Interações entre Plantas e Medicamentos - Apostilas - Biologia, Notas de estudo de Biologia. Centro Universitario Nove de Julho (UNINOVE)
Jose92
Jose9214 de Março de 2013

Interações entre Plantas e Medicamentos - Apostilas - Biologia, Notas de estudo de Biologia. Centro Universitario Nove de Julho (UNINOVE)

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Apostilas de Biologia sobre o estudo das Interações entre Plantas e Medicamentos, noções básicas, interações comuns.
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CEATRIM DEZ 2004.p65

INFORMATIVO CEATRIM no 3 - DEZ/2004

A Organização Mundial de Saúde aponta a disseminação de informação sobre plantas medicinais como uma das estratégias a

serem implementadas para assegurar o uso racional destes produtos. Entre os problemas mais comumente citados na literatura

encontra-se a interação entre plantas medicinais e os medicamentos, razão pela qual se constitui o tema deste boletim.

Interações entre Plantas e Medicamentos Débora Omena Futuro*, Fernanda de Souza Fiorini**, Selma Rodrigues de Castilho***

*Profa. Adjunto, Departamento de Tecnologia Farmacêutica e de Cosméticos, Fac. Farmácia - UFF **Acadêmica, Estagiária do CEATRIM/CMF/UFF

***Profa. Adjunto, Departamento de Farmácia e Administração Farmacêutica, Fac. Farmácia - UFF

Desde o início da história das civilizações o homem apren- deu a distinguir dentre as plantas aquelas que eram vene- nosas e as que poderiam favorecê-lo como alimento ou no alívio de suas dores. Foi pela curiosidade e pela necessi- dade que esse homem desenvolveu gradualmente o dom de manipulá-las e transformá-las em poções, experimen- tando-as das mais variadas formas. A arte de curar foi transmitida, no início, pela tradição oral. Mais tarde, esse conhecimento foi perpetuado sob a forma escrita em papiros, placas de argila, pergaminhos, manus- critos herbais e farmacopéias.1 No aperfeiçoamento da ci- ência médica, tornou-se indispensável a conjugação de es- forços para o entendimento dos medicamentos criados. A Botânica ofereceu instrumentos para a classificação e a identificação das espécies vegetais usadas, a Química pos- sibilitou o conhecimento das substâncias sintetizadas pelo reino vegetal e colaborou com a Farmacologia no estabe- lecimento dos princípios ativos de muitas plantas medicinais. A evolução da Química tornou possível a síntese de produ- tos naturais biologicamente ativos e sua modificação es- trutural para obtenção de medicamentos mais eficazes que os de origem natural. Progressivamente, as preparações fitoterápicas passaram a ser menos procuradas. Contudo, sua utilização reapare- ce com força revigorada nas últimas décadas. É a volta ao

natural, movimento observado em países desenvolvidos e subdesenvolvidos na procura de métodos alternativos de terapia em reação aos exageros e abusos no emprego de produtos químicos e de fármacos sintéticos. Não demorou muito para que a demanda por produtos fitoterápicos de- monstrasse uma força genuína, que passou a chamar a aten- ção de grandes laboratórios farmacológicos. O potencial de mercado desses produtos tem mostrado uma tendência de crescimento considerável, bem acima do mercado de produtos farmacêuticos como um todo. 2

À medida que um maior número de pessoas recorre aos fitoterápicos e às plantas medicinais, o número de interações relatadas entre estes medicamentos vem crescendo. No entanto, suspeita-se que um nú- mero ainda maior de interações deixou de ser noti- ficado pelo fato dos pacientes não relatarem aos profissionais de saúde o uso conjunto de medica- mentos e produtos f i to terápicos , complementos nutricionais e preparações caseiras a base de plan- tas medicinais. Indispensável, portanto, iniciar a discussão sobre a in te r f e rênc ia dos p rodu tos f i t o t e ráp icos nas ações de medicamentos, de forma a ampliar a ca- pacidade de percepção dos profissionais da área de saúde para ocorrências deste tipo.

