Introducao a economia, Exercícios de A Física da Vida Cotidiana. Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)
Felipe.Alves
Felipe.Alves25 de Outubro de 2016

Introducao a economia, Exercícios de A Física da Vida Cotidiana. Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)

PDF (2.5 MB)
168 páginas
12Número de visitas
Descrição
dfdsfs#f
20pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 168
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Pré-visualização finalizada
Consulte e baixe o documento completo
Introducao_a_economia.indd

Introdução à economia

Introducao_a_economia.indd 1 21/01/14 18:27

Introducao_a_economia.indd 2 21/01/14 18:27

Introdução à economia

Regina Lúcia Sanches Malassise Wilson Salvalagio

Introducao_a_economia.indd 3 21/01/14 18:27

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Malassise, Regina Lúcia Sanches M238i Introdução à Economia / Regina Lúcia Sanches Malassise; Wilson Salvalagio – Londrina: UNOPAR, 2014. 168 p.

ISBN 978-85-87686-51-0

1. Economia 2. Macroeconomia. I Título.

CDD-300

© 2014 by Unopar

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo

ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação,

sem prévia autorização, por escrito, da Unopar.

Diretor editorial e de conteúdo: Roger Trimer Gerente de produção editorial: Kelly Tavares

Supervisora de produção editorial: Silvana Afonso Coordenador de produção editorial: Sérgio Nascimento

Editor: Casa de Ideias Editor assistente: Marcos Guimarães

Revisão: Luciane Gomide Capa: Solange Rennó

Diagramação: Casa de Ideias

Introducao_a_economia.indd 4 21/01/14 18:27

Unidade 1 — Iniciação à economia ...............................1 Seção 1 Conceito de economia ........................................................3

1.1 Breve retrospecto do pensamento econômico .........................................5

Seção 2 Funcionamento da economia de mercado ........................17

2.1 Fatores de produção e necessidades humanas .......................................17

2.2 Problemas econômicos fundamentais e a questão da escassez ..............19

2.3 Sistemas econômicos e o papel do Estado .............................................20

2.4 Bens e serviços econômicos..................................................................24

2.5 Fluxo circular de renda .........................................................................25

2.6 Divisão da economia ............................................................................26

2.7 Economia e demais áreas do conhecimento ..........................................26

Unidade 2 — Elementos básicos de macroeconomia ................................31

Seção 1 Macroeconomia: conceitos básicos..................................32

1.1 Objetivos de política econômica ..........................................................33

1.2 Estrutura da análise macroeconômica ..................................................56

Seção 2 Entendendo os indicadores econômicos ..........................58

2.1 Produto Interno Bruto (PIB) ...................................................................58

2.2 Índices de inflação ................................................................................62

2.3 Medindo o desemprego ........................................................................63

2.4 Rendaper capita ...................................................................................63

2.5 Balanço de pagamentos ........................................................................64

2.6 Dívida externa ......................................................................................66

2.7 Carga tributária .....................................................................................66

Sumário

Introducao_a_economia.indd 5 21/01/14 18:27

vi I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

2.8 Dívida interna pública ..........................................................................66

2.9 Base monetária/meios de pagamentos ...................................................66

2.10 Taxa de juros .......................................................................................67

2.11 Reservas cambiais ...............................................................................67

Unidade 3 — Noções de economia brasileira ..............71 Seção 1 Transformações econômicas nos anos recentes .................73

1.1 Um mundo em transformação ..............................................................73

1.2 Processo inflacionário brasileiro ...........................................................79

1.3 Planos de combate à inflação até 1994 .................................................81

Seção 2 Plano Real .........................................................................84

2.1 Processo de implantação e os primeiros anos .......................................84

2.2 Atividade econômica nos primeiros anos do real ..................................87

2.3 Segundo governo FHC ..........................................................................90

2.4 Plano Real sob o governo Lula ..............................................................92

2.5 Alguns resultados do governo Lula ........................................................93

2.6 Plano Real sob o governo Dilma Rousseff .............................................93

Seção 3 Sistema financeiro nacional ..............................................96

3.1 Conceito, evolução e atualidade do SFN ..............................................96

3.2 Estrutura do sistema financeiro nacional ...............................................96

Unidade 4 — Elementos básicos de microeconomia ..105 Seção 1 Análise de mercado .........................................................106

1.1 Pressupostos da análise microeconômica ............................................106

1.2 Demanda e seus determinantes ...........................................................111

1.3 Deslocamentos da curva de demanda ................................................117

Seção 2 Estruturas de mercado ....................................................123

2.1 Concorrência pura ou perfeita ............................................................124

2.2 Oligopólio ..........................................................................................125

2.3 Monopólio ..........................................................................................126

2.4 Concorrência monopolística ...............................................................126

2.5 Demais estruturas de mercado ............................................................128

2.6 Concentração de mercado ..................................................................128

2.7 Markup ...............................................................................................129

Introducao_a_economia.indd 6 21/01/14 18:27

S u m á r i o vii

2.8 Outras considerações sobre o preço do produto .................................129

2.9 Economias de escala ...........................................................................130

2.10 Arranjo Produtivo Local (APL’s) .........................................................130

Unidade 5 — Tecnologia, produção e receitas das firmas ............................................139

Seção 1 Estudo da produção ........................................................140

1.1 Produção ............................................................................................141

1.2 Produtividade .....................................................................................142

Seção 2 Custo de produção e receita ...........................................144

2.1 Custos de curto prazo .........................................................................144

2.2 Observações adicionais sobre a teoria dos custos de produção ...........145

2.3 Receita da firma ..................................................................................147

2.4 Break-Even Point .................................................................................147

Referências ................................................................149

Introducao_a_economia.indd 7 21/01/14 18:27

Introducao_a_economia.indd 8 21/01/14 18:27

O crescimento e a convergência do potencial das tecnologias da informação e da comunicação fazem com que a educação a distância, sem dúvida, contribua para a expansão do ensino superior no Brasil, além de favorecer a transformação dos métodos tradicionais de ensino em uma inovadora proposta pedagógica.

Foram exatamente essas características que possibilitaram à Unopar ser o que é hoje: uma referência nacional em ensino superior. Além de oferecer cursos nas áreas de humanas, exatas e da saúde em três campi localizados no Paraná, é uma das maiores universidades de educação a distância do país, com mais de 450 polos e um sistema de ensino diferenciado que engloba aulas ao vivo via satélite, Internet, ambiente Web e, agora, livros‑texto como este.

Elaborados com base na ideia de que os alunos precisam de instrumentos di‑ dáticos que os apoiem — embora a educação a distância tenha entre seus pilares o autodesenvolvimento —, os livros‑texto da Unopar têm como objetivo permitir que os estudantes ampliem seu conhecimento teórico, ao mesmo tempo em que aprendem a partir de suas experiências, desenvolvendo a capacidade de analisar o mundo a seu redor.

Para tanto, além de possuírem um alto grau de dialogicidade — caracterizado por um texto claro e apoiado por elementos como “Saiba mais”, “Links” e “Para saber mais” —, esses livros contam com a seção “Aprofundando o conhecimento”, que proporciona acesso a materiais de jornais e revistas, artigos e textos de outros autores.

E, como não deve haver limites para o aprendizado, os alunos que quiserem ampliar seus estudos poderão encontrar na íntegra, na Biblioteca Digital, acessando a Biblioteca Virtual Universitária disponibilizada pela instituição, a grande maioria dos livros indicada na seção “Aprofundando o conhecimento”.

Essa biblioteca, que funciona 24 horas por dia durante os sete dias da semana, conta com mais de 2.500 títulos em português, das mais diversas áreas do conhe‑ cimento, e pode ser acessada de qualquer computador conectado à Internet.

Carta ao aluno

Introducao_a_economia.indd 9 21/01/14 18:27

x I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Somados à experiência dos professores e coordenadores pedagógicos da Unopar, esses recursos são uma parte do esforço da instituição para realmente fazer diferença na vida e na carreira de seus estudantes e também — por que não? — para contribuir com o futuro de nosso país.

Bom estudo!

Pró‑reitoria

Introducao_a_economia.indd 10 21/01/14 18:27

A disciplina de Introdução à Economia propiciará a você, aluno, conhecimentos básicos da economia.

Para entendermos a importância da economia na vida das empresas e das pes- soas, é importante compreendermos que o estudo da economia tem por objetivo formular propostas a fim de resolver ou minimizar os problemas econômicos, atendendo, assim, às necessidades humanas e promovendo o bem-estar de cada um. Dessa forma, podemos conceituar a economia como uma ciência social que estuda de que forma a sociedade decide empregar os recursos produtivos escassos, ou seja, os fatores de produção terra, trabalho e capital, a fim de mais bem atender às necessidades da coletividade.

O estudo da teoria econômica divide-se em duas partes: a microeconomia, que trata do estudo de mercados individuais — os agentes econômicos privados —, verificando como se comportam os consumidores e os produtores nesse mercado, como se dá a formação de preços dos produtos; e a macroeconomia, que analisa os agregados econômicos, buscando estudar o comportamento da produção total de bens e serviços do país, bem como a evolução da inflação, os investimentos totais da economia, as exportações, a renda etc.

Apresentação

Introducao_a_economia.indd 11 21/01/14 18:27

Introducao_a_economia.indd 12 21/01/14 18:27

Seção 1: Conceitos de economia

Nesta seção abordaremos as noções conceituais de economia e discutiremos os itens: necessidades hu- manas e fatores de produção. Finalizaremos com uma breve evolução do pensamento econômico.

Seção 2: Funcionamento da economia de mercado

Nesta seção será abordada a forma como os econo- mistas descrevem a atividade econômica. Discutire- mos os itens: bens econômicos, sistemas econômicos e problemas econômicos num contexto de economia de mercado.

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você será levado a co- nhecer os conceitos básicos de economia. Assim, você aprofundará seus conhecimentos sobre o funcionamento da atividade econômica.

Regina Lucia Sanches Malassise

Iniciação à economia

Unidade 1

Introducao_a_economia.indd 1 21/01/14 18:27

2 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Introdução ao estudo

Para que o gestor possa tomar as decisões nas empresas que administra é impor- tante que ele conheça a lógica econômica. Independente do tamanho da empresa é necessário conhecer a evolução da economia, sua conjuntura, suas perspectivas futuras e principalmente seu estágio atual. Não há possibilidades de gerir qualquer atividade se o gestor não compreender o significado da economia para o mercado.

Para entendermos a importância da economia na vida das pessoas é importante compreendermos que o estudo da economia tem por objetivo formular propostas a fim de resolver ou minimizar os problemas econômicos, atendendo, assim, às necessidades humanas e promovendo o bem-estar de cada um. Dessa forma, pode- mos conceituar a economia como uma ciência social que estuda como a sociedade decide empregar os recursos produtivos escassos, ou seja, os fatores de produção terra, trabalho e capital, a fim de mais bem atender às necessidades da coletividade (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

Necessidades humanas: Desejo de compra de bens e serviços, que podem surgir em função das necessidades próprias de subsistência de cada um; em função do meio em que se vive; ou em função de aspectos psicológicos que induzem ao surgimento de necessidades nas pessoas.

Para saber mais

Ciência social: Estuda o homem e seu convívio em sociedade em momentos históricos preestabelecidos.

Para saber mais

Nesta unidade iremos conhecer os conceitos básicos da economia, seus objetivos, os problemas econômicos fundamentais e o uso dos fatores de produção como ele- mentos essenciais para o funcionamento do processo econômico. O conhecimento obtido com o estudo desta unidade permitirá ao aluno compreender o processo eco- nômico desde seus objetivos básicos, que desencadeará na formação de conceitos econômicos que contribuirão para o entendimento dos outros aspectos da economia, que serão vistos nas demais unidades.

Introducao_a_economia.indd 2 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 3

Seção 1 Conceito de economia

A palavra economia deriva do grego oikonomía, originada de óikos, que significa casa, e nómos, que significa lei, tendo, portanto, a significação de administração de uma casa, ou do Estado. Podemos, então, definir a economia como:

Uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas. Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de produção são es- cassos; contudo as necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Isso obriga a sociedade a escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produ- tiva aos vários grupos da sociedade (VASCONCELLOS; GARCIA, 2004, p. 2).

Desse conceito podemos destacar algumas palavras-chave. Comecemos por ciência, que em linhas gerais é um termo utilizado para definir todas as áreas do conhecimento que tem método de estudo. As análises econômicas têm por base um método de estudo.

O pai da ciência é Galileu Galilei, italiano que viveu entre 1564 e 1642, que observou os fenô- menos mais comuns da natureza e a regularidade com que eles ocorriam procurando descrevê-los com detalhes de cálculo e matemáticos. De seus estudos nasceu o método científico.

Para saber mais

Depois destacamos o termo social; como vocês já ouviram muitas vezes, o homem é um ser social, isto é, vive em grupos e sob determinada organização social. Isso quer dizer que temos leis, normas e regras que devem ser seguidas para garantir um bom convívio social, ou seja, garantir não só o convívio, mas também a sobrevivência do grupo.

O homem vive em sociedade, o todo social exige certo nível de organização para que as atividades que promovem a existência e subsistência do homem sejam possíveis. Para saber e entender mais sobre o tema organização social você deve estudar o material indicado acessando o link:

RIBEIRO, Paulo Silvino. O que é organização social? Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ sociologia/o-que-organizacao-social.htm>. Acesso em: 23 out. 2012.

Saiba mais

Introducao_a_economia.indd 3 21/01/14 18:27

4 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Depois destacamos a palavra decidem, o que quer dizer que os homens terão que fazer escolhas. Feita a escolha eles empregam, ou seja, utilizam os fatores produtivos. Recursos produtivos, fatores de produção ou meios de produção referem-se aos recur- sos utilizados pela sociedade para produzir bens e serviços. Eles estão agrupados em grandes categorias como: recursos naturais, recursos humanos, capital, tecnologia. Mais à frente falaremos deles com mais detalhes.

Quanto às palavras bens e serviços, trata-se de itens produzidos para satisfazer as necessidades humanas. Conforme veremos mais à frente eles recebem diferentes classificações.

Quanto às necessidades humanas destacamos que as pessoas procuram bens e serviços porque eles são úteis, ou seja, satisfazem alguma necessidade. Um exemplo de como são e evoluem as necessidades humanas é representado pela Hierarquia das Necessidades de Maslow. Segundo essa teoria os seres humanos têm desde necessi- dades básicas, que estão na base da pirâmide, até necessidade de autorrealização, que está no topo da pirâmide. Muitas dessas necessidades precisam de diversos bens e serviços para serem satisfeitas. Assim, com esse exemplo, podemos ver que as ne- cessidades se transformam e evoluem; se pensarmos na humanidade toda, veremos que de fato elas são ilimitadas.

Falando especificamente dos produtos e serviços. Se você pensar um pouco verá que existe uma infinidade de produtos e serviços que se destinam à satisfação dessas necessidades. Não que elas dependam somente de recursos materiais para serem sa- tisfeitas, mas, como estamos no campo da economia, devemos observar quais delas podem ser supridas pela existência de recursos materiais e disponíveis no mercado de bens e serviços.

A palavra escasso vem do termo escassez. Esse termo pode ser entendido como referência a valores absolutos, como se produzirmos todos os bens e serviços para satisfazer todas as necessidades até que todos os seres humanos estejam satisfeitos, com certeza esgotaremos os recursos naturais do planeta. Ou em termos relativos, quando, por exemplo, temos um aumento no preço do açúcar, a cana (que é um recurso natural) é direcionada para produção de açúcar, então ocorre queda da pro- dução de etanol no mercado interno.

Essa escassez é momentânea até que a nova safra de cana seja produzida ou que os produtores reduzam a produção de açúcar e direcionem a cana para produção de etanol. Assim, outros exemplos podem ilustrar a escassez: o tempo que você estuda não pode ser utilizado em lazer; quando vai ao supermercado seu dinheiro é limitado e você terá que escolher o que comprar assim como as quantidades; a fábrica de confecções tem máquinas que devem ser utilizadas na produção de roupas, mas o em- presário deverá escolher o que produzir já que a demanda por roupas é diversificada.

Do conceito de economia podemos, então, concluir que, se há produção de bens e serviços e eles satisfazem as necessidades humanas, ao mesmo tempo isso atende a uma questão econômica. Por meio da produção dos bens, gera-se riqueza que será distribuída pela sociedade. Também podemos ver que do conceito de economia

Introducao_a_economia.indd 4 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 5

emanam todos os demais estudos da economia que se complementam e ao mesmo tempo permitem sistematizar a análise econômica.

Não há sociedade que não tenha as necessidades como grande desafio a ser vencido. Assim, a economia tem como tarefa primordial empregar adequadamente os fatores de produção para possibilitar o atendimento desse grande desafio. Mas podemos também dizer que nesse processo estamos gerando, criando e distribuindo riqueza, então, entender como a riqueza se distribui e como isso afeta o mundo é uma das preocupações da economia.

Assim, quer da ótica do estudo da melhor alocação de recursos escassos, quer da ótica da investigação sobre a riqueza, tivemos vários economistas de diferentes escolas do pensamento econômico que estudaram e explicaram a economia de acordo com suas concepções. Na sequência veremos, de maneira resumida, a evolução do pensamento econômico.

1.1 Breve retrospecto do pensamento econômico a) Mercantilistas: foram os primeiros economistas a estruturar al-

gumas observações com sentido econômico. Sua preocupação com o poder de uma nação levou-os a pregar que a acumulação de metais preciosos era fundamental para o crescimento do país. Então, incentivaram a balança comercial positiva, a exploração de outras fronteiras e o estabelecimento de colônias, além de apoiarem a centralização do poder nas mãos dos monarcas.

b) Fisiocratas: suas ideias sobre crescimento estavam centradas na agricultura, pois na visão desse grupo somente a terra tinha a capacidade de multiplicar um produto, pois recebia uma semente e devolvia muitas outras. Também pregavam que o funcionamento da economia se dava via fluxo, assim a riqueza circulava pela economia, como o sangue nas veias, em dois fluxos que ficaram conhecidos como fluxo real e fluxo nominal. Para que esse fluxo funcionasse corretamente os homens preci- sam agir livremente sem a intervenção do Estado. Dessa forma prevaleceria na economia o laissez-faire. Com essas condições toda riqueza gerada na produção, circulação e distribuição de mercadorias seria reaplicada na própria economia fazendo-a crescer.

c) Economia clássica: estes partiram do laissez-faire e acrescenta- ram a ideia de que ele promoveria, por meio da mão invisível, o melhor bem-estar. Essa ideia é mais bem entendida se ob- servarmos que a racionalidade dos homens os levaria a buscar o melhor para si. Num mundo onde todos os homens agem, buscando o melhor para si, prevaleceria o melhor para todos. As nações cresceriam porque seus cidadãos teriam empresas e buscariam produzir mais e melhor para poder vender aos demais países. O aumento da produção seria conquistado com a divisão do trabalho, conforme descreve Adam Smith, na obra Riqueza das Nações (1776), e pela aplicação da lei de Say criada por Jean Baptiste Say (1803), que também aceitava que a oferta cria sua própria procura. Além disso, um país poderia obter bene-

Introducao_a_economia.indd 5 21/01/14 18:27

6 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

fícios ao se especializar na produção de bens nos quais tivesse vantagem comparativa em relação aos demais países, conforme destacou David Ricardo (1817). Porém, um ponto importante de preocupação já era o crescimento populacional. Thomas Malthus (1798) alertava para tal, enfatizando que a população crescia mais rapidamente que a produção de alimentos. Assim, a escola clássica elabora suas suposições sobre o funcionamento da economia e geração de riqueza observando os fatos históricos e necessidades da Revolução Industrial. Essa forma de pensar a economia será dominante até a crise de 1930.

d) Pensamento de Karl Marx: economista que viveu entre 1818 e 1883, Marx trabalhou junto com Friedrich Engels (1820-1895) e fizeram uma leitura histórico-crítica da economia na obra O Capital. Em sua obra, capital é uma relação social que surge com a burguesia e cria duas classes sociais, os capitalistas e os proletários. Os capitalistas são os donos dos meios de produção e ampliam sua riqueza pela extração da mais-valia. A mais-valia é a diferença existente entre o valor produzido pelos proletários e o valor pelo qual foram contratados.

A forma de geração de riqueza seria a extração da mais-valia, prática comum a todos os capitalistas. Ao longo do tempo a perpetuação dessa prática avança dando origem as duas leis que explicam o movimento do capital na geração de riqueza, são elas: a concentração e a centralização de capitais. Na primeira, as empresas maiores absorvem as menores e, na segunda, as grandes empresas disputam o mercado entre si, surgindo as fusões, aquisições de grandes grupos empresariais. Assim, a forma como o capitalismo evolui levaria ao seu fim na medida em que os capitais se fundissem até restar um grande capital e um grande contingente de proletários/trabalhadores excluídos. Para Marx, somente a união dos trabalhadores poderia por fim ao avanço predatório do capitalismo, por isso ficou célebre sua frase “trabalhadores do mundo todo uni-vos”.

A forma como Marx explicou o funcionamento da economia capitalista e o alerta de seus seguidores como Michal Kalecki (1899-1970) levantaram as suspeitas sobre a tendência à superprodução do sistema capitalista, o que foi uma grande contribuição para a teoria econômica. Porém, essas obras foram pouco divulgadas e tiveram pouco impacto no pensamento econômico da época. Um dos motivos para isso era tocar em pontos delicados sobre a geração e distribuição da riqueza, pois essa visão abordava a questão de luta de classes que surge do direito da propriedade privada dos meios de produção e que é uma discussão muito maior do que aceitar as leis naturais ou a mão invisível, conforme destacavam os clássicos.

Singer (1987) sugeriu uma leitura simples e acessível da forma de análise do pensamento de Karl Marx. Segundo ele, o capitalismo sugere uma série de imagens e ideias, dentre elas destaca: o capitalista, que é o dono do capital, é um sujeito rico; a existência de uma enorme variedade de bens e serviços; a ideia de especulação ou ganho financeiro com a valorização de alguma mercadoria; a busca incessante e concorrência pelo dinheiro; a ideia de que tudo vira mercadoria, isto é, pode ser vendido no mercado, assim, é possível transformar tudo o que é desejável em objeto

Introducao_a_economia.indd 6 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 7

de comércio, quando não é possível arrumam-se sucedâneos para estes, por exemplo, amor não se vende, mas sexo sim.

Esta leitura se explica pela análise histórica da evolução da economia. Nas eco- nomias anteriores ao capitalismo: os bens eram intercambiados em feiras sazonais ou mercados permanentes; as pessoas produziam para seu consumo básico e não dependiam do mercado para isso; o dinheiro era importante para adquirir bens de ostentação.

Assim, o tempo dedicado a ganhar dinheiro devia ser menor que o tempo dedicado ao autoconsumo e as atividades não econômicas de cunho religioso e recreativo. A produção era artesanal, realizada em unidades pequenas, corporações de ofícios. Nesses casos havia uma limitação do volume da produção cujo objetivo era manter o preço justo. Além disso, para manter a qualidade dos produtos, proibiam-se as inovações técnicas valorizando a tradição e a defesa das vantagens adquiridas no passado; essa economia prevalece na Idade Média.

Surge no século XVI o capitalismo manufatureiro como fruto da formação do mercado mundial e das grandes navegações. Nele ganham destaque os produtos com grande densidade de valor, como ouro, prata, tabaco. Com o crescimento dos mercados, o capital, que antes circulava mercadorias e valores, adentra a produção e torna-se manufatureiro. Na Europa muitos empresários capitalistas investem e em- pregam muitas pessoas para atender a demanda dos novos mercados, que surgem com a queda das barreiras que os separavam. O desenvolvimento da navegação é condição necessária para a unificação dos mercados, e o acesso econômico a esses mercados foi garantido pelas monarquias, que contribuíram para a superação das cor- porações. De forma geral, o avanço do capitalismo manufatureiro foi lento e desigual (em consequência da exploração das metrópoles sobre as colônias), e alcança melhor desenvolvimento na Grã-Bretanha criando condições para a Revolução Industrial.

Reunindo vários trabalhadores sobre o teto da fábrica o capitalista pode, por meio da divisão técnica do trabalho, alcançar maior escala de produção e maior produtivi- dade do trabalho. A divisão técnica do trabalho dentro da manufatura proporcionava aumento de produtividade de três formas: poupando tempo concentrando o trabalha- dor em uma única atividade, aumentando a destreza e especialidade naquele trabalho, e ensejando a invenção de várias ferramentas adaptadas a cada tipo de trabalho.

Aos poucos as atividades de subsistência começaram a ser incorporadas à econo- mia capitalista (de mercado). Do desligamento do trabalhador da produção de bens para sua subsistência surge o assalariamento (proletários puros), o mercado de bens para assalariados que também atendia os demais dependentes do mercado, ou seja, aquelas pessoas que compravam no mercado as mercadorias para sua subsistência.

No capitalismo industrial, a maquinofatura substitui o trabalho do homem pelo da máquina na realização de tarefas, assim o operário é reduzido a servente da máquina, cuja força, velocidade e regularidade são superiores às dele. Enquanto o capitalismo manufatureiro desejava a unificação do mercado nacional e necessitava, para isso, da intervenção do Estado (no mercantilismo cabe ao Estado promover as exportações

Introducao_a_economia.indd 7 21/01/14 18:27

8 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

e limitar as importações), o capitalismo industrial se inspira no liberalismo e sua es- tratégia de expansão requer unificação de todos os mercados locais e nacionais com livre concorrência em todos eles. “É autoconfiante, pois sua superioridade produtiva dá-lhe confiança de poder vencer a competição. O liberalismo é o estandarte sob o qual a burguesia luta e conquista a hegemonia econômica e política” (SINGER, 1987, p. 19).

