Smart Grid, Projetos de Cálculo para Engenheiros. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
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.2286113 de Outubro de 2016

Smart Grid, Projetos de Cálculo para Engenheiros. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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matéria de capa Smart Grid

AvAnço do SmArt Grid deverá

extrApolAr oS limiteS dAS

conceSSionáriAS e cheGAr Ao

conSumidor finAl, que terá

como GerenciAr Seu conSumo e

Até GerAr SuA própriA enerGiA.

por pAulo mArtinS

da rua para dentro

Não é novidade que as concessionárias de energia elétrica vêm investindo fortemente no Smart Grid como ferramenta para reduzir os custos operacionais, combater as perdas téc-nicas e comerciais e melhorar a qualidade do serviço pres- tado. Entretanto, esse não é um assunto que diz respeito unicamente a elas. mais cedo ou mais tarde, a transformação que está em andamen- to irá extrapolar os limites das companhias e chegará ao consumidor.

as mesmas tecnologias que estão sendo utilizadas para viabilizar a implantação das chamadas redes Elétricas inteligentes nas empre- sas também precisarão entrar na casa dos clientes - uma zona onde até então as concessionárias nunca puderam atuar de maneira mais próxima. recursos de ti, telecomunicações e au- tomação passarão a fazer parte da vida do consumidor.

com o advento do Smart Grid, o usuário de energia elétrica ganha um papel de destaque em todo o pro- cesso. mais do que poder contar com novos serviços,

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ele assumirá responsabilidades inima- gináveis há algumas décadas, como o gerenciamento do próprio consumo e até mesmo a geração de eletricidade.

naturalmente, ainda existem mui- tas dúvidas sobre qual será a partici- pação do cliente nas redes inteligen- tes. Que benefícios serão oferecidos, efetivamente? Ele poderá exercer seu direito de opinar? E mais: como fazer para inseri-lo nesse turbilhão de novas ideias da maneira menos traumática possível? nesta matéria procuramos abordar questões como essas, sempre com base na opinião de especialistas e autoridades do setor.

É preciso ressaltar que a implanta- ção do Smart Grid é um processo dinâ- mico, sujeito a mudanças de rota e de estratégia. portanto, é possível que nem todas as perguntas tenham resposta, neste momento. de qualquer forma, to- dos concordam com uma coisa: os usu- ários precisam ser reconhecidos como o elemento-chave de todo esse processo.

na opinião de andré pepitone da nóbrega, diretor da aneel (agência nacional de Energia Elétrica), o “sen- tido de existir” do Smart Grid depende do sucesso da interação entre a tecno-

O sentido de existir do Smart Grid depende do sucesso da interação entre a tecnologia e o consumidor. ANdré PePitoNe dA NóbregA | ANeel

logia e o consumidor. “não consegui- remos obter avanço nenhum, caso se implante a tecnologia e o consumidor fique inerte a ela”, alerta.

também para João Brito martins, gestor executivo de inovação e Sus- tentabilidade da concessionária Edp, a participação do consumidor é funda- mental para a consolidação das redes inteligentes. “Somente com a interação dos clientes nos testes e levantamentos poderemos identificar quais as neces-

sidades e quais produtos e serviços os mesmos anseiam que a concessionária disponibilize”, destaca.

dona de uma concessão que abran- ge 28 municípios no Estado de São paulo e 78 no Espírito Santo, a Edp comanda aquele que é considerado o mais avançado programa de Smart Grid do país: o projeto inovcity, lançado em 2011 na cidade paulista de aparecida (leia mais na página 34).

as ações começaram pela infor- mação da população sobre o que iria acontecer na cidade e pelo estímulo à prática da eficiência energética. Foram distribuídas cartas explicativas a todos os clientes da cidade, momento esse em que foi fornecido a cada unidade consumidora um kit com seis lâmpadas eletrônicas, folhetos de orientação so- bre o consumo racional de energia e a forma de integração entre a empresa e os clientes, após a implantação da me- dição inteligente. além disso, as comu-

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O Smart Grid permitirá maior interação entre clientes e

concessionárias, inclusive na gestão do uso da energia.

gerAção distribuídA Uma grande novidade decorrente das redes inteligentes é a geração distribuída, onde o usuário pode produzir sua própria energia elétrica.

nidades de baixa renda foram benefi- ciadas com a doação de 540 geladeiras e 460 kits para aquecimento solar da água do chuveiro.

