Tumores e evoluções - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)
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Neymar28 de Fevereiro de 2013

Tumores e evoluções - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)

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Apostilas sobre as evoluções dos tumores, progressão, heterogeneidade tumoral.
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EVOLUÇÃO TUMORAL

DESENVOLVIMENTO PASSO A PASSO DO TUMOR

As neoplasias se desenvolvem decorrente de várias alterações genéticas e epigenéticas que ocorrem em um período de tempo relativamente longo. O resultado dessas alterações é o tumor. A evolução, passo a passo, dos tumores tem sido estudada completamente na maioria dos carcinomas. Existem inúmeros carcinomas que se desenvolvem de forma previsível e ordenada. Por exemplo, o carcinoma de células escamosas se origina do epitélio das pálpebras de muitas espécies de animais, incluindo bovinos, cavalos, gatos e cães. As fases de desenvolvimento desses tumores são iguais em todas as espécies: hiperplasia epidérmica, carcinoma in situ e carcinoma invasivo. Estudos de carcinoma de células escamosas induzidos na pele de camundongos revelaram uma morfologia semelhante e tem levado a um modelo detalhado das fases passo a passo do desenvolvimento do carcinoma. (MCGAVIN, 2009, p.265).

Os atributos fenotípicos de uma célula maligna são:

* Mitoses descontroladas.

* Alterações na superfície das células, favorecendo a invasão e a metástase.

* Produção de proteínas embrionárias.

* Desvio do metabolismo para vias anormais.

Essas alterações são adquiridas gradualmente, e acontecem devido às mutações genéticas. Este processo é chamado evolução tumoral, que ocorre com o acúmulo de lesões genéticas na célula tumoral.

A maior parte dos tumores malignos se desenvolve a partir de uma célula mãe que tem várias mutações genéticas. Essas mutações não letais indutoras de câncer são adquiridas nas células somáticas por meio de substâncias químicas, radiação ou vírus.

INICIAÇÃO

A iniciação é o primeiro passo para introduzir uma alteração genética irreversível nas células basais da pele sob ação de agentes iniciantes mutagênicos ou iniciadores. Os iniciadores são carcinógenos químicos ou físicos que lesionam o DNA. A indução de mutação requer não somente a introdução de lesão ao DNA, mas também um pareamento defeituoso do DNA lesado durante a replicação subsequente produzindo uma fita alterada do DNA complementar. Dessa forma, apenas uma única rodada de replicação é necessária para fazer alteração genética. Morfologicamente as células iniciadas parecem normais e podem permanecer quiescentes por muitos anos. No entanto, essas células albergam mutações que proporcionam vantagem de crescimento em condições especiais. (MCGAVIN, 2009, p.266).

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Em uma neoplasia, quatro classes de gêneses reguladores normais compõem o alvo do dano genético:

* Oncogenes: mutantes de genes normais codificadores do crescimento.

* Genes de supressão tumoral: mutantes de genes normais supressores do crescimento.

* Genes envolvidos na regulação da morte celular programada.

* Genes envolvidos no controle de reparo do DNA.

Os oncogenes estimulam o ciclo celular e induzem à mitose, produzindo uma proteína “mutante” a partir do código do oncogene mutante. A proteína pode ter a capacidade de provocar alteração no crescimento celular. Na medida em que invadem a célula, as proteínas mutantes podem ter acesso às enzimas e a outras proteínas-alvo inacessíveis às proteínas normais. (CHEVILLE, 2009, p. 254).

Os genes de supressão tumoral trabalham suprimindo alguma fase do crescimento levando ao crescimento descontrolado. As mutações que acontecem nos genes controladores do reparo do DNA induzem uma lesão genética tornando esse reparo ineficaz. Ao permitir a propagação do erro genético, essas mutações conduzem a célula à neoplasia. (CHEVILLE, 2009, p. 254).