N O Ç Õ E S B Á S I C A S S O B R E I N T E R A Ç Õ E S E N T R E M E D I C A M E N T O S E P L A N T A S M E D I C I N A I S

A s i n t e r a ç õ e s e n t r e m e d i c a m e n t o s e p l a n t a s m e d i c i n a i s p o d e m s e r d e n a t u r e z a f a r m a c o c i n é t i c a o u f a r m a c o d i n â m i c a . A s in te rações f a rmacoc iné t i cas oco r rem por e f e i - tos de t rocas na quant idade de substâncias a t i - vas disponíveis e são conseqüências de a l tera- ções em sua absorção , metabo l i smo, d is t r ibu i - ç ã o o u e l i m i n a ç ã o . A s i n t e r a ç õ e s fa rmacod inâmicas t êm lugar no s í t i o que a tua

o m e d i c a m e n t o e p o d e m s e r t a n t o a g o n i s t a s como an t agon i s t a s . Po r exemplo , um pac i en t e que t ome d i gox ina e uma p l an t a que t ambém possua g l icos ídeos , como Scrophular ia nodosa , poder ia exper imentar níveis e a t iv idade exces- s i v o s d e g l i c o s í d e o s , e m d e c o r r ê n c i a do somatór io dos e fe i tos das duas subs tânc ias . 3

O resu l tado da in te ração en t re medicamento e planta medicinal pode ser benéf ico , daninho ou

Centro de Apoio à Terapia Racional pela Informação sobre Medicamentos

n e u t r o , d e p e n d e n d o d o n í v e l e d o t i p o d e i n t e r a ç ã o . Al g u m a s p l a n t a s p o s s u e m p r o p r i e d a d e s h i p o g l i c e m i a n t e s q u e p o d e m t e r u m e f e i t o s iné rg ico com os agen tes h ipog l i cemian tes de presc r i ção . Em um pac ien te pouco in fo rmado , um agen t e h ipog l i cemian t e de o r i gem vege t a l pode p rovocar n íve i s pe r igosamente reduz idos de g l icose no sangue . 6

Exis tem in terações po tencia is baseadas no co- nhecimento da farmacodinâmica de um produto e a ap l icação de pr inc íp ios bás icos de fa rma- co log ia . Ass im, t odas a s p lan tas que possuem e fe i t o l a xan t e po r aumen ta r o bo l o i n t e s t i na l ( s e n e , c ás c a r a s a g r a d a , f r a n g u l a , P l a n t a g o ovata ) poder iam diminuir a absorção de deter- m i n a d o s m e d i c a m e n t o s ( c á l c i o , f e r r o , l í t i o , d igox ina e an t icoagu lan tes o ra i s ) . 1 2

Segundo in f o rme r ecen te , a E rva de São João ( H y p e r i c u m p e r f o l i a t u m ) é a p l a n t a m a i s f reqüen temente impl icada com in te rações com

I N T E R A Ç Õ E S C O M U N S :

É provavelmente a forma mais freqüente de interação. As mais comuns envolvem a warfarina. As plantas que possuem cumarinas ou substâncias s imi lares à cumarina ou análogos da vitamina K podem contri-

medicamentos . E a war far ina é no fármaco a que c o m m a i s f r e q ü ê n c i a s e c i t a e m c a s o s d e in terações en t re medicamentos e p lan tas . 3

ANTI-COAGULANTES:

buir para a ocorrência de transtornos hemorrágicos, dificultando a absorção e o metabolismo, imitando a atividade anti-plaquetária ou por mecanismos desco- nhecidos. 4-8

P l a n t a s q u e p o d e m i n t e r a g i r c o m w a r f a r i n a

Pimpinella anisum (Erva doce) Capsicum annum (Pimentão) Angélica sinensis (Angélica chinesa) Allium sativum (Alho) Zingiber officinale (Gengibre) Eleutherococcus senticosus (Ginseng siberiano) Ginkgo biloba (Ginkgo) Camellia sinensis (Chá preto) Curcuma longa (Açafrão) Tanacetum parthenicum

Salvia miltiorrhiza

Chamomile recutita

INTERAÇÕES COM A ERVA DE SÃO JOÃO (HYPERICUM PERFOLIATUM)