outro trabalho importante foi a ca- pacitação de todos os professores da rede pública de ensino de aparecida so- bre os conceitos de cidade inteligente, eficiência energética e uso racional de energia elétrica. também foram minis- tradas palestras nas escolas e comuni- dades locais, envolvendo aproximada- mente 25% da população da cidade.

de acordo com martins, essa expe- riência comprovou que um forte traba- lho de esclarecimento das vantagens e benefícios que as redes inteligentes podem oferecer é capaz de despertar no cliente o interesse em participar do processo: “assim ele entende que o ob- jetivo maior deste investimento é o au- mento da qualidade e da confiabilidade do serviço prestado. Quando isso fica claro, o cliente passa a ter uma postura de parceiro e a trabalhar conosco para o sucesso do projeto”.

mas afinal, o que irá mudar no dia a dia do consumidor, com o advento das redes inteligentes? martins aponta que o Smart Grid permitirá maior interação entre clientes e concessionárias, não so- mente por conta das informações rela- tivas ao consumo, mas também envol- vendo a gestão do uso da energia. “isto acontecerá porque estarão disponíveis ferramentas que permitirão ao cliente o uso racional da energia elétrica”, obser- va o executivo da Edp.

conforme destaca andré pepitone, a ideia é que o consumidor deixe de ser um agente passivo e intera- ja mais com os novos equipa- mentos inteligentes, como o medidor eletrônico de ener- gia. com o Smart Grid será possível gerenciar o consumo em tem- po real, saber quanto a tarifa estará custando a cada momento e até traçar

sua conta”, diz o porta-voz da aneel. outros dois instrumentos regulató-

rios deverão ajudar o consumidor a ge- renciar melhor o uso da eletricidade: a tarifa Branca e o Sistema de Bandeiras tarifárias. a primeira consiste em uma nova opção de tarifa que sinaliza a va- riação do valor da energia conforme o

uma projeção de gastos. com o apoio das novas tecnologias, o usuário po- derá inclusive diminuir os valores de sua fatura mensal. “respondendo aos estímulos econômicos que vão ser apresentados, assim como acontece hoje na área de telefonia, o consumi- dor terá oportunidade real de reduzir

Foto: dollarphotoclub

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AvANço a tarifa Branca

e o Sistema de Bandeiras

tarifárias deverão ajudar

o consumidor a gerenciar

melhor o uso da eletricidade.

dia e o horário do consumo. ou seja, o cliente que aderir à modalidade passa a ter a possibilidade de pagar valores di- ferentes em função da hora e do dia da semana. o início da aplicação da tarifa Branca depende da certificação dos no- vos medidores pelo inmetro.

Já o Sistema de Bandeiras tarifárias, que aparecerá nas contas enviadas aos consumidores, indicará se a energia cus- ta mais ou menos, em função das condi- ções de geração. a Bandeira Verde signi- ficará condições favoráveis de geração, não implicando em acréscimo à tarifa. a amarela significa condições menos favoráveis, o que acarreta acréscimo de r$ 1,50 para cada 100 quilowatt-hora consumido. a Vermelha representa con- dições mais custosas de geração, incor- rendo em acréscimo de r$ 3,00 para cada 100 quilowatt-hora consumido.

a aneel observa que o mecanis- mo é apenas uma forma diferente de apresentar um custo que já existe na conta de energia, mas acaba passan- do despercebido pelas pessoas. atual- mente os custos com compra de ener- gia pelas distribuidoras são repassados aos consumidores um ano depois de ocorridos, quando a tarifa reajustada passa a valer. com as bandeiras, ha- verá a sinalização mensal do custo de

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a participação do consumidor é fundamental para a consolidação das redes inteligentes. João brito MArtiNs | edP

geração da energia que será cobrada do consumidor.

