Órgãos dos Sentidos - Apostilas - Fisiologia_Parte1, Notas de estudo de . Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Pao_de_acucar
Pao_de_acucar5 de Março de 2013

Órgãos dos Sentidos - Apostilas - Fisiologia_Parte1, Notas de estudo de . Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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Apostilas de Fisiologia sobre o estudo dos orgãos de sentido, localizaçãon e tipos.
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ÓRGÃOS DOS SENTIDOS:

Como já foi estudado, no tópico sobre sistema nervoso, é através do impulso nervoso que as "informações" são transmitidas pelos "órgãos dos sentidos" que detectam um evento no meio ambiente, absorvendo energia. Esta energia é convertida em energia elétrica, por um receptor apropriado, que leva ao desencadeamento de um potencial de ação, que transmitirá informações ao SNC.

Diferentes tipos de órgãos do sentido respondem de modo diferente frente a diferentes tipos de energia.

Os órgãos dos sentidos possuem receptores específicos e adaptados para cada estímulo.

As "sensações" dependem da transmissão de uma mensagem ou "código". Os sentidos no homem se resumem: tato, olfato, gustação, visão, audição e equilíbrio, e os receptores podem ser classificados quanto:

LOCALIZAÇÃO

 Exteroceptores

 Interoceptores

 Proprioceptores

TIPO

Mecanorreceptores:

Tato - localizados na pele.

Proprioceptores - localizados no músculo.

Pressão - localizados nos vasos.

Equilíbrio - labirinto, localizado no ouvido.

Auditivos - cóclea, localizado no ouvido.

Quimiorreceptores:

Gustativos - localizados na língua (nos humanos).

Olfativos - localizados no epitélio nasal.

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Termorreceptores:

Temperatura - localizado na pele.

Eletrorreceptores:

Corrente elétrica - localizados na pele dos peixes elétricos.

Fotorreceptores:

Compostos que absorvem luz - localizados no olho.

Dor:

Terminações nervosas livres -localizadas por todo o organismo.

LOCALIZAÇÃO DOS MECANORRECEPTORES

1) O TATO

Os corpúsculos sensitivos responsáveis pelo tato estão espalhados largamente na pele, nas mucosas e nas estruturas de muitas vísceras. Esses corpúsculos respondem pela percepção da forma, da temperatura e da consistência dos corpos, assim como acusam a dor ou o simples contato de qualquer objeto.

Os corpúsculos sensitivos localizados na pele são classificados em: corpúsculos de MEISSNER, de PACINI, de KRAUSE e de RUFFINI.

- corpúsculos de MEISSNER: são superficiais, medem cerca de 0,1 mm e atuam como receptores das impressões de contato. Estes corpúsculos não estão distribuídos uniformemente, sendo mais numerosos nas superfícies palmares, nos dedos, nos lábios, nas margens das pálpebras, nos mamilos e na genitália externa.

- corpúsculos de PACINI: localizam-se profundamente na pele, medem menos de 4 mm, são ovóides e percebem os estímulos de pressão. Estão distribuídos em regiões do tecido subcutâneo, no tecido conjuntivo próximo a tendões e articulações, nas membranas interósseas do antebraço e da perna, no perimísio de músculos, no pâncreas e seu mesentério, em diversas serosas, sob membranas mucosas, nas glândulas mamárias e na genitália de ambos os sexos.

- corpúsculos de KRAUSE: medem aproximadamente 0,03 mm e transmitem sensação térmica de frio. Estes corpúsculos são mais numerosos na derme da conjuntiva, na mucosa da língua e na genitália externa.

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- corpúsculos de RUFFINI: medem aproximadamente 0,03 mm e transmitem sensação térmica de calor. Está localizado no tecido subcutâneo e encontram-se por toda a parte, mas são mais numerosos no tecido conjuntivo subcutâneo profundo da superfície da planta do pé.

- corpúsculos de MERKEL: são corpúsculos de MEISSNER rudimentares encontrados nas margens da língua, e provavelmente em outros epitélios sensíveis. Esses corpúsculos são formados por discos dilatados ao nível dos ramos terminais das fibras nervosas que penetram no epitélio pavimentoso estratificado e são ligados a uma célula epitelial modificada.

O esquema com a localização das terminações nervosas sensitivas está ilustrado na figura 1.

Fig. 1- a) Localização dos corpúsculos sensitivos na pele. b) Detalhe dos receptores que ocorrem na pele.

