Texto Multilíngüe - Apostilas - Lingusitica, Notas de estudo de Linguística. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
VictorCosta
VictorCosta5 de Março de 2013

Texto Multilíngüe - Apostilas - Lingusitica, Notas de estudo de Linguística. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Apostilas de Linguística sobre o estudo dos textos multilingue, dúvidas e controvérsias, espaço de assinatura documento “original” do tradutor, erros no original como traduzi-los.
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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, nem tudo está regulamentado na prática da

tradução juramentada. Para além de decretos e instruções normativas, há um conjunto de

praxes, de hábitos, de tendências e de costumes, alguns mais consensuais, outros menos,

ditados quer pelo bom senso, quer pela tradição (e nem sempre tradição e bom senso

caminham juntos ou são “lidos” pela mesma ótica).

Neste sentido, a proposta desta coluna será a de refletir sobre esse espaço do fazer tradutório que

ultrapassa as normas, discutindo tópicos que constituem dúvidas para os novos tradutores

públicos, certezas para os veteranos, mas, em qualquer caso, passíveis de controvérsia. Os

enfoques e as sugestões aqui apresentadas, ainda que por vezes assumam um tom didático e

professoral – inevitável dada a biografia profissional de quem assina esta coluna – não têm por

intenção impor um determinado comportamento, apenas o de sugerir modos de lidar com certas

dificuldades. Se for suscitada a controvérsia, tanto melhor ... e as controvérsias serão abrigadas

neste mesmo espaço.

O texto multilíngüe (1)

Muito comumente, o tradutor público é solicitado a efetuar a tradução de textos em determinado idioma que contém trechos em outro(s) idioma(s), para o(s) qual(is) o tradutor não está habilitado. Não é tão evidente, a priori, o que fazer. Teoricamente, seria possível: (a) convocar um colega habilitado em outro idioma para executar a tradução do trecho em questão; (b) re-encaminhar o texto para um colega habilitado para os dois (ou mais de dois) idiomas envolvidos; (c) fazer referência sumária à existência do trecho no outro idioma; (d) efetuar a sua tradução não-juramentada, inserida no bojo da tradução juramentada, com ou sem transcrição do original; (e) fazer um resumo do teor do trecho não juramentado.

As duas primeiras alternativas são as mais apropriadas se o trecho em questão constituir, por si só, um texto que, em outras circunstâncias, poderia ter sido traduzido como um texto autônomo. Este é o caso, por exemplo, de um anexo mais ou menos alentado a um contrato; e será a conveniência das relações comerciais que dirá se convém adotar a alternativa (a) ou a (b).

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Se, no entanto, o trecho em questão não constituir um texto potencialmente autônomo (uma citação em outra língua, no caso de um parecer, por exemplo, ou uma legalização, um carimbo e similares), as alternativas (a) e (b) serão por demais onerosas em termos de logística (encaminhamento, prazo), de textualidade (referências cruzadas entre duas traduções, por tradutores diferentes, em livros e folhas com numeração diferente) e de custos para o cliente. Restam, portanto, três alternativas de encaminhamento.

A alternativa (c) – referência sumária à existência do trecho em outro idioma – é o menos interessante, pois, na prática, omite informações que podem ser relevantes para o propósito da tradução. Será, de todo modo, inevitável, se estiver em idioma do qual o tradutor não tem qualquer conhecimento e/ou para o qual não tem como consultar com colega habilitado. No caso de informações simples, tais como reconhecimentos de firma, de autenticidade e similares, é possível fazer um resumo da informação relevante, indicando, por destaques gráficos, tratar-se de um comentário “não-juramentado”, como em:

[No verso da última folha do original, em idioma alemão, reconhecimento da firma de NNN por YYY, tabelião público em Zurique.]

Neste exemplo, os colchetes e a mudança de fonte, conjuntamente, sugerem o comentário, externo à seqüência tradutória juramentada, ilustrando, assim, a alternativa (e).

Em outros casos, porém, pode ser relevante empreender um esforço maior, tal como sugerido na alternativa (d). Em um parecer jurídico, por exemplo, tendo por língua-fonte o português, a ser traduzido para o inglês, mas com uma ou mais citações (nos respectivos idiomas originais) de juristas italianos, argentinos, etc., haveria uma perda significativa com a sua omissão.

Aqui, a postura do tradutor levará em conta as suas expectativas em relação aos destinatários da tradução. Essencialmente, os trechos em italiano e em castelhano serão transcritos no corpo da tradução, no mesmo ponto em que se encontram no original. O tradutor poderá, no entanto, optar por acrescentar, abaixo de cada trecho ou em nota de rodapé/de fim, uma versão livre do texto, em qualquer hipótese com destaque gráfico, indicando que a fé pública não abarca a versão a partir de idiomas para os quais ele/ela não está habilitado(a).

