Lateralidade Espacial - Apostilas - Fisioterapia, Notas de estudo de . Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Descrição: Apostilas sobre o estudo da lateralidade espacial. Definição, orientação temporal, estruturação espacial, esquema corporal, socialização e afetividade, coordenação global.
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Universidade: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
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1. LATERALIDADE

Lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. É importante que exista a percepção da diferença entre direita e esquerda, é necessário também que se tenha noção de distancia entre elementos posicionados tanto do lado direito como do lado esquerdo.

Os movimentos bilaterais envolvem o uso de ambos os lados de modo simultâneo e paralelo, como por exemplo, pegar uma bola com as duas mãos,já os movimentos unilaterais envolvem o uso de apenas de um lado do corpo como por exemplo bater a mão num alvo.

Esta capacidade é de grande importância para formação de conceitos complexos como de espaço. A lateralidade traduz-se pelo estabelecimento da dominância lateral da mão olho e pé, do mesmo lado do corpo, a lateralidade corporal se refere ao espaço interno do individuo,capacitando-o a utilizar um lado do corpo com maior desembaraço.

O que geralmente acontece é a confusão da lateralidade com a noção de direita e esquerda, que esta envolvida com o esquema corporal. A criança pode ter a lateralidade adquirida, mas não saber qual é o seu lado direito e esquerdo, ou vice-versa. No entanto, todos os fatores estão intimamente ligados, e quando a lateralidade não está bem definida, é comum ocorrerem problemas na orientação espacial,dificultando na discriminação e na diferenciação entre os lados do corpo e incapacidade de seguir a direção grafia.

A lateralidade manual surge no fim do primeiro ano de vida, mas só se estabelece fisicamente por volta dos 4-5 anos.

FIGURA 1. Tarefas dinâmicas para o desenvolvimento da lateralidade

2. ORIENTAÇÃO TEMPORAL

A Orientação Temporal tem alguns aspectos semelhantes á estruturação espacial. A criança se organiza de acordo com sua rotina (sono/vigília, antes/depois, manhã/tarde e noite). Crianças pequenas lidam com o presente, porém desenvolvem uma compreensão intuitiva de tempo, não relacionada ao relógio ou ao tempo cronológico. Os conceitos temporais são compreendidos mais tardiamente do que os espaciais.

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LE BOULCH (1992) ressalta dois aspectos da percepção temporal: um qualitativo que envolve ordem e organização e outro quantitativo que diz respeito a intervalos ou períodos de duração.

De acordo com MATTOS e NEIRA (2007) todas as nossas ações ocorrem em um determinado tempo e precisam ser organizados dentro dele. O corpo é, então, o que intermédia a relação entre espaço e tempo no meio ambiente.

Ao desenvolver sua Orientação Temporal a criança começa a perceber que tudo acontece em um determinado tempo e, então, aprende a calcular ou prevê-lo. Crianças até seis anos estão adquirindo esta noção e não se deve exigir que consigam realizar determinadas ações que dependem desta habilidade (pois é questão de maturação). Em contrapartida, a criança deve vivenciar estas situações para que consequentemente consiga internalizá-las. O ritmo é a base destas experiências e as crianças aos poucos passam a perceber sua ordenação e duração. “Ao estabelecer um plano de ação e executá-lo, a criança se depara com a necessidade de organizar-se, respeitando a sequencia de ações e ajustando-as ao ambiente que, com frequência transforma-se” (MATTOS e NEIRA, 2006, p. 36).

LE BOULCH (1992) expressa a importância deste ritmo no desenvolvimento das crianças em idade pré-escolar. Ele está presente em diversas áreas da vida humana: nos movimentos, na rotina estabelecida, e até mesmo na natureza (estações do ano, por exemplo).

Como por exemplo, a criança precisa captar e discriminar a duração e a sucessão dos sons e, também,os conceitos de tempo,como ordem,hoje,dias da semana, meses, etc.

É essa consciência que permitirá a ela que se oriente no tempo durante a realização das atividades. Portanto, a criança que se apresenta dificuldade na pronuncia e na escrita de palavras, trocando a ordem das letras, na retenção de uma série de palavras dentro da sentença ou de uma série dos fatos dentro de uma historia,entre outros, não tem esse requisito básico trabalhado,ou seja, não domina a orientação temporal.

FIGURA 2: O ato de desenvolver a orientação temporal, se adaptando ao tempo.

3. ESTRUTURAÇÃO ESPACIAL

Essa estruturação é um trabalho cerebral que nos permite lidar com os espaços e nos relacionarmos com os objetos. Por meio dessa estruturação podemos selecionar, comparar,

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extrair e agrupar, classificar e categorizar os objetos. Como diz Kephart (1980) é a estruturação espacial quem nos leva a abstrair e a generalizar.

Assim como a imagem corporal, a estruturação espacial é aprendida, mas não pode ser ensinada. E essa aprendizagem ocorre quando a criança se movimenta e experimenta as várias posições do corpo nos vários tipos de espaço. Mais tarde, a criança percebe a relação entre seu corpo e os objetos e entre os próprios objetos. Por isso, é importante que os adultos permitam o movimento e a experimentação da criança, para que ela perceba e se organize espacialmente.

