Mercurio, Notas de aula de Bioquímica. Universidade Federal de Lavras (UFLA)
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jonathan_rocha3 de Julho de 2015

Mercurio, Notas de aula de Bioquímica. Universidade Federal de Lavras (UFLA)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DO SOLO

ELEMENTO “MERCÚRIO”

GRACIELLE DE BRITO SALES

Disciplina: Química ambiental aplicada ao solo

Docente: Luiz Roberto Guilherme

Lavras

Junho 2015

Sumário

1.INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3

2.DEFINIÇÕES E PROPRIEDADE QUÍMICAS DO MERCÚRIO ................... 4

3. UTILIDADE E FONTES DE EMISSÕES DE MERCÚRIO ................................. 5

4.MERCÚRIO NA NATUREZA - CICLO BIOGEOQUIMICO ......................... 6

4.1Processo de biomagnificação do mercúrio ..................................................... 9

5.COMO O MERCÚRIO PODE ENTRAR E SAIR DO MEU ORGANISMO –

ROTAS DE EXPOSIÇÃO ........................................................................................... 10

6.CASOS DE CONTAMINAÇÃO DE MERCÚRIO NO MEIO AMBIENTE . 11

6.1 Minamata-Japão: ................................................................................................ 11

6.2 Garimpeiros de Serra Pelada-Brasil ................................................................. 12

6.3 Contaminação de peixes ..................................................................................... 12

7.COMO MERCÚRIO PODE AFETAR MINHA SAÚDE ................................. 13

8.O QUE PODEMOS FAZER PARA REDUZIR A EXPOSIÇÃO DO

MERCÚRIO? ............................................................................................................... 14

REFERENCIAS ........................................................................................................... 15

3

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas os níveis de mercúrio no ambiente triplicaram devido o resultado da

crescente poluição com os usos industriais, medicinais e domésticos. Este crescimento

desordenado da contaminação por mercúrio ainda é pouco divulgado pela mídia, apesar do

aumento exponencial do risco de exposição perigosa para as pessoas e fauna aquática que

ameaça a segurança de uma das mais importantes fontes mundiais de proteínas. Em décadas

passadas o aumento do uso do mercúrio e os frequentes acidentes ambientais gerou uma

preocupação crescente por parte das autoridades ambientais da maioria dos países.

O mercúrio é um metal pesado o que o torna um poluente tóxico e ubíquo que está entre

os elementos mais bioacumulativos da cadeia alimentar. Muitas características gerais comuns

dos metais simplesmente não se aplicam ao mercúrio pelo fato dele ser líquido em

temperatura ambiente, este fato o torna tão utilizado no mundo moderno. As formas

encontradas do mercúrio são as orgânicas e as inorgânicas que são absorvidos diretamente

pela a água, alimentos ou pela a ingestão dos sedimentos, nos casos dos peixes. No entanto,

é o mercúrio orgânico como metilmercúrio e dimetilmercúrio que mais acumula-se na

maioria dos organismos aquáticos em comparação o mercúrio inorgânico. Por estes motivos

os países desenvolvidos estão cada vez mais preocupados com o risco para as crianças,

devido aos defeitos neurológicos e de desenvolvimento causados pela exposição ao mercúrio.

Este fato demostra o quanto a poluição por mercúrio compromete os direitos humanos mais

básicos como a vida, os alimentos, a água pura, os ambientes de trabalho e a saúde ambiental.

Com isso nas últimas duas décadas o mundo vem mobilizando um enorme esforço,

sobretudo por parte dos países industrializados, na implantação de legislação específica e no

desenvolvimento de tecnologias “limpas”, que resultaram em um decréscimo significativo

na emissão de Hg para o meio ambiente. Todavia esse pensamento entra em conflito com o

atual modelo de desenvolvimento do mundo capitalista a qual a obtenção de riquezas e poder

é o mais importante em contraste as questões sociais e ambientais. Conforme são ditas mais

normas e leis para proibir o mercúrio, cresce na mesma proporção a pressão nos países

industrializados para exportar o mercúrio restante. Isso promove novos desafios às iniciativas

de redução do mercúrio e demandará maior controle sobre o comércio, incluindo proibições

sobre as exportações e as importações.

