Psicologia do fascismo  - resumo de livro - Historia, Notas de estudo de História da Europa. Universidade do Vale do Sapucaí
Reginaldo85
Reginaldo851 de Março de 2013

Psicologia do fascismo - resumo de livro - Historia, Notas de estudo de História da Europa. Universidade do Vale do Sapucaí

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Relatório do livro: Psicologia de Massas do Fascimo – Willhem Reich. Analisi dos capitulos.
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No primeiro capítulo, A Clivagem, Reich examina a ação do entendimento marxista sobre a situação política na Alemanha pré-naz

Relatório do livro:

Psicologia de Massas do Fascimo – Willhem Reich

No primeiro capítulo, A Clivagem, Reich examina a ação do

entendimento marxista sobre a situação política na Alemanha pré-nazista.

A palavra clivagem remete à idéia de fragmentação em planos, sendo que esses

são sempre faces possíveis do mesmo cristal. No sentido utilizado pelo autor, o

cristal pode ser entendido como o acontecimento histórico. Já os planos

fragmentados; a economia alemã que pendia para a esquerda e a ideologia de

largas camadas que pendiam para a direita.

Reich descreve a Alemanha de meados da década de 30 como o lugar onde as

condições para a Revolução Social estavam preenchidas:

(...) o capital estava concentrado em poucas mães, a transformação da economia

nacional numa economia mundial estava em contradição aberta com os sistema

aduaneiro dos Estados Nacionais, a economia capitalista não atingia sequer

metade da capacidade de produção (...)

Entretanto, para desespero das interpretações marxistas forma exatamente as

massas reduzidas à miséria que contribuíram para ascensão do Partido Nacional

Socialista, 19 a 20 milhões de votos contra os 13 milhões dos comunistas e social

democratas.

No entendimento dessa situação política encontra-se o erro marxista; ao

compreender que a precária situação material do povo alemão condicionaria

predominantemente seus ideais. Reich aponta que o método do materialismo

dialético não reconhece o fator subjetivo da história que para ele é a ideologia das

massas. Ideologia e consciência são determinadas exclusivamente e diretamente

por sua existência econômica, afirma o discurso do marxismo vulgar.

“(...) os marxistas não consideraram nas suas práticas políticas a estrutura do

caráter das massas e o efeito social do misticismo”

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Reich acusa o marxismo vulgar de transformar métodos flexíveis em ortodoxia

rígida. Para o marxismo vulgar a psicologia é pura e simplesmente um sistema

metafísico. Acrescenta que sua crítica não construtiva impede que perceba fatos

como “pulsão”, “necessidade” ou “processo interno” como sendo idealistas.

No entanto, encontra nos escritos do próprio Marx os fundamentos para uma

psicologia de massas, não a direcionada para análise individual, mas uma

psicologia que estude os processos comuns e típicos a uma categoria, classe,

grupo profissional, etc.

“o próprio homem é a base da sua produção material, como de qualquer outra

coisa que ele realiza. Assim, todas as condições afetam e modificam em maior ou

menor grau, todas as funções e atividades do homem – sujeito da produção e

criador de riqueza material, de mercadoria. Nesta perspectiva, pode-se provar que

todas as condições e funções humanas, independente de como e quando se

apresentem, exercem influencia sobre a produção material, agindo sobre ela de

maneira mais ou menos determinante

(Teoria da mais valia)

“Todas as condições” seriam não só as condições de trabalho (vida material) mas

também da vida sexual das várias camadas que compoe a sociedade.

Posteriormente iremos entender porque Reich dá primazia à energia sexual. No

momento é importante perceber que o autor encontra a união de dois campos

epistemológicos – psicologia e sociologia. O encontro deriva da necessidade de

compreensão do fenômeno que fez os ideais imperialistas do nazismo serem

absorvidos e reproduzidos pelas largas camadas da população.

É preciso traçar uma distinção entre a psicologia de massas e a psicologia

individual burguesa. Até os dias de hoje, boa parte da prática psicológica é destina

a uma pequena parcela da população. O próprio entendimento da prática já tem

esse direcionamento, pois os indivíduos que a procuram já estariam neuróticos,

reprimidos por uma sociedade autoritária, ou seja, os fomentadores da repressão

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– a sociedade como um todo – passariam ilesos. Reich encontrou nas teorias

políticas de Marx e psicanalíticas de Freud, a maneira de agir na prática em favor

da dissolução da couraça, não de uma maneira individual, mas coletiva. Dessa

sua situação nasce outros conceitos como orgone e economia sexual.

“o conceito de energia sexual se perdeu dentro da organização psicanalítica, vindo

reaparecer, com uma nova força, na descoberta do orgone, também o conceito de

trabalhador internacional perdeu seu sentido nas práticas marxistas, reaparecendo

no âmbito da sociologia da economia sexual.”

A sociologia baseada na economia sexual resolve a contradição que levou a

psicanálise a esquecer o fator social e o marxismo a esquecer a origem animal do

homem.

