O meio ambiente e as empresasx, Projetos de . Alta Scuola Politecnica (ASP)
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producao.bruno115 de Maio de 2013

O meio ambiente e as empresasx, Projetos de . Alta Scuola Politecnica (ASP)

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Conceito de Meio Ambiente

O meio ambiente é o conjunto de forças e condições que cercam e influenciam os seres vivos e as coisas em geral. Os constituintes do meio ambiente compreendem fatores

abióticos, como o clima, a iluminação, a pressão, o teor de oxigênio, e bióticos, como as

condições de alimentação, modo de vida em sociedade e para o homem, educação,

companhia, saúde e outros, desta forma entende-se que meio ambiente é o conjunto de

condições, leis, influências e infra-estrutura de ordem física, química e biológica, que

permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.

As relações harmoniosas acima citadas estão fazendo com que as empresas, tenham

recursos para corrigir possíveis situações de agressão ao meio ambiente, e o que já se vê

nos dias de hoje, é que as grandes corporações, procuram atuar no sentido de

preservação do meio ambiente, desta forma se tornam menos expostas aos órgãos de

fiscalização do governo e da sociedade. Atualmente os empresários estão descobrindo

que as empresas são importantes agentes de promoção do desenvolvimento econômico

de um país, assim como de seu avanço tecnológico. Estas possuem grande capacidade

criadora e de geração de recursos, num contexto onde o bem estar comum depende cada

vez mais de uma ação cooperativa e integrada de todos os setores da economia e que faz

parte de um processo de desenvolvimento que tem por objetivo a preservação do meio

ambiente e a promoção dos direitos humanos.

O capital natural na ótica econômica.

A concepção de capital, originária da ciência econômica, o capital pode ser definido

como o estoque de matéria ou informação disponível em dado momento do tempo e que

o uso, individualmente ou em grupo, potencializa um fluxo de serviços que pode ser

empregado na transformação de materiais que aumentam o bem-estar da sociedade.

A economia requer quatro tipos de capital para seu funcionamento adequado:

1. Capital humano: na forma de trabalho e inteligência, cultura e organização;

2. Capital financeiro: consiste em dinheiro, investimentos e instrumentos monetários;

3. Capital manufaturado: infra-estrutura, as máquinas, as ferramentas e as fábricas, entre

outros e;

4. Capital natural: constituído de recursos naturais, sistemas vivos e serviços do

ecossistema.

O sistema industrial utiliza as três primeiras formas de capital para transformar o capital

natural no material de nossa vida cotidiana.

Com relação ao capital natural, os autores ressaltam a idéia de que o capital natural e o

capital produzido pelo homem (manufaturado) são complementares e não substitutos,

como trata a economia ecológica e o caráter híbrido do conceito que, segundo os

autores, seria formado a partir da economia e da ecologia, ressalta a importância da

qualidade ambiental como pré-condição para o bem-estar da sociedade humana e sua

sustentabilidade (econômica) a longo prazo.

Para Mac Donald et al. (1999), o capital natural é constituído de nosso ambiente natural,

ou seja, é o estoque de recursos naturais ou ativos ambientais existentes (por exemplo,

florestas e terras agricultáveis), que produzem um fluxo de bens e serviços úteis à

humanidade, fornecendo toda espécie de funções ambientais. Desta forma, o capital natural possui características que dispertam interesses

econômicos, sociais e ambientais, uma vez que disponibiliza bens e serviços

ecossistêmicos essenciais para a sobrevivência das espécies humana e não-humana.

O meio ambiente e a visão empresarial

O ambiente empresarial vem passando, nos últimos anos, por um período de

consideráveis modificações. Segundo Fiates (1995), a sobrevivência das organizações

no mercado atual depende de sua competitividade, que hoje é função direta da

produtividade e qualidade da empresa. Isto significa dizer que o dinamismo e a

crescente competitividade no mundo dos negócios colocam em risco a vida das

empresas que não questionarem seus métodos tradicionais de gerenciamento,

desenvolvimento de novos produtos e serviços, produção, controle de qualidade, etc.

Complementando o conjunto de modificações, houve uma alteração significativa em

todo panorama mundial com relação ao meio ambiente. Clientes e consumidores estão

passando a valorizar mais produtos ecologicamente corretos, isto é, aqueles que

agridam o mínimo possível o meio ambiente. O consumo elevado de recursos naturais,

sobretudo os não-renováveis, vem sendo causa de uma busca frenética por soluções

imediatas. Aliando-se a estes fatos, surgem medidas tomadas pelos governos e órgão

competentes (algumas até mesmo surgidas por pressões da sociedade) que elevam os

custos de produção das empresas.

Com isso a relação meio ambiente e desenvolvimento está deixando de ser conflitante

para tornar-se uma relação de parceria. O cerne da questão passa a ser a consecução da

convivência pacífica entre a boa qualidade do meio ambiente e o desenvolvimento

econômico, tendo em vista que são variáveis dependentes entre si. Desta forma, o meio

empresarial torna-se diretamente atingido.

Percebe-se, portanto, que as organizações de um modo geral não podem mais

desconsiderar os aspectos relacionados à preservação do meio ambiente. Diante disso, a

variável ambiental vem se tornando mais um importante diferencial competitivo com o

qual as empresas devem se preocupar.

Com o aumento das atenções em relação às questões ambientais, mudanças

significativas deverão acontecer, sobretudo relacionadas à gestão empresarial. Para

melhor adaptação a estas mudanças, o ambiente empresarial deverá estar de posse de

informações sobre os verdadeiros custos ambientais existentes, custos que permitam às

mesmas verificar quanto vêm gastando realmente com o meio ambiente, ou quanto estão perdendo (ou deixando de ganhar) com a degradação ambiental.

A questão ambiental e as organizações

A busca pela harmonia entre o homem e o meio ambiente vem sendo cada vez mais

debatida nas últimas décadas como fator essencial para sobrevivência, não somente da

espécie humana, como de todo o planeta.

A preocupação com o estado do meio ambiente, segundo Barbieri (2004), não é recente,

mas, de certa forma, foi nas últimas três décadas do século XX que ela entrou

definitivamente na agenda dos governos de muitos países e de diversos segmentos da sociedade civil organizada.

Alguns autores, como Donaire (1999), Kinlaw (1997) e Porter (1999), observam que

uma população cada vez mais consciente e ativa com relação à questão ambiental vem

exigindo, por parte dos governantes e das empresas, medidas que possam vir a

contribuir para o desenvolvimento sustentável, ou seja, deve haver um equilíbrio entre

o consumo de recursos disponíveis e a garantia de disponibilidade desses para gerações

futuras.

Desta forma, observa-se que o meio ambiente vem sendo reconhecido ao longo do

tempo, não apenas como uma fonte de recursos, mas como um bem a ser preservado

pela sociedade.

Paralelamente, legislações ambientais específicas, que objetivam controlar a instalação

de novas indústrias e estabelecer exigências para as emissões das indústrias existentes,

contribuem para que as empresas adotem processos produtivos mais limpos.

Os problemas ambientais, por mais variados que sejam, decorrem do uso do meio

ambiente como fonte de recursos para a produção da subsistência humana e como

recipiente de resíduos da produção e consumo, sendo que tais problemas são agravados

pelo modo como os humanos concebem a sua relação com a natureza. Qualquer solução

efetiva para os problemas ambientais terá necessariamente que envolver as empresas,

pois são essas que produzem e comercializam a maioria dos bens e serviços disponíveis

à sociedade (BARBIERI, 2004).

