Toxicidade do Chumbo - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)
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Neymar28 de Fevereiro de 2013

Toxicidade do Chumbo - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)

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Apostilas sobre a toxicidade do chumbo, doenças e toxicidade, efeitos neurológicos, efeitos hematológicos, efeitos endocrinológicos, efeitos sobre o crescimento.
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Doenças e toxicidade

O chumbo é um elemento tóxico não essencial que se acumula no organismo. Na sua interação com o corpo, o chumbo apresenta tanto características comuns a outros metais pesados quanto algumas peculiaridades. Como esse metal afeta virtualmente todos os órgãos e sistemas do organismo, os mecanismos de toxicidade propostos envolvem processos bioquímicos fundamentais, que incluem a habilidade do chumbo de inibir ou imitar a ação do cálcio e de interagir com proteínas. Em níveis de exposição moderada, um importante aspecto dos efeitos tóxicos do chumbo é a reversibilidade das mudanças bioquímicas e funcionais induzidas. A toxicidade do chumbo resulta, principalmente, de sua interferência no funcionamento das membranas celulares e enzimas, formando complexos estáveis com ligantes contendo enxofre, fósforo, nitrogênio ou oxigênio (grupamentos –SH, –H2PO3, –NH2, –OH), que funcionam como doadores de elétrons. As interações bioquímicas do chumbo com grupamentos - SH são consideradas de grande significado toxicológico, visto que, se tal interação ocorrer em uma enzima, sua atividade pode ser alterada e resultar em efeitos tóxicos.

Os efeitos biológicos do chumbo são os mesmos qualquer que seja a rota de entrada (inalação ou ingestão), uma vez que há interferência no funcionamento normal da célula e em inúmeros processos fisiológicos. As maiores concentrações de chumbo são encontradas nos ossos, porém os primeiros efeitos adversos da exposição ao metal não são aí observados e ainda não há comprovação de doenças nos ossos que estejam associadas à concentração de chumbo nos mesmos.

 Efeitos neurológicos

O conjunto de órgãos mais sensível ao envenenamento por chumbo é o sistema nervoso, sendo que a encefalopatia (nome genérico dado para qualquer alteração patológica com sinais inflamatórios relacionadas ao encéfalo.) é um dos mais sérios desvios tóxicos induzidos pelo chumbo em crianças e adultos. Além da ausência de um limite preciso, a toxicidade do chumbo na infância pode ter efeitos permanentes, tais como menor quociente de inteligência e deficiência cognitiva. Os danos sobre o sistema nervoso periférico, primeiramente motor, são observados principalmente nos adultos. A encefalopatia causada pelo chumbo ocorre nas formas aguda e crônica. O curso clínico da encefalopatia aguda pelo chumbo varia, dependendo da idade e da condição geral do paciente, da quantidade absorvida, do tempo de exposição e de certos fatores concomitantes, como o alcoolismo crônico. Encefalopatia aguda se desenvolve somente após doses maciças.

A encefalopatia crônica pode ser um estado residual após a encefalopatia aguda originada por esse metal, mas também pode resultar de uma exposição prolongada ao

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chumbo. As crianças são mais suscetíveis do que os adultos aos efeitos da encefalopatia sobre o sistema nervoso central. A exposição pode começar ainda no útero, caso a mãe tenha chumbo em seu organismo, e aumentar após o nascimento, através de inúmeras fontes.

Em adultos, alguns estudos indicam que os efeitos claros da neurotoxicidade aparecem com níveis Pb-S de 40 a 60 μg.dL–1, concentração na qual também se fazem presentes outros sinais e sintomas claros de intoxicação por chumbo, tais como as queixas gastrintestinais.

A paralisia do sistema nervoso periférico é caracterizada pelo envolvimento seletivo dos nervos motores. Também afeta os músculos extensores unilateralmente, sendo típica a queda do pulso do braço direito.

Os efeitos sobre o nervo ótico e o sistema auditivo também têm sido atribuídos à exposição ao chumbo. Em crianças, um aumento de Pb-S corresponde a uma diminuição na audição de 2 dB em todas as freqüências. Experimentos confirmam as observações de outros estudos, pois sugerem que o chumbo afeta não somente o nervo periférico, mas também as funções nervosas central e autônoma em nível subclínico.

