Trichoderma no brasil, Projetos de Microbiologia. Universidade Estadual da Bahia (UNEB)
Hamilton.Souza
Hamilton.Souza17 de Dezembro de 2015

Trichoderma no brasil, Projetos de Microbiologia. Universidade Estadual da Bahia (UNEB)

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TRICHODERMANO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE
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Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

Recepção/Reception: 2011.12.08 Aceitação/Acception: 2012.03.29

RESUMO

Fungos do gênero Trichoderma apresen- tam potencial para o controle de fitopató- genos e para a promoção do crescimento vegetal. Pesquisas com diferentes culturas comprovam essa capacidade e agregam in- formações sobre os mecanismos de ação desses bioagentes, contudo, ainda são pou- co conhecidos os mecanismos de ação na promoção do crescimento em ausência de fitopatógenos. A produção em massa de tri- choderma tornou-se um foco de pesquisa e desenvolvimento industrial na busca de alternativas a tratamentos químicos para o controle de doenças de plantas ocasiona- das por microrganismos presentes no solo e em sementes. Porém, a grande escassez de formulações devidamente registradas tem sido um sério entrave na utilização de bio-

produtos no Brasil. Essa revisão contribui para a elucidação dos mecanismos de ação detrichoderma na promoção de crescimen- to vegetal, em ausência e presença de pató- genos de solo e faz uma análise atual sobre a introdução de formulações biológicas no mercado brasileiro.

Palavras-chave: Bioproduto, legislação brasileira, promoção de crescimento vegetal.

ABSTRACT

Fungi of the genus Trichoderma present potential to control plant pathogens and pro- mote plant growth. Researches with different cultures prove this capacity and aggregate information about these bioagents action mechanism, however, the mechanisms of action in the promotion of growth in the absence of plant pathogens are still little known. The mass production of trichoderma has become a research and industrial devel- opment focus in the search for alternatives to chemical treatments for the control of plant diseases caused by microorganisms present in the soil and seeds. But, the scarcity of properly registered formulations, have been a serious obstacle in the utilization of bio- products in Brazil. This review contributes to clarifying the trichoderma action mecha- nisms in the promotion of vegetal growth, in absence and presence of soil pathogens and makes an updated analysis about the in- troduction of biological formulations in the Brazilian market.

Keywords: Bioproduct, Brazilian laws, vegetal growth promotion.

TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

TRICHODERMA IN BRAZIL: THE FUNGUS AND THE BIOAGENT

Daniele Franco Martins Machado1, Francini Requia Parzianello2, Antonio Carlos Ferreira da Silva1 e Zaida Inês Antoniolli2

1 Programa de Pós-Graduação em Agrobiologia, Departamento de Biologia, Centro de Ciências Naturais e Exatas, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima, n. 1000, CEP 97119-970, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: danifmartins@gmail.com;

acfsilva2@uol.com.br 2 Programa de Pós-Graduação em Agrobiologia, Departamento de Solos, Centro de Ciências Rurais, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima, n. 1000, CEP 97119-970, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:

frarp@yahoo.com.br; zantoniolli@gmail.com

Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

Recepção/Reception: 2011.12.08 Aceitação/Acception: 2012.03.29

RESUMO

Fungos do gênero Trichoderma apresen- tam potencial para o controle de fitopató- genos e para a promoção do crescimento vegetal. Pesquisas com diferentes culturas comprovam essa capacidade e agregam in- formações sobre os mecanismos de ação desses bioagentes, contudo, ainda são pou- co conhecidos os mecanismos de ação na promoção do crescimento em ausência de fitopatógenos. A produção em massa de tri- choderma tornou-se um foco de pesquisa e desenvolvimento industrial na busca de alternativas a tratamentos químicos para o controle de doenças de plantas ocasiona- das por microrganismos presentes no solo e em sementes. Porém, a grande escassez de formulações devidamente registradas tem sido um sério entrave na utilização de bio-

produtos no Brasil. Essa revisão contribui para a elucidação dos mecanismos de ação detrichoderma na promoção de crescimen- to vegetal, em ausência e presença de pató- genos de solo e faz uma análise atual sobre a introdução de formulações biológicas no mercado brasileiro.

Palavras-chave: Bioproduto, legislação brasileira, promoção de crescimento vegetal.

ABSTRACT

Fungi of the genus Trichoderma present potential to control plant pathogens and pro- mote plant growth. Researches with different cultures prove this capacity and aggregate information about these bioagents action mechanism, however, the mechanisms of action in the promotion of growth in the absence of plant pathogens are still little known. The mass production of trichoderma has become a research and industrial devel- opment focus in the search for alternatives to chemical treatments for the control of plant diseases caused by microorganisms present in the soil and seeds. But, the scarcity of properly registered formulations, have been a serious obstacle in the utilization of bio- products in Brazil. This review contributes to clarifying the trichoderma action mecha- nisms in the promotion of vegetal growth, in absence and presence of soil pathogens and makes an updated analysis about the in- troduction of biological formulations in the Brazilian market.

Keywords: Bioproduct, Brazilian laws, vegetal growth promotion.

TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

TRICHODERMA IN BRAZIL: THE FUNGUS AND THE BIOAGENT

Daniele Franco Martins Machado1, Francini Requia Parzianello2, Antonio Carlos Ferreira da Silva1 e Zaida Inês Antoniolli2

1 Programa de Pós-Graduação em Agrobiologia, Departamento de Biologia, Centro de Ciências Naturais e Exatas, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima, n. 1000, CEP 97119-970, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: danifmartins@gmail.com;

acfsilva2@uol.com.br 2 Programa de Pós-Graduação em Agrobiologia, Departamento de Solos, Centro de Ciências Rurais, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima, n. 1000, CEP 97119-970, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:

frarp@yahoo.com.br; zantoniolli@gmail.com

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Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

INTRODUÇÃO

Trichoderma spp., conhecido por tricho- derma, compreende fungos de vida livre, que se reproduzem assexuadamente, pre- sentes com mais frequência em solos de re- giões de clima temperado e tropical. Esses fungos também colonizam madeira, onde a fase sexual teleomorfa (gênero Hypocrea) é frequentemente encontrada. Muitas linha- gens não possuem ciclo sexual conhecido (Harman et al., 2004a), sendo classificadas na sub-divisão Deuteromycotina. Os deute- romicetos são caracterizados pela produção de conídios formados a partir de células co- nidiógenas, contidas ou não em estruturas especializadas, ou por fragmentação do talo micelial (Kruger e Bacchi, 1995) (Figura 1).

Algumas linhagens de trichoderma são utilizadas no controle de fitopatógenos e na promoção de crescimento vegetal devi-

do a sua versatilidade de ação, como pa- rasitismo, antibiose e competição, além de atuarem como indutores de resistência das plantas contra doenças. Essas característi- cas tornam trichoderma um dos fungos mais pesquisados em condições de laboratório, casa de vegetação, no Brasil, estufa em Portugal, e campo (Altomare et al., 1999; Harman et al. 2004a; Resende et al., 2004; Delgado et al., 2007; Filho et al., 2008; Louzada et al., 2009; Hoyos-Carvajal, Or- duz, e Bissett, 2009).

Desde o trabalho pioneiro de Weindling e Fawcett em 1936, sobre o uso de estirpes de trichoderma no controle de doenças causadas em citros por Rhizoctonia solani Kühn, têm sido realizados estudos, na tentativa de iso- lar fungos eficazes na repressão de doenças de plantas causadas por outros fungos. Além disso, pesquisas têm sido direcionadas para a promoção do crescimento vegetal e apre-

Figura 1 – Ciclo de vida assexual de trichoderma adaptado de Kruger e Bacchi (1995).

Hifas

Conidióforos

Conídios (esporos)

Germinação

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Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

INTRODUÇÃO

Trichoderma spp., conhecido por tricho- derma, compreende fungos de vida livre, que se reproduzem assexuadamente, pre- sentes com mais frequência em solos de re- giões de clima temperado e tropical. Esses fungos também colonizam madeira, onde a fase sexual teleomorfa (gênero Hypocrea) é frequentemente encontrada. Muitas linha- gens não possuem ciclo sexual conhecido (Harman et al., 2004a), sendo classificadas na sub-divisão Deuteromycotina. Os deute- romicetos são caracterizados pela produção de conídios formados a partir de células co- nidiógenas, contidas ou não em estruturas especializadas, ou por fragmentação do talo micelial (Kruger e Bacchi, 1995) (Figura 1).

Algumas linhagens de trichoderma são utilizadas no controle de fitopatógenos e na promoção de crescimento vegetal devi-

do a sua versatilidade de ação, como pa- rasitismo, antibiose e competição, além de atuarem como indutores de resistência das plantas contra doenças. Essas característi- cas tornam trichoderma um dos fungos mais pesquisados em condições de laboratório, casa de vegetação, no Brasil, estufa em Portugal, e campo (Altomare et al., 1999; Harman et al. 2004a; Resende et al., 2004; Delgado et al., 2007; Filho et al., 2008; Louzada et al., 2009; Hoyos-Carvajal, Or- duz, e Bissett, 2009).