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2) APARELHO AUDITIVO:

Quando um corpo qualquer está vibrando, o ar que está em volta também vibra. Essas vibrações são percebidas pelo ouvido humano, que é capaz de captar ondas com vibrações compreendidas entre 16 Hz e 20.000 Hz (ondas que se repetem de 16 a 20.000 vezes por segundo).

O ouvido humano é dividido em três regiões: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno. A função básica dessas três regiões é transformar a energia das ondas sonoras em vibrações mais potentes a fim de serem captadas pelo sistema nervoso auditivo (fig.2).

Fig. 2 - Estruturas do aparelho auditivo

- OUVIDO EXTERNO: formado pelo pavilhão e pelo canal auditivo, que termina no tímpano que é uma membrana recoberta externamente por uma delgada camada de pele e internamente por epitélio cúbico simples. Entre as duas camadas epiteliais encontramos duas camadas de fibras colágenas, fibroblastos e fibras elásticas que entram em vibração quando recebem as ondas sonoras. Esta vibração tem função amplificadora do som. O pavilhão externo capta o som e pode ser fixo ou móvel (dependendo da classe animal, no homem, em geral é fixo). O canal auditivo ou meato acústico externo é revestido internamente por pele rica em pêlos e glândulas sebáceas e ceruminosas cuja função é a proteção do tímpano.

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- OUVIDO MÉDIO: vai do tímpano até as janelas redonda e oval (membranas entre o ouvido médio e o ouvido interno) Contêm três minúsculos ossos que transmitem a vibração do tímpano até a janela oval. São eles o martelo, a bigorna e o estribo. Um canal chamado trompa de Eustáquio comunica o ouvido médio com a faringe. Este tubo serve para que as pressões do ar de um lado e do outro do tímpano fiquem equilibradas.

- OUVIDO INTERNO: A janela oval transmite as vibrações ao ouvido interno, que é formado pela cóclea ou caracol (percepção dos sons) e pelos canais semicirculares (relacionados com o equilíbrio). Na cóclea, onde o som é amplificado, encontram-se as terminações do nervo auditivo (fig.3).

Fig. 3 - Estrutura da cóclea

O mecanismo da audição é bastante complexo, porém resumidamente temos:

1) As ondas sonoras entram pelo canal auditivo, chegam ao tímpano e este vibra.

2) As vibrações do tímpano são transmitidas aos ossinhos martelo, bigorna e estribo. Este último comprime a janela oval, que é uma membrana na parede da cóclea. Na cóclea tem um "túnel" constituído pela rampa ascendente, membrana tectórica e rampa descendente. A rampa ascendente transmite vibrações à membrana tectórica.

3) Dentro da rampa há um líquido que se agita com as vibrações recebidas, que estimula a membrana tectórica e esta movimenta os cílios das células do órgão de Corti (fig.4).

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Fig.4 - Órgão de Corti

4) As células do órgão de Corti (transformam as vibrações em impulsos elétricos) estimulam os dendritos do nervo coclear (na base de cada célula sensitiva há uma fibra nervosa).

5) As diversas fibras nervosas formam o nervo auditivo, que conduz os impulsos nervosos até a área cerebral responsável pela audição. Esta área do cérebro interpreta os impulsos recebidos e a pessoa ouve.

Por ser um órgão sensível, diversas são as causas que podem levar à surdez. Tímpano perfurado, endurecimento ou inflamação são as mais comuns. Calcificação e destruição dos ossinhos do ouvido médio também são causas freqüentes mas podem ser corrigidas através de cirurgias. Porém, se a causa for no nervo auditivo, a surdez é praticamente incurável.

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O OUVIDO E O EQUILÍBRIO:

No interior do vestíbulo (que contém 3 canais semicirculares) há um líquido que preenche estas cavidades. Os canais semicirculares se abrem no utrículo. Os canais e o utrículo são recobertos por um epitélio ciliado. Os cílios desta camada epitelial estão em intimo contato com filetes nervosos. No líquido que "banha" estes cílios também "flutuam" cristais de Carbonato de Cálcio, que são chamados de otólitos (fig. 5). Os otólitos, conforme a posição da cabeça do indivíduo, roçam os cílios de uma região dos canais semicirculares, os filetes nervosos em contato com os cílios conduzem o impulso nervoso através do nervo vestibular. O nervo vestibular conduz o impulso ao cerebelo e este interpreta a posição em que o indivíduo se encontra.

Fig 5 - O sáculo e o utrículo. Compare as posições dos otólitos e cílios em a), com as em b).

