Introdução a Ergonomia - Apostilas - Fisioterapia, Notas de estudo de . Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Gustavo_G
Gustavo_G27 de Fevereiro de 2013

Introdução a Ergonomia - Apostilas - Fisioterapia, Notas de estudo de . Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Apostilas sobre a introdução ao estudo da Ergonomia. Origem e evolução, conceitos e bases da ergonomia, classificação.
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DISCIPLINA: ERGONOMIA

INTRODUÇÃO

A

ERGONOMIA

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ERGONOMIA

O ser humano constrói sua qualidade de vida e sua saúde a partir das relações consigo mesmo e com o ambiente. Saúde é o estado de bem-estar físico, psíquico e social, capacidade de interação construtiva com o mundo, capacidade de ação. Ela não é apenas a condição fundamental para a qualidade de vida, é também sua expressão mais evidente.

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A otimização do trabalho é um fator fundamental para o sucesso de pessoas e das organizações num mundo de alta competição, em que a saúde e excelência de desempenho são aspectos fundamentais.

A saúde é condição primordial para o desempenho e a produtividade ótimos. Fatores como motivação, treinamento e comprometimento compõem junto com a saúde o conjunto de condições que permitem às pessoas tornarem o trabalho um diferencial competitivo de mais alta importância estratégica para as organizações.

O vasto campo de disciplinas voltadas para a relação entre saúde e trabalho é denominado "Saúde Ocupacional". Ele pode ser sistematizado em algumas áreas principais:

Medicina do trabalho => volta-se para o acompanhamento médico dos trabalhadores, por meio de exames especializados e de outras ações que se voltam para a prevenção da doença relacionada ao trabalho e para a promoção da saúde. Outros campos profissionais, como a fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, podem contribuir para a medicina do trabalho.

Enfermagem do trabalho => está estritamente vinculada à medicina do trabalho. O controle da saúde do trabalhador é o foco principal dessa área.

Engenharia de segurança do trabalho => o ambiente específico do trabalho, com seus agentes e riscos químicos, físicos, biológicos e de acidentes, é objeto de estudo da higiene ocupacional. A engenharia de segurança do trabalho é a disciplina mais estratégica relacionada à higiene ocupacional, assim como a Segurança do Trabalho, que envolve diretamente Engenheiros e Técnicos de Segurança do Trabalho. O controle do ambiente de trabalho é o objetivo principal da higiene ocupacional, e a prevenção e controle de acidentes constituem a razão de ser da Segurança do Trabalho.

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Ergonomia => é uma das mais importantes vertentes da saúde ocupacional e vem ganhando cada vez mais terreno nos últimos anos. Centra-se na implementação de ações que visem reduzir ou minimizar riscos ergonômicos nos postos de trabalho.

Disciplinas como psicologia, sociologia, antropologia do trabalho são importantes. Entretanto, quando existentes, estão mais vinculadas a ações gerais de Recursos Humanos do que a ações específicas de saúde ocupacional.

Campos não relacionados diretamente ao trabalho, mas que exercem influência sobre ele, como os referentes à ecologia, ao meio ambiente, à qualidade de vida urbana, também têm tido importância crescente.

ORIGEM E EVOLUÇÃO DA ERGONOMIA

|Cronologia... |

|Mundial |Brasileira |

|1857 |Jastrezebowisky publica o artigo "ensaios de | |- |

| |ergonomia ou ciência do trabalho" | | |

|1949 |Primeira reunião do grupo de pesquisas para | |- |

| |retomada dos estudos sobre ergonomia e ciência do | | |

| |trabalho. | | |

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|1950 |Adoção do neologismo "Ergonomia" durante a segunda | |- |

| |reunião do grupo de estudos. | | |

|1951 |Fundação da Ergonomics REsearch Society, na | |- |

| |Inglaterra. | | |

|1953 |Publicação dos trabalhos: Prática da Fisiologia do | |- |

| |Trabalho de Lehmann, G.A.; e Fadiga e Fatores | | |

| |Humanos no Desenho de Equipamentos de Floyd & | | |

| |Welford | | |

|1955 |A European Productivity Agency (EPA), uma | |- |

| |subdivisão da Organization for European Economics | | |

| |Cooperation, estabelece uma Human Factors Section. | | |

|1956 |A EPA visita os Estados Unidos para observar as | |- |

| |pesquisas em Human Factors. | | |

|1957 |Seminário técnico promovido pela própria EPA, na | |- |

| |University of Leiden, "Fitting the Job to Worker". | | |

| |Durante o seminário formou-se um comitê para | | |

| |analisar as propostas e organizar uma associação | | |

| |internacional que adotou a denominação | | |

| |International Ergonomics Association. | | |

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|1958 |Encontro especial, em Paris, em setembro, para | |- |

| |Análise de um regimento preliminar para a | | |

| |associação. Decidiu-se, então, dar continuidade aos| | |

| |trabalhos de organização da associação e realizar | | |

| |um Congresso Internacional, em 1961. | | |

|1959 |O comitê passou a se denominar Comittee for the | |- |

| |International Association of Ergonomics Scientists.| | |

| |O comitê se reuniu em Oxford, decidiu manter o nome| | |

| |International Ergonomics Association, e aprovou o | | |

| |regimento e o estatuto. | | |

|1960 |- | |Abordagem do tópico "O produto e o homem" por Ruy Leme e |

| | | |Sérgio Penna Kehl na disciplina Projeto de Produto (Eng. |

| | | |Humana) na Politécnica da USP. |

|1961 |I Congresso Trianual da IEA, em Estocolmo, na | |- |

| |Suécia. | | |

|1964 |II Congresso Trianual da IEA, em Dortmund, FRG. | |- |

|1966 |- | |Aplicações da Ergonomia no curso de projeto de Produto |

| | | |ESDI/UERJ. |

|1967 |III Congresso Trianual da IEA, em Birmingham, na | |"Introdução à Ergonomia" no curso de Psicologia Industrial |

