Teoria Piagetiana - Apostilas - Pedadogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
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Gaucho_827 de Março de 2013

Teoria Piagetiana - Apostilas - Pedadogia, Notas de estudo de . Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

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Apostilas de Pedagogia sobre o estudo da Teoria Piagetiana, conceito e característica da teoria piagetiana de aquisição da linguagem.
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A TEORIA PIAGETIANA DE AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

RESUMO: O artigo aborda conceito e característica da teoria piagetiana de aquisição da linguagem, destacando o construtivismo-cognitivista: linguagem vinculada à cognição, detalhando o estudo das concepções centrado nas habilidades intelectuais humanas, onde Piaget tenta nos explicar como se desenvolve a inteligência nos seres humanos.

PALAVRAS-CHAVES: Piaget, construtivismo-cognitivista, linguagem.

I – INTRODUÇÃO

A teoria piagetiana da aquisição da linguagem centrada na capacidade cognitiva busca entender o desenvolvimento natural da criança. Tendo como base e finalidade a inteligência, que começa a se organizar por meio de uma ação lógica sobre o biológico, isto é, os atos biológicos são adaptados ao meio físico.

Este estudo torna-se relevante por produzir reflexões acerca da aquisição da linguagem segundo Piaget, o que possibilita o aprofundamento dos estudos teóricos sobre o desenvolvimento da linguagem. Esta pesquisa é direcionada aos acadêmicos e pesquisadores da área de Letras interessados nas diversas concepções de linguagem.

O objetivo principal que norteia a pesquisa é desenvolver subsídios teóricos sobre a aquisição da linguagem a partir dos estudos de Piaget, e os objetivos específicos apresentados para defesa da pesquisa são: descrever a teoria piagetiana sobre a aquisição da linguagem; estabelecer relação entre o desenvolvimento do conhecimento de Piaget e o desenvolvimento da linguagem; Ressaltar a possibilidade de novas discussões sobre as teorias de aquisição da linguagem.

Esta pesquisa é de cunho bibliográfico, qualitativa e descritiva, para sua realização utilizou-se o procedimento de levantamento de dados através das técnicas de resumo, fichamento e resenha. Para fundamentar este trabalho foram selecionados os autores Jean Piaget e Noam Chomsky.

Este estudo está organizado em duas seções, a primeira seção trata do “Construtivismo- Cognitivista: linguagem vinculada à cognição”, tendo como subtópicos ‘O sujeito e o ambiente;

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Estágios de desenvolvimento e a Linguagem como ferramenta’. A segunda seção tem como titulo “Resultados e Discussão”, e em seguida serão apresentadas as conclusões do trabalho.

2 – CONSTRUTIVISMO – COGNITIVISTA: LINGUAGEM VINCULADA À COGNIÇÃO

Do estudo das concepções infantis de tempo, espaço, causalidade física, movimento e velocidade, Piaget criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética, isto é, uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança.

Segundo Piaget, as habilidades intelectuais humanas são formadas basicamente por meio da ação, ressalta que a interação entre o organismo e o ambiente é o principal impulso para o desenvolvimento do conhecimento.

Inhelder nos esclarece o que Piaget pensa sobre a linguagem:

Para Piaget (1966), a linguagem faz parte de uma organização cognitiva mais geral que mergulha suas raízes na “ação e nos mecanismos sensório-motores mais profundos do que o fato lingüístico”; em particular, é um dos elementos de um feixe de manifestações que repousam na função semiótica, na qual participam o jogo simbólico, a imitação diferida e a imagem mental. (INHELDER, 1983, p.170)

Desta forma, Piaget entendia o cognitivo como uma adaptação, que organiza a função de estruturar o universo do individuo, relacionando o pensamento e os objetos, onde a capacidade cognitiva irá construir mentalmente as estruturas capazes de serem aplicadas às do meio. Quando tais conquistas cognitivas se unem, superando a inteligência sensória e motora, a caminho da inteligência pré-operatória de fases posteriores, surge a possibilidade de a criança adotar os símbolos públicos da comunidade mais ampla em lugar de seus significantes pessoais, ou seja, a linguagem se torna possível, já que a linguagem é entendida, por Piaget, como um sistema simbólico de representações, assim como outros aspectos da função simbólica geral.

2.1 – O SUJEITO E O AMBIENTE

Nos estudos sobre aquisição da linguagem, destaca-se o interesse em saber como a criança aprende a língua em que dominará para se comunicar com o meio em que vive.

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Piaget ressalta que o individuo aprende do individual para o coletivo, por isso é importante a relação do sujeito com ambiente, pois segundo a sua teoria a aquisição e o desenvolvimento da linguagem são processos derivados do desenvolvimento do raciocínio na criança. Propõe-se que o sujeito constrói estruturas com base na experiência com o mundo físico, ao interagir e ao reagir biologicamente a ele, no momento dessa interação.