Ao ser aplicado o conceito de desenvolvimento sustentável às empresas, Kinlaw (1997)

destaca que esse pode ser substituído pelo conceito de desempenho sustentável: a

evolução das empresas para sistemas de produção de riqueza que sejam completamente

compatíveis com os ecossistemas naturais que geram e preservam a vida. O desempenho sustentável possui duas características fundamentais que o distingue do

desenvolvimento sustentável: lucro de desempenho. Junqueira (2002) observa que a

nova realidade vivenciada pelas organizações contribui para que os gestores incluam a

variável ambiental como um dos fatores a serem analisados. O objetivo é alcançar uma

harmonia entre o retorno esperado de um investimento e o consumo de recursos

naturais.

As questões ambientais e o mercado consumidor.

A explosão consumista que ocorreu após a década de 50 criou a sociedade do

descartável, tendo como principal estratégia o que Harman (1990) define como

"obsolescência programada". Desta forma, as pessoas aprenderam a desperdiçar, a usar

e descartar. "As pessoas passaram a ser chamadas não mais de cidadãos, mas de

consumidores".

Com o surgimento da questão ambiental, o impacto do marketing tradicional sobre o

meio ambiente e os custos acarretados por servir aos desejos e necessidades dos

consumidores começam, então, a ser questões tratadas por ambientalistas. Estes,

segundo Kotler (1980), acreditam que mais consumo acarreta mais poluição e maior

demanda de recursos naturais. Consideram, ainda, a propaganda o principal responsável

pelo consumo exacerbado, induzindo as pessoas a comprar mais do que realmente

necessitam, o que leva as empresas à exaustão dos recursos naturais.

Souza (1993) afirma que nos países desenvolvidos a sociedade está questionando os

valores materialistas que a seduziu, mudando seu estilo de vida e pressionando o Estado

a tomar medidas efetivas no controle da poluição.

A mudança existe e pode ser notada através de alguns exemplos: a postura pró-ativa do

meio empresarial, que busca se adequar à nova visão ambiental, a adesão à idéia de uma

norma ambiental (ISO 14000), a decisão por produtos ecologicamente corretos. É o que

confirma Souza (1993, p. 48): "...em um passado recente, as empresas não estavam

preocupadas com as estratégias ecológicas, adotavam uma postura defensiva e reativa

no que concerne às leis de proteção ao meio ambiente. Porém, face à pressão do

consumidor, as empresas estão agindo proativamente, e, em muitos casos, antecipando-

se à própria legislação".

As estratégias de marketing ecológico adotadas pela maioria das empresas visam

melhoria de imagem tanto da empresa quanto de seus produtos, "através da criação de

novos produtos verdes e de ações voltadas para proteção ambiental"

É extremamente positivo verificar que as organizações estão adequando seus produtos

às exigências da preservação do meio ambiente, através da utilização racional dos

recursos naturais e eliminação de poluentes.

As transformações que vêm surgindo do aumento da preocupação ambiental não

deixaram de lado as estratégias de marketing e vêm causando mudanças significativas

no marketing tradicional. Estas estratégias vêm evoluindo de uma filosofia de satisfação

do consumidor, para uma melhor qualidade de vida para a sociedade. Segundo Kotler

(1980, p. 559), "qualidade de vida não no sentido de quantidade e qualidade de bens e

serviços de consumo, mas de qualidade do ambiente".

O marketing ecológico passou a ser o compromisso e obrigação das empresas que

pretendem continuar - ou tornar-se - modernas e competitivas. As organizações estão

adequando seus produtos às exigências da preservação do meio ambiente, através da

utilização racional dos recursos naturais e eliminação de poluentes.

Segundo Souza (1993), alguns empresários e agências de propaganda vêm se utilizando

do apelo ecológico na publicidade inadequadamente. Para que isto não continuasse

ocorrendo foram criadas, em alguns países, leis e entidades que regulam a publicidade

com o objetivo de evitar a atrelação de alguns produtos à ecologia, sem que a empresa

tenha uma verdadeira preocupação ambiental.

No futuro acredita-se que todos os produtos serão explícita ou implicitamente verdes.

Os consumidores do mundo inteiro darão preferência àquelas marcas e produtos que,

além de prestarem os serviços a que se propuserem, respeitem, sobretudo, a natureza.

Uma nova realidade e a postura organizacional

Como apresentado anteriormente, uma nova perspectiva acerca da questão ambiental

está se consolidando, ganhando ruas, auditórios, a imprensa, e fazendo parte do

vocabulário de políticos, empresários, administradores, líderes sindicais, dirigentes de

ONG’s e cidadãos de um modo geral. Por outro lado, para a maioria das empresas, essa

preocupação ainda não se transformou em práticas administrativas e operacionais

efetivas, pois se tal já estivesse ocorrendo, o acúmulo de problemas ambientais

certamente não se daria de forma tão intensa.

As mudanças no ambiente das organizações, em um primeiro momento, restringiram-se

ao cumprimento legal e a ações corretivas (Junqueira, 2002).

Alguns autores, argumentam que a proteção ambiental antes das décadas de 70 e 80, era

vista por um ângulo defensivo, estimulando apenas soluções corretivas baseadas no

estrito cumprimento da legislação.

Com a criação da maioria dos órgãos ambientais governamentais ocorrendo após a

Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em

Estocolmo no ano de 1972, a legislação ambiental começa a crescer vertiginosamente,

e a contribuir com o vínculo das questões ambientais às do desenvolvimento

(BARBIERI, 2004).

Tal evento representou um marco com relação ao tratamento das questões ambientais, que, até então, estavam sendo tratadas de forma fragmentada. A partir disso, a

percepção dos empresários sobre soluções corretivas, com relação ao cumprimento

estrito das leis, passa a tomar novas formas, e a ser considerada como uma necessidade,

pois reduz o desperdício de matérias-primas e assegura uma boa imagem para a

empresa (Valle, 2000).

A mudança de postura por parte dos empresários frente às questões ambientais é

destacada por Hansen e Mowen (2001) como sendo decorrente do aumento significativo

da regulamentação ambiental e da percepção de que é menos oneroso prevenir a

poluição do que remediá-la. Outro fator determinante para tal postura é a possibilidade

de conquista de novos consumidores (mais engajados aos apelos ambientais), dispostos

a pagar mais por produtos menos nocivos ao meio ambiente.

Segundo Porter (1999), o desempenho ambiental satisfatório, antes considerado pelos

gestores como uma variável que não agregava valor ao processo produtivo e, portanto,

era fator que ia de encontro ao desenvolvimento econômico e à lucratividade das

empresas, passou a ser visto como uma vantagem competitiva, pois muito embora possa

vir a ter o seu resultado reduzido no curto prazo, tal resultado é recuperado pela

melhoria do desempenho no médio e longo prazo.

A poluição é uma forma de desperdício e um indício de ineficiência dos processos

produtivos, segundo Valle (2000). Quando uma empresa provoca algum tipo de dano

ambiental, normalmente o está fazendo por meio de rendimentos insatisfatórios em seu

processo produtivo. Desta forma vê parte de seus lucros se escoar através de recursos

que não foram devidamente utilizados no processo produtivo.

Os reflexos da preocupação ambientalista no ambiente de negócios

A partir da perspectiva histórica apresentada anteriormente, nota-se que a temática

ambiental elevou-se, ao longo do tempo, a patamares de grande significância nas pautas

de discussões governamentais e de órgão internacionais.

A tendência de criação de mecanismos de gerenciamento ambiental pode ser

corroborada através de regulamentações firmadas em acordos estabelecidos durantes os

diversos eventos internacionais realizados. Um exemplo recente é a ratificação dos itens

aprovados no Protocolo de Kyoto no ano de 1997, que tiveram sua vigência

estabelecida apenas em fevereiro de 2005 (BORGES, TACHIBANA e OLIVEIRA,

2005).

