Intoxicação por Paraquat - Apostilas - Agronomia, Notas de estudo de . Universidade Federal de Goiás (UFG)
Ronaldo89
Ronaldo891 de Março de 2013

Intoxicação por Paraquat - Apostilas - Agronomia, Notas de estudo de . Universidade Federal de Goiás (UFG)

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Apostilas sobre os aspectos gerais e diagnóstico clinicolaboratorial da intoxicação por paraquat. Toxicocinética, mecanismo de ação e toxicidade, quadro clínico da intoxicação, diagnóstico toxicológico e metodologias.
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ASPECTOS GERAIS E DIAGNÓSTICO CLINICOLABORATORIAL DA INTOXICAÇÃO POR PARAQUAT

Introdução

Intoxicações por praguicidas e outros produtos utilizados na agricultura são um problema de saúde pública mundial. Anualmente ocorrem cerca de 20 mil fatalidades e mais de 2 milhões de hospitalizações por esse motivo. Segundo Rüegg, no Brasil as intoxicações em agricultores aumentaram, chegando a um caso agudo a cada 8 trabalhadores examinados. A estimativa é de que, para cada caso registrado em hospital haja cerca de 250 não registrados, por falta de conhecimento clinicotoxicológico.

O paraquat é muito utilizado na agricultura, e chega a ter índice de 13% do total de mortes por praguicidas e outras substâncias químicas, na Irlanda chega a 78% e na Costa Rica, a 60%. Sua toxicidade é elevada, e atinge vários órgãos, como pulmões, fígado, cérebro, rins, coração, adrenais e músculos, mas o principal dano é nos pulmões, podendo culminar em falência respiratória e morte.

Por esse motivo, vários países suspenderam ou restringiram o uso de paraquat, além de adotar medidas como acrescentar substâncias com odor ao produto.

Aspectos Gerais

O paraquat (1,1´-dimetil-4,4´-bipiridilo), um herbicida de contato não-seletivo, é amplamente utilizado em culturas de alguns tipos de alimentos, por exemplo maçã, uva, arroz, café, entre outros. É um sólido incolor, não-volátil, explosivo nem inflamável em solução aquosa. É corrosivo para metais, e altamente estável em soluções neutras e ácidas, hidrolisando facilmente em meio alcalino.

Em animais, a dose letal oral está entre 22 a 262mg/kg, de acordo com a espécie. Já em humanos, foi observado que a ingestão de 10 a 15ml de uma solução a 20% é capaz de causar intoxicações fatais, porém já foram relatadas fatalidades com ingestão de 1ml do produto.

Toxicocinética

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A intoxicação por ingestão é a mais importante a ser estudada. Sua absorção é baixa, porém rápida, com pico plasmático de 2 a 4h, com meia vida em torno de 5h. Normalmente é excretado via renal, nas primeiras 24h, porém por ser nefrotóxico, pode haver prejuízo na eliminação. Se acumula principalmente nos pulmões, além dos rins, músculos, coração e fígado. Os músculos atuam como reservatório, explicando dessa forma, sua detecção no plasma e na urina várias semanas ou meses após a ingestão.

Mecanismo de ação e toxicidade

O mecanismo bioquímico em mamíferos ainda não está totalmente esclarecido. O proposto é descrito conforme abaixo:

Diagnóstico Toxicológico e Metodologias Disponíveis

Paraquat reage com o NADP e sofre redução pela enzima NADPH-citocromo P450 redutase, resultando na formação de um radical paraquat

O radical paraquat, em contato com o oxigênio dos pulmões rapidamente sofre autoxidação, produzindo radicais superóxido e regenerando o paraquat

Enquanto houver suprimento de NADPH , haverá repetição deste ciclo

Em altas doses de paraquat, há grande formação de superóxido, suprimindo a enzima superóxido dismutase (ela detoxifica o O2-), então esses ânions sofrem uma dismutação não- enzimática, formando oxigênio singlete que ataca os lipídios insaturados das membranas celulares.

Há formação de radicais livres lipídicos que espontaneamente geram radicais peroxil lipídicos, que podem reagir com outros ácidos graxos poliinsaturados, gerando hidroperóxido lipídico e mais radicais livres lipídicos. Com isso, haverá uma reação em cadeia denominada peroxidação lipídica.

Finalmente, o balanço entre a formação de radicais de oxigênio e sua dissipação pelo sistema celular de defesa é alterado, possibilitando o ataque de espécies reativas às biomoléculas, desencadeando o dano tecidual.

Quadro clínico da intoxicação

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No contato com a pele: irritação, descamação, ressecamento, dermatites, eritremas, úlceras e bolhas. Quando em contato com as unhas, pode levar a um amolecimento, descoloração assimétrica e alterações do crescimento.

No contato com olhos: irritação, necrose conjuntival, ceratite progressiva, diminuição da acuidade visual.

Sintomas gastrintestinais: dor e queimação na boca, faringe, esôfago e abdômen. Irritação, náuseas, vômito e diarréia. Em casos raros pode ocorrer perfuração do esôfago. Ingestões de grande quantidade podem causar perfurações devido a seu efeito cáustico.

Sintomas gerais: tontura, cefaléia, febre, mialgia, letargia e coma (este em consequência da hipóxia).

O pulmão é o principal órgão-alvo deste herbicida. Nele pode ocorrer injúrias severas como fibrose, edema, hemorragia e inflamação. As alterações respiratórias podem ser observadas por ocorrência de tosse, dispinéia, taquipnéia, queda da curva de saturação da hemoglobina, diminuição da tolerância a esforço físico, cianose periférica e hipoxemia.

No fígado pode ser observado necrose, levando a icterícia, inflamação portal, edema e degeneração dos canais biliares.

A patogênese das lesões renais não estão totalmente esclarecidas, mas sabe-se que ele causa dano no túbulo contorcido proximal, podendo culminar em insuficiência renal aguda.

Lesões no SNC também podem ocorrer, pois o paraquat tem a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica. Doses elevadas podem causar ansiedade, convulsão e ataxia.

No coração pode haver miocardite tóxica, arritmias e choque.

Diagnóstico toxicológico e metodologias

Os métodos de triagem, como a cromatografia em camada delgada (CCD) e as reações de caracterização, são rápidos, de baixo custo e qualitativos, permitindo identificar facilmente o paraquat em material biológico. Dessa forma, são muito utilizados na rotina clínica para diagnóstico toxicológico.

A CCD pode ser empregada em diversos materiais biológicos, utilizando diferentes fases móveis.

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O paraquat pode ser identificado na urina através do teste utilizando ditionito de sódio 1% em meio alcalino. A mudança de coloração da amostra para azul significa presença de paraquat em concentrações superiores a 0,5mg/l na urina. Deve ser realizado nas primeiras 24 horas da intoxicação. O tom de azul poderá variar de acordo com a gravidade do caso e, por conseguinte, fornecer um prognóstico da sobrevivência (CALDAS, 2000).

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