Validacao do processo de limpeza de artigos odonto medico hospitalares
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iohan_struck18 de Outubro de 2015

Validacao do processo de limpeza de artigos odonto medico hospitalares

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RESUMO: A limpeza do artigo após seu uso remove a matéria orgânica e reduz a carga microbiana do material, sendo esta a etapa mais importante do reprocessamento. Objetivo: Identifiar na literatura metodologias reprod...
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Revisão de Literatura

VALIDAÇÃO DO PROCESSO DE LIMPEZA DE ARTIGOS ODONTO-MÉDICO-HOSPITALARES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

MEDICAL DEVICES AND CLEANING VALIDATION: AN INTEGRATIVE REVIEW

VALIDACIÓN DE LA LIMPIEZA DE DISPOSITIVOS ODONTO-MEDICO-HOSPITALARIOS: UNA REVISIÓN INTEGRADORA

PINTO, Marília de Bastos; VILAS–BOAS, Vanessa Aparecida; FREITAS, Maria Isabel Pedreira de

RESUMO: A limpeza do artigo após seu uso remove a matéria orgânica e reduz a carga microbiana do material, sendo esta a etapa mais importante do reprocessamento. Objetivo: Identificar na literatura metodologias reprodutíveis de validação do processo de limpeza. Método: Revisão integrativa utilizando- se as bases de dados MedLine/PubMed, LILACS, BDENF e SciELO, a partir de descritores registrados nos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), no período de dez anos. Os artigos foram seleciona- dos por critérios de inclusão/exclusão predefinidos e submetidos à análise de conteúdo. Resultados: De 251 estudos encontrados, seis foram analisa- dos. Observou-se a contaminação artificial dos artigos odonto-médico-hospitalares (AOMH), sendo a limpeza automatizada mais utilizada. As principais metodologias para avaliação dos processos de lim- peza foram técnicas de biologia molecular, análise microbiológica e teste de identificação de resíduos de matéria orgânica e proteínas. Conclusão: Não há métodos para limpeza de AOMH que sejam pa- dronizados e que estejam validados.

Palavras-chave: Instrumentos cirúrgicos. Avaliação de processos. Estudos de validação como assunto. Processo de limpeza.

ABSTRACT: The cleaning of the device after its use removes organic matter reduces the bioburden, being the most important step of reprocessing. Objective:

To identify, in the literature, reproducible method- ologies for validation of cleaning process. Methods: Integrative review using the databases MEDLINE / PubMed, LILACS, SciELO and BDENF from de- scriptors recorded in DeCS (Descriptors in Health Sciences), within ten years. Articles were selected by criteria of inclusion / exclusion predefined and submit- ted to content analysis. Results: Out of 251 studies found, six were analyzed. The artificial contamination of DMHD was observed, being automated cleaning the most widely used. The main methods for evalu- ation of cleaning processes were molecular biology techniques, microbiological testing and identification of organic waste material and proteins. Conclusion: There are no methods for DMHD cleaning that are standardized and are validated.

Key words: Surgical Instruments, Process Assess- ment,Validation Studies as Topic, Cleaning Process, sterilization.

RESUMÉN: El artículo de limpieza después de cada uso elimina la materia orgánica y reduce la carga microbiana del material, que es el paso más impor- tante de reprocesamiento. Objetivo: Identificar met- odologías reproducibles en la literatura para validar el proceso de limpieza. Métodos: Revisión Integradora utilizando las bases de datos PubMed / MEDLINE, LILACS, SciELO y BDENF de descriptores regis- trados en el DeCS (Descriptores en Ciencias de la

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Salud), en el período de diez años. Los artículos fueron seleccionados por criterios de inclusión / exclusión predefinidos y sometidos a análisis de contenido. Resultados: De 251 estudios que se encuentran, seis fueron analizados. Se observó la contaminación artificial de DMHD, siendo la limp- ieza automatizada la más utilizada. Los principales métodos para la evaluación de los procesos de limpieza fueron las técnicas de biología molecular, las pruebas microbiológicas y la identificación de los residuos orgánicos y proteínas. Conclusión: no hay métodos para la limpieza DMHD que están estandarizados y validados.

Palabras clave: Instrumentos Quirúrgicos, Eva- luación de Proceso,Estudios de Validación como Asunto, Proceso de Limpieza, Esterilización

INTRODUÇÃO

O Centro de Material e Esterilização (CME) é, por excelência, o local da instituição de saúde onde é realizado o reprocessamento dos artigos odonto-mé- dico-hospitalares (AOMH) e no qual se busca o apri- moramento, tanto das técnicas de limpeza¹, quanto das técnicas de preparo e esterilização. O processo de limpeza visa a remoção de sujidade visível e, por consequência, a retirada da carga microbiana inicial do material¹. Como adjuvante no processo, utiliza-se detergente enzimático. A utilização destes produtos, juntamente com a limpeza mecânica na rotina diária do CME, pode proporcionar a redução da sobrecarga de trabalho no setor².