Para Borges e Tachibana (2005), todo este panorama, com enfoque na relação entre

desenvolvimento e meio ambiente, interfere diretamente nas atividades empresariais,

uma vez que estas estão no centro de todo o processo que envolve, principalmente: a

utilização de recursos naturais, a geração de resíduos e a capacidade de suporte do

planeta (tanto no suprimento de recursos, quanto na recepção de resíduos).

Podemos analisar o ambientalismo ao decorrer do tempo em 4 pontos:

1. Ambientalismo industrial (1960-70) – centralizava-se na resolução interna dos

problemas como um adjunto para a área de operações (havia um otimismo tecnológico

de que os problemas seriam resolvidos sem que houvesse a necessidade de intervenção governamental)

2. Ambientalismo regulatório (1970-82) – cujo foco era a conformidade com as

regulamentações, dada a imposição externa de novas leis ambientais cada vez mais

rigorosas.

3. Ambientalismo como responsabilidade social (1982-88) – centrava-se na redução da

poluição e minimização de resíduos dirigidos externamente por pressões de movimentos

ambientalistas e algumas iniciativas voluntárias.

4. Ambientalismo Estratégico (19988-93) – o foco se dá na integração de estratégias

ambientais pró-ativas a partir da administração superior devido a questões econômicas

que passam a se desenvolver associadas às questões ambientas das empresas. Souza

(2002) salienta que a conclusão que se chega é que a internalização das questões

ambientais pelas empresas é um produto da coevolução de instituições externas e das

estruturas e estratégias internas das firmas.

O meio ambiente era tido, tradicionalmente, como uma fonte inesgotável de recursos

naturais. Com o advento da industrialização, esta idéia tornou-se ainda mais abrangente,

e o meio ambiente passou também a ser recipiente de resíduos gerados pelas atividades

industriais (BORGES e TACHIBANA, 2005).

A discussão atual foca tanto a questão da utilização desenfreada dos recursos naturais,

quanto a geração de resíduos no que diz respeito à capacidade de suporte de nosso

planeta.

A variável ambiental no ambiente empresarial

A história tem mostrado que, ao longo das últimas décadas, uma nova consciência

acerca das questões relacionadas ao meio ambiente vem emergindo. Este fato representa

um grande desafio para as organizações que visualizam, por sua vez, necessidades no

tocante de uma adequação a um novo perfil ecológico exigido pela sociedade e

autoridades.

Souza (2002) argumenta que a questão ambiental fora tratada por muitos, no passado, como uma questão ideológica de grupos ecologistas que não aceitavam a sociedade de

consumo moderna e que essa questão, atualmente, assume um papel cada vez maior no

ambiente empresarial.

A nova consciência ambiental, surgida a partir das transformações culturais que

começaram a aflorar nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou a proteção ao

meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem contemporâneo.

As dimensões econômicas e mercadológicas das questões ambientais têm se tornado

cada vez mais relevantes, representando custos e/ou benefícios, limitações e/ou

potencialidades, ameaças e/ou oportunidades para as empresas (SOUZA, 2002). Este

autor prossegue apontando que tal perspectiva pode ser corroborada em estudos

publicados em periódicos destinados ao público empresarial e financeiro, nos quais o

vínculo de empresas e mercados com as questões ambientais está alcançando altos

patamares de significância.

Uma mudança muito grande pôde ser observada no ambiente em que as empresas

operam: as empresas que antes eram vistas apenas como instituições econômicas com

responsabilidades referentes a resolver problemas econômicos fundamentais (o que

produzir, como produzir e para quem produzir), têm presenciado o surgimento de novos papéis que devem ser desempenhados, como resultado das alterações no ambiente em

que operam.

Muitos fatores têm se apresentado como impulsionadores desta reformulação do

ambiente empresarial. Numa perspectiva convencional, a instituição empresarial era

considerada apenas por sua função econômica, na qual a única responsabilidade que lhe

cabia era a de maximizar os lucros e minimizar seus custos ou pouco além disto. Os

aspectos sociais e políticos não eram considerados variáveis significativas nos processos

de tomada de decisões. Donaire (1999) justifica esta visão com a seguinte afirmação

que era comum aos empresários que defendiam este ponto de vista: “o que é bom para

a empresa, é bom para a sociedade”.

Para Barbieri (2004), a solução dos problemas ambientais, ou sua minimização, exige

uma nova atitude de empresários e administradores, que devem abranger e levar em

consideração o meio ambiente em suas decisões e adotar concepções administrativas e

tecnológicas que contribuam para ampliar a capacidade de suporte do planeta. Em

termos gerais, espera-se que as empresas deixem de ser problemas e façam parte das

soluções envolvendo o meio ambiente.

Numa perspectiva histórica, como abordado anteriormente, desde a Conferência de

Estocolmo, em 1972, as questões ambientais foram inseridas de forma prioritária e

definitiva na agenda internacional, estando cada vez mais presentes nos diferentes

elementos que exercem influência nas decisões empresariais.

A questão ambiental, em termos de significância, passou a ser tratada, ao longo do

tempo, não mais apenas como uma “agenda negativa” (SOUZA, 2002), mas como um

fator atrativo em termos competitivos. Isso se acentua sobretudo com o surgimento de

novos conceitos como Desenvolvimento Sustentável e Eco desenvolvimento, no campo

das teorias desenvolvimentistas; e Produção Mais Limpa (PML) e Gerenciamento

Ambiental da Qualidade Total (TQEM), no campo empresarial dentre outros.

A gestão ambiental e suas perspectivas

As questões relativas ao meio ambiente têm sido crescentemente incorporadas aos

mercados e às estruturas sociais e regulatórias da economia, passando a ser um

elemento cada vez mais considerado nas estratégias de crescimento das empresas, seja por gerar ameaças, como também oportunidades empresariais (DONAIRE, 1999;

BARBIERI, 2004).

Barbieri (2004) define os termos administração ou gestão do meio ambiente, ou

simplesmente gestão ambiental, como as diretrizes e as atividades administrativas e

operacionais, tais como planejamento, direção, controle, alocação de recursos e outras

realizadas com o objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, quer

reduzindo ou eliminando os danos ou problemas causados pelas ações humanas.

Para este autor, qualquer proposta de gestão ambiental inclui no mínimo três dimensões,

a saber: 1) a dimensão espacial, que concerne à área na qual se espera que as ações de

gestão tenham eficácia; 2) a dimensão temática, que delimita as questões ambientais às

quais as ações se destinam; e 3) a dimensão institucional, relativa aos agentes que

tomaram as iniciativas de gestão.

A gestão ambiental na empresa

A solução dos problemas ambientais, ou sua mitigação, exige uma nova postura dos

empresários e administradores, que devem passar a considerar o meio ambiente em suas

decisões e adotar concepções administrativas e tecnológicas que contribuam para

ampliar a capacidade de sustentabilidade do planeta.

Entretanto, a internalização da variável ecológica no âmbito dos negócios não ocorre de

forma homogênea, variando entre as unidades produtivas, seja porque a consideração da

variável ambiental está associada à natureza do negócio da empresa, seja porque

depende do grau de conscientização da alta administração em matéria ambiental

(Corazza,2003). Por isso, a maior parte dos pesquisadores em gestão ambiental avalia a

conscientização ambiental empresarial à luz de diversos cenários e quadros evolutivos,

que traduzem a maturidade de determinada organização para com o tratamento das

questões ecológicas (JABBOUR e SANTOS, 2005).

Porter (1985) aponta que diversos agentes, ao longo do tempo, passaram a intervir

dentro da estrutura tradicional de análise competitiva da indústria, como ONG´s,

comunidades, órgãos governamentais, investidores, seguradoras e a mídia, com forças

distintas. De um lado, comunidades, órgãos governamentais e seguradoras cobram

principalmente processos limpos; de outro, consumidores mais conscientes selecionam

produtos menos impactantes e/ou com processos menos impactantes ambientalmente;

por fim, as ONG´s e os investidores cobram processos e produtos mais limpos.