“a Bandeira tarifária não repre- senta em hipótese alguma um custo maior a ser incluído na conta de luz. É um mecanismo regulatório que vai deslocar no tempo o momento do re- colhimento do custo da geração. Esse é um instrumento importante, porque vai sinalizar o preço para o consumidor, que vai poder responder ao sinal eco- nômico no sentido de consumir menos para pagar menos energia no final do mês”, explica andré pepitone.

cyro Boccuzzi, presidente do Fórum Latino-americano de Smart Grid e dire- tor da Ecoee, empresa de consultoria es- pecializada na área de energia, também mantém a expectativa de que os clientes venham a aprender a usar a eletricidade de forma mais racional, compreendendo não só o valor que é pago, mas também o verdadeiro custo que esse insumo tem para toda a sociedade.

o executivo cita um problema co- mum envolvendo o uso de energia nas grandes cidades - decorrente do estilo de

vida moderno -, e traça um paralelo com a área de transporte aéreo. Ele refere-se à simultaneidade de uso, quando um gran- de número de pessoas chega em casa e no trabalho mais ou menos na mesma hora todos os dias, provocando o sobre- carregamento do sistema elétrico naque- la região. Uma das saídas para combater esses picos é justamente a diferenciação de preços conforme o horário, estimulan- do a redistribuição do consumo,

por exemplo: é comum uma passa- gem aérea entre duas importantes ci- dades ter preços diferentes, às 7 e às 10 horas. naturalmente, viajar no meio da manhã é mais barato, porque a procu- ra é menor. assim, o cliente que aceitar deslocar aquele horário pode vir a ter um gasto menor. para Boccuzzi, o mesmo fe- nômeno se repetirá na área de energia. “o consumidor pode ter tarifas menores, desde que use a energia de forma mais consciente e em horários mais adequa- dos. Quem não puder mudar o horário de uso vai pagar um preço maior, necessário

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CoNtrole Junção entre soluções de Smart Grid e de automação predial será um processo natural.

outra grande novidade decorrente das redes inteligentes é a geração dis- tribuída, sistema pelo qual cada usuá- rio poderá produzir sua própria energia elétrica. Foram criadas duas categorias, conforme a potência instalada da plan- ta: microgeração (potência menor ou igual a 100kW) e minigeração (potên- cia superior a 100kW e menor ou igual a 1mWp). detalhe: é preciso fazer o uso de fontes ‘limpas’, como solar, eólica, hidráulica e biomassa.

apesar da geração distribuída já estar devidamente regulamentada pela

resolução normativa nº 482 da aneel, a modalidade ainda não ‘decolou’ no Bra- sil, o que intriga e decepciona os espe- cialistas e autoridades do setor elétrico. “apesar de ser algo que já está solidi- ficado, do ponto de vista regulatório, e de ter grande atratividade, o número de consumidores que adotaram o sistema é muito pequeno”, lamenta andré pe- pitone. Ele disse que a aneel irá estudar o caso e tomará providências para con- tribuir para a difusão dessa tecnologia. “Essa medida é bastante benéfica para toda a sociedade”, acredita.

Quem se habilita a gerar a própria energia?

para assegurar a expansão do sistema para atendimento da demanda simul- tânea. mas haverá a opção de obter um

preço melhor se conseguir se adequar e tiver alguma flexibilidade na mudança de hábitos”, vislumbra o especialista.

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Geração distribuída

no Brasil • Até agosto de 2014, o país conta-

bilizava a existência de 197 pro- jetos de microgeração distribuída de energia elétrica.

• quanto à fonte utilizada, esses projetos dividem-se da seguin- te forma: Solar fotovoltaica = 177 projetos eólica = 17 projetos Biogás = 1 projeto Solar/eólica = 2 projetos

Fonte: anEEL (agência nacional de Energia Elétrica)

características geralmente atribuídas às redes elétricas inteligentes

Segundo dados fornecidos pela aneel, em agosto de 2014 o país re- gistrava 197 sistemas de geração dis- tribuída. “a maioria fica nas áreas de concessão da cemig e da coelce, por- que esses dois estados (minas Gerais e ceará) adotaram a política de deso- neração do icmS na geração. Existe uma decisão do confaz (conselho na- cional de política Fazendária) que diz que a energia gerada e injetada na rede deve ser tarifada pelo icmS, o que tira um pouco a atratividade do negócio”, constata o diretor da aneel.

o dirigente discorda da cobrança do imposto. afinal, ao gerar sua pró-

Autorrecuperação: capaci- dade de automaticamente detec- tar, analisar, responder e restaurar falhas na rede;

Participação proativa dos consumidores: habilidade de in- cluir os equipamentos e compor- tamento dos consumidores nos processos de planejamento e ope- ração da rede;

tolerância a ataques ex- ternos: capacidade de mitigar e

resistir a ataques físicos e cyber- ataques;

Qualidade de energia: pro- ver energia com a qualidade exigi- da pela sociedade digital;

Capacidade para acomo- dar uma grande variedade de fontes e demandas: capacidade de integrar de forma transparente (plug and play) uma variedade de fontes de energia de várias dimen- sões e tecnologias;

• menor impacto ambiental do sistema produtor de eletricidade, reduzindo perdas e utilizando fon- tes renováveis e de baixo impacto ambiental;

• resposta da demanda me- diante a atuação remota em dis- positivos dos consumidores;

• viabiliza e beneficia-se de mercados competitivos de energia, favorecendo o mercado varejista e a microgeração.