A limpeza automatizada dos AOMH com o uso de lavadoras termodesinfectadoras ou ultrassônicas, permite a lavagem de maior volume de instrumentos cirúrgicos e outros artigos, otimizando essa etapa do reprocessamento e liberando recursos humanos para os procedimentos seguintes, como secagem e inspeção final do material.

Devido à necessidade de protocolos bem estabeleci- dos e validados do processo de limpeza, a Agência

Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou a Resolução Específica - RE 2.606, de 11 de agosto de 2006, que dispõe sobre as diretrizes para ela- boração, validação e implantação de protocolos de reprocessamento de produtos médicos³. O item XII do artigo 1° define protocolo de reprocessamento como a descrição de todos os procedimentos na realização do reprocessamento do produto médico e que deve ser instituído por meio de instrumento normativo interno do estabelecimento de saúde. Esse protocolo deve ser validado por meio da exe- cução de protocolos-teste estabelecidos pela equipe da instituição de saúde3. Além disso, o item XVI do mesmo artigo estabelece que a validação deve ser um processo estabelecido por evidências documen- tadas que comprovem que a atividade específica de reprocessamento estabelecida esteja em con- formidade com as especificações predeterminadas, atendendo ao requisitos de qualidade³.

Recentemente, devido ao aumento da frequência de surtos de infecção hospitalar ocasionados pela Mycobacterium, foi publicada a Resolução da Dire- toria Colegiada - RDC nº 75, de 27 de outubro de 2008, que dispõe sobre a comprovação da eficácia de agentes esterilizantes e desinfetantes hospitala- res para artigos semi-críticos frente a micobactérias das espécies abscessus e massiliense4.

Para garantir a segurança ao cliente, com base na sistematização do reprocessamento, é necessária a avaliação e a validação dos artigos e dos equi- pamentos, com possibilidade de rastreabilidade do processo de limpeza dos artigos, para que a com- petência possa ser demonstrada e assegurar uma prática realizada com qualidade5.

Considerando-se que o Brasil não possui normas para operacionalização da avaliação das lavadoras5 e a necessidade da utilização desses equipamentos para uma limpeza efetiva de artigos mais complexos, este estudo teve por finalidade realizar uma revisão integrativa da literatura publicada sobre o tema vali- dação de processos de limpeza de AOMH críticos.

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OBJETIVO

Identificar, na literatura, metodologias reprodutíveis de validação do processo de limpeza de artigos odon- to-médico-hospitalares classificados como críticos.

MÉTODO

Esta revisão da literatura teve como questão norte- adora: “Existem métodos sistematizados de limpeza, descritos na literatura, que forneçam subsídios para validar o processo de limpeza de AOMH e que di- minuam o risco de infecção ao cliente submetido a procedimentos invasivos?”

Para sua realização, foram utilizados os artigos indexados nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), BDENF (Base de Dados de Enfermagem), MedLine/PubMed (Medical Literatu- re Analysis and Retrieval System Online) e SciELO (Scientific Electronic Library Online). Os descritores utilizados estavam todos registrados no MeSH (Me- dical Subject Headings) e nos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), quais sejam: Validation studies as topic; Method e surgical instruments. As palavras utilizadas para complementar a pesquisa foram: Cleaning , Validation, Validação e Limpeza. Foi utilizado o conector boorleano AND. Foi feita a busca por artigos em língua portuguesa, inglesa e espanhola, publicados desde 1999 até os dias atuais, que estavam indexados e que utilizavam os descritores escolhidos, em um período de dez anos para a revisão bibliográfica.

Os critérios para inclusão dos artigos analisados fo- ram: estar no período estabelecido; estar relacionado ao objetivo proposto; e fornecer dados que possibi- litassem a aplicação da validação do processo de limpeza. Os critérios de exclusão do estudo foram: publicações fora do período estabelecido; artigos não indexados nas bases de dados selecionadas e artigos que não se referiam a processos de limpeza e nem validação de processos de limpeza de AOMH,

especificamente.

Foram também excluídos trabalhos referentes à contaminação por prions e os métodos de limpeza para sua eliminação, uma vez que esse microrga- nismo não é, no momento, prioridade dentro do tema. Apenas um trabalho científico com utilização de contaminação com prions de forma experimental foi utilizado nesta revisão, por possuir metodologia de limpeza e validação muito bem especificados, facilitando sua reprodutibilidade e podendo servir de base para estudos futuros.