De qualquer maneira, as condições ambientais para a compra de produtos, empréstimos

financeiros, avaliação de riscos de mercado, avaliação do valor de ações, venda de

ativos, contratação de seguros, obtenção de licença para operar e a manutenção de uma

imagem de empresa “cidadã”, resultam em pressões sobre todas as operações e produtos

das empresas, ao longo de seu ciclo completo de vida (SOUZA, 2002; EPELBAUM,

2004).

Azzone, Bertelè & Noci (1997) destacam que as organizações estão diante de uma

variedade de pressões, que tendem a induzir os gerentes a considerar os tópicos

ambientais como importantes parâmetros para usas decisões de negócio.

Sanches (2000) ressalta que as empresas industriais, que buscam manter ou melhorar

suas posições competitivas, se deparam cada vez mais com a exigência de novas

posturas em relação às variáveis ambientais. A gestão ambiental, pode ser entendida como a parte da gestão empresarial que cuida da identificação, avaliação, controle,

monitoramento e redução dos impactos ambientais a níveis prédefinidos.

Em complemento a esta perspectiva, Rohrich e Cunha (2004) destacam que a gestão

ambiental abrange o conjunto de políticas e práticas administrativas e operacionais que

levam em conta a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente por

meio da eliminação ou mitigação de impactos e danos ambientais decorrentes do

planejamento, implantação, operação, ampliação, realocação ou desativação de

empreendimentos ou atividades, incluindo-se todas as fases do ciclo de vida do produto.

Dessa forma, pode-se dizer que a gestão ambiental envolve as atividades de

planejamento e organização do tratamento da variável ambiental pela empresa,

objetivando-se alcançar metas ecológicas específicas.

Barbieri (2004) apresenta uma definição sobre modelos de gestão ambiental empresarial

que se apóiam em três critérios de desempenho, a saber: eficiência econômica, eqüidade

social e respeito ao meio ambiente.

Estes critérios devem ser considerados simultaneamente em qualquer proposta de gestão

sócio-ambiental.

Assim, tais modelos devem contribuir para gerar renda e riqueza, que são os objetivos

básicos das empresas, minimizando seus impactos ambientais adversos, maximizando

os benefícios, tornando a sociedade justa.O conceito de sustentabilidade, que os grupos

engajados ecologicamente denominam, diz respeito à condição sistêmica, segundo a

qual, em nível regional e planetário, as atividades humanas não devem interferir nos

ciclos naturais em que se baseia tudo o que a capacidade do planeta permite e, ao

mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural que será transmitido às

gerações futuras.

Esta abordagem não é a que se encontra corriqueiramente na gestão empresarial, mas este conceito, segundo Elkington (2001), pode ser ampliado, formando a Teoria dos

Três Pilares (“Tripple Bottom Line”) desenvolvida por este. A teoria define que a

sociedade depende da economia, e a economia depende do ecossistema global, cuja

saúde representa o pilar derradeiro; os três podendo ser representados como placas

sobrepostas, interferindo umas nas outras. Epelbaum (2004) postula que diante desta

visão, uma empresa pode ser considerada sustentável se gerenciar e conseguir bons

resultados nas áreas econômica, ambiental e social, concomitantemente.

Sistemas de gestão ambiental

Sistema de gestão ambiental (SGA) é um conjunto de atividades administrativas e

operacionais inter-relacionadas para abordar os problemas ambientais atuais ou para

evitar seu surgimento .

Barbieri (2004, p.137) evidencia que um SGA requer a formulação de diretrizes,

definição de objetivos, coordenação de atividades e avaliação de resultados. Reis (1997)

observa que, torna-se necessário o envolvimento de diferentes setores da empresa para

tratar das questões ambientais de modo integrado.

Neste contexto, alguns elementos se apresentam como fundamentais: o comprometimento da alta gerência; o estabelecimento de uma política ambiental

corporativa; procedimentos que permitam a avaliação dos impactos ambientais atuais e

futuros; planos fixando objetivos e metas; instrumentos para acompanhar e avaliar as

ações planejadas e o desempenho do SGA como um todo.

No âmbito empresarial, a família de normas ISO 14.000 apresenta-se como a mais

utilizada.

Reis (1997) afirma que a ISO 14.000 aborda a gestão ambiental por meio de uma série

de normas sobre sistemas de gestão ambiental, auditoria ambiental, avaliação de

desempenho ambiental, avaliação do ciclo de vida do produto, rotulagem ambiental e

aspectos ambientais em normas de produtos.

A NBR ISO 14.004 fornece elementos para a empresa criar e aperfeiçoar o seu SGA e

a NBR ISO 14.001 é uma norma que contém os requisitos que podem ser objetivamente

auditados para fins de certificação, registro ou autodeclaração (REIS, 1997;

BARBIERI, 2004).

De acordo com a NBR ISO 14.001, o SGA é parte integrante do sistema de gestão

global que inclui a estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver,

implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental.

Diferentes abordagens para a gestão ambiental empresarial

A atuação das empresas com relação aos problemas ambientais decorrentes de suas atividades pode ocorrer em três abordagens distintas, denominadas por Barbieri (2004),

controle da poluição, prevenção da poluição e incorporação das questões ambientais na

estratégia empresarial.

Alguns autores abordam a perspectiva da gestão ambiental empresarial de maneira

complementar à perspectiva apresentada no quadro anterior.

Maimon (1994) propõe que a resposta empresarial à crescente pressão social em matéria

ambiental pode ser analisada em três movimentos:

1. Adaptação da empresa à regulamentação ou exigência do mercado, incorporando

equipamentos de controle de poluição nas saídas, sem modificar a estrutura produtiva e

o produto;

2. Adaptação à regulamentação ou exigências do mercado, modificando os processo e/

ou produtos (inclusive embalagem), objetivando-se prevenir a poluição e problemas que

prejudiquem a estratégia empresarial;

3. Antecipação aos problemas ambientais futuros, ou seja, adoção de um

comportamento pró-ativo e de busca pela eco-excelência empresarial, cujo princípio é

integrar a função ambiental ao planejamento estratégico da empresa.

Azzone, Bertelè & Noci (1997) consideram a sustentabilidade sob quatro diferentes

enfoques estratégicos organizacionais:

1. Estratégia ambiental passiva, “lobbying-based”: os gestores que adotam este tipo de

estratégia percebem a variável ambiental como uma significante ameaça às suas

posições competitivas, devido à crescente preocupação da opinião pública e

reguladores.

A partir disso, esses objetivam limitar potenciais investimentos em melhorias

ambientais, influenciando a evolução do contexto externo e, em particular, reduzindo o

nível de mudanças nos requerimentos ambientais.

2. Estratégias ambientais reativas: envolvem principalmente reações a estímulos

externos – movimentos ambientalistas, governos/regulamentações e outras firmas operando em outros campos.

3. Estratégia ambiental antecipatória: implica que o “timing” das iniciativas ambientais

é considerado uma fonte primária de vantagem competitiva futura pelas empresas.

Prevendo uma provável evolução do mercado ou das regulamentações ambientais, as

empresas investem em “novas” tecnologias que possibilitarão a essas antecipar as

futuras expectativas dos consumidores ou as necessidades do mercado e ganhar “an

early mover” vantagem competitiva dos efeitos da aprendizagem de uma acumulação de

conhecimentos.

4. Estratégia ambiental baseada em inovações: a variável ambiental é vista como a mais

importante prioridade competitiva e as soluções, baseadas em inovações, são “tomadas

(sought)” envolvendo a introdução de novas tecnologias que alavanquem radicalmente

a performance ambiental das tecnologias correntes ou a criação de novas necessidades

de mercado como conseqüência de produtos amigáveis ambientalmente.