A morte celular programada também chamada apoptose, é necessária na remoção das células mutantes. Se a célula mutante possuir um gene com função inibitória sobre a morte celular programada, essa célula sobreviverá, perdurando a alteração neoplásica. Os produtos protéicos desse grupo de genes representam vias de transdução de sinais que controlam a cascata da morte células programada. (CHEVILLE, 2009, p. 254).

PROMOÇÃO

A promoção é a segunda fase do desenvolvimento tumoral. Ela se refere ao crescimento das células iniciadas em resposta a um estimulo de seleção. A maior parte desses estímulos de seleção, também denominados agentes promotores, leva à proliferação. Por exemplo, o óleo de cróton que irrita a pele é promotor natural cutâneo. Em geral, os promotores não são mutagênicos; em seu lugar eles alteram a expressão gênica nas células iniciadas e não iniciadas para criar um ambiente no qual as células iniciadas tenham vantagem em seu crescimento. Os promotores não são mutagênicos, portanto seus efeitos são reversíveis, e alguns papilomas podem sofrer regressão. (MCGAVIN, 2009, p.266).

Nos casos de neoplasias, diversos genes modulam a morte celular programada, portanto, para avaliar a presença de morte programada, empregam-se técnicas de detecção desses genes ou de seus produtos genéticos. (CHEVILLE, 2009, p. 263).

Os cânceres de ocorrência espontânea apresentam inúmeros defeitos genéticos, que são transmitidos de uma célula somática a outra influenciando um amplo espectro de eventos

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celulares. Para persistir a mitose, as células cancerígenas necessitam de genes que produzirão um genoma instável e fornecerão o suporte para o crescimento. Os genes mutantes promovem um crescimento e diferenciação anormais, causando desprendimento entre a célula e as estruturas adjacentes e também iniciam a replicação descontrolada da célula, tornando-a imortal. (CHEVILLE, 2009, p. 255).

A ativação de genes que aumentam a expressão dos fatores de crescimento é um achado comum em muitos cânceres espontâneos. Os novos fatores de crescimento podem ser normais, mas são produzidos em quantidades excessivas. Um dos fatores de crescimento mais potentes com efeitos disseminados pelo corpo é o fator de crescimento derivado de plaquetas (FCDP). Outro potente fator de crescimento é o fator de crescimento de fibroblastos (FCF). Na maioria dos casos, a produção não funcional do fator de crescimento se relaciona com um defeito na via de sinalização desse fator. (CHEVILLE, 2009, p. 255).

As células neoplásicas precisam de nutrientes adequados obtidos através de um conjunto de tecidos de apoio, particularmente de um suprimento vascular adequado, para poder crescer. As células neoplásicas, assim como as células normais, interagem com os tecidos de apoio induzindo a formação do estroma. Os tumores desenvolvem um estroma vascular através de secreção de fatores de angiogênese. A capacidade de um tumor tem de induzir e manter um suprimento vascular é essencial para seu crescimento. Portanto, uma massa tumoral contem células neoplásicas geneticamente anormais e também um componente dos tecidos de sustentação normais. (STEVENS, LOWE, 2002, p.82).

A utilização de energia na atividade celular, ou seja, na síntese proteica e na secreção de produtos celulares, quando paralisada, permite o desvio dos substratos da célula mutante para o processo de mitose e crescimento celular. A limitação das funções do nucléolo, dos ribossomos e do reticulo endoplasmático aumenta a capacidade de expansão maligna. (CHEVILLE, 2009, p. 264).

As células neoplásicas crescem de forma mais eficiente por meio do desvio na produção de energia. Quando há um desvio na produção de energia de fosforilação oxidativa na mitocôndria para glicosilação. Mesmo não sendo tão eficaz quanto à fosforilação exidativa, a glicólise é mais primitiva e ainda faz uso da glicose, é um substrato facilmente disponível. Quando há um desvio na produção de energia com a utilização da glicose, a célula cancerígena se torna menos dependente das vias metabólicas complexas. (CHEVILLE, 2009, p. 264).