Fonte: cGEE (centro de Gestão e Estudos Estratégicos)

pria energia a partir de fontes limpas, o consumidor contribui para a redução dos índices de emissão de poluentes e também para a postergação de novos investimentos em geração em grande escala. “nada mais justo que ele seja beneficiado com a desoneração do icmS”, defende pepitone.

na opinião de cyro Boccuzzi, o espe- rado boom da geração distribuída no Brasil foi ‘adiado’ pelo advento da me- dida provisória nº 579, instrumento cria- do pelo governo federal para tratar da renovação das concessões de energia e que estabeleceu a redução do valor das tarifas. de qualquer forma, ele ain-

da acredita que a modalidade irá des- lanchar nos próximos anos. “Só não vai acontecer se a economia der sinais de andar para trás”, prevê.

para quem tem dúvidas sobre que tipo de geração adotar, o especialista aponta que para empreendimentos de pequeno porte, como residências e es- tabelecimentos comerciais, o sistema mais simples de implantar, principal- mente em áreas urbanas, é o solar fo- tovoltaico. dependendo do tipo de em- preendimento, prossegue ele, há outras opções interessantes, como biomassa, resíduos sólidos e gás, além de solu- ções combinadas - de eólica e solar, por exemplo. “teremos minicentrais produtoras de energia com alto grau de desempenho e nível de suficiência muito bom. Essa é uma transformação que não vai demorar os cem anos que a indústria levou para chegar até aqui, nem cinquenta anos. acredito que em dez, quinze ou vinte anos iremos ter soluções de geração local de energia com bastante proficiência, inclusive no armazenamento de energia”, vislumbra o diretor da Ecoee.

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PoteNCiAl Benefícios do Smart Grid

superam os limites das redes de distribuição de

energia.

créditos de energia, como na telefonia celular

também tem gerado grande ex- pectativa no setor a implantação do sistema de pré-pagamento de energia elétrica. andré pepitone informou que a questão já foi regulamentada. para ser adotada na prática, esta medida também depende da pendência en- volvendo os medidores eletrônicos de energia. o diretor da aneel falou so- bre os benefícios esperados. para ele, essa modalidade de faturamento pro- porcionará maior transparência para o consumidor e o ajudará a melhorar a gestão do consumo. Já as distribuidoras poderão reduzir os custos de atividade comercial, decorrentes do sistema de faturamento convencional.

cyro Boccuzzi se diz um entusiasta do sistema de pré-pagamento de ener- gia. Ele conta que uma concessionária em que trabalhava nos anos 90 chegou a implantar a solução em São paulo, para atender algo entre 2,5 mil e 3 mil clientes. Segundo o especialista, quan- do precisavam mudar de casa, os con- sumidores que tinham o equipamento ligavam para a companhia para pedir a instalação também no novo endere- ço. “Havia uma aprovação entre 90%

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projetos de redes

inteligentes no Brasil

• de 2008 até o final de 2013, fo- ram identificados 273 projetos de desenvolvimento de redes elétricas inteligentes no Brasil, catalogados em dez temáticas. • os investimentos previstos de-

clarados nas propostas de pesquisa e desenvolvimento da Aneel supe- ram a marca de r$ 1,09 bilhão.