Para Donaire (1999), a resposta da indústria ao desafio ecológico pode ser analisada por

três estágios, muitas vezes superpostos. A primeira fase é chamada de controle

ambiental na saída (end of pipe), tais como em chaminés e redes de esgotos, mantendo

a estrutura produtiva já existente; o que nem sempre se mostra eficaz, uma vez que os

benefícios desta reação são freqüentemente contestados pela sociedade civil e pelo

próprio empresariado.

Segundo o autor, estas contestações fomentaram um novo tipo de reação, na qual a variável ambiental é integrada nas práticas e processos produtivos, sendo considerada

atividade da função de produção. Não obstante, com o crescimento da variável

ecológica como fator competitivo para as empresas, desenvolveu-se um novo estágio de

integração da questão ambiental no âmbito dos negócios, chamado de controle

ambiental na gestão administrativa, no qual a proteção ao meio ambiente deixa de ser

uma exigência punida com multas e sanções e se inscreve em um quadro de ameaças e

oportunidades em que as conseqüências tem impacto sobre a sobrevivência da

organização.

Para Corazza (2003), a estrutura da unidade produtiva pode ser alterada de duas formas.

A primeira se relaciona com a integração pontual da variável ambiental, a qual é

caracterizada pela criação da função, cargo ou departamento ambiental, corroborando a

centralização dessa iniciação funcional. Jabbour e Santos (2005) frisam que a

integração pontual pode se traduzir em um sistema de gestão ambiental pouco eficiente,

que exclui a possibilidade de desenvolvimento pró-ativo da perspectiva ecológica.

A segunda forma seria a integração matricial da gestão ambiental, na qual seria observado um processo de mobilização dos setores internos da organização, necessários

ao planejamento, execução, revisão e desenvolvimento da política ambiental (Corazza,

2003), envolvendo, principalmente, as áreas de recursos humanos, produção, gestão e

pesquisa e desenvolvimento (P&D). Este tipo de integração é encontrado em

organizações que têm como meta a excelência em adequação ambiental, comumente.

impulsionadas pela implantação de sistemas baseados em normas das série ISO 14000,

que norteiam a empresa para uma busca contínua e crescente da qualidade ambiental.

Sanches (2000) aponta que a integração da variável ambiental na empresa pode ocorrer

de duas maneiras, a saber:

1. Reativa, ativada por ameaças tecnológicas, punições e sanções legais;

2. Pró-ativa, mediante a incorporação da problemática ambiental no processo de

formulação de metas e objetivos de longo prazo da organização.

Para a autor, as empresas que adotam posturas pró-ativas em relação o meio ambiente

incorporam os fatores ambientais em suas metas, políticas e estratégias, considerando os

riscos e os impactos ambientais não só de seus processos produtivos como também de

seus produtos.

Neste tipo de abordagem, a proteção ambiental passa a fazer parte do objetivo de

negócios das empresas, passando o meio ambiente a não ser encarado como mero custo

adicional, mas como uma possibilidade de lucros, em um quadro de ameaças e

oportunidades para a empresa, idéia compartilhada por Donaire (1999).

No contexto pró-ativo, a variável ecológica assume um papel competitivo dentro das

organizações. Maimon (1996 p. 22) classificou as empresas que abordam a gestão

ambiental como fator condicionante de sua competitividade, de organizações

possuidoras do “comportamento ético ambiental”. Ainda segundo a autora, este modelo

passa a tratar o meio ambiente como uma nova oportunidade de negócios, tanto do

ponto de vista tecnológico quanto organizacional.

A postura pró-ativa pode ser definida pelo comportamento empresarial que abarca os

objetivos ambientais em todos os níveis hierárquicos – da cúpula ao chão-de-fábrica –

redefinindo competências e responsabilidades (JABBOUR E SANTOS, 2205). Em

outras palavras, a dimensão ecológica não é apenas mais uma variável na determinação

dos planos empresariais; ela se torna uma prioridade e todas as outras áreas funcionais

das organizações passam a gravitar sobre pressupostos ecológicos (HUNT e AUSTER,

1990).

A ênfase na oportunidade de antecipar-se ou de ser pró-ativo em relação às questões ambientais envolve decisões estratégicas tais como investimentos em pesquisa e

desenvolvimento de novos produtos e processos que geram políticas, metas e planos de

ação que nortearão a empresa.

Segundo Rohrich e Cunha (2004), a gestão ambiental pró-ativa se consolida pela

existência de três fatores:

• Envolvimento da alta gerência para com a problemática ambiental;

• Autoridade ambiental formalizada;

• Influência da variável ambiental no processo de formulação da estratégia da empresa. Muitas firmas começaram a integrar o meio ambiente em suas estratégias empresariais,

havendo o surgimento de um novo e estratégico paradigma ambiental. O autor

prossegue argumentando que a partir disso, as ações das firmas na área ambiental se

tornaram mais pró-ativas e passaram a ser utilizadas como estratégias competitivas,

vinculando-se à boa performance ambiental, principalmente à melhoria na reputação

das empresas.

Desde o início da década de 1990, a realidade do ambientalismo dentro do mundo dos

negócios tem se tornado mais complexa que a simples conformidade com as leis ou a

responsabilidade social. Proteção ambiental e competitividade econômica têm se

entrelaçado desde então. Aquilo que anteriormente fora dirigido por pressões que

estavam fora do mundo dos negócios é atualmente norteado por interesses que existem

dentro do ambiente econômico, político, social e mercadológico das empresas. Muitas

organizações, ao obterem boa performance ambiental associada à boa gestão

operacional, baixo risco financeiro e boas perspectivas de sucesso econômico futuro,

estão começando a influenciar as normas de práticas corporativas e estão transformando

o ambientalismo, de algo externo para algo que está dentro do sistema de mercado e

que é central para os objetivos da empresa (HOFFMAN, 2000).

Desta forma, uma variedade de situações do ambiente institucional passou a dirigir as

estratégias ambientais das empresas, tais como: investidores e acionistas, que estariam

interessados em correlações positivas entre as performances econômica e ambiental;

bancos que estariam associando performances ambientais ruins a risco financeiro mais

elevado; e associações comerciais, educacionais e religiosas que passaram a

institucionalizar determinadas demandas ambientais (SOUZA, 2002).

O Meio Ambiente e as questões competitivas

O setor industrial é um dos que mais provoca danos ao meio ambiente, seja por seus

processos produtivos ou pela fabricação de produtos poluentes e/ou que tenham

problemas de disposição final após sua utilização.

Tópicos relacionados à competitividade e ao meio ambiente ganharam importância

crescente entre os anos 80 e 90. Com a intensificação do processo de globalização

financeira e produtiva da economia mundial, e o consequente aumento dos fluxos de

comércio internacional, as barreiras tarifárias foram gradativamente substituídas por

barreiras não-tarifárias.

Lustosa (2004) destaca que o crescimento da produção capitalista depende de novos

mercados e, portanto, da criação de novas necessidades para os consumidores. Desta

forma, as necessidades da população aumentam juntamente com a escala de produção

industrial, com a demanda por recursos naturais e com os rejeitos dos processos

produtivos.

Esta autora prossegue argumentando que pode-se perceber o trade off entre crescimento

econômico e preservação do meio ambiente. De um lado, o crescimento econômico

melhorou as condições de vida da população, gerando maior quantidade de bens e

serviços disponíveis para a satisfação das necessidades; de outro lado, provocou

problemas ambientais, que não se restringiram à atividade industrial. Após algumas décadas de debate sobre os limites ambientais do crescimento

econômico, percebeu-se que não foi o crescimento que chagou ao seu limite, mas o

padrão tecnológico até então adotado pelos países industrializados.