PROGRESSÃO

Na ultima fase do desenvolvimento tumoral, a progressão converte um tumor benigno para um tumor maior maligno e, por ultimo, para um tumor metastásico. A conversão maligna representa uma alteração irreversível na natureza do desenvolvimento do tumor. A progressão é um processo muito pouco compreendido e envolve alterações genéticas e epigenéticas nas células tumorais e também no seu ambiente, que faz uma seleção de clones das células tumorais de

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maior malignidade. As características principais da progressão são: instabilidade cariotípica e maior heterogeneidade das células tumorais. (MCGAVIN, 2009, p.266).

A célula cancerígena altamente maligna possui mutações genéticas em vários sistemas. Para persistir mitose as células cancerígenas precisam de genes que irão produzir um genoma instável e fornecerá suporte ao crescimento descontrolado. Os genes mutantes promovem um crescimento e diferenciação anormais, causando um desprendimento entre a célula e as estruturas adjacentes e ainda incitam à replicação descontrolada da célula, tornando-a imortal. (CHEVILLE, 2009, p. 255).

HETEROGENEIDADE TUMORAL E SELEÇÃO CLONAL

Acredita-se que a maioria dos tumores tenha origem clonal, ou seja, são derivados de uma única célula transformada. A heterogeneidade das células tumorais é gerada durante o curso do crescimento do tumor pelo acumulo progressivo de alterações herdadas pelas células tumorais. Com cada nova alteração genética, a progênie da célula tumoral geneticamente alterada constitui um subclone de células tumorais. A geração de subclones é favorecida por marcante instabilidade genética das células tumorais quando comparadas às células normais. Os subclones bem-sucedidos são aqueles que possuem altas taxas proliferativas e capazes de escapar da resposta imune do hospedeiro, podem estimular o desenvolvimento de um suprimento sanguíneo independente, são independentes de fatores de crescimento exógenos, capazes de escapar do tumor primário e se espalhar a sítios distantes. Essas características conferem aos subclones bem-sucedidos uma vantagem seletiva sobre outros clones de células do tumor. Um subclone com vantagem seletiva eventualmente predominará. (MCGAVIN, 2009, p.266).

CONCLUSÃO

Tumores malignos são capazes de se replicar, infiltrar tecidos vizinhos e fazer metástase ao passo que tumores benignos não têm essa capacidade de disseminação, pode permanecer estático ou se desenvolver para um tumor maligno. Dependendo do local em que o tumor benigno se encontra ele pode comprimir vasos, o que causará um dano irreversível ao animal. As neoplasias desenvolvem-se devido a varias alterações genéticas, e estas alterações ocorrem devido a mutações genéticas, processo este chamado evolução tumoral. O primeiro passo é uma alteração no DNA celular, acontece um crescimento desordenado das células caracterizando o tumor. As células cancerígenas precisam de uma nutrição adequada obtido através de novos vasos sanguíneos. O ultimo processo da evolução tumoral converte uma neoplasia benigna em maligna e metástases.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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* MCGavin, M. D.; Zachary, J.F. Bases da Patologia em Veterinária. 4. ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2009.1476p.

* CHEVILLE, N. F. Introdução à Patologia Veterinária. 3.ed.São Paulo, Manole. 2009. 462p.

* STEVENS, A.; LOWE, J. Patologia. 2.ed. Barueri, Manole. 2003.654p.

* http://anatpat.unicamp.br/textoastrodifuso.html

Anexo

Schwannoma do nervo vestibular, um tumor do ângulo ponto-cerebelar.

Papiloma, um tumor benigno do plexo coróide, pode atingir grande volume e causar hidrocefalia, por abundante secreção liquórica pelo tumor. Forma massa de aspecto esponjoso ou em couve-flor, e pode ocorrer tanto no IV ventrículo como no andar supratentorial, em proporções semelhantes.

Câncer Cerebral, bem evidenciado.

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