Desde o trabalho pioneiro de Weindling e Fawcett em 1936, sobre o uso de estirpes de trichoderma no controle de doenças causadas em citros por Rhizoctonia solani Kühn, têm sido realizados estudos, na tentativa de iso- lar fungos eficazes na repressão de doenças de plantas causadas por outros fungos. Além disso, pesquisas têm sido direcionadas para a promoção do crescimento vegetal e apre-

Figura 1 – Ciclo de vida assexual de trichoderma adaptado de Kruger e Bacchi (1995).

Hifas

Conidióforos

Conídios (esporos)

Germinação

TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

276 DANIELE FRANCO MARTINS MACHADO et al.

Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

sentam aumento tanto no crescimento quanto na produtividade de diversas culturas como cravo, crisântemo, pepino, berinjela, ervilha, pimentão, rabanete, tabaco, tomate, alface, cenoura, milho, algodão, feijão, arroz, grão- -de-bico, eucalipto, entre outras (Resende et al. 2004; Almança, 2005; Fortes et al., 2007; Jyotsna et al. 2008; Filho et al., 2008; Hoyos-Carvajal et al., 2009).

Os mecanismos de trichoderma na promo- ção de crescimento vegetal, em ausência de fitopatógenos, ainda são pouco esclarecidos em comparação aos mecanismos de ação envolvendo o controle biológico (Pomella e Ribeiro, 2009). De acordo com pesquisa invitro, realizada por Altomare et al. (1999), a promoção de crescimento em plantas promo- vida por Trichoderma harzianum Rifai isola- do T-22, está na sua habilidade de solubilizar nutrientes importantes para a planta. Segun- do Baugh e Escobar (2007), a ação de tri- choderma como estimulador do crescimento é complexa e realizada por interações com fatores bioquímicos e produção de diversas enzimas e compostos benéficos.

O controle biológico de doenças e a pro- moção do crescimento por esse antagonista tem sido uma área de muitos estudos. No entanto, apesar deste esforço de investigação por parte de centenas de cientistas, há poucas utilizações de biocontrole (Harman, 2000) e de promoção de crescimento vegetal na agri- cultura comercial.

No Brasil, dentre os aspectos que justifi- cam esta baixa aplicabilidade, está a limita- da disponibilidade de produtos comerciais à base de trichoderma legalmente registrados no Ministério da Agricultura Pesca e Abas- tecimento (MAPA). Outra justificativa é a difusão de conceitos, princípios e vanta- gens envolvidos no uso de bioprodutos que é deficiente, limitando o conhecimento dos consumidores sobre as consequências para a saúde pública e ambiental do uso intensivo de agrotóxicos.

Uma das alternativas para amenizar a bai- xa aplicabilidade é a da pesquisa que escla- reça quais os mecanismos de interação entre os agentes de biocontrole, os patógenos, as

plantas e o ambiente (Morandi e Bettiol, 2009), bem como estudos que objetivem a introdução de bioformulações no país.

Sob esta perspectiva, este trabalho visa colaborar na elucidação dos mecanismos de ação detrichoderma na promoção de cresci- mento vegetal, em ausência e presença de pa- tógenos de solo e faz uma análise atual sobre a introdução de formulações biológicas no mercado brasileiro.

VANTAGENS DO USO DE TRICHODERMA

Para atender à procura, cada vez maior, de produtos e alimentos livres de resíduos deixados pelas aplicações de agrotóxicos, o controle biológico de pragas e doenças cons- titui-se uma importante alternativa. O Brasil e outros países, que tem na agricultura a base de sua economia, necessitam do aumento na produção e oferta de alimentos mais saudá- veis, onde o controle biológico deve ser in- dispensável para se obter um sistema susten- tável de produção integrada (Lopes, 2009). Além disso, os fungicidas biológicos são atraentes para a agricultura comercial por- que atingem alguns nichos onde o controle químico não é capaz de atuar. Os pesticidas químicos perdem a ação regulatória devido à resistência das pragas, são substituídos ou têm seu uso diminuído em ambientes onde se deseja manter as comunidades microbianas do solo (Harman, 2000). Entretanto, apenas a substituição de um produto químico por um biológico não é a situação adequada, mas, é sim, caminhar para o desenvolvimento de sistemas de cultivo mais sustentáveis e, por- tanto, menos dependente do uso de agrotóxi- cos (Morando e Bettiol, 2009).

Contudo, o sucesso do controle de fitopa- tógenos e da promoção de crescimento por bioagentes dependerá das propriedades e me- canismos de ação do organismo. As espécies do gênero Trichoderma são as mais utiliza- das no controle de fitopatógenos por serem encontradas em uma vasta diversidade de ambientes, devido à facilidade de serem cul-

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Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

sentam aumento tanto no crescimento quanto na produtividade de diversas culturas como cravo, crisântemo, pepino, berinjela, ervilha, pimentão, rabanete, tabaco, tomate, alface, cenoura, milho, algodão, feijão, arroz, grão- -de-bico, eucalipto, entre outras (Resende et al. 2004; Almança, 2005; Fortes et al., 2007; Jyotsna et al. 2008; Filho et al., 2008; Hoyos-Carvajal et al., 2009).

Os mecanismos de trichoderma na promo- ção de crescimento vegetal, em ausência de fitopatógenos, ainda são pouco esclarecidos em comparação aos mecanismos de ação envolvendo o controle biológico (Pomella e Ribeiro, 2009). De acordo com pesquisa invitro, realizada por Altomare et al. (1999), a promoção de crescimento em plantas promo- vida por Trichoderma harzianum Rifai isola- do T-22, está na sua habilidade de solubilizar nutrientes importantes para a planta. Segun- do Baugh e Escobar (2007), a ação de tri- choderma como estimulador do crescimento é complexa e realizada por interações com fatores bioquímicos e produção de diversas enzimas e compostos benéficos.

O controle biológico de doenças e a pro- moção do crescimento por esse antagonista tem sido uma área de muitos estudos. No entanto, apesar deste esforço de investigação por parte de centenas de cientistas, há poucas utilizações de biocontrole (Harman, 2000) e de promoção de crescimento vegetal na agri- cultura comercial.

No Brasil, dentre os aspectos que justifi- cam esta baixa aplicabilidade, está a limita- da disponibilidade de produtos comerciais à base de trichoderma legalmente registrados no Ministério da Agricultura Pesca e Abas- tecimento (MAPA). Outra justificativa é a difusão de conceitos, princípios e vanta- gens envolvidos no uso de bioprodutos que é deficiente, limitando o conhecimento dos consumidores sobre as consequências para a saúde pública e ambiental do uso intensivo de agrotóxicos.

Uma das alternativas para amenizar a bai- xa aplicabilidade é a da pesquisa que escla- reça quais os mecanismos de interação entre os agentes de biocontrole, os patógenos, as

plantas e o ambiente (Morandi e Bettiol, 2009), bem como estudos que objetivem a introdução de bioformulações no país.

Sob esta perspectiva, este trabalho visa colaborar na elucidação dos mecanismos de ação detrichoderma na promoção de cresci- mento vegetal, em ausência e presença de pa- tógenos de solo e faz uma análise atual sobre a introdução de formulações biológicas no mercado brasileiro.

VANTAGENS DO USO DE TRICHODERMA

Para atender à procura, cada vez maior, de produtos e alimentos livres de resíduos deixados pelas aplicações de agrotóxicos, o controle biológico de pragas e doenças cons- titui-se uma importante alternativa. O Brasil e outros países, que tem na agricultura a base de sua economia, necessitam do aumento na produção e oferta de alimentos mais saudá- veis, onde o controle biológico deve ser in- dispensável para se obter um sistema susten- tável de produção integrada (Lopes, 2009). Além disso, os fungicidas biológicos são atraentes para a agricultura comercial por- que atingem alguns nichos onde o controle químico não é capaz de atuar. Os pesticidas químicos perdem a ação regulatória devido à resistência das pragas, são substituídos ou têm seu uso diminuído em ambientes onde se deseja manter as comunidades microbianas do solo (Harman, 2000). Entretanto, apenas a substituição de um produto químico por um biológico não é a situação adequada, mas, é sim, caminhar para o desenvolvimento de sistemas de cultivo mais sustentáveis e, por- tanto, menos dependente do uso de agrotóxi- cos (Morando e Bettiol, 2009).

Contudo, o sucesso do controle de fitopa- tógenos e da promoção de crescimento por bioagentes dependerá das propriedades e me- canismos de ação do organismo. As espécies do gênero Trichoderma são as mais utiliza- das no controle de fitopatógenos por serem encontradas em uma vasta diversidade de ambientes, devido à facilidade de serem cul-

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tivadas e observadas, ao rápido crescimento em um grande número de substratos e ao fato de não serem patogênicas para plantas superiores (Papavizas, Lewis e Abd-Elmoi- ty, 1982). Apresentam-se capazes de inibir fitopatógenos através de competição, para- sitismo direto, produção de metabólitos se- cundários e micoparasitismo de estruturas de resistência de patógenos, como escleródios, esporos e clamidósporos, que em geral são difíceis de serem destruídos (Melo, 1998). Pesquisas mostram que isolados de tricho- derma reduzem a viabilidade de escleródios de Rhizoctoniasolani. Dentre os antagonis- tas de fungos fitopatogênicos usados no bio- controle, cerca de 90% têm sido realizados com diferentes isolados pertencentes a este gênero (Benítez et al., 2004; Kunieda-Alon- so, Alfenas e Maffia, 2005).