Indicam que um problema central neste contexto é o modo de indução de mudanças

tecnológicas na direção de tecnologias mais limpas a fim de se obter uma

sustentabilidade ambiental. Além do mais, a mudança tecnológica na direção desta

sustentabilidade depende de outros fatores não econômicos, como desenvolvimento de

capacidades específicas da firma, infra-estrutura e mudanças institucionais.

A relação entre competitividade e preservação do meio ambiente tornou-se objeto de

debates intensos, no quais, segundo eles, pôde-se identificar duas vertentes bem

distintas: a primeira, que defendia a existência de um trade-off, como abordado acima;

e a segunda, vislumbrando sinergias entre competitividade e preservação do meio

ambiente, intitulada pela literatura pertinente de “hipótese de Porter”, baseada em Porter

e Linde (1995 e 1999).

O argumento desta última vertente era de que a imposição de regulamentações

ambientais adequadas poderiam estimular as empresas a adotarem inovações que

reduzissem os custos totais de um produto ou aumentarem o seu valor. Assim, no momento em que as empresas visualizam as regulamentações como um desafio, passam

a desenvolver soluções inovadoras e, portanto, melhoram a sua competitividade.

Desta forma, através de regulamentações mais estreitas, os gestores seriam forçados a

prestar especial atenção àqueles aspectos de seus negócios que podem estar sendo

negligenciados. Tal atenção pode gerar um incremento de lucratividade através da

redução de custo, inovações e/ou vantagem competitiva em mercados estrangeiros.

Souza (2002) destaca que os pontos referentes aos valores ecológicos que anteriormente

eram dirigidos por pressões que estavam fora das linhas fronteiriças do mundo dos

negócios estão atualmente direcionados por interesses que existem dentro dos ambientes

econômico, político, social e mercadológico das empresas.

Muitos autores, adeptos desta abordagem, desenvolveram diversos trabalhos

interessantes. Para Epelbaum (2004), os fatores da gestão ambiental que influenciam no

sucesso e na competitividade empresarial podem ser estruturados em dois grupos de

resultados finais, a saber:

• resultados da gestão ambiental em processos

• resultados da gestão ambiental de produtos

Os resultados esperados pela gestão ambiental em processos estão ligados à busca

contínua por processos produtivos mais limpos. Já a expectativa com relação aos

resultados da gestão ambiental em produtos concerne ao desenvolvimento de produtos

ambientalmente adequados e seguros.

As inovações tecnológicas de produtos e processos, e, por conseguinte, a geração de

redução de custos ou incremento na valorização dos produtos, podem variar de acordo

com a importância atribuída à gestão ambiental. Dessa forma, infere-se, neste contexto,

que quanto maior for a preocupação empresarial com a gestão ambiental, maior será o

número de inovações orientadas para produtos e processos ambientalmente adequados.

A internalização adequada da variável ambiental pelas empresas, pode propiciar a

utilização de insumos tais como energia, matérias-primas, e trabalho de modo mais

produtivo, potencializando reduções em custos, bem como a compensação dos gastos

com melhorias ambientais; a preservação ambiental está associada ao aumento da

produtividade dos recursos utilizados na produção e, conseqüentemente, a possíveis

incrementos da competitividade empresarial.

A Empresa e o desenvolvimento sustentável

O conceito de desenvolvimento sustentável é um termo normativo, segundo Romeiro

(2004), que surgiu com o nome de eco-desenvolvimento no início da década de 1970,

com autoria de Ignacy Sachs. Tal conceito surgira num contexto de controvérsia sobre

as relações entre crescimento econômico e meio ambiente, amplamente divulgadas pela

publicação do relatório do Clube de Roma (Limites do Crescimento) que pregava

crescimento zero como forma de evitar a catástrofe ambiental.

Para Pearce e Atkinson (1998), poucos conceitos parecem ter capturado o imaginário

público quanto o de desenvolvimento sustentável, abraçando a idéia de garantir que as

futuras gerações herdem um planeta que terá as mesmas condições que as gerações

presentes estão tendo para se sustentar.

Os autores prosseguem argumentando que, em termos econômicos, o desenvolvimento

sustentável veio a ser comparado a uma linha de desenvolvimento que assegura um

bem-estar per capita por um determinado horizonte de tempo.

Com relação ao panorama brasileiro, apesar de o meio empresarial ainda considerar

problemas ambientais como secundários (SEIFFERT, 2007a), a partir de 1980, as

organizações passaram a sofrer influência direta da regulamentação governamental,

proporcionando, com isso, uma mudança progressiva em seu ambiente de negócios.

Consoante Seiffert (2007a), a ação governamental, por deliberação própria, vem cedendo espaço para políticas orientadas pelo mercado, entendendo serem estas mais

eficientes do que mecanismos de imposição ou regulamentações ambientais.

A visão moderna da empresa em relação a seu ambiente é muito mais complexa, pois

ela é vista como uma instituição sociopolítica. A linha de demarcação entre empresa e

seu ambiente é vaga e ambígua. Não há consenso de quais seriam as verdadeiras

responsabilidades sociais de uma empresa. Muitos conceitos sociais, que eram comuns

nas décadas de 60 e 70, foram reformulados nos últimos anos e deram origem a novas

regulamentações e leis emanadas do poder público. Este estado de coisas tem tornado o

atual ambiente dos negócios imprevisível e mutável.

De acordo com Sanches (2000), o ambiente de negócios tem se apresentado com

expressiva instabilidade e turbulência, agravado pela existência de mudanças bastante

drásticas no processo econômico e produtivo, com implicações diretas para as empresas

industriais. Ainda segundo esta autora, todo esse cenário de mudanças tem sido

acompanhado de outras variáveis não menos impactantes como, por exemplo, o

crescente grau de exigência dos consumidores, que, dotados do “poder de compra”,

buscam variedades de produtos, demonstrando sua preocupação pela qualidade e manifestando uma constante e crescente exigência no sentido de melhorar o binômio

preço-desempenho (op. cit. p. 77).

Tachizawa (2007, p. 21) contribui nesse sentido ao afirmar que “um dos efeitos da

competição global foi o redirecionamento do poder para as mãos do comprador. [...] o

comprador está aprendendo a usar esse novo poder”.

Por outro lado, é fato que o consumidor brasileiro dá cada vez mais valor às práticas

de responsabilidade socioambiental das empresas, além de buscar informações sobre o

assunto, todavia, está longe de incorporar esses valores em suas práticas cotidianas.

Para Layrargues (2000), o país ainda não possui uma presença significativa de

consumidores verdes para que se configurem num verdadeiro estímulo à sujeição

empresarial ao imperativo ecológico. A demanda por produtos verdes ainda é mínima.

Mesmo que alguns insistam em afirmar o contrário, o consumidor verde no Brasil

ainda é uma incógnita, não se sabe, se ele existe de fato e em qual proporção.

A principal alteração que se verifica atualmente é a percepção das corporações sobre o

papel que desempenham na sociedade. A corporação não é mais vista como uma

instituição com propósitos simplesmente econômicos, voltada apenas para o

desenvolvimento e venda de seus produtos e serviços. Em face de seu tamanho,

recursos e impacto na sociedade, a empresa tem grande envolvimento no

acompanhamento e na participação de muitas tarefas sociais, desde a limpeza das águas

até o aprimoramento cultural e espera-se que ocorra um alargamento de seu

envolvimento com esses conceitos “não econômicos” no futuro, entre eles, proteção dos

consumidores e dos recursos naturais, saúde, segurança e qualidade de vida nas

comunidades em que estão localizadas e onde fazem seus negócios.

Não obstante esta afirmação, cabe à sociedade o papel de discernir entre o discurso da

organização e sua ação efetiva no que tange ao seu comportamento ambiental.

2. A institucionalização da função ambiental na organização

Para Pinfield (1998) uma característica marcante da sociedade contemporânea diz

respeito à crescente inquietação com a qualidade, atual e emergente, do ambiente

natural.