A ofensiva capitalista tem como motor o desenvolvimento das forças produtivas e a eliminação das barreiras institucionais à livre concorrência. O capitalismo in- dustrial acelera o desenvolvimento das forças produtivas mediante o progresso das ciências físicas e a sistemática aplicação dos seus resultados na atividade produtiva. O ensino científico foi se transformando em função da necessidade do novo modo de produção, de tal forma que:

O prestígio da física nas universidades não ultrapassou o da astrono- mia até que o industrialismo ultrapassasse o mercantilismo. Há um extraordinário desenvolvimento das forças produtivas pelo capita- lismo industrial, resultado tanto do fomento da atividade científica quanto da estreita ligação com os laboratórios das fábricas, é isto que explica o aumento da produtividade e o barateamento dos preços das mercadorias produzidas. O capitalista fomenta a sistemática redução de custos e de preços. Ainda sobrou espaço para a produção simples de mercadorias, mas a produção capitalista ocupa maior parte da economia de mercado (SINGER, 1987, p. 20).

Na economia capitalista, a acumulação de capital tem se processado via desen- volvimento capitalista das forças produtivas criando novos produtos e provocando uma progressiva atrofia na produção para autoconsumo, uma vez que cada vez mais produtos, e serviços análogos aos feitos pela própria pessoa estão disponíveis no mercado a preços mais acessíveis. Por exemplo, máquina de lavar roupa e louça, aspirador de pó etc. Dessa maneira, a economia de mercado se diversifica e atrai parcela significativa da população, inclusive donas de casa ao mercado de trabalho. “A oferta de novos produtos suscita novas necessidades, cuja satisfação requer ele- vação da renda familiar” (SINGER, 1987, p. 23). Dessa maneira, o capital cria para si novas oportunidades perenes de expansão.

a) Neoclássicos: a partir de 1870 surge um grupo de economistas que propõem estudar a alocação ótima dos fatores de produ- ção em seus usos alternativos destacando o princípio marginal na produção. Por essa ótica os agentes são maximizadores, os consumidores querem bens úteis e os produtores querem ter mais lucro. Assim as decisões dos agentes (consumidores e produtores) dependem do custo-benefício proporcionado pelas suas escolhas. Quanto mais útil mais valorizado, e quanto maior o lucro maior a produção. A concorrência em todos os merca- dos desempenha um papel importante, pois é ela que garante que não haverá excesso nem escassez de produtos e serviços. Assim, essa teoria se desenvolve explicando o funcionamento da economia com base nos fundamentos microeconômicos da

Introducao_a_economia.indd 8 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 9

empresa e das famílias com ênfase na utilidade, na tendência ao equilíbrio e na racionalidade dos agentes.

b) Teoria keynesiana: John Maynard Keynes foi um economista inglês que viveu entre 1883 e 1946, e escreveu a obra Teoria Geral do Emprego dos Juros e da Moeda em 1936. Na década de 1930 ocorre a Grande Depressão, período no qual se obser- vam muitas falências com aumento expressivo do desemprego e da miséria. Keynes associava essa crise ao fato de a capaci- dade de produção ser muito maior que a demanda. Para ele a economia tinha um problema de demanda efetiva. Para ele o laissez-faire e a mão invisível haviam falhado e o mercado não era autorregulado. Assim, se houvesse produção maior que demanda, deveria haver intervenção do Estado no sentido de conduzir a demanda efetiva aproximando-a da oferta. Nas aná- lises keynesianas destaca-se que a demanda de bens (o destino dos bens produzidos) é realizada para consumo, investimento, gasto público e ainda exportações. Em suas observações veri- ficou que o consumo é mais estável, porém os investimentos não. Assim, em períodos de baixo investimento o gasto público deveria se elevar para estimular a demanda e o aumento dos investimentos, e em períodos de grande investimento deveria agir de maneira contrária. Dessa forma, ao destacar o papel do Estado na condução da economia, Keynes abre um novo cami- nho para a resolução das crises econômicas. As políticas postas em prática a partir de então alcançaram resultados positivos até os anos 1970 quando da ocorrência dos choques do petróleo.

c) Desenvolvimentos recentes: nesse ponto tomamos por base os estudos de Souza (2003), que destaca mais detalhes sobre os desenvolvimentos recentes. Depois da grande crise de 1930 surge os neoclássicos que aceitam certo grau de intervenção do Estado na economia para contornar os problemas das falhas de mercado. Surge também a síntese neoclássica que propõe ações deliberadas de política fiscal e monetárias para conduzir a economia ao equilíbrio. Seu instrumento de análise ficou co- nhecido como modelo IS-LM. Depois vêm os monetaristas que acreditam que o controle da moeda pode reduzir os desequilí- brios do mercado. Seguem as novas teorias do crescimento que destacam o papel do progresso técnico como outro importante fator de produção que gera riqueza e crescimento das nações.

d) Economia política da sustentabilidade: o que há de mais recente nas discussões econômicas é a questão da sustentabilidade (MAY, 2010). Nesse contexto duas novas correntes se destacam, a economia ecológica, para a qual o fluxo econômico de produ- ção de bens e serviços está limitado pela capacidade de carga suportada pelo meio ambiente, e a economia ambiental para a qual a possibilidade de substitubilidade perfeita entre os fatores de produção e o avanço tecnológico relativiza o esgotamento ambiental. Sobre essas novas vertentes o impacto ambiental da produção de bens e serviços é uma questão fundamental, bem como encontrar caminhos para contorná-las privilegiando a questão da sustentabilidade.

Introducao_a_economia.indd 9 21/01/14 18:27

10 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

1.1.1 Entendendo a diferença entre marxista, neoclássicos e keynesianos

Paul Singer escreveu em sua obra O que é economia, publicada em 2003, um importante retrospecto comparativo entre duas grandes escolas do pensamento eco- nômico. Tomando por base essa obra destacamos os pontos mais relevantes dessas diferenças nas linhas a seguir.

O termo economia pode ter vários significados, mas três entendimentos são con- siderados mais relevantes. O primeiro é ser austero no uso dos valores; o segundo refere-se à atividade econômica como aquela que visa ganho pecuniário e que pro- porciona um rendimento em dinheiro; o terceiro refere-se à ciência econômica, que é a sistematização do conhecimento sobre a economia enquanto atividade.

O autor destaca que o entendimento mais importante é o terceiro, no qual a Economia é considerada uma Ciência. E para isso discutirá inicialmente o que é eco- nomia enquanto atividade. Deve-se destacar que tudo que é referente à economia é controverso, isto é, tem sempre mais de uma teoria e entendimento, e é exatamente isso que movimenta os apaixonados debates econômicos.

Quando estudamos a economia como atividade, percebemos uma clara contro- vérsia entre marxistas e marginalistas destacando que “[...] enquanto uma escola – de inspiração marxista – a concebe como social, a outra – de tradição marginalista – a concebe como sendo individual” (SINGER, 2003, p. 9). As diferentes concepções dessas duas escolas do pensamento econômicos são sintetizadas no Quadro 1.

Quadro 1.1 Atividade econômica na visão de marxistas e marginalistas

Aspectos Marxistas Neoclássicos/marginalista

Abrangência da Ciência Econômica

É uma ciência social que tem como foco de estudo o coletivo da sociedade.

É uma ciência social, porém seu foco de estudo é o indivíduo em sociedade.

Como a economia é posta em prática

Por meio da divisão social do trabalho = especialização de grupos na execução de tarefas distintas.

Por meio da divisão do trabalho, porém a produtividade individual é a justificativa para isso.

O papel desempenhado pelos agentes

Os agentes já nascem num modo de produção predeterminado, o modo de produção hierarquiza os participantes em classes sociais, que se reproduzem dentro de processos sociais. O cidadão é fruto do meio.

Os agentes atuam autônoma e individualmente. Suas escolhas ocorrem sempre da mesma forma pela análise de vantagens versus desvantagens. O indivíduo é o resultado de suas escolhas.

continua

Introducao_a_economia.indd 10 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 11

A tarefa do economista ou qualquer pessoa que queira entender a eco- nomia

Analisar como o modo de produção redistribui a riqueza por meio da hierarquização dos participantes (classes sociais) e como essa hierarquia se reproduz (diferenciação, propriedade privada etc.).

Analisar as escolhas dos agentes de acordo com o princípio maximizador (vantagem versus desvantagem). As diferenças sociais provocadas pelo meio são objeto de estudo de outras áreas de estudos sociais.

Como entendem as ati- vidades para uso próprio (Ex: guardar roupa)

Não fazem parte da economia social.

Fazem parte da economia e são uma escolha racional. Porém, as contas nacionais apresentam apenas atividades remuneradas.

Fonte: Do autor.

Na discussão sobre a economia como ciência existem diferenças entre as duas escolas, em especial quanto à natureza e origem dos problemas econômicos.

Para os marxistas a economia política é uma ciência social total, ou seja, ela re- sulta da vida econômica do homem em sociedade, o homem e a sociedade evoluíram historicamente. A evolução do modo de produção (objeto de estudo da economia política) sempre foi marcada por conflitos distributivos. A economia política estuda a evolução histórica do modo de produção e como se distribuem socialmente as riquezas por ele geradas. A economia se diferencia das outras áreas sociais porque seu foco está na conjuntura econômica.

Para os marginalistas a evolução natural (o mais forte vence) seleciona os agentes, as pessoas tomam decisões econômicas sempre da mesma forma, ou seja, visando obter maior benefício (princípio do egoísmo/hedonismo). Eles propõem o estudo da economia pura (concorrência perfeita) no qual alguns pressupostos (hipóteses) devem existir, tais como: atomicidade dos agentes (pequenos produtores que obedecem um preço de mercado para suas mercadorias), os agentes são racionais (tomam decisões sempre visando o melhor para si) e conhecem as condições de oferta (custos e bene- fícios) e de demanda (buscam satisfação máxima no consumo) de cada setor, todos os agentes (empresários e consumidores) são maximizadores de vantagens econômicas, alguns buscam maior lucro (empresário), outros, maior utilidade para as mercadorias que adquirem (consumidor).

No sistema capitalista, para Keynes, as empresas produzem mercadorias (valores de uso), para isso adquirem fatores de produção (trabalho, espaço, capital) que são remunerados (salários, aluguéis, juros, dividendos e lucro líquido). As mercadorias têm um preço que é resultado da soma dos custos de produção mais uma margem de lucro. Para toda mercadoria deve haver uma demanda solvável (demanda pelo produto e possibilidade de venda do mesmo). Esta refere-se à realização das merca- dorias (venda) que só ocorre caso as pessoas necessitem do produto e tenham renda para adquiri-los. Para os marginalistas a existência da Lei de Say (a oferta cria sua própria procura = tudo que for produzido será vendido), da mão invisível (o egoísmo e hedonismo) e o laissez-faire (liberdade de mercado) conduz ao melhor dos mundos,

continuação

Introducao_a_economia.indd 11 21/01/14 18:27

12 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

onde não haverá excesso (porque um setor que der prejuízo não terá produtores e um setor com muito lucro atrairá muitos produtores) nem escassez de produtos. Caso não haja nenhuma interferência do governo nas leis de mercado, ele tenderá a manter equilibrado o ciclo de produção-distribuição-consumo, por meio da lei da oferta e procura. Os mercados funcionando livremente não falham.

Para os marxistas, o ciclo produção-distribuição-consumo, da economia capita- lista, contém conflitos sociais de distribuição de renda. Os empresários reinvestem parte dos lucros e isso aumenta a capacidade de produção, porém, ao adotarem a estratégia de reduzir custo, reduzem o número de empregados e pagam baixos salários. Se todos os empresários agem da mesma forma e sendo os consumidores compostos por grande número de empregados, que diminuem em número (aumento dos desempregados) ou têm o salário reduzido, como consequência afeta-se o con- sumo. Dessa forma, a demanda solvável não cresce de acordo com a produção e nesse caso haverá excesso de produção, estoques e capacidade ociosa nas empresas. E o consumo será cada vez menor por parte dos empregados.

Ocorre que a economia não foi sempre capitalista, ela começa com a criação do trabalho assalariado, que ocorre com a separação do pequeno produtor dos meios de produção de sobrevivência (autoconsumo). O capitalismo se espalha pelo impe- rialismo dos países mais adiantados na Revolução Industrial e que impõem a partir daí uma divisão internacional do trabalho. Num mundo em que a industrialização se expandia, era necessário um número cada vez maior de trabalhadores.

Os primeiros regimes democráticos eram elitistas (só empresários podiam votar); com o crescimento da massa de trabalhadores assalariados os movimentos sindicais ganham força e conquistam o direito ao voto para os trabalhadores. Os trabalhadores elegem aqueles que têm propostas que os protejam ante os empresários. Durante uma época específica, a partir de 1930 até final da década de 1970, os políticos que defenderam os movimentos sociais se elegeram e então surge uma política de promoção do melhor bem-estar social. O problema é que essas políticas significa- ram aumento dos gastos públicos. Foi o período em que foram postas em prática as recomendações da teoria keynesiana.

No período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e da Grande Depressão de 1930, ocorre o avanço dos regimes democrá- ticos no mundo. Nesse momento verifica-se também a divisão da microeconomia e macroeconomia como marco implantado depois da teoria keynesiana, e o surgimento do neoliberalismo buscando explicar com fundamentos microeconômicos os fatos ocorridos pós-1960.

Na atualidade a discussão econômica é sobre a existência de um grande setor público que tem ampla receita e grande despesa e que influi decisivamente sobre os rumos da economia de mercado. Em relação à participação do Estado na economia, a dúvida é entre bens públicos (seus custos e benefícios) e bens privados, ou seja, qual o grau de intervenção do governo na economia que possa ser considerado aceitável. Não devemos esquecer que os choques do petróleo (1973 e 1979) culminaram nas

Introducao_a_economia.indd 12 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 13

crises das dívidas externas dos países em desenvolvimento ao longo de toda a dé- cada de 1980, isso foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento do gasto e do endividamento público. Os problemas de subdesenvolvimento, como endividamento, fome e miséria, se agravaram.

Logo, o aumento do gasto público e as formas de financiamento deste levaram às discussões sobre o processo inflacionário. Argumenta-se que o aumento da inflação surge em virtude da necessidade de financiar os gastos do governo, em princípio, da emissão excessiva de moeda.

Os marginalistas começaram a argumentar que a inflação era um inimigo pior do que o desemprego e, como em 1980 viu-se um processo estaginflacionário (cresci- mento dos preços sem crescimento da produção), nos regimes democráticos os polí- ticos neoliberais ganharam espaço. Ganham forças as propostas para ter um Estado mínimo, incentivar a competitividade individual entre as empresas. Desde então, os países adotam políticas de contenção da demanda solvável (com a redução do gasto público) a fim de evitar a necessidade de emissão de moeda e assim conter a inflação.

Abandonou-se por parte dos países a busca por melhores níveis de emprego. A inflação tornou-se um problema difícil de combater porque surge do conflito exis- tente entre capitalista, empregado e Estado para ver quem fica com a renda gerada na produção de bens e serviços. Cada um desses agentes quer garantir que sua parte não se reduzirá.

A discussão passa pelos neoliberais, que propõem o Estado mínimo sempre, e os keynesianos, que propõem políticas públicas todas as vezes que a economia apre- sentar baixo crescimento do produto. Para os neoliberais o Estado mínimo reduzirá a carga tributária e ainda deixará espaços para a iniciativa privada atuar, por isso propõe a privatização de vários setores da economia. Em termos de legislação pregam a supremacia dos ganhadores (no caso dos capitalistas). Para os keynesianos haverá problemas que impedem que a demanda solvável seja igual à oferta potencial, em períodos de crise a diferença entre um e outro é grande, então será necessário que o governo amplie seus gastos para reduzir a diferença entre essas duas variáveis.

Por outro lado, só o Estado pode levar a melhor distribuição dos benefícios do desenvolvimento porque ele pode oferecer produtos e serviços a preços mais baixos sem se preocupar com a geração de lucro. Enfim, os rumos da economia capitalista, na definição dos mecanismos corretos de administração pública e do real espaço para a iniciativa privada e trabalhadores, ainda são uma construção que tem muito a revelar nos próximos anos, isso não é uma questão fechada.

Nesse entremeio nem marxistas, neoclássicos ou keynesianos dedicaram tempo à discussão sobre a questão ambiental. Enquanto nos anos anteriores a discussão sobre inflação e intervenção do Estado era urgente, na atualidade outra questão urgente é o meio ambiente. Nesse sentido vamos estudar com mais detalhes a Economia do Meio Ambiente.

Introducao_a_economia.indd 13 21/01/14 18:27

14 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

1.1.2 Conceitos básicos da economia do meio ambiente O meio ambiente sempre foi considerado um recurso abundante, classificado

na categoria de bens livres. Isso dificultou a determinação de critérios para a sua utilização que acabou por disseminar a poluição ambiental.

Só recentemente a ciência econômica passou a se preocupar com a questão do meio ambiente. A poluição não era considerada no aspecto econômico, pois a eco- nomia se preocupava tão somente com as relações existentes entre o meio ambiente, visto pela ótica dos recursos naturais, e o processo de desenvolvimento. Até então, gerar o bem-estar, preocupação primeira da economia, era o que importava.

Segundo Maimon (1992 apud DONAIRE, 2006), os economistas, em particu- lar Malthus, constituíram a exceção. Adam Smith considera os recursos naturais importante pré-requisito no processo de desenvolvimento e, em complemento a esse pensamento, Malthus incorpora o meio ambiente, questionando o crescimento demográfico exponencial em face da limitação dos recursos naturais, pois conside- rava que a capacidade de produção de recursos para a subsistência era inferior ao crescimento da população.

Conforme Donaire (2006), foi a partir de 1950, quando, reavaliando os resultados do crescimento econômico, começaram a ser feitas análises sobre a questão ambiental e suas relações com o desenvolvimento econômico.

Mas foi na década de 1970 que a economia analisa mais criteriosamente as rela- ções entre desenvolvimento econômico e o meio ambiente, em face da publicação, em 1972, do Relatório do Clube de Roma, denominado Limites do Crescimento e da declaração sobre Meio Ambiente aprovada em 1972 na Conferência de Estocolmo, que criou o Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (PNUMA) (DONAIRE, 2006).

Com a divulgação, em abril de 1987, do Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que veio depois a ser chamado de “Nosso Futuro Comum”, disseminou-se a expressão, tão usada nos dias de hoje, “desenvolvimento ecologicamente sustentado”. Ali define o desenvolvimento sustentado como aquele que responde à necessidade do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às suas necessidades (DONAIRE, 2006).

Conforme Donaire (2006), o conceito de desenvolvimento sustentado apresenta pontos básicos que devem considerar de maneira harmônica o crescimento econô- mico, maior percepção com os resultados sociais decorrentes e equilíbrio ecológico na utilização dos recursos naturais.

Esse novo entendimento dado à relação entre o meio ambiente e o desenvolvi- mento se mostra como o novo caminho, deixando de lado posições mais radicais de defesa do desenvolvimentismo tradicional, bem como as propostas ambientalistas tradicionais. Leva a um novo pensamento que mantém a necessidade de respeito ao meio ambiente, mas achando alternativa de manutenção do desenvolvimento.

Passa-se a ter uma nova visão, de questionamento das políticas e metas de de- senvolvimento praticadas pelos países e se incorporam novas dimensões ao entendi-

Introducao_a_economia.indd 14 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 15

mento de sustentabilidade, entendimento este que se afasta das propostas baseadas exclusivamente numa visão ecológica. É esse novo modo de enxergar as soluções para os problemas globais, não se restrigindo apenas à questão da degradação do meio ambiente, mas, também, percebendo dimensões sociais, políticas e culturais, que é chamado de desenvolvimento sustentável.

Muito dificilmente a sustentabilidade poderá ser alcançada somente pela ação das forças de mercado. É uma tarefa que envolve a participação do Estado, do mer- cado e da própria sociedade, que deve agir para garantir a melhoria da qualidade de vida no presente sem acabar com os recursos necessários no futuro. Não é uma tarefa fácil, mas necessária.

É essa a compreensão necessária para que se possa tratar da garantia do desenvol- vimento econômico sem comprometer os recursos necessários ao desenvolvimento e a manutenção da qualidade de vida no futuro. Já não se cogita mais promover o crescimento agora, sem pensar no futuro. Esse é o grande desafio de hoje, que deve envolver todos os agentes atuantes no processo. Economicamente, a ordem atual é o desenvolvimento sustentável.

É na esteira do desenvolvimento sustentável que pudemos observar uma crescente preocupação das empresas com as questões ambientais. Conforme Costa (2002), al- guns livros têm chamado esse movimento de “A Revolução Ecoindustrial”. Na verdade, as ações relacionadas à preservação do meio ambiente têm mudado a imagem das empresas perante seus consumidores, além de sua forma de produção e eliminação de resíduos, na maioria das vezes representando ganhos nas suas margens de lucro.

Vários fatores têm contribuído para que as empresas passem a ter esse interesse pelas questões ambientais. Entre outros podemos citar a sobrevivência corporativa em longo prazo, que está relacionada à necessidade de tecnologias que possibilitem a geração sustentável de recursos básicos para a manutenção de importantes setores da economia; novas oportunidades de mercado, como a venda de quotas de absorção de CO2; a questão da competitividade, em função de os consumidores começarem a preferir produtos ecologicamente corretos, sobretudo no mercado internacional; permanência no mercado, onde os padrões ambientais mais rigorosos têm expulsado empresas menos preparadas do mercado; e, ainda, questões como responsabilidade legal e criminal pelas ações no meio ambiente e a informação globalizada têm sido importantes para despertar o interesse ambiental pelas corporações (COSTA, 2002).

Conforme Costa (2002, p. 13):

[...] dessa forma, podemos depreender que a economia ambiental ou economia do meio ambiente deve ser encarada como uma arma competitiva, como parte da estratégia de desenvolvimento adotada pelas empresas que pretendem lançar-se ou mesmo manter-se atuantes no mercado.

Importante observar que a preocupação das indústrias com o meio ambiente rara- mente se dá apenas pela consciência da escassez de recursos naturais. Em geral, ela ocorre em função das exigências de mercado, sobretudo em função da consciência ecológica que vem provocando modificações no comportamento dos consumidores.

Introducao_a_economia.indd 15 21/01/14 18:27

16 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

As principais correntes econômicas relativas à questão do meio ambiente estão representadas pelos ecodesenvolvimentistas, pelos pigouvianos, pelos neoclássicos e pelos economistas eco- lógicos. Você pode pesquisar também na internet para conhecer mais sobre esses temas.

Para saber mais

Agora que você conhece um pouco mais sobre as teorias econômicas que dis- cutem a questão ambiental, reflita sobre: Na atualidade qual das teorias econô- micas sobre o meio ambiente tem maior poder de explicação sobre a questão ambiental? Por quê?

Questões para reflexão

Feitas as considerações sobre a evolução do pensamento econômico, como um capítulo de introdução, agora cabe destacar os principais termos e conceitos utilizados em economia, para que você, leitor, consiga avançar em seus estudos sobre economia com maior segurança. Assim, nosso próximo tópico discorre sobre esses conceitos.

Introducao_a_economia.indd 16 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 17

Seção 2 Funcionamento da economia de mercado

2.1 Fatores de produção e necessidades humanas Partindo do conceito de economia e lendo um pouco sobre sua evolução, podemos

perceber que de alguma forma três termos estão sempre presentes na análise econô- mica, são eles: os fatores de produção, a produção de bens e serviços e a satisfação das necessidades humanas.

Os recursos produtivos ou fatores de produção – terra (recursos naturais), capital (investimentos), trabalho (trabalhadores qualificados ou não) e capacidade empresarial (empreender um negócio) – são limitados. Porém, possuem três características impor- tantes: são escassos, são versáteis e podem ser combinados em proporções variadas (MENDES, 2004). A questão da escassez ficou mais evidente com os constantes alertas sobre a degradação ambiental ocasionada pela má exploração dos recursos naturais, como a má utilização dos recursos hídricos ocasionando falta de água potável em muitas partes do planeta.

Quanto à versatilidade dos recursos, sabemos que de uma mesma matéria-prima retiramos uma infinidade de produtos e subprodutos, tanto que em economia muitas vezes estudamos a cadeia produtiva de certos itens de destaque, como soja, gado, milho etc., cujo objetivo é identificar os caminhos percorridos por esse insumo desde sua origem até seus mais diversos canais de transformação, produção e consumo. Por exemplo, da soja retiramos as sementes para plantações futuras, o óleo, a margarina, a ração animal, leite, e está presente em itens que não aparecem de maneira tão evidente, como em lubrificantes industriais, cosméticos, polímeros etc.

Os recursos também podem ser alterados nas proporções em que são utilizados para produzir determinados produtos. Por exemplo, recentemente o governo brasileiro alterou a quantidade de álcool que deve ser adicionado à gasolina para utilização nos veículos automotores de 25% para 20%, visando aumentar a oferta de álcool combustível no mercado e assim controlar o aumento de preço desse combustível.

Em contrapartida, as necessidades humanas são ilimitadas e se renovam constantemente, seja devido ao próprio crescimento po- pulacional, ao desejo de elevação do padrão de vida que as pessoas têm e até mesmo em função do meio em que se vive. Independente do nível de desenvolvimento do país, nenhum dispõe de todos os recursos necessários para satisfazer todas as necessidades da coletividade (SALVALAGIO, 2009, p. 1).

Dessa forma, temos, então, um problema de escassez, ou seja, de um lado os recur- sos que são limitados e, de outro, as necessidades humanas que são ilimitadas. Assim, a questão central do estudo da economia é como alocar recursos produtivos limitados para satisfazer as necessidades da população (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

Para realizar a alocação de recursos temos que fazer escolhas. Em economia toda escolha envolve um custo de oportunidade, ou seja, quando escolhemos entre dois

Introducao_a_economia.indd 17 21/01/14 18:27

18 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

usos alternativos para aplicar um recurso produtivo, essa escolha envolve a renúncia a uma das aplicações possíveis. Assim, por exemplo, se você utiliza uma hora de seu tempo para estudar não poderá utilizar essa mesma hora para ir ao cinema. Então, seu custo de oportunidade para estudar é não ir ao cinema nessa uma hora. E claro que sua escolha é movida pela utilidade que você atribui a cada uma das alternativas disponíveis para essa uma hora.

