O Modelo com Fatores Específicos - Apostilas - Economia Internacional, Notas de estudo de Economia. Universidade Veiga de Almeida (UVA)
Pele_89
Pele_896 de Março de 2013

O Modelo com Fatores Específicos - Apostilas - Economia Internacional, Notas de estudo de Economia. Universidade Veiga de Almeida (UVA)

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Apostilas e exercicios de Economia sobre o estudo do comércio internacional no modelo de fatores específicos.
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O Modelo com Fatores Específicos

Nas aulas anteriores você viu o modelo Ricardiano com todas as suas limitações. Uma delas a de que o fator de produção era homogêneo, de forma que o trabalho de um pescador seria idêntico (em habilidade) a um economista de um banco. Claramente, esta não é uma hipótese realista.

Nesse novo modelo, veremos os efeitos que ocorrem quando os fatores de produção são específicos (algo como a especificidade de ativos (sunk costs) que você já viu ou verá em Organização Industrial). O modelo, desenvolvido por Samuelson & Jones, assume uma economia com dois países, dois bens, o trabalho ainda homogêneo e um fator de produção que é específico para um dos setores. Por que é interessante entender as implicações deste modelo?

Geralmente os alunos reclamam, com toda razão, do irrealismo de se supor que o mesmo fator de produção possa ser utilizado em ramos produtivos tão distintos. Assim, compreender este modelo pode ser um passo a mais para que a análise do comércio internacional seja mais realista.

O modelo

Insumos: trabalho (L), capital (K) e terra (T).

Produtos: manufaturados (m) e alimentos (a). Os manufaturados são produzidos com capital e trabalho. Os alimentos, com terra e trabalho.

Perceba que, neste modelo, o capital é o fator específico, no sentido de que o mesmo só pode ser utilizado na produção de manufaturados.

Logo, temos duas funções de produção: Qm = Qm(K, Lm) e Qa = Qa(T, Lf). Obviamente, Lm + La = L. As funções de produção são contínuas e diferenciáveis em todos os pontos. Sobre o trabalho, ainda, existe a hipótese de que o mesmo aumente o produto, mas que seus rendimentos são decrescentes.

Os gráficos vistos em sala mostram o modelo com fator específico. Perceba que, diferentemente do modelo de Ricardo, neste o custo de oportunidade se traduz em uma CPP na qual a produtividade marginal do trabalhador é decrescente. É fácil ver também que a CPP apresenta como inclinação o negativo da razão das produtividades marginais, ou seja, - PmgLa / PmgLm. A CPP, como de hábito, nos mostra qual será o nível de produto para uma dada alocação dos insumos. O próximo e importante passo é perguntar como uma economia de mercado determina a alocação do trabalho.

Obviamente, a resposta para isso é: depende do nível de oferta e de demanda de trabalho. Supondo concorrência perfeita, tem-se que: PMgLi * Pi = w, que é a relação tradicional entre o valor da produtividade de um fator e sua

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respectiva remuneração. Observe que a expressão acima descreve os dois setores, pois i = m, a.

Sendo o trabalhador móvel (ou, se você quiser, não existem custos de mobilidade), o salário nominal não poderá ser diferente, no equilíbrio, de um setor em relação ao outro. Por que? Porque o setor que aumentar "w" atrairá trabalhadores do outro, gerando um movimento similar do outro setor. A luta continua até que cesse o movimento de trabalhadores de um para outro setor. Ora, isso ocorre apenas em equilíbrio.

Mas, se w é o mesmo, você poderia escrever que: WPLPMPLPM AAgMMg =×=× .

Voltando ao diagrama anterior, onde apresentamos a CPP, perceba que a quantidade produzida de alimento e manufaturados ocorre na tangência entre a

reta do relativo de preços e a CPP. Isto é: A

M

Mg

Ag

P P

LPM LPM

−=− O significado disso,

creio, é bastante claro.

Algumas estáticas comparativas:

1. Se tivermos A

A

M

M

P P

P P ∆ =

2. Se tivermos 0 e 0 = ∆

> ∆

A

A

M

M

P P

P P

Um efeito interessante: o aumento do Pm, visto acima, gera um aumento de w (para os trabalhadores neste setor) . Perceba que o aumento em w é menor do que o aumento em Pm. Por que?

E, mais ainda, w/Pm cai e w/Pa aumenta. Contudo, nada se pode dizer sobre o bem-estar do trabalhador, a priori. Por que? Porque não se sabe, de antemão, quanto cada bem significa no consumo do trabalhador.

Os donos de capital, por sua vez, melhoram, pois Pm aumentou.

Os donos da terra ficam piores. Afinal, o salário real dos trabalhadores aumentou (via aumento de w, que eles pagam), além do que o relativo de preços lhes é desfavorável agora.

Outro efeito seria considerar o aumento de K em um dos países. Usando o diagrama com quatro gráficos, mostre o que ocorre com o país se K é aumentado.

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O comércio internacional no modelo de fatores específicos

Sejam dois países, Japão e EUA. Para que haja comércio, como já vimos, o preço relativo deve ser intermediário ao preço relativo de cada país em uma situação na qual ambas as economias sejam fechadas (ou pelo menos não comerciem entre si, nos produtos específicos). Vamos supor, aqui, que os preços relativos nos dois países são diferentes por causa da diferença na oferta relativa de ambos os países. Você pode se perguntar o que causaria esta diferença, o que é uma pergunta bem razoável. Vamos supor que a diferença se dá pelo fato de ambos os países diferirem em seus recursos.