Não obstante essa percepção da sociedade em geral, as organizações, em particular, têm

sofrido grandes influências em seu ambiente interno. Como resposta a essa demanda

oriunda do macroambiente, as organizações vêm incorporando, ainda que de forma

lenta, a prática da gestão ambiental em sua estrutura.

Entende-se por macroambiente ou ambiente geral o ambiente externo à empresa.Com

objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, quer reduzindo ou

eliminando os danos ou problemas causados pelas ações humanas, quer evitando que

eles surjam”

Nessa perspectiva, dependendo do setor em que a empresa opera, haverá maior ou

menor interface com a variável ambiental. Para Maimon (1994), como resposta a essas

pressões internas e externas, as empresas adotam, basicamente, três linhas de ação:

1. adaptação à regulamentação ou exigência do mercado, incorporando equipamentos de

controle da poluição nas saídas, sem modificar a estrutura produtiva e o produto;

2. adaptação à regulamentação ou exigência do mercado, modificando os processos e/ou

produtos (inclusive embalagem). O princípio é a prevenção da poluição, selecionando

matérias-primas, desenvolvendo novos processos e/ou produtos;

3. antecipação aos problemas ambientais futuros, ou seja, assumindo um

comportamento proativo e de excelência ambiental. O princípio é de integrar a função

ambiental no planejamento estratégico da empresa.

Nessa mesma linha, Donaire (1995) apresenta brevemente o conceito de

conscientização ambiental, o que, segundo o autor, “sobrepuja o conceito de

responsabilidade social, medido através de valores morais de obediência aos preceitos

da lei, para um posicionamento mais técnico e abrangente que envolve a identificação e

a antecipação dos mecanismos internos que estão sendo implementados pelas

organizações para responder a essas pressões sociais”.

3. Para além de uma simples diferenciação de mercado

Faz-se necessário pensar, urgentemente, além de procurar meios de se investigar, como

as empresas têm desenvolvido seus processos com vistas à questão ambiental. O

discurso do ambientalismo empresarial tem apresentado, enfaticamente, as

oportunidades de se obter lucros, ou seja, de remunerar ainda mais o capital investido, apartir do “mercado verde”.

Consoante Dias (2007a), uma empresa ambientalmente responsável é engajada

profundamente em um novo modo de proceder. Caso contrário, muito em breve, ficará

claro que as intenções foram somente de maquiar a realidade e não transformá-la.

Nesse contexto, pressupõe-se que não se pode tomar posição de um ou de outro lado,

sem que se conheça melhor o que, de fato, está por trás dessa discursiva ideologia

corporativa.

Para Crespo et al (1998) as próprias lideranças do ambientalismo empresarial

apresentam opiniões divergentes quanto ao consumidor verde, pois enquanto uns

acreditam que, dentro de um curto espaço de tempo, haverá um significativo número

desse tipo de consumidor agindo no Mercado, outros acreditam que essa tendência não

se concretizará tão cedo.

O desenvolvimento Sustentavel

Segundo Starke (1991), o termo desenvolvimento sustentável surge pela primeira vez

em 1980, no documento Estratégia de Conservação Mundial: conservação dos recursos

vivos para o desenvolvimento sustentável. Esse documento foi publicado pela União

Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), pelo Fundo Mundial para Vida

Selvagem (WWF) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

(PNUMA).

De acordo com esse documento: "para ser sustentável, o desenvolvimento precisa levar

em conta fatores sociais e ecológicos, assim como econômicos; as bases dos recursos

vivos e não-vivos; as vantagens de ações alternativas, a longo e a curto prazos".

Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento elabora um

novo significado para o termo. Para a Comissão, desenvolvimento sustentável passa a

ser "aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de

gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades".

E, mais recentemente, em junho de 1992 no Rio de Janeiro, na Conferência das Nações

Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, reconheceu-se a importância de

assumir a idéia de sustentabilidade em qualquer programa ou atividade de

desenvolvimento.

O conceito de desenvolvimento sustentável ocupa uma posição central dentro do ambientalismo. O mesmo autor coloca ainda que,"...nos últimos anos, o antigo debate

dos anos 70, que de certa forma separava as questões ambientais do desenvolvimento, é

substituído por outro mais convergente e otimista, preocupado centralmente na questão

de como fazer para alcançar um desenvolvimento sustentável". (Lelé, 1991, p. 78)

Apesar da inegável importância da definição do termo desenvolvimento sustentável,

este gera uma diversidade de idéias que reflete a falta de precisão na conceituação

corrente do mesmo. Baroni (1992) apresenta uma visão crítica do termo apontando as

contradições e inconsistências das definições adotadas.

Há uma linha de pensamento que trata o termo desenvolvimento sustentável como

sendo o mesmo que "sustentabilidade econômica", isto é, aquela que somente tem

relação com a capacidade dos recursos se reproduzirem ou não se esgotarem.

O desenvolvimento sustentável pode ser entendido um patamar superior do

desenvolvimento: "...substituem a idéia tradicional do desenvolvimento sustentável,

onde a incorporação do adjetivo sustentável à idéia tradicional do desenvolvimento

reconhece implicitamente que este não foi capaz de aumentar o bem-estar e reduzir a

pobreza, como é sua proposta". (Baroni, 1992, p. 17)

Em suma, conclui que há um consenso por parte dos autores que abordam o termo, em

sugerir que desenvolvimento sustentável é buscar o fim da pobreza, acrescida da

preocupação em reduzir a poluição ambiental e o desperdício no uso dos recursos.

Pode-se perceber, portanto, que nesse aspecto as empresas têm um papel extremamente

relevante. Através de uma prática empresarial sustentável, provocando mudança de

valores e de orientação em seus sistemas operacionais, as empresas estarão engajadas à

idéia de desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente.

A busca pela pratica de um desenvolvimento Industrial Sustentável

No meio empresarial, o desenvolvimento sustentável implica num processo impositivo

de melhoria contínua, visando uso mais racional de recursos para satisfazer as

crescentes necessidades do consumidor e diminuir os impactos ambientais. As técnicas

de gestão devem ser constantemente atualizadas, e tais inovações precisam ser

progressivamente incorporadas aos programas e políticas existentes, se uma empresa

pretende ficar à frente das exigências legais, das expectativas da comunidade e dos seus

concorrentes.

Winsemius (1992) afirma que o mais evidente sinal de mudança do empresariado,

visando a internalização das questões ambientais, deu-se na Segunda Conferência Mundial da Indústria sobre a Gestão do Meio Ambiente (WICEM II), realizada em abril

de 1991 em Roterdã (Holanda). Nesta Conferência um grande número de corporações

assinou a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, proposto pela Câmara

do Comércio Internacional (ICC).

A carta empresarial para o desenvolvimento sustentável registra 16 princípios de gestão

que implicam compromissos a serem assumidos pelas empresas, no estabelecimento de

um sistema de gestão ambiental. Estes princípios1 são os seguintes:

1) Reconhecer a gestão ambiental entre as mais altas prioridades das corporações e

como um determinante-chave do desenvolvimento sustentável, do estabelecimento de

políticas, programas e práticas para conduzir operações de uma maneira ecologicamente

saudável;

2) Integrar plenamente estas políticas, programas e práticas em cada negócio como um

elemento essencial da administração em todos os níveis funcionais;

3) Continuar melhorando as políticas, programas e o desempenho ambiental, tendo em

vista os futuros desenvolvimentos tecnológicos, um maior entendimento científico, as

necessidades dos consumidores e aspirações legais como ponto de partida, aplicando-se

os mesmos critérios internacionalmente;

4) Educar, treinar e motivar os empregados a conduzir suas atividades de uma maneira

ecologicamente responsável;

5) Avaliar os impactos ambientais antes de iniciar uma nova atividade ou projeto e antes

de desativar uma instalação ou deixar um local.