4

2. DEFINIÇÕES E PROPRIEDADE QUÍMICAS DO MERCÚRIO

O nome do elemento mercúrio foi dado pelos os povos antigos associados ao primeiro

planeta de nosso sistema solar e na mitologia romana o nome é uma homenagem ao Deus

mensageiro dos deuses, filho do Deus Júpiter. O mercúrio é um elemento químico de símbolo

Hg de número atômico 80 e massa atômica igual à 200,5. É um metal líquido na temperatura

e pressão ambiente. Essas características do mercúrio chama a atenção por ser o único metal

com essas propriedades, só o elemento gálio (Ga) se assemelha ao mercúrio conseguindo ser

um metal líquido a partir de 310C à pressão de uma atmosfera. O mercúrio é considerado um

metal pesado e possui 18 isótopos, sendo 7 estáveis e os de número atômico (Z) 202, 200 e

199 que respondem por quase 70% da abundância (Z médio = 200,61).

Este metal divide a família IIB da tabela periódica juntamente com o zinco e o cádmio

possuindo, contudo, um possui um comportamento químico bem diferente destes metais.

Enquanto o zinco e o cádmio são elementos que tem tendência de perder os elétrons ou à

oxidação, o mercúrio é um metal que não doa elétrons com facilidade, ou seja, é relativamente

inerte (pouco reativo) assim como os metais preciosos. O mercúrio é monovalente sob forma

de Hg nos compostos mercurosos como o Hg²O e Hg²Cl² e bivalente nos compostos

mercúricos como o HgO e o HgCl², HgS e Hg(CNO)². Na forma elementar é um líquido

prateado e inodoro, insolúvel na água e solúvel no ácido nítrico. É um elemento perigoso

quando inalado, ingerido ou em contato com a pele, pois pode ser absorvido pelo o organismo

e cair na corrente sanguina. O mercúrio comporta como um metal nobre sendo pouco reativo

e seu vapor é monoatômico muito parecido os gases nobres.

Tabela 1. Propriedades físico química de alguns compostos de mercúrio.

Fonte: adaptado PUC Rio nº 0221054/CA

Propriedade Hg HgCl2 HgO HgS CH3HgCl

Temperatura de

fusão (ºC)

-39 277 + 500

(decompõe)

584

(sublimação)

167

(sublimação)

Temperatura de

ebulição (ºC)

357

a 1 atm

303 a 1 atm - - -

Pressão de vapor

(Pa)

0,18

a 20 ºC

8,99 x 10-3

a 20 ºC 9,20 x 1012 a

25 ºC

n.d 8,30 x 10-3 a

25ºC

Solubilidade na

água (g/l)

49,4 x 10-6

a 20 ºC

66 a 20 ºC 5,3 x 10-2 a

25 ºC

2 x 10-24 a

25ºC

2,95 a 24ºC

5

Um fato bastante interessante é que pelo menos cerca de 25 minerais contidos no manto

terrestre contêm mercúrio e que a concentração média do metal na crosta terrestre é 0,5 ppm

(µg.g-1). Atualmente o principal mineral para extração do mercúrio é o cinábrio (HgS) que

contendo 82% de mercúrio. Os principais depósitos e minas estão localizados em Almadem

(Espanha), Idria (Eslovênia) e Monte Amiata (Itália).

3. UTILIDADE E FONTES DE EMISSÕES DE MERCÚRIO

O mercúrio é usado desde os tempos mais remotos especialmente pelos adeptos da

alquimia, mas sua mobilização maciça por atividades antrópicas só foi iniciada nos séculos

XVI e XVII na expansão da mineração de ouro e prata na América Colonial Espanhola após

revolução industrial. Já nos dias atuais as utilidades do mercúrio são muitas isso devido suas

peculiaridades permitindo atender uma ampla utilidade nas mais diversas áreas. O mercúrio

na forma metálica (liquido) é usado para fabricar os termómetros orais, barómetros,

esfigmotensiómetros, os termostatos de parede para aquecimento ou arrefecimento, lâmpadas

de luz fluorescente, algumas baterias, interruptores de luz elétrica e para vários outros fins.