* * *

Na próxima edição, tratarei de outros casos de multilingüismo que podem ocorrer na tradução juramentada. Desde já, todos os colegas estão convidados a contribuir para a discussão, propondo outras alternativas, discordando daquelas aqui apresentadas, ou enriquecendo as sugestões aqui apresentadas com outros exemplos.

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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

O texto multilíngüe (2)

Na edição anterior, tratei dos casos mais comuns de textos multilíngües, na situação em que o tradutor é habilitado em um (ou alguns) dos idiomas envolvidos, mas não em todos. Há, no entanto, pelo menos duas ou três outras situações que valeria a pena considerarmos.

Para os tradutores habilitados em dois (ou mais) idiomas, pode ocorrer que determinado texto seja efetivamente bilíngüe nesses mesmos idiomas (para facilitar a exposição, considerarei apenas a situação bilíngüe, embora o raciocínio aqui desenvolvido possa aplicar-se também a situações mais propriamente multilíngües). A dúvida que se manifesta, neste caso, é se a tradução deverá ser incluída no livro do idioma “A” ou no livro do idioma “B”.

Aqui, provavelmente, o parâmetro mais apropriado será a extensão de texto em cada idioma. Para exemplificar a partir de minha própria experiência de tradutor bi-habilitado, se o texto a ser traduzido permite que o Termo de Abertura possa ser formulado como “.... um documento em idioma inglês, com trechos em norueguês ...”, a tradução será incluída no livro de traduções de inglês. Se, ao contrário, a formulação mais apropriada, em função das extensões discrepantes, for “....um documento em idioma norueguês, com trechos em inglês ...”, sua inclusão far-se-á no livro de traduções de norueguês. Convirá, sempre, indicar na tradução os trechos que foram traduzidos a partir da língua textualmente minoritária. Não convém, nesses casos, utilizar como critério a origem geopolítica (por exemplo, um atestado de antecedentes criminais emitido na Noruega mas em idioma inglês, ainda que contenha um carimbo em norueguês), pois tal opção poderá resultar em uma discrepância com a formulação do termo de abertura, ou tornar o próprio termo de abertura incongruente com a percepção (objetiva ou subjetiva) de qual o idioma dominante do texto.

Os passaportes e outros documentos padronizados (carteiras de habilitação emitidas no âmbito da União Européia, por exemplo) constituem um caso diferenciado. Haverá circunstâncias em que o passaporte será traduzido não a partir do idioma de origem (por exemplo, por inexistir tradutor público para o idioma em questão), e sim a partir de um dos idiomas paralelos nele constantes. Nestes casos, a redação do termo de abertura adotaria a seguinte redação:

“... um PASSAPORTE, em idiomas sueco, finlandês, alemão, espanhol, francês, grego, inglês e italiano, do qual traduzo o que consta em francês para o vernáculo, no seguinte teor:”

ou solução equivalente.

Quando nos são apresentados textos multilíngües que contenham trechos paralelos vernáculo/idioma estrangeiro, o cliente normalmente solicita a tradução apenas dos trechos para os quais não há correspondente no vernáculo. Este é um procedimento muito usual em procurações e instrumentos similares, em que apenas a chamada “legalização” vem

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exclusivamente no idioma estrangeiro em questão (por exemplo, o reconhecimento de autenticidade pelo tabelião, em língua estrangeira). No entanto, para assegurar alguma coerência/consistência textuais, e, assim, facilitar o entendimento para o destinatário do texto e de sua tradução, convirá reproduzir na tradução (ainda que se trate de mera cópia) o título/cabeçalho, e a indicação das assinaturas ou outros elementos a que a “legalização” a ser traduzida se referem. Desnecessário insistir, o Termo de Abertura fará menção ao fato do texto integral ser majoritariamente bilíngüe (língua estrangeira/vernáculo) e indicará o foco preciso da operação tradutória.

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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

Espaço de assinatura – documento “original” do tradutor

Na edição de outubro do Ipsis Litteris on line, a coluna de perguntas e respostas traz um comentário sobre deixar/não deixar espaços para assinatura de partes contratantes em minutas de contrato e similares. A questão é tranqüila no caso de minutas. Com efeito, uma minuta pressupõe a possibilidade de novas modificações e, em tese, sua tradução juramentada somente poderá se dar quando o texto tornar-se definitivo e as assinaturas das partes contratantes já tiverem sido apostas (e, se possível, notarizadas, embora essa seja uma preocupação do cliente, não do tradutor).

Cumpre, no entanto, lembrar que, exatamente por ter fé pública, uma tradução emitida por tradutor público, ainda que sobre um documento ainda em elaboração, confere, de princípio, uma maior autenticidade e confiabilidade. Assim, caso se trate de uma negociação difícil ou delicada, a qualquer título, caberá uma tradução juramentada do que ainda é uma minuta (sem, porém, espaços para inserções a posteriori de assinaturas). À evidência, nova tradução juramentada terá de ser efetuada após a assinatura do documento definitivo, caso tal documento deva produzir efeitos legais em país com idioma oficial outro que aquele em que foi finalmente subscrito.