| |Inglaterra. | |II, na USP - Ribeirão Preto - Paul Stephaneck. |

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|1968 |- | |Livro "Ergonomia: notas de aulas", de Itiro Iida e Henri |

| | | |Wierzbicki, lançado em São Paulo, pela Ivan Rossi. |

|1970 |IV Congresso Trianual da IEA, em Strasbourgo, na | |Disciplina de Ergonomia no Mestrado de Eng. de Produção da |

| |França. | |COPPE-UFRJ/ Ergonomia na área de Psicologia do |

| | | |Trabalho-Isop/FGV Franco Lo Presti Seminério |

|1971 |- | |Tese de Doutorado "A Ergonomia do manejo", defendida por |

| | | |Itiro Iida, na Politécnica da USP./ Curso de Ergonomia na |

| | | |ESDI/UERJ - Itiro Iida./ Área de concentração em Ergonomia |

| | | |treinamento e Aperfeiçoamento Profissional no mestrado em |

| | | |Psicologia do Isop/FGV |

|1973 |V Congresso Trianual da IEA, em Amsterdam, na | |Ergonomia como disciplina nos cursos de Engenharia de |

| |Holanda. | |Segurança e Medicina do Trabalho da Fundacentro. |

|1974 |- | |1o Seminário Brasileiro de Ergonomia, no Rio de Janeiro, |

| | | |promovido pela ABPA (Associação Brasileira de Psicologia |

| | | |Aplicada) e pelo Isop/FGV. |

|1975 |- | |Publicação de "Aspectos ergonômicos do urbano" de Itiro Iida |

| | | |- MIC/STI/COPPE./ Curso de especialização em Ergonomia, na |

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| | | |FGV. Grupo de Estudos Ergonômicos do Isop/FGV - Franco Lo |

| | | |Presti Seminério. |

|1976 |VI Congresso Trianual da IEA, em College Park, nos | |Fundação do GAPP (Grupo Associado de Pesquisa e Planejamento |

| |Estados Unidos. | |Ltda.) - Sérgio Penna Kehl. |

|1979 |VII Congresso Trianual da IEA, em Varsóvia, na | |Ergonomia como disciplina do currículo mínimo da graduação em|

| |Polônia. | |Desenho Industrial./CEBERC - Centro Brasileiro de Ergonomia e|

| | | |Cibernética Isop/FGV - Ued Maluf. |

|1982 |VIII Congresso Trianual da IEA, em Tokio, no Japão.| |- |

|1983 |- | |Fundação da ABERGO - Associação Brasileira de Ergonomia, em |

| | | |31 de agosto |

|1984 |- | |2o Seminário Brasileiro de Ergonomia, no Rio de Janeiro, |

| | | |promovido pela ABERGO - Isop/FGV./ Inauguração do Laboratório|

| | | |de Ergonomia do INT - Diva Maria P. Ferreira. |

|1985 |IX Congresso Trianual da IEA, em Bornemouth, | |Implantação do setor de Ergonomia da Fundacentro - Leda Leal |

| |Inglaterra. | |Ferreira |

|1986 |- | |Curso de Especialização em Ergonomia, Departamento de |

| | | |Psicologia Experimental USP - Regina H. Maciel. |

|1987 |- | |3o Seminário Brasileiro de Ergonomia e 1o Congresso |

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| | | |Latino-Americano de Ergonomia, em São Paulo, promovido pela |

| | | |ABERGO/Fundacentro. |

|1988 |X Congresso Trianual da IEA, em Sidney, Austrália. | |- |

|1989 |- | |4o Seminário Brasileiro de Ergonomia, no Rio de Janeiro, |

| | | |promovido pela ABERGO/FGV. |

|1990 |- | |Segundo livro do Professor Itiro Iida, "Ergonomia: projeto e |

| | | |produção", pela Editora Edgard Blucher, de São Paulo. |

| | | |Fundação da ERGON PROJETOS, o primeiro escritório dedicado a |

| | | |consultoria e desenvolvimento de projetos em Ergonomia. |

|1991 |XI Congresso Trianual da IEA, em Paris, França. | |Fundação da ABERGO/RJ, Associação Brasileira de Ergonomia, |

| | | |seção Rio de Janeiro, em 23 de maio. / 5o Seminário |

| | | |Brasileiro de Ergonomia, em São Paulo, promovido pela |

| | | |ABERGO/Fundacentro. |

|1992 |- | |1o Encontro Carioca de Ergonomia, no Rio de Janeiro, |

| | | |promovido pela ABERGO-RJ/UERJ. |

|1993 |- | |6o Seminário Brasileiro de Ergonomia e 2o Congresso |

| | | |Latino-Americano de Ergonomia, em Florianópolis, promovido |

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| | | |pela ABERGO/Fundacentro. |

|1994 |XII Congresso Trianual da IEA, em Toronto, Canadá. | |- |

|1995 |- | |IEA World Conference 1995./ 3o Congresso Latino- Americano de |

| | | |Ergonomia and 7o Seminário Brasileiro de Ergonomia, no Rio de|

| | | |Janeiro, promovido pela ABERGO e pela International |

| | | |Ergonomics Association. |

|1997 |XII Congresso Trianual da IEA, em Tampere, | |- |

| |Finlândia. | | |

A ergonomia é muito importante para que o trabalho seja fonte de saúde e produtividade para pessoas e organizações. Ela possibilita que o trabalho seja bem dimensionado, otimizando sua eficácia, ao mesmo tempo em que permite o desenvolvimento das atividades em condições mais favoráveis à promoção da saúde e prevenção de certos grupos de doenças.