A aplicação de trichoderma tem proporcio- nado aumentos significativos na percentagem e na precocidade de germinação, no peso seco e na altura de plantas, além de estimular o desenvolvimento das raízes laterais (Melo, 1996; Contreras-Cornejo et al., 2009). Eles são capazes de atuar como bioestimulantes do crescimento radicular, promovendo o de- senvolvimento de raízes através de fitohor- mônios e assim, melhorar a assimilação de nutrientes, aumentando a resistência diante de fatores bióticos não favoráveis, além de degradar fontes de nutrientes que serão im- portantes para o desenvolvimento do vegetal (Harman, 2000; Harman et al., 2004b).

Em experimentos de campo, a microbio- lização com T. harzianum isolado T-22 pro- porcionou aumento significativo na emer- gência de plantas e no rendimento de grãos de milho (Luz, 2001). Filho et al. (2008) concluíram que Trichoderma spp. isolado CEN 262 proporcionou maior índice de de- senvolvimento de partes aéreas de mudas de eucalipto. Harman et al. (2004b) relataram que plântulas de milho com 10 dias apresen- taram maior produção de biomassa. Kleifeld e Chet (1992) observaram a ação positiva de isolados de T. harzianum em tratamento de semente e de solo na germinação de feijão, rabanete, tomate e pepino. Inbar et al. (1994)

observaram um aumento de 96% de área fo- liar em plântulas de pepineiro cultivadas em substrato tratado com o isolado T-203 de T. harzianum.

A aplicação de trichoderma pode ser fei- ta nas sementes, no substrato, no sulco de plantio ou em matérias orgânicas que serão incorporadas antes do transplante das mudas (Lucon, 2009). Independente da forma de aplicação há a necessidade de usar produtos biológicos como uma alternativa para a redu- ção do uso de produtos químicos. Conforme Luz (2001), os bioprotetores apresentam-se como uma tecnologia alternativa para o con- trole de fitopatógenos, pois os bioagentes, em especial espécies de Trichoderma, poderão ter um importante impacto na redução do uso excessivo de fungicidas, no desenvolvimento da agricultura sustentável e na proteção do meio ambiente, mitigando, dessa forma, de acordo com Morandi e Bettiol (2009) diver- sos problemas, como contaminação dos ali- mentos, do solo, da água e dos animais, além de intoxicação de agricultores, desequilíbrios biológicos, redução da biodiversidade, den- tre outros.

AÇÕES DE TRICHODERMA

Os mecanismos de trichoderma no contro- le biológico de fitopatógenos e na promoção de crescimento vegetal são variados (Quadro 1). Cabe ressaltar que, de acordo com Har- man (2000), é muito provável que existam outros mecanismos que ainda não foram des- cobertos.

O parasitismodesigna uma relação nutri- cional entre dois seres vivos em que um dos componentes da relação, o parasita, obtém todo ou parte de seu alimento às custas do outro componente, o hospedeiro. O hiperpa- rasitismo é um nível mais elevado de para- sitismo, no qual o hospedeiro é também um parasita (Stadnik e Bettiol, 2000). Trichoder- ma possui característica hiperparasita, pois pode detectar e localizar hifas de fungos sus- cetíveis, crescendo em sua direção, presumi- velmente em resposta a estímulos químicos

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tivadas e observadas, ao rápido crescimento em um grande número de substratos e ao fato de não serem patogênicas para plantas superiores (Papavizas, Lewis e Abd-Elmoi- ty, 1982). Apresentam-se capazes de inibir fitopatógenos através de competição, para- sitismo direto, produção de metabólitos se- cundários e micoparasitismo de estruturas de resistência de patógenos, como escleródios, esporos e clamidósporos, que em geral são difíceis de serem destruídos (Melo, 1998). Pesquisas mostram que isolados de tricho- derma reduzem a viabilidade de escleródios de Rhizoctoniasolani. Dentre os antagonis- tas de fungos fitopatogênicos usados no bio- controle, cerca de 90% têm sido realizados com diferentes isolados pertencentes a este gênero (Benítez et al., 2004; Kunieda-Alon- so, Alfenas e Maffia, 2005).

A aplicação de trichoderma tem proporcio- nado aumentos significativos na percentagem e na precocidade de germinação, no peso seco e na altura de plantas, além de estimular o desenvolvimento das raízes laterais (Melo, 1996; Contreras-Cornejo et al., 2009). Eles são capazes de atuar como bioestimulantes do crescimento radicular, promovendo o de- senvolvimento de raízes através de fitohor- mônios e assim, melhorar a assimilação de nutrientes, aumentando a resistência diante de fatores bióticos não favoráveis, além de degradar fontes de nutrientes que serão im- portantes para o desenvolvimento do vegetal (Harman, 2000; Harman et al., 2004b).

Em experimentos de campo, a microbio- lização com T. harzianum isolado T-22 pro- porcionou aumento significativo na emer- gência de plantas e no rendimento de grãos de milho (Luz, 2001). Filho et al. (2008) concluíram que Trichoderma spp. isolado CEN 262 proporcionou maior índice de de- senvolvimento de partes aéreas de mudas de eucalipto. Harman et al. (2004b) relataram que plântulas de milho com 10 dias apresen- taram maior produção de biomassa. Kleifeld e Chet (1992) observaram a ação positiva de isolados de T. harzianum em tratamento de semente e de solo na germinação de feijão, rabanete, tomate e pepino. Inbar et al. (1994)

observaram um aumento de 96% de área fo- liar em plântulas de pepineiro cultivadas em substrato tratado com o isolado T-203 de T. harzianum.

A aplicação de trichoderma pode ser fei- ta nas sementes, no substrato, no sulco de plantio ou em matérias orgânicas que serão incorporadas antes do transplante das mudas (Lucon, 2009). Independente da forma de aplicação há a necessidade de usar produtos biológicos como uma alternativa para a redu- ção do uso de produtos químicos. Conforme Luz (2001), os bioprotetores apresentam-se como uma tecnologia alternativa para o con- trole de fitopatógenos, pois os bioagentes, em especial espécies de Trichoderma, poderão ter um importante impacto na redução do uso excessivo de fungicidas, no desenvolvimento da agricultura sustentável e na proteção do meio ambiente, mitigando, dessa forma, de acordo com Morandi e Bettiol (2009) diver- sos problemas, como contaminação dos ali- mentos, do solo, da água e dos animais, além de intoxicação de agricultores, desequilíbrios biológicos, redução da biodiversidade, den- tre outros.

AÇÕES DE TRICHODERMA

Os mecanismos de trichoderma no contro- le biológico de fitopatógenos e na promoção de crescimento vegetal são variados (Quadro 1). Cabe ressaltar que, de acordo com Har- man (2000), é muito provável que existam outros mecanismos que ainda não foram des- cobertos.

O parasitismodesigna uma relação nutri- cional entre dois seres vivos em que um dos componentes da relação, o parasita, obtém todo ou parte de seu alimento às custas do outro componente, o hospedeiro. O hiperpa- rasitismo é um nível mais elevado de para- sitismo, no qual o hospedeiro é também um parasita (Stadnik e Bettiol, 2000). Trichoder- ma possui característica hiperparasita, pois pode detectar e localizar hifas de fungos sus- cetíveis, crescendo em sua direção, presumi- velmente em resposta a estímulos químicos

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produzidos pela hifa hospedeira, formar es- truturas semelhantes a apressórios e enrolar- -se fortemente em toda a sua extensão para, então, penetrar e digerir a hifa (Melo, 1998).

Harman (2000) denomina esse mecanismo de micoparasitismo e ressalta ser um impor- tante mecanismo de ação de biocontrole. A relação hospedeiro-parasita é caracterizada por um período relativamente longo de con- tato, que pode ser físico ou metabólico com digestão por enzimas hidrolíticas, como, qui- tinases, proteases, glucanases e lipases (Bet- tiol, 1991; Melo e Faull, 2000).

A competição é um processo referente à interação entre dois ou mais organismos, empenhados na mesma ação. Os organis- mos competem entre si para obter nutrien- tes, água, luz, espaço, fatores de crescimen- to, oxigênio, entre outros (Melo, 1996). A competição por nutrientes é um mecanismo importante, pois muitos fungos fitopatogêni- cos são sensíveis à falta de alguns nutrien- tes (Benítez et al.,2004). Esse é considerado um dos clássicos mecanismos de biocontrole (Harman, 2000).

A antibiose é definida como a interação na qual um ou mais metabólitos produzidos por um organismo têm efeito danoso sobre o outro (Stadnik e Bettiol, 2000). Segundo Harman (2000) dentre as substâncias que

podem ser sintetizadas, muitas espécies de Trichoderma já estudadas produzem meta- bólitos secundários tóxicos, como antibió- ticos e enzimas líticas capazes de inibir e destruir propágulos de fungos fitopatogêni- cos. Esses metabólitos podem ser voláteis e não-voláteis. Cerca de 40 substâncias pro- duzidas por trichoderma possuem ativida- de antibiótica, não incluindo as enzimas. O referido autor considera a inativação de enzimas de patógenos outro mecanismo de biocontrole de trichoderma. De acordo com suas pesquisas, Botrytis cinerea depende da produção de enzimas pectinolíticas, cutino- líticas e celulolíticas para infectar as plan- tas. No entanto, os conídios de duas linha- gens de T. harzianum (T39 e NCIM1185), quando aplicado nas folhas, produzem uma protease que é capaz de degradar enzimas sintetizadas pelo patógeno que destroem a parede celular de plantas, reduzindo a ca- pacidade do patógeno infectar a planta. As proteases podem ser diretamente tóxicas para a germinação do patógeno.