As pessoas mais velhas devem lembrar que quando criança o mercúrio metálico era esfregado

em moedas para as tornar mais brilhantes esse fato demostra o quanto muitas pessoas não

compreendiam o perigo real da exposição a mercúrio metálico. O mercúrio apresenta várias

aplicações na medicina como mercoquinol e do hidrargirol (parafeniltoniato ou

parafenolsulfonato de mercúrio), este último como antisséptico, assim como outros

compostos de mercúrio.

Por mais que o mundo tem se mobilizado para diminuir o uso do mercúrio nos dias atuais

o mais importante de todos os usos está na fabricação de instrumentos para laboratórios, pois

ainda não foi encontrada um outro elemento que substituía a propriedade do mercúrio. Estes

instrumentos fazem uso das suas mais diversas propriedades físicas, tais como peso

específico, fluidez, condutividade elétrica, grande coeficiente de dilatação além da sua

facilidade de purificação.

O composto orgânico etilmercúrio é a base para o timerosal, empregado para fabricação

de maquiagem, medicações, soluções para ouvido e lentes de contato, colírios, sprays

antissépticos e como conservante em vacinas. O uso deste composto como conservante para

evitar contaminação bacteriana durante a produção e uso de vacinas, o que tem sido

6

gradativamente eliminado em muitos pais devido à conclusão de estudos que apontam a

toxicidade desses compostos de mercúrio para o desenvolvimento neurológico. No Brasil na

década de 1990 principal uso do mercúrio metálico foi sem dúvida o garimpo de ouro na

Amazônia, como discutido por vários autores naquele período como (HACON et al., 1990).

Através de indústrias que queimam combustíveis fósseis, produção eletrolítica de cloro-soda,

produção de acetaldeído, incineradores de lixo, polpa de papel, tintas, pesticidas, fungicidas,

lâmpadas de vapor de mercúrio, baterias, produtos odontológicos, amalgamação de mercúrio

em extração de ouro, entre outros.

Atualmente as maiores quantidades de Hg que entram no país estão contidas em aparelhos

e equipamentos para o setor de saúde e de eletroeletrônicos. Dados do PNUMA (2006)

mostram que a mineração do ouro artesanal ou em pequena escala ainda é responsável por

cerca de 24% da utilização do mercúrio. A produção de PVC (21%), produção de cloro-álcali

(15%), baterias (13%), materiais odontológicos (8%), equipamentos e medição e controle

(7%), equipamentos eletroeletrônicos (7%), sistemas de iluminação (4%) e outros produtos

em geral (tintas, laboratórios, fármacos, usos culturais/tradicionais) os dados são

considerados insignificativos.

4. MERCÚRIO NA NATUREZA - CICLO BIOGEOQUIMICO

As três formas como o mercúrio é encontrado na natureza são o mercúrio elementar

(Hgº), inorgânico e orgânico. Na forma inorgânica o mercúrio pode ser encontrado sob três

diferentes estados de oxidação: o mercúrio elementar (Hg0), o qual se encontra

principalmente na forma de gás (muito volátil), o íon mercuroso (Hg1+), forma pouco estável

em sistemas naturais, e o íon mercúrico (Hg2+). Na forma orgânica, o íon mercúrico encontra-

se ligado covalentemente a um radical orgânico, sendo o metilmercúrio (CH3Hg +) e o

dimetilmercúrio ((CH3) 2Hg) os mais comuns e normalmente ligados a orgânicos naturais.

O mercúrio é um elemento natural de distribuição em todos os compartimentos do planeta

(crosta terrestre, hidrosfera e biosfera) em concentrações variadas. Os seus principais

depósitos são geralmente associados a zonas de atividade tectônica e, devido à sua natureza

é muito encontrado em maior abundância em rochas magmáticas intrusivas, em locais de

vulcanismo (Fitzgerald & Lamborg, 2003). Nos últimos anos as atividades antrópicas estão

redistribuindo esse elemento no ambiente auxiliada pela elevada pressão de vapor,

7

propriedade que propicia que esse metal seja altamente volatizado para atmosfera. A

redistribuição deste elemento por fontes naturais e ações antrópicas está esquematizado na

(Figura 2) também representando o ciclo biogeoquímico.