Os preceitos ergonômicos são praticados desde o surgimento do homem, ainda no período pré- histórico, pois se analisarmos sob o prisma de que o homem, através de sua evolução sempre se preocupou em adaptar suas armas de caça e suas ferramentas de trabalho de acordo com suas necessidades, verificar que, desde a mais remota data, ações ergonômicas já eram praticadas.

Ao longo do tempo, o estudo da ergonomia, decorrente da necessidade de proteger a vida e a dignidade do ser humano passou por diversos estágios de acordo com a evolução dos processos de trabalho. A origem e a evolução da ergonomia estão relacionadas às transformações socioeconômicas e, sobretudo, tecnológicas que vêm ocorrendo no mundo do trabalho. Da produção artesanal à automação, informatização e robótica, da relação direta com os meios de trabalho e com as pessoas às relações virtuais, a interação do ser humano com o seu trabalho tem sofrido mudanças profundas.

Ao longo da história humana os princípios fundamentais da ergonomia foram aplicados:

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- Na substituição ou transferência de trabalhos mais pesados para animais;

- Na invenção de artifícios que facilitam o trabalho;

- Na adaptação de postos de trabalho, tornando-os mais apropriados às proporções do corpo humano e facilitando posturas mais equilibradas;

- Na utilização de adaptações que facilitem o melhor posicionamento do corpo humano em atividades que apresentem dificuldades excêntricas.

O termo ergonomia surgiu por volta de 1850/60 introduzido pelo cientista e educador polonês Wojciech Jastrzebowisld, que publicou um artigo denominado "Ensaios de Ergonomia ou Ciência do Trabalho".

A ergonomia surge de modo mais sistematizado na década de 1940, tentando compreender a complexidade de a interação ser humano e trabalho e oferecer subsídios teóricos e práticos para aprimorar essa relação.

Com a eclosão da II Guerra Mundial (1939-1945), foram utilizados conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis para construir instrumentos bélicos relativamente complexos como submarinos, tanques, radares e aviões. Estes exigiam habilidade do operador, em condições ambientais bastante desfavoráveis e tensas, no campo de batalha. Os erros e acidentes, muitos com conseqüências fatais, eram freqüentes.

A conjugação sistematizada de esforços entre tecnologia e as ciências humanas na II Guerra Mundial surgiu quando as Forças Armadas, necessitando formar pilotos rapidamente, constataram que as cabines de comando dos aviões eram totalmente inadequadas e provocavam um grande número de erros na operação dos equipamentos, pois os instrumentos tinham um confuso sistema de leitura dos painéis dos instrumentos. Também havia um excessivo cansaço muscular causado pelo desconforto dos assentos. Para resolver os problemas causados pela operação dos aviões de guerra e de equipamentos militares complexos, Fisiologistas, Psicólogos, Antropólogos, Médicos e Engenheiros desenvolveram projetos conjuntos para minimizar o elevado número de acidentes com estes veículos. Estes projetos e esta tecnologia receberam então o nome de Engenharia Humana.

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Tudo isso fez redobrar o esforço de pesquisa para adaptar esses instrumentos bélicos às características e capacidade do operador, melhorando o desempenho e reduzindo a fadiga e os acidentes.

Assim a origem prática da ergonomia está, em parte, associada à necessidade de guerra, basicamente ligada à construção de aviões mais adaptados às características médias dos seres humanos e, portanto, mais facilmente manejáveis por uma quantidade maior de pilotos.

No início de sua história, a ergonomia preocupou-se em desenvolver projetos e pesquisas para a antropometria, definição de controles, painéis, arranjos físicos e ambientes de trabalho. Atualmente, com o aumento crescente da informatização nos setores secundário e terciário da economia, começou-se a perceber que os próprios processos de trabalho deveriam ser desenhados levando-se em consideração as características e necessidades humanas. Daí a crescente importância da organização do trabalho em ergonomia e o surgimento de estudos mais sofisticados, relacionados aos aspectos cognitivos e psicossociais.

Paralelamente às questões específicas do trabalho, os princípios e técnicas ergonômicas têm-se expandido para fora dos ambientes de trabalho, visando à produção de produtos que possam ser utilizados com maior conforto e adequação anatômica pelas pessoas. Isto se aplica aos sapatos, colchões, carros, etc.

Existem três fases distintas de estudos e pesquisas ergonômicas relacionadas ao trabalho:

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. Adaptação do homem à máquina: os estudos se concentram sobre a máquina, procurando formar e selecionar os operadores de acordo com as exigências dela;

. Estudos do erro humano, que pode levar a acidentes e a custos econômicos: surge a consciência de que estudos devem concentrar-se no homem, a fim de respeitar e conhecer seus limites;

. Sistema homem-máquina (atualmente chamado homem-máquina-ambiente): modelo básico que representa o estudo atual da ergonomia. As investigações se reconduzem aos sistemas determinados pelo homem e pela máquina, buscando sua mútua adaptação e operacionalidade. É uma combinação operativa entre trabalhador e equipamento que se complementam para executar determinada função.

