Significação das Palavras - Apostilas - Pedadogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
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Gaucho_827 de Março de 2013

Significação das Palavras - Apostilas - Pedadogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

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Apostilas de Pedagogia sobre o estudo da Significação das Palavras, operações semânticas sobre construções, a negação e o advérbio, sinonímia e paráfrase, sinonímia lexical.
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A Significação das Palavras

2010

A Significação das Palavras

Trabalho apresentado à disciplina de Língua Portuguesa IV, pertencente ao curso de Letras, como pré-requisito para obtenção de nota no 5° período.

COLATINA

2010

Objetivos

1- Possibilitar o contato de alunos e professores com o problema do significado, enfocando diversas correntes da semântica;

2- Orientar os alunos e professores nos estudos da semântica;

3- Apontar alguns pressupostos em relação à semântica e também mostrar a significação das construções gramaticais;

4- Quebrar paradigmas;

5- Ampliar o nosso conhecimento em relação à semântica;

6- Construir novos aprendizados e novos conceitos.

Operações Semânticas sobre construções:

A negação e o advérbio

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Negação

O que significa negar? Que efeito tem, para o sentido da oração, a presença de palavras como não ou nunca? A gramática tradicional classifica essas palavras como advérbios de negação, e pela definição geral de advérbio leva-nos a pensar que “modificam” o verbo.

Exemplo:

(1) As cobras são venenosas.

Nessa oração o verbo expressa uma inclusão de classes (“a classe das cobras inclui-se na classe dos animais venenosos”).

“Modificar o verbo pela negação” significa, nesse contexto, excluir que haja compatibilidade entre o sujeito e o predicado.

Exemplo:

(2) As cobras não são venenosas.

Significaria que as idéias de “cobra” e de “animal venenoso” são incompatíveis.

Quando se esquece que o verbo por excelência da gramática clássica é o de ligação e que sua função é indicar compatibilidade, a afirmação de que o advérbio de negação “modifica o verbo” acaba sendo entendida de maneira distorcida ou – como acontece nas gramáticas escolares – acaba não sendo compreendida de maneira alguma. Mas, mesmo quando recolocada em seu contexto próprio, a afirmação de que o advérbio de negação modifica o verbo é problemática. Tomemos o exemplo (3):

(3) Todos os senadores não são favoráveis à nova lei.

Há duas interpretações possíveis para essa oração: na primeira, vale a paráfrase (4); na segunda valem as paráfrases (5) e (6):

(4) Todos os senadores são desfavoráveis à nova lei.

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(5) Os senadores não são todos favoráveis à nova lei.

(6) Nem todos os senadores são favoráveis à nova lei.

Para superar o impasse que ficou caracterizado a propósito das frases (3), (4), (5) e (6) é preciso, antes de mais nada, abandonar a idéia de que a negação só modifica o verbo. Na verdade, as expressões negativas são mais numerosas do que sugere a gramática tradicional, e o advérbio não é, entre todas, uma das menos confiáveis, pelos equívocos a que dá margem.

Na semântica das construções complexas, a noção de escopo, definida como “conjunto de conteúdos semânticos sobre os quais uma operação significativa atua”, é extremamente importante. Vejamos alguns exemplos:

a. Todos os homens leram alguns livros.

b. B. Alguns livros foram lidos por todos os homens.

c. Alguns ex-alunos têm visitado o professor aposentado.

d. O professor aposentado tem sido visitado por alguns ex-alunos.

A noção de escopo ajuda-nos a compreender a negação como uma significativa que não afeta necessariamente todos os conteúdos da oração em que ocorre. Exemplo:

(7) Pedro não apresentou José a Maria.

A negação deverá interpretar-se de varias maneiras:

(7) a. A pessoa a quem Pedro apresentou José não foi Maria.

b. A pessoa a quem Pedro não apresentou José foi Maria.

c. As pessoas que Pedro apresentou não foram José e Maria.

d. As pessoas que Pedro não apresentou foram José e Maria.

Em cada um desses casos, não é só o escopo da negação que muda; muda também o segmento que é reconhecido como remático, e a escolha do segmento remático repercutem na escolha do segmento sobre o qual incide a negação.

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Advérbio

Trata-se da “modificação” da oração pelo advérbio, e da possibilidade que o advérbio oferece de retomar as orações vendo-as como expressões complexas não só em relação ao próprio processo de sua produção, o que chamaremos aqui de enunciação.

Note-se a diferença entre (1) e (2):

(1) Somente João foi ao cinema.

(2) Felizmente João foi ao cinema.

No primeiro exemplo, somente incide sobre o conteúdo da oração, expressando “exclusão”: exclui-se que qualquer outro indivíduo além de João tenha ido ao cinema. Em (2) o advérbio felizmente não incide sobre o conteúdo da oração, num suposto sentido de que “João foi ao cinema de modo feliz”, mas expressa a opinião, a atitude daquele que fala (2) a propósito da ida de João ao cinema.

Os dois exemplos, embora superficialmente iguais, mostram que o estudo das expressões complexas não pode restringir-se aos constituintes explícitos das orações.