Figura 2. Ciclo biogeoquímico do mercúrio resumido em toda a biosfera e suas emissões Adaptado de Friberg & Vostal (1972) e Mason et al. (1994).

O mercúrio proveniente de evaporação dos solos, superfícies oceânicas e fontes antrópicas é

oxidada a Hg2+ na presença de água e oxigeno e posteriormente é carreado para a superfície

pela precipitação seca e úmida. O mercúrio inorgânico depositado no solo ou corpos hídricos

é convertido a metilmercúrio pelo processo de metilação realizado por bactérias. O

metilmercúrio é incorporado a quase todas as espécies aquáticas via cadeia alimentar,

incluindo os plânctons, peixes herbívoros e carnívoros. Devido ao seu longo tempo de

residência em organismos por formar fortes complexos com radicais SH ao longo da cadeia

alimentar o resultado é a maior concentração quanto mais elevado for o nível na cadeia

trófica. Deste modo, as maiores concentrações de mercúrio estão na biota como nos tecidos

musculares de peixes carnívoros, e também em populações humanas que tem no pescado sua

principal dieta alimentar.

8

No caso o mercúrio inorgânico é convertido em metilmercúrio e dimetilmercúrio pela

transferência de um ou dois metilcarbânios (CH3 -) ao mercúrio inorgânico pela ação de

microorganismos (bactérias metanogênicas). A metilação pode ocorre em ambiente aeróbico

e anaeróbico, porém o mais comum é onde tem maior taxa de crescimento de bactérias. No

meio anaeróbico é onde ocorre a grande maioria das reações que dá origem ao metilmercurio,

já o dimetilmercurio quase não é formado nestas condições, pois este pode se transformar em

sulfeto de mercúrio insolúvel. O pH elevado favorece o processo de metilação para formar o

dimetilmercurio enquanto em pH mais baixo o metilmercurio é favorecido. O

dimetilmercurio é bastante volátil e rapidamente é perdido para a atmosfera, contrariamente

o metilmercurio é muito estável, portanto permanece na hidrosfera sendo incorporado a

cadeia alimentar. O mercúrio orgânico é altamente instável podendo aparecer de diversas

formas em função de alguns fatores como, pH, teor de matéria orgânica, concentração e meio

aeróbico ou anaeróbico.

Figura 3. Esquema das reações com mercúrio nos diferentes compartimentos da biosfera,

assim como o processo de metilação.

9

4.1 Processo de biomagnificação do mercúrio

A exposição ao mercúrio via cadeia alimentar é consideravelmente maior sobretudo para

consumidores de nível trófico superior, inclusive o homem. Este fato tem como base o

processo de bioacumulação ou biomagnificação, que consiste em um processo pelo qual os

seres vivos absorvem e retêm substâncias químicas no seu organismo maior ou igual à taxa

de eliminação. O grau de biomagnificação de um poluente é influenciado por uma série de

fatores que dependem diretamente do ecossistema. Este fato ocorre devido a propriedade de

algumas substancia de ser indestrutíveis na natureza. É o caso dos elementos traços como do

metal mercúrio que é altamente toxico, pois está sempre alterando a forma química, mas

jamais sendo destruído e sim sendo acumulado ao longo da cadeia trófica.

Figura 3. Esquema representando o processo de biomagnificação ao longo da cadeia trófica.

O mercúrio na sua forma orgânica mais tóxica, metilmercúrio (MeHg), é altamente

bioacumulado em até um milhão de vezes ao longo da cadeia trófica aquática, desde a sua

base (microorganismos e plâncton) até os organismos de topo. Portanto a biomagnificação

do mercúrio é um fenônimo caracterizado pela transferência do MeHg (mercúrio orgânico)

10

através da cadeia trófica. Sendo assim a principal via de exposição do ser humano ao MeHg

e através da ingestão de peixes contaminados, daí a importância da alimentação o mais

diversificado possível.

