Lesões musculares - Apostilas - Fisioterapia, Notas de estudo de . Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
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Gustavo_G27 de Fevereiro de 2013

Lesões musculares - Apostilas - Fisioterapia, Notas de estudo de . Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Apostilas sobre o estudo das lesões musculares. Tipos de fibras musculares, fisiologia da contração, histologia e fisiopatologia, tratamento, exercícios, avaliação.
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Lesões musculares

Existem três tipos de fibras musculares. Suas características diferenciam-se quanto a: estrutura, fisiologia e metabolismo.

Fibras Tipo I: fibras de contração lenta, porem mais resistente a fadiga. Metabolicamente, são dotadas de muitas mitocôndrias(organelas responsáveis pelo metabolismo aeróbio), enzimas aeróbias e capilares sanguíneos (microvasos sanguíneos que facilitam a perfusão de oxigênio pelos músculos). Por isso, são dotadas de uma alta capacidade para oxidar (queimar) gorduras, carboidratos e, inclusive, ácido lático;

Fibras Tipo II: subdivididas em:

Tipo II A: possuem características contrateis rápidas, ou seja, contraem-se rapidamente, mas são dotadas de características metabólicas semelhantes as fibras de contração lenta. Possuem uma capacidade oxidativa razoável, inferior à contração lenta, mas que pode aumentar consideravelmente. No entanto, seu verdadeiro potencial esta no metabolismo anaeróbio de media duração (1 a 3 min). As fibras II A são capazes de gerar energia independentemente da presença de oxigênio, produzindo como subproduto de seu trabalho o ácido láctico;

Tipo IIB: são chamadas de fibras de contração rápida verdadeiras, pois sua velocidade de contração é rápida e suas propriedades metabólicas possuem um baixo caráter oxidativo e um alto potencial para o fornecimento de energia de curta(1 a 50 segundos) e media (1 a 3 min) duração.

Vários fatores podem influenciar na gênese de lesões musculares, quanto ao nível da atividade. Entre eles, destacam-se a freqüência, a intensidade e a duração das atividades. Os traumas esportivos, as lesões musculares estão entre as mais freqüentes.

Fisiologia da Contração

A fisiologia da contração muscular ocorre por varias etapas e, do estimulo da contração muscular ate a sua execução, as etapas são as seguintes.

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- um potencial de ação trafega ao longo de um nervo motor ate suas terminações nas fibras musculares;

- em cada terminação, o nervo secreta uma pequena quantidade de substancias neurotransmissora, a acetilcolina;

- essa acetilcolina atua sobre uma área localizada na membrana da fibra muscular, abrindo numerosos canais acetilcolina-dependentes dentro de moléculas protéicas na membrana da fibra muscular;

- a abertura destes canais permite que uma grande quantidade de íons sódio flua para dentro da membrana da fibra muscular no ponto terminal neural. Isso desencadeia potencial de ação na fibra muscular.

- o potencial de ação cursa ao longo da membrana da fibra muscular da mesma forma como o potencial de ação cursa pelas membranas neurais;

- o potencial de ação despolariza a membrana da fibra muscular e também passa para profundidade da fibra muscular, onde o faz com que o reticulo sarcoplasmático libere para os miofibrilas grande quantidade de íons cálcio, que estavam armazenados no interior do reticulo sarcoplasmático;

- os íons de cálcio provocam grandes forças atrativas entre os filamentos de actina e miosina, fazendo com que eles deslizem entre si, o que constitui o processo contrátil;

- após fração de segundo, os íons de cálcio são bombeados de volta para o reticulo sarcoplasmático, onde permanecem armazenados ate que um novo potencial de ação chegue; essa remoção dos íons cálcio da vizinhança das miofibrilas põe fim à contração.

O mecanismo de contração muscular será demonstrado a teoria dos filamentos deslizantes, uma serie de hipóteses é admitida para explicar como os filamentos deslizantes desenvolvem tensão e encurtam-se, umas delas é a seguinte:

- com o sitio de ligação de ATP livre, a miosina se liga fortemente a actina;

- quando a molécula de ATP se liga a miosina, a conformação da miosina e o sitio de ligação se tornam instáveis liberando a actina.

-a religação com a actina provoca a liberação do ADP e a cabeça da miosina se altera novamente voltando a posição de inicio, pronta para mais um ciclo.

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Histologia e fisiopatologia

As lesões musculares podem surgir de forma direta, como contusões dentro da atividade esportiva, ou indireta, frequentemente por contração excêntrica ou concêntrica. As lesões musculares durante a contração excêntrica são as lesões indiretas mais freqüentes no esporte e serão discutidas aqui discutidas. A contração excêntrica esta associada a maior tensão desenvolvida na unidade musculotendinea. Os músculos considerados sob risco são os músculos biarticulares, como o quadríceps, os isquiotibiais e o tríceps sural, nos quais a tensão gerada durante atividade física pode ser ainda maior por atravessarem mais de uma articulação.