6) Desenvolver e fornecer produtos e serviços que não provoquem impactos ambientais

indevidos, que sejam seguros no seu uso intencional, que sejam eficientes no consumo

de energia e recursos naturais, e que possam ser reciclados, reutilizados ou seguramente

depositados;

7) Aconselhar, e quando necessário for, educar clientes, distribuidores e o público em

geral sobre o uso, transporte, estocagem e disposição final segura dos produtos

fornecidos, aplicando considerações similares ao fornecimento de serviços;

8) Desenvolver, conceber e operar instalações, bem como conduzir atividades tendo em

vista o uso sustentável dos recursos renováveis e a disposição final responsável e segura

dos resíduos;

9) Conduzir ou financiar pesquisas sobre o impacto ambiental da matéria-prima,

produtos, processos, emissões e outros resíduos associados ao empreendimento, assim

como sobre os meios de minimizar seus impactos negativos;

10) Modificar a manufatura, a comercialização e/ou o uso de produtos e conduzir

atividades, no sentido de prevenir degradações sérias e irreversíveis do meio ambiente,

de acordo com o entendimento técnico-científico;

11) Promover a adoção destes princípios pelos prestadores de serviços e fornecedores da

empresa. Quando necessário, requerer melhorias nos seus procedimentos, a fim de

torná-los consistentes com os princípios da empresa, encorajando sua plena adoção;

12) Desenvolver e manter, onde existir perigo significativo, planos emergenciais em

parceria com os serviços de socorro, autoridades competentes e comunidade local,

reconhecendo o potencial dos impactos além dos limites da própria instalação;

13) Contribuir na transferência de tecnologias ecologicamente saudáveis e de métodos

gerenciais entre os setores públicos e privados;

14) Contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas, programas inter-

governamentais e comerciais e iniciativas educacionais que garantam a proteção e a

consciência ecológica;

15) Fomentar a transparência e o diálogo com os empregados e o público, antecipando

e respondendo suas preocupações quanto aos impactos e ameaças potenciais de

operações, produtos, detritos e serviços, incluindo aqueles de significação global e

regional;

16) Medir o desempenho ambiental; conduzir auditorias ambientais e avaliações de

acordo com as exigências e princípios legais e da própria empresa. Fornecer

periodicamente, para a direção, acionistas, empregados, autoridades e o público em

geral, informações apropriadas sobre o desempenho ambiental. (ISO(a), 1995, p. 51)

Com base nos princípios da Carta Empresarial da ICC e da necessidade do meio

empresarial se adaptar às novas exigências em relação às questões ambientais, o British

Standards Institute (BSI) - apoiando-se em sua experiência no que se refere aos

Sistemas de Gestão da Qualidade - lançou em 1992 a norma BS 7750. Esta norma, de

caráter voluntário, propõe um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que procura não só

ordenar e integrar os procedimentos existentes na empresa, mas também permitir que esta seja passível de certificação. Esta norma está diretamente relacionada à norma BS

5750, que trata dos Sistemas de Gestão da Qualidade. (ABNT, 1995)

Seguindo o mesmo rumo, a International Organization for Standardization (ISO), após

o sucesso da série ISO 9000 de Sistemas de Gestão da Qualidade, também sensibilizada

por uma série de ações em nível internacional e sentindo a necessidade de avaliar a

questão ambiental de forma mais abrangente, iniciou uma investigação para avaliar a

necessidade de normas internacionais para gestão ambiental. Em agosto de 1991, criou

o Strategic Advisory Group on Environment (SAGE). Este grupo tinha por finalidade

propor as ações necessárias para a criação de um enfoque sistêmico da normalização

ambiental e da certificação. (ABNT, 1995; CNI, 1995)

Em 1992, o SAGE deu o sinal verde para o Conselho Técnico da ISO, que então

encarregou um novo Comitê Técnico, o TC 207, do desenvolvimento de normas

internacionais para gestão ambiental.

Em suma, pode-se dizer que a série ISO 14000 trata-se, na realidade, de uma

conseqüência formal de todo este movimento institucional (encontros, fóruns,

surgimento de ONGs) descrito até então e que vem pressionando empresas de todos os

tipos a se preocuparem com a questão ambiental e o desenvolvimento.

Antes de apresentar maiores detalhes sobre esta série de normas, faz-se necessário

esclarecer que até o presente momento este conjunto de normas não está oficialmente

disponível para certificação. As normas estão (em sua maioria) em elaboração, devendo

a primeira norma ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental) estar pronta até o final do

ano de 1996. Pelo fato de ainda estarem em elaboração, o item 2.4.1, a seguir

apresentado, contém informações não só sobre a série ISO 14000 como também sobre

o processo de elaboração das normas.

A Série ISO 14000

A série ISO 14000 consiste num conjunto de normas, igualmente de caráter voluntário,

elaborado pela ISO que "visa estabelecer diretrizes para a implementação de sistemas

de gestão ambiental, nas diversas atividades econômicas que possam impactar o meio

ambiente, e para a avaliação e certificação destes sistemas, com metodologias

uniformes e aceitas internacionalmente". (CNI, 1995, p. 24)

O modelo de sistema de gestão ambiental proposto pela ISO baseia-se numa visão

organizacional que adota os seguintes princípios

1o Princípio:

A organização deve intencionar fazer tudo que precisa ser feito. Deve garantir seu

compromisso com o sistema de gestão ambiental e definir sua política nesta área.

2o Princípio:

A organização deve formular um plano para atender sua política ambiental.

3o Princípio:

Para uma efetiva implementação, a organização deve desenvolver capacidades e

mecanismos de apoio necessários à realização dos objetivos e metas de sua política

ambiental.

4o Princípio:

A organização deve medir, monitorar e avaliar seu desempenho ambiental.

5o Princípio:

A organização deve revisar continuamente seu sistema de gestão ambiental, com o

objetivo de melhorar seu desempenho ambiental total. (ISO(a), 1995, p. 5)

Com isto em mente, o sistema de gestão ambiental é melhor visto como uma estrutura

organizacional que deve ser continuamente monitorada e revisada, no sentido de

fornecer orientações efetivas às atividades ambientais da organização, em resposta às

mudanças dos fatores externos e internos. Nesse sistema, cada indivíduo na organização

deve assumir responsabilidades individuais pela melhoria ambiental. (ISO(a), 1995)

Buscando complementar o conjunto de pressões que vem fazendo com que o meio

empresarial se preocupe com a adoção de políticas ambientalistas, cabe ressaltar um

outro aspecto importante: as pressões de mercado. Estas pressões podem ser

identificadas, sobretudo, através das mudanças de postura dos clientes, e mesmo dos

pequenos consumidores, que hoje se mostram muito mais propensos a adquirir produtos

que não prejudiquem o meio ambiente, como também através das relações comerciais

entre países.

Conclusão

A Conclusão deve abranger todos os tópicos colocados aqui no trabalho ( de maneira MEGA sucinta ).

Conceito de Meio Ambiente,O capital natural à luz da economia,O meio ambiente

e a visão empresarial,A questão ambiental e as organizações,As questões

ambientais e o mercado consumidor. Uma nova realidade e a postura

organizacional,Os reflexos da preocupação ambientalista no ambiente de

negócios,A variável ambiental no ambiente empresarial,A gestão ambiental e suas

perspectivas,A gestão ambiental na empresa Sistemas de gestão

ambiental,Diferentes abordagens para a gestão ambiental empresarial,O Meio

Ambiente e as questões competitivas, Empresa e o desenvolvimento sustentável, O

desenvolvimento Sustentavel, A busca pela pratica de um desenvolvimento

Industrial Sustentável A Série ISO 14000

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