São condições essenciais para a estruturação:

• uma boa visão – permitindo que o cérebro aprenda a calcular e fazer estimativas rapidamente e de forma precisa com relação aos movimentos que o corpo executa no espaço.

• movimentos cinestésicos – que permite identificar os objetos mais lentos

• uma boa percepção auditiva – que estão ligadas á certos direcionamentos e ao tempo

• uma boa percepção tátil – que nos permite captar as manifestações afetivas ou agressivas dos objetos ao nosso redor.

Essa estruturação tem início logo após o nascimento. No recém-nascido, a boca é o ponto mais próximo dos braços e mãos. As sensações percebidas com a boca e os movimentos reflexos que realiza com os braços, percebem e criam sensações de bem ou de mal-estares, ligando-se à afetividade.

Por volta dos 3 meses tem início a imagem corporal e dos 6 aos 9 meses, inicia-se a separação do corpo em relação ao ambiente.

Aos 3 anos, a criança já deve ter conseguido uma boa vivência corporal e, com isso, pode se locomover em diferentes lugares e pegar os objetos que desejar. A verbalização permite que ela expresse o que quer e o que sente. Os gestos diferenciados já ordenam suas atividades valendo-se da “classificação”. Também já é possível perceber a posição dos objetos e de se movimentar entre eles. Aprende as noções e conceitos de “frente, atrás e no meio” devido a definição da lateralização, passando a utilizá-los verbalmente.

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Aos 6 anos, aprende outros conceitos, como os de “situação” (dentro, fora, alto e baixo, longe e perto), de “posição” (em pé, deitado e sentado, ajoelhado e agachado e o de inclinado); de “movimento”(levantar, abaixar, empurrar, estender, girar, etc), de “qualidade” (cheio e vazio, pouco e muito, inteiro e metade, etc); de “superfície” (liso, plano, inclinado); de “volume” (leve, pesado, vazio).

Dos 6 aos 7 anos, a criança já é capaz de assimilar a orientação do espaço no papel, podendo organizar em uma folha suas escritas e desenhos. Na leitura, é capaz de se orientar graficamente, utilizando corretamente a posição das letras (p,b,q,d).

FIGURA 3: A capacidade de pegar objetos e locomover-se são exemplos de estruturação espacial.

4. ESQUEMA CORPORAL

O esquema corporal é a representação das relações espaciais entre as partes do corpo percebidas cinestesicamente e proprioceptivamente. Uma interação neuromotora que permite o indivíduo estar consciente do seu corpo no tempo e espaço. Fator biologicamente determinado e diretamente relacionado com a organização neurológica e com o homúnculo cortical (FREITAS, 2004). Le Boulch (1984) classifica o esquema corporal como o reconhecimento imediato do nosso corpo em função da inter-relação das suas partes, com o espaço e com os objetos que o rodeiam tanto no estado de repouso como de movimento (LE BOULCH, 1984).

Um esquema corporal é a consciência ou a representação mental que se tem do próprio corpo e das partes que o constituem, com os seus mecanismos e as respectivas possibilidades de movimento, como meio de comunicação consigo mesmo e com o meio envolvente. Um bom desenvolvimento do esquema corporal pressupõe uma boa evolução da motricidade, da percepção espacial e temporal, e da afetividade.

O conhecimento adequado do corpo compreende a imagem corporal e o conceito corporal, que podem ser desenvolvidos através de atividades que favoreçam o conhecimento do corpo como um todo, o conhecimento do corpo segmentado, o controlo dos movimentos

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globais e segmentados, o equilíbrio estático, o equilíbrio dinâmico e a expressão corporal harmônica.

FIGURA 4: Desenvolvimento do esquema corporal.

5. SOCIALIZAÇÃO E AFETIVIDADE

A afetividade é um estado psicológico do ser humano que pode ou não ser modificado a partir das situações. Segundo Piaget, tal estado psicológico é de grande influência no comportamento e no aprendizado das pessoas juntamente com o desenvolvimento cognitivo. Faz-se presente em sentimentos, desejos, interesses, tendências, valores e emoções, ou seja, em todos os campos da vida.

Diretamente ligada à emoção, a afetividade consegue determinar o modo com que as pessoas visualizam o mundo e também a forma com que se manifesta dentro dele. Todos os fatos e acontecimentos que houve na vida de uma pessoa traz recordações e experiências por toda a sua história. Dessa forma, a presença ou ausência do afeto determina a forma com que um indivíduo se desenvolverá. Também determina a autoestima das pessoas a partir da infância, pois quando uma criança recebe afeto dos outros consegue crescer e desenvolver com segurança e determinação.

A afetividade é uma sensação de extrema importância para a saúde mental de todos os seres humanos por influenciar o desenvolvimento geral, o comportamento e o desenvolvimento cognitivo.