Fonte: anEEL (agência nacional de Energia Elétrica)

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Para os consumidores que já utilizam os recursos

da Automação Residencial, a

implantação das Redes Inteligentes não será novidade.

e 95%, entre as pessoas que usavam esse tipo de sistema”, lembra.

o diretor da Ecoee acredita que o pré-pagamento ajudará o consumidor a gerenciar a velocidade de consumo de energia, pois funcionará como o in- dicador do reservatório de combustíveis de um carro, que informa a quantidade de líquido disponível. “na minha ava- liação, essa é uma excelente ferramenta para o cliente que quer controlar o uso de energia”, destaca.

apesar de apostar no sucesso des- se mecanismo, Boccuzzi demonstra certa preocupação em relação à cono- tação que será dada ao modelo de ne-

lefonia, para a pessoa poder gerenciar os créditos dele, isso vai ser uma fer- ramenta fantástica, que ajudará o con- sumidor”, contrapõe Boccuzzi.

gócio a ser implantado no Brasil. Segundo ele, algumas concessioná- rias estariam falando em direcionar o sistema para aqueles clientes que apre- sentam histórico de inadim- plência. Se isso acontecer, prossegue, o usuário estaria recebendo automaticamente um carimbo de mau pagador, o que despertaria a ira dos ór- gãos de defesa do consumidor. “Se colocar o pré-pago como mais uma opção para qualquer cliente, da mes- ma forma que se dá o pré-pago da te-

a ‘conversa’ entre automação residencial e Smart Grid

Boccuzzi lembra que entre os pri- meiros recursos de automação resi- dencial estavam comandos como levan- tar e descer cortinas e ligar e desligar eletroeletrônicos como o home theater. depois, agregaram-se aspectos que vi- savam aumentar a segurança patrimo- nial. com o passar do tempo, cresceu a disciplina em torno do uso de ener- gia. ou seja, a partir da integração com equipamentos de última geração, como LEds e eletrodomésticos inteligentes, o

para um determinado grupo de consumidores, que já utilizam os recur- sos da automação residencial, a im- plantação das redes inteligentes não será novidade total, pois eles certa- mente não partirão do zero.

ao contrário, muitos possuem bastante familiaridade com os equipamentos e softwares destinados ao gerenciamen- to de sistemas como ar-condicionado

(controle de temperatura) e ilumi- nação (acendimento, dimeri-

zação, composição de cená- rios, etc.).

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existe uma convergência tecnológica entre essas duas

ondas de transformação, que são o Smart Grid e a automação residencial.

Cyro boCCuzzi | eCoee

sistema voltou-se bastante para a efici- ência energética. “Existe, sim, uma con- vergência tecnológica entre essas duas ondas de transformação, o Smart Grid e a automação residencial. as empre- sas de energia precisam estar atentas a isso, pois precisam oferecer as inter- faces de integração entre esses siste- mas”, comenta o especialista.

conforme destaca o diretor da Ecoee, quando falamos em gerencia- mento da demanda, ou seja, o consu- midor ‘afastar’ seu uso de energia da coincidência com os horários de pico para usufruir uma faixa especial de ta- rifa, isso não significa que ele terá que ficar programando seu eletrodomésti- co, mas sim que ele precisará dispor de funcionalidades em seu sistema de automação que permitam fazer a in-

tegração com a grade tarifária da con- cessionária.

“Existe toda uma linha de serviços que podem surgir e que vão ajudar o consumidor a tomar as decisões cor- retas. Ele não vai ficar programando a cada dia o uso de energia para o dia seguinte, mas vai apertar um botão no sistema de automação dele que irá en- quadrá-lo em determinado regime ta- rifário da concessionária, que é a me- lhor opção de tarifa para o tipo de uso que ele quer fazer”, explica Boccuzzi.

ração do Smart Grid. Estima-se que o país tenha hoje por volta de 78 milhões de unidades desse equipamento, sendo

transformações no setor serão profundas

no contexto geral, a implantação das redes Elétricas inteligentes no Bra- sil está ocorrendo por meio de proje t os- piloto que envolvem concessionárias de energia, universidades, laboratórios, fa- bricantes de equipamentos e desenvol-

vedores de softwares.

“os projetos estão em pleno de- senvolvimento pelas distribuidoras, in- clusive usando recursos da aneel, que tem obrigação de investir meio por cento de sua receita operacional li- quida em pesquisa e desenvolvimento. Uma das áreas contempladas é a de Smart Grid”, informa andré pepitone. Entre 2008 e o final de 2013, foram

identificados 273 projetos de desenvolvimento de re- des Elétricas inteligentes no Brasil, catalogados em dez temas. os investimentos pre- vistos declarados nas propos- tas de pesquisa e desenvol- vimento da aneel superam a marca de r$ 1,09 bilhão.

os projetos-piloto são im- portantes para testar os mais diversos tipos de tecnologias que compõem um sistema in- teligente. É o caso do medidor de energia, considerado o co-