Entendo, porém, possível conceber que o tradutor público, sempre atuando como tal (ou seja, como detentor de fé pública para as relações “interlinguais”), possa também ser o gerador do texto definitivo. Neste caso, não sendo o tradutor a parte contratante ou outorgante, haverá efetiva necessidade de prever o espaço (em branco) de assinatura.

Imaginemos a seguinte situação (baseada em duas experiência reais, uma das quais relativamente recente): determinado cliente, estrangeiro e residente no Exterior, de passagem por São Paulo, pretende passar procuração ad judicia et extra para um advogado da Grande São Paulo. Por dificuldades de agenda, mostra-se impossível reunir as diversas partes (outorgante, outorgado e tradutor) em um mesmo dia e horário no Cartório de Notas. O advogado, conhecedor que é da legislação brasileira e da linguagem apropriada para as finalidades da procuração em tela, fornece uma minuta ao tradutor. Este, utilizando o seu papel timbrado, transcreve o texto em português em uma coluna e, na coluna ao lado, insere a sua respectiva tradução para o idioma do outorgante. Ao final de cada coluna, deixa em branco o espaço de assinatura do outorgante e, adiante, declara algo como:

Eu, Fulano de Tal, tradutor público e intérprete comercial para os idiomas XX, YY e ZZ, matrícula JUCESP n.º NNN, CPF/MF aaa.aaa.aaa-aa, com ofício à Rua BBB, n.º @@, São Paulo, SP, Certifico e Dou Fé

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que os textos do instrumento de procuração supra são, em suas respectivas versões em XX e YY, estritamente equivalentes entre si, produzindo, em ambas as versões, os mesmos efeitos e sentidos nos respectivos idiomas.

São Paulo, ..../..../....

[assinatura do tradutor]

Neste caso, após a elaboração e assinatura pelo tradutor, o outorgante apõe a sua assinatura, fazendo reconhecer as firmas em cartório.

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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

Erros no original – como traduzi-los? (1)

Todo tradutor já teve de se deparar com originais contendo erros de diversas naturezas. Na tradução não-juramentada, a ocorrência de erros, embora possa representar obstáculo para a correta interpretação do texto, no momento de produção da tradução torna-se passível de retificação, quer omitindo-se o erro, quer sinalizando-se o erro mediante nota de tradutor.1 sem maiores dificuldades, eventualmente após verificação com o solicitante do serviço. Na tradução juramentada, porém, a solução é menos óbvia.

Com efeito, subjaz à tradução juramentada um pressuposto – de realização duvidosa mas

real enquanto intencionalidade – de invariança em relação ao original. Dito de outro

modo, é um pouco como se a tradução juramentada fosse (pretendesse ser) uma

transparência sobre o original, servisse como um guia de leitura do original, relatando o

que consta do original – e não o “deveria” ter constado. Assim, em tese, tudo o que está

no original e somente aquilo que está no original deveria ser reproduzido na tradução. E

tal intenção tem a sua razão de ser: a tradução juramentada não tem existência

autônoma em relação ao original, ela valida o documento original, faz com que – em

vista da fé pública do tradutor – o documento original produza efeitos legais no país

receptor do conjunto original+tradução.

Admitida essa argumentação, não caberia em tese ao tradutor público efetuar qualquer

correção do original, ainda que este contenha erros manifestos e banais. Apenas, para

resguardar-se de outro pressuposto, o de erro do tradutor, o erro deveria vir assinalado

ou ressalvado, quer pela inserção de um [sic], quer por nota do tradutor.

1 A sinalização (por comentário, nota do tradutor ou de outro modo qualquer) tende a ser mais apropriada no caso de textos em estágio de minuta; a omissão/retificação direta é procedimento típico para textos em versão definitiva.

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A realidade da prática profissional é, no entanto, mais complexa. Para melhor

desenvolvermos a reflexão, consideremos, passo a passo, os diversos tipos de erro que

podem ocorrer em um original.

O erro mais banal – e, provavelmente, o mais encontradiço – é o de digitação, o “slip of

the finger”, que, com o corretor ortográfico desativado, chega à mesa do tradutor sem

grandes dificuldades de identificação, como no caso de desenbovlimento em lugar de

desenvolvimento, ou de blubery em lugar de blueberry. Por mais que se pretenda à

imitação estrita do original, normalmente não há porquê criar um erro correspondente

na tradução apenas para ser “fiel” ao original.2 Caberá, portanto, na maioria dos casos

(vide, porém, nota), normalizar o texto na tradução, sem referência ao deslize de

digitação.

