O Acidente Radioativo em Goiânia - Apostilas - Engenharia Química, Notas de estudo de Engenharia Química. Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
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Roberto_8805 de Março de 2013

O Acidente Radioativo em Goiânia - Apostilas - Engenharia Química, Notas de estudo de Engenharia Química. Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

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Apostilas de engenharia quimica sobre o estudo da história do acidente radioativo em Goiânia, características do acidente, providências, lições aprendidas.
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A história do Acidente Radioativo em Goiânia

Em setembro de 1987 aconteceu o acidente com o Césio-137 (137Cs) em Goiânia, capital do Estado de Goiás, Brasil. O manuseio de um aparelho de radioterapia abandonado onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia, gerou um acidente que envolveu direta e indiretamente centenas de pessoas. A fonte, com radioatividade de 50.9 Tbq (1375 Ci) continha cloreto de césio, composto químico de alta solubilidade.

O Césio-137, isótopo radioativo artificial do Césio, tem comportamento, no ambiente, semelhante ao do potássio e outros metais alcalinos, podendo ser concentrado em animais e plantas. Sua meia vida física é de 33 anos. Com a violação do equipamento, foram espalhados no meio ambiente vários fragmentos de 137Cs, na forma de um sólido de cor azul, sem brilho durante o dia , porém no escuro, emitia brilho forte e magnetizante. Isto provocou a contaminação de diversos locais, especificamente naqueles onde houve manipulação do material e para onde foram levadas as várias partes do aparelho de radioterapia. Por conter chumbo e metal , materiais de algum valor financeiro, a fonte foi vendida para um depósito de ferro-velho,onde também se comercializava mateirais recicláveis. O dono deste estabelecimento a repassou a outros dois depósitos, além de distribuir os fragmentos do material radioativo a parentes e amigos. Estes, por suas vezes, também levaram os fragmentospara suascasas.

Dentre as pessoas que tiveram contato com o material radioativo – tipo por contato direto na pele (contaminação externa), ou por inalação, ingestão, ou absorção por penetração através de micro-lesões da pele (contaminação interna) e por irradiação - algumas apresentaram, desde os primeiros dias, náuseas, vômitos, diarréia, tonturas e lesões do tipo queimadura na pele. Várias delas buscaram assistência médica em hospitais locais. A esposa do dono do depósito de ferro- velho, suspeitando que aquele material tivesse relação com o mal-estar que se abateu sobre sua família, levou a peça para a Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde, onde finalmente o material foi identificado como radioativo.

Devido às características do acidente de Goiânia, as vias potenciais de exposição da população à radiação foram: inalação de material ressuspenso, ingestão de frutas, verduras e animais domésticos e irradiação externa devido ao material depositado no ambiente.

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A fonte radioativa foi removida e manipulada no dia 13 de setembro, porém o acidente radioativo só foi identificado como tal no dia 29 do mesmo mês, quando foi feita a comunicação à Comissão Nacional de Energia Nuclear –CNEN, que notificou a Agência Internacional de Energia Atômica –AIEA. Foi acionado um plano de emergência do qual participaram CNEN, Furnas Centrais Elétricas S/A –FURNAS, Empresas Nucleares Brasileiras S/A -NUCLEBRÁS, DEFESA CIVIL, ala de emergência nuclear do Hospital Naval Marcílio Dias –HNMD, Organização de Saúde do Estado de Goias- OSEGO ( atualmente Secretaria Estadual de Saúde de Goiás – SES/GO), Hospital Geral de Goiânia –HGG, além de outras instituições locais, nacionaise internacionais que se incorporaram ou auxiliaram a “Operação Césio-137”.

As primeiras providências foram identificar, monitorar, descontaminar e tratar a população envolvida; as áreas consideradas como focos principais de contaminação foram isoladas e iniciou-se a triagem de pessoas no Estádio Olímpico. A descontaminação dos focos principais foi feita removendo-se grandes quantidades de solo e de construçõesque foram demolidas. Ao mesmo tempo era realizada a monitoração para quantificar a dispersão do 137Cs no ambiente, além de análise de solo, vegetais, água e ar.

Foram identificados e isolados sete focos principais, onde houve a contaminação de pessoas e do ambiente e onde havia altas taxas de exposição. No total, foram monitoradas 112.800 pessoas. Dentre elas, em 6.500 constatou-se algum grau de irradiação e em 249 verificou-se significativa contaminação interna e/ou externa.

Os 129 que constituíam o grupo com contaminação interna e/ou externa passaram a receber acompanhamento médico regular. Destes, 79 com contaminação externa receberam tratamento ambulatorial. Dos 50 radioacidentados restantes, cuja contaminação interna foi comprovada, 30 foram assistidos em albergues; 20 foram encaminhados ao Hospital Geral de Goiânia. Destes últimos, 14 em estado grave foram transferidos para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, oito evoluíram para a Síndrome Aguda da Radiação - SAR , 14 apresentaram falência da medula óssea e 01 sofreu amputação do antebraço, quatro deles foram a óbito. No total, 28 pessoas desenvolveram em maior ou menor intensidade, a Síndrome Cutânea da Radiação (as lesões cutâneas também eram ditas “radiodermites”). Os casos de óbito ocorreram cerca de 04 a 05 semanas após a exposição ao material radioativo, devido a complicações esperadas da SAR , como hemorragia (02 pacientes) e infecção generalizada (02 pacientes).

O acidente de Goiânia gerou 3500m3 de lixo radioativo, que foi acondicionado em containeres de aço e depois concretados. O repositório definitivo deste material localiza-se na cidade de

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Abadia de Goiás, a 23 km de Goiânia, onde a CNEN instalou o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, que executa a monitoração dos rejeitos radioativos e controle ambiental.

Para executar o monitoramento sobre os efeitos da exposição à radiação ionizante nas pessoas que foram vítimas deste acidente, o governo do Estado de Goiás criou, em fevereiro de 1988, a Fundação Leide das Neves Ferreira, posteriormente transformada em Superintendência Leide das Neves Ferreira - SULEIDE. Foram definidos grupos de pacientes, de acordo com normas internacionais, que consideram como critérios de classificação a gravidade das lesões cutâneas e a intensidade da contaminação interna e externa, e que determinou a metodologia dos protocolos de acompanhamento médico.

Os cálculos de dose das pessoas foram feitos com base nos resultados dos exames de dosimetria citogenética, para avaliação da exposição externa; e de análise de excretas e contador de corpo inteiro para avaliação da contaminação interna. Pela técnica de dosimetria citogenética estima- se a dose recebida através de aberrações cromossomiais causadas pela radiação. A dose estimada é proporcional ao número de aberrações existentes. A técnica de análise de excretas é chamada de monitoração in vitro e a de contador de corpo inteiro – detectores de radiação são colocados próximos ao corpo e inferem a quantidade de material radioativo incorporado e subseqüentemente a dose – monitoração in vivo.

Das várias lições aprendidas neste acidente, podemos nos referir àquela que trata da nossa responsabilidade em conhecer as conseqüências de se lidar com ciência e tecnologia, e ampliarmos os cuidados que priorizam a ética e o respeito à vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN (1988): Relatório do Acidente Radiológico em Goiânia.

da Cruz AD (1997): Monitoring the Genetic Health of Humans Accidentally Exposed to Ionizing Radiation of Cesium-137 in Goiânia (Brasil).

Fundação Leide das Neves Ferreira – FUNLEIDE (1989): História do Acidente Radioativo com o Césio-137 – Relatos.

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ORG (2007) Carla de Camargo Wascheck, Odesson Alves Ferreira, Patrícia Melo de Alencar

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