Mortalidade infantil - Apostilas - Saúde Coletiva, Notas de estudo de . Faculdade Medicina Estadual (ISEP)
Tucupi
Tucupi11 de Março de 2013

Mortalidade infantil - Apostilas - Saúde Coletiva, Notas de estudo de . Faculdade Medicina Estadual (ISEP)

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Apostilas de Saúde Coletiva sobre o estudo da mortalidade infantil, Tipos, Causa mais comuns, Acidentes por faixa etária.
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Mortalidade infantil

0.Introdução

Os acidentes domésticos estão incluídos nas principais causas de morte em crianças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define acidente como um acontecimento casual que independe da vontade humana, ocasionado por um fator externo originando dano corporal ou mental (SCHARTSMAN et al., 1984). No Brasil as causas externas (acidentes, violência, etc.) constituem 19,5% da mortalidade na infância (FILOCOMO et al, 2002). Os acidentes domésticos com crianças são relativamente comuns, mas não é dada a atenção merecida por parte das autoridades públicas e privadas da área de saúde. Esses acidentes constituem uma importante causa de danos à saúde infantil, inclusive são considerados uma das principais causas de morte que poderiam ser evitados através da prevenção. A falta de informação por parte dos pais ou responsáveis aumenta a incidência desses acidentes. A maioria dos acidentes deve-se a falta de atenção dos adultos e o menosprezo por riscos corriqueiros, bastam alguns segundos de distração para que os acidentes aconteçam. A vigilância, consciência e supervisão à medida que a criança adquire novas habilidades locomotoras e manipulativas são essenciais. orientação dos pais ou responsáveis quanto a todas essas medidas. É importante lembrar que a criança imita comportamentos daqueles que a cercam e, portanto, estes devem praticar as ações preventivas de acidentes. Isto, somado à disciplina, favorece o aprendizado da criança (NETO, 1998). Porém, para a implementação dessas ações, é necessário o conhecimento da realidade a respeito da incidência de acidentes domésticos com crianças.

1.Tipos (quedas, fraturas, queimaduras, cortes, afogamentos, intoxicação e sufocação).

1.2.Quedas * Mais comum em crianças da pré-escola e escolar. * Algumas características do desenvolvimento físico da criança podem favorecer a queda, como

tamanho e o peso da cabeça em relação,ao seu corpo que acabam facilitando o desequilíbrio.

Segundo estudos as quedas correspondem a maior parte dos acidentes domiciliáres (DEL CIAMPIO et al., 1997). Em um dado estudo foi verificado num período de 12 meses, que o número de crianças atendidas num dado pronto socorro totalizaram 225, onde dessas crianças 137 haviam sofrido quedas.

1.3 Fraturas As fraturas em estudos feitos, de 225 crianças atendidas 72 sofreram desta injuria, totalizando 32%. Lesões musculoesqueléticas como fraturas de ossos são comumente encontradas (ADESUNKANMI et al., 1999).

1.4 Queimaduras Em estudos feitos por Justin-Temu et al.(2008) foi verificado a grande incidência de casos de queimaduras envolvendo crianças menores de cinco anos, de 204 crianças, 78,4% sofreram queimaduras, dessas 21,6% as queimaduras foram ocasionadas por fogo, grande parte das queimaduras ocorrem na cozinha sendo a maior parte de forma acidental.

1.5 Cortes As crianças têm a tendência por elas mesmas de experimentar o mundo pelas sensações, e até para seu próprio desenvolvimento psicomotor há essa necessidade, nessas experimentações acabam ocorrendo alguns acidentes envolvendo corte (SMITH e NORRIS, 2003). 1.6 Afogamentos Segundo Kanaizumi et al. (2009) os afogamentos são mais comuns entre os 18 meses até 3 anos de idade, sendo a maior causa de morte entre a população infantil.

1.7 Intoxicação * O envenenamento é a IX causa de hospitalização . * Mais comum em crianças na fase da pré-escola e escolar. * Quando exposta ao veneno, a criança sofre consequências sérias, pois possui uma estrutura

corporal menor e o seu metabolismo rápido.

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O grupo de risco por ingerir líquido tóxicos como medicamentos, produtos de limpeza, pesticida e outras substâncias, é de 1 a 3 anos. Segundo Van Zoelen et al.(1998) a injeção de medicação tem sido o fator de intoxicação mais relevante. Intoxicação por pesticida também tem sido um fator significante das caudas de intoxicações. 1.8 Sufocação A obstrução das vias aéreas é uma das principais causas de morte em crianças de até 12 meses.Pois é nesta fase que começa a exploração (curiosidade) pelo mundo por meios dos sentidos, tato, paladar, audição olfato e visão.