Haverá, no entanto, casos em que o erro de digitação (incluídos os erros decorrentes das

operações de recorta/cola, atualização de versões, etc.) afetam elementos essenciais do

texto, tais como datas e nomes próprios, configurando uma outra modalidade de erro, a

de identificação.

Na tradução juramentada, a identificação constitui um dos elementos essenciais de

qualquer texto. Qualquer alteração pode invalidar o documento ou, ao menos, tornar a

tradução inutilizável. Pode, em casos limítrofes, configurar “falsidade ideológica”.

Assim, se em determinado documento uma pessoa vem identificada com o sobrenome

Ornellas, por exemplo, não basta que o cliente/interessado informe que a grafia correta é

2 A “imitação do erro” pode justificar-se se o texto original estiver eivado de erros deste e de outros tipos, caso em que o erro deixa de ser um deslize fortuito e passa a caracterizar o texto original enquanto tal. Assim, por exemplo, uma petição redigida com precário domínio da norma culta, da estilística, da coesão textual e argumentativa, deve normalmente ter suas inadequações demonstradas na própria tradução.

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Ornelas, com um “l” só. Se o documento original utilizar, de forma uniforme, a grafia

com dois “ll”, assim deverá ser mantida a grafia na tradução.

Pode ocorrer, no entanto, que o próprio documento apresente as duas grafias. Aqui

certamente teremos a tentação de padronizar a grafia. No entanto, como se trata de

elemento essencial do documento, será, na maioria dos casos, recomendável manter a

flutuação, eventualmente com uma nota do tradutor sinalizando o fato.3 Se houver todo

um conjunto de documentos, e em apenas um deles ocorre a grafia desviante, pode ser

cabível a padronização, desde que devidamente ressalvada por nota do tradutor.

Embora o tipo de raciocínio aplicável seja o mesmo no caso de erros de identificação de

data, as situações em que tais erros ocorrem têm outras implicações. Sobre estes casos,

bem como sobre os erros de conteúdo e os erros mais propriamente redacionais (ou

textuais senso lato), discorrerei na próxima edição.

3 Evidentemente, se houver 4 ou 5 ocorrências de Ornellas e apenas uma ocorrência de Ornelas, tendo como referente sempre a mesma pessoa (e não um parente), a padronização poderá ser efetuada sem danos e sem risco de “falsidade ideológica”. Assim, um dos critérios a levar em conta será a freqüência com que ocorrem as diversas variantes de grafia.

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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

Esta coluna não constou da edição de Inverno do Ipsis Litteris, por razões de força maior. Como

muitos colegas certamente tiveram ocasião de acompanhar, a Faculdade de Filosofia, Letras e

Ciências Humanas da USP encontrava-se em uma situação algo inédita – greve dos alunos

reivindicando mais professores, e esse colunista encontrava-se, ainda, na função de diretor da

Unidade, envolto, como podem imaginar, em todas as dificuldades administrativas e cuidados

políticos decorrentes da situação. Entrementes, a greve encerrou-se – a meu ver, vitoriosa, com a

liberação de recursos para a contratação de 92 docentes, e este seu colega encerrou o seu

mandato de diretor. Assim, volta esta coluna de Dúvidas e Controvérsias, trazendo, como

novidade, a primeira efetiva controvérsia, como verão logo abaixo. Nisso, realiza-se um dos

objetivos declarados desta coluna, anunciada quando de seu lançamento: “Se for suscitada a

controvérsia, tanto melhor ... e as controvérsias serão abrigadas neste mesmo espaço.”

Erros no original – como traduzi-los? (1bis) – A controvérsia O leitor se recordará que na edição de Verão discutimos a dificuldade representada pelos erros existentes nos documentos originais apresentados para tradução juramentada. Para resumir, dada a especificidade desta modalidade de tradução, como regra geral não cabe normalmente ao tradutor público efetuar correções ao efetuar a tradução, por mais evidentes e flagrantes que sejam esses erros. No entanto, a matéria ressalvava os casos de deslizes de digitação (slip of the finger) que não afetam o sentido, em que a correção é possível sem ferir o princípio geral da invariança: exaustividade, transparência e “identidade” com o original.

Os casos mais graves de deslizes de digitação afetam, porém, elementos essenciais do texto original. Dentre estes, a coluna anteriormente publicada destacava aqueles que geram um outro tipo de erro, o de identificação. Para não configurar falsidade ideológica, e por mais que o cliente insistisse, no exemplo proposto, se o texto consagra, para um nome próprio, a grafia Ornellas, com dois “ll”, o fato do interessado poder comprovar, por outros documentos, que a grafia correta é Ornelas, com um “l” só, a tradução tem de manter a grafia desviante já existente no original.