Freud argumenta que a atividade cultural em si demanda repressão e

recalcamento. Ou seja, para existir civilização é necessário haver contenção das

energias sexuais. Um desejo não realizado é recalcado, armazenado pelo

inconsciente e mais tarde aparece na forma de uma neurose.

Reich irá discordar de Freud uma vez que ele não é a civilização em si na gênese

da cultura, que é repressora.

Para ele esse fenômeno é recente, tem ponto de manifestação no

estabelecimento da família patriarcal autoritária e com início das divisões de

classe. Segundo sua análise é nesse estágio que os interesses sexuais gerais

começam a atender os interesses econômicos de uma minoria.

“Com a limitação e a repressão da sexualidade, a natureza do sentimento humano

se aflora; aparece uma religião que nega o sexo e que, gradualmente, constrói a

sua própria organização da política sexual – a igreja com todos os seus

precursores cujo objetivo não é outro senão a erradicação dos desejos sexuais do

homem.”

O conceito de economia sexual refere-se ao modo de regulação da energia sexual

(biológica), a quantidade que reserva e libera orgasticamente.

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A ciência da economia sexual abrange os conhecimentos adquiridos através do

estudo desses fatores.

Reich argumenta que não é possível entender a relação entre repressão sexual e

a exploração humana, sem antes entender a situação econômica-sexual da

sociedade patriarcal autoritária. Ele identifica a família autoritária como a

instituição social em que convergem os interesses econômicos e sexuais do

sistema autoritário.

Já na infância, a inibição da sexualidade natural através de uma moral que repudia

qualquer manifestação dela é fator determinante na configuração de indivíduos

submissos.

Todos os atos da criança que se referem à sua sexualidade são duramente

reprimidos, para que ela se desenvolva se submetendo às ordens autoritárias da

família num primeiro momento, uma vez que a família é o Estado Autoritário em

miniatura que educa os indivíduos adapta os corpos às futuras exigencias.

A família é, portanto, perpetuadora do sistema social autoritário e tem na

figura da mulher reacionária seu principal expoente, mas a moral sexual não

permite que ela tenha consciencia de sua situação social.

A questão que se levanta nesse momento é de como o discurso fascista

conseguiu arregimentar as diversas camadas da população. No segundo capítulo

o autor analisa alguns pontos do discurso de Hitler e de que maneira ele fez eco

nas classes m[edias, baixas e altas.

“Em vez de que Hitler tenha dominado o povo alemão, há de se

reconhecer que o povo alemão, em determinado momento fabricou

sistematicamente seu Hitler. De tal maneira que, enquanto não se alterar, de

acordo com os princípios racionais, a estruturação dos seres humanos, não se

pode considerar que as ditaduras, por mais cruéis que se apresentem, sejam

acidentes.”

Realizando uma descrição sumária das classes que compunham a

sociedade alemã, Reich aponta para o núcleo comum a todas elas: a família

patriarcal. É nesse núcleo que outras instâncias – escola, igreja, etc ....-

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convergem. É por onde as crianças logo nos primeiros anos de vida são

configurados, em indivíduos dóceis e submissos.

Nesta linha de pensamento, Reich faz um paralelo entre a mãe e a nação

Para ele a ligação familiar corresponde aos sentimentos de nacionalismo

do povo, e ambos tem orgiem na fixação da figura materna. Essa ligação à mãe

passa a ser um produto social quando se transforma em ligação familiar e

nacionalista; assim, tanto a família quanto a naçao são partes integrantes do

recalcamento do desejo sensível.

Entretanto, os sentimentos nacionalistas tem intensidades diferentes

quando se pensa em classes sociais diferentes. Por exemplo, o trabalhador

industrial que desenvolve sentimentos nacionalistas menos fortes tem como

correspondente uma relação familiar mais tênue.

No discurso de Hitler há um aproveitamento desta relação entre familia

autoritária e nação. As falas são dirigidas ao povo e há uma sintonia com os

sentimentos existentes no módulo familiar. Seu discurso tem um caráter autoritário

que se assemelha a posição materna. Desta maneira, o que Hitler fala entra em

consonancia com as demandas da família reacionária e encontra terreno

apropriado para seu florescimento.

“(...) subjuda, sedento de autoridde e, ao mesmo tempo revoltado. O

magnata industrial e o militarista não fazem mais do que aproveitar-se deste fato

social para seus próprios fins, depois de ele ter-se desenvolvido no domínio da

repressão generalizada dos impulsos vitais.”

Os conceitos apresentados por Reich se mostram eficazes para o

entendimento de alguns acontecimentos históricos. Parece ser recente na

historiografia a incorporação das forças subjetivas no entendimento da dinâmica

histórica.

A psicologia das massas proposta por Reich tem como questao principal

a ativação da maioria passiva da população e a eliminação das inibições sexuais

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que bloqueiam o desenvolvimento do desejo da liberdade. Assim sua proposiçao

abarcam a produção social e as relações que são históricas.

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