5. COMO O MERCÚRIO PODE ENTRAR E SAIR DO MEU ORGANISMO

– ROTAS DE EXPOSIÇÃO

A principal via de exposição humana ao Hg ocorre através do consumo de organismos

aquáticos contaminados, principalmente peixes de nível trófico superior (Lacerda & Malm,

2008).A maior preocupação para a comunidade internacional é a contaminação do

suprimento mundial de alimentos. Das três formas básicas de mercúrio encontrada a orgânica

(metilmercurio) é que mais afeta principalmente a fauna aquática e pessoas. A exposição ao

metilmercúrio se concentra no tecido dos peixes, se tornando cada vez mais potente em

peixes predadores e mamíferos que se alimentam de peixes menores. E através do consumo

regular de pescados em sua dieta, toda a população está exposta ao metilmercúrio. Mais de

um bilhão de pessoas em todo o mundo usam os peixes e outros frutos do mar vulneráveis

como sua fonte primária de proteínas. De modo geral, 100% do mercúrio encontrado nos

frutos do mar estão em: atum, cavala-rei, peixe-espada e cação.

Figura 4. Esquema com as principais formas de contaminação por mercúrio.

Já o mercúrio metálico é pouco absorvido no sistema digestivo, mas entra no corpo

através da inalação. A exposição a altos níveis de vapor de mercúrio elementar pode resultar

11

em graves desordens neurológicas. Algumas vezes o mercúrio metálico é transformado em

metilmercúrio até anos após sua liberação inicial. Outra via de exposição é através de

tratamento dentários, onde utiliza-se da amálgama dentária, isto é uma liga barata de prata,

cobre, latão e 50% de mercúrio. Atualmente essa é a maior fonte de exposição humana ao

mercúrio elementar para aqueles que têm amálgama dentária. Os pulmões absorvem

rapidamente de 75 a 85% dos vapores de mercúrio elementar provindos da amálgama

dentária. Uma pesquisa recente confirma que o mercúrio escapa da amálgama dentária e é

convertido em metilmercúrio depois de se combinar com bactérias da boca. Outras vias,

como absorção cutânea, ingestão de água e outros alimentos são possíveis, porém

desprezíveis em relação à exposição através do consumo de peixes contaminados (Clarkson,

1994).

Há uma grande preocupação também com o mercúrio em sistemas de esgoto que é

trazido de volta para o meio ambiente ao passar pelo o tratamento de esgoto e vazar dos

aterros. O caso também pertinente para o esgoto que é usado na agricultura que podem carrear

para rios, lagos, oceanos e lençóis freáticos contamina-os. Há casos que o mercúrio pode ser

distribuído diretamente para a atmosfera pelas emissões aéreas, quando o lodo é incinerado.

O thimerosal, um conservante cuja fórmula contém o mercúrio, inicialmente foi

adicionado às vacinas nos anos 30 para proteger o produto contra a contaminação bacteriana.

A fórmula do composto contém cerca de 50% de mercúrio, e é metabolizado pelo organismo

tornando-se etilmercúrio e tiosalicilato. Embora a toxicidade do etilmercúrio não tenha sido

ainda totalmente avaliada, sua composição é muito parecida com o do metilmercúrio que até

nos dias atuais é discutido.

6. CASOS DE CONTAMINAÇÃO DE MERCÚRIO NO MEIO AMBIENTE

6.1 Minamata-Japão:

Um dos eventos mais clássico de intoxicação por mercúrio ocorreu em 1953, na cidade de

Minamata no Japão. Na época 79 pessoas morreram em consequência direta da intoxicação

por mercúrio. Em Minamata a maioria dos doentes vivia da atividade de pesca consumindo

essa proteína regularmente. Com o passar do tempo, começaram a sentir sintomas como

perda de visão, descordenação motora e muscular. Só mais tarde que descobriram que as

12

deficiências eram causadas pela destruição dos tecidos do cérebro, em razão da contaminação

por mercúrio. Esse mistério só foi descoberto três anos mais tarde, quando as autoridades

japonesas descobriram que uma indústria no local utilizava um composto de mercúrio que

por fim ao atingir a baia de Minamata, congregava à cadeia alimentar dos peixes. Os

compostos orgânicos de mercúrio presentes na carne dos peixes, causava doenças às pessoas

que a consumiam.