A coluna ressalvava, no entanto, uma situação intermediária. Dizia eu, na ocasião:

Pode ocorrer, no entanto, que o próprio documento apresente as duas grafias. Aqui

certamente teremos a tentação de padronizar a grafia. No entanto, como se trata de

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elemento essencial do documento, será, na maioria dos casos, recomendável manter a

flutuação, eventualmente com uma nota do tradutor sinalizando o fato.4 Se houver todo

um conjunto de documentos, e em apenas um deles ocorre a grafia desviante, pode ser

cabível a padronização, desde que devidamente ressalvada por nota do tradutor. [grifo

posterior]

Embora o tipo de raciocínio aplicável seja o mesmo no caso de erros de identificação de

data, as situações em que tais erros ocorrem têm outras implicações. Sobre estes casos,

bem como sobre os erros de conteúdo e os erros mais propriamente redacionais (ou

textuais senso lato), discorrerei na próxima edição.

Por uma questão de espaço, o problema dos erros nas datas e dos erros de conteúdo e

textuais terão de aguardar a edição de Verão; o trecho citado (inclusive a nota de rodapé)

provocou uma resposta da colega Isabel Rupaud, “veementemente” contrária.

Em síntese, a colega aponta:

(1) Nem a Polícia, nem os cartórios em geral e o registro civil em particular fazem qualquer tipo de retificação ou “normalização”. Se adotarmos na tradução juramentada a mesma atitude, estaremos sendo conformes à praxe de todo o sistema para-legal (do qual o tradutor público faz parte) e não correremos riscos.

(2) Se há erro na “fonte”, cabe à fonte efetuar a retificação (a Vara da Infância, no caso de adoção, o cartório original, no caso da certidão de nascimento ou casamento, a escola, no caso do histórico escolar, e assim por diante).

(3) Nesse sentido, o papel do tradutor público não é o de retificar: é o de alertar o cliente para o problema, induzindo-o a buscar a devida correção antes de executarmos a tradução juramentada.

(4) A nota de tradutor representa dois riscos: (a) pode simplesmente não ser lida; (b) pode prejudicar o cliente, ao apontar o erro que de outro modo talvez passasse desapercebido.

O problema específico levantado por Isabel Rupaud diz respeito à “normalização” ou não

de uma flutuação de grafia identificadora de pessoa (física ou jurídica) ao interior do

4 Evidentemente, se houver 4 ou 5 ocorrências de Ornellas e apenas uma ocorrência de Ornelas, tendo como referente sempre a mesma pessoa (e não um parente), a padronização poderá ser efetuada sem danos e sem risco de “falsidade ideológica”. Assim, um dos critérios a levar em conta será a freqüência com que ocorrem as diversas variantes de grafia.

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mesmo texto ou conjunto de textos apresentados simultaneamente para tradução. Nos

demais casos – flutuação inter-textual – não há como efetuar qualquer “normalização”.

Esse é um caso de “concordar, discordando”. Em primeiro lugar, cabe reafirmar, caso

tenham subsistido dúvidas: não há qualquer hipótese ou circunstância, por mais

extraordinária que seja, que possa justificar inserir Josefina onde no original claramente

se lê Maria, apenas porque a cliente afirma que Josefina é o seu “verdadeiro” nome!

O que a coluna não havia levantado como alternativa – pois o foco era sobre o problema

NO texto e não sobre a relação com o cliente – a Isabel muito corretamente relembra: a

primeira providência, com efeito, é alertar o cliente para a existência da anomalia e para

as suas possíveis conseqüências, incitando-o a providenciar a competente retificação.

Cabe lembrar, porém, que o usuário final ou o “dono” do texto (que nem sempre é o

cliente, dada a potencialmente longa cadeia de intermediações) nem sempre se encontra

disponível ou acessível; ou o cliente pode não querer ou não ter tempo hábil para

providenciar a retificação. Em outros termos, se – e somente se – a retificação do original

não for possível, por qualquer desses motivos (e, presume-se, a retificação legalmente

correta, não a “retificação” por meio de rasuras disfarçadas pelos mecanismos

reprográficos, e operações similares que configuram, essencialmente, uma falsificação do

original), caberá recurso à nota de tradutor. E a nota de tradutor somente será cabível se

não restar qualquer dúvida de que, a despeito da flutuação ortográfica, se trata

efetivamente da mesma pessoa. Faça-se a “normalização” no corpo do texto ou na própria

nota, é preciso explicitar que houve uma constatação ou uma interferência do tradutor. A

nota de tradutor5 permite, assim, resgatar a relação de transparência/fidedignidade não

5 E a nota de tradutor constitui todo um outro universo de discussão, que valerá a pena discutir, no seu devido tempo.

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apenas com o texto original em si, como também com as circunstâncias (as “condições de

produção”, para usar um termo técnico da lingüística) extra-textuais do original e/ou da

tradução. Constitui, pois, uma ferramenta útil para o tradutor público, que, como toda

ferramenta, exige determinados cuidados, mas que, no caso dos erros verificados no

original, pode ser extremamente esclarecedor para os usuários finais da tradução.