Socialização é a assimilação de hábitos característicos do seu grupo social, todo o processo através do qual um indivíduo se torna membro funcional de uma comunidade, assimilando a cultura que lhe é própria. É um processo contínuo que nunca se dá por terminado, realizando-se através da comunicação, sendo inicialmente pela "imitação" para se tornar mais sociável. O processo de socialização inicia-se, contudo, após o nascimento, e através, primeiramente, da família ou outros agentes próximos, da escola, dos meios de comunicação de massas e dos grupos de referência que são compostos pelas nossas bandas favoritas, atores,

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atletas, super-heróis, etc. A Socialização é o processo através do qual o indivíduo se integra no grupo em que nasceu adquirindo os seus hábitos e valores característicos. É através da socialização que o indivíduo pode desenvolver a sua personalidade e ser admitido na sociedade. A socialização é, portanto, um processo fundamental não apenas para a integração do indivíduo na sua sociedade, mas também, para a continuidade dos sistemas sociais.

É o processo de integração do indivíduo numa sociedade, apropriando comportamentos e atitudes, modelando-os por valores, crenças, normas dessa mesma culturas em que o indivíduo se insere.

 Socialização primária: onde a criança aprende e interioriza a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que se pertence. A socialização primária tem um valor primordial para o indivíduo e deixa marcas muito profundas em toda a sua vida, já que é aí que se constrói o primeiro mundo do indivíduo.

 Socialização secundária: todo e qualquer processo subsequente que introduz um indivíduo já socializado em novos sectores do mundo objetivo da sua sociedade (na escola, nos grupos de amigos e amigas, no trabalho, nas atividades dos países para os quais visita ou emigra, etc.), existindo uma aprendizagem das expectativas que a sociedade ou o grupo depositam no indivíduo relativamente ao seu desempenho, assim como dos novos papéis que ele assumirá nos vários grupos a que poderá pertencer e nas várias situações em que pode ser colocado.

FIGURA 5: Desenvolvimento da socialização primaria e afetividade.

6. COORDENAÇÃO GLOBAL

Coordenação global diz respeito à atividade dos grandes músculos e depende da capacidade de equilíbrio postural do indivíduo.

Através da movimentação e da experimentação, o indivíduo procura seu eixo corporal, vai se adaptando e buscando um equilíbrio cada vez melhor. Consequentemente, vai coordenando seus movimentos, vai se conscientizando de seu corpo e das posturas.

Quanto maior o equilíbrio, mais econômico será a atividade do sujeito e mais coordenadas serão as suas ações.

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A coordenação global e a experimentação levam a criança adquirir a dissociação de movimentos. Isto significa que ela deve ter condições de realizar múltiplos movimentos ao mesmo tempo, cada membros realizando uma atividade diferente, havendo uma conservação de unidade de gesto.

Exemplo (Figura 6) : quando uma pessoa toca piano, a mão direita executa a melodia, à esquerda o acompanhamento e o pé direito à sustentação. São três movimentos diferentes que trabalha junto para conseguir uma mesma tarefa.

FIGURA 6: Realização de atividades que necessita de grandes esforços

7. COORDENAÇÃO FINA

Coordenação fina diz respeito à habilidade e destreza manual e constitui um aspecto particular da coordenação global.

Só possuir uma coordenação fina não é suficiente. É necessário que haja também um controle ocular, isto é, a visão acompanhando os gestos da mão. Chamamos isto de coordenação óculo-manual ou viso-motora.Exemplo (Figura 7) :Escrita.

O desenvolvimento da escrita depende de diversos fatores:

• Maturação geral do sistema nervoso;

• Desenvolvimento psicomotor geral;

• Coordenação global do ato de sentar;

• Desenvolvimento da motricidade fina dos dedos da mão;

• Dissociação e controle dos movimentos;

• Controlar a pressão gráfica exercida sobre o lápis e o papel, para alcançar maior destreza e consequentemente maior velocidade no movimento.

Portanto, a escrita implica, em uma aquisição de destreza manual organizada a partir de certos movimentos, a fim de reproduzir um modelo.

FIGURA 7: Desenvolvimento da escrita.

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CONCLUSÃO

Diante dos fatos mencionados, assim como as demais áreas do conhecimento, a educação física tem um papel importante na formação das pessoas, pois objetiva ajudá-los a tomar consciência de seu corpo e a trabalhar o equilíbrio emocional e a autoestima.

Ao participar de uma aula dessa área do conhecimento, o aluno tem a oportunidade de lidar com suas limitações e potencialidades, com a satisfação proporcionada pela superação de limites ou com a frustração de viver o fracasso. Aprende a cooperar com o grupo, dividir um objetivo comum e respeitar os outros. Com isso, a criança vai construindo e reconstruindo conceitos por meio da sua percepção de mundo, na qual o corpo é o termo de referência. É através das relações espaciais que nos situamos no meio em que vivemos.

REFÊRENCIAS

1. Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/ acessado em 19/11/2012 às 02:09 horas.

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2. MORAIS,Antonio M.P. Distúrbios da aprendizagem uma abordagem psicopedagógica, EDICON São Paulo – 1997.

3. ROSS,Paulo Fundamentos biopsicossociais do desenvolvimento humano, IBPEX Curitiba – 2003.

4. OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque psicopedagógico, Petrópolis, Ed. Vozes, Rio de Janeiro- 1991

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