A teoria piagetiana tem como base a interação do sujeito com mundo, portanto o sujeito cognoscente constrói o real por meio da ação, relacionando-se ao objeto, espaço, tempo e causalidade. Assim, a criança constitui sua inteligência através de sua interação com mundo, com esquemas mentais que possibilitam apreender a realidade, segundo Fiorin (2008, p.222):

Para ele, a criança constrói o conhecimento com base na experiência com o mundo físico, isto é, a fonte do conhecimento está na ação sobre o ambiente. (...) está interação é entre a criança e o mundo. (...) Seu interesse não é pela linguagem per se, mas a linguagem como porta para a cognição.

Portanto, Piaget fala que todo o conhecimento começa por uma assimilação pelas estruturas e esquemas do sujeito dos dados que recebe do exterior. Estas estruturas e esquemas são os meios que permitem o conhecimento. Tal assimilação implica, por sua vez, a sua modificação. A acomodação consiste na modificação destas estruturas ou esquemas para se adaptarem aos novos dados que emergem da interação com o meio.

A inteligência surge então como o conjunto das estruturas e esquemas de que um organismo dispõe em cada fase do seu desenvolvimento. Assim, a adaptação do organismo constitui a expressão do equilíbrio atingido entre a assimilação e a adaptação. Filgueiras (2002) concorda com Piaget e diz: “é que a fim de acomodar é necessário que o sujeito antes se desequilibre estruturalmente, enquanto conjunto de esquemas, para se equilibrar novamente”. Tal equilíbrio somente se dá a partir do processo de assimilação-acomodação por meio da interação.

Por isso, importante é também salientar a importância da análise de um ser que se reconstrói ao longo do tempo, tendo sempre presente as premissas básicas de totalidade, transformação e auto-regulação, estruturadas em torno de um desenvolvimento, e que subjazem a qualquer processo educativo. As dimensões que mais interessam a este trabalho passam, sem dúvida, pelos aspectos cognitivos e linguísticos que estão na base de toda esta espiral materializada num modelo desenvolvimentista.

2.2 – ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO

Um conceito essencial da epistemologia genética é o egocentrismo, que explica o caráter mágico e pré-lógico do raciocínio infantil. A maturação do pensamento rumo ao domínio da

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lógica consiste num abandono gradual do egocentrismo. Com isso se adquire a noção de responsabilidade individual, in dispensável para a autonomia da criança.

Segundo Piaget, há quatro estágios do desenvolvimento cognitivo. O primeiro é o estágio sensório-motor, que vai até os 2 anos. Nessa fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta.

O estágio pré-operacional vai dos 2 aos 7 anos e se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa.

O estágio das operações concretas, dos 7 aos 11 ou 12 anos, tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações. Surge a lógica nos processos mentais e a habilidade de discriminar os objetos por similaridade e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número.

Fiorin (2008, p.222) destaca que:

(...) que o desenvolvimento cognitivo passa por períodos, estágios: sensório-motor, pré- operatório, operações concretas e operações formais. Os estágios piagetianos são universais (gerais e invariáveis) e, em cada um, a criança desenvolve capacidades necessárias para o estágio seguinte, provocando mudanças qualitativas no desenvolvimento.

Por volta dos 12 nos começa o estágio das operações formais. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses. De acordo com a tese piagetiana, ao atingir essa fase, o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio, ou seja, ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta.

2.3 – A LINGUAGEM COMO FERRAMENTA

Os estudos de Piaget, por sua vez, foram desenvolvidos tendo em vista a interação. Nessa interação, fatores internos e externos se interrelacionam continuamente, formando uma complexa combinação de influências. Desta forma Piaget discorda das teorias inatistas, por desprezarem o papel do ambiente, e das concepções ambientalistas porque ignoram fatores maturacionais.

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A comunicação, de um modo geral, é um processo evolutivo. O papel da linguagem no desenvolvimento cognitivo tem sido discutido por diferentes teóricos. As propostas cognitivistas contemplam, em geral, uma abordagem racionalista, isto é, pressupõe alguma capacidade inata.

Dentro das linhas cognitivistas, o interacionismo ou construtivismo entende a linguagem como uma forma de representação, porque permite ao sujeito evocar verbalmente objetos e acontecimentos ausentes, desta forma, as crianças constroem a linguagem, sendo esta considerada um instrumento. Um dos fatores indispensáveis para o surgimento da representação é a constância objetal, pela qual a criança consegue representar objetos ausentes. Esta proposta valoriza o aspecto motor, uma vez que pressupõe o surgimento do simbolismo após a passagem pelos estágios do período Sensório-Motor.

O surgimento da linguagem parece apresentar estreitas relações com os aspectos cognitivos. A teoria piagetiana sugere que o desenvolvimento linguístico depende do desenvolvimento da inteligência, sendo considerado uma forma de representação desta última. Para o teórico, o desenvolvimento cognitivo que irá possibilitar o nascimento do simbolismo.