De todo modo, posso concordar com a Isabel no seguinte ponto: em caso de dúvida, por

menor que seja, acerca da pertinência, validade ou permissibilidade de uma retificação /

“normalização” / nota, o mais seguro é deixar como está no original.

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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

Erros no original – como traduzi-los? (2) Em edições anteriores do Ipsis Litteris, esta coluna discutiu – e suscitou controvérsias – acerca das atitudes a tomar no caso de ocorrência de erros no original. Lembrava que, na tradução juramentada, contrariamente ao que ocorre na tradução dita “livre”, a margem de intervenção retificadora do tradutor é fortemente limitada pela expectativa de “invariança” em relação ao original. A função da tradução juramentada não é, com efeito, transmitir a mensagem que o/a autor/a do original pretendia verbalizar, e sim a que efetivamente verbalizou, inclusive as eventuais inadequações, falhas, lacunas e enganos do original. Traduz-se o texto, tal como ele se encontra, ou, dito de outro modo, talvez mais preciso, relata-se, na língua-meta, o que o texto original diz, não o que poderia/deveria ter dito. Assim, de princípio, o erro no original permanece como erro na tradução.

Entre o princípio e a aplicação, porém, há uma distância mediadora de variáveis.

Na primeira coluna dedicada ao tema, lembrava-se a hipótese do “slip of the finger”, que justificaria uma intervenção retificadora. E a controvérsia surgiu porque a coluna considerava, em raras e limitadas circunstâncias, a eventual possibilidade de retificação no caso do erro fortuito de digitação afetar um nome próprio (topônimo ou, em especial, antropônimo), para o qual se coloca a questão da identidade.

Assim, pode ocorrer uma falha de data. Não é totalmente incomum o tradutor deparar-se com uma procuração que, na data de sua emissão, já esteja com seu prazo de validade vencido.6 Aqui, novamente, o tradutor público terá de manter a forma constante do original, a despeito da discrepância, não sem antes alertar o seu cliente acerca da incongruência.

Falhas desta natureza também ocorrem em tabelas contendo valores, abreviaturas, etc. No caso específico de valores (por exemplo, em uma prestação de contas, em um demonstrativo financeiro, e similares), é relativamente fácil constatar a ocorrência do erro, empregando algumas rotinas de cálculo disponíveis nos processadores de texto. Ainda aqui, o tradutor público vê-se compelido a manter o dado errôneo do original. Mesmo a inserção de uma nota de tradutor (ou, alternativamente, de um [sic]) não representa, necessariamente, uma “melhora” ou retificação do texto. Resulta – ou pode resultar – em um elemento suplementar de risco, pois, sendo a falibilidade geral, pode perfeitamente ocorrer que o tradutor não detecte todos os casos de erro de inserção e totalização de valores, além dele próprio – por mais que revise e re- revise – poder vir a cometer enganos do mesmo tipo.

6 A ocorrência deste tipo de “distração” decorre, muito provavelmente, do reaproveitamento de arquivos gravados em meio eletrônico, e em que o processo de atualização é efetuado com um cuidado aquém do desejável.

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Em síntese, erros do original que constituam – independentemente de sua origem – falhas de digitação, oferecem duas soluções possíveis: (a) falhas do original que não afetam o teor do texto - desenvovlimento em lugar de desenvolvimento – que são passíveis de retificação; (b) falhas do original que afetam o teor do texto e, em especial, que digam respeito quer à identificação das partes (nomes próprios, n.ºs de inscrição no CPF, CNJP, IAPAS, etc.) ou a montantes (valores pecuniários), e todos os casos da mesma natureza (notas e cargas horárias em históricos escolares, por exemplo), que não são passíveis de retificação, embora se possa considerar, em algumas poucas circunstâncias, o interesse de efetuar ressalva explícita, em nota de tradutor ou equivalente.

As falhas de digitação, porém, constituem apenas uma das facetas do problema do erro no original. Há diversas outras modalidades de erros e inadequações, e, em cada caso, o tradutor público terá de tomar uma decisão clara sobre o tratamento a dar a tais falhas, que podem ser: (i) de informação factual; (ii) de estrutura gramatical; (iii) de inadequação idiomática (envolvendo, principalmente, sintaxe, léxico e marcadores retóricos), gerando, no limite, inconsistências (lógicas, textuais, argumentativas) em graus variados de gravidade.

Reencontramos, aqui, problemas de forma e de conteúdo; agora, porém, em um plano em que a incidência do erro não se situa na forma gráfica, nem nasce de descuidos com esta mesma forma.