 Efeitos hematológicos

A anemia é uma descoberta extraordinária no envenenamento por chumbo, não estando necessariamente associada com deficiência de ferro. Geralmente, é de leve a moderada em adultos, e algumas vezes, é severa em crianças. Os desvios hematológicos que levam à anemia pelo chumbo são considerados como resultado de sua ação tóxica sobre as células vermelhas na medula óssea. Esses efeitos incluem inibição da síntese da hemoglobina (Hb). Entretanto, a anemia não é uma manifestação precoce do envenenamento por chumbo, sendo rara sem outros efeitos detectáveis, e só é evidente quando o nível de Pb-S é significativamente elevado por períodos prolongados.

O chumbo inibe a capacidade do organismo de produzir Hb, afetando várias reações enzimáticas, críticas para a síntese da heme. Assim, pesquisadores concluíram que a anemia encontrada em pessoas com nível de Pb-S extremamente elevados deveria ser atribuída exclusivamente ao chumbo, após todas as outras causas terem sido excluídas. Os efeitos hematológicos do chumbo são os únicos para os quais as relações dose-resposta foram estabelecidas com certeza e, por isso mesmo, pressupõe-se que a concentração de Pb-S represente a dose ao qual o indivíduo foi exposto. Dessa forma, várias das alterações hematológicas servem como testes para o diagnóstico de absorção excessiva: os efeitos sobre a síntese da heme fornecem indicadores bioquímicos de exposição ao chumbo na ausência de marcadores quimicamente detectáveis.

 Efeitos endocrinológicos

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O chumbo parece interferir na conversão da vitamina D em 1,25-dihidroxivitamina. Nas crianças, as concentrações de 1,25-dihidroxivitamina D no soro são usadas como um indicador dos efeitos do chumbo sobre o sistema de enzimas que medeiam a hidroxilação inicial. Entretanto, outros fatores, tais como dieta, necessidades fisiológicas de cálcio e fósforo e níveis de hormônios calciotrópicos, tais como a paratireóide, podem regular a produção e concentração da 1,25-dihidroxivitamina D no organismo.

Vários estudos mostram a existência de uma correlação inversa forte entre os níveis de chumbo no sangue e de 1,25-dihidroxivitamina D no soro. Entretanto, os dados epidemiológicos permitiram concluir que os efeitos do chumbo sobre o metabolismo da vitamina D, observados em alguns estudos, somente eram evidentes em crianças com deficiência nutricional crônica e níveis de chumbo em sangue elevados por longo tempo.

Como o conjunto vitamina D-glândulas endócrinas é, em grande parte, responsável pela manutenção da homeostase do cálcio extra e intracelular, é razoável concluir que a interferência do chumbo na produção renal de 1,25- dihidroxivitamina D terá um impacto sobre processos fundamentais por todo o corpo, podendo provavelmente prejudicar o crescimento e a maturação da célula e o desenvolvimento de dentes e ossos, entre outros. Em seres humanos, há indicações de que a exposição ao chumbo cause prejuízos endócrinos. As observações descritas podem indicar danos na função da tireóide pelo impedimento da entrada de iodo, provavelmente através da interferência no eixo pituitário-supra-renal. Também as funções das glândulas supra-renais e pituitárias podem ser afetadas. Porém, os resultados positivos encontrados devem ser vistos com cautela, uma vez que os estudos não citam se as variáveis foram controladas.

Resultados de pesquisas mostraram que uma exposição moderada ao chumbo estava associada somente com pequenas alterações na função endócrina masculina, afetando principalmente o eixo hipotálamo-pituitário.

 Efeitos sobre o crescimento

Diversas pesquisas têm sugerido que o crescimento físico e a estatura das crianças podem ser reduzidos pela exposição ao chumbo. Nos Estados Unidos, um levantamento nacional realizado de 1976 a 1980 com 2 695 crianças com idade igual ou menor do que 7 anos

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forneceu evidências de uma associação entre níveis crescentes de chumbo no sangue e redução no peso, altura e circunferência de tórax, após ajuste para idade, raça, sexo e fatores nutricionais.

 Efeitos renais

A exposição excessiva e prolongada ao chumbo pode causar doença renal progressiva e irreversível. A nefropatia (doença no rim) por chumbo é caracterizada por uma redução gradual da função renal e é freqüentemente acompanhada por hipertensão. Os efeitos tóxicos do chumbo sobre os rins ocorrem na presença de níveis relativamente altos de Pb-S e se dividem principalmente em disfunção tubular renal reversível e nefropatia intersticial irreversível. A disfunção reversível ocorre, na maior parte, em crianças sob exposição aguda (basicamente por via oral) ao chumbo.