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que aos poucos a tecnologia eletrome- cânica terá de ser substituída pela ele- trônica. “do ponto de vista da aneel a regulamentação está pronta. Hoje o desafio é a certificação dos medidores pelo inmetro”, reforça pepitone.

outro ponto bastante importante que está sendo testado, e comum a to- das as empresas, envolve a comunica- ção. ou seja, que sistema será empre- gado para fazer a comunicação entre o medidor das residências e o concen- trador que vai agrupar uma série de medidores, e também desse concentra- dor para o backhaul, que por sua vez irá reunir uma série de concentradores. “Hoje em dia existem várias tecnolo- gias, com suas vantagens e desvan- tagens”, pondera o diretor da aneel.

Sobre os motivadores do Smart Grid, é preciso destacar que cada país tem as suas necessidades. Se na Europa uma das maiores preocupações é tornar a matriz elétrica limpa e reduzir a emissão

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o programa de redes elétricas inte- ligentes desenvolvido pelo grupo edp em Aparecida (Sp) é considerado um trabalho de vanguarda por especialis- tas da área. Até o momento, foi feita a substituição de mais de 13.500 medi- dores convencionais pelos eletrônicos, o que representa 98,6% dos clientes impactados pelo projeto inovcity.

conforme informa João Brito mar- tins, gestor executivo de inovação e Sustentabilidade da edp, está em an- damento o processo de comissiona- mento dos medidores à rede ZigBee, rede de comunicação de dados rf com topologia mesh. “esta camada, chamada última milha, se conecta ao sistema de gerenciamento via rede WimAx, implantada exclusivamente para atender a telecomunicação dos medidores inteligentes em Apareci- da”, explica. também já foram insta- lados os primeiros 150 relés que darão ao sistema a possibilidade de executar remotamente o corte e a religação de energia. os testes com essa solução iriam começar ainda em outubro.

em fase bem mais recente está o projeto inovcity realizado pela edp em duas cidades do espírito Santo: do- mingos martins e marechal floriano. o projeto foi iniciado oficialmen- te em junho deste ano, com a entrega de scooters elétricas e com as ações de eficiência energética, que envolvem a conscientização da sociedade, palestras nas escolas e capaci- tação dos professores da rede pública. está sendo criada a infraestrutura de telecomuni- cação que atenderá a medição inteligente nos dois municí- pios, bem como encaminhará os dados coletados até a sede da edp em carapina (eS). “o

Edp revela detalhes das reis em Sp e no ES diferencial deste projeto em relação ao de Aparecida está na tecnologia adotada para comunicação de última milha. optamos por testar um padrão mais moderno de comunicação rf, ba- seada em ipv6 para equipamentos de baixa potência, conhecido como 6lo- wpAn”, informa martins.

o porta-voz comentou como está sendo o processo de implantação das redes inteligentes. em Aparecida, uma das dificuldades encontradas até o momento foi a falta de capacidade da infraestrutura pública de telecomu- nicações das empresas que prestam estes serviços na cidade. “como não houve interesse, na época, em poten- cializar os serviços de disponibilidade de banda para tráfego de dados via GprS, tivemos que alterar o escopo da solução de comunicação de GprS para uma solução própria de comuni- cação, através da criação de uma rede proprietária de WimAx. esta situação provocou um atraso significativo no cronograma do projeto, pois tivemos que alterar a tecnologia embarcada em alguns dispositivos de comunica- ção da rede”, relata martins.

um novo problema, prossegue o executivo, foi a necessidade de ex-

teriorização do dispositivo de corte e religação dos medidores inteligentes. devido a impossibilidade do inmetro testar os novos medidores com módu- lo de corte embarcado, a edp teve que modificar o projeto do medidor inteli- gente e criar um novo produto, o ‘relé de corte externo’. essas alterações geraram mais atraso no cronograma geral do projeto. “outro desafio que estamos superando neste momento está relacionado ao comissionamen- to dos medidores inteligentes. temos atualmente aproximadamente 6 mil medidores em comunicação com a nossa infraestrutura de comunicação de dados”, conta.

