Manejo Reprodutivo Bovino - Apostilas - Veterinaria, Notas de estudo de . Centro Universitário de Caratinga (UNEC)
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Roxana_Br27 de Fevereiro de 2013

Manejo Reprodutivo Bovino - Apostilas - Veterinaria, Notas de estudo de . Centro Universitário de Caratinga (UNEC)

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Apostilas sobre o manejo reprodutivo bovino. Período de monta, fertilidade de touros, exigências nutricionais, inseminação artificial e controle do ciclo estral, programas de cruzamento.
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1. INTRODUÇÃO

O manejo reprodutivo é fundamental para elevar os índices produtivos do rebanho. O manejo reprodutivo da fêmea envolve os vários eventos da vida do animal: desmama, puberdade, parto, período de serviço, idade à primeira cria, intervalo de partos e manejo pré- parto. Do manejo adequado desses eventos, depende a eficiência reprodutiva do animal e do rebanho como um todo. A vida útil produtiva de uma fêmea envolve fases importantes que dependem de um conjunto de decisões fundamentais a serem tomadas, visando maior produtividade e lucratividade.

Vários programas de melhoramento genético animal foram implementados no Brasil, para várias raças bovinas de corte, utilizam como critérios de seleção, características de crescimento, de fertilidade e morfológicas. Dentre as características de fertilidade, o perímetro escrotal tem sido utilizado com vistas ao aprimoramento da eficiência reprodutiva dos rebanhos bovinos.

2. DESENVOLVIVENTO

2.1 Período de Monta

Para vacas adultas, a meta ideal para a duração da estação de monta deve ser de 60 a 90 dias. Para novilhas, esse período não deve ultrapassar a 45 dias, e tanto seu início como final

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devem ser antecipados em pelo menos 30 dias em relação ao das vacas. Essa antecipação visa, principalmente, a proporcionar às novilhas, por estarem ainda em crescimento e lactação, tempo suficiente para a recuperação do seu estado fisiológico e iniciar o segundo período de monta, junto com as demais categorias de fêmeas.(Valle , 2000)

O estabelecimento de um período de monta é uma prática de fácil adoção e sem custo para o produtor. No entanto, deve se evitar a mudança brusca do sistema tradicional (monta o ano inteiro) para o de curta duração, devido ao elevado número de fêmeas que terão que ser descartadas. Em geral, devido à sazonalidade da produção das forrageiras, ocorre uma concentração natural dos nascimentos durante o período seco do ano, ideal para os bezerros. Com base nesses nascimentos, pode-se estabelecer a duração da estação de monta. No primeiro ano, esse período pode se estender de outubro a março (seis meses) e, nos anos seguintes, ela deve ser ajustada gradativamente, eliminando-se os meses correspondentes aos de poucos nascimentos, até a obtenção do período ideal. Deve-se ter como meta elevados índices de concepção no primeiro mês de monta, para que os nascimentos se concentrem no início da época de parição e as vacas tenham tempo suficiente para recuperar seu estado fisiológico. Além do mais, os bezerros nascidos nesse período são os que apresentam o maior peso à desmama.(Andreotti,2000)

2.2 Fertilidade de touros

O impacto da fertilidade do touro no desempenho reprodutivo do rebanho é diversas vezes mais importante do que o da vaca, pois a expectativa é de que cada touro cubra pelo menos 25 vacas. Touros de baixa fertilidade, por permanecerem longo tempo no rebanho, causam grandes prejuízos na produtividade do sistema, quando não diagnosticados em tempo hábil.

Além disso, deve-se lembrar que eles contribuem com a metade do material genético de todas as crias, enquanto é esperada de cada vaca a desmama anual de um bezerro. Para eliminar as perdas causadas por sub- fertilidade e infertilidade, a capacidade reprodutiva dos touros deve ser avaliada antes da monta, por meio de um exame andrológico completo. Essa avaliação deve ser conduzida de modo a possibilitar tempo suficiente para a substituição e adaptação dos touros adquiridos. Desde que os touros a serem avaliados não sofram restrição alimentar, durante a seca, o exame poderá ser feito em torno dos 60 dias antes do início da estação de monta. Essa avaliação deve incluir um exame físico, onde são observadas todas as condições que possam interferir com a habilidade de monta, tais como, defeitos de aprumos, condição corporal, incidência de doenças, problemas respiratórios e de dentição. Exame do trato reprodutivo, para diagnóstico de anormalidades dos órgãos genitais internos (glândulas vesiculares, ampolas do duto deferente e próstata) e externos (pênis, prepúcio, escroto, consistência do testículo, epidídimo, perímetro escrotal e cordão espermático). O perímetro escrotal é um excelente indicador da produção espermática e da precocidade sexual das filhas e