O Quadro 2 mostra algumas das substâncias sintetizadas por espécies de Trichoderma.

A indução de resistência por trichoderma é outro mecanismo de ação que vem sendo pesquisado. Segundo Kleifeld e Chet (1992), a promoção de crescimento pode estar rela-

Quadro 1 - Mecanismos de ação de trichoderma.

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produzidos pela hifa hospedeira, formar es- truturas semelhantes a apressórios e enrolar- -se fortemente em toda a sua extensão para, então, penetrar e digerir a hifa (Melo, 1998).

Harman (2000) denomina esse mecanismo de micoparasitismo e ressalta ser um impor- tante mecanismo de ação de biocontrole. A relação hospedeiro-parasita é caracterizada por um período relativamente longo de con- tato, que pode ser físico ou metabólico com digestão por enzimas hidrolíticas, como, qui- tinases, proteases, glucanases e lipases (Bet- tiol, 1991; Melo e Faull, 2000).

A competição é um processo referente à interação entre dois ou mais organismos, empenhados na mesma ação. Os organis- mos competem entre si para obter nutrien- tes, água, luz, espaço, fatores de crescimen- to, oxigênio, entre outros (Melo, 1996). A competição por nutrientes é um mecanismo importante, pois muitos fungos fitopatogêni- cos são sensíveis à falta de alguns nutrien- tes (Benítez et al.,2004). Esse é considerado um dos clássicos mecanismos de biocontrole (Harman, 2000).

A antibiose é definida como a interação na qual um ou mais metabólitos produzidos por um organismo têm efeito danoso sobre o outro (Stadnik e Bettiol, 2000). Segundo Harman (2000) dentre as substâncias que

podem ser sintetizadas, muitas espécies de Trichoderma já estudadas produzem meta- bólitos secundários tóxicos, como antibió- ticos e enzimas líticas capazes de inibir e destruir propágulos de fungos fitopatogêni- cos. Esses metabólitos podem ser voláteis e não-voláteis. Cerca de 40 substâncias pro- duzidas por trichoderma possuem ativida- de antibiótica, não incluindo as enzimas. O referido autor considera a inativação de enzimas de patógenos outro mecanismo de biocontrole de trichoderma. De acordo com suas pesquisas, Botrytis cinerea depende da produção de enzimas pectinolíticas, cutino- líticas e celulolíticas para infectar as plan- tas. No entanto, os conídios de duas linha- gens de T. harzianum (T39 e NCIM1185), quando aplicado nas folhas, produzem uma protease que é capaz de degradar enzimas sintetizadas pelo patógeno que destroem a parede celular de plantas, reduzindo a ca- pacidade do patógeno infectar a planta. As proteases podem ser diretamente tóxicas para a germinação do patógeno.

O Quadro 2 mostra algumas das substâncias sintetizadas por espécies de Trichoderma.

A indução de resistência por trichoderma é outro mecanismo de ação que vem sendo pesquisado. Segundo Kleifeld e Chet (1992), a promoção de crescimento pode estar rela-

Quadro 1 - Mecanismos de ação de trichoderma.

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

cionada com a produção de hormônios pelas plantas. Além disso, as plantas levadas ao estado de indução apresentam aumento nas atividades de enzimas, tais como, quitinases, glucanases e peroxidases, envolvidas nas rotas de percepção da presença de patóge- nos em potencial e nas rotas de sinalização bioquímica a pontos distantes do sítio onde o sinal foi originado (Romeiro, 2007). Por consequência, verifica-se um aumento nas atividades de enzimas envolvidas na sínte- se de componentes de resistência (Sneh e Ichielevich-Auster, 1998; Hwang e Benson, 2002).

A promoção de crescimento de plantas promovida pela aplicação de trichodermafoi inicialmente relacionada ao controle dos mi- crorganismos prejudiciais presentes no solo. Entretanto, na ausência de fitopatógenos, se- gundo Lucon (2009), tal mecanismo de ação tem sido relacionado à produção de hormô- nios ou fatores de crescimento, maior efici-

ência no uso de alguns nutrientes e aumento da disponibilidade e absorção de nutrientes pela planta. Diversos trabalhos vêm sendo realizados visando promover a germinação, o crescimento e a produtividade de diver- sas culturas. O Quadro 3 mostra exemplos de pesquisas em que diferentes isolados de trichoderma promoveram o crescimento ve- getal.

Em pesquisas realizadas com Arabidopsis thaliana,Contreras-Cornejo et al. (2009), es- tudaram o papel da auxina na regulação do crescimento e desenvolvimento da planta em resposta à inoculação de T. virens e T. atrovi- ride, desenvolvendo um sistema de interação fungo-planta, o qual resultou em caracterís- ticas fenotípicas relacionadas com a auxina, como o aumento da produção de biomassa e estimulação do desenvolvimento das raízes laterais.

Filho et al. (2008), observaram produção de ácido indolacético (AIA) em isolados de

Quadro 2 - Substâncias produzidas por trichoderma e suas atividades.

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cionada com a produção de hormônios pelas plantas. Além disso, as plantas levadas ao estado de indução apresentam aumento nas atividades de enzimas, tais como, quitinases, glucanases e peroxidases, envolvidas nas rotas de percepção da presença de patóge- nos em potencial e nas rotas de sinalização bioquímica a pontos distantes do sítio onde o sinal foi originado (Romeiro, 2007). Por consequência, verifica-se um aumento nas atividades de enzimas envolvidas na sínte- se de componentes de resistência (Sneh e Ichielevich-Auster, 1998; Hwang e Benson, 2002).

A promoção de crescimento de plantas promovida pela aplicação de trichodermafoi inicialmente relacionada ao controle dos mi- crorganismos prejudiciais presentes no solo. Entretanto, na ausência de fitopatógenos, se- gundo Lucon (2009), tal mecanismo de ação tem sido relacionado à produção de hormô- nios ou fatores de crescimento, maior efici-

ência no uso de alguns nutrientes e aumento da disponibilidade e absorção de nutrientes pela planta. Diversos trabalhos vêm sendo realizados visando promover a germinação, o crescimento e a produtividade de diver- sas culturas. O Quadro 3 mostra exemplos de pesquisas em que diferentes isolados de trichoderma promoveram o crescimento ve- getal.

Em pesquisas realizadas com Arabidopsis thaliana,Contreras-Cornejo et al. (2009), es- tudaram o papel da auxina na regulação do crescimento e desenvolvimento da planta em resposta à inoculação de T. virens e T. atrovi- ride, desenvolvendo um sistema de interação fungo-planta, o qual resultou em caracterís- ticas fenotípicas relacionadas com a auxina, como o aumento da produção de biomassa e estimulação do desenvolvimento das raízes laterais.

Filho et al. (2008), observaram produção de ácido indolacético (AIA) em isolados de

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trichoderma. De acordo com os resultados obtidos, nos isolados CEN 209 e CEN 500, a produção desse hormônio foi detectada em baixos níveis. No entanto, o isolado CEN 262 revelou níveis consideravelmente supe- riores em relação aos demais isolados estu- dados. A concentração elevada de AIA verifi- cada nas análises do isolado CEN 262 foram compatíveis com os valores obtidos nos ex- perimentos relativos ao desenvolvimento de miniestacas de eucalipto clonal, que atingiu aumento de 137%, 145% e 43% da parte aérea, raiz e altura das plantas, respectiva- mente, comparados à testemunha. Segundo os autores, outros fatores também podem es- tar envolvidos na promoção de crescimento como solubilização de nutrientes e controle de microrganismos deletérios de raízes.

Hoyos-Carvajal et al. (2009), avaliaram a produção de metabólitos de 101 isolados de trichoderma da Colômbia, 20% das cepas fo- ram capazes de produzir formas solúveis de fosfato de rocha fosfática, 8% das amostras avaliadas mostraram capacidade de produzir sideróforos consistentes para converter fer- ro a formas solúveis, 60% produziram ácido indol-3-acético (IAA) ou análogos a auxina. A produção destes metabólitos é uma caracterís-

tica de cepas específicas, assim, variou muito entre as espécies. Além disso, nem todas as substâncias produzidas se correlacionaram com o aumento do crescimento de mudas de feijão, sendo que, sete isolados aumentaram significativamente o crescimento das mudas.

A promoção de crescimento pode também ser devida à solubilização de nutrientes ne- cessários às plantas. Altomare et al. (1999) mostraram que um isolado de T. harzianum teve habilidade para solubilizar nutrientes a partir de compostos como rochas de fosfato, óxido de manganês, óxido de ferro e zinco metálico. Alguns autores citam que essa so- lubilização seria devido à liberação de áci- dos orgânicos e consequente acidificação do meio, porém Altomare et al. (1999) não verificaram um aumento na presença desses ácidos nos testes realizados.