Ao ser indagado sobre a avalia- ção que a empresa faz dos principais pontos do projeto inovcity, martins destaca que os medidores inteligen- tes instalados vêm apresentando bons indicadores de qualidade, tanto rela- cionados à vida útil, quanto à preci- são da medição. ele ressaltou também a solidez do sistema de comunicação adotado, pois os índices de sucesso de comunicação com os medidores comissionados são satisfatórios. Além disso, a companhia está aferindo da- dos para verificar os ganhos relaciona-

dos à diminuição das perdas não técnicas.

os possíveis novos servi- ços serão testados em outros dois projetos de p&d (obser- vatório do cliente e testes de opções tarifárias), que estão em fase inicial e mostrarão quais produtos e serviços poderão ser oferecidos aos clientes do Grupo edp em um futuro próximo, com o auxílio das redes inteligen- tes e adequação da regulação pela Aneel.

Foto: divulgação

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Dispositivo de Proteção contra SurtosMCD Ideal para instalação antes dos medidores de energia e pode ser aplicado em edifi cações com medição agrupada ou coletiva.

Características: - DPS tipo I - Vida útil ilimitada - Baixa corrente de fuga e alta capacidade de condução de corrente - Módulos destacáveis

Ideal para instalação nos quadros de distribuição de energia. Possui módulos destacáveis, facilitando a inspeção e teste do dispositivo.

Características: - DPS tipo II - Codifi cação de tensão por modelo e voltagem - Indicadores visuais do estado de vida útil dos varistores

Capture o código e assista ao vídeo da aplicação dos Dispositivos de Proteção.

Novo Dispositivo de Proteção contra SurtosV20

Anuncio.indd 1 15/09/2014 16:57:13

potência36

matéria de capa Smart Grid

de carbono, nos Estados Unidos o princi- pal drive é a busca por maior eficiência energética. no Brasil, o foco é comba- ter as chamadas perdas não técnicas, ou seja, o furto de energia. “Quando se melhora a gestão da rede, consegue-se combater com mais eficácia e precisão essas perdas”, observa pepitone.

de acordo com ele, outro objetivo a ser atingido é a melhoria da qualidade dos serviços. na Europa, a duração das interrupções tolerada é de até 300 mi- nutos ao ano. nos Estados Unidos, são 500 minutos. no Brasil, o número apura- do pelas empresas é absurdo: 16 horas. “melhorando a gestão da rede, com cer- teza a gente vai conseguir diminuir isso significativamente e almejar ficar próximo dos padrões mundiais de interrupção. a média do país, de 16 horas, é um valor muito alto”, aponta o dirigente.

cyro Boccuzzi demonstra grande preocupação ainda em relação aos preços da energia praticados no Brasil e sentencia: para termos redes inteli- gentes, precisamos de tarifas inteligen- tes. Ele destaca que esses valores pre-

cisam estar alinhados com a realidade de mercado, espelhando os custos re- ais de suprimento, mas reclama que a eletricidade está sendo ofertada a um preço artificialmente baixo.

“o que está sustentando o setor são subsídios governamentais, sejam direta- mente financiados pelo tesouro, sejam

financiados por aumentos futuros da ta- rifa. todo esse aprendizado (projetos-pi- loto de Smart Grid) já deu às empresas uma base de conhecimento tecnológi- co e econômico, para que elas possam estruturar planos muito realistas de im- plementação. mas esses planos só vão ser viáveis economicamente se houver uma tarifa que realmente espelhe os custos de fornecimento”, argumenta o especialista.

toda essa situação, aliada a outros revezes, levaram as empresas do setor elétrico a viverem uma crise financeira sem precedentes, o que acabou obri- gando a protelação de determinados investimentos em Smart Grid. Entre- tanto, andré pepitone destaca que tem havido avanços ano a ano e que não há dúvida de que esse fenômeno irá se concretizar. a questão seria apenas de timing, para buscar uma equação benéfica entre investimento e resulta- do. “não se deve perguntar se vamos avançar ou não, isso é algo inexorável. as redes Elétricas inteligentes serão adotadas”, garante.

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motivadores do Smart Grid

no Brasil • reduzir as perdas técnicas e co-

merciais (fraudes); • melhorar a qualidade do serviço

prestado pelas distribuidoras; • reduzir os custos operacionais; • melhorar o planejamento da ex-

pansão da rede; • melhorar a gestão dos ativos; • promover a eficiência energética; • fomentar a inovação e a indústria

tecnológica. Fonte: cGEE (centro de Gestão e Estudos Estratégicos)

Ano XI Edição 106

Setembro’14

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