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irmãs. As avaliações testiculares relacionadas com a produção espermática (circunferência escrotal) e com a qualidade (consistência testicular) apresentam-se como um importante indicativo de peso corporal e produção espermática de um touro em crescimento (Coulter & Foote 1979). Lunstra et al. (1985) evidenciaram que a circunferência escrotal à puberdade (27,9 ± 0,2 cm), em gado europeu, é relativamente constante entre raças puras e seus mestiços. A circunferência escrotal é obtida facilmente e poderá ser utilizada para a seleção de touros de corte para maturidade sexual precoce. A coleta do sêmen pode ser realizada através da vagina artificial, através da utilização de eletro ejaculadores, ou pela massagem das vesículas seminais e ampolas dos dutos deferentes . Quanto as características físicas, no ejaculado é avaliado o volume, aspecto (cor e aparência), osmolaridade, pH, turbilhonamento ou movimento de massa, motilidade, vigor e concentração com a contagem na Câmara de Neubauer- hemocitômetro. O exame andrológico completo fundamenta-se na avaliação de todos os fatores que contribuem para a função reprodutiva normal do macho. Por esse exame podem ser detectadas alterações do desenvolvimento do sistema genital, alterações regressivas, progressivas e inflamatórias nos diversos órgãos, bem como distúrbios na libido e na habilidade de cópula. Essas alterações levam tanto à incapacidade de fecundação como de monta, em vários graus, caracterizando quadros de subfertilidade ou de infertilidade.

Com relação aos touros mais jovens, recomenda-se que sejam colocados com as novilhas, pois eles poderão ter dificuldades em cobrir as vacas adultas. Outro ponto importante é não colocar no mesmo pasto touros adultos e jovens, pois os adultos, devido à dominância social, poderão impedir o desempenho.(Valle,2000)

2.3 Sistemas de acasalamento

Os principais sistemas de acasalamento são a monta controlada ou dirigida, a monta em campo e a inseminação artificial. Na monta controlada, o touro é mantido separado das vacas durante a estação de monta. Quando uma fêmea é detectada em cio ela é trazida para junto do touro onde permanece até a cobrição. São efetuada apenas uma monta ,quando são efetuadas duas cobrições, uma pela manhã e outra à tarde, as probabilidades de concepção são maiores. Esse método de acasalamento pode ser usado quando se deseja conhecer a paternidade. O desgaste dos touros é menor, mas existe a possibilidade de erros na identificação dos animais em cio, além do trabalho em separar e conduzir os animais para a monta.

O sistema de acasalamento mais empregado na pecuária de corte extensiva é a monta em campo. Nesse regime de acasalamento, os touros permanecem junto ao rebanho de fêmeas durante toda a estação de monta, eliminando o trabalho diário de identificação dos animais em cio e a condução destes ao curral, para inseminação. Esse sistema onde vários touros são mantidos no mesmo pasto com as fêmeas é denominado de acasalamento múltiplo. As principais desvantagens são o desconhecimento da paternidade das crias, que impossibilita a comparação do desempenho reprodutivo e produtivo dos diferentes touros, e o desgaste destes devido ao número repetido de cobrições que uma mesma fêmea recebe de um ou mais touros. No entanto, em rebanhos comerciais, essas desvantagens são compensadas pela economia de

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mão de obra e a certeza de que a maioria das fêmeas irá conceber durante uma determinada estação de monta. No regime de acasalamento simples, cada lote de fêmeas é mantido com um único touro. A maior vantagem é a identificação da paternidade das crias, a um custo menor quando comparado à monta dirigida ou controlada. Neste sistema, o conhecimento da fertilidade e da capacidade reprodutiva do touro é de vital importância, pois qualquer falha na seleção poderá resultar em índices de concepção insatisfatórios.(Thiago, 2000)