No solo, macro e micro nutrientes sofrem um equilíbrio dinâmico complexo de solubi- lização e insolubilização, fortemente influen- ciado pelo pH e pela microflora, que afeta a acessibilidade desses para serem absorvidos pelas raízes das plantas. Conforme os auto- res, a promoção de crescimento em plantas promovido pelo fungo T. harzianum T-22 está na sua habilidade de solubilizar muitos

Quadro 3 - Resultados obtidos com a aplicação de trichoderma quanto à promoção de crescimento vegetal em diferentes pesquisas

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Revista de Ciências Agrárias – Vol. 35, 1, jan/jun 2012, 26: 274-288, ISNN: 0871-018 X

trichoderma. De acordo com os resultados obtidos, nos isolados CEN 209 e CEN 500, a produção desse hormônio foi detectada em baixos níveis. No entanto, o isolado CEN 262 revelou níveis consideravelmente supe- riores em relação aos demais isolados estu- dados. A concentração elevada de AIA verifi- cada nas análises do isolado CEN 262 foram compatíveis com os valores obtidos nos ex- perimentos relativos ao desenvolvimento de miniestacas de eucalipto clonal, que atingiu aumento de 137%, 145% e 43% da parte aérea, raiz e altura das plantas, respectiva- mente, comparados à testemunha. Segundo os autores, outros fatores também podem es- tar envolvidos na promoção de crescimento como solubilização de nutrientes e controle de microrganismos deletérios de raízes.

Hoyos-Carvajal et al. (2009), avaliaram a produção de metabólitos de 101 isolados de trichoderma da Colômbia, 20% das cepas fo- ram capazes de produzir formas solúveis de fosfato de rocha fosfática, 8% das amostras avaliadas mostraram capacidade de produzir sideróforos consistentes para converter fer- ro a formas solúveis, 60% produziram ácido indol-3-acético (IAA) ou análogos a auxina. A produção destes metabólitos é uma caracterís-

tica de cepas específicas, assim, variou muito entre as espécies. Além disso, nem todas as substâncias produzidas se correlacionaram com o aumento do crescimento de mudas de feijão, sendo que, sete isolados aumentaram significativamente o crescimento das mudas.

A promoção de crescimento pode também ser devida à solubilização de nutrientes ne- cessários às plantas. Altomare et al. (1999) mostraram que um isolado de T. harzianum teve habilidade para solubilizar nutrientes a partir de compostos como rochas de fosfato, óxido de manganês, óxido de ferro e zinco metálico. Alguns autores citam que essa so- lubilização seria devido à liberação de áci- dos orgânicos e consequente acidificação do meio, porém Altomare et al. (1999) não verificaram um aumento na presença desses ácidos nos testes realizados.

No solo, macro e micro nutrientes sofrem um equilíbrio dinâmico complexo de solubi- lização e insolubilização, fortemente influen- ciado pelo pH e pela microflora, que afeta a acessibilidade desses para serem absorvidos pelas raízes das plantas. Conforme os auto- res, a promoção de crescimento em plantas promovido pelo fungo T. harzianum T-22 está na sua habilidade de solubilizar muitos

Quadro 3 - Resultados obtidos com a aplicação de trichoderma quanto à promoção de crescimento vegetal em diferentes pesquisas

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

nutrientes importantes para a planta. (Alto- mare et al., 1999).

Os resultados encontrados por esses au- tores podem estar relacionados com o com- portamento de trichoderma na rizosfera, o qual pode ser diferente do comportamento in vitro, devido à presença de outros microrga- nismos neste local. Além disso, os mecanis- mos de ação dos microrganismos são espe- cíficos e podem variar conforme a cultura e o ambiente, como a interferência de outros microrganismos, substrato, temperatura e umidade.

TRICHODERMA E RIZOSFERA

Rizosfera é a zona de influência das raí- zes que vai desde a sua superfície até uma distância de 1 a 3 mm. O termo origina-se dos termos rhizo/rhiza e sphera que signifi- cam área de influência e/ou localização física em volta da raiz. Devido não só à quantidade, mas também à diversidade de compostos or- gânicos depositados na rizosfera, os diversos tipos de microrganismos presentes nesse lo- cal podem exceder mais de mil vezes aqueles do solo não rizosférico (Moreira e Siqueira, 2006).

Na rizosfera encontram-se diversos mi- crorganismos que podem promover o cresci- mento vegetal e proteger o sistema radicular da infecção por patógenos, estando incluído nesse grupo Trichoderma spp. Estes anta- gonistas, além de apresentarem potenciais como biocontroladores e promotores de crescimento vegetal, têm a capacidade de mostrarem competência rizosférica, quan- do próximo das raízes das plantas (Harman, 2000; Almança, 2005). O termo competên- cia rizosférica foi introduzido em 1980 por Tex Baker e é definida como a capacidade de um microrganismo para crescer e funcionar na rizosfera em desenvolvimento (Harman, 2000).

Há registros na literatura descrevendo mo- dificações na rizosfera por agentes de contro- le biológico, impossibilitando a colonização por patógenos, como por exemplo, o pH.

Linhagens de trichoderma capazes de modi- ficar o pH externo e adaptar seu metabolismo às condições externas de desenvolvimento, reduziram consequentemente a virulência de fitopatógenos, pois muitos fatores de patoge- nicidade poderiam não ser sintetizados (Be- nítez et al., 2004).

Trabalhos estão sendo desenvolvidos vi- sando a supressão de doenças através de vários agentes que habitam na rizosfera. A indução de supressividade de solos pode ser realizada por meio da incorporação de anta- gonistas ou estímulo da sua população, como trichoderma dentre outros microrganismos, além de tratos culturais e outras formas de manejo (Guini e Zaroni, 2001; Srivastava et al., 2010).

O uso de combinações de vários organis- mos antagonistas pode proporcionar melhor controle de doenças sobre o uso de organis- mos individuais. Vários organismos podem aumentar o nível e consistência do controle biológico através de vários mecanismos de ação. As combinações podem fornecer prote- ção em momentos diferentes ou sob diferen- tes condições e ocupam nichos distintos ou complementares. A combinação de T. harzia- num e Pseudomonas aumentou significativa- mente a germinação de sementes de tomate (Srivastava et al., 2010). Assim, os mecanis- mos de ação dos diferentes microrganismos antagonistas podem não ser excludentes, mas atuarem sinergicamente no controle de pató- genos e na promoção do crescimento.

Um mecanismo que tem adquirido adep- tos nos últimos anos é a de competição, atra- vés de competência rizosférica. Agentes de controle biológico não podem competir por espaço e nutrientes, se forem incapazes de crescer na rizosfera. Espécies de trichoder- ma, adicionadas ao solo ou aplicadas como tratamento de sementes, crescem rapida- mente juntamente com o sistema radicular, isto é comprovado facilmente através de segmentos de raiz em plantas tratadas em meio ágar. Embora a competição através de competência rizosférica possa não estar entre os principais mecanismos que impulsionam o controle biológico, certamente é um com-

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

nutrientes importantes para a planta. (Alto- mare et al., 1999).

Os resultados encontrados por esses au- tores podem estar relacionados com o com- portamento de trichoderma na rizosfera, o qual pode ser diferente do comportamento in vitro, devido à presença de outros microrga- nismos neste local. Além disso, os mecanis- mos de ação dos microrganismos são espe- cíficos e podem variar conforme a cultura e o ambiente, como a interferência de outros microrganismos, substrato, temperatura e umidade.

TRICHODERMA E RIZOSFERA

Rizosfera é a zona de influência das raí- zes que vai desde a sua superfície até uma distância de 1 a 3 mm. O termo origina-se dos termos rhizo/rhiza e sphera que signifi- cam área de influência e/ou localização física em volta da raiz. Devido não só à quantidade, mas também à diversidade de compostos or- gânicos depositados na rizosfera, os diversos tipos de microrganismos presentes nesse lo- cal podem exceder mais de mil vezes aqueles do solo não rizosférico (Moreira e Siqueira, 2006).

Na rizosfera encontram-se diversos mi- crorganismos que podem promover o cresci- mento vegetal e proteger o sistema radicular da infecção por patógenos, estando incluído nesse grupo Trichoderma spp. Estes anta- gonistas, além de apresentarem potenciais como biocontroladores e promotores de crescimento vegetal, têm a capacidade de mostrarem competência rizosférica, quan- do próximo das raízes das plantas (Harman, 2000; Almança, 2005). O termo competên- cia rizosférica foi introduzido em 1980 por Tex Baker e é definida como a capacidade de um microrganismo para crescer e funcionar na rizosfera em desenvolvimento (Harman, 2000).

Há registros na literatura descrevendo mo- dificações na rizosfera por agentes de contro- le biológico, impossibilitando a colonização por patógenos, como por exemplo, o pH.

Linhagens de trichoderma capazes de modi- ficar o pH externo e adaptar seu metabolismo às condições externas de desenvolvimento, reduziram consequentemente a virulência de fitopatógenos, pois muitos fatores de patoge- nicidade poderiam não ser sintetizados (Be- nítez et al., 2004).

Trabalhos estão sendo desenvolvidos vi- sando a supressão de doenças através de vários agentes que habitam na rizosfera. A indução de supressividade de solos pode ser realizada por meio da incorporação de anta- gonistas ou estímulo da sua população, como trichoderma dentre outros microrganismos, além de tratos culturais e outras formas de manejo (Guini e Zaroni, 2001; Srivastava et al., 2010).