De maneira geral, a escolha entre as alternativas de produção e distribuição da economia se dá pela obtenção dos resultados do exercício da atividade econômica. Isso ocorre porque há implicações maiores por trás desse conceito, como o relacionado ao valor de troca dos bens no mercado. Por exemplo, se uma empresa tem uma unidade de produção de sucos e com os mesmos equipamentos consegue produzir suco de laranja ou suco de limão, ela deverá escolher quanto produzir de cada um, sabendo que o aumento na produção de um implica a redução da produção do outro, de acordo com o conceito de custo de oportunidade. Se essa empresa sabe que o mercado está pagando R$ 2,00 pelo litro do suco de laranja e R$ 4,00 pelo suco de limão, ela optará por produzir mais suco de limão que de laranja, pois ao vender o suco de limão ganhará o dobro do que vender o suco de laranja e isso também ampliará seu poder de compra em relação aos fatores e insumos de produção. A relação do custo de oportunidade geralmente é representada por um gráfico bidimensional com dois bens, demonstrando a possibilidade de produção condicionada à troca entre as quantidades de bens produzidos, conforme Gráfico 1.1 a seguir.

Você poderá estudar mais profundamente os conceitos e exemplos de custo de oportunidade consultando o link:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-92511990000100002&script=sci_arttext>.

Links

Gráfico 1.1 Curva de possibilidade de produção

Fonte: Do autor.

Introducao_a_economia.indd 18 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 19

Por meio do gráfico podemos verificar que nos pontos X e Y a empresa não estaria sendo eficiente, pois ela não estaria utilizando plenamente os fatores de produção de que dispõe para produzir os sucos. Então, para utilizar melhor sua capacidade de produção e ter mais eficiência, ela poderia aumentar a produção para um nível S, que estaria sobre a fronteira de possibilidade de produção. Isso indica que a empresa está utilizando plenamente os fatores de que dispõe para produzir os dois bens que sua estrutura de produção permite.

2.2 Problemas econômicos fundamentais e a questão da escassez

Por meio da adequada combinação dos fatores de produção, a economia buscará dar resposta às dificuldades encontradas. Assim, a economia tem por objetivo for- mular propostas a fim de resolver ou minimizar os problemas econômicos. Atender as necessidades humanas, que são ilimitadas, promovendo o bem-estar de cada um. Essa conquista se alcança com o emprego dos fatores de produção, que são instru- mentos básicos da economia.

Considerando a escassez dos fatores de produção, relacionando-a às necessidades ilimitadas das pessoas, temos o que podemos chamar de “problemas econômicos fundamentais”, que são eles:

O que e quanto produzir? Considerando a escassez dos recursos de produção, terá que se escolher, dentre as possibilidades de produção, quais produtos deverão ser produzidos e em que quantidades.

Como produzir? Levando-se em conta o nível tecnológico existente na econo- mia, deve-se escolher quais recursos de produção deverão ser utilizados para a produção dos bens e serviços que irão atender às necessidades da sociedade. A escolha tenderá a recair sobre os métodos mais eficientes, prevalecendo o que tiver o menor custo de produção e aquele que atenda mais eficazmente as demandas ambientais. O avanço tecnológico é grande aliado para a resposta a esse problema fundamental da economia. Na medida em que há maior desen- volvimento tecnológico, haverá maiores possibilidades de atendimento mais adequado das necessidades das pessoas.

Para quem produzir? A sociedade decidirá, também, como seus membros par- ticiparão da distribuição dos resultados de sua produção. Os produtos serão consumidos por quem tenha renda para participar do mercado de bens. Por meio da renda de cada um, será atribuída sua capacidade de participar dos resultados da produção (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

Introducao_a_economia.indd 19 21/01/14 18:27

20 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

2.3 Sistemas econômicos e o papel do Estado A maneira como as sociedades econômicas resolvem os problemas econômicos

fundamentais depende da forma da organização econômica do país, ou seja, do sistema econômico de cada nação.

Um sistema econômico pode ser definido como a forma política, social e econô- mica pela qual está organizada uma sociedade.

Os sistemas econômicos podem ser classificados em sistema capitalista ou eco- nomia de mercado e sistema socialista ou economia planificada ou ainda economia centralizada.

O sistema capitalista é regido pelas forças de mercado, predominando a livre- -iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção e dos bens (VASCON- CELLOS; GARCIA, 2006).

Com a evolução da economia, surgiram, no âmbito do sistema capitalista, algu- mas teorias econômicas que ditaram a forma de atuação das economias, sobretudo nos países ocidentais. As principais teorias foram o liberalismo, o neocapitalismo ou keynesianismo e mais recentemente o neoliberalismo. Vejamos os pontos principais de cada uma delas:

O liberalismo prevaleceu até o início do século XX. Essa teoria defendia o sistema de concorrência pura, em que não havia a intervenção do Estado na atividade econômica. Entendiam, os defensores do lberalismo, que o mercado deve se resolver por si só, e que ele tem a capacidade de ajustar a economia toda vez que ela apresentar distorções. Assim, o próprio mercado, por sua atuação, se encarregaria de corrigir as distorções, voltando à sua normalidade. É importante conhecer os principais economistas defensores do capitalismo.

Para que você compreenda melhor o capitalismo, volte ao item 1.1.1 desta unidade e encontre no tópico das escolas econômicas, os principais defensores do capitalismo e faça uma reflexão sobre as suas ideias.

Para saber mais

Por volta de 1930, após a grande depressão econômica mundial, em um con- texto histórico de recessão e depressão, com altos índices de desemprego e queda da renda, Keynes, com ideias frontalmente opostas à linha de pensamento vigente, lançou sua teoria, que veio a ser chamada de keynesianismo. Em sua teoria, Keynes defende que o mercado não consegue, sozinho, resolver todos os problemas econômicos e que se faz necessária a intervenção do Estado na economia, a fim de atender aos pontos de estrangulamento. Segundo Keynes, havia atividades em que a iniciativa privada não atuava, por não lhes ser van- tajosas. Sendo assim, surgiriam “gargalos” na economia, que exigiriam a par-

Introducao_a_economia.indd 20 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 21

ticipação do Estado para a sua solução. Keynes aponta dois grandes problemas do sistema capitalista, que é o desemprego e a má distribuição da renda e da riqueza. Assim ele abre espaço para mudanças na teoria econômica e na própria política econômica, por meio da intervenção do Estado na economia. Apesar de defender a participação do governo na atividade econômica, a teoria de Keynes não defendia o controle total pelo Estado e mantinha-se a favor do respeito à propriedade privada. O Estado somente deveria atuar onde a iniciativa privada não tinha interesse em participar. Com a teoria de Keynes poder-se-ia verificar que a busca do pleno emprego tornou-se um objetivo macroeconômico a ser alcançado por vontade política.

Mais recentemente, por volta do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, surgiu uma nova onda de afastamento do Estado da economia. Conforme as decisões impostas pelo que foi chamado de Consenso de Washington e, em virtude do processo de globalização, percebeu-se uma desenfreada corrida, sobretudo dos países subdesenvolvidos, em livrar-se das empresas estatais, promovendo uma verdadeira avalanche de privatizações. Essa nova condição significou a volta do Liberalismo Econômico, com a valorização do mercado e o afastamento do Estado da economia, agora denominado de neoliberalismo. Assim, estamos passando por um novo movimento econômico em defesa da concorrência pura, porém adaptada aos novos tempos, depois de um longo período de predominância do keynesianismo.

Consenso de Washington: Conjunto de medidas exigidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial, para prestar socorro financeiro aos países em dificuldades. Tem esse nome, pois foram definidas nas sedes do FMI e Banco Mundial, que se situam em Washington.

Para saber mais

O neoliberalismo já não tinha mais a defesa ferrenha do capitalismo puro, partindo para uma defesa mais apropriada do Estado mínimo. Perdeu muito de sua força com a crise mundial de 2008, iniciada como crise financeira nos Estados Unidos, que contagiou a produção, vindo também a afetá-la. Nessa época, mesmo os países mais desenvolvidos, que defendiam o neoliberalismo com todas as sua forças, passaram a intervir na economia com o intuito de procurar regulá-la, fortalecê-la, colocando volumes vultosos de recursos públicos para socorrer suas economias.

O sistema socialista resolve as questões econômicas fundamentais por meio de um órgão central de planejamento, predominando a propriedade pública dos fatores de produção, chamados nessas economias de meios de produção. Percebe-se que na economia planificada não há direito à propriedade privada, porém pertencem aos indivíduos pequenas atividades artesanais, assim como os meios de sobrevivência, como roupas, automóveis, móveis, mas, ainda assim, com preços fixados pelo governo.

Introducao_a_economia.indd 21 21/01/14 18:27

22 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Existe, também, liberdade para escolha de profissão, ou seja, há mobilidade de mão de obra. Mais uma vez, o governo se resguarda ao direito de interferir, caso entenda que há distorções na quantidade de profissionais em cada profissão específica. A participação do Estado, nesse caso, não é apenas de controle e regulação, mas sim de domínio absoluto da atividade econômica.

Sistema capitalista representa a economia aberta, regida pelo mercado, sem influência ou com influência mínima do Estado e sistema socialista representa a economia fechada, sem abertura para o mercado, regida pelo governo, de forma que todas as ações econômicas de- pendem do Estado.

Para saber mais

Principalmente no mundo ocidental predomina o capitalismo. Faça uma pesquisa e procure responder a seguinte questão: Como o capitalismo pode ao mesmo tempo prover as necessidades dos cidadãos e promover o desenvolvimento sustentável?

Questões para reflexão

2.3.1 Entendendo o raciocínio com resolução de exercícios Neste momento, vamos ver alguns exercícios respondidos para que você possa

entender o processo de análise econômica.

1. Os grandes pensadores econômicos colocaram à disposição muitas teorias e formas de promover o desenvolvimento econômico. As primeiras ideias econômicas foram apresentadas pelos mercantilistas e fisiocratas. Essas ideias são descritas da seguinte maneira:

a) Ambos tinham a mesma visão de que a economia, para crescer, deveria ter política econômica forte com intervenção do governo nas leis de mercado e com um incentivo a maior industrialização.

b) Os mercantilistas acreditavam que a verdadeira riqueza das nações estava na agricultura, pois só a terra tinha a capacidade de multiplicar a riqueza. Os fisiocratas preocupavam-se com a política econômica, enfocando os saldos favoráveis na balança comercial, o estoque de metais preciosos e defendendo o poder do Estado.

c) Os mercantilistas preocupavam-se com a política econômica, enfocando os saldos favoráveis na balança comercial, o estoque de metais preciosos e

Introducao_a_economia.indd 22 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 23

defendendo o poder do Estado. Os fisiocratas acreditavam que a verdadeira riqueza das nações estava na agricultura, pois só a terra tinha a capacidade de multiplicar a riqueza.

d) Ambos tinham visão divergente a respeito do crescimento econômico. A eco- nomia, para crescer, deveria ter política econômica forte para os fisiocratas, e com intervenção do governo nas leis de mercado e com um incentivo a maior industrialização.

e) Todas as alternativas anteriores estão corretas.

Alternativa c: Os mercantilistas acreditavam que o Estado deveria intervir na economia a fim de garantir o acesso aos mercados, promovendo as exportações e aumentando as riquezas do país na forma de acúmulo de metais preciosos (meta- lismo). Os fisiocratas se opunham à participação no Estado, para eles a agricultura poderia multiplicar a riqueza porque a terra recebia uma semente que germinava e dava muitas outras sementes.

1. Sobre a Escola Clássica (Liberalismo) pode-se dizer que os suas crenças fundamentais podem ser descritas conforme a seguir (BRASIL, 2008 apud VENTURA, 2010, p. 1):

a) Na não intervenção do Estado nas leis de mercado (laissez-faire), na regulação do mercado pela concorrência (mão invisível), prevalecem as leis naturais e a harmonia social.

b) Como uma corrente do pensamento que ganhou força somente a partir das décadas de 1980 e 1990, a reboque da crise fiscal, do início do processo de globalização da economia e da ineficiência do Estado na produção de bens e serviços.

c) Como uma teoria de caráter nacionalista e intervencionista, preconiza para o Estado uma política econômica e financeira fundada na maior posse de di- nheiro e metais preciosos, acreditando que nisso reside a base da prosperidade.

d) Como uma teoria que foi aplicada às diretrizes estatais nos países desenvol- vidos por governos social-democratas. Nos Estados Unidos, certos aspectos de seu desenvolvimento ocorreram, particularmente, no período de vigência do New Deal.

e) Como uma teoria que discute o valor da força de trabalho no processo de produção e argumenta que exatamente porque contribuem agregando valor aos produtos (pela mais-valia) deveriam ter maior parcela nos ganhos da empresa.

Alternativa a: Os clássicos pressupõem um mundo em que as leis da oferta e da demanda (a concorrência) são as leis naturais da evolução e que, portanto, são a melhor forma de garantir que haja equilíbrio do mercado. Quando as forças do mercado (mão invisível) operam prevalece a harmonia social.

1. Em relação à sustentabilidade pode-se afirmar que ela é uma questão que:

Introducao_a_economia.indd 23 21/01/14 18:27

24 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

a) Pode ser buscada isoladamente pelas empresas a partir do momento em que esta inclua em suas atribuições o planejamento ambiental.

b) Pode ser buscada isoladamente pelo Estado a partir do momento em que ele aprove leis que incluam em suas atribuições o planejamento ambiental.

c) Pode ser buscada isoladamente pelos indivíduos a partir do momento em que deixem de jogar lixo nas ruas.

d) Pode ser pensada como uma tarefa que envolve a participação do Estado, do mercado e da própria sociedade, que deve agir para garantir a melhoria da qualidade de vida no presente sem acabar com os recursos necessários no futuro.

e) Pode ser resolvida mantendo o atual ritmo de crescimento econômico, pois na natureza automaticamente tudo se transforma.

Alternativa d: Muito dificilmente a sustentabilidade poderá ser alcançada somente pela ação das forças de mercado (lei da oferta e da demanda) porque a preocupação do mercado é movida para o lucro, é uma preocupação com os resultados da empresa, o que não se confunde com bem-estar. É uma tarefa que envolve a participação do Estado, do mercado e da própria sociedade, que deve agir para garantir a melhoria da qualidade de vida no presente sem acabar com os recursos necessários no futuro. Não é uma tarefa fácil, mas necessária.

2.4 Bens e serviços econômicos Independente do sistema econômico vigente em um país, portanto, indiferente

a quem pertençam os fatores de produção, é necessário a sua correta combinação para que sejam gerados os bens e serviços que irão atender as necessidades humanas.

Segundo Cobos (apud GASTALDI, 2000, p. 90) “[...] bens econômicos são todos aqueles meios úteis para a satisfação das necessidades humanas, que se encontram em quantidades escassas e podem ser transmitidos”.

E serviços — bens imateriais — conforme Gastaldi (2000), são aquelas atividades que, sem criar objetos materiais, se destinam direta ou indiretamente a satisfazer necessidades humanas.

2.4.1 Tipos de bens econômicos Os bens econômicos podem ser classificados como bens de consumo — duráveis

e não duráveis —, bens de capital e bens intermediários.

Os bens de consumo destinam-se diretamente ao atendimento das necessidades humanas. Podem ser classificados conforme sua durabilidade. Os bens com vida útil mais prolongada são denominados de bens duráveis (por exemplo, móveis, ele- trodomésticos, automóveis) e os bens com vida útil curta, que se consomem mais rapidamente, são chamados bens não duráveis (por exemplo, alimentos, produtos de higiene, roupas).

Introducao_a_economia.indd 24 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 25

Os bens de capital são utilizados na fabricação de outros bens, mas não se des- gastam totalmente no processo produtivo. Isso quer dizer que os bens continuarão a gerar novos produtos. É o caso de máquinas, equipamentos e instalações. São usualmente classificados no ativo fixo das empresas.

Os bens intermediários são transformados ou agregados na produção de outros bens e são consumidos totalmente no processo produtivo. São os insumos, matérias- -primas e componentes. Diferenciam-se dos bens finais, que são vendidos para con- sumo ou utilização final. Bens de capital e bens de consumo são bens finais e não intermediários (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

2.5 Fluxo circular de renda O fluxo real da economia nos mostra que com a combinação dos fatores de pro-

dução produzem-se os bens e serviços que serão colocados no mercado à disposição das famílias, que os demandarão, a fim de satisfazer suas necessidades.

O fluxo real da economia só é possível com a presença da moeda, que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e serviços. As principais remunerações são salários, juros, lucros, aluguéis e royalties. Assim, para- lelamente ao fluxo real temos um fluxo monetário da economia.

A união dos fluxos real e monetário da economia nos mostra o que chamamos de fluxo circular de renda (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

Figura 1 Fluxo circular da renda numa economia simplificada

Fluxo Monetário

Fluxo Real

Famílias

Mercado de Fatores de Produção

Mercado de Bens e Serviços

Empresas

O quê e quanto produzir

Para quem produzir

Como produzir

Demanda de Bens e Serviços

Oferta de Fatores de Produção

Demanda de Fatores de Produção

Oferta de Bens e Serviços

Fonte: Adaptado de Mendes (2009, p. 15).

Introducao_a_economia.indd 25 21/01/14 18:27

26 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

O fluxo real da economia refere-se à atividade da produção dos bens. O fluxo monetário ou nominal representa a circulação do dinheiro usado na remuneração dos fatores de produção utilizados na produção dos bens.

Para saber mais

2.6 Divisão da economia O estudo da economia se divide em dois ramos básicos: a microeconomia e a

macroeconomia.

A microeconomia estuda o comportamento das unidades econômicas, tais como os consumidores, as indústrias e empresas e suas inter-relações. Estuda o funcio- namento da oferta e da demanda na formação do preço no mercado. Os estudos microeconômicos abordam a teoria da firma, mercados, teoria do comportamento do consumidor dentre outros.

A macroeconomia estuda o funcionamento da economia como um todo, anali- sando a “[...] determinação e o comportamento de grandes agregados, como: renda e produto nacional, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxa de juros” (ECONOMIA..., 2013, p. 71), balança de pagamentos e taxa de câmbio.

2.7 Economia e demais áreas do conhecimento A economia tem uma abordagem ampla e abrangente e para realizar com êxito

seus estudos ela se apoia nas demais áreas do conhecimento, conforme podemos ver nos exemplos e situações descritos e resumidos a seguir.

A área que está voltada para quantificação dos modelos é a econometria, que combina teoria econômica, matemática e estatística.

A economia e política são áreas muito interligadas. Muitas vezes a estrutura política se encontra subordinada ao poder econômico. Podemos citar como exemplo o poder econômico dos latifundiários, poder dos oligopólios e mo- nopólios, poder das corporações estatais.

Economia e história também estão interligadas. A pesquisa histórica facilita a compreensão do presente e ajuda nas previsões para o futuro com base nos fatos do passado. As guerras e revoluções, por exemplo, alteraram o compor- tamento e a evolução da economia.

Na análise econômica as condições geoeconômicas dos mercados, a concentra- ção espacial dos fatores produtivos, a localização de empresas e a composição setorial da atividade econômica são contribuições da geografia que enriquecem os estudos econômicos.

Para a economia, a moral, a justiça e a filosofia constituem-se pilares que orientam os estudos econômicos dentro dos marcos de princípios morais e de justiça.

Introducao_a_economia.indd 26 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 27

Para estudar e entender mais sobre os conteúdos aqui abordados sugiro a você que leia o primeiro capítulo dos livros abaixo:

MENDES, Judas Tadeu Grassi. Economia: fundamentos e aplicações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004.

MOCHÓN MORCILLO, Francisco. Princípios da economia. São Paulo: Pearson, 2007.

Saiba mais

Nesta unidade pudemos ver as definições de economia, fizemos um breve retrospecto da evolução do pensamento econômico, conhecemos os fatores de produção e as necessidades humanas e estudamos os sistemas econômicos.

Observamos que, independente do agente econômico em ação, verifica-se que a economia é uma ciência social que se utiliza dos fatores de produção para atender as necessidades das pessoas.

Observamos que em diferentes contextos históricos os economistas tiveram preocupação com a produção, circulação e distribuição da riqueza e procu- raram explicar o funcionamento da economia a partir de suposições distintas.

Percebemos que o problema fundamental da economia é que os recursos são escassos e as necessidades são ilimitadas. Necessidades estas que são aten- didas por meio dos bens econômicos, produzidos pela combinação dos fatores de produção, conforme o conceito dos fluxos real e monetário da economia.

O estudo da economia se dá por dois ramos básicos que são a microeco- nomia e a macroeconomia.

Na próxima unidade iremos tratar do estudo da macroeconomia, e poderemos entender como os governos podem tomar medidas econômicas com o objetivo de proporcionar o equilíbrio da economia e com isso atender ao objetivo básico da economia, que é proporcionar o bem-estar de cada um dos habitantes do país.

Resumo

Neste momento reflita sobre a ação da economia em sua vida e pense nos atos econômicos que você realiza a cada atitude. Na medida em que você par- ticipa da sociedade, do mercado de trabalho, no seu dia a dia está realizando atividades econômicas. Pense em como você pode contribuir para o desenvol- vimento da economia.

Para concluir o estudo da unidade

Introducao_a_economia.indd 27 21/01/14 18:27

28 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Nas questões a seguir assinale x nas alternativas conforme o que se pede.

1. Assinale a teoria econômica que começou a vigorar a partir da grande depressão de 1929 e defende a participação do Estado na economia, nos pontos em que a iniciativa privada não atua:

a) Capitalismo

b) Socialismo

c) Liberalismo

d) Keynesianismo

e) Neoliberalismo

2. Suponha que você esteja lendo um texto de economia e que o autor faça a seguinte afirmação: “devemos dar toda atenção a agricultura, pois é somente com ela que a produção do país pode crescer”. Tendo em vista as escolas do pensamento econômico, o autor desse texto se enquadra na escola:

a) Clássica

b) Mercantilista

c) Fisiocrata

d) Keynesiana

e) Neoclássica

3. Sua ideia mais geral era de que o capital não é simplesmente o conjunto de má- quinas e equipamentos, mas sim que é uma relação de produção que surge com o aparecimento da burguesia. Essas afirmações são especificamente feita por:

a) John Maynard Keynes

b) Adam Smith

c) David Ricardo

d) Karl Marx

e) Alfred Marshall

4. Um dos princípios fundamentais da economia incorpora a noção de que sempre enfrentamos a situação de escolher entre duas ou mais opções e de termos que optar por uma coisa em detrimento de outra, visto que os recursos são escassos mas podem ser utilizados em diferentes alternativas. Popularmente podemos dizer que toda escolha envolve um custo em termos de perda daquilo que abrimos mão quando escolhemos. Esse custo é conhecido como:

Atividades de aprendizagem

Introducao_a_economia.indd 28 21/01/14 18:27

I n i c i a ç ã o à e c o n o m i a 29

a) Custo total

b) Custo variável

c) Custo marginal

d) Custo médio

e) Custo de oportunidade

5. John Maynard Keynes foi um economista conhecido por escrever o livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Ele escreveu procurando explicar a crise de 1929. Identificou a crise como crise de superprodução. Sua proposta para que reduzíssemos esse problema foi que era necessário o governo incentivar:

a) o aumento da renda dos capitalistas;

b) o aumento da riqueza das nações;

c) o aumento dos impostos;

d) a agricultura sustentável;

e) o aumento da demanda efetiva.

6. Responda as questões a seguir.

a) A maneira como as sociedades econômicas resolvem os problemas eco- nômicos fundamentais depende da forma da organização econômica do país, ou seja, do sistema econômico de cada nação. Um sistema econômico pode ser definido como a forma política, social e econômica pela qual está organizada uma sociedade. Classifique os sistemas econômicos e comente cada um deles.

b) Por volta do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, surgiu uma nova onda de afastamento do Estado da economia. Esse movimento veio na esteira do processo de globalização. Que nome recebeu esse movimento e explique o que ele representou.

c) Pela adequada combinação dos fatores de produção, a economia buscará dar resposta às dificuldades encontradas. Assim, qual o objetivo da economia?

d) Apresente os tipos de bens econômicos e explique o que representa cada um deles.

e) Explique a inter-relação da economia com as demais áreas do conhecimento.

Introducao_a_economia.indd 29 21/01/14 18:27

Introducao_a_economia.indd 30 21/01/14 18:27

Unidade 2

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você será levado a en- tender as medidas econômicas que são implementadas pelos governos, com o objetivo de promover o controle e equilíbrio da economia

Seção 1: Macroeconomia: conceitos básicos

Nesta seção discutiremos os principais conceitos necessários para o entendimento dos temas da ma- croeconomia. Abordaremos os objetivos de política econômica e os instrumentos de política econômica.

Seção 2: Entendendo os indicadores econômicos

Nesta seção serão abordados os indicadores da ati- vidade econômica, tais como: PIB, renda e Balanço de Pagamentos.

Regina Lúcia Sanches Malassise

Wilson Salvalagio

Elementos básicos de macroeconomia

Introducao_a_economia.indd 31 21/01/14 18:27

32 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Introdução ao estudo

Como pudemos ver na Unidade 1, o estudo da teoria econômica divide-se em duas partes: a microeconomia e a macroeconomia. Esta última, que é o objeto de nosso estudo nesta unidade, analisa os agregados econômicos, buscando estudar o comportamento da renda nacional, da produção total de bens e serviços do país, bem como a evolução da inflação, os investimentos totais da economia, as exportações, o nível de emprego etc. (LANZANA, 2002).

Ao longo do estudo desta unidade, teremos a oportunidade de analisar e com- preender as diversas medidas de política econômica adotadas pelos governantes, e de entender o significado de cada ação tomada. Muitas vezes ouvimos ou lemos nos noticiários que o governo está tomando alguma ação de política fiscal ou monetária. Com este estudo poderemos entender o real significado dessas medidas e quais seus objetivos.