Hypericum perfoliatum (Erva de São João) é uma das plan- tas medicinais mais empregadas no mundo, sendo indicada para o tratamento da depressão, da ansiedade e da insônia. Estudos in vitro demonstraram que pode interferir com vários neurotransmissores, como a serotonina, ácido gamma sminobutírico (GABA), dopamina e norepinefrina em diver-

ciclosporina amitriptilina digoxina indinavir Simvastatina Midazolam warfarina teofilina contraceptivos orais inibidores seletivos da recaptação de serotonina e loperamida

sos graus. 10-11 Também utiliza aspectos do citocromo P- 450 e inibe a absorção gastrointestinal de várias substân- cias. Devido a seu amplo espectro de atuação, pode interagir diminuindo os níveis dos seguintes fármacos por aumentar seu metabolismo:

PLANTAS COM POTENCIAL ELETROLÍTICO E DE ALTERAÇÃO DE FLUIDOS

Alguns medicamentos, como os corticóides e certos diuréticos, reduzem os níveis de potássio no corpo. Outros, como a digoxina, têm efeitos que variam em função da quantidade de potássio do paciente. As substâncias de origem vegetal, que são capazes de al-

terar os níveis de potássio, podem interagir com estes me- dicamentos. Plantas com atividade laxante podem alterar os níveis de eletrólitos e a absorção de outros medicamen- tos orais.6 Substâncias que promovem a depleção de potás- sio mediante ação diurética, laxante ou outras, estão em:

Aloe barbadensis (Babosa) Curum carvi (Alcaravia) Ricinus communis (Mamona) Taraxacum officinale (Dente-de-leão) Scrophularia nodosa (Escrofulária) Linum usitatissimum (Linhaça) Mentha piperita (Hortelã-pimenta) Triticum vulgare (Trigo) Achillea millefolium (Mil-folhas) Sambucus canadensis

Helichrysum petiolare

Plantago afra-psilium

PLANTAS COM ATIVIDADES HIPOGLICÊMICAS E HIPERGLICÊMICAS

Entre as plantas que podem causar hipoglicemia, estão: Trigonella foenum-graecum (Feno Grego) Allium sativum (Alho) Cyamopsis tetragonolobus (Goma-aguar) Plantago ovata

Algumas plantas podem causar hipoglicemia se forem utilizadas de forma sinérgica com medicamentos de prescrição em pacientes diabéticos ou com controle de glicemia alterado.12

Entre as que possuem potencial hiperglicemico, estão: Ephedra sinica (Efedra) Zingiber officinale (Gengibre) Urtiga dióica (Urtiga)

SUBSTÂNCIAS COM ATIVIDADE NEUROPSIQUIÁTRICA

As propriedades sedativas dos benzodiazepínicos, barbitúricos e narcóticos podem ser potencializadas quando são utiliza- dos junto com determinadas plantas por ocorrer uma potencialização do efeito depressor sobre o Sistema Nervoso Central.3,12 São elas:

Capsicum annum (Pimentão) Nepeta cataria (Gataria) Apium graveolens (Aipo) Matricaria chamomilla (Camomila) Panax ginseng (Ginseng) Gingiber officinale (Gengibre)

Humulus lupulus (Lúpulo) Piper methysticum (Kava kava) Melissa officinalis (Melissa) Sassafrás albidum (Sassafrás) Urtiga dióica (Urtiga) Valeriana officinalis (Valeriana)

PLANTAS COM ATIVIDADES CARDÍACAS

Plantas com atividades cardíacas, combinadas com fármacos cardíacos de prescrição, incluindo anti-hipertensivos e agentes cronotrópicos e ionotrópicos, podem causar alterações cardiovasculares.3

Entre os exemplos estão:

Cimicífuga racemosa (Erva-de-São-Cristóvão) Cola acuminata Cola Harpagophytum procumbens Garra-do-Diabo Ephedra sinica Efedra

Trigonella graceum

Panax ginseng Ginseng Glycyrrhiza glabra Alcaçuz Daucus carrota

Zingiber officinale Gengibre

1. TREASE, G.E., 1985, Pharmacognosy, 20° edição, Alden Press, Oxford. 2 . QUEIROZ, M.S , 2003 , Saúde e Doença: um enfoque antropológico, 1 a ed ição , EDUSC, São Pau lo . 3. IZZO, AA & ERNST E. 2001. Interactions between herbal medicines and prescribed drugs: a systematic review. Drugs, 61: 2163-2175. 4. Heck AM, DeWitt BA, Lukes AL. Potential Interactions between alternative therapies and warfarin. Am J Health Sys Pharm. 2000; 57:1221-1227. 5. -Berman A. Herb-drug interactions. Lancet. 2000; 335:134-138. 6. Miller LG. Herbal Medicinals. Selected clinical considerations focusing on known or potential drug-herb interactions. Arch Intern Med. 1998; 158:2200-2211. 7. Rosenblatt M, Mindel J. Spontaneous hyphema associated with ingestion of Ginkgo biloba extract [letter]. N Engl J Med. 1997;336:1108.