2. Causa mais comuns (fatores de risco: falta de atenção e abandono de incapaz).

A negligência e abandono constituem uma das formas mais frequentes de maus tratos contra a criança e

adolescente. Aliado a isso, está a dificuldade dos profissionais de saúde em identificar estes casos, cujos

sinais podem ser mais subjetivos do que a agressão física que produz lesões visíveis.

Mundialmente, quase 3.500 crianças menores de 15 anos morrem anualmente por maus-tratos (físico ou

negligência). Pesquisa do LACRI (Laboratório de Estudos da Criança) do Instituto de Psicologia da

Universidade de São Paulo (IP/USP), realizada em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal, constatou

em 2005 que a negligência ocupou o primeiro lugar (40,2%) na violência contra crianças e adolescentes

de 0 a 19 anos de idade. No Rio de Janeiro, pesquisa com crianças e adolescentes vítimas de maus-

tratos, atendidos em um hospital público, num período de dez anos, observou que a maioria foi por

negligência/abandono (43,4%).

Frente a este contexto, torna-se essencial ao profissional de saúde conhecer as características e

circunstâncias que envolvem este tipo de evento, a fim de direcionar medidas específicas de prevenção e

controle. 2.1 Falta de atenção Foi observado em alguns dos estudos que mesmo com a presença dos pais as crianças podem sofrer algum tipo de lesão, devido à falta de atenção dos pais, como é o caso das queimaduras (NATTERER et al., 2009). Produtos químicos ao alcance de criança, bem como também utensílios domésticos elétricos, também são fatores agravantes nos acidentes.

2.2 Abandono de Incapaz Segundo o código penal artigo 133 abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono, uma criança deixada sozinha em casa perante a lei é considerado abandono de incapaz, e constatamos em estudos realizados que muitos dos acidentes domiciliares ocorridos, muitos deles são o resultado do menor estar sozinho sem a presença de um adulto responsável. Abandono de incapaz tem pena de seis meses até 3 anos de detenção. Se houver lesão corporal, a pena é de um a cinco anos de reclusão. Se houver falecimento, a pena de reclusão varia de quatro a 12 anos. Os casos de pais e mães que esquecem seus filhos no carro ou em casa são cada vez mais comuns, e isso acaba causando prejuízos à saúde ou até a morte de crianças. Quando sobrevivem, as crianças devem passar por atendimento médico e psicológico.

O artigo 133 do código penal prevê que: “Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e por qualquer motivo é incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono, caracteriza Crime de Abandono de Incapaz.”

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Cada situação é avaliada de uma forma; pois a lei exige a intenção do agente causador em abandonar a pessoa que esta sob seus cuidados e que não pode se defender.

Existem três tipos de abandono de incapaz:

1- O intelectual: é quando os pais privam o filho de ir à escola;

2- O moral: que é quando o pai sabe quem é seu filho mais ignora sua existência inclusive no sentido afetivo;

3- O material que é caracterizado quando o considerado “incapaz” não tem condições materiais de subsistência.

Vale lembrar que: o código penal não defende apenas crianças e adolescentes até os 16 anos, mais também idosos ou quaisquer pessoas que estejam desprovidas de consciência e não possam responder por seus atos ou agir sozinhas.