Portanto a evolução da ergonomia se distingue entre:

a) Maquinocentrismo: que trata das questões de trabalho em termos de números absolutos de entrada e saída, considerando o homem enquanto operador;

b) Antropocentrismo: no qual a tarefa de investigar o homem enquanto operador se transforma na de investigar o operador enquanto homem.

Com a globalização da economia, que, dentre outras coisas, vem trazendo um forte aumento de competitividade, o trabalho enfrenta situações que se apresentam como desafio para a ergonomia:

. Novas exigências de produtividade e desempenho trazem desafios crescentes, exigindo que as concepções e práticas aliem de maneira mais incisiva as questões de saúde e produtividade;

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. A progressiva falta de exercício físico no trabalho exige não apenas a redução de cargas físicas, mas também a oferta de cargas mínimas necessárias para manutenção de saúde de sistemas orgânicos, como o músculo-esquelético e o cardiovascular;

. A intensificação e globalização do estresse psíquico exigem novas abordagens, para as quais a ergonomia ainda não desenvolveu metodologias eficazes e necessita solicitar o apoio de outras áreas.

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CONCEITOS DE ERGONOMIA

Deriva dos termos “ergon” ou “ergos”, que significa trabalho, e “nomos”, que significa normas, regras, leis naturais. Pode-se entender como a ciência da configuração do trabalho ao homem. A ergonomia se movimenta a partir de conceitos amplos, que tratam, fundamentalmente, de conhecimentos científicos relativos ao trabalho humano, aos produtos e processos utilizados e construídos pelos seres humanos. A revisão de alguns importantes conceitos de ergonomia ilustra bem essa situação, e contribui para a compreensão a seu respeito.

Em 1961,segundo publicação da Revista Internacional do trabalho, a ergonomia foi conceituada como “a aplicação conjuntas de algumas ciências biológicas para assegurar entre o homem e o trabalho uma mútua e ótima adaptação, com a finalidade de incrementar o rendimento do trabalhador e contribuir para seu bem-estar."

Em 1972,a ergonomia é considerada como "o conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para a concepção de ferramentas,máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, de segurança e de eficácia".

Em 1983,passa a ser definida como "o estudo do comportamento do homem no seu trabalho", entendendo este homem como o responsável pelas relações entre homem no trabalho e ambiente.

Segundo Dul (1993), se aplica ao projeto de máquinas, equipamentos, sistemas e tarefas, com o objetivo de melhorar a segurança, saúde, conforto e eficiência.

Moraes & Soares (1989), definiram como: “ a tecnologia projetual das comunicações entre homens e máquinas, trabalho e ambiente”.

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Segundo Hendrick (1991), há pelo menos quatro componentes identificáveis por enquanto:

• Ergonomia de hardware (homem x máquina),

• Ergonomia Ambiental (homem x ambiente),

• Ergonomia de software (usuário x sistema),

• Macroergonomia (organização x máquina).

Montmollin (1971), Couffignal (1966), McCormick & Sanders (1982), Murrel (1965) e Shackel (1974), através dos conceitos da cibernética, definiram máquina como sendo “tudo aquilo que compreende virtualmente qualquer tipo de objeto físico, artefato, aparato, dispositivo, equipamento, utensílio, meio de trabalho, qualquer mecanismo físico objetivado com o qual o indivíduo executa alguma atividade, com um dado propósito”. Insira-se no contexto projetual também os serviços e tarefas, além das máquinas, como objeto de estudo da ergonomia, seja de correção, seja de concepção.

De forma mais detalhada, a Associação Brasileira de Ergonomia - ABERGO - em 1998, definiu ergonomia como:

"Disciplina científica que trata da compreensão das interações entre os seres humanos a outros elementos de um sistema.É a profissão que aplica teorias, princípios, dados e métodos, a projetos que visam otimizar o bem estar humano e a performance global dos sistemas. Ela visa adequar sistemas de trabalho às características das pessoas que nele operam. Nos projetos de sistemas de produção a ergonomia faz convergir os aspectos de segurança, desempenho e de qualidade de vida, através de sua metodologia específica, a Análise Ergonômica do Trabalho”.

A ergonomia (ou fatores humanos, como é conhecida nos Estados Unidos da América) é a disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, e também é a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. Esta é a definição adotada pela Associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association - IEA ) em 2000.

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BASES DA ERGONOMIA

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A ergonomia baseia-se em muitas disciplinas em seu estudo dos seres humanos e seus ambientes, incluindo anatomia, biomecânica, antropometria, fisiologia, engenharia e psicologia.

É importante ressaltar que estas definições trazem em comum a multidisciplinaridade, a priorização do homem no processo de trabalho, a preocupação com a eliminação de riscos, com esforços e a maximização do conforto e eficiência do sistema de trabalho. Sendo uma ciência multidisciplinar, utiliza parâmetros de outras ciências e disciplinas como a Psicologia, Medicina do Trabalho, Estatística, Engenharia, Anatomia, Fisiologia Aplicada, que fornecem informações de forma a possibilitar o conhecimento e o estudo completo do sistema HOMEM-MÁQUINA- AMBIENTE DE TRABALHO, visando a uma melhor adequação do trabalho ao homem.