Por analogia, os erros de informação factual (técnica, científica, econômica, política, geográfica, histórica, etc.) devem receber o mesmo tratamento dos “slips of the finger” que afetam o teor do texto; portanto, não serão objeto de qualquer esforço de retificação, embora, novamente, possam justificar, em determinadas circunstâncias, a inserção de ressalva por nota de tradutor ou recurso equivalente. Pelo mesmo raciocínio, mas com resultado inverso, os erros de estrutura gramatical (por exemplo, falhas de regência) – desde que não gerem ambigüidade de sentido – deixarão de ser assinalados na tradução; mesmo porque, por serem as estruturas gramaticais discrepantes entre as línguas em confronto, uma tentativa de “reprodução” da falha dificilmente poderá ser feito utilizando o “mesmo” erro, no mesmo ponto da seqüência textual.

Mais complexa é a situação com que o tradutor se depara diante de inadequações idiomáticas. Dificilmente tais inadequações deixarão de ter conseqüências para o sentido, usualmente tornando-o pelo menos mais obscuro, quando não diretamente ambíguo. Para casos pontuais – ou seja, infreqüentes ao interior do texto em questão – caberá ao tradutor efetuar uma avaliação também pontual, ocorrência por ocorrência. O obscuro pode, eventualmente, ser esclarecido ... já o ambíguo deverá, idealmente, ser mantido/recriado como ambíguo.

As inadequações idiomáticas podem, porém, não ser fortuitas, e sim constituir uma marca do próprio texto. Textos originais escritos a várias mãos; textos originais escritos por não-nativos do idioma (caso muito freqüente dos textos em inglês, mas não apenas destes); pretensos originais que, na realidade, resultam de diversos movimentos de ir-e-vir de minutas de negociação, por sobre as barreiras dos dois idiomas, até se concretizarem em um texto não propriamente

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“original” no sentido de “texto primeiro”, e sim em um texto definitivo, mas inescapavelmente híbrido; essas são algumas dentre muitas circunstâncias que podem dar origem a inadequações de toda ordem, por vezes em grande escala.

Nestes casos, uma tentativa de “normalização” acabaria descaracterizando o original (infringindo o princípio fundamental da “invariança”). A opção preferencial tenderá, pois, a se fazer por uma reprodução, tão próxima quanto estruturalmente possível, das inadequações idiomáticas – sintáticas, lexicais e retóricas – do texto apresentado para tradução. Como se pode facilmente imaginar, constituirá um belo exercício de lingüística comparativa efetuar tal reprodução, onerosa em tempo embora estimulante para o intelecto.

Aqui os colegas poderiam objetar, lembrando – com boa dose de razão – que já pré-existe um certo preconceito contra a tradução e seus operadores (nós, tradutores), e que a reprodução das inadequações idiomáticas do original pode ser percebida pelo destinatário/cliente como falha do tradutor, não do original. Inversamente, entremear o texto de [sic]s pode também gerar um efeito duplamente danoso, sobrepondo, à tortuosidade reproduzida, uma constante interrupção na leitura.

Evidencia-se, pois, que não basta reproduzir (ou, mais precisamente, “imitar”) os erros e inadequações do original. É preciso que o leitor do texto traduzido tenha plena ciência de que tais erros e inadequações derivam do original, não de impropriedades do processo tradutório. Que neste ponto me seja concedido o espaço de um depoimento mais pessoal. Em um caso extremo com que me deparei há alguns anos, as inadequações, de toda ordem, atingiam uma freqüência extremamente elevada, por vezes mais de uma por linha de texto. Tratava-se de um texto científico, redigido em inglês, mas por um pesquisador brasileiro. No primeiro esboço, recorri ao uso de [sic]s, com o efeito referido no parágrafo anterior. Na revisão, optei por uma solução diferente, que, imagino, tenha proporcionado uma solução mais satisfatória. Reproduzi, como pude, os erros e inadequações, ponto a ponto (erro ortográfico por erro ortográfico, erro lexical por erro lexical, erro sintático por erro sintático, sempre, ainda que não exatamente os “mesmos” erros). Ao final, acrescentei uma ressalva (de salvaguarda) com a seguinte redação:

Os erros, falhas e inadequações constantes desta tradução reproduzem, na medida do

possível, erros, falhas e inadequações da mesma natureza constatados no documento

original.

Tenho certeza de que não reproduzi todos os erros e todas as inadequações. Estou convicto de que, com todas as suas mazelas deliberadamente buscadas, a tradução, ainda assim, era mais legível para os lusofalantes do que o original o era para os anglofalantes. As discrepâncias estruturas, com efeito, não permitiam uma reprodução “fiel” dos erros. Nem se trata realmente, de uma reprodução, mas, como ficou dito, de uma “imitação”. Logrou-se, porém, ser “fiel” à

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natureza idiomaticamente discrepante do texto, pois essa era uma de suas principais características.