A relação básica entre recursos e oferta relativa (RS) é direta: um país que possui muito capital, mas não muita terra, tenderá a produzir, para dado preço relativo, mais manufaturas do que alimentos. Obviamente, o contrário vale para o país que possui a relação inversa de fatores.

Como dito antes, imagine um aumento na dotação de K em um dos países, por exemplo, o Japão. O que ocorrerá? Haverá um aumento na PMgLm e, conseqüentemente, um aumento no salário nominal, atraindo mais trabalhadores para o setor e, no fim, temos um contingente maior de trabalhadores empregados na fabricação de manufaturados, bem como uma correspondente diminuição de trabalhadores empregados na agricultura.

A curva RS do Japão se desloca para a direita. Por que? E se fosse um aumento de T, ao invés de K?

Considere um aumento no contingente total de trabalho, ou seja, em L. O que ocorre? No diagrama com quatro gráficos, percebe-se que a "restrição física" Lm + La = L se desloca para cima. Isso possibilita um maior emprego de mão-de- obra em ambos os setores, deslocando a CPP para o alto. Haverá aumento na produção de ambos os setores, pois o emprego aumentou e o salário deverá cair. Contudo, perceba que o resultado sobre o total de mercadorias produzidas é ambíguo.

Supondo que o L no Japão e nos EUA sejam idênticos, a única diferença estaria no fato de o Japão ser mais bem dotado em capital, e os EUA em terra.

O que ocorrerá é que os bens deverão ser produzidos nos países nos quais seus custos (de oportunidade) sejam menores. Em outras palavras, os países se tornarão exportadores líquidos de alguns bens e importadores líquidos de outros. Chamemos de Dm e Da o consumo de manufaturados (m) e alimentos (a). A produção, esta chamaremos de Qm e Qa. Obviamente, Pm e Pa possuem significados óbvios.

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Se não há comércio internacional a sociedade consome o que produz, o que equivale a dizer que a produção (= consumo) de equilíbrio será dada pela tangência da curva de indiferença "social" com a CPP. Isso para cada país. Mas, e se existe comércio internacional?

Neste caso, vale a pena para a sociedade produzir para exportação e importar também. Como ver isso? Seja a restrição orçamentária de um país dada

por: ( )mm A

M AA DQP

PQD −×⎟⎟ ⎠

⎞ ⎜⎜ ⎝

⎛ =− . Ora, o que se percebe é que a CPP passa a ser

tangenciada por uma reta de preços relativos, o que significa que o consumo pode se dar sobre esta "restrição orçamentária mundial". Isso significa que vale a pena separar a esfera do consumo da de produção. Graficamente, você teria o seguinte:

Onde, na tangência entre a reta de preços –Pm/Pa com a CPP temos o quanto de cada bem será produzido e, na tangência entre a curva de indiferença "social" e a razão de preços teremos o quanto de cada bem será demandado.

E em termos de bem-estar? Considere o que ocorreu aqui. O comércio internacional gerou um nível de preços relativos intermediário entre o americano e o japonês (i.e., a RS mundial está entre a RS dos EUA e a RS do Japão). Assim, o Japão se defronta com um preço relativo Pm/Pa superior ao que valia anteriormente. Isso deixa, obviamente, os donos do capital (K) melhores. Os donos das terras (T) ficam piores, pois o preço relativo lhes é desfavorável. Já quanto aos trabalhadores nada se pode afirmar a priori, pois não se conhece a composição do consumo do mesmo entre manufaturados e alimentos.

Obviamente, nos EUA, ocorre o contrário.

Qa

Qm M

A

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Concluindo: O comércio beneficia o fator que é específico para o setor exportador de cada país, mas prejudica o fator específico nos setores importadores, com efeitos ambíguos sobre os fatores móveis.

Se o comércio é bom ou não é algo que se pode dizer analisando-se a resposta à seguinte pergunta: poderiam aqueles beneficiados pelo comércio compensarem os que perderam, e ainda assim ficarem em uma situação vantajosa?

Pense no seguinte. Suponha que o país produzisse muito de manufaturados e pouco de alimentos. Sem o comércio, este era, também, a demanda total do país pelos dois bens. Com o comércio, o país passa a produzir menos manufaturados e mais alimentos. Ora, é possível mostrar que existem diversas cestas de consumo, sobre a nova restrição de preços, que são superiores (Pareto-superiores) à cesta de consumo original. Resumindo: comércio é bom pois expande o conjunto de escolhas do país.

Uma breve visão da Economia Política do Comércio Internacional

Antes de mais nada, lembre-se do pequeno texto "Petição", de Bastiat. Concorde ou não você com ele, os pontos levantados são importantes: muitas vezes barreiras a produtos estrangeiros são erigidas em prol apenas de um setor da economia e, conseqüentemente, em detrimento de todos os consumidores. [obs: eu encontrei a versão em português, você pode ler a versão traduzida para o português em:

http://pt.wikisource.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%A3o_dos_fabricantes_de_velas,_etc.]

Existem diversos argumentos em prol de uma proteção a setores específicos da economia. Contudo, todos eles não podem ser examinados sem se considerar a possibilidade da ação de grupos de interesse.

Nesse sentido, Mancur Olson possui uma importante contribuição teórica, ao ter sido um dos primeiros a tentar compreender a ação dos grupos de interesse no crescimento das nações.

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