Seção 1 Macroeconomia: conceitos básicos

Foi a partir da crise de 1929 e das leituras de Keynes sobre o funcionamento da economia de mercado, que a macroeconomia moderna se desenvolveu e criou mecanismos para descrever e direcionar a atividade econômica, na qual os agentes econômicos e em especial do governo têm funções bem definidas e diferenciadas. Nesse contexto a macroeconomia passou a ser definida como:

Parte da ciência econômica que focaliza o comportamento do sistema econômico como um todo. Tem como objeto de estudo as relações entre os grandes agregados estatísticos: a renda nacional, o nível de emprego e dos preços, o consumo, a poupança e o investimento totais. Esse direcionamento fundamenta-se na ideia de que é possível explicar a operação da economia sem que haja necessidade de compreender o comportamento de cada indivíduo ou empresa que dela participam (SANDRONI, 1999, p. 359).

O grande agente que conduz as políticas macroeconômicas é o governo. Cabe a cada governo tomar ações que promovam o desenvolvimento econômico e social, possibilite manter o controle dos preços e a manutenção do equilíbrio das contas externas, bem como promover a redução das desigualdades de rendas. Para isso, ele conta com os instrumentos de política macroeconômica, que lhe permite adotar as medidas necessárias para manutenção da boa ordem econômica. Porém, o governo atua tendo em mente o desempenho de suas funções econômicas e os objetivos de política econômica que deseja atingir.

Seja qual for o governo, não importando qual a sua ideologia política, todos agem com o desejo de possibilitar a melhoria da qualidade de vida e buscam o que nor-

Introducao_a_economia.indd 32 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 33

teia a economia que é o bem-estar de cada cidadão do país. Nesse sentido é natural que os governos tenham a preocupação de por meio dos instrumentos econômicos atenderem aos objetivos de política econômica.

1.1 Objetivos de política econômica Vários são os objetivos de política econômica, entretanto, eles podem ser resu-

midos em quatro objetivos fundamentais que englobam as principais necessidades de participação do Estado para o real atendimento do papel de um governo, que são: crescimento da produção e do emprego, controle da inflação, equilíbrio nas contas externas e melhor distribuição da renda gerada no país.

1.1.1 Crescimento econômico O crescimento econômico representa condição de absoluta necessidade para uma

economia, haja vista que a qualidade de vida em uma economia depende, sobretudo, do desenvolvimento que essa economia apresentar.

Cabe ao governo constituído o controle e a administração da atividade econô- mica, gerando desenvolvimento ao país e possibilitando a melhoria da qualidade de vida. Na medida em que a economia cresce, também cresce o emprego e a renda, que possibilitará maior consumo e, consequentemente, a continuidade da economia.

A forma mais tradicional de se medir o crescimento econômico dos países é acom- panhando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Este, por sua vez, representa a soma de tudo o que foi produzido no país. A medida do PIB em termos percentuais representa a variação da produção do país em um período relacionado a outro an- terior; podemos verificar a variação do PIB real do Brasil durante o Plano Real no Gráfico 2.1. Porém, quando queremos tecer comparações entre países normalmente utilizamos a Paridade do Poder de Compra (PPP), que mede a capacidade de compra da moeda nacional em termos de bens e serviços, geralmente medido em dólar.

Gráfico 2.1 Variação anual do PIB real Brasil 1994-2012

Fonte: Adaptado de IPEADATA (2012).

Introducao_a_economia.indd 33 21/01/14 18:27

34 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Você pode ler mais sobre isso no link:

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Paridade_do_poder_de_compra>.

Links

Conforme Lanzana (2002), o crescimento econômico é a meta mais importante a ser perseguida pelos formuladores da política econômica. O crescimento econômico refere-se à expansão da produção do país, ou seja, à colocação no mercado de uma quantidade maior de mercadorias e serviços à disposição dos indivíduos. Quando o crescimento da produção se dá em nível maior que o aumento da população, verifica- -se o aumento da renda per capita. Levando-se em conta que a renda está ligada diretamente ao produto, não há como aumentar o nível de renda de uma sociedade se não aumentar a produção.

Renda per capita significa a média da renda do país, ou seja, em média quanto cada habitante teria de renda.

Para saber mais

É fato que há uma estreita relação entre produção e emprego, portanto, quando se busca atingir o objetivo de crescimento da produção, automaticamente se está procurando ampliar o nível de emprego da economia. Na realidade, busca-se atingir o pleno emprego dos fatores de produção na economia, gerando bem-estar à sociedade.

É importante distinguir crescimento econômico de desenvolvimento econômico. Os países que buscam atingir melhores níveis de desenvolvimento econômico querem promover a melhoria do bem-estar de seus cidadãos. Geralmente o desenvolvimento econômico de um país é medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A elevação do IDH surge como resultado do aumento da renda real per capita por um longo período de tempo e é um índice que contempla três dimensões que são: expectativa de vida ao nascer, acesso a escolaridade e renda per capita. O IDH varia de 0 a 1 e quanto mais próximo de 1 mais desenvolvido o país e melhores são as condições de vida de seus cidadãos. Na Tabela 2.1 você pode conferir o ranking dos dez países com maiores IDHs e os dez com os piores IDHs. Situado no meio da tabela destacamos a posição do Brasil que é classificado no conjunto de países com IDH alto.

Introducao_a_economia.indd 34 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 35

Você pode conferir no link abaixo mais detalhes da estimativa do IDH 2011:

<http://hdr.undp.org/en/media/HDR_2011_EN_Tables.pdf>.

Links

Tabela 2.1 Estimativas do IDH de países selecionados

Posição País Estimativa 2011

1  Noruega 0,943

2  Austrália 0,929

3 Países Baixos 0,910

4 Estados Unidos 0,910

5 Nova Zelândia 0,908

6 Canadá 0,908

7 Irlanda 0,908

8  Liechtenstein 0,905

9 Alemanha 0,905

10 Suécia 0,904

84 Brasil 0,718

177 Eritreia 0,349

178 Guiné 0,344

179 República Centro-africana 0,343

180 Serra Leoa 0,336

181 Burkina Faso 0,331

182 Libéria 0,329

183 Chade 0,328

184 Moçambique 0,332

185 Burundi 0,336

186 Niger 0,295

187 Rep. Democrática do Congo 0,286

Fonte: Adaptado de Statistical... (2011).

Introducao_a_economia.indd 35 21/01/14 18:27

36 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Também é importante distinguir desenvolvimento econômico de desenvolvimento sustentável, uma definição mais divulgada do conceito é “[...] aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também as suas” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DE- SENVOLVIMENTO, 1991, p. 9). As políticas econômicas que pretendam atingir esses objetivos devem trabalhar sobre um tripé que contemple a sustentabilidade ambiental, a sustentabilidade econômica e a sustentabilidade sociopolítica. Nesse sentido, muitas instituições têm contribuído e desenvolvido mecanismos que permitam calcular o impacto ambiental das atividades econômicas, por exemplo, temos o Instituto Ethos que é uma das referências no Brasil e o WWF que é uma referência internacional. Um importante instrumento de cálculo de dano ambiental intitulado “pegada ecológica” permite calcular o nosso impacto ambiental, você pode acessá-lo consultando o link a seguir, é bem interessante e creio que você irá gostar.

Para calcular sua pegada ecológica acesse o link:

<http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/calculators/>.

Links

Você pode ler mais sobre Desenvolvimento Sustentável consultando o link:

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_sustent%C3%A1vel>.

Links

Feitas essas observações podemos retomar a questão do crescimento econômico indagando o que gera crescimento econômico. Segundo Parkin (2003) para responder a essa questão devemos começar por pensar nas precondições, ou seja, a base sobre a qual o crescimento econômico se assenta e, depois, temos que atentar para o que promove o crescimento contínuo.

Nas economias de mercado o crescimento econômico ocorre dentro de um marco legal no qual três instituições são cruciais na geração de incentivos para promover o ambiente favorável ao crescimento, são elas: os mercados, os direitos de propriedade e a intermediação monetária.

As três estão interligadas da seguinte maneira: os mercados garantem que haverá eficiência, pois a tendência ao equilíbrio entre as quantidades ofertadas e deman- dadas eliminará tanto o excesso quanto a escassez nos diversos mercados (produtos,

Introducao_a_economia.indd 36 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 37

serviços, trabalho, moeda etc.), mas para que isso ocorra é necessário ter um marco jurídico legal que estabeleça os direitos e obrigações dos envolvidos para que qual- quer conflito possa ser resolvido dentro desse marco legal. Dessa forma, agiliza-se o processo de tomada de decisão por parte dos agentes econômicos (empresários, governo, trabalhadores, instituições etc.), além disso, a existência da moeda facilita as transações de compra e venda nos mais diversos mercados.

Assim, na medida em que as economias crescem, é necessário desenvolver in- centivos para que as trocas, a produção e o consumo continuem sendo estimulados na economia. Na atualidade a grande maioria dos economistas concorda que esses estímulos surgem de três fontes distintas, são elas:

investimento e poupança;

capital humano;

tecnologia.

Nas linhas a seguir vamos explorar um pouco cada uma dessas importantes fontes de estímulo do crescimento econômico.

Em economia o investimento considerado é aquele que permite aumentar a capa- cidade produtiva do país. Assim, a aplicação de capital/dinheiro na compra de meios de produção, como máquinas, equipamentos, infraestrutura que serão utilizados para produzir outros bens e serviços para o consumo final, e que por isso recebem o nome de bens de capital, é chamado de investimento produtivo. Então, o investimento refere-se ao uso do capital dinheiro para adquirir bens de capital. Porém, para que o investimento se realize é necessário que a taxa de lucro proporcionada por ele supere a taxa de juros da economia e que existam fontes de financiamento.

Uma das fontes de financiamento do investimento é a poupança. Existe uma controvérsia entre clássicos e keynesianos sobre a origem da poupança em função da taxa de juros. Para os clássicos a poupança surge somente da renda não gasta e ela será tanto maior quanto maior a taxa de juros. Para os keynesianos numa economia monetária a poupança surge como resultado da demanda por investimento, e para investir é necessário ter fontes de financiamento que podem ser recursos da poupança, da emissão monetária e do crédito. Nesse contexto a taxa de juros passa a ser um determinante fundamental do comportamento dos investimentos.

De qualquer forma podemos concluir que a taxa de juros é o elo entre poupança e investimento e, por isso mesmo, é sempre difícil para os governos controlar a taxa de juros de forma que ela não seja tão baixa que desestimule a poupança e nem tão alta que desestimule os investimentos. Quando formos trabalhar o Sistema de Contas Nacionais do país veremos como se dá a formação de recursos para o investimento na economia. O Gráfico 2.2, a seguir, ilustra o comportamento do investimento e da poupança no Brasil, medidos em percentuais do PIB.

Introducao_a_economia.indd 37 21/01/14 18:27

38 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Gráfico 2.2 Investimento e poupança no Brasil

Fonte: IBGE (2010).

Para que você compreenda um pouco mais sobre o dilema poupança, investimento e financia- mento, dedique um tempo acessando o link a seguir:

<http://www.ie.ufrj.br/moeda/pdfs/investimento_poupanca_e_financiamento.pdf>.

Links

Você pode ler o artigo de Paulo Nogueira da Costa na íntegra consultando o blog:

<http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/04/06/escolaridade-e-emprego/>.

Links

Outra importante fonte de estímulo ao crescimento é o capital humano. Em linhas gerais ele se refere às características chamadas de habilidades e competências do trabalhador que resultam na capacidade de produzir trabalho que gere valor econô- mico. Essas características são adquiridas pelo trabalhador por meio da educação e da experiência. Na prática o que diversos estudos científicos indicavam é que os países considerados desenvolvidos têm trabalhadores mais qualificados e associavam a “qualidade desse capital humano” ao nível de crescimento econômico e elevada renda per capita dessas nações. O gráfico elaborado e apresentado pelo economista Paulo Nogueira da Costa em seu blog mostra a relação entre escolaridade e emprego no Brasil em 2011.

Introducao_a_economia.indd 38 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 39

No material do link você pode verificar que a parcela dos trabalhadores com 11 anos ou mais de estudos cresceu passando de 42,3% para 54%, e que a taxa de de- semprego registra queda para esse grupo em 2010 de 6,52%. O desemprego também caiu para os sem instrução que registraram taxa de 5,54% e para os trabalhadores que têm entre 8 a 10 anos de estudo cuja taxa de desemprego ficou em 9,07% em 2010. O autor complementa informando que “estudos verificaram que cada ano adi- cional de educação proporciona um aumento médio de 13% da renda do trabalho” (COSTA, 2011, p. 1).

Outra importante fonte de estímulo ao crescimento econômico é a tecnologia, nas palavras de Sandroni (1999, p. 594) ela pode ser definida como:

Ciência ou teoria da técnica. Abrange o conjunto de conhecimentos aplicados pelo homem para atingir determinados fins. As inovações tecnológicas determinam, quase sempre, uma elevação nos índices de produção e um aumento da produtividade do trabalho.

Em economia, a face mais importante da tecnologia é que ela representa o estado atual de nosso conhecimento que é utilizado para combinar recursos para produzir os bens e serviços desejados. Em suma, ela constitui o nosso conhecimento do que pode ser produzido. Normalmente nosso acesso à tecnologia aparece expresso pelos produtos e serviços que são colocados a nossa disposição, por exemplo, da escrita manual, passamos à máquina de datilografar e então para os computadores; do tele- fone fixo, passamos a ter telefone sem fio e depois telefone celular. O importante é que a tecnologia está presente em todas as áreas do conhecimento e é utilizada de maneira cada vez mais intensa, seja para criar, desenvolver ou aperfeiçoar produtos, processos e serviços. Podemos dizer que a tecnologia é complementada pela inovação.

A inovação é importante para a promoção do crescimento e do desenvolvimento econômico. Segundo Silva (2009) pode-se dizer que o desenvolvimento econômico ocorre a partir de descontinuidades, sendo, na maioria das vezes, de caráter tecnoló- gico ou produtivo, que afetam e são afetadas pela estrutura produtiva social, política e institucional de cada nação. O desenvolvimento de cada nação é um processo único e depende de aspectos que envolvem suas especificidades políticas, econômicas, históricas e culturais, ocorrendo a partir de mudanças estruturais de longo prazo que geram rupturas com os padrões historicamente estabelecidos. Esses processos geram uma série de oportunidades e, ao mesmo tempo, impõem um conjunto de novos desafios, já que não são processos harmônicos.

A teoria neoclássica tem como um de seus pilares a hipótese do equilíbrio entre mercados e a existência de processos de convergência a esse equilíbrio. A corrente neo-schumpeteriana tem como marco o estudo de processos assimétricos e de desequi- líbrio. A concorrência neo-schumpeteriana é um processo ativo de criação de espaços e oportunidades econômicas, e não apenas um processo passivo de ajustamento em direção a um suposto equilíbrio. Nessa concepção, concorrência implicaria um sur- gimento permanente e endógeno de diversidade no sistema econômico e capitalista, que se move por inovações, descontinuidades e incertezas (SCHUMPETER, 1982).

Introducao_a_economia.indd 39 21/01/14 18:27

40 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

O capitalismo deve ser tratado como um processo em evolução, pois está em constante mudança. O desenvolvimento é definido pela realização de novas combi- nações que geram um estado de “desequilíbrio” no sistema econômico realizado por novas empresas, que geralmente não surgem de empresas antigas, mas que começam a produzir em conjunto com as demais, e pelo emprego de recursos diferentes e novas formas de produção (CAMPOS, 2006).

Segundo Schumpeter (1982, p. 49) “[...] as novas combinações, via de regra, estão corporificadas, por assim dizer, em empresas que geralmente não surgem das antigas, mas começam a produzir a seu lado”.

O desenvolvimento consiste primariamente em empregar recursos diferentes de uma maneira diferente, e em inovar com eles, independentemente do crescimento ou não daquele recurso (SCHUMPETER, 1982). Nessa visão os avanços, sejam pro- dutivos, tecnológicos, organizacionais ou institucionais, resultantes de processos inovativos, são fatores básicos para a formação da economia e seu desenvolvimento no longo prazo. A teoria de Schumpeter e seu desdobramento posterior na corrente neo-schumpeteriana enfatizam a inovação como elemento fundamental do movimento capitalista. A inovação constitui o determinante fundamental do processo dinâmico da economia e, ao mesmo tempo, fundamental para definir os paradigmas de com- petitividade econômica, especialmente no atual crescimento da competitividade em nível regional e global.

Segundo Schumpeter (1982), a inovação é resultado do desenvolvimento, em que novas combinações aparecem descontinuamente. Para ele esse conceito engloba cinco casos:

1) Introdução de um novo bem, ou seja, um bem com que os consumidores ainda não estejam familiarizados ou de uma nova qualidade de um bem. 2) Introdução de um novo método de pro- dução, ou seja, um método que ainda não tenha sido testado pela experiência no ramo próprio da indústria de transformação, que, de modo algum, precisa ser baseado numa descoberta cientifica- mente nova, e pode consistir também em nova maneira de manejar comercialmente uma mercadoria. 3) Abertura de um novo mercado, ou seja, de um mercado em que o ramo particular da indústria de transformação do país em questão não tenha ainda entrado, quer esse mercado tenha existido antes ou não. 4) Conquista de uma nova fonte de matérias-primas ou de bens semimanufaturados, mais uma vez independentemente do fato de que essa fonte já existia ou teve que ser criada. 5) Estabelecimento de uma nova organização de qualquer indústria, como a criação de uma posição de mono- pólio (SCHUMPETER, 1982, p. 48-49).

Os autores neo-schumpeterianos realizaram importantes adaptações e desen- volvimentos, partindo das limitações dos conceitos originais de desenvolvimento, inovação e suas formas de difusão proposto por Schumpeter. Essas modificações passam a caracterizar de melhor forma os processos inovativos e os seus efeitos sobre a dinâmica econômica.

Introducao_a_economia.indd 40 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 41

Para a corrente neo-schumpeteriana as políticas de Estado podem desempenhar um papel-chave para o desenvolvimento das nações, principalmente ao induzir o desenvolvimento dos sistemas de inovação, que seria o único caminho para a so- brevivência nos mercados, tanto de processos quanto de produtos novos, cada vez mais competitivos. Portanto, empresas e setores da economia, até mesmo o Estado, que não investem em tecnologia para poder inovar, acompanhados de um aparato institucional mais eficiente, estão fadados ao fracasso, acabando por perder espaço para aquelas empresas que utilizam a inovação como meio de diferenciação.

A inovação tornou-se um fator importante, não somente pela sua capacidade de modificar os ambientes nos quais é introduzida, mas também pela sua capacidade de tornar mais dinâmico o setor, impulsionando o desenvolvimento econômico. Ela é considerada pela teoria econômica evolucionista a força motriz do desenvol- vimento. No entanto, para que o desenvolvimento econômico seja atingido com a adoção de inovações, faz-se necessário que haja uma predisposição local, e um ambiente favorável, com instituições capazes de realizar ações empreendedoras voltadas para esse fim.

Logo, a inovação é o elemento central da dinâmica capitalista. Para Dosi (1984), as inovações podem ser definidas como busca, descoberta, experimentação, desenvol- vimento, imitação e adoção de novos produtos, processos e formas de organização.

Por que é importante para o país e para sua população o crescimento econômico?

Questões para reflexão

1.1.2 Controle da inflação Realizar o controle da inflação não significa que ela tenha que ser igual a zero.

Mesmo os países mais desenvolvidos não perseguem essa meta. O que se busca é evitar períodos de aceleração permanente no crescimento dos preços e manter a inflação em níveis reduzidos, mesmo atingindo taxas como 6% a 7% ao ano, desde que estáveis ou descendentes.

A preocupação em controlar a inflação baseia-se no fato de que taxas elevadas de inflação provocam profundas distorções na economia. Elas afetam negativamente a distribuição de renda, à medida que os mais pobres não conseguem se proteger da inflação, visto que não conseguem aplicar seus recursos no mercado financeiro; os prazos das aplicações financeiras ficam mais reduzidos, fazendo, assim, desaparecer os recursos para financiar os investimentos; inibem o planejamento de longo prazo; e se a inflação chegar ao nível de hiperinflação pode levar à destruição do parque produtivo do país (LANZANA, 2002).

Introducao_a_economia.indd 41 21/01/14 18:27

42 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Hiperinflação é o estado inflacionário acelerado, em que os preços sobem de forma exagerada, em períodos muito curtos.

Para saber mais

Várias são as experiências de países que, ao não controlarem sua inflação, não ob- tiveram um crescimento sistemático da produção de bens e serviços. O Brasil é um exemplo claro dessa situação, haja vista que o país ficou praticamente estagnado durante toda a década de 1980 e por conta de passar por um processo inflacionário muito forte. Mais adiante teremos um capítulo específico de economia brasileira no qual será abordado o problema da inflação.

Por ora cinco questões sobre a inflação precisam ser esclarecidas para que você avance na leitura com um pouco mais de conhecimento sobre o tema, são elas: o que é inflação, qual a origem da inflação, quais as consequências para a economia, quais as teorias que tentam explicá-las e uma breve explanação sobre os índices.

1.1.3 Inflação e nível de preços No nosso dia a dia o termo inflação sempre aparece associado à palavra preço,

isso ocorre em virtude do próprio conceito de inflação, que é definida como:

Aumento persistente dos preços em geral, de que resulta uma contínua perda do poder aquisitivo da moeda. É um fenômeno monetário, e isso coloca uma questão básica: se é a expansão da oferta de moeda que tem efeito inflacionário ou se ela ocorre como resposta à maior demanda de moeda provocada pela inflação (SANDRONI, 1999, p. 301).

Podemos complementar o conceito anterior indicando que a inflação é o aumento contínuo e generalizado nos preços registrado por um índice de preços. Quando isso ocorre compraremos cada vez menos com o dinheiro que temos em mãos.

Os economistas sempre procuram entender a raiz do problema para então poder elaborar propostas e atuar sobre eles. Assim, quando estudam a inflação, a primeira pergunta que buscam responder é: Qual a origem da inflação? Nesse sentido os estudos apontam para três fontes de inflação: os custos, a demanda e a inércia infla- cionária. Então podemos dizer que a inflação pode ser de três tipos:

a) Inflação de custos: ocorre quando as pressões de custos são repassadas aos preços, conceitualmente é definida como: “Processo inflacionário gerado (ou acelerado) pela elevação dos custos de produção, especialmente das taxas de juros, de câmbio, de salários ou dos preços das importações” (SANDRONI, 1999, p. 302).

Podemos perceber que, se as empresas tiverem aumento dos custos, a ten- dência é repassar esse aumento ao preço final das mercadorias ou serviços

Introducao_a_economia.indd 42 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 43

que comercializam. Destaca-se que as principais fontes de pressão sobre os custos da empresas são: a taxa de juros que encarece a tomada de crédito por parte das empresas; a desvalorização do real que encarece a compra de insumos, peças e demais componentes que sejam importados pelas empresas; e os aumentos salariais conquistados pelos trabalhadores, e que pressionam os custos do trabalho para as empresas e que por isso acabam sendo repas- sados aos preços.

b) Inflação de demanda: causada por excesso de procura pelos bens e serviços em relação à oferta disponível no mercado, conceitualmente pode ser descrita como:

Também chamada de inflação dos compradores, é o processo in- flacionário gerado pela expansão dos rendimentos. Ocorre que os meios de pagamento crescem além da capacidade de expansão da economia, ou antes que a produção esteja em plena capacidade, o que impede que a maior demanda decorrente da expansão dos rendimentos seja atendida. Com isso, aumentam os preços e, por extensão, os salários e os rendimentos em geral, dando origem a uma espiral inflacionária (SANDRONI, 1999, p. 302).

Quando falamos de expansão dos rendimentos nos referimos a aumentos sa- lariais reais (acima da inflação) e a aumento da renda disponível que surgem da redução dos impostos. Por outro lado é cada vez mais comum que fatores ligados indiretamente a salários, mas que influenciam a demanda tenham pa- pel de destaque ampliando as possibilidades de consumo na economia, dentre esses fatores podemos citar: expansão do crédito e financiamento, redução das taxas de juros e expectativas otimistas por parte dos consumidores. Além disso, não podemos nos esquecer de que o governo é um dos maiores compradores da economia e, caso ele opte por expandir o gasto público com contratações, compra de bens e serviços, ele também contribuirá para aumentar a pressão da demanda e, consequentemente, aumentará os preços da economia.

c) Inflação inercial: está associada aos mecanismos de indexação da economia, nas garantias legais de reajustar preços existentes na economia, conceitual- mente pode ser entendida como:

Processo inflacionário muito intenso, gerado pelo reajuste pleno de preços, de acordo com a inflação observada no período ime- diatamente anterior; os contratos contêm cláusulas de indexação que restabelecem seus valores reais após intervalos fixos de tempo (SANDRONI, 1999, p. 302).

O processo se autoalimenta da inflação passada, através dos reajustes aplicados com base em algum índice de preços. Conforme os intervalos entre os reajustes vão ficando menores e ocorrem em percentuais cada vez maiores concedidos com a mesma intensidade para todos os preços, os preços tendem a ficar alinhados, sempre em um nível mais altos que o do período anterior. Assim, a inflação passada será perpetuada pela aplicação dos índices de preços para reajustes dos preços no pre-

Introducao_a_economia.indd 43 21/01/14 18:27

44 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

sente. No Brasil uma forma comum de combate à inflação inercial foi a adoção de tabelamentos e congelamentos de preços e salários, nos quais ficavam proibidos os reajustes e a utilização de índices de preços para reajustes dos mesmos.

A esta altura muitos de vocês podem estar se perguntando por que precisamos combater a inflação. Em linhas gerais os principais argumentos para o combate à inflação podem ser elencados partindo-se de suas consequências, dentre as quais podemos destacar:

I) Desconfigura a noção de preços relativos da economia: o preço refere-se ao preço de uma mercadoria em termos de quanto ela compra de outras merca- dorias. Esse preço é extremamente importante para a microeconomia, pois no processo de produção de bens e serviços os empresários incorrem em custos de produção que são o pagamento pelas matérias-primas e salários, por exem- plo. Eles estabelecem uma relação entre o custo de produção e o preço de seu produto, e, portanto, qualquer alteração nos custos tem implicações sobre os preços. Por exemplo, se os custos de matéria-prima representam 35% de um produto que custa R$ 100,00 então seu custo é R$ 35,00. Porém, se houver aumento no custo da matéria-prima em 10%, ela passará a representar 38,5% (35% + 10% = 38,5%) do mesmo produto cujo preço é R$ 100,00. Perceba que agora o custo subiu para R$ 38,50. Conclui-se que o preço relativo do bem em termos de seu custo caiu, pois, se antes R$ 100,00 – R$ 35, 00 = R$ 75,00, agora o preço relativo do bem é R$ 100,00 – R$ 38,50 = R$ 61,50.