Tanto no tocante à negação, quanto no tocante aos advérbios, a noção de escopo nos parece útil para buscar respostas a inúmeras perguntas que ficam em aberto.

Sinonímia e paráfrase

Consideremos as seguintes orações:

(1) Pegue o pano e seque a louça.

(2) Pegue o pano e enxugue a louça.

(3) É difícil encontrar esse livro.

(4) Este livro é difícil de encontrar.

Intuitivamente, essas orações se reúnem aos pares: (1) + (2), (3) + (4). O que nos autoriza, enquanto locutores, a efetuar esses agrupamentos é a intuição de que as orações de um mesmo par são – num sentido que teremos de esclarecer – equivalentes quanto ao seu significado: utilizadas num grande número de situações práticas, elas “dizem a mesma coisa”. Essa relação tem sido chamada recentemente de paráfrase.

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(1) e (2) são paráfrases porque empregam as palavras sinônimas secar e enxugar; (3) e (4) são paráfrases porque empregam as mesmas palavras e porque as construções sintáticas, embora diferentes, preservam as mesmas relações de participação dos objetos no processo descrito.

Sinonímia lexical

O leitor terá observado que reservamos o termo sinonímia para caracterizar pares de palavras como secar e enxugar, e que falamos, a propósito das várias frases, em paráfrase. A sinonímia lexical – uma relação estabelecida entre palavras – aparece assim como um dos fatores possíveis pelos quais duas frases se revelam como paráfrases. Mas o que é sinonímia? Essa pergunta vem intrigando os estudiosos há séculos; há uma resposta apenas aparentemente simples, segundo a qual sinonímia é identidade de significação. Essa resposta precisou conviver sempre com um grande número de ressalvas: vamos considerar algumas.

(a) Para que duas palavras sejam sinônimas, não basta que tenham a mesma extensão.

(b) Para que duas palavras sejam sinônimas é preciso que façam, em todos os seus empregos, a mesma contribuição ao sentido da frase.

(c) Duas palavras são sinônimas sempre que podem ser substituídas no contexto de qualquer frase sem que a frase passe de falsa a verdadeira, ou vice-versa.

(d) A sinonímia de palavras depende do contexto em que são empregadas.

(e) Palavras presumivelmente sinônimas sofrem sempre algum tipo de especialização, de sentido ou de uso.

Sinonímia estrutural

Dada a dificuldade de fornecer uma definição sempre satisfatória de sinonímia, compreende- se que muitos autores, ao falar de paráfrases, prefiram propor exemplos como:

(3) É difícil encontrar este livro.

(4) Este livro é difícil de encontrar.

ou seja, exemplos de paráfrases com fundamento estrutural. Infelizmente, a chamada “sinonímia estrutural” sofre de problemas iguais aos da “sinonímia lexical”.

A paráfrase: fenômeno linguístico ou situacional?

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Ao cabo dessas considerações, deveria ter ficado clara ao leitor uma ambiguidade que nos parece ser a característica mais marcante da paráfrase enquanto fenômeno linguístico: ela tem um fundamento real em semelhanças de significação das palavras ou das construções gramaticais, mas essas semelhanças não são nunca completas; ao contrário, revelam-se bastante precárias a uma análise mais acurada, como aquela que o semanticista tem obrigação de fazer.

Conseqüência (acarretamento) e hiponímia

Consideramos agora outro conjunto de expressões:

(20) Um sargento da guarda rodoviária nos pediu os documentos do Fiat.

(21) Um policial nos pediu os documentos do carro.

É possível estabelecer relações de significação entre os pares desse conjunto. O falante que afirma (20) aceita necessariamente a verdade de (21). Tal relação tem sido denominada de acarretamento. O acarretamento entre (20) e (21) resulta da relação existente entre “um sargento da guarda rodoviária” e “policial”; e entre “Fiat” e “carro”, relação esta que a semântica moderna denominou de hiponímia.

Para indicar a relação que intercorre entre “sargento da guarda rodoviária” e “policial”, lançamos mão da noção de hiponímia. A relação hiponímia é aquela que intercorre entre expressões com sentido mais especifico e expressões genéricas, por exemplo, entre geladeira, liquidificador, batedeira de bolos, ferro elétrico etc. e eletrodomésticos; é a relação que intercorre entre pardal e passarinho, e que verbalizamos dizendo que “todo pardal é um passarinho, mas nem todo passarinho é um pardal”.

Hiperonímia é uma palavra que da idéia de um todo, do qual se originam várias partes ou ramificações. Por exemplo, a palavra religião é um todo, ao qual estão ligados todos os tipos de religião: católico, batista, protestante, etc. O mesmo ocorre com a palavra animal, a qual comporta: cachorro, cavalo, carneiro, etc.

Contradição e antonímia

Para completar o quadro das relações de sentido que se podem estabelecer entre orações, falta considerarmos o caso em que duas orações têm sentidos incompatíveis com a mesma situação. A relação que fundamenta essas incompatibilidades é a de antonímia, um termo que

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tem sido aplicado a pares de palavras como branco/preto; colorido/incolor; bom/mau; chegar/partir; abrir/fechar; nascer/morrer; todo/nenhum.