* * * * *

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DÚVIDAS E CONTROVÉRSIAS

Textos bilíngües no idioma estrangeiro e no vernáculo. Como proceder? Com certa freqüência, documentos (principalmente procurações) vêm sendo

encaminhados aos tradutores públicos “apenas para traduzir a legalização”, posto que o

corpo do texto se apresenta de forma bilíngüe, no idioma estrangeiro e no vernáculo.

Essa é uma prática relativamente comum dos escritórios de advocacia com clientes

internacionais, e visa, além de assegurar uma padronização e uma adequação do texto

em português às praxes redacionais e às injunções da legislação brasileira, reduzir os

custos de tradução.

O procedimento é legítimo? A despeito da redução resultante no mercado de trabalho

para o tradutor juramentado, do ponto de vista de nosso ofício não há nada que impeça

que o cliente assim proceda e solicite a tradução somente da certificação notarial e,

quando for o caso, a menção à subseqüente consularização. Nesses casos, convirá

indicar tratar-se de uma legalização de um texto que não será traduzido pelo tradutor,

pois já se apresenta em versão bilíngüe e, para fins de coerência visual e discursiva,

reproduzir pelo menos o título (p.ex. INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO) e a data e a

assinatura do emitente / outorgante, antes de passar à tradução da certificação notarial,

como em:

INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO

[..........]

Nova York, 2 de dezembro de 2002

[Assinatura ilegível]

Fulano de Tal

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Não é, porém, difícil conceber que o destinatário do documento suponha que a

assinatura do interessado aposta sob ambas as colunas, o reconhecimento de sua

assinatura por tabelião estrangeiro, a consularização (ainda que o carimbo do

Consulado deixe claro que a legalização não diz respeito ao teor do documento) e a

tradução juramentada do reconhecimento da assinatura impliquem o aval também ao

teor do corpo do documento original ou, mais especificamente, à correspondência estrita

entre as duas versões (língua estrangeira / língua vernácula), do mesmo documento.

Este seria um engano, potencialmente de risco. O tradutor público não pode

responsabilizar-se por uma tradução feita por terceiros, normalmente não identificados.

Em contrapartida, não há porque o tradutor público deva acrescentar uma declaração

avalizando a correspondência entre as duas versões constantes do corpo do texto. Com

efeito, para assim proceder, ele/ela teria de confrontar frase por frase, linha por linha,

palavra por palavra, implicando um trabalho de revisão que, na realidade, corresponde

ao ciclo quase completo do processo tradutório, faltando apenas a re-digitação. Um

complicador suplementar para este confronto reside no fato de que, para o tradutor e

para o destinatário da tradução, o texto em idioma estrangeiro constitui a “língua de

partida”, enquanto que, no histórico de produção dos textos, a versão em português

muito provavelmente é a primeira, tendo sido, para conveniência do cliente, traduzido

para o idioma estrangeiro.

Se as duas versões fossem consideradas efetivamente equivalentes, o trabalho de

confronto teria de ser remunerado, nos termos do Artigo 9º da Deliberação da JUCESP

relativa aos emolumentos do tradutor público – “laudo de exame ou conferência de

exatidão de tradução ou versão de outro tradutor” – ou seja, a 50% do valor de tabela

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da tradução, reduzindo, portanto, a relevância econômica do procedimento de emissão e

assinatura de instrumentos bilíngües. Se, efetuado o confronto, o tradutor constatar

discrepâncias, cria-se um problema mais grave: o tradutor terá de avaliar em que

medida as discrepâncias podem ser tidas como meramente formais, idiomáticas ou se, de

algum modo, redundam em alteração de teor, relevante, portanto, para a intenção

comunicativa e institucional/legal do texto. Nesta segunda hipótese, o tradutor teria de

emitir um laudo (ainda que seja uma declaração inserida no corpo da tradução da

legalização, em duas ou três linhas de texto suplementar) sinalizando tais discrepâncias,

tendo por resultado efetivo impedir a utilização do documento em questão. Desnecessário

alongar-se sobre as conseqüências para o cliente e para a relação tradutor/cliente.

Em vista da real complexidade da questão, sugere-se que o tradutor, por analogia ao

procedimento de praxe da autoridade consular, faça constar de sua tradução uma

ressalva que resguarde tanto o próprio tradutor quanto o destinatário da tradução.

Assim, por exemplo, o Termo de Abertura poderia ser redigido da seguinte forma:

CERTIFICO e DOU FÉ, para os devidos fins, que

nesta data me foi apresentada uma

LEGALIZAÇÃO, apensa a um Instrumento de

Procuração bilíngüe xxx/português (e cujo teor é de

inteira responsabilidade do emitente), a qual

traduzo para o vernáculo como segue:

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