O uso de combinações de vários organis- mos antagonistas pode proporcionar melhor controle de doenças sobre o uso de organis- mos individuais. Vários organismos podem aumentar o nível e consistência do controle biológico através de vários mecanismos de ação. As combinações podem fornecer prote- ção em momentos diferentes ou sob diferen- tes condições e ocupam nichos distintos ou complementares. A combinação de T. harzia- num e Pseudomonas aumentou significativa- mente a germinação de sementes de tomate (Srivastava et al., 2010). Assim, os mecanis- mos de ação dos diferentes microrganismos antagonistas podem não ser excludentes, mas atuarem sinergicamente no controle de pató- genos e na promoção do crescimento.

Um mecanismo que tem adquirido adep- tos nos últimos anos é a de competição, atra- vés de competência rizosférica. Agentes de controle biológico não podem competir por espaço e nutrientes, se forem incapazes de crescer na rizosfera. Espécies de trichoder- ma, adicionadas ao solo ou aplicadas como tratamento de sementes, crescem rapida- mente juntamente com o sistema radicular, isto é comprovado facilmente através de segmentos de raiz em plantas tratadas em meio ágar. Embora a competição através de competência rizosférica possa não estar entre os principais mecanismos que impulsionam o controle biológico, certamente é um com-

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plemento valioso para aqueles que o fazem (Howell, 2003).

BIOFORMULAÇÕES E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

A eficácia, praticidade e segurança dos métodos para a aplicação e manutenção de fungos, são fundamentais, tanto para o su- cesso do biocontrole nos sistemas de cultivo, quanto para a aceitação do biocontrole pelos agricultores e sociedade. Nesse sentido, uma das considerações mais importantes inclui as formulações (Medugno, 1995).

No Brasil, a falta de bioformulados à base de trichoderma, devidamente registrados no MAPA, tem sido um fator limitante na uti- lização agrícola, uma vez que, as empresas fabricantes são submetidas aos mesmos cri- térios que regulamentam o registro de agro- tóxicos, tratando-se de um processo oneroso e realizado em um longo período de tempo (Melo e Costa, 2005).

A lei brasileira dos agrotóxicos regulamen- ta pelos Decretos nº 98.816, de 11 de janeiro de 1990 e nº 4.074 de 04 de janeiro de 2002, a obtenção do Registro Especial Temporário (RET) para agrotóxicos e produtos afins, des- tinado à pesquisa e experimentação, estando envolvido no processo de obtenção o MAPA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (ANVISA) e o Insti- tuto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Re- cursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Quando a empresa solicitante estiver de posse do RET emitido pelo MAPA, poderá partir para testes laboratoriais, estudos e pro- jetos experimentais para mais de uma cultu- ra. As estações experimentais, de natureza pública ou privada, que se dediquem ao de- senvolvimento de tais pesquisas deverão ser credenciadas junto ao MAPA.

A ANVISA baseia-se em ensaios com ani- mais de laboratório, cujos dados são extra- polados para o homem, estabelecendo assim classes toxicológicas que variam de extre- mamente tóxicos a pouco tóxicos, conforme a seguinte classificação: Classe I (extrema-

mente tóxico), Classe II (altamente tóxico), Classe III (moderadamente tóxico) e Classe IV (pouco tóxico).

O IBAMA requer ensaios ecotoxicológi- cos que englobam estudos com organismos não alvos; comportamento no meio ambiente que avalia a lixiviação do produto, mobili- dade no solo e bioconcentração nas cadeias tróficas; estudos de características físico-quí- micas que revelam a identidade da molécula do biopesticida; além de testes de metabolis- mo e degradação. Em seguida, o produto é classificado quanto ao seu potencial de peri- culosidade no meio ambiente.

Após a realização dos testes e expedi- ções dos laudos pela ANVISA e IBAMA, o MAPA analisa os laudos e determina quais os patógenos serão controlados, as dosagens, o número de aplicações e o intervalo de se- gurança destes produtos, e então, realiza o registro da formulação e publica a decisão no Diário Oficial da União, com validade nacional e tempo indeterminado (Gallo et al., 2002). Segundo o Decreto n° 4074/02, o registro de produto é exclusivo do órgão federal competente, destinado a atribuir o direito de produzir, comercializar, exportar, importar e utilizar. A Figura 2 ilustra todas estas etapas exigidas para o registro de um produto biológico.

Segundo Lopes (2009), há apenas um pro- duto à base de Trichoderma spp.registrado no Brasil para o controle de Fusarium sola- ni e Rhizoctonia solani na cultura do feijão, mas existe no mercado um grande número de produtos que não possuem registro junto ao MAPA, porém são utilizados no tratamento de substrato e de sementes e pulverização na parte aérea das plantas. Os produtos são encontrados nas formulações como pó mo- lhável (PM), grânulos dispersíveis em água (WG) e líquidas (esporos em suspensão ole- osa e aquosa) (Pomella e Ribeiro, 2009). Tri- choderma asperellum, T. harzianum, T. stro- maticum e T. viride são as principais espécies do agente de biocontrole comercializadas, entretanto, em alguns produtos comercializa- dos não há identificação das espécies (Mo- randi e Bettiol, 2009).

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plemento valioso para aqueles que o fazem (Howell, 2003).

BIOFORMULAÇÕES E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

A eficácia, praticidade e segurança dos métodos para a aplicação e manutenção de fungos, são fundamentais, tanto para o su- cesso do biocontrole nos sistemas de cultivo, quanto para a aceitação do biocontrole pelos agricultores e sociedade. Nesse sentido, uma das considerações mais importantes inclui as formulações (Medugno, 1995).

No Brasil, a falta de bioformulados à base de trichoderma, devidamente registrados no MAPA, tem sido um fator limitante na uti- lização agrícola, uma vez que, as empresas fabricantes são submetidas aos mesmos cri- térios que regulamentam o registro de agro- tóxicos, tratando-se de um processo oneroso e realizado em um longo período de tempo (Melo e Costa, 2005).

A lei brasileira dos agrotóxicos regulamen- ta pelos Decretos nº 98.816, de 11 de janeiro de 1990 e nº 4.074 de 04 de janeiro de 2002, a obtenção do Registro Especial Temporário (RET) para agrotóxicos e produtos afins, des- tinado à pesquisa e experimentação, estando envolvido no processo de obtenção o MAPA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (ANVISA) e o Insti- tuto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Re- cursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Quando a empresa solicitante estiver de posse do RET emitido pelo MAPA, poderá partir para testes laboratoriais, estudos e pro- jetos experimentais para mais de uma cultu- ra. As estações experimentais, de natureza pública ou privada, que se dediquem ao de- senvolvimento de tais pesquisas deverão ser credenciadas junto ao MAPA.

A ANVISA baseia-se em ensaios com ani- mais de laboratório, cujos dados são extra- polados para o homem, estabelecendo assim classes toxicológicas que variam de extre- mamente tóxicos a pouco tóxicos, conforme a seguinte classificação: Classe I (extrema-

mente tóxico), Classe II (altamente tóxico), Classe III (moderadamente tóxico) e Classe IV (pouco tóxico).

O IBAMA requer ensaios ecotoxicológi- cos que englobam estudos com organismos não alvos; comportamento no meio ambiente que avalia a lixiviação do produto, mobili- dade no solo e bioconcentração nas cadeias tróficas; estudos de características físico-quí- micas que revelam a identidade da molécula do biopesticida; além de testes de metabolis- mo e degradação. Em seguida, o produto é classificado quanto ao seu potencial de peri- culosidade no meio ambiente.

Após a realização dos testes e expedi- ções dos laudos pela ANVISA e IBAMA, o MAPA analisa os laudos e determina quais os patógenos serão controlados, as dosagens, o número de aplicações e o intervalo de se- gurança destes produtos, e então, realiza o registro da formulação e publica a decisão no Diário Oficial da União, com validade nacional e tempo indeterminado (Gallo et al., 2002). Segundo o Decreto n° 4074/02, o registro de produto é exclusivo do órgão federal competente, destinado a atribuir o direito de produzir, comercializar, exportar, importar e utilizar. A Figura 2 ilustra todas estas etapas exigidas para o registro de um produto biológico.

Segundo Lopes (2009), há apenas um pro- duto à base de Trichoderma spp.registrado no Brasil para o controle de Fusarium sola- ni e Rhizoctonia solani na cultura do feijão, mas existe no mercado um grande número de produtos que não possuem registro junto ao MAPA, porém são utilizados no tratamento de substrato e de sementes e pulverização na parte aérea das plantas. Os produtos são encontrados nas formulações como pó mo- lhável (PM), grânulos dispersíveis em água (WG) e líquidas (esporos em suspensão ole- osa e aquosa) (Pomella e Ribeiro, 2009). Tri- choderma asperellum, T. harzianum, T. stro- maticum e T. viride são as principais espécies do agente de biocontrole comercializadas, entretanto, em alguns produtos comercializa- dos não há identificação das espécies (Mo- randi e Bettiol, 2009).

