Sistema Circulatório e Linfático - Apostila - Fisiologia_Parte2, Notas de estudo de Fisiologia. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Pao_de_acucar
Pao_de_acucar5 de Março de 2013

Sistema Circulatório e Linfático - Apostila - Fisiologia_Parte2, Notas de estudo de Fisiologia. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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Apostilas de Fisiologia sobre o estudo do sistema circulatório e linfático, músculo cardíaco.
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SISTEMA LINFÁTICO

Apesar do sangue levar os materiais às células e remover todos os restos da atividade celular, ele não entra em contato direto com essas células. A comunicação entre o sangue e os tecidos é feita pelo sistema linfático.

No sistema linfático (fig.6) os capilares são extremamente "mal vedados", permitindo a passagem de leucócitos e uma variedade de nutrientes, algumas pequenas proteínas e água. A passagem se dá através de aberturas entre as células de suas paredes ou através de suas próprias células por difusão. Os eritrócitos e grandes proteínas são retidos na parte interna dos capilares. O fluído que deixa os capilares é quase idêntico ao plasma do sangue mas perde a maior parte de suas proteínas. Este fluído é um meio que banha todas as células e chama-se fluído intersticial, através do qual nutrientes, gases e resíduos são trocados entre o sangue capilar e as próprias células.

O sistema linfático estabelece uma ligação essencial entre a corrente sangüínea e o fluído que banha as células desempenhando uma função adicional na defesa que é lançar na corrente sangüínea anticorpos para a defesa do corpo contra invasores externos.Inclui um elaborado sistema de vasos semelhantes aos capilares e veias, que desembocam no interior de grandes veias do sistema circulatório. Uma é o canal torácico, que se abre na veia subclávia esquerda, e a outra é a grande veia linfática, que termina na veia subclávia direita.

Tal como capilares sangüíneos, os capilares linfáticos formam uma complexa rede de vasos com paredes muito finas no interior das quais substâncias podem mover-se facilmente. Este movimento é facilitado por uma única estrutura de capilares linfáticos, que são formados de células com aberturas entre elas que funcionam como uma válvula de passagem única; elas permitem o fluxo direto de entrada do líquido e em seguida fecham-se nesse ponto (fig.7). A pressão causada pelo acúmulo gradual do fluído intersticial força o excesso a entrar nos capilares linfáticos através dessas aberturas. Logo que entra nos vasos linfáticos, esse fluído recebe o nome de linfa. Em contraste com os capilares sangüíneos, os capilares linfáticos acabam em fundo cego revestido por células com minúsculos espaços entre elas. O fluído que é coletado nos vasos linfáticos é movido para diante como o sangue nas veias. Grandes vasos linfáticos tem paredes um tanto musculares, mas muito do impulso para o fluxo da linfa vem da contração de músculos próximos, tais como aqueles usados para respirar e andar. Como nas veias, a direção do fluxo é regulada por válvulas de passagem única. Os grandes vasos linfáticos são interrompidos periodicamente por estruturas chamadas nódulos linfáticos, em forma de grão de feijão e com aproximadamente 2,5 cm de comprimento. Dentro do nódulo a linfa é conduzida através de canais também ocupados com massas de células chamadas macrófagos, que são especializadas em digerir corpos estranhos. Nestes nódulos também são encontrados e produzidos os linfócitos. Os linfócitos têm como função produzir anticorpos que inativarão substâncias estranhas e/ou microrganismos patogênicos. O aumento dos nódulos linfáticos em certas doenças, como a caxumba, é o resultado da acumulação dos linfócitos e macrófagos com os vírus mortos que eles capturaram.

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Fig. 7 - Drenagem Linfática

O sistema linfático inclui dois órgãos adicionais, o baço e o timo. O timo encontra-se na parte superior do tórax, acima do coração, e é responsável pela produção de linfócitos. O baço está localizado no lado esquerdo da cavidade abdominal entre o estômago e diafragma e também produz linfócitos, embora também tenha outras funções. Apenas os nódulos linfáticos filtram a linfa, o baço filtra o sangue, expondo-o aos macrófagos e linfócitos, que destroem as partículas estranhas e os eritrócitos mortos. O baço é elástico e serve como um reservatório de sangue em condições normais. Quando é preciso mais sangue, como durante exercícios intensos ou em resposta a uma hemorragia, o baço se contrai, suplementando o fornecimento de sangue.