Lesões musculares ocorrem com maior freqüência em atletas de velocidade durante esportes como o atletismo e o futebol. O tipo de fibra muscular também representa uma predisposição a lesões por estiramento. Músculos com predomínio de fibras tipo II geram maior força que fibras tipo I, estando, portanto, mais associados a lesões.

O aquecimento pode prevenir as lesões musculares, e isto se deve a características da unidade muscular – nota-se que, quando se aquecem as fibras, o potencial de resistência ao alongamento sem ruptura é maior. Contudo, também é sabido que a fadiga muscular diminui a resistência muscular ao estiramento, sendo atualmente um dos mais importantes fatores relacionados à lesão. A lesão muscular por estiramento gera desarranjo da unidade de contração muscular, que é representada pela actina e miosina, ancoradas as linhas Z dentro do sarcômero. Histologicamente, na ocorrência de uma lesão , nota-se a perda do arranjo desta linha Z, a qual é como o local mais frágil desta microestrutura.

TRATAMENTO

As lesões musculares por trauma direto são mais comuns em esportes de contato ou em

quedas (algum tipo de impacto), como as contusões ou lacerações.

As lesões indiretas, como os estiramentos, ocorrem principalmente em esportes que exigem grande potência muscular, como o ciclismo (e mountain bike) e a corrida.

O estiramento muscular ocorre quando o músculo é exigido além da força que suas fibras podem gerar, geralmente em movimentos de desaceleração ou por traumas repetitivos (stress).

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Existem grupos musculares mais propensos à lesão, como os músculos posteriores da coxa, o gastrocnêmio (um dos músculos da panturrilha), os adutores do quadril (musculatura interna da coxa) e o reto femural (uma das porções do quadríceps).

Os objetivos do tratamento de reabilitação nas fraturas são: prevenção de deformidades, analgesia, redução do edema, ganho de amplitude de movimento(ADM), fortalecimento muscular(FM), coordenação motora, reeducação da marcha e treino de atividade de vida diária(AVD).

Tratamento

Clinico

Analgésicos e antiinflamatorios não-hormonais (AINH), de um modo geral, melhoram a dor e diminuem a exuberância da fase inflamatória inicial pós lesão.

Imobilização

Dependendo do caso, imobilização de 3 a 7 dias costuma ser recomendada para diminuir a dor e melhorar a organização secundaria das fibras musculares de reparo. Não se recomenda prolongar esta imobilização por muito tempo, pois isso pode fazer o tecido cicatricial se tornar muito exuberante, o que se propicia lesões futuras.

Gelo

Utilizado de rotina na lesão muscular aguda, sempre associado a uma compressão músculo acometido. Recomenda-se a utilização de gelo com compressão por um período Maximo de 20 a 25 min, em intervalos de 3 a 4 horas, ate que se inicie a fisioterapia.

Muletas

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Podem ser rocomendadas para ajudar na deambulação em casos de lesões musculares dos membros inferiores.

Exercícios

São realizados na fisioterapia e pelo próprio paciente, em caso de orientação supervisionada. Visam a fazer que a capacidade aeróbia seja mantida, alem de funcionarem de forma preventiva para diminuir a atrofia muscular que pode acorrer na musculatura subjacente.

Fisioterápico

A fisioterapia pode utilizar lases, ultra-som, ondas curtas e técnicas de eletroestimulação.

Tão logo o paciente tenha um arco de movimento indolor, a fisioterapia pode se iniciada ( em caso de atletas profissionais, geralmente o tratamento fisioterápico é iniciado de forma mais precoce, logo após o diagnostico medico).

Cirúrgico

São raras as indicações de cirurgia para tratamento de lesões do ventre muscular. Contudo, nos casos de desinserções e avulsões ósseas ou lesões na estrutura tendinea, o tratamento cirúrgico geralmente é recomendado, quando as lesões são completas.

Avaliação

O diagnostico preciso da lesão é fundamental para o sucesso do tratamento de reabilitação. A abordagem terapêutica será tanto mais eficaz quanto maior for a compreensão da fisiopatologia e do mecanismo da lesão. A avaliação clinica, anamnese e semiologia fundamentam o diagnostico. Quando necessário, os exames sudsidiarios completam o raciocínio clinico.

A anamnese inicia-se com a queixa e duração, obedecendo a uma sequencia tal que nos permita caracterizar adequadamente a lesão. A caracterização do quadro álgico deve incluir localização,

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tipo, intensidade, irradiação, fatores associados de melhora e piora. Ao final da anamnese devemos ter dados suficientes para caracterizar com minúcia a lesão. Incluímos, também, perguntas que caracterizem a freqüência, a intensidade e a duração da atividade física praticada. A analise biomecânica da modalidade em questão fornece dados importantes para se caracterizar a fisiopatologia especifica da lesão em atletas. Essas correlações são fundamentais , inclusive pelo aspecto preventivo.