Nos estágios iniciais dessa exposição excessiva aguda, as alterações morfológicas e funcionais nos rins estão limitadas aos túbulos renais e são mais pronunciadas nas células tubulares proximais, cujos danos se manifestam por reabsorção reduzida de aminoácidos, glicose, fosfato e ácido cítrico.

O diagnóstico de função alterada ou doença renal induzida por chumbo é difícil, uma vez que não há indicadores específicos; os níveis de uréia no sangue e de creatinina no soro se tornam elevados somente depois da perda de dois terços da função renal. O chumbo parece afetar o metabolismo da vitamina D nas células do túbulo renal, de modo que os níveis circulantes do hormônio da vitamina D são reduzidos.

 Efeitos carcinogênicos

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer concluiu que as evidências relativas à carcinogenicidade do chumbo e seus compostos em seres humanos eram inadequadas. Entretanto, as provas dos efeitos carcinogênicos em animais eram suficientes. Assim, de acordo com a IARC, o chumbo inorgânico e os compostos de chumbo foram classificados como “possivelmente carcinogênicos para humanos”. Nos Estados Unidos, uma lista das 20 substâncias mais perigosas para 2001 mostra o chumbo em segundo lugar, atrás somente do arsênio. Os relatos de casos implicam o chumbo como potencial carcinogênico renal em humanos, mas a associação permanece incerta. Os sais solúveis, tais como o acetato e o fosfato de chumbo, têm sido apontados como causa de tumores em rins de ratos.

 Efeitos cardiovasculares

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Nas intoxicações agudas por chumbo, particularmente se o paciente tem cólica, a pressão sangüínea é freqüentemente elevada, podendo ocorrer também hipotonia e danos ao coração.

As evidências de estudos clínicos, ocupacionais e com a população em geral sugerem que o chumbo afeta o sistema cardiovascular em humanos, produzindo lesões cardíacas, anormalidades eletrocardiográficas e aumentos na pressão sangüínea em níveis excessivos de exposição. Porém, a contribuição do chumbo, comparada com outros fatores que afetam a pressão do sangue, parece ser relativamente pequena, em torno de 1 a 2% da variação. Os dados em animais demonstram claramente que o chumbo aumenta a pressão sangüínea sob condições experimentais controladas, e vários mecanismos têm sido propostos para explicar essas observações .

Diversos estudos com grande número de trabalhadores expostos ao chumbo e na população em geral encontraram associação entre o metal e algum tipo de efeito sobre o sistema cardiovascular. Entretanto, todas as correlações positivas foram fracas e, também, uma relação causal não foi solidamente estabelecida. Os fatores que poderiam causar confusão, tais como idade, sexo, álcool, fumo e exposição a múltiplos poluentes, entre outros, não foram controlados na maioria das avaliações.

Apesar das inúmeras pesquisas para definir uma relação entre o conteúdo corpóreo de chumbo e a pressão do sangue ou outros efeitos sobre o sistema cardiovascular, nenhuma relação causal foi demonstrada em humanos.

 Efeitos gastrointestinais

A cólica é um efeito inicial no quadro de intoxicação por chumbo em sujeitos ocupacionalmente expostos ou em indivíduos com exposição aguda a níveis elevados de chumbo, sendo também um sintoma de envenenamento por chumbo em crianças. Embora ocorra tipicamente em níveis altos de Pb-S, também tem sido notada, algumas vezes, em trabalhadores com níveis mais baixos. Outra manifestação bem conhecida da exposição ao chumbo é a linha azulada nas gengivas. Entretanto, essa tão conhecida linha do chumbo não diz se o paciente está intoxicado por chumbo. É formada por precipitado de sulfeto de chumbo e somente indica que o paciente tem estado exposto a esse metal e que, além disso, sua higiene dental é pobre.

Embora os sintomas gastrintestinais sejam, há muito tempo, considerados característicos de envenenamento por chumbo, pouca atenção tem sido dada para a definição das relações de dose-efeito.

Esses sintomas ocorrem em trabalhadores expostos ao chumbo cuja exposição original é por inalação, e em crianças quando a exposição é pela via oral.

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 Efeitos hepáticos

Há sugestões de que os efeitos do chumbo sobre a síntese da heme podem reduzir a capacidade funcional do citocromo do sistema hepático para metabolizar drogas, conforme demonstrado em trabalhadores ocupacionalmente expostos. Esses distúrbios no citocromo são mínimos no caso de intoxicação crônica pelo chumbo em adultos, mas significativos em crianças com envenenamento agudo

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