MÚSCULO CARDÍACO

O músculo cardíaco difere tanto do músculo liso como do estriado, pelo fato de que suas fibras não existem como unidades separadas, mas sim por estarem de tal maneira conectadas, que formam uma grande rede protoplásmica. As estriações do músculo cardíaco são semelhantes às do músculo esquelético e as linhas Z estão presentes. As fibras musculares ramificam-se e interdigitam-se, mas cada uma é rodeada por membrana celular formando uma unidade completa. Onde a extremidade de uma fibra muscular limita-se com outra, as membranas de ambas colocam-se paralelamente em extensiva série de dobras. Estas áreas, que ocorrem sempre ao nível das linhas Z, são chamadas de discos intercalados. Eles

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constituem união forte entre as fibras, mantendo coesão de célula para célula, de maneira que a atração de unidade contrátil pode se transmitir ao longo de seu eixo para a unidade vizinha. Ao longo dos lados das fibras muscularespróximas aos discos, as membranas celulares das fibras adjacentes fundem-se por consideráveis distâncias. Elas permitem ao músculo cardíaco funcionar como se fosse um sincício, embora não existam pontes protoplasmáticas entre as células. No músculo cardíaco, o sistema T é mais localizado ao nível das linhas Z do que nas junções A-I, como é no músculo esquelético de mamífero. O músculo cardíaco, assim como o esquelético, contém miosina, actina, tropomiosina, troponina e um conteúdo numeroso de mitocôndrias alongadas, em contato íntimo com as fibrilas.

O CORAÇÃO COMO ÓRGÃO

É um órgão muscular que se contrai ritmicamente, impulsionando o sangue no sistema circulatório (fig.8). Suas paredes apresentam-se constituídas por três camadas: a interna, o endocárdio, a média, o miocárdio, e a externa, o pericárdio. O coração tem uma porção central fibrosa que lhe serve de ponto de apoio, é o esqueleto fibroso do coração. Além dessas estruturas, observam-se neste órgão as válvulas cardíacas e os sistemas gerador e condutor do estímulo cardíaco.

Fig. 8 - Esquema do coração em corte longitudinal.

O coração é composto também por quatro divisões principais que são: átrio direito, ventrículo direito e átrio esquerdo, ventrículo esquerdo.

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Separando os átrios dos ventrículos, encontramos a válvula tricúspide do lado direito e a válvula mitral ou bicúspide do lado esquerdo. Na saída da aorta e da artéria pulmonar também existem válvulas, as sigmóides. Todas as válvulas acima citadas tem como função impedir o refluxo de sangue.

Endocárdio: é constituído por endotélio apoiado sobre uma delgada camada subendotelial, de natureza conjuntiva frouxa. Unindo o miocárdio à camada subendotelial, encontramos um estrato subendocárdio de tecido conjuntivo, onde correm vasos, nervos e ramos do aparelho condutor do coração.

Pericárdio: é uma membrana de tecido conjuntivo fibro-elástico coberta por uma camada simples de mesotélio, a qual, por sua vez, cobre outra camada delgada de tecido conjuntivo fibro-elástico também recoberto com mesotélio denominado epicárdio. Entre o epicárdio e o pericárdio existe um espaço, a cavidade pericárdica, que em condições normais de saúde, encerra cerca de 50 cm3 de líquido. Essa película ou líquido de lubrificação, entre o revestimento mesotelial do epicárdio e pericárdio, permite que o coração se mova livremente durante a contração e o relaxamento.

Miocárdio: é a porção muscular mais espessa da parede do coração e situa-se sob o epicárdio. É formado de músculo cardíaco.

O CORAÇÃO COMO BOMBA

As partes do coração funcionam, normalmente, numa seqüência ordenada. A contração dos átrios (sístole atrial) é seguida pela contração dos ventrículos (sístole ventricular), e durante a diástole, há relaxamento de todas as quatro câmaras (figura 9).

Fig. 9 - Sístole e Diástole

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Devemos ter em mente que o termo pressão sistólica, no sistema vascular, refere-se à pressão máxima alcançada durante a sístole, e de modo semelhante à pressão diastólica refere-se à pressão mínima durante a diástole.

Fenômenos no fim da Diástole: No fim da diástole, as válvulas mitral (ou bicúspide) e tricúspide, entre átrios e ventrículos, estão abertas, ao passo que as válvulas aórtica e pulmonar estão fechadas. O sangue aflui ao coração durante toda a diástole, enchendo os átrios e os ventrículos. A velocidade de enchimento diminui à medida que os ventrículos se distendem e as válvulas atrioventriculares colocam-se em posição de fechamento. A pressão nos ventrículos permanece baixa.

Sístole Atrial: a contração atrial contribui com um volume adicional de sangue no enchimento ventricular, entretanto, cerca de 70% do enchimento ocorre passivamente durante a diástole. Os orifícios das veias cavas e pulmonares são estreitados pela contração do miocárdio atrial que os circunda, e a inércia do sangue que entra no coração tende a manter o sangue no seu interior.

Sístole Ventricular: no início da sístole ventricular, a mitral e a tricúspide estão fechadas. O músculo ventricular tem inicialmente um encurtamento relativamente pequeno, mas a pressão intraventricular aumenta agudamente. Este período é o isovolumétrico da contração ventricular durando cerca de 0,05 seg, quando a pressão do ventrículo ultrapassa a pressão diastólica da aorta (80 mmHg) e da artéria pulmonar (10 mmHg), as válvulas aórtica e pulmonar se abrem iniciando a fase de ejeção ventricular. Esta é inicialmente rápida, tornando-se mais lenta no decorrer da sístole. A pressão intraventricular eleva- se para, depois, diminuir um pouco, antes do fim da sístole.