6.2 Garimpeiros de Serra Pelada-Brasil

A Serra Pelada é um dos casos mais famosos no Brasil de exploração de minério de ouro

que era garimpado e purificado no próprio local. Os garimpeiros eram dotados de uns tipos

de vasilhas para derreter o minério, e maçarico, misturava o mercúrio ao minério. Este

mercúrio reage com o ouro para formar amálgama, e por aquecimento o ouro é facilmente

separado devido ao baixo ponto de ebulição do mercúrio, que acava volatilizava totalmente.

Durante este processo ocorrem três tipos de contaminação/ intoxicação por mercúrio: por

inalação (intoxicação por via respiratória), por manuseio sem equipamento de proteção

(intoxicação por via cutânea) e contaminação ambiental, pois o mercúrio é volatilizado e

restos são descartados no meio ambiente, com potencial para causar sérios danos ambientais

e à saúde.

6.3 Contaminação de peixes

Além de ser uma das principais fontes de alimento, os peixes são concentradores naturais

de mercúrio e a sua quantidade nestes animais depende do alimento, da idade e do tamanho.

Como consequência, a contaminação humana por mercúrio depende não somente da

quantidade de peixe consumida como também da espécie escolhida. Resumindo há os peixes

de nível trófico baixo, que são os herbívoros e detritívoros, os e dos níveis tróficos

intermediários e finalmente os de nível trófico elevado, os piscívoros, também chamados de

carnívoros ou predadores. Os herbívoros se alimentam basicamente de sementes, de frutos,

de matéria orgânica em decomposição e de microrganismos associados à lama do fundo de

lagos e margens de rios. Os piscívoros se alimentam de outros peixes e por isso bioacumula

o mercúrio (dourada, filhote, piranha, tucunaré, surubim, pescada e pintado). Em regiões

13

onde os peixes é principal fonte de proteína como na amazona pode as pessoas podem ser

contaminadas e levar problemas graves de saúde.

7. COMO MERCÚRIO PODE AFETAR MINHA SAÚDE

A organização Mundial da saúde considera tolerável uma taxa de 50 ppm de mercúrio

para a população em geral e 10 ppm para grávidas. O consumo diário de mercúrio não deve

passar de 0,3 µg/kg para crianças e 16,5 µg/kg para adulto acima de 55 kg. Doses diárias

acima de 38,5 µg/kg pode provocar desenvolvimento anormal de crianças. Na água as

bactérias transformam o mercúrio em sua forma mais toxica, o metilmercurio iniciando um

processo de contaminação que atinge microrganismos, plantas e peixes. Apesar de possuir

várias serventias o mercúrio em níveis de exposição elevados, pode gerar danos cerebrais,

cardíacos, renais, pulmonares e afetar o sistema imunológico dos seres humanos. Entretanto,

o bem-estar do homem não é o único ameaçado, pois, uma vez liberado, o mercúrio polui o

ar, solo, a água e contamina a fauna, flora e outros organismos. Além disso, as toxinas

dispersadas pelo o mercúrio pode acumulam nos oceanos, afetando a vida de pessoas e

animais que habitam principalmente a região do Ártico. Segunda a Organização Mundial da

Saúde (OMS), o mercúrio já a algum tempo está na lista dos 10 produtos químicos mais

prejudiciais para a saúde pública e que permanece em ecossistemas por longos períodos.

Pesquisas tem mostrado que o fim gradativo do metal elevaria a qualidade de vida dos

operários do ramo da exploração de minérios e de pacientes hospitalares, pois ele se faz

presente em utensílios médicos, como termômetros e medidores de pressão arterial.