A semiologia clinica deve constar de inspeção estática, com a qual analisaremos comparativamente a simetria corporal, assim como os sinais inflamatórios (aumento do volume, hematomas, hiperemia), deformidade, hipotrofias. A seguir, na inspeção dinâmica, devemos avaliar as amplitudes de movimentos articulares, assim como força e elasticidade musculares. Existe uma infinidade de testes para cada articulação, que adequadamente realizados reforçam o raciocínio clinico. A limitação do movimento, que por obstáculos mecânicos, quer pelo quadro álgico, também deve ser claramente definida. A palpação nos informa sobre a localização precisa da lesão (palpação dolorosa), caracteriza a magnitude dos sinais flogisticos, através de temperatura local, extensão de hematomas e edemas e constata coleções liquidas intrae extra- articulares. Através dela podemos sentir os desníveis osteoarticulares, as saliências musculares e as crepitações entre superfícies teciduais. Finalizaremos a semiologia através dos testes neurológicos e vasculares, nos quais serão avaliados os reflexos profundos, a sensibilidade tátil, térmica e dolorosa, as irradiações nevrálgicas e os déficits vasculares localizados.

Lianza, Sergio - Medicina de Reabilitação, 4ª edição Editora Guanabara Koogan

Após a lesão, inicia-se a regeneração muscular, com uma reação inflamatória, entre 6 e 24 horas após o trauma.

O processo de cicatrização inicia-se cerca de três dias após a lesão, com estabilização em duas semanas.

A restauração completa pode levar de 15 a 60 dias para se concretizar.

As lesões podem ser classificadas do grau I ao IV, dependendo da gravidade da lesão.

No atleta, existe uma seqüência ótima de eventos que é influenciada por:

● gravidade da lesão;

● idade;

● vascularização dos tecidos;

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● nutrição;

● genética;

● alterações hormonais;

● nível de atividade.

O papel do fisioterapeuta é diminuir o tempo de reabilitação do atleta, mas não se pode

alterar o tempo de cicatrização do tecido!!!

O período de maior vulnerabilidade de reincidência da lesão é quando o atleta está sentindo-se confortável, sem dor, e retorna à atividade antes que tenha ocorrido uma cura adequada!!!

Os sintomas do estiramento muscular são:

● dor aguda (fisgada, fincada);

● edema (inchaço);

● hematoma (se a lesão for mais grave);

● perda da função e defeito palpável (se for lesão completa).

Os objetivos do tratamento fisioterapêutico são de controlar a inflamação, a restauração da função normal da musculatura envolvida e a remoção de aderências.

Tratamento imediato:

● gelo local – 20 minutos 3 X ao dia – ajuda a diminuir o processo inflamatório;

● medicamento anti-inflamatório ou relaxante muscular (uso oral e/ou tópico);

● repouso relativo – depende da gravidade da lesão e do tempo de cicatrização;

Após 2 ou 3 dias deve-se iniciar o tratamento fisioterapêutico, com ênfase na mobilidade, fortalecimento muscular e melhora da resistência, buscando a funcionalidade total do atleta.

Mobilidade precoce = resistência das fibras à tensão + organização das fibras +

vascularização adequada Þ PREVINE ATROFIA MUSCULAR

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EVITAR na fase aguda:

● imobilização – pode levar à atrofia muscular;

● infiltração anestésica local no momento da lesão – para não “mascarar” a lesão;

● calor local nas primeiras horas;

● massagens locais e alongamentos no local da lesão nos instantes iniciais ou nos primeiros dias.

Os alongamentos devem iniciar após a fase aguda inicial e devem ser de intensidade leve, apenas para reorganizar as fibras musculares e prevenir aderências. Pode ser realizado após a aplicação de calor local.

OBS: Se você já teve uma lesão muscular e esta não foi tratada adequadamente, pode ser que sempre que você for alongar esta musculatura você sinta uma fisgada (muitos atletas amadores relatam isso) – pode ser uma fibrose no local da lesão

O retorno do atleta ao esporte dá-se de forma gradativa, com liberação completa ao esporte quando o atleta se encontrar nas mesmas condições pré-lesão e sentir segurança para retornar.

O que fazer para evitar?

● SEMPRE alongar antes e depois das atividades;

● Não esquecer do período de aquecimento e desaquecimento;

● Não aumentar o volume de treino drasticamente;

● Fazer uma preparação muscular adequada, evitando desequilíbrios entre a musculatura – uns músculos muito fortes e outros muito fracos.

As lesões musculares podem se tornar crônicas, (lesões degenerativas com perda permanente da integridade do tecido muscular) ou até patologias mais sérias, o que propicia a reincidência da lesão e o afastamento do atleta ao esporte.

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