Conclui-se que, se os custos subirem e os preços em valores absolutos não, o preço relativo do bem se reduzirá. Na prática o preço relativo de um bem é o quanto ele compra dos demais bens. Constitui-se num preço importante para a empresa, pois a empresa produz e vende e depois começa o ciclo de produção novamente, porém para isso ela terá que adquirir matéria-prima e continuar pagando salários. Portanto, deve se ocupar de produzir e vender mantendo um preço que contemple esses custos dentro de níveis que não alterem para menos sua margem de lucro.

II) Dificulta investimentos em virtude de problemas sobre como prever os re- tornos dos mesmos: de fato se todos os preços sobem periodicamente, os empresários não conseguem prever quanto seus custos aumentarão, não conseguem prever quanto desse aumento deve repassar aos preços e, como consequência, não conseguem prever o lucro.

III) Dificulta a estabilização do patamar de variação da taxa de câmbio, pois as pessoas guardam mais dólar. De fato, quando a moeda nacional se desvalo- riza, as pessoas tendem a procurar opções que permitam manter o valor de seus recursos. Normalmente, optam por manter reservas em “moeda forte”, isto é, que se desvaloriza pouco como o dólar. Quando as pessoas compram dólar e o guardam, isso exerce pressão para que o real se desvalorize, essa desvalorização será tanto maior quanto maior for a procura por dólares. As- sim, a dificuldade em fixar a taxa de câmbio é conhecida como volatilidade da moeda.

Introducao_a_economia.indd 44 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 45

IV) Afeta a distribuição de renda em virtude da diferença de repasses de aumen- tos: em geral, numa economia inflacionária os preços sobem aleatoriamente, porém os salários são reajustados em períodos predefinidos pelo governo e pelas convenções coletivas de trabalho. No Brasil, atualmente, os salários são reajustados anualmente, enquanto a inflação, isto é, a variação de pre- ços, pode ocorrer a qualquer momento, sendo que os índices são divulgados mensalmente. Para exemplificar, podemos verificar, que a diferença entre o período em que os preços sobem (todos os dias) e o aumento salarial (anual) faz com que os salários percam poder de compra, na medida em que os preços são reajustados.

V) Aumenta a dívida pública, pois serão necessários mais juros e prazos menores para negociar a dívida: numa economia com preços instáveis, os gastos do governo com aquisição de bens e serviços aumentam e para cobrir esses gas- tos ele toma recursos emprestados no mercado, emitindo e vendendo títulos da dívida pública, sobre a qual se compromete a pagar juros e devolver o recurso no vencimento do título. Ocorre que quanto maior a inflação maior os juros que o governo deve oferecer para poder vender os títulos e menor o prazo de vencimento, pois os investidores querem seu dinheiro em mãos, isto é, preferem ter maior controle sobre sua liquidez.

VI) Reduz arrecadação real em virtude da diferença entre a época que gera e a época que recolhe imposto: por exemplo, os impostos de vendas são gerados no momento de emissão das notas e sobre o valor especificado naquele mo- mento, porém, geralmente o recolhimento aos cofres públicos ocorre depois de 30 dias ou mais. O imposto gerado no momento da emissão da nota não sofre qualquer atualização de valores, mesmo que haja inflação, então no momento em que o imposto é recolhido aos cofres públicos já sofreu des- valorização por causa da inflação ocorrida entre o período de geração e de recolhimento do tributo.

VII) Aumenta os custos de transação das empresas e das pessoas e é necessário mais pesquisa de preço: quando há inflação elevada as empresas procuram se prevenir mantendo seus estoques altos e com os menores custos possíveis. Porém, como os preços sobem o tempo todo, precisam dedicar muito mais tempo e pessoal para garantir que comprarão seus insumos, peças e compo- nentes aos menores preços do mercado. Isso implica aumento de custos, por exemplo, com salários, telefone, energia elétrica etc.

Mais uma vez cabe uma pequena nota sobre as teorias econômicas e a inflação. Resumida e genericamente podemos dizer que monetaristas, keynesianos, estrutura- listas e inercialistas têm suas suposições sobre a inflação. Nas linhas adiante faremos um breve comentário sobre a visão de cada um desses grupos.

Começando pelos monetaristas, Lanzana (2002, p. 109) argumenta que “[...] a teoria monetarista entende que a causa básica da inflação encontra-se na emissão de moeda em ritmo superior às necessidades da economia, essa situação por sua vez é provocada pelo déficit do setor público”. Para os monetaristas quando o governo

Introducao_a_economia.indd 45 21/01/14 18:27

46 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

gasta acima do que arrecada ele terá um déficit e para pagá-lo ele emite moeda, que é injetada na economia como forma de pagamento do governo aos seus credores. Conclui-se que é o aumento do déficit e seu financiamento via emissão monetária que gera inflação.

Você pode conhecer mais sobre a fórmula da “Teoria Quantitativa da Moeda” consultando o Capítulo 8 do livro:

LANZANA, Antonio Evaristo T. Economia brasileira: fundamentos e atualidades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

Para saber mais

Na teoria keynesiana o gasto público constitui-se numa variável fundamental para o ajuste da demanda efetiva, porque quanto maior ela for menor será o desemprego. Por outro lado, o excesso de gasto público provoca inflação porque o governo, como grande comprador e empregador, aumenta a demanda pelos fatores de produção. Esse aumento da procura pelos fatores de produção provoca um aumento de preços nos mesmos, o que conduz à inflação. Conclui-se que “[...] o aumento do gasto público pressiona a demanda efetiva o que leva a aumento dos preços em geral” (LANZANA, 2002, p. 110).

Para os estruturalistas são os diferentes estágios de crescimento setorial que causam as pressões inflacionárias. Nas palavras de Lanzana (2002, p. 111) “[...] os estruturalistas entendem que os setores da economia crescem a ritmos diferentes, causando excesso de demanda nos mercados em que a oferta não tem capacidade de resposta”. Assim, tomando como exemplo dois setores econômicos, agricultura e serviços, podemos dizer que, enquanto a produção agrícola cresce, seus preços caem, por outro lado, o aumento da população urbana eleva a demanda por serviços que não são oferecidos no volume necessário, isso faz o preço dos serviços subir.

Para os inercialistas, o aumento de preços se perpetua pela aplicação de índices da inflação passada como projeção para inflação futura, isto é, quando ocorre a in- dexação de preços. Assim, a correção automática dos principais preços da economia pela inflação passada, com o reajuste feito de acordo com a inflação registrada pelo índice de preços, tende a perpetuar a inflação.

Até aqui descrevemos vários aspectos da inflação, agora cabe uma breve apre- sentação da forma como ela é medida. As medidas de inflação são criadas a partir dos índices de preços. Eles podem ser de duas naturezas: simples ou ponderados. Os simples são obtidos pelo cálculo da variação da inflação de um período para o outro. Os ponderados atribuem pesos diferentes às parcelas que formam seu conjunto. Os dois índices mais citados são o de Laspeyres e Paasche.

O índice de Laspeyres considera a média aritmética ponderada e adota o período inicial como referência para a base de ponderação e o índice de Paasche considera

Introducao_a_economia.indd 46 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 47

a média harmônica e adota o período final como referência para a base de ponde- ração. Você pode pesquisar na internet para aprender mais sobre esses índices e sua fórmula de cálculo.

Na prática o cálculo de índices de preços para inflação é feito pelos grandes institutos de pesquisa, tais como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). No tópico sobre indicadores econômicos mais à frente apresentaremos os principais índices de preços do Brasil e alguns detalhes sobre sua composição.

Independente das diversas correntes de análise da inflação, por que é importante que o governo mantenha políticas de controle à inflação, mantendo-as em níveis baixos?

Questões para reflexão

1.1.4 Equilíbrio nas contas externas Os países mantêm relações comerciais e financeiras que são registradas no ba-

lanço de pagamentos, que está organizado em diversas contas e subcontas, conforme veremos mais à frente quando estudarmos os indicadores econômicos.

A fim de evitar problemas para o funcionamento da economia, os países precisam buscar o equilíbrio no balanço de pagamentos. Se um país tem déficit permanente em suas contas externas, poderá ter o esgotamento de suas reservas, implicando dificul- dades de pagamentos de seus compromissos externos, bem como ter sua capacidade de importação limitada, por falta de moeda estrangeira.

Da mesma forma, superávits permanentes podem ser prejudiciais à economia, pelo excesso de dólares que entra no país. Esses dólares são convertidos em reais (R$), podendo proporcionar excesso de reais na economia, o que pode gerar inflação.

1.1.5 Distribuição de renda Mesmo sendo difícil argumentar que a sociedade deva remunerar igualmente a

todos, não se pode deixar de atribuir a melhoria da distribuição de renda como um objetivo de política econômica. É importante observar, porém, que, ao contrário dos outros objetivos de política econômica, mudanças fortes na distribuição de renda, a não ser por reduções bruscas da taxa de inflação, não ocorrem em curto espaço de tempo (LANZANA, 2002).

Um dos indicadores utilizados para medir a distribuição da renda num país é o índice de Gini que:

Introducao_a_economia.indd 47 21/01/14 18:27

48 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

[...] mede o grau de desigualdade na distribuição de renda entre os indivíduos de uma região segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor está entre 0 e 1, sendo que o 0 indica que não há desi- gualdade (a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor), e 1, quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula) (LIMA; CALDAS, 2013, p. 20).

Você pode ler mais sobre o índice de Gini consultando o link:

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Coeficiente_de_Gini>.

Links

1.1.6 conflitos entre os objetivos Os objetivos de política econômica, vistos antes, não são independentes e, sim, na

maioria das vezes, conflitantes. É certo que, em determinadas situações, o alcance de um objetivo pode representar obtenção de outros, por exemplo, o crescimento da produção pode melhorar a distribuição da renda, na medida em que emprega mais mão de obra. Porém, especialmente nos países subdesenvolvidos essa melhoria não tem ocorrido.

A meta da política econômica é manter todos os objetivos sob controle, obtendo a maior taxa de crescimento da produção, mantendo a equidade distributiva, a esta- bilidade dos preços e o equilíbrio das contas externas.

1.1.7 Instrumentos de política econômica O governo intervém no mercado por meio da articulação entre os instrumentos

de política econômica. Em termos políticos a intervenção tem a intenção de auxi- liar o governo a cumprir suas funções. Assim, o governo é o executor da política econômica cujas funções são: alocativa, distributiva e estabilizadora (GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JÚNIOR, 2002).

Para desempenhar a função alocativa o governo atua de forma a complementar a ação do mercado na melhor alocação dos recursos com o objetivo de corrigir as falhas de mercado. As principais falhas de mercado são: as externalidades, a escala de produção e os bens públicos.

As externalidades ocorrem quando a ação de um agente tem impacto sobre os resultados almejados por outros agentes. Elas podem ser positivas, como, quando um produtor de mel se instala ao lado de produtor de maçã, ambos se beneficiarão, pois as abelhas se alimentam ao mesmo tempo que polinizam as flores da maçã. E podem ser negativas como a instalação de um lixão que além do mau cheiro aumenta a poluição do local e desvaloriza os imóveis vizinhos. Conclui-se que as externalidades podem gerar lucros/prejuízos que não estavam previstos pelos produtores. Quando a externalidade é negativa o governo atua visando amenizar

Introducao_a_economia.indd 48 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 49

os impactos (tributando os causadores/recompensando os afetados) como forma de internalizar a externalidade.

Já a escala de produção refere-se à capacidade produtiva de uma empresa. Quanto maior for essa escala menores os custos de produção e maior o domínio da empresa sobre seus preços implicando grande domínio sobre o mercado. No Brasil, por exemplo, para prevenir contra qualquer possível abuso por parte das empresas existe o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), cujas atribuições estão previstas na Lei nº 8.884/94. Ele tem a finalidade de orientar, fiscalizar, prevenir e apurar abusos de poder econômico, exercendo papel tutelador da prevenção e da repressão a tais abusos.

Você pode conhecer melhor o CADE consultando o site:

<http://www.cade.gov.br/Default.aspx>.

Links

Quanto aos bens públicos, em virtude de suas características serem de uso comum e não excludente, devem ser oferecidos pelos governos aos cidadãos. “Porém, isto implica não disposição dos agentes em pagar pela disponibilidade deles (por exemplo, Segurança Nacional) implicando compulsoriedade no custeio deles” (GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JÚNIOR, 2002, p. 192, grifo do autor).

Outra importante atribuição do governo em termos de política econômica é exer- cer a função estabilizadora cujo objetivo é o manejo das políticas econômicas visando o máximo nível de emprego e crescimento econômico com estabilidade de preços.

E por fim destacamos a função distributiva que corresponde à função do governo de arrecadar impostos de determinadas classes sociais e transferi-los para as demais classes sociais/regiões. No Brasil isso ocorre via implementação das políticas de subsídios, transferências, programas sociais etc. Uma das formas de trabalhar a dis- tribuição contemplando as questões regionais é o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Para você saber mais sobre FPE e FPM dedique um pouco de seu tempo e acesse os endereços a seguir:

<http://www.brasil-economia-governo.org.br/2011/07/21/ como-dividir-o-fundo-de-participacao-entre-os-estados/>;

<http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/texto40-marcosmendesrog%C3% A9riomirandaefernandoblancos.pdf>.

Para saber mais

Introducao_a_economia.indd 49 21/01/14 18:27

50 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Assim, para auxiliar o governo no desempenho das funções descritas e ainda atingir os objetivos de política econômica, ele pode lançar mão de um conjunto de instrumentos de política macroeconômica, como podemos ver a seguir.

1.1.8 Política fiscal A política fiscal refere-se aos instrumentos de que o governo dispõe para formar

sua receita e controlar suas despesas. Ela pode ser dividida em política tributária e política de gastos públicos. Quando o governo aumenta seus gastos na economia, sejam eles de custeio (despesas correntes) ou de investimento, está aplicando uma política fiscal expansionista, ao contrário, seria uma política contracionista. O obje- tivo que o governo pretende com sua política de gastos é que vai determinar se ela será expansionista ou contracionista.

As despesas correntes, ou despesas de custeio representam os gastos realizados com o objetivo de manter a máquina governamental funcionando. Conforme Lanzana (2002), podemos dividir essas despesas em consumo do governo, que corresponde ao pagamento dos funcionários públicos, e outras despesas necessárias à manuten- ção do aparato público, como energia elétrica, materiais etc.; transferências que se referem às despesas efetuadas pelo setor público e destinadas ao setor privado, sem a contraprestação de serviços ou fornecimento de bens, como a assistência e previ- dência social; e juros, tanto relativo à dívida interna como à dívida externa. Os juros relativos à dívida externa referem-se somente à dívida pública, uma vez que a dívida externa é composta pelo setor privado e público. E subsídios, que correspondem aos gastos do governo com o objetivo de garantir ao consumidor preços inferiores ao custo de produção.

As despesas de investimentos referem-se àquelas que o governo realiza com o objetivo de aumentar a capacidade de produção de bens e serviços no país, por exemplo, construção de rodovias, hospitais, hidrelétricas, escolas etc.

De outra forma, o governo pode agir sobre o sistema tributário, entre outras me- didas, alterando as despesas do setor privado e incentivando setores produtivos, ou seja, criando novos impostos, eliminando impostos existentes, alterando alíquotas para mais ou para menos.

Observamos, portanto, que o governo utilizará o instrumento de política fiscal, conforme seu objetivo de política econômica. Então, vejamos alguns exemplos.

Conforme Vasconcellos e Garcia (2006), se o objetivo é reduzir a taxa de infla- ção, as medidas fiscais normalmente adotadas são a diminuição de gastos públicos e/ou o aumento da carga tributária (que inibe o consumo). Ou seja, visam diminuir os gastos da coletividade. Se o objetivo é maior crescimento e emprego, os instru- mentos fiscais são os mesmos, mas em sentido inverso, buscando elevar a demanda agregada. Já, se o objetivo é melhorar a distribuição de renda, esses instrumentos devem ser utilizados de forma seletiva, em benefício dos grupos menos favorecidos, por exemplo, criação de impostos progressivos, gastos do governo em regiões mais atrasadas, programas de ajuda às classes mais pobres etc.

Introducao_a_economia.indd 50 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 51

1.1.8.1 Estrutura tributária Falando especificamente sobre a arrecadação, podemos ressaltar que a estrutura

tributária de um país impacta sobre a distribuição de renda, sobre a competitividade da economia, entre outros. Só para ter uma ideia do tamanho do impacto no Brasil a carga tributária é da ordem de 34% do PIB, isso quer dizer que, do total da produção de bens e serviços no país, um terço fica com o governo em forma de tributos. Por tributos entende-se todas as taxas, contribuição de melhoria e impostos pagos pela coletividade ao governo.

Carga tributária bruta refere-se ao total de impostos arrecadados pelo governo. Quando des- contamos dessa carga as transferências governamentais (juros, da dívida, gastos com assistência e previdência) temos a carga tributária líquida.

Para saber mais

Os tributos podem ser classificados de diferentes maneiras. A primeira delas é a classificação de acordo com a incidência sobre os bens e a renda. Os impostos são chamados diretos quando incidem sobre a riqueza e propriedade (por exemplo, Im- postos Territorial Urbano – IPTU) ou sobre a renda (por exemplo, Imposto de Renda – IR). São chamados indiretos quando incidem sobre a compra e venda de produtos e serviços (por exemplo, Imposto sobre Circulação de Produtos e Serviços – ICMS).

Outra classificação é a que observa o impacto da política tributária de um país sobre quem paga os impostos. São três classificações: progressivo, regressivo e pro- porcional. Assim, um sistema é progressivo quando aumenta conforme a renda do indivíduo aumenta; é regressivo quando quem paga mais impostos é quem tem me- nor renda; e proporcional ou neutro quando a contribuição é proporcional à renda.

Em termos de órgão arrecadador, temos três esferas: impostos federais sob res- ponsabilidade da União, impostos estaduais sob a responsabilidade dos Estados, e impostos municipais sob responsabilidade dos municípios. No Brasil, segundo o Instituto de Planejamento Tributário Brasileiro (IBPT), temos 86 tributos.

Você pode conhecer mais sobre os impostos consultando o site do IBPT no link:

<http://www.ibpt.com.br/home/>.

Links

Os principais impostos de cada uma das esferas são:

A arrecadação de impostos de responsabilidade da União são: Imposto de Importação, Imposto de Exportação, IR, IPI, IOF e ITR.

Introducao_a_economia.indd 51 21/01/14 18:27

52 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

A arrecadação de impostos de responsabilidade dos Estados são: Imposto de Transmissão causa mortis e Doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD); ICMS, IPVA.

A arrecadação de impostos de responsabilidade dos municípios são: IPTU, ITBI, ISS.

Por último, porém não menos importante, deve-se destacar que a estrutura tri- butária ao ser estabelecida deve considerar os princípios que norteiam a tributação. Segundo Vasconcellos e Garcia (2004), os dois mais importantes são:

Princípio da Neutralidade: a neutralidade é obtida quando um tributo não altera a estrutura de preços relativos, minimizando seu impacto sobre a decisão dos agentes no mercado.

Princípio da Equidade: ele deve distribuir seu ônus de maneira equitativa entre os indivíduos. Essa equidade é medida pelo Princípio do Benefício e o da Capacidade de Pagamento. Do primeiro podemos afirmar que um tributo é justo quando o contribuinte paga ao Estado um montante proporcional aos benefícios que recebe. Do segundo podemos afirmar que os tributos devem cobrar de acordo com a capacidade de pagamento dos agentes.

Podemos perceber que o governo precisa desempenhar suas funções na economia e que para isso ele precisa arrecadar e também realizar gastos. Quanto à arrecada- ção podemos perceber que existe toda uma estruturação e organização que norteia a constituição da estrutura tributária, bem como o impacto dos tributos sobre os agentes. Agora vamos estudar um pouco mais sobre os gastos do governo.

1.1.8.2 Gasto público Os gastos do governo devem estar contidos num documento chamado Orçamento

Público. O Orçamento Público Moderno surge a partir de 1930 quando o Estado, para enfrentar a Grande Depressão, passou a intervir de maneira deliberada no sistema econômico para corrigir as falhas de mercado.

Para aprender mais sobre falhas de mercado e a intervenção do governo, leia o texto: Por que o governo deve interferir na economia? De autoria de Marcos Mendes e disponível em: <http://www.brasil-economia-governo.org.br/2011/03/24/por-que-o-governo-deve- interferir-na-economia/>.

Para saber mais

No Brasil o documento que rege os gastos públicos está agrupado no Orçamento Geral da União, no qual constam o orçamento das três esferas de governo, mais os investimentos estatais, a seguridade social e as brechas fiscais (por exemplo, Precatórios). Esse orçamento deve seguir a Lei da Diretrizes Orçamentárias (LDO),

Introducao_a_economia.indd 52 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 53

que é a lei que determina quais parâmetros devem ser seguidos na elaboração da lei orçamentária anual, que deve ser aprovada no ano anterior a sua vigência pelo Congresso e Senado. E também observar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que limita os gastos do pode público especialmente com a folha de pagamento e contratação e Pessoal.

Segundo Lanzana (2002) quanto à composição o gasto do governo se divide em dois grandes grupos: as despesas correntes e os investimentos. As despesas correntes servem para manter a máquina administrativa do governo funcionando e cumprir a legislação, e podem ser as despesas de consumo do governo, as transferências, os juros e subsídios. Já as despesas com investimento são as que o governo realiza com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva do país como a construção de estradas, hospitais, escolas, rodovias, hidroelétricas etc.

No Brasil os gastos com despesas correntes giram em torno de 38% do PIB e as despesas com investimento 3% do PIB. Se somarmos veremos que o total de gasto chega a 41% do PIB, porém, a arrecadação gira em torno de 34%, logo o governo tem um déficit1 anual, isto é, um gasto maior que a arrecadação. É importante lembrar que déficit é um conceito anual, isto é, é referente ao que o governo deve no ano em que para o qual foi apurado, e que dívida refere-se ao montante total que o governo deve, independente do ano de exercício financeiro. O déficit tem vários conceitos dependendo da forma e das variáveis que são incluídas em seu cálculo.

1.1.8.3 Conceitos de déficit público O déficit público representa o saldo negativo das contas do governo, na relação

entre a receita (arrecadação) e as despesas (gastos públicos).

Conforme a amplitude e abrangência que se deseja do resultado, o déficit público pode ser denominado de déficit primário ou déficit nominal.

O déficit primário representa o saldo negativo na relação entre receitas e despesas sem considerar os juros ou correção monetária ou cambial das dívidas anteriores. Assim, considera-se apenas o resultado das receitas e despesas realizadas no período em análise. Ao contrário, o déficit nominal representa o saldo negativo na relação entre receitas e despesas totais, incluídos os juros e as correções de dívidas anterio- res. Observa-se que, quando o saldo for positivo, teremos superávit. É importante, também, atentarmo-nos para a diferença entre déficit público e dívida pública. Esta representa o somatório do valor que o governo deve, ao passo que aquele, como vimos, refere-se à diferença dos saldos nos períodos analisados.

1.1.8.4 Formas de financiamento de déficit público O financiamento do déficit público pode se dar por meio de medidas tradicionais

de política fiscal e por meio de recursos extrafiscais.

* Ao contrário, caso a arrecadação fosse maior que os gastos, teríamos um superávit fiscal.

Introducao_a_economia.indd 53 21/01/14 18:27

54 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Por meio das medidas de política fiscal, o governo pode elevar os impostos para arrecadar mais ou realizar corte de gastos públicos. Em ambos os casos o objetivo é dispor de mais recursos para a cobertura do déficit.

O financiamento por meio de recursos extrafiscais pode se dar pela emissão de moeda e vendas de títulos da dívida pública ao setor privado. No primeiro caso trata- -se de um recurso inflacionário, porém não gera aumento do endividamento público. No segundo caso, o governo troca títulos por moeda que já está em circulação, o que não provocaria inflação. Contudo, esse tipo de financiamento provoca elevação da dívida pública, e o governo, para conseguir colocar esses títulos no mercado, precisará oferecer taxas de juros mais atraentes, provocando elevação adicional no endividamento, por meio dos juros mais elevados. Nota-se que o financiamento do déficit público deverá estar em consonância a um objetivo bem definido de política econômica (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

1.1.9 Política monetária A política monetária refere-se à ação do governo no sentido de controlar as condi-

ções de liquidez da economia. No Brasil a liquidez da economia é medida de acordo com os agregados monetários que são subdivididos em quatro grupos de acordo com o grau de liquidez das transações, conforme podemos verificar no Quadro 2.1:

Quadro 2.1 Agregados monetários

BM (Base Monetária) = R (reservas) + PMPP (papel-moeda em poder do público); M1 = PMPP (papel-moeda em poder público) + D (depósitos à vista); M2 = M1 + títulos públicos federais, estaduais e municipais em poder do público; M3 = M2 + depósitos em caderneta de poupança; M4 = M3 + depósitos a prazo e títulos privados.

Fonte: Do autor.

O agregado de maior liquidez é a base monetária, pois ele representa o dinheiro em espécie e que está disponível prontamente para realizar qualquer transação econômica. O agregado de menor liquidez é o M4 pois os ativos que compõem o agregado levam mais tempo para serem vendidos, ou seja, convertidos em moeda em espécie e, por isso, dinheiro que está nessas aplicações não está prontamente disponível para realizar qualquer outra transação econômica.

Também para que o governo trabalhe bem com a política monetária, deve ter em mente as funções desempenhadas pela moeda na economia. A liquidez da moeda está estreitamente ligada com as funções que a moeda desempenha na economia, são elas:

Ser instrumento ou meio de troca: quer dizer que ela é aceita pelos produtores de bens de serviços como forma de pagamento.