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Se estivermos com a cabeça na vertical, o líquido encosta-se a determinadas células sensitivas. Se inclinarmos a cabeça ou o corpo todo, outras células é que são estimuladas, e o cerebelo é informado da nova posição acionando os músculos da perna e tronco endireitando o corpo. Por isso, uma infecção nos canais semicirculares chamada labirintite atrapalha essa sensibilidade e o individuo fica "com sensação de tontura e desequilíbrio".

Nos invertebrados: existem estruturas precárias, chamadas estatocistos, que são pequenas vesículas contendo grãos de carbonato de cálcio, as quais atritam células ciliadas, dando-lhes também a noção de posição do corpo.

Insetos: apresentam um músculo que exercem a função do tímpano cuja vibração é captada por células sensoriais, fazendo com que consigam perceber alguns sons.

O ouvido desenvolvido aparece nos vertebrados.

Peixes: labirinto com canais semicirculares e a lagena (similar à cóclea). Através de uma estrutura sensitiva, conhecida como "linha lateral", consegue captar as vibrações da água;

Répteis: apresentam labirinto, canais semicirculares e cóclea;

Aves: já apresentam pavilhão auricular, porém ainda precário.

LOCALIZAÇÃO DOS QUIMIORRECEPTORES

1) O ÓRGÃO OLFATIVO:

A área olfativa consiste de duas zonas, uma em cada cavidade nasal. A mucosa que reveste as cavidades nasais nas áreas olfativas constitui o epitélio olfatório ou olfato e é denominada mucosa pituitária. Esse epitélio é do tipo colunar, pseudo-estratificado, formado por três tipos celulares.

Fig. 6 - a) Mucosa olfativa. b) Estruturas do órgão olfativo.

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- Células de sustentação: são prismáticas, largas no seu ápice e mais estreitas na sua base. Apresentam, na sua superfície, microvilos que se projetam para dentro da camada de muco que cobre o epitélio. Essas células têm pigmento acastanhado que é responsável pela cor marrom da mucosa olfatória.

- Células basais: são pequenas, arredondadas ou cônicas e formam uma camada única na região basal do epitélio, entre as células olfatórias e as de sustentação.

- Células olfatórias: são neurônios bipolares que se distribuem entre as células de sustentação. É dilatada em uma de suas extremidades de onde partem de seis a oito cílios. Esses cílios são longos, não têm movimentos e são considerados os receptores, isto é, a porção celular excitada pelo contato com uma substância odorífera.

Na sua parte mais anterior a mucosa pituitária é vermelha e rica em vasos sanguíneos, sendo denominada pituitária respiratória, destinada ao aquecimento do ar inspirado. A porção mais profunda ou posterior da mucosa pituitária tem cor amarela e é formada por células nervosas situadas em meio a células epiteliais. Por seus neurônios estarem sobre a superfície, quando uma membrana mucosa é lesada por um processo patológico ou por um traumatismo, os corpos das células nervosas que forem destruídas não podem ser regenerados. SMITH, através de suas pesquisas, estimou que, em média, cerca de 1% das fibras no nervo olfativo (que conduzem o receptor ao cérebro) são perdidas a cada ano de vida devido a infecções na membrana olfativa. Os corpos dos neurônios presentes no epitélio da membrana mucosa são altamente suscetíveis de serem seletivamente estimulados por odores de diversos tipos; por eles através de moléculas provenientes do meio exterior ocorre o estímulo dos botões terminais dos dendritos das células nervosas que transmitem ao nervo olfativo um impulso, que é levado ao cérebro.

O modo pelo qual um indivíduo é capaz de apreciar diferentes odores e sua relativa intensidade é assunto ainda não bem compreendido. Há tanta variedade de odores, que é impossível haver receptores especiais para cada tipo de odor, isso levou o cientista, JOHN AMOORE (1960), ao conceito da existência de células olfativas especializadas somente para certos odores básicos e que, a razão da capacidade do homem em distinguir tal variedade de odores pode ser devida a várias combinações dos receptores dos odores básicos quando estimulados por odores complexos. Segundo AMOORE, existem sete odores fundamentais: cânfora, almíscar, floral, menta, éter, penetrante e putrefato.

Em síntese temos:

a) as células olfativas seriam de diferentes tipos, especializadas para serem facilmente estimuladas por certos odores básicos;

b) os receptores para os tipos básicos de odores não estariam dispostos uniformemente através de toda a área olfativa, mas sim agregados;

c) a capacidade humana para distinguir um tal número de odores se deve a esses diferentes odores estimular diferentes combinações dos receptores para os odores básicos;

d) a intensidade de um odor está relacionada com o número de receptores estimulados por ele.

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