Início da Diástole: quando o miocárdio ventricular acha-se completamente contraído, a pressão intraventricular, que já se encontra em declínio, diminui mais rapidamente. Esta fase é denominada protodiástole e termina quando a inércia do sangue ejetado é superada e as válvulas aórtica e pulmonar são fechadas. Após o fechamento das válvulas, a pressão continua a cair rapidamente durante a fase de relaxamento isovolumétrico dos ventrículos. Esta fase termina quando a pressão ventricular cai abaixo da atrial e abrem-se as válvulas atrioventriculares, permitindo o enchimento dos ventrículos. Inicialmente o enchimento é rápido, para depois diminuir à medida que a contração seguinte se aproxima. Após a sístole ventricular, a pressão atrial vai aumentando até que as válvulas atrioventriculares se abram, para depois diminuir e de novo elevar-se lentamente até a próxima sístole atrial.

Como vimos acima ambas as contrações sistólicas dos átrios e ventrículos ocorrem simultaneamente formando uma freqüência contínua denominada freqüência cardíaca. Essa freqüência, na espécie humana, está na faixa de 70 - 80 contrações por minuto variando com o sexo, atividade física e outros fatores que possam influenciá-la.

SISTEMA DE CONDUÇÃO DO IMPULSO ELÉTRICO NO MÚSCULO CARDIÁCO

Num ciclo cardíaco, o sangue penetra nos átrios direito e esquerdo, vindo das veias cava e pulmonar, respectivamente. Parte deste sangue vai diretamente aos ventrículos, no momento relaxados, enquanto o restante enche os átrios. Logo após os dois átrios contraem-se, lançando seu conteúdo nos ventrículos, parcialmente cheios, completando assim sua repleção. A seguir contraem-se os ventrículos, o que causa o fechamento das válvulas atrioventriculares (AV) e abertura das aórticas e pulmonares, através das quais o sangue é lançado nas artérias aorta e pulmonar. Nesse intervalo os átrios começam novamente a se encher para reiniciar o ciclo.

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A eficiência do coração depende, em alto grau, de que essas diversas etapas se passem consecutivamente, em seqüência ordenada. Muito antes do começo deste século, foi notado que a seqüência ordenada de contrações que se pode observar no coração de animais de sangue frio dependia de uma onda de excitação que se propagava inicialmente através do tecido muscular do átrio, e após, pelo tecido ventricular. Contudo, a teoria da condução muscular do impulso para a contração não pode ser aplicada ao coração de mamíferos, porque se pensava que haveria nestes um septo contínuo de tecido conjuntivo entre os átrios e os ventrículos.

Em 1893 W. HIS Jr demonstrou que o septo no coração humano é "perfurado" por um feixe muscular que passa do septo atrial para o bordo superior do septo interventricular (fig.10).

Fig. 10 - Sistema de condução cardíaca

O feixe muscular AV, ou como é chamado feixe de His, proporciona um meio através do qual cada onda de contração que se alastra sobre os átrios pode ser conduzida por tecido muscular aos ventrículos, para instalar a contração destes, precisamente no instante em que estão adequadamente cheios de sangue, pela contração atrial.

Sabe-se hoje que o feixe atrioventricular é apenas uma parte importante de todo um sistema de fibras especializadas com esse objetivo. Fazem parte também do sistema de condução do impulso cardíaco o nódulo sinoatrial (SA), as vias atriais internodais, nódulo atrioventricular (AV), o feixe de His e o Sistema de Purkinje.

As várias partes do sistema de condução são capazes de despolarizarem-se espontaneamente. Entretanto, o nódulo SA anormalmente descarrega-se com maior rapidez, de tal forma que a despolarização propaga- se para as outras regiões antes que estas se despolarizem espontaneamente. Portanto, em condições normais, o nódulo SA é o marca passo cardíaco sendo que sua velocidade de despolarização determina a freqüência dos batimentos cardíacos.

Os impulsos gerados pelo nódulo SA passam das vias internodais para o nódulo AV, passam para o feixe de His e seus ramos, e por meio do sistema de Purkinje propagam-se para o miocárdio ventricular.

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No coração humano normal, cada contração origina-se no nódulo SA. Durante o repouso, o coração contrai cerca de 70 vezes por minuto. A freqüência é diminuída (bradicardia) durante o sono e acelerada (taquicardia) por emoções, exercícios, febres e outros estímulos.

A freqüência cardíaca é também controlada por fenômenos neurogênicos sendo controlada pelo SNC através dos nervos vagos simpáticos e parassimpáticos. Nesse caso quando o nódulo SA é estimulado pelo nervo simpático ocorre a liberação de noradrenalina aumentando a transmissão de impulsos e conseqüentemente aumentando a frequência cardíaca. Antagonicamente, quando o nódulo SA é estimulado pelo nervo vago parassimpático ocorre a liberação de acetilcolina diminuindo a frequência cardíaca, desacelerando o coração.

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