Com relação à inseminação artificial, observa-se que tanto no Brasil como nos Estados Unidos, somente de 3% a 5% do rebanho bovino de corte utiliza a inseminação artificial. Uma das grandes limitações à sua expansão está relacionada com o sistema extensivo de exploração da pecuária. A dificuldade na identificação correta do cio, os problemas associados com o aparte, condução, contenção e inseminação diária dos animais e os custos envolvidos na implantação do processo têm sido apontados como os principais fatores limitantes à sua adoção por um maior número de produtores. No entanto, convém lembrar que esta tecnologia proporciona ao produtor a oportunidade de melhorar o desempenho produtivo do seu rebanho, mediante a utilização do sêmen de reprodutores de alto potencial genético. Para compensar as possíveis perdas resultantes de falhas no processo de observação do cio e inseminação, é recomendável que após o período de inseminação seja efetuado um repasse com touros. Com a expansão dos programas de cruzamento, a procura pela inseminação artificial vem aumentando gradativamente.

2.4 Exigências Nutricionais

A nutrição é um dos fatores que mais influenciam o desempenho reprodutivo do rebanho de cria. Assim, durante as diversas fases reprodutivas há necessidade de que os níveis de proteína, energia, minerais e vitaminas sejam suficientes para atender às exigências nutricionais das matrizes.Durante o terço final de gestação das novilhas de primeira cria, a demanda pelos minerais cálcio e fósforo aumenta em 66%, comparada ao terço inicial. A necessidade de energia e proteína também aumenta em 55% e 43%, respectivamente. Como o terço final de gestação ocorre na seca, a restrição alimentar nesse período pode prejudicar muito o desenvolvimento do feto e o desempenho reprodutivo desses animais. As exigências nutricionais da vaca de cria são maiores na fase de lactação, quando comparadas ao terço final de gestação.

A necessidade de proteína digestível é superior a 14% e a de energia a 13%, enquanto as exigências para cálcio e fósforo são similares. Nesse período, além da recuperação do estresse do parto, ocorre o pique da produção de leite. Logo, há necessidade de reservas nutricionais extras para promover o restabelecimento da atividade reprodutiva. Como as parições ocorrem de agosto a setembro, próximas ao início do período das águas, grande parte dessas exigências é atendida pelas forrageiras disponíveis, desde que, ao parto, as fêmeas apresentem condições corporais de moderada a boa. Em determinadas situações, como atraso do início das chuvas,

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haverá necessidade de se utilizar alternativas de manejo para garantir que as exigências nutricionais sejam atendidas sem comprometer a fertilidade do rebanho. Dessas, destaca-se a desmama precoce ou antecipada. Novilhas de primeira cria, por estarem ainda em crescimento, apresentam exigências nutricionais muito elevadas, sendo, portanto, a primeira categoria a ser favorecida com a desmama antecipada. A fase da vida reprodutiva, da vaca de cria, que apresenta o menor requerimento nutricional é a da desmama até, aproximadamente, os 60 dias antes do parto. Este período, quando adotada a estação de monta de novembro a janeiro, coincide com o período seco do ano, quando a oferta de forragens de boa qualidade também é menor. No entanto, essa disponibilidade de forragem é suficiente apenas para a manutenção do peso corporal e do desenvolvimento do feto. Logo, vacas com condições corporais inadequadas à desmama devem ser separadas das demais e suplementadas para melhoria do estado corporal. Durante os dois últimos meses de gestação, o feto cresce rapidamente e a vaca necessita de nutrientes adicionais para mantê-lo forte e saudável.

É recomendável que a vaca ganhe, durante a gestação, pelo menos o equivalente ao peso do feto e da placenta (40 a 50 quilos), para que apresente boa condição corporal ao parto. A nutrição inadequada durante o terço final de gestação produz bezerros fracos e atrasa o retorno do cio pós-parto, e após o parto reduz a produção do leite, atrasa o retorno da atividade reprodutiva e diminui os índices de concepção. Portanto, as vacas precisam apresentar, ao parto, condições corporais de moderadas a boa, para a obtenção de altos índices de concepção ao início do período de monta. A perda acentuada de peso e da condição corporal antes e após o parto reduzem substancialmente as taxas de prenhez e o peso dos bezerros à desmama.

2.5 Preparo de touros e vacas para a monta

As vacas, ao início da estação de monta, devem apresentar boa condição corporal, estar ciclando normalmente e livres de doenças que comprometam a fertilidade. Além disso, deve ser realizado o exame físico do úbere, para identificar a possibilidade de disfunção dos quartos. A mastite bovina pode ser um problema no pós-parto, diminuindo a oferta de leite para o bezerro, depreciando a qualidade nutritiva deste e pela possibilidade de infectar o bezerro, com algum agente infeccioso. Na maioria das doenças da esfera reprodutiva, o sintoma mais comum é a repetição de cio. No entanto, a ocorrência de abortos nem sempre é observada, principalmente quando ocorre no terço inicial da gestação, devido ao sistema de manejo. A presença de um médico-veterinário é indispensável , tanto na condução do diagnóstico quanto no controle do manejo sanitário.