Introducao_a_economia.indd 54 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 55

Ser denominador comum monetário ou unidade de conta: que dizer que os preços de todos os bens e serviços estão expressos em moeda, no Brasil todos os preços estão em reais (R$).

Ser reserva de valor: quer dizer que ela pode ser acumulada ou guardada para pagar contas ou adquirir bens e serviços no futuro.

Deve ainda considerar os motivos pelos quais a pessoas querem moeda, ou seja, os motivos para os agentes demandarem moeda, são eles: transação (para intermediar a compra e venda de bens e serviços), precaução (ter dinheiro para os imprevistos) e especulação (comprar mais barato para vender mais caro depois).

Com a política monetária o governo pode atuar sobre a taxa de juros, pode au- mentar ou diminuir o dinheiro que circula na economia, pode aumentar ou diminuir o volume de dinheiro disponível para os bancos emprestarem (atuando sobre o depósito compulsório) e pode restringir ou facilitar o crédito. Assim, os instrumentos clássicos de política monetária são a política de taxa de juros, o controle da base monetária e o depósito compulsório dos bancos (LANZANA, 2002). Assim, os principais instru- mentos de política monetária estão listados no Quadro 2.2, a seguir.

Quadro 2.2 Instrumentos de política monetária

a) emissão de moeda; b) reservas compulsórias; c) operações de open market (compra e venda de títulos públicos); d) operações de redescontos (empréstimos do Banco Central aos bancos comerciais); e) regulação do crédito.

Fonte: Do autor.

Se o governo, por exemplo, tem por objetivo o controle da inflação, a medida apropriada de política monetária seria diminuir o volume de dinheiro na economia, que poderia ser feito por meio do aumento da taxa de reserva compulsória ou por meio da venda de títulos públicos. De outro modo, se o objetivo é o crescimento econômico, a medida adotada seria o aumento do volume de dinheiro na econo- mia, reduzindo o depósito compulsório, ou flexibilizando as condições de crédito, possibilitando maior capacidade de compra às pessoas. Da mesma forma, a taxa de juros pode incentivar ou inibir o crescimento da economia ou, ainda, influenciar no índice de inflação.

1.1.10 Política cambial e de comércio exterior A política cambial e de comércio exterior representa as ações do governo nas

transações internacionais do país. Pela política cambial, o governo atua no mercado de moedas estrangeiras (divisas), por exemplo, comprando ou vendendo dólares para regular o mercado ou fixando o valor do dólar. Quando a taxa de câmbio é fixada pelo governo, tem-se o regime de taxas fixas de câmbio. Quando a taxa é flexível,

Introducao_a_economia.indd 55 21/01/14 18:27

56 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

determinada pelo mercado de divisas, tem-se o regime de taxas flutuantes de câm- bio. Pela política de comércio exterior, o governo pode atuar por meio de estímulos à exportação, tais como financiamentos a juros subsidiados e, ainda, entre outros, por meio de taxação de impostos para importação, estabelecimento de alíquotas diferenciadas etc.

No Brasil temos taxas múltiplas de câmbio que visa dar a possibilidade de o go- verno discriminar qual operação os agentes estão realizando com a moeda estrangeira, isso é verdadeiro principalmente para o dólar. Assim, de acordo com a finalidade, temos: o dólar comercial (aplicado exclusivamente para compra e venda de bens e serviços), dólar turismo (aplicado exclusivamente para viagens) e dólar paralelo (negociado nas agências e casas de câmbio). Para cada uma dessas taxas temos o preço de compra (PC) que se refere ao valor que o comprador (no caso o banco ou casas de câmbio) vão pagar pela moeda estrangeira, e o preço de venda (PV) que se refere ao valor que o vendedor (no caso o banco ou casas de câmbio) irá cobrar para fornecer a moeda estrangeira.

1.1.11 Política de rendas A política de rendas é representada pela intervenção direta do governo na forma-

ção de renda, com medidas de controle sobre os preços, como o congelamento, e com políticas de preservação dos níveis salariais (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

O governo brasileiro procurou, com os planos econômicos adotados nos anos 1980 e início dos anos 1990, melhorar o poder de compra da população via controle de preço dos produtos. Outra forma possível é a adoção de medidas de recuperação do salário mínimo, práticas de reajuste salarial etc.

1.2 Estrutura da análise macroeconômica A análise macroeconômica pode ser segmentada de acordo com o mercado

que queremos estudar. A ideia de mercado é de que existem os demandantes e os ofertantes; em cada um deles o importante é identificar quem são eles. A partir daí fica mais fácil entender qual variável está sendo determinada pela interação desses agentes no mercado. Tradicionalmente, a estrutura básica do modelo macroeconômico compõe-se de cinco mercados, são eles:

a) O mercado de bens e serviços: nele se encontram os produtores e os compra- dores de bens e serviços. Logo, nesse mercado são determinados os preços dos bens e as quantidades. Nele podemos identificar o PIB, o nível de preços. E como a produção pode ser vendida para consumidores, investidores, governo e exportados, podemos identificar também as variáveis agregadas. Essas variáveis são consumo agregado, investimento agregado, exportações globais. Também podemos comprar do exterior, e podemos identificar as importações globais. Também podemos identificar a poupança agregada pois tudo aquilo que não for gasto com consumo (privado ou público) e investimento será poupado.

Introducao_a_economia.indd 56 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 57

b) O mercado de trabalho: neste se encontram as empresas que empregam os trabalhadores; elas são os demandantes desse mercado. E também encontra- mos os trabalhadores que são os ofertantes desse mercado. Nesse mercado são determinamos os salários e o nível de emprego.

c) O mercado monetário: neste são realizadas todas as transações que são efetua- das por meio da utilização de moeda. Nesse mercado supomos a existência de uma demanda de moeda (em função da necessidade de transações dos agentes econômicos, ou seja, da necessidade de liquidez) e uma oferta de moeda. A oferta de moeda primária é feita pelo Bacen e a oferta de moeda escritural é feita pelos bancos comerciais. Nesse mercado, determina-se a taxa de juros de mercado (VASCONCELLOS; GARCIA, 2004).

Moeda primária é a moeda manual ou que pode ser manuseada, é constituída de cédulas e níqueis (moeda metálica).

A moeda escritural recebe esse nome porque não tem uma existência física mas surge da relação contratual entre um banco e seus clientes. Elas são representadas por cartões de crédito, cheque especial e limite bancário.

Para saber mais

d) O mercado de títulos: nesse mercado encontramos os compradores que são agentes superavitários que compram títulos, e vendedores que são os agentes deficitários que captam os recursos dos agentes superavitários vendendo seus títulos. Os títulos podem ser: públicos, como as NTN, LTN, LFT; ou títulos privados, como ações, debêntures, notas promissórias, títulos de crédito (duplicatas e letras de câmbio), títulos bancários (CDB’s e CDI’s) etc. Nesse mercado são determinados os preços dos títulos, bem como sua remuneração.

e) O mercado de divisas: nesse encontramos os ofertantes e demandantes de moeda estrangeira. A oferta de divisas depende das exportações e da entrada de capitais financeiros, enquanto a demanda de divisas é determinada pelo volume de importações e saída de capital financeiro. Nos mercados em que as taxas de câmbio são flexíveis, ela é determinada pelo movimento de oferta e demanda de divisas.

Introducao_a_economia.indd 57 21/01/14 18:27

58 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Seção 2 Entendendo os indicadores econômicos

Nesta seção trabalharemos com os principais indicadores, contemplando as áreas de produção, emprego, renda, comércio exterior e balanço de pagamentos, dívida pública, carga tributária, base monetária, juros, moedas e inflação, entre outros.

Na medida em que conhecermos os indicadores, vamos entender a importância de seu uso nas decisões dentro das organizações. O sucesso de uma decisão está condicionado ao uso eficiente das informações que suportem tal decisão. Não se admite mais, dentro das organizações, decisões tomadas sem estudo ou à base de emoções. Os indicadores são ferramentas que traçam um cenário da economia em que se atua e permite fazer todas as análises necessárias para dar suporte à decisão. Se internamente os gestores de empresas utilizam-se dos indicadores internos, que são seus balanços, relatórios gerenciais, pesquisas internas etc., por que não se utilizar os indicadores externos, que são os econômicos?

A fim de compreendermos o significado e a importância dos indicadores, vamos descrever a respeito de cada um dos principais.

2.1 Produto Interno Bruto (PIB) Um dos objetivos das políticas econômicas dos governos é aumentar a produção

de bens e serviços, e a medida mais utilizada nesse sentido é a do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma da produção de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, em determinado período de tempo (LANZANA, 2002).

É importante frisar que, na contagem do PIB, consideram-se apenas bens e ser- viços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediário (insumos). Isso é feito com o intuito de evitar o problema da dupla contagem, quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB. En- tão, na produção do pão, deve-se deduzir os gastos com a aquisição da farinha; na produção da farinha deve-se deduzir os gastos com a aquisição do trigo. Vejamos um exemplo na Figura 2.1 a seguir:

Figura 2.1 Valor adicionado em cada etapa para produzir o pão

Produto Valor do produto Insumos Valor adicionado

Trigo 15 0 15

Farinha 25 15 10

Pão 32 25 7

Total 72 40 32

Fonte: Adaptado de Vasconcellos e Garcia (2004, p. 100).

Introducao_a_economia.indd 58 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 59

Conforme podemos em ver em nosso exemplo hipotético, o valor do trigo é 15; este será seu valor adicionado imaginando que ele seja o primeiro item da produção do pão. Porém, quando vamos produzir a farinha, embora o valor do produto seja 25, esses 15 se referem à aquisição do insumo trigo, então o valor adicionado à produção da farinha será apenas 10 (25 – 15 = 10). O mesmo ocorre com a produção do pão; seu valor bruto é 32, porém foram utilizados insumos num total de 25, referentes à utilização da farinha, então, o valor adicionado na produção do pão é apenas 7.

Temos agora um importante conceito econômico: o de valor adicionado, ou seja, o valor que se adiciona ao valor dos insumos utilizados para produzir um bem em cada estágio de produção. Ou simplesmente o valor do produto descontados os gastos com insumos e matérias-primas. O objetivo é medir o valor econômico criado por cada empresa e/ou agente econômico no processo produtivo.

Se retomarmos nosso exemplo, veremos que o PIB poderia, então, ser medido de três maneiras diferentes, são elas:

considerar somente o valor bruto, ou preço dos produtos e serviços finais. No nosso exemplo, consideramos que o produto final que queríamos obter era o pão cujo valor bruto é 32;

somando somente o valor adicionado em cada etapa da produção do pão = 15 + 10 + 7 = 32;

somando o valor bruto do produto e descontando os insumos = 72 – 30 = 32.

O que podemos concluir disso é que, quando há crescimento do PIB, há expansão do mercado, ou seja, houve aumento da produção de bens e serviços na economia em termos de bens e serviços finais, ou em termos de valor adicionado, ou em ter- mos de aumento do volume do produto. O inverso acontece quando se registra PIB negativo, o que é sinal de recessão, e fatalmente, gera desemprego e baixa o nível de renda da economia.

2.1.1 Mensurando o PIB É comum em todos os livros introdutórios de economia associar o estudo da

produção e do emprego às análises e pressuposições teóricas da escola keynesiana. Keynes dedicou a maior parte de sua obra a explicar os determinantes do investimento e que seria função das expectativas dos empresários quanto aos lucros futuros e à taxa de juros, enquanto o consumo seria uma função da renda.

Uma das grandes contribuições de Keynes foi a apresentação da Equação da De- manda Agregada. Ela tem diferentes componentes e o comportamento desses compo- nentes também é influenciado por outras variáveis, vejamos quais são essas variáveis:

DA = C + I + G + (X – M)

C = A + bY => a função consumo (C) depende do consumo que ocorre indepen- dente da renda chamado consumo autônomo (A) e da propensão a consumir (b) da renda (Y). As famílias têm necessidades básicas que procuram sanar indepen- dente da renda, por exemplo, alimentação, logo sempre haverá algum nível de

Introducao_a_economia.indd 59 21/01/14 18:27

60 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

consumo (A). Por outro lado os demais gastos são limitados pela renda; espera-se que as famílias gastem conforme sua renda (b), porém nem toda a renda será gasta, uma parte será poupada podendo ser direcionada para investimentos.

I = ΣRn / (1+r)n => função investimento (I) que depende da soma das receitas espe- radas do investimento no período (ΣRn) que deve ser acima das taxas de juros reais da economia registradas durante o período ((1+r)n). Ocorre que r = (1+i) / (1+π), isto é, a taxa de juros reais (r) depende da taxa de juros nominais (1+r) descontada a inflação (1+ π). E a taxa de juros nominais é i = ie + rs + πi – πe, isso significa que a taxa de juros nominais (i) em economia aberta deve ser acima da taxa de juros externa (ie) e cobrir o risco país (rs) e a inflação interna (πi) descon- tando a inflação externa (-πe). Os empresários investem para ter retorno real do negócio (ganhos acima da inflação) maior que a taxa de juros do mercado (ser um investimento melhor que as aplicações financeiras). Keynes chama o retorno do investimento de eficiência marginal do capital.

Os gastos do governo são G = f (T), ou seja, os gastos são função da arrecada- ção dos tributos (T). Se o governo só gastar o que arrecadar, não terá dívida e seu orçamento será equilibrado.

As exportações são X = f(Y*, e), isto é, que é função da renda do resto do mundo (Y*) e da taxa de câmbio (e). Se a renda (riqueza) no mundo aumenta, as pes- soas compram mais e nós exportamos mais, e se o real estiver desvalorizado em relação ao dólar, nossas exportações também aumentam.

As importações são M = f(Y,e), isto é, que é função da renda nacional (Y) e da taxa de câmbio (e). Se a renda dos brasileiros aumentar, nós compraremos mais e isso deve aumentar as importações, e se o real se valorizar nós devemos também importar mais produtos e viajar ao exterior.

Em todas as economias os governantes procuram controlar essas variáveis por meio das políticas macroeconômicas e, dessa forma, buscam dar maior estabilidade a suas economias.

Na análise macroeconômica verifica-se que numa economia existem três óticas pelas quais podemos medir o produto: ótica do produto, da renda e do dispêndio. Se você se recordar do fluxo circular simplificado da renda, verá que para produzir as empresas contratam as famílias que trabalham para as empresas em troca de remune- ração. Nesse fluxo a produção (Y) pode ser vendida para as famílias pois elas recebem salários (w), juros (i), lucros (l), aluguéis (a) e royalties (r). Por outro lado, elas utilizam essas remunerações para comprar produtos e serviços das empresas. Assim, os bens e serviços produzidos são utilizados pelas unidades famílias, que realizam despesas com sua renda para consumo (C), Investimento (I), gasto público (G), e exportações (X) descontando as importações (M) que vêm de outros países. Assim, podemos escrever:

Remuneração = w+i+l+a+r=> Produto na ótica da renda

PIB = C + I + G + (X-M)=> Produto na ótica do dispêndio

PIB = Produção dos Setores (Primário + Secundário + Terciário) + Impostos + Depreciação => Ótica do Produto

Introducao_a_economia.indd 60 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 61

A partir dessas igualdades, podemos ver que na economia de um país a produção é gerada ao mesmo tempo que se gera renda e que os agentes econômicos realizam despesas. Esses acontecimentos simultâneos ajudam a definir um importante conceito econômico que é a Identidade Macroeconômica, dada por:

Produto = Renda = Despesa => Identidade Macroeconômica

Essa identidade aparece no momento em que ocorre a contabilização ou o registro de maneira organizada das contas de um país, e isso é feito pelo Sistema de Contas Nacionais (SCN). No Brasil o SCN é gerido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, assim como a contabilidade de uma empresa, utiliza-se da contabilização das contas por meio de partidas dobradas (Crédito/Débito) no qual deve haver equilíbrio no fechamento de cada conta individualmente (Recursos = Usos) e entre as contas (débito em uma conta corresponde a crédito em outra conta) no fechamento final das contas nacionais. Isto é, o SCN preza pelo equilíbrio interno e externo das contas nacionais.

Para ver um exemplo das contas no Brasil consulte o link:

<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/contasnacionais/2008/tabelas_pdf/tab04.pdf>.

Links

Ainda falando sobre o produto, alguns outros conceitos são também relevantes. Em termos de produto podemos ter o PIB, que é produzido dentro das fronteiras geográficas do país, e o Produto Nacional Bruto (PNB), que corresponde ao PIB des- contada a renda líquida enviada ao exterior (RLEE). Podemos ter também o Produto Nacional Líquido (PNL) descontando-se a depreciação do PNB.

Devemos destacar também que podemos ter o produto medido em termos de preços de mercado, o que inclui os impostos e desconta os subsídios (PNLpm); e podemos ter também o produto medido em termos de custo de fatores, para isso, partimos do PNL, deduzimos os impostos pagos na produção e adicionamos os sub- sídios (PNBcf). Algebricamente temos:

PNB = PIB – RLEE

PNL = PNB – Depreciação

PNLpm = PNL + Impostos – Subsídios

PNLcf = PNL – Impostos + Subsídios

Todos esses indicadores do nível de produto da economia servem para sinalizar para o governo como está o nível de emprego da economia. Quando nos referimos a emprego estamos falando de trabalhadores e também da utilização da capacidade instalada de produção das empresas, pois quanto mais produção mais emprego.

Assim, a preocupação da Teoria Macroeconômica é mais de curto prazo, ocupando- -se de questões do desemprego, por exemplo, que ocorrem toda vez que a economia (isto é, as empresas) está trabalhando abaixo de seu máximo de produção. Quando isso

Introducao_a_economia.indd 61 21/01/14 18:27

62 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

ocorre temos implicações sobre vários mercados, o que causa uma desestabilização de preços. Por isso, a macroeconomia se ocupa, em grande parte, das questões conjuntu- rais como as relativas ao desemprego e à inflação e com os instrumentos pelos quais os governos podem atuar sobre essas questões (VASCONCELLOS; GARCIA, 2006).

2.2 Índices de inflação Não haveria dificuldades em se medir a inflação se a questão fosse conhecer a

variação de preços de um único bem. “A necessidade de construção de índices de preços surge quando se precisa saber a variação conjunta de bens que são fisicamente diferentes, ou que variam a taxas diferentes” (GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JÚNIOR, 2002, p. 118).

Existem vários indicadores de inflação no Brasil. A diferença está em que, en- quanto alguns deles medem a evolução dos preços no nível do consumidor, outros medem o comportamento dos preços no atacado. Também variam o período de co- leta, a região de cobertura do indicador e a abrangência, em termos de orçamento familiar (LANZANA, 2002).

Vejamos alguns índices de medida da inflação no Brasil, conforme (LANZANA, 2002, p. 113-114):

a) INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Pesquisado pelo IBGE. Pesquisa preços para um universo de

renda familiar de 1 a 8 salários mínimos (sm), no período do primeiro ao último dia do mês de referência, nas onze principais regiões metropolitanas (RMs), que são: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Distrito Federal e Goiânia.

b) IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. Pesquisado pelo IBGE, abrangendo renda familiar de 1 a 40

salários mínimos. Os preços são coletados do primeiro ao último dia do mês de referência nas onze principais regiões metropolitanas do Brasil.

c) IGP – Índice Geral de Preços. Pesquisado pela FGV nas onze principais regiões metropolita-

nas, no período do primeiro ao último dia do mês de referência. O universo de renda contemplado é de 1 a 33 salários mínimos, pesquisando preços no atacado e da construção civil.

O IGP é uma composição de três outros índices: IPA – Índice de Preços por Atacado (60 %), IPC – Índice de Preços ao Consumidor ( 30 %) e INCC – Índice Nacional da Construção Civil (10 %).

d) IGP-M – Índice Geral de Preços no Mercado. É a mesma metodologia do IGP, mudando apenas o período de

coleta dos dados, que é do dia 21 do mês anterior até o dia 20 do mês de referência. São divulgadas prévias de 10 em 10 dias.

e) IPC-Fipe – Índice de Preços ao Consumidor. Divulgado pela FIPE/USP – Fundação Instituto de Pesquisas

Econômicas da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, pesquisa um universo de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos, do primeiro ao último dia do mês de referência, somente na cidade de São Paulo.

Introducao_a_economia.indd 62 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 63

f) ICV – Índice de Custo de Vida. Divulgado pelo DIEESE, contempla uma renda familiar de 1

a 30 salários mínimos e é medido do primeiro ao último dia do mês de referência, no município de São Paulo. Apesar de pesquisar renda de 1 a 30 sm, o Dieese faz intervalos de 1 a 3 sme de 1 a 5 sm, para obter uma melhor estratificação.

2.3 Medindo o desemprego A taxa de desemprego está diretamente ligada à performance da economia. Ela

será tanto menor quanto maior for a utilização da capacidade produtiva de uma economia. Na medida em que atividade econômica cresce, ela implica redução da taxa de desemprego pela contratação de mais mão de obra para fazer frente à necessidade de produção para atender à demanda existente. Geração de emprego cria renda, que, por sua vez, gera consumo e assim será necessária a produção de mais bens para atender a demanda, formando um círculo virtuoso, onde provoca a queda da taxa de desemprego. Esse índice é importante para as empresas, sobretudo nas estratégias de marketing, pois indica a capacidade de consumo do mercado. As estratégias de vendas serão criadas com base na capacidade de compra do mercado.

É preciso conceituar e diferenciar os recursos humanos presentes no mercado de trabalho. Assim uma primeira aproximação do tamanho da força de trabalho de um país é sua população total, destas descontamos os menores de 15 anos e obtemos a População em Idade Ativa (PIA), da qual descontamos as pessoas que não são eco- nomicamente ativas e teremos a População Economicamente Ativa (PEA). A PEA é composta pelos que estão ocupados e pelos desempregados. Agora podemos falar sobre os indicadores do mercado de trabalho com maior propriedade.

O primeiro desses indicadores é a taxa de desemprego, que é a relação entre a número de desempregados e a população economicamente ativa (PEA), ou seja, a Taxa de desemprego (TD) = D/PEA.

Por desempregados chamamos aqueles que querem trabalhar, procuram emprego, mas não encontram. As denominações do desemprego são:

desemprego aberto do IBGE que inclui as pessoas que procuraram emprego de modo efetivo nos últimos 30 dias e que não exerceram nenhuma ocupação nos últimos sete dias;

desemprego oculto do DIEESE/SEADE que leva em consideração as pessoas que procuraram trabalho nos últimos 12 meses e exerceram algum tipo de atividade considerada de caráter muito precário.

2.4 Renda per capita A renda per capita é medida pela divisão da renda total do país pela população

total desse mesmo país. Considerando que a renda total de um país é igual à sua produção total, podemos dizer que ela se relaciona com a expansão da produção e o crescimento demográfico. Se houver maior crescimento da população do que da

Introducao_a_economia.indd 63 21/01/14 18:27

64 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

produção, haverá uma diminuição da renda per capita da população, reduzindo, assim, a qualidade de vida desse povo. Ao contrário, havendo um crescimento da produção maior que o crescimento demográfico, haverá um maior volume de renda na economia, de forma que implica uma melhoria da qualidade de vida das pessoas. Esse índice indica a capacidade global de consumo na economia do país. Importante para o estabelecimento das estratégias das empresas.

2.5 Balanço de pagamentos O balanço de pagamentos de um país é um resumo contábil das transações eco-

nômicas que esse país faz com o resto do mundo, durante certo período de tempo. Com base nesse balanço, pode-se avaliar a situação econômica internacional do país (GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JÚNIOR, 2002, p. 262).

Em termos gerais, o balanço de pagamentos é composto de cinco grandes itens: balança comercial, balança de serviços, transferências unilaterais, balança de transa- ções correntes (que é a soma das anteriores) e balança de capitais (LANZANA, 2002).

Tabela 2.2 Estrutura do balanço de pagamentos

A – Balança comercial

1 Exportação

2 Importação

3 Saldo (1 – 2)

B – Balança de serviços

1 Juros (líquido)

2 Outros serviços

3 Saldo (1 + 2)

C – Transferências unilaterais

D – Balança de transações correntes (A3 + B3 + C)

E – Balança de capitais

1 Ingresso de capitais (risco)

2 Empréstimos Liq. -

3 Saldo (1 + 2)

F – Erros e omissões

7 – Saldo balanço de pagamentos (D + E3 + F)

8 – Transações compensatórias

Fonte: Do autor.

O registro das contas ocorre com a utilização do método das partidas dobradas em que um crédito numa conta resulta em débito em outra, mantém o equilíbrio interno no qual débito é igual e crédito.

Introducao_a_economia.indd 64 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 65

Assim, a primeira conta é a balança comercial na qual registram-se as exportações que resultam da venda de mercadorias produzidas no país para outros países, e as importações, que resultam da compra de mercadorias produzidas em outros países. O saldo da balança comercial registra superávit quando as exportações são maiores que as importações, déficit quando as importações são maiores que as exportações e zera quando as exportações são iguais às importações.

A balança comercial é um componente de significativa importância no balanço de pagamentos, pois se apresenta como um dos itens mais suscetíveis a políticas com objetivo de obtenção de superávit no balanço de pagamentos. Trata-se de item muito importante para os exportadores e importadores, pois, conforme está sua posição, pode ensejar medidas de política econômica governamental, buscando adequar seu saldo às necessidades do país.

A segunda conta é a balança de serviços; ela registra as transações de serviços entre o país e o resto do mundo. Suas principais subcontas são: transporte e seguros, viagens e turismo, rendas de capital (juros e lucros de empresas e individuais) e diversos (gastos diplomáticos, royalties, comissões, assistências etc.). Cada uma de suas subcontas re- gistra um saldo entre o movimento de entrada menos movimentos de saída de serviços.

Outra conta é a transferência unilateral que se refere ao saldo entre os recebi- mentos e pagamentos realizados entre o país e os demais países sem contrapartida produtiva. Os principais exemplos são: remessas feitas por migrantes para suas famílias e doações feitas por um governo a outro.

A balança de transações correntes agrega numa única conta os saldos registra- dos nas três contas anteriores, quais sejam balança comercial, balança de serviços e transferência uilateral.