O conhecimento sobre estas interações é limitado, tanto pela população quanto pelos profissionais de saúde. Vári- os problemas contribuem para a ocorrência da interação entre plantas e medicamentos, bem como pela baixa difu- são desta informação na sociedade. Entre estes fatores destacam-se: o problema de uma iden- tificação correta das espécies vegetais usadas em produ- tos naturais; a falta de padronização dos princípios ativos constituintes de muitos extratos vegetais, a ausência de estudos formais sobre interações medicamentosas, a falta de incorporação sistemática das plantas nos programas de farmacovigilância, a falta de atenção por parte dos médi- cos sobre o consumo destes produtos e muito provavel- mente falta de treinamento dos profissionais de saúde de identificarem episódios de interações medicamentosas em geral. Todos estes fatores são agravados pela falsa sensação de segurança quanto ao uso de plantas medicinais, caracte- rística presente na maioria dos usuários. Desta forma,

muitas vezes, o uso concomitante destes produtos com ou- tros medicamentos das mais variadas origens sequer é co- municado aos profissionais de saúde. Sem dúvida, existem casos documentados o suficiente para recomendar uma atitude vigilante, especialmente quanto aos pacientes que se tratam com medicamentos com po- tencial para provocar interações clinicamente relevantes (anti-coagulantes, anti-epiléticos, anti-retrovirais, imunosupressores, etc). Além das publicações e notificações de casos, existem múltiplos compêndios que podem ser utilizados como fon- tes de informações sobre plantas medicinais com um grau variável de aval científico das distintas propriedades que são atribuídas a eles. A contribuição dos farmacêuticos é muito importante no sentido de orientar e esclarecer os usuários de fitoterápicos não só sobre os cuidados na sua utilização, mas também sobre seus riscos em potencial, trabalhando pelo fim do conceito popular de que tudo que é natural ou vindo da natureza é “inócuo”, não faz mal.

R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S :

8. Suzuki O, Katsumate Y, Oya M, et al. Inhibition of monoamine oxidase by hypericin. Planta Med. 1984; 50:272-274. 9. Chavez et al. Hosp Pharm. 1997; 12:1621-1632. 10. Baureithel KH, Buter KB, Engesser A, et al. Inhibition of benzodiazepine binding in vitro by amentoflavone, a constituent of various species of Hypericum. Pharm Acta Helv. 1997;72:153-157. 11. Johne A, Brockmoller J, Bauer S, et al. Pharmacokinetic interaction of digoxin with an herbal extract from St John’s wort (Hypericum perforatum). Clin Pharmacol Ther. 1999; 66: 338-345. 12. Serrano Ruiz A, Cabrera García L, Saldaña Valderas M, Ruiz Antorán B,, Avendaño Solá C Riesgos de las plan- tas medicinales en uso concomitante con medicamentos. Informacion Terapeutica Del Sistema Nacional De Salud 2003, 27(6):162-167. http://www.msc.es/farmacia/ infmedic, acessado em 28/11/2004

Faculdade de Farmácia da UFF – Rua Mário Vianna, 523 - Santa Rosa – Niterói (RJ). Farmácia Universitária da UFF - Rua Marquês do Paraná, 282 Centro – Niterói (RJ). Telefones: (21) 2629-9600 e (21) 2629-9451 E- mail: ceatrim@vm.uff.br EQUIPE

Profa. Selma Rodrigues de Castilho (coordenadora) Profa. Débora Omena Futuro. Prof. José Raphael Bokehi. Bolsistas: Ana Alice Pereira, Wagner Decotte Vianna, Flávia Cardoso Soares. Estagiários: Marcelo Marsico, Aline Moreria Affonso, Luciana Almeida, Fernanda Fiorinni, Fernanda Affonso, Ulisses R. do Nascimento.

CEATRIM

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