4. Acidentes por faixa etária.

Os acidentes infantis registram maior ou menor incidência de acordo com a faixa etária e o desenvolvimento motor da criança. Medidas simples desde a mais tenra idade garantem a segurança e a integridade física dos pequenos dentro de casa. A cada fase, os cuidados aumentam e se integram aos da faixa etária anterior. 0 a 6 meses Nesta fase, os principais traumas são causados pela água do banho, quente demais para a pele do bebê, ingestão de pequenos objetos, quedas das mesas de troca e asfixia por cobertores e travesseiros. Para evitar queimaduras, o adulto deve testar a água com o cotovelo e evitar beber líquidos quentes com a criança no colo. Os brinquedos devem ser grandes e resistentes, sem pontas, arestas e peças soltas. Na hora da troca, todos os objetos necessários devem estar à mão. Deve- se evitar travesseiros fofos e cobertores pesados. 7 aos 12 meses A partir desta idade as crianças já começam a engatinhar, a ficar de pé e andar. Também é nesta fase que colocam tudo o que vêem na boca. A atenção deve estar voltada para a cozinha, o local mais perigoso da casa. O ideal é bloquear o acesso, pois líquidos e alimentos quentes, fios elétricos, forno e fogão são riscos potenciais. Remédios, venenos, produtos de limpeza e demais substâncias tóxicas devem ser mantidas nas embalagens originais. Para evitar quedas, é indicado bloquear as escadas com portas e portões, e baixar o estrado da cama. As tomadas precisam ser protegidas. 1 a 3 anos Nesta idade, as crianças já abrem portas e gavetas, escalam móveis, correm e não tem nenhuma consciência do perigo. Recomenda-se o uso de pratos e copos plásticos e a inspeção dos móveis, a fim de eliminar do caminho aqueles com quinas e bordas cortantes. No banho, recomenda-se o uso de tapetes antiderrapantes e a instalação de grades e nas janelas. 3 a 5 anos Mais conscientes, as crianças desta faixa etária aceitam e respondem às orientações dos adultos, mas ainda são impulsivas. Nesta fase, a criança interage com outras, tem melhor equilíbrio para correr, e começa a se arriscar em atravessar a rua. Também neste período elas sobem em árvores, ficam em pé nos balanços, brincam com mais violência e reconhecem frascos de remédios. Vigilância severa é a maior recomendação. 6 a 12 anos Aos seis anos, a criança explode em energia e constante movimento. Com um tempo de concentração breve, elas iniciam novas tarefas que não conseguem concluir, são autoritárias e sensíveis. Aos sete anos, elas ficam mais quietas que aos seis, mas são mais criativas e gostam de aventuras. Dos oito aos dez, são curiosas em relação ao funcionamento das coisas, tem maior

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autonomia para realizar tarefas. Dos dez aos doze, são intensas, observadoras, acham que sabem tudo, são energéticas, indiscretas e argumentadoras. Querem ser líderes e aceitas nos seus grupos, buscando, muitas vezes, atitudes radicais. Durante esta faixa etária, em que os filhos estão longe de casa, por vezes durante horas, disciplina e orientação são essenciais. A escola e grupos comunitários partilham de responsabilidade por sua segurança. Adeptos das práticas esportivas, podem querer imitar um ídolo ou heróis infantis simulando situações de perigo.

6. Prevenção.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

A prevenção é a principal saída para a problemática dos acidentes, mas esta ainda permanece como um desafio. A prevenção não é encarada como prioridade no País. Muitas vezes é necessário que os problemas ocorram – dengue, AIDS, alagamentos, drogas – para só depois se rever os prejuízos. Além disso, o acidente nem sempre é notificado e tratado como tal, gerando ainda mais obstáculos na busca de soluções.

Com a conscientização da sociedade, pelo menos 90% dos acidentes poderiam ser evitados com atitudes preventivas, como:

- Ações Educativas;

- Modificações no meio ambiente;

- Modificações de engenharia;

- Criação e cumprimento de legislação e regulamentação específicas.

Como medida preventiva deve reduzir os fatores de risco, desenvolvendo programas como o realizado em alguns países, onde faz-se um acompanhamento mais direto com as famílias orientando-as quanto ao cuidados de seus filhos, demonstrando a melhor forma de educar, e informando sobre certos riscos que podem surgir durante a educação de seus filhos. Isto vê se necessário principalmente em comunidade carente onde o grau de instrução dos pais é menor, e a renda familiar também, sendo que por isto os riscos de acidentes aumentam, pois os pais terão necessidade de deixar seus filhos aos cuidados de menores de idade, ou mesmo a sós. E devido ao baixo grau de instrução, muitas das vezes sem saber ler ou escrever o indivíduo não terá acesso a informação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS As causas de muitas injuriam acometidas contra as crianças são diversos, os resultados de algumas pesquisas demosntraram uma ausência quase total de orientação para segurança domiciliar e a existência de um grande número de fatores de risco dentro de casa. Medidas preventivas devem ser tomadas para reduzir a incidência e a mobilidade desses infortúnios, sendo assim ve se a necessidade de intensificar a discussão sobre prevenção de acidentes nos programas de atenção a saúde da criança. Vê a necessidade de se incluir nestes programas formas práticas de orientações ao pais sobre os cuidados domésticos quanto à prevenção de acidentes.

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