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

Em 2007, no Brasil, cerca de 550 tonela- das de produtos à base de trichoderma foram utilizadas, o que seria equivalente a uma área tratada de 600.000 ha de lavoura. No entanto, alguns cuidados devem ser tomados pelo fato dos produtos serem formulados com esporos vivos do fungo torna-se importante o arma- zenamento, o qual deve ser refrigerado ou em local com temperaturas, preferencialmente, inferiores a 28°C. As aplicações devem ser feitas à tarde em condições de alta umidade relativa. Quando em cultivo protegido, as exigências são menores, devido à menor in- cidência dos raios ultravioleta, que são pre- judiciais ao fungo, e as condições mais fa- voráveis de umidade e temperatura (Pomella e Ribeiro, 2009). Devido à expressividade dessa informação, existe a necessidade de pesquisa e desenvolvimento de produtos de

qualidade capazes de apresentar uma longa vida útil e eficiência agronômica, além de assessoria pelas empresas fabricantes e efi- ciente fiscalização da comercialização destes produtos.

PRODUÇÃO DE BIOFORMULAÇÕES

O gênero Trichoderma é um dos mais ex- plorados entre os fungos filamentosos devi- do ao seu grande potencial de aplicação do ponto de vista industrial e biotecnológico (Samuels, 1996). Para tanto, a tecnologia e pesquisa envolvidas na obtenção de um bio- produto capaz de apresentar potencial para enquadrar-se no mercado agroindustrial são compostas de vários estudos. Por isso, o co- nhecimento das necessidades fisiológicas

Figura 2 – Etapas exigidas pelo MAPA para a obtenção do registro de produto bioformulado com finalidade de controle biológico de doenças fitopatogênicas.

Relatório Técnico - MAPA

Empresa-Protocolo RET Relatório Técnico - ANVISA

Relatório Técnico - IBAMA

Avaliação da eficiência e aprovação do uso agrícola

Aprovação final da bula e rótulo

Registro para a empresa emitido pelo MAPA

Comercialização

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

Em 2007, no Brasil, cerca de 550 tonela- das de produtos à base de trichoderma foram utilizadas, o que seria equivalente a uma área tratada de 600.000 ha de lavoura. No entanto, alguns cuidados devem ser tomados pelo fato dos produtos serem formulados com esporos vivos do fungo torna-se importante o arma- zenamento, o qual deve ser refrigerado ou em local com temperaturas, preferencialmente, inferiores a 28°C. As aplicações devem ser feitas à tarde em condições de alta umidade relativa. Quando em cultivo protegido, as exigências são menores, devido à menor in- cidência dos raios ultravioleta, que são pre- judiciais ao fungo, e as condições mais fa- voráveis de umidade e temperatura (Pomella e Ribeiro, 2009). Devido à expressividade dessa informação, existe a necessidade de pesquisa e desenvolvimento de produtos de

qualidade capazes de apresentar uma longa vida útil e eficiência agronômica, além de assessoria pelas empresas fabricantes e efi- ciente fiscalização da comercialização destes produtos.

PRODUÇÃO DE BIOFORMULAÇÕES

O gênero Trichoderma é um dos mais ex- plorados entre os fungos filamentosos devi- do ao seu grande potencial de aplicação do ponto de vista industrial e biotecnológico (Samuels, 1996). Para tanto, a tecnologia e pesquisa envolvidas na obtenção de um bio- produto capaz de apresentar potencial para enquadrar-se no mercado agroindustrial são compostas de vários estudos. Por isso, o co- nhecimento das necessidades fisiológicas

Figura 2 – Etapas exigidas pelo MAPA para a obtenção do registro de produto bioformulado com finalidade de controle biológico de doenças fitopatogênicas.

Relatório Técnico - MAPA

Empresa-Protocolo RET Relatório Técnico - ANVISA

Relatório Técnico - IBAMA

Avaliação da eficiência e aprovação do uso agrícola

Aprovação final da bula e rótulo

Registro para a empresa emitido pelo MAPA

Comercialização

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do trichoderma é necessário, assim como a realização de diversos testes dos ingredien- tes que irão compor a sua formulação.

Para a produção de fungos é mais comum a fermentação sólida ou semi-sólida e o processo bifásico, que envolve as etapas de fermentação líquida e sólida. O desenvolvi- mento dos processos de produção de fun- gos no Brasil iniciou-se no final da década de 1960, com a introdução de uma técnica de Trinidad e Tobago, que segundo Lopes (2009) consiste no uso de cereais ou grãos pré-cozidos como substrato, principalmente arroz. Durante as décadas seguintes, adap- tações no sistema tornaram o processo mais prático e a produção mais eficiente. Toda a evolução do sistema ocorreu em função do estabelecimento do programa baseado no uso de Metarhizium anisopliae para o con- trole de cigarrinhas em cana-de-açúcar e pastagens. Grande parte das técnicas desen- volvidas para a produção de fungos ento- mopatogênicos no país foi transferida para a produção massal de trichoderma (Lopes, 2009).

Assim, a produção de inóculo, inicial- mente, em condições de laboratório, é im- prescindível para o desenvolvimento dos agentes de biocontrole. O cultivo de fungos em larga escala, que se baseiam no uso de substratos sólidos, como os grãos de cere- ais oferecem a vantagem de serem pronta- mente biodegradáveis (Fortes et al., 2007), porém, apresentam baixa capacidade de conservação. Desse modo, é necessário, no Brasil, o desenvolvimento da diversificação na utilização dos substratos que compõem as bioformulações. Conforme Lopes (2009) são poucos os detalhes disponíveis na li- teratura referentes ao desenvolvimento de formulação de bioprodutos. São informa- ções obtidas, normalmente, com pesquisas específicas das próprias indústrias e intima- mente ligadas às peculiaridades do sistema de produção massal adotado por cada uma delas. O desenvolvimento de uma nova e eficaz formulação não significa uma simples mistura de inertes a determinado ingredien- te ativo. Trata-se de um processo complexo

e devem ser observados aspectos como o tipo e características do propágulo utilizado como ingrediente ativo, as características do sistema produtivo, as características físicas e químicas dos inertes, a compatibilidade dos compostos da formulação ao microrga- nismo, a estabilidade do ingrediente ativo no armazenamento, o efeito no desempenho ou atividade do formulado sobre o alvo em relação ao microrganismo não formulado, entre outros. Esses conhecimentos são in- dispensáveis para o sucesso da formulação no campo.

Os microrganismos, de modo geral, re- querem fonte de carbono (C), macronu- trientes e alguns elementos traços para o seu crescimento. Carbono serve primariamente como fonte de energia e uma pequena fra- ção é incorporada dentro da célula. Nitro- gênio (N) é um elemento crítico para os microrganismos, pois compõe as proteínas, ácidos nucléicos, aminoácidos, enzimas e coenzimas necessárias para o crescimento e funcionamento da célula (Golueke, 1991).

Desse modo, o crescimento de trichoder- ma diminui em condições deficientes de N e C, sendo, esses elementos, essenciais para o desenvolvimento de formulações. Em um estudo realizado com o objetivo de avaliar o crescimento e a produção de biomassa de isolados de trichoderma expostos a diferen- tes fontes e concentrações de N, observou- -se interação significativa entre as fontes e doses de N, com maior desenvolvimento obtido em meio contendo nitrato de amônio como única fonte de N para o crescimento de Trichoderma sp. (Menezes et al., 2007).

Trabalhos sobre o desenvolvimento de formulados a partir de trichoderma também estão sendo conduzidos em outros países. Na Índia, Dubey et al. (2009) produziram bioformulados à base de trichoderma para o controle de podridão de raízes (Rhizoctonia bataticola (Taub.) Butler) visando o aumen- to de suas vidas de prateleira. A formulação contendo turfa, pó de mandioca (Manihot esculenta Crantz) e carboximetilcelulose para tratamento de sementes e outra conten- do alginato de sódio, silicato de alumínio,

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do trichoderma é necessário, assim como a realização de diversos testes dos ingredien- tes que irão compor a sua formulação.

Para a produção de fungos é mais comum a fermentação sólida ou semi-sólida e o processo bifásico, que envolve as etapas de fermentação líquida e sólida. O desenvolvi- mento dos processos de produção de fun- gos no Brasil iniciou-se no final da década de 1960, com a introdução de uma técnica de Trinidad e Tobago, que segundo Lopes (2009) consiste no uso de cereais ou grãos pré-cozidos como substrato, principalmente arroz. Durante as décadas seguintes, adap- tações no sistema tornaram o processo mais prático e a produção mais eficiente. Toda a evolução do sistema ocorreu em função do estabelecimento do programa baseado no uso de Metarhizium anisopliae para o con- trole de cigarrinhas em cana-de-açúcar e pastagens. Grande parte das técnicas desen- volvidas para a produção de fungos ento- mopatogênicos no país foi transferida para a produção massal de trichoderma (Lopes, 2009).