Os praticantes de ergonomia, ergonomistas, contribuem para o planejamento, projeto e avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. Sua prática, a ação ergonômica, resulta em mudanças úteis, práticas e aplicadas nos meios de trabalho (ambientes profissionais, equipamentos, sistemas, mobiliários, instrumentos), quando integrada nos projetos de Arquitetura, de Design e de Engenharia; na organização do trabalho (determinação de efetivos, divisão do trabalho, escalas, passagens de serviço) e na estratégia de produção (recursos informáticos, tomadas de decisão, formação profissional, melhoria da qualidade), quando fundamenta os programas de modernização das organizações.

No Reino Unido, um ergonomista tem graduação em psicologia, engenharia industrial ou mecânica ou ciências da saúde, e usualmente grau de mestre ou doutor em disciplina relacionada. Muitas universidades oferecem mestrado em ciência, em ergonomia, enquanto algumas oferecem mestrado em ergonomia ou mestrado em fatores humanos. Os salários típicos dos graduados são de £18,000 a £23,000, aumentando para a faixa de £30,000 a £55,000 depois da idade de 40 anos. Os excelentes salários contribuíram para uma crescente comunidade de ergonomistas no Reino Unido. No momento existe já licenciatura em ergonomia através da Universidade de Loughborough.

Em Portugal, a licenciatura existe na Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade Técnica de Lisboa, encontrando-se integrada na instituição, sendo da responsabilidade do Departamento de Ergonomia, com um corpo docente formado por alguns especialistas na área. A licenciatura encontra-se homologada de acordo com os critérios definidos pelo HETPEP . Também na Faculdade de Motricidade Humana é possível realizar-se formação a nível pós- graduado, mestrado e doutoramento em Ergonomia.

No Brasil, a formação em ergonomia ocorre em nível de pós-graduação, através de cursos de especialização (pós-graduação lato sensu). Os programas dos cursos normalmente incluem conhecimentos básicos dos tópicos fundamentais em ergonomia, como as disciplinas: psicologia, anatomia, fisiologia, organização do trabalho, design e métodos de avaliação e tecnologia da

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informação. Os cursos de pós-graduação stricto sensu compreendem os mestrados e os doutorados, com linha de pesquisa em ergonomia, para graduados em áreas como arquitetura, desenho industrial e engenharia. Atualmente ainda não existem cursos de mestrado ou de doutorado específicos para ergonomia no Brasil.

Sendo assim vamos sistematizar a ergonomia em dois grandes grupos, com o intuito de torná-la mais compreensível. Dê um lado, uma ergonomia mais abrangente, voltada para o conceito de trabalho, a psicologia, a psicopatologia, a filosofia, a sociologia do trabalho. Seria uma ergonomia na quais as diversas ciências humanas viriam prestar sua contribuição no sentido de aprimorar a compreensão e a abordagem do trabalho. Podemos chamá-la de Metaergonomia.

De um outro lado, poderíamos focalizar bem a ergonomia naqueles campos em que ela já desenvolveu metodologias específicas e nos quais é bem reconhecida. É a ergonomia dos postos de trabalho (do mobiliário, das ferramentas, do layout e etc.) , da organização do trabalho (das pausas, do enriquecimento do trabalho e etc.) do conforto ambiental (da iluminação, da temperatura efetiva e etc.). Nesses campos existem modelos bem estruturados para o desenvolvimento de soluções objetivas.

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A ergonomia preocupa-se com a segurança, conforto e produtividade, ou seja, com as condições que permitam aos trabalhadores desempenharem suas atividades atendendo da melhor maneira sua satisfação psicofisiológica.

Tríade da Ergonomia

CONFORTO (SAÚDE e BEM-ESTAR)

SEGURANÇA PRODUTIVIDADE

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DOMÍNIOS DE ERGONOMIA

A Associação Internacional de Ergonomia divide a ergonomia em três domínios de especialização. São eles:

Ergonomia física, que lida com as respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Tópicos relevantes incluem manuseio de materiais, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionada com desordens músculo-esqueléticas.

Ergonomia cognitiva, também conhecida engenharia psicológica, refere-se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação ser humano- computador e treinamento.

Ergonomia organizacional ou macroergonomia, relacionada com a otimização dos sistemas socio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética.

CLASSIFICAÇÃO DA ERGONOMIA

Segundo Iida, as abrangências das contribuições ergonômicas podem se divididas em:

Análise de sistemas: onde é definida a distribuição das tarefas concernentes ao homem ou a máquina, adotando-se critérios como custo, confiabilidade, segurança e outros.

Análise dos postos de trabalho: avalia a interação entre o homem, a máquina e o ambiente, visando à harmonia nesta relação, o chamado “sistema homem-máquina”.

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Segundo Vidal (2001), a ergonomia, como prática e como disciplina se expandiu a tal ponto que poderíamos chegar a mencionar o termo no plural: “ERGONOMIAS”. Também sugere que “dependendo da modalidade que se vai enfocar na solução de um problema, a divisão pode ser assim efetuada:

· objeto (tipo do problema)

- produto - avaliação de um produto.

- produção - avaliação de uma atividade de produção.

· perspectiva (forma de encaminhar a solução)

- intervenção - ação sobre um problema já existente.

- concepção - ação ainda na fase de projeto, avaliando o impacto ergonômico futuro.