A conta balança de capitais agrupa as contas que representam mudanças nos direitos e obrigações de residentes no país para com não residentes. Suas principais subcontas são: investimento, empréstimos e financiamentos de longo e médio prazo, empréstimo de curto prazo, amortizações.

A conta erros e omissões registra os erros cometidos na contabilização das tran- sações e ainda as retificações em função de valores estimados e valores reais. E por fim registra-se o saldo do balanço de pagamentos que registra o superávit, caso os recursos financeiros ingressantes forem maiores que as saídas, ou déficit caso os re- cursos financeiros retirados do país forem maior que a entrada.

As transações compensatórias são as operações que permitem fechar o saldo do balanço de pagamentos e registram os itens variação de reservas (haveres em moeda estrangeira) e operações de regularização (empréstimos feitos juntos a instituições internacionais). Na prática quando ocorre superávit ele será acrescido às reservas cambiais para o período seguinte, caso haja déficit ela registrará as operações ne- cessárias para supri-lo.

Para clarear a apuração do resultado do balanço de pagamentos apresentamos um exercício resolvido. A contabilização leva em conta o método das partidas dobradas e para isso utiliza a conta haveres e obrigações no exterior.

Introducao_a_economia.indd 65 21/01/14 18:27

66 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

2.6 Dívida externa A dívida externa representa o total dos valores que um país deve no mercado

externo. Divide-se em dívida pública e dívida privada. A dívida pública é a parte da dívida contraída pelo governo, ao passo que a dívida privada refere-se à divida contraída pelos bancos e empresas particulares.

Conforme Gremaud, Vasconcellos e Toneto Júnior (2002) o processo recente de endividamento externo brasileiro iniciou-se principalmente em 1968. A justificativa oficial para esse endividamento era a necessidade de recurso à poupança externa para viabilizar as altas taxas de crescimento ao longo do milagre econômico.

O acompanhamento da evolução da dívida externa do país é de fundamental importância, pois ela pode ensejar a adoção de políticas pelo governo que possam afetar diretamente a ação das empresas que atuam com o mercado externo.

2.7 Carga tributária A carga tributária de um país representa o peso dos impostos sobre a atividade

produtiva. A alta carga tributária tem efeitos danosos para a economia, pois desesti- mula investimentos produtivos e retira dinheiro do mercado de consumo, na medida em que transfere renda da iniciativa privada para a pública.

2.8 Dívida interna pública É o montante de dívida dos governos federal, estadual e municipal. É composto

pela dívida mobiliária (títulos públicos) e pelos gastos em geral realizados pelo governo.

O governo paga seus gastos por meio da arrecadação de tributos e pode financiar o déficit público por meio da emissão de moeda ou colocação de títulos públicos junto ao setor privado.

Os títulos públicos colocados no mercado podem representar oportunidades para a iniciativa privada, bem como pode implicar adoção de medidas não vantajosas à pessoas e empresas.

2.9 Base monetária/meios de pagamentos A base monetária refere-se à emissão primária de moeda. É mais abrangente que

a moeda manual utilizada no conceito de meios de pagamento, uma vez que inclui, além da moeda em poder do público, as reservas dos bancos comerciais. Portanto, meios de pagamento é o volume de papel-moeda em poder do público, e base mo- netária é o volume de papel-moeda em poder do público mais as reservas dos bancos comerciais (LANZANA, 2002).

Não há dúvida de que a análise desse indicador é de fundamental importância para as estratégias de uma empresa.

Introducao_a_economia.indd 66 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 67

2.10 Taxa de juros A taxa de juros tem um papel fundamental nas decisões dos agentes econômicos.

No âmbito familiar, afeta suas decisões de consumo tanto na disposição de adquirir um bem a prazo, como na decisão entre consumir e poupar, uma vez que juros mais elevados levam a aumento da poupança e redução do consumo.

Do lado empresarial, as taxas de juros interferem nas decisões de investimento, pois, quanto mais elevadas as taxas de juros, menos os empresários estarão dispos- tos a investir. Isso porque, de um lado o custo de tomar o recurso emprestado fica mais alto e, de outro, porque pode ser mais atraente aplicar o recurso no mercado financeiro do que na atividade produtiva.

Para o governo, os juros também têm um papel relevante por causa da dívida interna. Quando as taxas de juros sobem, o custo de rolagem da dívida aumenta, pressionando o déficit público e, por consequência, a própria dívida interna.

As taxas de juros também têm papel importante para as contas externas. Quando o país está necessitando de dólares, as taxas internas de juros podem ser elevadas para atrair recursos do exterior, que vêm em busca de rendimentos mais altos (LAN- ZANA, 2002).

O movimento das taxas de juros se dá por meio das medidas de política monetária dos governos. É importante estar sempre atento a essas medidas que podem afetar diretamente as ações das pessoas e das empresas.

2.11 Reservas cambiais As reservas cambiais de um país se dão pelo acúmulo de moedas estrangeiras

realizadas pelo Banco Central. Quanto maior for o volume de reservas do país, mais seguro é considerado pelo mercado internacional. Muitas medidas de câmbio são tomadas com o objetivo de aumentar as reservas e melhorar o “risco país”. Quanto maior o volume de reservas cambiais, menor tende a ser o “risco país”, visto que as reservas têm grande importância na definição desse risco.

Você pode prosseguir seus estudos e aprender mais lendo capítulos dos livros indicados abaixo.

Capítulos 8, 9 e 10 do livro:

MENDES, Judas Tadeu G. Economia: fundamentos e aplicações. São Paulo: Prentice Hall, 2009.

Capítulos 10 e 11 do livro:

MOCHÓN MORCILLO, Francisco. Princípios de economia. São Paulo: Pearson Prentice-Hall, 2007.

Para saber mais

Introducao_a_economia.indd 67 21/01/14 18:27

68 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Tivemos aqui uma ideia do funcionamento da macroeconomia. Vamos aproveitar para fazer uma análise do papel dos agentes econômicos a partir das políticas macroeconômicas adotadas pelos governos e sua influência no desenvolvimento do país.

Para concluir o estudo da unidade

A macroeconomia estuda todas as questões ligadas aos agregados eco- nômicos, que possibilitam a obtenção de dados para a adoção de políticas econômicas, consubstanciadas nos instrumentos econômicos disponíveis. Por meio do estudo da macroeconomia se estabelecem os objetivos de política econômica e se procura atingi-los, buscando regular melhor o funcionamento da economia do país.

Ao aplicar os instrumentos de política econômica, vemos a possibilidade de atingir aqueles objetivos que os governantes buscam. Vê-se, então, que a adoção de políticas macroeconômicas dá o direcionamento para a obtenção da ordem na economia.

Na sequência de nosso estudo, na próxima unidade iremos fazer um passeio pelos acontecimentos recentes da economia brasileira.

Resumo

Nas alternativas a seguir assinale nas questões conforme for solicitado.

1. Em relação à inflação, ela pode surgir caso ocorram aumentos na renda cuja maior preocupação passa a ser os reajustes salariais. No Brasil em 2011, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) “86,8% das categorias conseguiram reajustes acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- tística). Segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (21/03/2011), ao todo, ocorreram 702 negociações, 62,2% das negociações analisadas resultaram em reajustes salariais de até 2% acima da inflação e 1,6% garantiram ganhos reais de mais de 5%”. Se houver inflação na economia e ela surgir em virtude de fatores como: aumento da renda disponível, aumentos salariais, expansão dos

Atividades de aprendizagem

Introducao_a_economia.indd 68 21/01/14 18:27

E l e m e n t o s b á s i c o s d e m a c r o e c o n o m i a 69

gastos públicos, expansão do crédito somado a redução da taxa de juros, essa inflação será considerada:

a) inflação inercial;

b) inflação de demanda;

c) inflação de custo;

d) espiral inflacionária;

e) hiato de produto.

2. Para administrar o país o governo estabelece objetivos fundamentais para sua participação na economia. Em 27/07/2011 o COPOM decidiu aumentar a taxa de juros SELIC de 12,25% para 12,50% a.a. A justificativa para isso foi a pres- são dos preços sobre a economia. Nesse sentido essa política atinge qual dos objetivos de política econômica?

a) Promover o controle da inflação.

b) Promover a melhoria na distribuição da renda gerada no país.

c) Promover o crescimento da produção e do emprego.

d) Promover o equilíbrio nas contas externas.

e) Promover o aumento do déficit público.

3. Uma das formas de o governo controlar a inflação é limitar o consumo de bens e serviços. Se o governo reduzir o prazo e o parcelamento pelo qual os bens podem ser vendidos, ele está utilizando qual dos instrumentos de política monetária?

a) Aumento de IOF

b) Vendas de títulos públicos

c) Regulação do crédito

d) Operações de compra de dólares

e) Operações de redescontos

4. No ambiente macroeconômico o governo atua por meio de suas políticas macroeconômicas e para isso estabelece os objetivos que pretende atingir. Por exemplo, no Brasil a segunda fase do programa Minha Casa Minha Vida foi lançada em julho de 2011 e prevê a construção de 2 milhões de imóveis, com investimentos de R$ 71,7 bilhões até 2014, melhorando as condições de vida dos brasileiros de renda até R$ 1.600,00. Num caso em que o acesso a mora- dia é uma das coisas que se busca obter com sua renda, ao facilitar o acesso a moradia o governo estaria indiretamente praticando uma política para:

a) promover o controle da inflação.

b) promover a melhoria na distribuição da renda gerada no país.

c) promover o crescimento da produção e do emprego.

Introducao_a_economia.indd 69 21/01/14 18:27

70 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

d) promover o equilíbrio nas contas externas.

e) promover as importações.

5. Para conduzir a política econômica o governo pode, após estabelecido o obje- tivo, utilizar diversos instrumentos de política macroeconômica. Se o objetivo for promover o crescimento econômico e para isso ele reduzir os impostos estará utilizando a:

a) Política de Rendas

b) Política de Comércio Exterior

c) Política Monetária

d) Política Fiscal

e) Política Industrial

6) “O crescimento econômico é a meta mais importante a ser perseguida pelos formuladores da política econômica.” Quais as consequências que serão sen- tidas se um país não tiver crescimento econômico?

7) Vários são os instrumentos de política econômica que podem ser utilizados para se alcançar os objetivos de política econômica. Descreva sobre os instrumentos de Política Fiscal e Política Monetária.

8) Faça uma análise comparativa entre o IDH do Brasil e dos demais países, apre- sentados neste capítulo.

9) Explique a composição do balanço de pagamentos.

10) Vários são os objetivos de política econômica, entretanto existem quatro obje- tivos fundamentais que englobam as principais necessidades de participação do Estado para o real atendimento do papel de um governo. Quais são esses objetivos e explique cada um deles.

11) A fim de atingir os objetivos de política econômica, o governo pode lançar mão de um conjunto de instrumentos de política econômica. Quais são esses instrumentos?

Introducao_a_economia.indd 70 21/01/14 18:27

Noções de economia brasileira

Seção 1: Transformações econômicas nos anos recentes

Nesta seção abordaremos a inflação no Brasil, seu diagnóstico e as propostas para combatê-la nos anos 1980. Para tanto esta seção está dividida em dois tópicos: i) o processo inflacionário brasileiro e ii) os planos de combate à inflação até 1994.

Seção 2: Plano real

Nesta seção abordaremos a criação, evolução de desenvolvimento do Plano Real até a atualidade. Para tanto esta seção esta dividida em cinco tópicos: i) o processo de implantação e os primeiros anos; ii) atividade econômica nos primeiros anos do real; iii) o segundo governo FHC; iv) o plano real sob o governo Lula; o plano real sob o governo Dilma.

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você irá conhecer as transformações econômicas recentes ocorridas no Brasil e terá condi- ções de compreender o estágio atual de nossa economia.

Regina Lucia Sanches Malassise

Unidade 3

Introducao_a_economia.indd 71 21/01/14 18:27

Seção 3: Sistema financeiro nacional

Nesta seção vamos abordar alguns detalhes do Sis- tema Financeiro Brasileiros. Estudaremos o conceito e evolução do sistema, os subsistemas normativo e operacional, e os principais órgãos que compõem o sistema e suas funções.

Introducao_a_economia.indd 72 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 73

Introdução ao estudo

Ao estudar a economia brasileira temos uma importante oportunidade de com- preender as profundas transformações ocorridas no Brasil, com relação aos aspectos econômicos e sociais de nosso país.

Muito se transformou nossa economia, sobretudo se falarmos dos últimos 20 anos, mas não só esse período é rico em mudanças. Observamos que as transformações da economia brasileira estão dinamicamente atreladas aos eventos políticos nacionais ou mundiais.

Posteriormente tivemos a mudança no sistema cambial brasileiro, que passou ao sistema de taxas flutuantes e que até hoje prevalece.

Seção 1 Transformações econômicas nos anos recentes

1.1 Um mundo em transformação Observa-se que na atualidade uma economia mais aberta e interdependente tem

muitas consequências sobre a atividade econômica: as tranformações na produção, comercialização e financeiras são cada vez mais rápidas. Elas ocorrem de maneira mais intensa nos países desenvolvidos, e geram a necessidade de os países em de- senvolvimento procurar caminhos para não perder as possibilidades de crescimento e desenvolvimento de suas economias. Nesse sentido dois temas são relevantes e merecem destaques, são eles: i) as transformações da globalização e ii) a formação de blocos econômicos (MENDES, 2004).

A união de países buscando o fortalecimento de suas economias deu origem aos Blocos Econômicos, que podem ser definidos como

[...] união de um grupo de países em torno de alguns interesses comuns — maior liberação do comércio entre si, maior facilidade de transação comercial e financeira, e se possível, a união mone- tária como é o caso da Europa, com o euro desde janeiro de 2002 — sendo suas instituições políticas, sociais e econômica mantidas relativamente independentes (MENDES, 2009, p. 212).

Podemos verificar na Tabela 3.1 os quatro blocos econômicos mais conhecidos. Podemos ver que em termos de PIB o maior deles é o Nafta, e em termos populacio- nais o maior seria a APEC, no qual estão países populosos como a China.

Introducao_a_economia.indd 73 21/01/14 18:27

74 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Tabela 3.1 Alguns dados sobre os quatro blocos econômicos

Blocos Países participantes População (milhões)

PIB (US$ trilhões)

PIB per capita

NAFTA EUA, Canadá e México 440 15 34.090

UE 27 países membros 494 14,9 28.213

APEC 21 países membros 1.880 12 683

MERCOSUL Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela

267 4,36 14.275

Fonte: Adaptado de Mendes (2009, p. 213).

Mas, afinal, a união de países em blocos econômicos deve seguir alguma regra de integração entre eles? Vamos entender quais são essas regras gerais e depois vamos estudar um pouco mais sobre cada um desses blocos listados na Tabela 3.1.

Nesse contexto o processo de Integração Econômica é uma forma de facilitação das relações econômicas e de comércio entre grupos de países que contempla algu- mas diferenças na medida em que o processo se aprofunda. Os principais tipos de integração econômica estão representados na Figura 3.1.

Figura 3.1 Principais tipos de integração econômica

Fonte: Do autor.

Podemos ver pela figura quais são as principais formas de integração, dentre elas temos:

a) Zona de Livre Comércio (ZLC): nesse tipo integração ocorre apenas a redução/ eliminação das restrições tarifárias e não tarifárias. O objetivo é permitir a livre circulação de mercadorias entre os países membros. Um bom exemplo desse tipo de integração são as discussões que envolvem a constituição da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

b) União Aduaneira: representa um avanço, pois, além de reduzir as barreiras entre os países do bloco, introduz a criação de uma regra comum para tratar as mercadorias que vêm de países de fora do bloco, como a Tarifa Externa Comum (TEC).

Introducao_a_economia.indd 74 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 75

c) Mercado comum: é um novo avanço em relação à União Aduaneira. Esse tipo de integração incorpora a redução de tarifas entre os países membros, a TEC e procura eliminar os entraves à livre circulação de fatores entre os países, em especial mão de obra e capital. O Mercosul se encontra nesse estágio de integração e tem dificuldades em avançar.

d) União Econômica: esse tipo de integração inclui os avanços do Mercado Co- mum e propõe a realização de políticas macroeconômicas comuns, tais como a criação da moeda única para os países do bloco. Por exemplo, na União Europeia (UE) existe o Banco Central Europeu e o euro é a moeda comum do bloco. A UE é o bloco no qual o processo de integração é o mais avançado

e) Integração Econômica Plena: esse tipo de integração é o estágio mais avan- çado, ele inclui os avanços da união econômica e ainda propõe que as políticas econômicas e legislação sejam discutidas e unificadas. Haverá a criação de órgãos supranacionais que concentram as decisões econômicas e políticas dos países.

1.1.1 Principais blocos econômicos

1.1.1.1 NAFTA (North American Free Trade Agreement ou Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio)

É um bloco econômico formado desde 1994 por Estados Unidos, Canadá e México. Seu objetivo principal é garantir aos países participantes uma situação de livre-comércio, derrubando as barreiras alfandegárias, facilitando o comércio de mercadorias entre os países membros. A moeda de negociação de maior peso é o dólar. Entre os países o México se configurou como grande fornecedor de petróleo e de mão de obra, pois Estados Unidos e Canadá instalaram várias empresas no México visando reduzir seu custo com mão de obra. Nesse processo ocorreu uma dura crítica às empresas maquiladoras mexicanas que atuavam na montagem e etiquetagem de produtos exportáveis, a partir de componentes importados e sem respeitar as leis de trabalho e as normas ambientais. Uma atividade, portanto, que não agrega nem valor nem tecnologia. Por outro lado, os Estados Unidos, com maior domínio da tecnolo- gia, podem, assim, fazer produtos mais baratos, o Canadá e especialmente o México tornam-se dependentes dos Estados Unidos.

1.1.1.2 União Europeia (UE) É um bloco econômico, político e social de 27 países europeus que:

[...] participam de um projeto de integração política e econômica. Os países integrantes são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Fin- lândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal,

Introducao_a_economia.indd 75 21/01/14 18:27

76 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Reino Unido, República, Romênia e Suécia. Macedônia, Croácia e Turquia encontram-se em fase de negociação (UNIÃO..., 2013, p. 1).

A UE tem origem no Tratado do Carvão e do Aço, assinado em Paris em 1951, congregava a França, a Alemanha, a Itália, a Bélgica, Luxemburgo e os Países Baixos numa comunidade com o objetivo de introduzir a livre circulação do carvão e do aço, bem como o livre acesso às fontes de produção. A UE tem diversos tratados dentre eles

[...] o Tratado da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), o Tratado da Comunidade Econômica Europeia (CEE), o Tratado da Comunidade Europeia da Energia Atômica (EURATOM) e o Tratado da União Europeia (UE), o Tratado de Maastricht, que estabelece fundamentos da futura integração política (UNIÃO..., 2013, p. 1).

Tem um sistema financeiro e bancário comum, os cidadãos dos países membros podem circular e estabelecer residência livremente pelos países da UE. A UE tem como única moeda o Euro, adotada desde 2002. Possui em comum os seguintes órgãos supranacionais: Comissão Europeia, Parlamento Europeu, Conselho de Ministros e o Tribunal de Justiça. Todos esses órgãos possuem representantes de todos os países membros. O bloco representa 20% do volume total das importações e das exportações em nível mundial. “A Europa importa matérias-primas, madeira, minerais, produtos tropicais e borracha; manufaturados de alta tecnologia. A exportação predominante é de manufaturados, automóveis, navios, produtos químicos, produtos ópticos e calçados” (EUROPA..., 2006, p. 1).

1.1.1.3 APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico)

É um bloco que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania. Sua formação deveu-se à crescente interdependência das economias da região da Ásia-Pacífico. Foi criada em 1989, inicialmente apenas como um fórum de discussão entre países da ASEAN (Association of the South East Asian Nations) e alguns parceiros econômicos da região do Pacífico, se tornando um bloco econômico apenas em 1993, na Conferência de Seattle, quando os países se comprometeram a transformar o Pacífico numa área de livre comércio (SAIBA..., 2012, p. 1, grifo do autor).

A APEC tem hoje 21 membros, que são: Austrália, Brunei Darussalam, Canadá, Chile, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, República da Coreia, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Peru, Filipinas, Rússia, Cingapura, Taipé Chinês, Tailândia, Estados Unidos da América e Vietnã. O principal objetivo do bloco é re- duzir taxas e barreiras alfandegárias da região pacífico-asiática, promovendo, assim, o desenvolvimento da economia da região. A criação da APEC muito contribuiu para o crescimento e desenvolvimento da região pacífico-asiática haja visto o crescimento acelerado da China nos últimos anos.

Introducao_a_economia.indd 76 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 77

1.1.1.4 MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) É a união aduaneira de cinco países da América do Sul. Em sua formação original

o bloco era composto por quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Desde 2006, a Venezuela ingressou no bloco. As assimetrias de mercado são representadas pelo Brasil, que detém cerca 70% do mercado, isso gera muitos atritos entre os demais países e o Brasil. O Brasil é o maior exportador e importador e acumula superávit comercial com quase todos os países do bloco.

1.1.1.5 Outros grupos de países Existem outras formas de agrupamento de países muito conhecidos na atualidade,

mas que não são blocos econômicos. Eles se agrupam com objetivos bem específicos e geralmente não envolvem países próximos geograficamente (como é o caso dos blocos econômicos). Dentre eles citamos:

G-7: grupo dos países mais ricos do mundo; G-20: grupo dos países em desenvolvimento; BRIC’s: países de grande potencial de crescimento. Constituído por Brasil, Índia, Rússia, China e mais recentemente incluiu-se a África do Sul;

OPEP: grupo dos países produtos e exportadores de petróleo. Agora que entendemos um pouco mais sobre os tipos de integração e estudamos

um pouco os blocos econômicos, podemos estudar outra tranformação da economia na atualidade: a globalização.

1.1.2 Globalização A globalização é um processo antigo que se inicia desde as explorações mer-

cantilistas além da fronteira de seus países procurando encontrar produtos novos para o comércio, bem como vender seus produtos para esses novos mercados. Ela se aprofunda com a integração econômica, social, cultural, política. Essa integração avança com o desenvolvimento da telemática, a junção das telecomuniações com a informática. Essas inovações tecnológicas aceleraram o processo de transmissão de dados e informações econômicas entre países. A rapidez com que as informações são transmitidas e o acesso a elas reduziram os riscos dos investimentos em outros países que não o país de origem do capital.

É um fenômeno movido pela própria necessidade do capitalismo de expandir seus mercados transformando o mundo numa enorme rede global, que permita maiores mercados para os países centrais (ditos desenvolvidos), cujos mercados internos já estão saturados.

A definição mais atual é globalização econômica, que envolve as esferas pro- dutiva, comercial e financeira. Ela trata da ampliação e do aprofundamento das operações das grandes corporações em outros países, com a finalidade de produzir e vender bens e serviços em outros mercados e ainda conquistar maior valorização

Introducao_a_economia.indd 77 21/01/14 18:27

78 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

do capital. Empresas com operações globalizadas presentes em nosso cotidiano: GM, Ford, Shell, Mitsubishi, Toyota (Produtos); Carrefour (serviços), HSBC, Santander, ABN Anro Bank (Financeiro). Vamos estudar os aspectos mais importantes de cada uma das esferas da globalização, conforme destacou Mendes (2004).

a) Globalização na produção: produção de bens em serviços dentro de redes em escala mundial, da qual são protagonistas as empresas multinacionais. A tendência atual aponta a tecnologia e a inovação como novos fatores de produção em substituição aos fatores tradicionais de produção, mão de obra e recursos naturais. Esses novos fatores passam a ser determinantes do cres- cimento das multinacionais.

b) Globalização no comércio: as empresas do comércio varejista estão atuando em escala mundial. O crescimento desse tipo de atuação se deve a saturação do mercado interno e a expansão da rede de fornecedores em escala mundial puxados pelo crescimento das franquias, licenciamentos e joint ventures (união de empresas para cumprir um projeto específico).

c) Globalização financeira: refere-se à internacionalização do capital em busca de retornos mais elevados mesmo que isso signifique ir contra os interesses nacionais dos países. As grandes transformações do mercado financeiro de- correm dos avanços da telemática, pois os mercados financeiros ficaram mais interligados e houve também uma ampla abertura financeira nos países em desenvolvimento.

Quadro 3.1 Globalização vantagens x desvantagens

Vantagens Desvantagens

Maior rapidez para aumentar a renda nacional (EUA 50 anos, China 10 anos)

Pequena margem de erros em políticas nacionais

Maior competição entre empresas e nações reduz inflação

Redução do poder dos BACEN’s de controlar o sistema monetário nacional

Maior perspectiva de o país crescer com um salto tecnológico

Maior volatilidade de capitais

Multiplicação das fontes de financiamento. Os capitais procuram maior retorno e podem tanto conceder empréstimo, como comprar títulos públicos de dívida.

Maior dificuldade em quitar as dívidas, pois os países entram num sistema de rolagem entre um tipo de dívida e outro. Por exemplo, emissão de dívida ou tomar empréstimos nos bancos.

Fonte: Do autor.

Nesse quadro de crescente globalização ainda permanecem muitas disparidades entre os países. Assim, os grandes desafios mundiais são:

tornar a conciliar a economia real com a economia do dinheiro: pode-se di- zer que hoje o fluxo de dinheiro é 90% superior ao necessário para circular a

Introducao_a_economia.indd 78 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 79

produção. A inflação que deveria ocorrer só não existe porque o dinheiro está concentrado nos países ricos e com um pequeno número de investidores;

reduzir a vulnerabilidade financeira de países endividados: os países dependen- tes de capital estrangeiro para organizar sua economia aumentaram sua neces- sidade de dinheiro externo e tornaram-se reféns da volatilidade do mercado;

reduzir o crescimento populacional: a população mundial cresce mais em regiões mais pobres do planeta, o inverso acontece com a riqueza (isto é um problema de repartição da riqueza mundial); o número de jovens cresce, em contrapartida o desemprego aumenta no mundo (problema do avanço tecnoló- gico e de políticas macroeconômicas preocupadas com estabilidade financeira);

melhorar as condições ambientais do planeta: o aumento da produção, da renda e do consumo tem impactos significativos sobre o meio ambiente. Encontrar formas de conciliar a melhoria do padrão de vida da população mundial e preservar o meio ambiente é um dos maiores desafios a ser enfrentado pelas futuras gerações do planeta.