Assim, a produção de inóculo, inicial- mente, em condições de laboratório, é im- prescindível para o desenvolvimento dos agentes de biocontrole. O cultivo de fungos em larga escala, que se baseiam no uso de substratos sólidos, como os grãos de cere- ais oferecem a vantagem de serem pronta- mente biodegradáveis (Fortes et al., 2007), porém, apresentam baixa capacidade de conservação. Desse modo, é necessário, no Brasil, o desenvolvimento da diversificação na utilização dos substratos que compõem as bioformulações. Conforme Lopes (2009) são poucos os detalhes disponíveis na li- teratura referentes ao desenvolvimento de formulação de bioprodutos. São informa- ções obtidas, normalmente, com pesquisas específicas das próprias indústrias e intima- mente ligadas às peculiaridades do sistema de produção massal adotado por cada uma delas. O desenvolvimento de uma nova e eficaz formulação não significa uma simples mistura de inertes a determinado ingredien- te ativo. Trata-se de um processo complexo

e devem ser observados aspectos como o tipo e características do propágulo utilizado como ingrediente ativo, as características do sistema produtivo, as características físicas e químicas dos inertes, a compatibilidade dos compostos da formulação ao microrga- nismo, a estabilidade do ingrediente ativo no armazenamento, o efeito no desempenho ou atividade do formulado sobre o alvo em relação ao microrganismo não formulado, entre outros. Esses conhecimentos são in- dispensáveis para o sucesso da formulação no campo.

Os microrganismos, de modo geral, re- querem fonte de carbono (C), macronu- trientes e alguns elementos traços para o seu crescimento. Carbono serve primariamente como fonte de energia e uma pequena fra- ção é incorporada dentro da célula. Nitro- gênio (N) é um elemento crítico para os microrganismos, pois compõe as proteínas, ácidos nucléicos, aminoácidos, enzimas e coenzimas necessárias para o crescimento e funcionamento da célula (Golueke, 1991).

Desse modo, o crescimento de trichoder- ma diminui em condições deficientes de N e C, sendo, esses elementos, essenciais para o desenvolvimento de formulações. Em um estudo realizado com o objetivo de avaliar o crescimento e a produção de biomassa de isolados de trichoderma expostos a diferen- tes fontes e concentrações de N, observou- -se interação significativa entre as fontes e doses de N, com maior desenvolvimento obtido em meio contendo nitrato de amônio como única fonte de N para o crescimento de Trichoderma sp. (Menezes et al., 2007).

Trabalhos sobre o desenvolvimento de formulados a partir de trichoderma também estão sendo conduzidos em outros países. Na Índia, Dubey et al. (2009) produziram bioformulados à base de trichoderma para o controle de podridão de raízes (Rhizoctonia bataticola (Taub.) Butler) visando o aumen- to de suas vidas de prateleira. A formulação contendo turfa, pó de mandioca (Manihot esculenta Crantz) e carboximetilcelulose para tratamento de sementes e outra conten- do alginato de sódio, silicato de alumínio,

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

pó de mandioca e água para tratamento de solo apresentaram vida de prateleira de 25 meses a temperatura ambiente (26 ± 8º C). O uso combinado destes dois formulados apresentou a maior germinação de semen- tes, altura da parte aérea, comprimento de raízes e rendimento de grãos, além de me- nor incidência da doença em plantas de fei- jão da china (Vigna radiata L.).

No Sri-Lanka, em ensaio in vitro de for- mulado contendo suspensão de micélios de T. asperellum, água destilada, glicerina, óleo de coco e óleo de soja, a formulação inibiu significativamente o crescimento de Thielaviopsis paradoxa de Seynes, agente causal da podridão negra do abacaxi, no prazo de seis dias após a inoculação. Até o final do quinto dia, o diâmetro da colônia de T.paradoxa foi reduzido em 92,7% em relação ao controle. No sétimo dia de ob- servação, a eliminação do patógeno foi de 100%. A formulação apresentou uma vida útil de seis meses (Wijeingue et al., 2010).

Nesse sentido, segundo Howell (2003), para otimizar a utilização dos agentes de controle biológico deve-se compreender como agem no controle, além de suas limi- tações. Pode-se, então, desenvolver meios eficazes de cultivo, armazenamento, apli- cação e utilização de bioagentes a fim de aplicar as suas melhores potencialidades no controle de doenças e na promoção do cres- cimento vegetal.

CONCLUSÕES

Apesar do enfoque ecológico amplamente difundido pela sociedade, a política agrícola ainda encontra-se incipiente no que se refere à expansão de práticas agrícolas alternativas e ecologicamente sustentáveis. Pesquisas com- provam que trichoderma é eficiente, prático e seguro quanto aos métodos de aplicação, bio- controle e promoção de crescimento vegetal, no entanto, na prática a sua aplicação ainda é restrita.

Nesse sentido, estudos sobre a propriedade de promoção de crescimento, especificamen-

te na ausência de fitopatógenos, ainda devem ser explorados a fim de se obter informações que realmente esclareçam como ocorre esse mecanismo, além de pesquisas que ampliem o conhecimento dos mecanismos de ação no biocontrole. Acredita-se, desse modo, que na medida em que são conhecidos os mecanis- mos de ação na interação com as plantas e com os fitopatógenos, as expectativas quanto a sua utilização na agricultura comercial se tornarão promissoras.

Diante da escassez de informações em rela- ção à formulações de bioprodutos para viabili- zar o uso comercial, há a necessidade da inten- sificação no desenvolvimento de trabalhos de pesquisas direcionados às diversas etapas para a obtenção dos produtos. Além disso, é impor- tante que a introdução de bioformulados seja valorizada como um pacote tecnológico devi- do a sua potencialidade em apresentar eficiên- cia agronômica, tornando-se prática comum na rotina de produção das várias culturas de importância econômica e ambiental, além de contribuir na preservação do meio ambiente.

AGRADECIMENTOS

À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoa- mento de Pessoal de Nível Superior) pelo concedimento das bolsas de mestrado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Almança, M.A.K. (2005) - Trichoderma sp. no controle de doenças e na promoção do crescimento de plantas de arroz. Disserta- ção de mestrado. Porto Alegre, Universi- dade Federal do Rio Grande do Sul, 81 p.

Altomare, C.; Norvell, W.A.; Björkman, T. e Harman, G.E. (1999) - Solubilization of phosphates and micronutrients by the plant-growth-promoting and biocontrol fungus Trichoderma harzianum Rifai 1295-22. Applied and Environmental Mi- crobiology, 65, 7: 2926-2933.

Bastos, C.N. (1991) - Possibilidade do con- trole biológico da vassoura-de-bruxa

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TRICHODERMA NO BRASIL: O FUNGO E O BIOAGENTE

pó de mandioca e água para tratamento de solo apresentaram vida de prateleira de 25 meses a temperatura ambiente (26 ± 8º C). O uso combinado destes dois formulados apresentou a maior germinação de semen- tes, altura da parte aérea, comprimento de raízes e rendimento de grãos, além de me- nor incidência da doença em plantas de fei- jão da china (Vigna radiata L.).

No Sri-Lanka, em ensaio in vitro de for- mulado contendo suspensão de micélios de T. asperellum, água destilada, glicerina, óleo de coco e óleo de soja, a formulação inibiu significativamente o crescimento de Thielaviopsis paradoxa de Seynes, agente causal da podridão negra do abacaxi, no prazo de seis dias após a inoculação. Até o final do quinto dia, o diâmetro da colônia de T.paradoxa foi reduzido em 92,7% em relação ao controle. No sétimo dia de ob- servação, a eliminação do patógeno foi de 100%. A formulação apresentou uma vida útil de seis meses (Wijeingue et al., 2010).

Nesse sentido, segundo Howell (2003), para otimizar a utilização dos agentes de controle biológico deve-se compreender como agem no controle, além de suas limi- tações. Pode-se, então, desenvolver meios eficazes de cultivo, armazenamento, apli- cação e utilização de bioagentes a fim de aplicar as suas melhores potencialidades no controle de doenças e na promoção do cres- cimento vegetal.

CONCLUSÕES

Apesar do enfoque ecológico amplamente difundido pela sociedade, a política agrícola ainda encontra-se incipiente no que se refere à expansão de práticas agrícolas alternativas e ecologicamente sustentáveis. Pesquisas com- provam que trichoderma é eficiente, prático e seguro quanto aos métodos de aplicação, bio- controle e promoção de crescimento vegetal, no entanto, na prática a sua aplicação ainda é restrita.

Nesse sentido, estudos sobre a propriedade de promoção de crescimento, especificamen-

te na ausência de fitopatógenos, ainda devem ser explorados a fim de se obter informações que realmente esclareçam como ocorre esse mecanismo, além de pesquisas que ampliem o conhecimento dos mecanismos de ação no biocontrole. Acredita-se, desse modo, que na medida em que são conhecidos os mecanis- mos de ação na interação com as plantas e com os fitopatógenos, as expectativas quanto a sua utilização na agricultura comercial se tornarão promissoras.

Diante da escassez de informações em rela- ção à formulações de bioprodutos para viabili- zar o uso comercial, há a necessidade da inten- sificação no desenvolvimento de trabalhos de pesquisas direcionados às diversas etapas para a obtenção dos produtos. Além disso, é impor- tante que a introdução de bioformulados seja valorizada como um pacote tecnológico devi- do a sua potencialidade em apresentar eficiên- cia agronômica, tornando-se prática comum na rotina de produção das várias culturas de importância econômica e ambiental, além de contribuir na preservação do meio ambiente.

AGRADECIMENTOS

À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoa- mento de Pessoal de Nível Superior) pelo concedimento das bolsas de mestrado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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