· finalidade (forma de agir)

- correção - ação corretiva de um erro detectado.

- enquadramento - ajuste a uma definição normativa.

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- remanejamento - ação de correção em meio a um processo de mudança.

- modernização - ação de mudança por força de evolução tecnológica.

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Ergonomia de Concepção e Correção:

Entende-se por Ergonomia de Concepção aquela que procura fazer os levantamentos físicos (medidas antropométricas, biomecânicas, ambientais, organização e metodologia da produção, etc), psíquicos e cognitivos envolvidos na execução de uma determinada tarefa por um Sistema Homem Tarefa Máquina (SHTM). Busca a melhor produtividade, eficiência, conforto e segurança pessoal e ambiental. Projeta, a partir destes dados e testes, a melhor máquina, serviço, tarefa, equipamento, ferramenta ou ambiente possíveis (Alves, 2000).

A Ergonomia de Correção busca adequar um posto de trabalho, tarefa, equipamento, ferramenta ou ambiente já existentes, ao homem, de forma que obedeça aos parâmetros que servem de referencial teórico para a melhor eficiência, conforto, produtividade e segurança do SHTM.

Ênfases:

Atualmente existem duas linhas de pensamento ergonômico no mundo: a linha americana (anglofônica) e a linha européia (francofônica).

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De acordo com Montmollin (1986), a linha européia privilegia as atividades do operador, priorizando o entendimento da tarefa, os mecanismos de seleção de informação, de resolução de problemas, de tomadas de decisão, seguindo-se a verbalização do trabalho executado. Considera a aprendizagem da tarefa e a competência do trabalhador (habilidades e aptidões).

Os ergonomistas americanos preocupam-se com os aspectos físicos da interface homem x máquina, objetivando dimensionar a estação de trabalho, facilitar a discriminação de informações de mostradores e a manipulação de controles, realizando simulações em laboratórios para validação de determinadas medidas adotadas.

Estudam as características:

• Antropométricas

• Do esforço muscular

• Da influência do ambiente físico

• Psicofisiológicas

• Do ritmo circadiano

Influências Ambientais:

Para compreender melhor a atuação da ergonomia moderna, devemos analisar não só os fatores relacionados com o homem ou com a máquina, uma vez que existem em um determinado espaço físico que sofre a interferência da interação com o meio externo ao SHTM chamado ambiente laboral.

Daí a ergonomia estudar fatores como temperaturas, clima, velocidade do ar, radiações ionizantes e não ionizantes, pressão atmosférica, umidade, ruídos, vibrações, iluminamento e luminância, partículas em suspensão, substâncias voláteis, agentes biológicos e outros relacionados com as influências do meio ambiente no SHTM.

Necessidade da Sistematização e Metodologia da Pesquisa:

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Ferramenta diagnóstica precisa, a ergonomia necessita de parâmetros bem estabelecidos para caracterizar todos os fatores comprometedores da produtividade, da segurança e da saúde do trabalhador. Estes parâmetros foram bem definidos e delimitados por Moraes & Mont’Alvão (1998) na forma da Intervenção Ergonomizadora Sistematizada.

Para que compreendamos todo este processo, urge que conheçamos as principais definições utilizadas na Ergonomia Moderna:

SISTEMA

Conjunto de partes coordenadas entre si, com um objetivo comum.

CIÊNCIA

É a aquisição sistemática do conhecimento sobre a natureza.

DADO

Resultado do processo de inquirição. Elemento ou base para a formação de um juízo. Elemento ou quantidade conhecida, que serve de base na resolução de um problema.

INFORMAÇÃO

É o tratamento dos dados em uma interpretação.

CONHECIMENTO

É o uso da informação.

APTIDÃO

Condição positiva para determinada ação. Ser capaz. Pode ser adquirida integralmente com a capacitação e treinamento. Capacidade é quantitativa e qualitativa.

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HABILIDADE

Destreza, conhecimento técnico, capacidade prévia. Pode ser aprimorada.

COMPETÊNCIA

É a prática cotidiana de uma capacidade transformada em conhecimento.

MÉTODO

É a maneira de chegar a algum lugar. Ordem que se segue na investigação da verdade, na investigação de uma ciência ou para alcançar um fim determinado. A verdade não é absoluta, mas apenas um modelo quantitativo ou qualitativo.

MÉTODO CIENTÍFICO

É a forma de se chegar a algum ponto, através da aquisição sistemática de dados transformados em informações e estas em conhecimento.

SHTM

“A noção do sistema humano-máquina sempre se apresentou como um dos conceitos básicos da Ergonomia, ao enfocar a interação do homem (ser humano) com utensílios, equipamentos, máquinas e ambientes.

Quando a comunicação homem-máquina passou a privilegiar a cognição em vez da percepção, os antigos modelos foram revistos e atualizados. A partir da evolução dos modelos do sistema homem-máquina, introduzem-se novos paradigmas, enfatizam-se as questões cognitivas e de convergência na comunicação e da primazia do homem. Propõe-se, então, o modelo sistema- humano-tarefa-máquina – SHTM.” (Moraes, 1998).

A eficiência ergonômica privilegia a economia do homem pela minimização dos custos humanos do trabalho.