A contradição está intimamente ligada à noção de acarretamento. Quando dizemos que “João beijou Maria acarreta Maria foi beijada por João”.

(1) João beijou Maria, mas Maria não foi beijada por João.

Os dois fatos descritos pela sentença são contraditórios, pois não podem se realizar ao mesmo tempo e nem nas mesmas circunstâncias no mundo.

Duplicidade de sentido: ambigüidade e polissemia

Os exemplos:

(42) O cadáver foi encontrado perto do banco.

(43) Pedro pediu a José para sair.

(44) José não consegue passar perto de um cinema.

Esses exemplos compartilham a propriedade de ser ambíguos, ou seja, de admitir interpretações (“leituras” diriam alguns) alternativas. No caso de (42) a alternativa é que o encontro do cadáver pode ter-se dado nas proximidades de uma casa bancária ou de um assento de jardim. Aqui, a raiz da ambigüidade é, evidentemente, a palavra banco, cuja pronúncia (e escrita) corresponde a dois sentidos completamente independentes. Banco – estabelecimento bancário e banco – assento para mais de uma pessoa, com ou sem encosto, sem braços, típico dos jardins – são duas palavras homônimas e a homonímia (uma só forma e dois sentidos completamente diferentes), há também homografia (uma só forma escrita). Em muitos outros casos, as palavras homônimas não são homógrafas, isto é, escrevem-se de maneiras diferentes.

Segundo Lyons (1980) “A POLISSEMIA ou significado múltiplo, é uma propriedade de lexemas simples, ou seja, um mesmo item lexical possui mais de um significado”. Para Moreno, polissemia é “quando um vocábulo representa mais de um “significado”“. Com essas definições, podemos perceber que a polissemia é quando vão surgindo outros sentidos em um lexema e aumentando a relação entre seus significados.

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Quando uma interpretação incide sobre um item lexical e os significados são relacionados, possuindo estes, mesma forma fonológica ou gráfica. Exemplos:

“Pé: pé de cadeira, pé de mesa, pé de fruta, pé de página.”

“Rede: rede de deitar, rede elétrica, rede de computadores.”

a) Maria pegou gripe.

b) Maria pegou nojo de cigarro.

c) Maria pegou o filho fumando.

d) Maria pegou o filho nos braços.

e) Maria pegou o ônibus.

Pressuposição

Outra relação de sentido que se pode estabelecer entre orações é exemplificada por:

(52) Pedro parou de bater na mulher.

(53) Pedro batia na mulher, no passado.

(54) Pedro não bate na mulher, atualmente.

As orações (53) e (54) verbalizam separadamente duas informações que parecem juntas em (52) e representam duas situações que são referidas respectivamente a um momento passado (Pedro batia na mulher). Não há dúvida de que esse desdobramento se vincula à presença em (52) do verbo parar de: é, por assim dizer, o verbo parar de, utilizado como auxiliar junto a bater, que nos leva a distinguir um momento passado em que Pedro batia na mulher e um momento presente em que isso não ocorre.

O fenômeno da pressuposição - que tratamos até aqui como um tipo de relação entre orações – tem sido objeto, em lingüística, de dois outros enfoques, que convém apontar. No primeiro desses enfoques, a informação pressuposta é uma condição de emprego da oração que a pressupõe. Isso quer dizer que o falante não estaria usando apropriadamente nossa oração (52) se não confiasse na verdade de (53) e se não tivesse razoes para acreditar que (53) é de algum modo conhecida por seu interlocutor, previamente ao uso de (52). No segundo

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enfoque, a pressuposição aparece como um mecanismo de atuação no discurso. Valendo-se do fato de que as informações pressupostas não são passiveis de negação, o locutor as utiliza para impor ao seu interlocutor um quadro em que o discurso precisará desenvolver-se; nesse enfoque, a pressuposição funciona como um recurso que o locutor, ativamente, emprega para estabelecer limites à conversação e para direcioná-la.

Conclusão

Diante do que foi lido e explicado, aprendemos que apesar dos problemas encontrados no campo da semântica, podemos enriquecer nosso conhecimento e construir novos conceitos em nossa aprendizagem.

Por muitas vezes pensamos não entender nada da nossa Língua Portuguesa e também que essa gramática ensinada nas escolas não traz proveitos para nós. Mas ao término do trabalho, percebemos que sem o ensino da gramática tradicional nas escolas não poderíamos quebrar paradigmas, o que se mostra ter grande importância em nosso ensino atual, e muito menos desconstruir a gramática, pois não podemos ter esta como verdade absoluta, sabendo que se encontram várias “falhas” na mesma. O principal objetivo deste trabalho foi fazer com que percebamos as falhas existentes na gramática, ou seja, nem sempre o que ela nos diz é verdade.

Assim, percebemos que a realização deste trabalho sobre desconstrução da gramática será de grande importância para nossas vidas, tanto como alunos, quanto como professores. Por isso, tudo que aprendemos e vivemos tem o seu valor.

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