Estudamos a formação de blocos econômicos e a globalização e verificamos quais as ca- racterísticas de cada um deles. Convido você a refletir: você consegue citar a diferença entre formação de bloco e a globalização quanto ao papel do Estado?

Questões para reflexão

1.2 Processo inflacionário brasileiro Após a Segunda Guerra Mundial o Brasil se lançou ao evento econômico que

ficou conhecido como a implementação da indústria de base. Foi uma época de profunda participação do Estado brasileiro na economia, que levou à criação das grandes estatais, como as siderúrgicas, as companhias telefônicas e a Petrobras, entre outras importantes empresas. Essa participação do Estado na economia teve influência em outro importante evento econômico, que foi a implementação, no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, da indústria de bens de consumo duráveis, capitanea da pelos eletrodomésticos e pela indústria automobilística, como parte do grande evento político que foi a plataforma de governo de JK de crescer 50 anos em cinco.

Na esteira do projeto do governo militar de crescimento a qualquer custo, tive- mos o conhecido milagre econômico, ocorrido na primeira metade da década de 1970, que permitiu ao Brasil crescer quase 14% ao ano, em plena época do primeiro grande choque do petróleo. Enquanto o mundo estava em crise, o Brasil crescia a passos largos. Mas tanto crescimento, sem sustentação interna, realizado à custa de financiamentos obtidos no exterior, trouxe o endividamento externo e junto o dese- quilíbrio de preços, ou seja, a inflação que tanto mal causou à economia brasileira.

Introducao_a_economia.indd 79 21/01/14 18:27

80 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Já na década de 1980, conhecida como a “década perdida” pelos péssimos re- sultados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, vimos a fraqueza econômica se instalar em nosso país. Depois de vários pacotes econômicos, em 1994 foi lançado o Plano Real, que conseguiu controlar a inflação e a mantém em níveis baixos até hoje.

No final dos anos 1980 e início da década de 1990, passamos a conviver com o processo de globalização da economia, que junto trouxe a defesa da menor partici- pação do Estado na economia e a crescente valorização da economia de mercado, que no Brasil teve como ícone o processo de privatização de várias estatais.

A inflação passou a ser um problema recorrente na economia brasileira desde 1950. Esse período coincidiu justamente com o período de maior gasto público em infraestrutura, quando o governo atuou como grande empresário implantando diver- sas empresas estatais tais como: Companhia Siderúrgica Nacional, Companhia Vale do Rio Doce, Petrobras, Companhia Nacional de Alcális e diversas hidroelétricas. Todos esses investimentos elevaram o gasto público. Isso ampliou a necessidade de financiar esse gasto; sem poupança interna suficiente para isso, o governo optou por formas inflacionárias de financiamento, tais como emissão de moeda.

O excesso de moeda na economia culminou num processo inflacionário típico de inflação de demanda. As primeiras tentativas de controlar a inflação ocorrem de 1964 a 1973; quando da implantação do Plano de Ação Econômica (PAEG), o governo Castelo Branco impõe medidas restritivas de corte nos gastos públicos, redução do crédito e contenção salarial. A inflação recua de 91% a.a em 1964 para 30% a.a. em 1967.

Entre 1968 a 1973 houve uma grande expansão da economia, tivemos taxas de crescimento em média de 10% a.a., com a indústria crescendo acima de 12% a.a. O período ficou conhecido como “milagre econômico”. Em parte o avanço fez com que o diagnóstico de inflação passasse a ser de custos, e por meio do Con- selho Interministerial de Preços (CIP) implantam-se mecanismos de controle dos preços. Com maior controle sobre os preços a demanda pode crescer sem grande impacto sobre a inflação. Assim, enquanto a economia continuava crescendo em média 10% a.a., a inflação cresceu moderadamente passando de 34% em 1968 para 77% em 1973.

A partir de 1973 os choques do petróleo de (1972 e 19791) elevaram o preço do barril, ampliando os gastos públicos com a importação do petróleo. Seguido a isso ocorreu elevação das taxas de juros internacionais. Esses dois eventos elevaram a dívida externa brasileira que saltou de US$ 17 bilhões em 1974 para US$ 49 bilhões em 1979. As taxas de crescimento do PIB foram de 6,7% a.a. no período de 1974-79. A inflação que era de 34,5% a.a. vai para 77,2% a.a. em 1979.

1 Em 1973, tivemos o primeiro choque do petróleo. O preço do barril passou de US$ 3,29 em 1973 para US$ 11,58 em 1974, subindo gradualmente até US$ 13,60 em 1978. Em 1979 tivemos o segundo choque do petró- leo, e o preço do barril aumentou de US$ 13,60 para US$ 30,03, atingindo US$ 35,69, em 1980.

Introducao_a_economia.indd 80 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 81

Você pode ler mais sobre o processo da dívida externa brasileira no link:

<http://arquivos.unama.br/nead/gol/gol_adm_6mod/analise_conjuntura_nacional/pdf/aula05.pdf>.

Links

Os anos 1980 iniciam-se sobre o domínio da crise do petróleo e pela elevação dos juros internacionais. O Brasil teve um longo período em busca de ajustamento externo, cujo objetivo era acumular superávits externos para garantir o pagamento da dívida externa. Em 1982, isso foi feito com o apoio do FMI. O ajuste conteve a demanda agregada com redução do gasto público, contenção salarial, elevação da taxa de juros e desvalorização do cruzeiro para ampliar as exportações. A economia entra em crise e em 1981 registra queda no PIB de -4,5%, o mesmo ocorre m 1983 com queda de -3,5%. A inflação salta de 95% para 211% no mesmo período, gerando um processo chamado de estaginflação, quando, mesmo sem crescimento econômico, continuávamos a ter inflação elevada.

1.3 Planos de combate à inflação até 1994 Tornou-se urgente controlar a inflação e colocar o país no rumo do crescimento.

Assim, no Brasil o combate à inflação aparece no desenho dos diferentes planos de estabilização, pós-1986.

Durante o governo Sarney tivemos três planos econômicos, são eles: Plano Cru- zado (1986), Plano Bresser (1987), Plano Verão (1989). Nesse período o diagnóstico é de inflação inercial. As principais medidas adotadas foram:

muda a moeda de cruzeiro para cruzado (Cr$ 1.000 = Cz$ 1,00); congelamento de preços e salários; extingue a correção monetária, exceto para caderneta de poupança; cria o seguro-desemprego; cria o gatilho salarial que na prática significava que ocorreria reajuste automá- tico de salários cada vez que a inflação atingisse 20%;

decreta a moratória e suspende o pagamento da dívida externa. As medidas tinham por objetivo eliminar a memória inflacionária. No Plano

Cruzado o congelamento durou muito tempo e logo surgiram formas de driblar o mesmo com ágio2 e produtos maquiados. Quando o problema de falta de produtos no mercado chegou ao auge os preços voltaram a subir. Por fim as medidas do plano fizeram os agentes ter elevadas expectativas sobre futuros congelamentos na econo- mia. Assim, antevendo a possibilidade de novos planos econômicos os agentes já se

2 Os agentes combinavam pagar por fora acima dos preços de tabela para poder obter os produtos. Foi muito comum com os automóveis, quando o agente pagava a mais pelo bem logo recebia o automóvel, quando não ficava numa lista de espera aguardando sem prazo determinado para entrega do automóvel.

Introducao_a_economia.indd 81 21/01/14 18:27

82 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

antecipavam elevando os preços e se prevenindo de um novo congelamento. Eles não estavam errados pois nos planos que se seguiram (Bresser e Verão) o congelamento foi novamente utilizado, além de outras medidas. No Plano Bresser eliminou o gatilho salarial que era uma fonte de indexação da economia, e elevou as tarifas públicas. No Plano Verão nova troca de moeda para cruzado novo (NCz$ 1,00 = Cz$ 1.000,00) e o governo inicia um processo de privatização das estatais com a venda de 18 empresas.

Durante o governo Collor, foi implementado o Plano Collor que teve duas fases: o Collor I (1990) e o Collor II (1991). Nesse período o diagnóstico era de inflação de demanda, suas principais medidas foram:

confisco de 50% dos depósitos à vista e 80% dos depósitos a prazo, isto é, segurou nos bancos o dinheiro dos clientes colocando limite máximo para movimentação dos recursos até o final do confisco, como forma de reduzir a liquidez da economia;

troca de moeda com a volta do cruzeiro sem o corte de zeros da moeda (NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00);

congela preços; fim da indexação dos salários; adoção do câmbio flutuante; inicia a abertura comercial com uma redução média das tarifas de importação de 40% para 20%, aumentando a concorrência interna entre produtos nacionais e importados.

Pode-se dizer que o aumento dos preços permitindo a aplicação dos índices de inflação para reajustar os preços continuou (inflação inercial). Com a elevação da inflação, a situação se agrava e vem o fim do plano. Um medida de destaque no governo Collor foi a abertura comercial. Será uma medida que ajudará a combater a inflação nos anos seguintes, pois quando os preços internos forem maiores que os externos compensará importar os produtos. Assim a inflação em 1994, era de 1.476% a.a., e, ao final do governo Collor, fica em 480% em 1991. Em 1992 ocorre o impeachment do presidente e assume Itamar Franco; ao final de 1993 a inflação chega ao auge de 2.708% a.a.

Conclui-se que o elemento fundamental desses planos é o entendimento de que o processo inflacionário no Brasil alimenta-se da indexação (inflação inercial). Outro fator importante é o uso, até o Plano Real, de medidas de congelamento de preços e salários (componente heterodoxo). Ao longo do período (1986-93) verificaram-se oscilações na inflação e no nível de crescimento econômico. As incertezas políticas do período ficam por conta do processo de redemocratização do país, em virtude de eleições diretas para governadores e senado (1986) e a Constituinte (1988). Destaca- -se ainda que a economia fechada até 1989 era considerada um empecilho a mais no combate à inflação, situação que começou a ser revertida com a abertura comercial, seguida da abertura financeira, que prosseguiu nos anos seguintes. Segundo Malassise (2000, p. 43):

Introducao_a_economia.indd 82 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 83

Toda a lógica da definição de política macroeconômica e in- dustrial volta-se para redução do papel do Estado e a ampliação dos espaços de mercado para a iniciativa privada, recolocando a concorrência entre os agentes privados internos e externos como forma de garantir maior eficiência econômica. Estas orientações começam a ser postas em prática a partir da abertura comercial cujas principais medidas foram: a) redução das tarifas de importa- ção, b) incentivos fiscais e creditícios voltados ao fortalecimento de setores potencialmente competitivos, c) redução do índice de nacionalização de 90% para 60% no conceito de produtos de fa- bricação nacional e d) modificação no trato ao capital estrangeiro colocado em condição de igualdade aos capitais nacionais, tanto no pleito de incentivos fiscais e financeiros quanto nas ativida- des produtivas privatizadas. Segundo o Governo, o processo de privatização constituía-se num importante instrumento de mo- dernização. Em primeiro lugar, a privatização permitiria reduzir o déficit público, oriundo em parte da utilização das empresas estatais como instrumento de controle da inflação e como fonte de captação de recursos nas décadas anteriores. Em segundo lugar, porque as estatais estavam sucateadas tecnologicamente neces- sitando de novos investimentos, que caso não fossem realizados implicariam sérios problemas infraestruturais (BAER, 1996a). Em terceiro lugar, porque a privatização abriria novos espaços no mercado para a iniciativa privada, estas novas oportunidades de negócios atrairiam investidores estrangeiros e, pós-privatização, intensificaria a concorrência no mercado interno.

Introducao_a_economia.indd 83 21/01/14 18:27

84 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Seção 2 Plano Real

2.1 Processo de implantação e os primeiros anos O Plano Real parte do diagnóstico de que a inflação brasileira possuía um forte

caráter inercial. Para tanto o Plano Real foi implementado em três fases:

a) ajuste fiscal;

b) ”urvização” ou indexação completa da economia pela Unidade Real de Valor (URV); e

c) reforma monetária – transformação da URV em R$ (BRUM, 1999; GREMAUD, 1996).

O ajuste fiscal teve por base o rearranjo entre receitas e despesas. A proposta de redução dos gastos fez um corte nos investimentos, no pessoal e no orçamento das empresas estatais de US$ 7 bilhões em 1994 (BAER, 1996).

Como fonte de receitas adicionais criou-se o Fundo Social de Emergência que se constituiu na retenção de 15% de todos os impostos arrecadados. Transformou-se no Fundo de Estabilização Fiscal e tem previsão de duração até 2001 (BAER, 1996). Criou-se também o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) com alíquota inicial de 0,25% sobre as movimentações financeiras, o qual se transformou na Contribuição sobre Movimentação Financeira, tendo sua alíquota se elevado para 0,38% em 1999.

Tratou-se, na verdade, de uma forma de contornar o déficit público e não de controlá-lo uma vez que propiciou ganhos líquidos de recursos em mão do governo pela ampliação das receitas e/ou redução das transferências orçamentárias (DEPAR- TAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS, 1998a).

A Unidade Real de Valor (URV) constituiu-se em uma unidade de conta inde- xada cujo objetivo era promover o alinhamento dos preços relativos de forma a “[...] acomodar a participação dos diversos agentes na renda eliminando o conflito distributivo” (GREMAUD, 1996, p. 230). Sua adoção seguiu regras distintas. A urvi- zação ou a fixação dos preços pela tabela da URV para informar os preços dos bens e serviços ficou a critério do mercado. Porém a conversão de salários e benefícios previdenciários em URV’s foi compulsória.

A Unidade Real de Valor (URV) foi um indexador estabelecido pelo governo, com o objetivo de padronizar a medida de preço dos bens, de forma que os preços se mantivessem estáveis, passando a representar, posteriormente, a moeda Real.

Para saber mais

Introducao_a_economia.indd 84 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 85

Como consequência, o mercado teve mais tempo para reajustar os preços dos bens e serviços antes de transformá-los em URV’s, conseguindo repor qualquer resíduo inflacionário. Porém, para os salários a situação foi diferente. O salário mínimo, por exemplo, foi fixado em 64,79 URV’s, sofrendo reajustes anuais fixados pelo governo. Para os demais salários, a partir de junho de 1995, uma medida provisória estabeleceu a livre negociação de salários proibindo a utilização de cláusulas de reajuste pela inflação passada (TAVARES, 1997).

No Plano Real estava embutida uma reforma monetária, que se constituía na transformação da URV em Real. A nova moeda foi implantada em junho de 1994. A expectativa era de que nesse momento se romperia a inércia inflacionária, porque todos os preços haviam se convertido em única moeda, anteriormente indexada.

Porém, essas medidas, por si só, não conseguiriam conter a “mentalidade infla- cionária”. O combate à inflação só seria conquistado caso não houvesse nenhum choque de preços, nem por parte do governo nem por parte da iniciativa privada. Os agentes (públicos e privados) deveriam ser impedidos de melhorar a distribuição de renda a seu favor. Nesse contexto a abertura comercial, o acúmulo de reservas, a valorização da moeda e o controle da base monetária tinham papel fundamental a desempenhar.

No combate à inflação, a abertura comercial e o acúmulo de reservas cambiais foram duas precondições importantes, sob as quais se apoiou o Plano Real. O pri- meiro porque tolhia qualquer aumento de preços dos produtos internos maior do que os preços externos, pois abriu a possibilidade de substituir produtos nacionais por importados, e o segundo porque davam maior segurança tanto para as transações comerciais e financeiras como para a ancoragam da moeda (garantia de conversibi- lidade das transações em moeda).

A sobrevalorização nominal da nova moeda constituiu-se uma “[...] novidade sem precedentes na América Latina, fazendo do Real uma moeda mais forte do que o dólar” (TAVARES, 1997, p. 3). Enquanto nos países da América Latina o câmbio registrou uma apreciação de em média 8,1% em 1996 quando comparado a 1990, no Brasil registrou-se uma apreciação de 36% em igual período (GONÇALVES, 1998, p. 175).

Além disso, foram fixadas metas quantitativas para expansão da base monetária, para evitar o financiamento do déficit público com emissão de moeda. A expansão foi fixada em R$ 9,5 bilhões até março de 1995. Para conseguir manter essa meta o governo exigiu dos bancos um depósito compulsório de 100% sobre as novas cap- tações. Porém, com o aquecimento da demanda e o aporte de capital estrangeiro ocorreu um aumento na demanda por reais, em setembro de 1994 a meta para a base monetária foi revista e ampliada (BAER, 1996).

Com a estabilização previa-se um aquecimento da demanda. Isso ocorreu, em primeiro lugar, porque houve aumento do poder aquisitivo em virtude da queda da inflação e da valorização da moeda; em segundo lugar, porque, num ambiente de estabilidade, a taxa nominal de juros tornou-se previsível permitindo recompor os mecanismos de crédito ao consumidor.

Introducao_a_economia.indd 85 21/01/14 18:27

86 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Para conter o aquecimento da demanda o governo fixou taxas de juros reais elevadas de em média 20% ao ano no período de 1995-97. Para se ter uma ideia de como as taxas de juros se elevaram pode-se tomar como referência o último trimestre de 1995, enquanto a taxa de juros médio situou-se em 19% nos países da América Latina, nos Brasil elas chegaram a 63% em igual período (GONÇALVES, 1998).

Porém, esse artifício não foi suficiente para conter o aumento do consumo das famílias. De 63% do PIB entre 1990 e 1993 o consumo das famílias se eleva para 68% entre 1994 e 1997. O reflexo dessa ampliação do consumo pode ser observado por meio do aumento das vendas de bens duráveis. Entre 1993 e 1996 a venda de televisores aumentou 166%, refrigeradores 147% e automóveis 42% (COUTINHO, 1998, p. 240).

Porém, a taxa de juros elevada contribuiu para atrair capitais especulativos interessa- dos na remuneração oferecida pelos títulos cambiais do Banco Central do Brasil (BACEN). Com o ingresso maciço de divisas estrangeiras, o acúmulo de reservas foi suficiente para conter os desequilíbrios do Balanço de Pagamentos com o aumento das importações.

Além da taxa de juros, outro mecanismo de captação de reservas foram as privati- zações. Somente no biênio 1995/96 o montante arrecadado pelas privatizações foram de US$ 5,1 bilhão, muito embora pouco tenha contribuído para solucionar o problema da dívida pública interna em virtude do aumento da despesa global com juros que chegou a R$ 60 bilhões no biênio 95/96 (TAVARES, 1997). No cômputo geral, as re- servas evoluíram de tal forma que em 1993 somavam US$ 31 bilhões, em 1996 eram US$ 60 bilhões, em 1998 com as crises mundiais reduziram-se para US$ 44 bilhões.

Dessa forma, no Plano Real, “[...] a reorientação e concentração de praticamente todos os instrumentos de política econômica no combate a inflação” (GONÇALVES, 1998, p. 170) reduziram rapidamente os índices inflacionários. Além disso, a maior exposição da indústria brasileira à concorrência externa pressionou particularmente o preço dos produtos tradeables que caiu rapidamente liderando o processo de desin- flação (COUTINHO, 1998). Por outro lado, a combinação de abertura-câmbio-juros a partir de 1994 tornou-se extremamente desfavorável à produção no país, pois onerou as exportações e dificultou a retomada do investimento e da produção.

Além disso, as facilidades adicionais para importações, como a antecipação da tarifa externa comum do Mercosul em três meses, o não aproveitamento da lista de exceções e reduções tarifárias, em segmentos considerados estratégicos para a queda dos preços, contribuem para intensificar a concorrência entre produtos nacionais e importados (KUME, 1996).

Assim, a mesma combinação que permitiu reduzir rapidamente a inflação promo- veu a desproteção cambial e desestimulou os investimentos produtivos e constituiu um viés antiprodução e pró-importação (COUTINHO, 1998).

A opção por uma política deliberada de importações, segundo o governo, se justifica pelo combate à inflação e também pelo enobrecimento futuro da pauta de exportações. Isso seria tal que, ao mesmo tempo que a concorrência entre produtos nacionais e importados puxaria os preços para baixo, o aumento das importações

Introducao_a_economia.indd 86 21/01/14 18:27

N o ç õ e s d e e c o n o m i a b r a s i l e i r a 87

de bens de capital e a ampliação do investimento direto nos setores exportadores aumentariam a competitividade das exportações. Nota-se que há uma aposta num futuro reequilíbrio da Balança Comercial em um patamar mais dinâmico do inter- câmbio comercial, com produtos de maior valor agregado na pauta de exportações.

Ao mesmo tempo o aumento das importações é visto como benéfico do ponto de vista das estratégias empresariais. A importação de peças e componentes permite cortar custos e elevar a produtividade, ao passo que a importação generalizada de bens de consumo é uma estratégia das empresas internacionais para se fixarem futu- ramente no mercado brasileiro.

2.2 Atividade econômica nos primeiros anos do real Como as políticas macroeconômica e industrial dos anos 1990 afetaram o com-

portamento da atividade econômica pode ser observado por meio da análise de alguns indicadores apresentados nas próximas páginas.

De modo geral, a inflação tornou-se uma grande preocupação na década, pois os sucessivos choques de preços iniciados com o Plano Cruzado em 1986 não foram suficientes para debelar de vez a inflação, que sempre retornava mais intensa. É so- mente a partir do Plano Real que ela parece finalmente vencida.

Porém, pelo lado da produção, as medidas de combate à inflação implicaram com- pressão das taxas de crescimento do PIB (Tabela 3.2). Também há redução nas taxas de crescimento setorial, sendo que a redução é mais intensa sobre o setor industrial.

Tabela 3.2 Taxas de crescimento do PIB e inflação no Brasil: 1986-98

Ano Inflação IGP - DI

Taxa de crescimento anual do PIB real (em%)

Total Indústria Serviços Agropecuária

1986 65 7,51 11,70 8,1 -8,0

1987 415 3,63 0,99 3,33 14,92

1988 1037 -0,08 -2,6 2,35 0,84

1989 1782 3,2 -2,86 3,63 2,84

1990 1476 -4,3 -8,73 -1,15 -2,76

1991 480 1,03 0,26 0,34 1,37

1992 1158 -0,8 -4,21 0,3 4,89

1993 2708 4,92 7,01 1,76 -0,07

1994 1093 5,85 6,73 1,80 5,45

1995 14,3 4,22 1,91 1,29 4,08

1996 9,3 2,8 3,28 2,27 3,11

1997 7,5 3,60 5,76 2,58 -0,17

1998 1,7 -0,12 -1,34 0,84 -0,01

Fonte: Adaptado de Conjuntura Econômica (1999).

Introducao_a_economia.indd 87 21/01/14 18:27

88 I N T R O D U Ç Ã O À E C O N O M I A

Quanto à composição setorial do PIB, observa-se que tem sido composto em grande parte pelo setor serviços, responsável em média por 57% do PIB. O setor industrial tem reduzido sua participação na composição setorial do PIB, em 1988 era responsável por 38% PIB, em 1993 cai para 32% (GREMAUD, 1996, p. 238).

O aquecimento da demanda, provocado pela estabilização de preços e valorização da moeda, criou dificuldades para o fechamento do Balanço de Pagamentos (Tabela 3.3). Acumularam-se déficits comerciais que, somados aos déficits da balança de serviços, resultaram em déficit nas transações correntes que salta de US$ 2,2 bilhões em 1993 para US$ 35 bilhões em 1998.

Tabela 3.3 Balanço de pagamentos do Brasil 1990-1998 (em bilhões de dólares)

Contas 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998

Saldo Balança Comercial 11,1 10,6 15,2 13,3 10,4 -3,3 -5,5 -8,3 -6,5

Saldo da Balança de Serviços

-13,7 -13,5 -11,3 -15,5 -14,7 -18,5 -21,7 -27,2 -30,3

Saldo de Transações Correntes

-2,6 -2,9 3,9 -2,2 -2,2 -17,9 -24,3 -33,4 -35,0

Saldo da Balança de Capitais

-4,8 -4,1 25,3 10,1 14,2 29,3 33,0 25,5 15,9

Superávit/déficit -7,2 -4,7 30,0 8,4 12,9 13,4 8,6 -7,8 -17,3

Dívida Externa Bruta M e LP

102,9 123,9 135,9 145,7 119,6 129,3 142,1 163,3 210,7

Reservas de Liquidez 9,9 9,4 23,7 32,2 38,8 51,8 60,1 52,2 44,5

Fonte: Adaptado de Conjuntura Econômica (1999).

Os recursos para fechar o Balanço de Pagamentos tiveram origem nos recursos oriundos da balança de capitais e das reservas de divisas. Porém, com o incremento das taxas de juros que remuneravam o capital ocorre uma explosão da dívida externa.

O problema do endividamento externo agravou-se a partir das crises do México (1994), Ásia (1997) e Rússia (1998) e em todas regiões cujas políticas econômicas estavam atreladas à captação de recursos externos, colocando em dúvida a capa- cidade de países com esse padrão de ajuste em honrar os compromissos da dívida.

O efeito cascata que essas crises deflagraram atingiram o Brasil e obrigaram a elevações contínuas dos juros para manter os capitais estrangeiros no país. As taxas de juros reais oscilaram na média de 15% a.a. de 1994-98, registrando-se picos em: fevereiro (46,83%) e março (65%) de 1995, em outubro (27%) e novembro (43%) de 1997, períodos em que eclodiram as crises (DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS, 1998b, p. 11). Como resultado, observa-se um rápido crescimento da dívida externa de US$ 119 bilhões em 1994 para US$ 210 bilhões em 1998. Ao final do período ocorre também a solicitação de socorro ao FMI firmando acordos com garantia de obtenção de superávits primários.

Introducao_a_economia.indd 88 21/01/14 18:27

comentários (0)
Até o momento nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Esta é apenas uma pré-visualização
Consulte e baixe o documento completo
Docsity is not optimized for the browser you're using. In order to have a better experience we suggest you to use Internet Explorer 9+, Chrome, Firefox or Safari! Download Google Chrome