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TAREFA

É o objetivo a atingir, o resultado a obter (Laville, 1986). Compreendem os requisitos implicados, as atividades realizadas, os meios utilizados, os constrangimentos impostos pelo ambiente. A tarefa de uma enfermeira é propiciar cuidados apropriados aos doentes. Para realizar a tarefa, atribuem-se meios: curativos, medicamentos, ferramentas, instrumentos. Para realizá-las com os meios disponíveis, o trabalhador desenvolve atividades: se desloca, usa gestos, olha, escuta, aciona, limpa, corta, etc.

ATIVIDADE

É uma ação básica que envolve os aspectos psicofisiológicos do ser humano em uma cadeia ação-decisão-ação.

CARGO

Conjunto de tarefas e atribuições de determinado funcionário. Um cargo é um grupo de posições similares numa fábrica, estabelecimento comercial, instituição educacional ou outra organização individual. Poderá haver uma ou mais pessoas empregados no mesmo cargo. Um cargo pode ser descrito como uma unidade da organização que consiste em um grupo de deveres e responsabilidades que o tornam separado e distinto dos outros cargos. Os deveres e responsabilidades de um cargo pertencem ao empregado que desempenha o cargo, e proporcionam os meios pelos quais os empregados contribuem para o alcance dos objetivos de uma organização.

POSIÇÃO

Uma posição é um grupo de tarefas executados por uma pessoa. O número de posições na Organização equivale ao número de trabalhadores.

OCUPAÇÃO

Uma ocupação é um grupo de cargos similares, encontrada em muitos estabelecimentos.

CARREIRA

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Uma carreira abrange uma seqüência de posições cargos ou ocupações que uma pessoa ocupa durante sua vida de trabalho.

TRABALHO

Relaciona-se com a posição geográfica (local de), com a força física (W), ou com determinadas atividades de uma dada categoria ou posição profissional (qual é o seu?).

Na Roma e na Grécia antigas o trabalho era reservado para os escravos, sendo considerado indigno para seres humanos livres. Derifa do latim “tripallium”, instrumento de tortura usado para domesticar humanos. Entre os hebreus era tido como forma de expiação do pecado original. Apenas após o Renascimento que houve a valorização do trabalho como forma de subsistência.

FERRAMENTA

Instrumento, utensílio de ofício.

INSTRUMENTO

Agente mecânico empregado na execução de qualquer trabalho.

UTENSÍLIO

Objeto que serve de meio ou instrumento para alguma coisa.

Pesquisa Descritiva e Pesquisa Experimental

A Ergonomia, ao realizar pesquisas e intervenções, lança mão dos métodos em uso pelas ciências sociais e das técnicas propostas pela engenharia de métodos.

Há, em termos gerais, dois tipos de pesquisa: a pesquisa descritiva e a pesquisa experimental. Uma está interessada em descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-

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los e interpretá-los; outra pretende dizer de que modo ou por quais causas o fenômeno é produzido.

Numa são observados os fenômenos, sem interferência; noutra alguns fatores são deliberadamente alterados, para verificar se ocorrem respostas diferentes das habitualmente colhidas.

Pesquisa Descritiva (métodos):

1) Observação – aplicar os sentidos a fim de obter uma determinada informação sobre algum aspecto da realidade. Necessita de delimitação, para que se possa observar exatamente o desejado, dentro da interpretação definida.

a) Observação assistemática: também chamada de ocasional ou não estruturada, é a que se realiza sem planejamento e sem controle sobre fenômenos que ocorrem de modo imprevisto. Não se conhece, na verdade o momento exato em que determinado fenômeno se produz, só se sabe que ocorre. Serve bem para a formulação de hipóteses a serem confirmadas por uma observação posterior mais estruturada. Serve para a etapa de problematização;

b) Observação sistemática: também chamada de planejada ou estruturada, é a que se realiza em condições controladas, mas sem interferência, de forma a saber exatamente o que será observado, com os devidos instrumentos e documentos particulares. Somente ela é considerada uma técnica verdadeiramente científica. É o caso da análise da tarefa, dos registros de comportamento, das posturas assumidas, exploração visual, manipulações acionais, comunicações e deslocamentos.

• Planejamento da observação sistemática:

- delimitação da área;

- indicação do campo que compreende a população (a que e a quem observar), as circunstâncias (quando observar), o local (onde observar);

- determinação do tempo e da duração da observação;

- definição dos instrumentos a serem utilizados;

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- preparação do material de apoio – planilhas de registro, fichas de entrevista, etc.

2) Inquirição – é a busca metódica de informações e a quantificação, sempre que possível, dos resultados.

a) entrevista: é a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obter dados que interessem à investigação. A entrevista é, portanto uma forma de interação social muito utilizada pelos métodos de pesquisa em sociologia e psicologia. É uma forma de diálogo assimétrico, onde uma parte busca coletar dados e outra é fonte de informações.

• As não-diretivas ou informais são iniciadas pela colocação de um tema geral, sem estruturação do problema por parte do investigador. Ex.: Fale-me da sua atividade no trabalho.

• A entrevista focalizada ou centrada (focused interview) parte do levantamento de uma hipótese, apresentada ao entrevistado na forma de tema livre para que descreva livremente sua experiência no assunto;

• A entrevista semi-estruturada aplica-se a partir de um pequeno número de perguntas abertas;

• A entrevista clínica é direcionada e conduzida, geralmente por perguntas fechadas e outras abertas

b) verbalizações: São muito utilizadas na pesquisa ergonômica, devido a transmitirem o modus operandi de determinado trabalhador. Nelas o operador descreve as atividades da tarefa.