A legislação brasileira através das Normas Regulamentadoras (NRs) estabelece como

limite de tolerância biológica para o ser humano, a taxa de 33 microgramas de mercúrio por

grama de creatinina urinária e 0,04 miligramas por metro cúbico de ar no ambiente de

trabalho. A exposição ao vapor de mercúrio metálico acima destes valores podem provocar

danos no cérebro, rins e pulmões e principalmente pode prejudicar gravemente um feto em

desenvolvimento. As exposições a concentrações de vapor de mercúrio suficientemente

elevadas para provocar efeitos graves podem também provocar tosse, dores no peito, náuseas,

vómitos, diarreia, aumento da pressão arterial e ritmo cardíaco, erupções cutâneas e irritação

ocular.

14

Já a exposição por período mais prolongado a níveis mais baixos de mercúrio no ar poderá

provocar efeitos mais subtis, como irritabilidade, perturbações no sono, timidez excessiva,

tremores, problemas de coordenação, alterações na visão e audição e problemas de memória.

A grande maioria dos efeitos de mercúrio que resulta da exposição prolongada, porém um

nível mais baixo é revertível, assim que a exposição terminar e o mercúrio sair do seu corpo.

No geral as manifestações clínicas causadas pela intoxicação por mercúrio abrangem: dor

intensa, vômitos, coloração acinzentada da boca e faringe, sangramento das gengivas, sabor

metálico na boca, ardência no trato digestivo, diarréia severa ou sanguinolenta, estomatite,

glossite, nefrose, graves problemas hepáticos, problemas nervosos, caquexia, anemia,

hipertensão e até possibilidade de alteração cromossômica.

8. O QUE PODEMOS FAZER PARA REDUZIR A EXPOSIÇÃO DO

MERCÚRIO?

Para impedir esta iminente crise global devido o mercúrio, uma ação internacional

concreta e comprometida vem sendo desenvolvida para coordenar e harmonizar a ação em

níveis locais, nacionais e regionais. Apenas um instrumento internacional obrigatório pode

exigir responsabilidade igual para todos os atores estatais e impedir a transferência injusta de

mercúrio do mundo desenvolvido para o mundo em desenvolvimento. Metas internacionais

voluntárias e amplamente desejadas são insuficientes: nenhum país isoladamente poderá

resolver o problema do mercúrio.

Atualmente dois procedimentos de gestão dos resíduos de mercúrio proveniente das

industrias são abordados. O primeiro consiste no confinamento do material contendo Hg em

tanques de rejeitos especialmente planejados e posteriormente realizado a remoção do Hg

presente nos rejeitos. Um dos métodos que visa recuperar o Hg presente nos rejeitos

preconizados através da eletro-oxidação (Veiga, 1991; Sobral & Santos, 1995). Este método

consiste na geração de íons hipoclorito pela oxidação de cloro elementar em meio aquoso. O

processo pode também ser visto como um processo de separação eletrolítica, uma vez que

pequenas quantidades de NaCl são misturadas com o rejeito formando uma polpa aquosa que

é eletrolisada mostrado na (Eq. 1)

Hgº + 2NaOCl + 4HCl <—> 2Na+ + HgCl2 + 2H2O + Cl2 (Eq.1)

15

Outros meios é identificar os dispositivos e insumos que contêm mercúrio, avaliar o custo

comparativo destas alternativas, educar /sensibilizar os colaboradores, por em prática uma

política de compras livres de mercúrio, estabelecer metas de redução do mercúrio e novas

técnicas minimizar a utilizar e gerar resíduos.

REFERENCIAS

Clarkson, T.W. 1994. Mercury toxicology. In: Mercury Pollution: Integration and

Sysnthesis; Watras, C.J.; Huckabee, J.W., eds.; Lewis: Boca Raton, p. 631-642.

Fitzgerald, W.F. & Lamborg, C.H. 2003. Geochemistry of Mercury in the Environment.

Elsevier Ltd., Amsterdam.

Hacon, S., Lacerda L.D., Pfeiffer, W.C. & Carvalho, D. (1990) Riscos e Consequências do

Uso do Mercúrio. FINEP/UFRJ, Rio de Janeiro, 370 p.

PNUMA, Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, Seção de Químicos, DTI,

Resumo de Informações sobre Oferta, Comércio e demanda de Mercúrio, requerido pela

Decisão 23/9 do Conselho Diretivo do PNUMA, Novembro de 2006.15

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