíveis efeitos colaterais);

- Evitar extremos de calor e frio, porque aumentam o trabalho cardíaco;

- Fazer consultas médicas regulares;

- Comunicar ao médico imediatamente:

→ Ganho de peso;

→ Perda do apetite (inapetência);

→ Falta de ar decorrente de atividade;

→ Inchaço (edema) nos tornozelos, pés ou abdome;

→ Tosse persistente.

CONCLUSÃO

Com base nos dados mencionados no trabalho, concluí que a Insuficiência Cardíaca é uma conseqüência da incapacidade dos ventrículos em bombear quantidades adequadas de sangue para manter as necessidades periféricas do organismo.

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Os fatores desencadeantes da doença podem ser agravados por alguns costumes cotidianos de toda a população, tais como: hábito de fumar e de comer com demasiado sal, o excesso de peso e o consumo de álcool, assim como uso de substâncias tóxicas, porém, como é uma patologia de fácil percepção podemos realizar os tratamentos adequados, possibilitando assim obtermos seu controle.

BIBLIOGRAFIA

Livros

BRUNNER e SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico- Cirúrgica. 8.ed.Volume 2. Guanabara Koogan.

ANTCZAK; BRUM. Coleção Práxis Enfermagem – Fisiopatologia Básica. Guanabara Koogan e LAB.

DAMJANOV, Ivan. Segredos em Patologia: respostas necessárias em rounds, na clínica, em exames orais e escritos. Porto Alegre: Artmed, 2005.

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