2.6 Inseminação artificial e controle do ciclo estral.

O principal objetivo da inseminação artificial é promover a melhoria da base genética do rebanho por meio da utilização de sêmen de reprodutores de elevada capacidade produtiva e reprodutiva e que possuam habilidade de transmitir características de importância econômica.

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Podem-se citar também outras vantagens, tais como: o controle de doenças da esfera reprodutiva, a segurança devido à eliminação de touros agressivos, a introdução de raças europeias e a disponibilidade de registros reprodutivos, necessários para a análise de desempenho do rebanho. Na pecuária de corte, o sistema extensivo de criação tem dificultado a adoção da inseminação artificial, por causa da dificuldade na observação diária do cio, por longos períodos. Para facilitar a sua utilização, diversos métodos de sincronização do cio foram desenvolvidos. Eles têm como objetivo principal reduzir o tempo e o trabalho necessários à observação do cio e à inseminação, pela concentração desses num curto espaço de tempo. Essa prática tem excelente potencial para a melhoria do desempenho reprodutivo, mas requer bom gerenciamento.(Asbia, 2012)

2.7 Programas de cruzamento

O produtor de bovinos de corte tem a oportunidade de melhorar a produtividade do sistema de cria e a qualidade do produto por meio de um programa de cruzamento. O cruzamento pode ser definido como o acasalamento entre duas ou mais raças com a finalidade de se utilizar a heterose ou vigor híbrida nas crias. Pela utilização dessa heterose pode-se aumentar a performance reprodutiva, a taxa de sobrevivência, a habilidade materna, a taxa de crescimento e a longevidade do rebanho. O cruzamento pode também ser utilizado para combinar e sincronizar as características desejáveis de diferentes raças bovinas, de acordo com a necessidade do mercado e da disponibilidade de alimentos, para diferentes sistemas de produção. O “desempenho” reprodutivo dos animais mestiços é superior à dos puros, devido à maior precocidade, maior peso das crias a desmama e maior taxa de sobrevivência. Embora os índices de natalidade possam ser semelhantes entre animais mestiços e puros, essas características permitem que a produtividade seja maior (quilos de bezerro desmamado por hectare/ano) nos rebanhos mestiços.(Sereno,1992)

O programa de cruzamento é formado pelos sistemas de cruzamento. Cada sistema deve ser desenvolvido para atender às necessidades específicas de um determinado sistema de produção. Diversos fatores devem ser considerados na escolha de um sistema de cruzamento, dos quais se destacam-se : ambiente ; exigência do mercado; mão de obra disponível ; nível gerencial; sistema de produção ; viabilidade de uso da inseminação artificial ; objetivo do empreendimento ; número de fêmeas e tamanho do pasto.

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4. CONCLUSÕES

Concluímos que a melhoria da eficiência reprodutiva, em sistemas de baixa produtividade, depende de não só do investimento e sim do gerenciamento e do conhecimento nos sistemas e produção, como por exemplo, o período de cobrição. Assim proporcionando a concentração dos nascimentos na época mais adequada. Consequentemente além do aumento da produtividade haverá uma maior oferta de produto de melhor qualidade.

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5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

SERENO,B.R.J ; PELLEGRIN ,A .O . Estudo da fertilidade de touros do pantanal mato-grossense: N°13,jul./92,p.1-8 .

Archive.A// Exame Andrológico: fundamental para reprodução bovina//Revista veterinária.// quinta-feira, dezembro 29th, 2011.

NETO, A.C.M // Zootecnista // Manejo de Touros Simental a Campo.

ASBIA. Associação Brasileira de Inseminação Artificial. Disponível em: Acesso em: 3 junho de 2012.

GIANLORENÇO, V.K ; ALENCAR,M.M ; TORAL, F.L.B; MELLO , S.P. ; FREITAS, A.R ; BARBOSA,F.P . Herdabilidades e Correlações Genéticas de Características de Machos e Fêmeas, em um Rebanho Bovino da Raça Canchim /R. Bras. Zootec., v.32, n.6, p.1587-1593, 2003

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