• Verbalização simultânea: o operador narra durante as atividades o que está fazendo;

• Verbalização consecutiva: após registro em vídeo, o trabalhador assiste à fita, narrando o que estava fazendo nos diversos momentos das atividades.

c) questionário: são questões apresentadas de forma escrita para investigação de opiniões, crenças, sentimentos, expectativas e situações vivenciadas. O questionário piloto serve para verificar a clareza e a precisão de termos, a forma das questões, seu desmembramento e ordem.

Exemplos de perguntas:

Você gosta de política? Justifique. (pergunta aberta)

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Você gosta de seu trabalho?

( ) muito ( ) mais ou menos ( ) pouco ( ) nada

(pergunta fechada)

d) escalas de avaliação: Objetivam medir a intensidade das opiniões e das atitudes. São uma série graduada de itens, dentre os quais o respondente deve assinalar aqueles que melhor correspondem à sua percepção sobre o fato pesquisado.

• De ordenação: Uma série de palavras ou enunciados que devem ser ordenados conforme a aceitação:

Ex.: Ordene as cores abaixo de acordo com sua preferência:

( ) amarelo

( ) verde

( ) vermelho

( ) azul

( ) preto

( ) branco

• De graduação: Contínuo de atitudes possíveis em relação à determinada questão:

Ex.: Como você se posiciona com relação à pena de morte?

( ) totalmente favorável

( ) favorável, com algumas restrições

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( ) não tenho opinião formada

( ) desaprovo em muitos aspectos

( ) totalmente desfavorável

• Autoposicionamento em uma escala de opiniões: Segue o mesmo princípio, mas com um número maior de nuances:

Ex.: Você indicaria sua posição política, marcando com uma cruz, na linha graduada abaixo?

Extrema direita Centro Extrema esquerda

10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

• Diferencial semântico: Escalas bipolares de 7 a 10 pontos, com conceitos opostos, indicadores de valorização, potência e atividade.

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Ex.: Avaliação de um carro:

| |3 |2 |

|Ênfase |Nas tarefas e estrutura organizacional |Nas pessoas |

|Abordagem da organização |Organização formal |Organização informal |

|Conceito de organização |Estrutura formal com o conjunto de órgãos, cargos e |Sistema social como conjunto de papéis |

| |tarefas | |

|Principais representantes |Taylor e Fayol |Mayo e Follet |

|Característica da administração |Engenharia humana / engenharia de produção |Ciência social aplicada |

|Concepção do homem |“homo economicus” |“homo social” |

|Comportamento organizacional do |Ser isolado que reage como indivíduo |Ser social que reage como membro do grupo social |

|indivíduo | | |

|Sistema de incentivos |Materiais e salariais |Sociais e simbólicos |

|Relação entre objetivos: |Identidade de interesses. Não há conflitos aparentes|Identidade de interesses. Todo conflito é |

|organizacionais x individuais | |indesejável e deve ser evitado |

|Resultados almejados |Máxima eficiência |Maximização da satisfação do operário |

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Princípios da Produção:

Com a implementação de novos processos produtivos, a sociedade se transformou, assimilando, para bem ou para mal, os hábitos criados para a manutenção dos recursos necessários ao avanço tecnológico.

Era preciso:

|Coordenar |

|Homens |Físicos |

|Materiais | |

|Tempo |Não Físico |

Surgiu a necessidade de administração do tempo.

Objetivo principal da Produção:

Coordenar homens, materiais e tempo na conjunção dos elementos Natureza, Trabalho e Capital, para obtenção de um produto, bem, utilidade ou riqueza para a sociedade.

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O segundo objetivo da produção é o Benefício, ou Lucro.

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Ergologia:

É a perspectiva científica e filosófica que tem como objetivo estudar o trabalho humano em todas as suas dimensões. Para isso, propõe uma abordagem transdisciplinar desse objeto, um olhar que dê conta de explicar a complexidade das situações de trabalho, seja ele mercantil ou não. Não se trata de uma nova ciência ou disciplina, com seu corpo próprio de teorias e métodos, mas de uma orientação epistêmica que leve em conta os fenômenos do trabalho sob o enfoque da atividade humana.

A Ergologia surgiu na França, na Universidade de Provence, em 1983. Um de seus fundadores e principal teórico é o professor Yves Schwartz.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

DEJOURS, C. A loucura do trabalho. São Paulo: Editora Cortez, 1998, 5ª edição.

Grandjean, Etienne. Manual de Ergonomia - adaptando a o trabalho ao homem. Porto Alegre: Artes

Médicas. 1998.

Iida, Itiro. Ergonomia - projeto e produção. São Paulo: Edgard Blücher, 1990.

Vidal, M. C., Ergonomia na Empresa – Útil, prática e aplicada, Rio de Janeiro, Ed. Virtual

Científica, 2001.

Dull, J. e B. Weerdmeester. Ergonomia Prática. Itiro Iida. 2 ed. rev e ampl. São Paulo, S.P.: Edgard Blücher ,2004.

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Hendrick, Hal W. Macroergonomia – uma introdução aos sistemas de trabalho, Rio de Janeiro: Virtual Cinetífica,2006.

Apostila do Curso ErgoEletro / 2003– Prof. Henrique Alves.

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• Produto

• Bem

• Utilidade

• Riqueza para a Sociedade

Materiais

Homens

Tempo

Natureza

Trabalho

Capital

Coordená-los na conjunção de

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Para obtenção de um

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