A função simbólica irá aparecer num conjunto de atividades essencialmente sensório-motoras. O autor considera estas como condutas de transição ou pré-simbólicas e correspondem ao uso convencional dos objetos, aos esquemas simbólicos e ao esboço de aplicação de ações em outros objetos. Ainda que esteja relacionada aos comportamentos que vão além do domínio sensório-motor, estão voltadas de forma significativa na atividade do infante e não chegam ainda a representar por meio de símbolos propriamente ditos, ou seja, os objetos ou acontecimentos ausentes. Neste período ainda pode-se dizer, de acordo com a concepção piagetiana, que existe uma pré-linguagem.

Em uma determinada etapa do desenvolvimento infantil, observam-se alguns comportamentos que poderiam ser identificados como uma simples brincadeira. No entanto, trata-se do jogo de faz-de-conta, um brincar ou jogar simbólicos.

3 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

Segundo alguns estudiosos, a aprendizagem é um processo integrado que provoca uma transformação qualitativa na estrutura mental daquele que aprende. Essa transformação se dá por meio da alteração de conduta de um indivíduo, seja por Condicionamento Operante, experiência ou ambos, de uma forma razoavelmente permanente. As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos.

Um outro conceito de aprendizagem é uma mudança relativamente durável do comportamento, de uma forma mais ou menos sistemática, ou não-adquirida pela experiência, pela observação e pela prática motivada. O ser humano nasce potencialmente inclinado a aprender, necessitando de estímulos externos e internos para o aprendizado. Há aprendizados que podem ser considerados natos, como o ato de aprender a falar, a andar, necessitando que ele passe pelo processo de maturação física, psicológica e social. Na maioria dos casos a

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aprendizagem se dá no meio social e temporal em que o indivíduo convive; sua conduta muda, normalmente, por esses fatores e por predisposições genéticas.

As teorias de Jean Piaget tentam nos explicar como se desenvolve a inteligência nos seres humanos. Convém esclarecer que as teorias de Piaget têm comprovação em bases científicas. Ou seja, ele não somente descreveu o processo de desenvolvimento da inteligência, mas, experimentalmente, comprovou suas teses. Resumir a teoria de Jean Piaget não é uma tarefa fácil.

A teoria piagetiana não oferece aos educadores uma didática específica sobre como desenvolver a inteligência do aluno ou da criança. Ele nos mostra que cada fase de desenvolvimento apresenta características e possibilidades de crescimento da maturação ou de aquisições. O conhecimento dessas possibilidades faz com que os professores possam oferecer estímulos adequados a um maior desenvolvimento do indivíduo:

Aceitar o ponto de vista de Piaget, portanto, provocará turbulenta revolução no processo escolar (o professor transforma-se numa espécie de ‘técnico do time de futebol’, perdendo seu ar de ator no palco). (...) Quem quiser segui-lo tem de modificar, fundamentalmente, comportamentos consagrados, milenarmente (aliás, é assim que age a ciência e a pedagogia começa a tornar-se uma arte apoiada, estritamente, nas ciências biológicas, psicológicas e sociológicas). Onde houver um professor ‘ensinando’... aí não está havendo uma escola piagetiana (Lima, 1980, p. 131).

A partir das colocações anteriores, pode-se considerar que a teoria de Piaget complementa ao referir que interagir pressupõe, da perspectiva do sujeito, poder assimilar o objeto às suas estruturas, demanda que o sujeito tenha um esquema pelo qual o elemento exterior possa ser incorporado no mesmo. Não é uma interação qualquer que proporcionará o desequilíbrio e a acomodação, mas uma interação sujeito-objeto, a qual possui sentido para um aquele sujeito. Consequentemente, pode-se considerar este um processo individual.

A teoria piagetiana percebe o desenvolvimento cognitivo construído a partir do biológico. Pois para ele, a inteligência começa a se organizar por meio de uma lógica da ação calcada sobre o biológico, ou seja, os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico. Desta forma, pode- se concluir que Piaget entendia o cognitivo como uma adaptação, que organiza a função de estruturar o universo do indivíduo. Este conceito refere-se à relação entre o pensamento e os objetos, uma vez que a capacidade cognitiva irá construir mentalmente as estruturas capazes de serem aplicadas às do meio.

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4 – CONCLUSÃO

A teoria piagetiana de aquisição da linguagem ressalta que todo ser humano passa a desenvolver suas habilidades a partir da interação e o ambiente é o principal impulso para desenvolver o conhecimento da criança. Afirmando assim que a aprendizagem acontece através do que ela aprecia ao seu redor.

Contudo para uma boa aprendizagem é evidente que devemos estimulá-la.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

INHELDER, B. Linguagem e conhecimento no quadro construtivista. In: PIATELLI-PALMARINI, M. (Org.). Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget e Noam Chomsky. São Paulo: Cultrix: Editora da USP, 1983.

FIORIN, José Luiz. (org.). Introdução Linguística: I. Objetos Teoricos. 5ª ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008.

FILGUEIRAS, Karina Fideles. Psicopedagogia On-line, 2002. Um estudo sobre a lateralidade como fator influente na alfabetização. Disponível em: .

LIMA, Lauro de Oliveira. Piaget para principiantes. 2. ed. São Paulo: Summus, 1980. 284 p.

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