Após seleção dos artigos, por título e resumo, foi realizada leitura cuidadosa e análise de conteúdo. Para isso, usou-se o instrumento modificado de Ursi e Galvão6, que aborda cinco aspectos relevantes nos estudos encontrados e utilizados na coleta dos dados da revisão, quais sejam: identificação do es- tudo, autores, intervenção estudada, resultados e recomendações, e conclusões. Além desses, abor- dou-se ainda a “metodologia utilizada”, para deixar explícita a metodologia utilizada nos artigos que foram selecionados, “objetivo proposto”, “objetivo alcançado” e “análise”, a fim de se obter dados mais claros para análise individualizada.

RESULTADOS

Em cada uma das bases pesquisadas, os resultados foram os seguintes: na PubMed foram encontrados cinco artigos e, destes, três foram selecionados para a revisão; na LILACS foram encontrados 12 artigos e quatro foram selecionados para a revisão; na Me- dLine, foram encontrados 223 artigos e selecionados três; na base SciELO foi encontrado um artigo, que foi selecionado para a revisão; na base BDENF, seis artigos foram encontrados e três selecionados.

Para seleção dos artigos em cada uma das nas bases de dados, foi realizada a leitura do título e do resumo de todos os trabalhos encontrados. Fo- ram excluídos os trabalhos que se não referiam ao tema de validação de limpeza de AOMH, que não

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estavam indexados nas bases escolhidas e que não obedeciam ao período de tempo estabelecido, conforme os critérios de exclusão estabelecidos. Das 14 referências utilizadas para a revisão integrativa,

oito foram excluídas. Dessas oito, quatro referências eram repetidas e quatro não se adequaram ao tema da revisão, utilizando-se, então, para análise neste trabalho seis referências bibliográficas (Quadro 1).

Quadro 1. Seleção dos artigos que fizeram parte da amostra do estudo, segundo bases de dados.

Base de dados Artigos encontrados

Artigos selecionados por título e resumo

Artigos que entraram na revisão

MedLine 223 03 -

LILACS 12 04 04

BDENF 06 03 -

PubMed 05 03 02

SciELO 05 01 -

Total 251 14 06

Para classificação dos estudos quanto à cientifici- dade, utilizou-se a classificação de Stetler7. Foram utilizados dois estudos experimentais e randomi- zados, classificados em nível II de evidência e dois estudos experimentais não randomizados, classificados em nível III.

Durante a busca pelos artigos, obedecendo aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, foram encontrados dois trabalhos8-9 relacionados com validação de limpeza de AOMH. Esses dois estudos não se entraram na revisão por não serem artigos científicos elaborados com metodologia rigorosa. Caracterizam-se por trazerem apenas uma apresentação de conteúdos diversos sobre o tema; no entanto, não trouxeram conhecimentos novos ou metodologia aplicável.

Entre as publicações utilizadas nesta revisão, duas eram internacionais, publicadas em revistas mé- dicas, classificadas como estudos randomizados e experimentais10-11 e duas eram nacionais, publi- cadas em revistas de enfermagem, classificadas como experimentais e não-randomizadas5,12.

No que se refere aos métodos de limpeza e desin- fecção utilizados (Quadro 2), um estudo realizado na Suécia10 desenvolveu um método que pudesse ser utilizado para validar processos de limpeza de instrumentos laparoscópicos sob o aspecto quantitativo. Os instrumentos foram contamina- dos artificialmente, com suspensões bacterianas com 106log de Escherichia coli e Bacillus subtillis, variedade níger, com secagem desse material por 30 minutos. Como método de limpeza, foi usada a lavadora desinfectadora, contendo detergente enzimático, em ciclo regular para lavagem, desin- fecção e secagem do material por um minuto, à temperatura de 90ºC. Os AOMH foram embalados e transportados para o laboratório onde foi borrifada com seringa, 10 ml de solução salina de PBS (Pha- te-Bufferd Saline) nos artigos canulados. Os AOMH sólidos foram imersos em 10 ml dessa solução e abertos e fechados por 25 vezes, passando por agitação em banho ultrassônico. Esses lavados foram então incubados em ágar-sangue por 48 horas a 36ºC. Depois disso, foi realizada a con- tagem de unidades formadoras de colônia (UFC), comprovando ou não a eficiência da limpeza e da desinfecção realizada pelo equipamento.

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Quadro 2. Classificação dos artigos selecionados, segundo autores, ano, local, métodos de desinfecção e validação de limpeza.

Autores, ano, local Método limpeza e desinfecção

Tipo de instrumental

utilizado

Método de validação de

limpeza

Microrganismo utilizado na

contaminação artificial

Bergo, 2006, Brasil5 Lavadora termodesinfectadora usando programas com diferentes tempos e temperaturas.

Instrumentais cirúrgicos diversos.

Identificação de resíduos e proteínas e análise

Sangue de placenta após parto normal.

Ransjö et al, 2001, Suécia10

Lavadora desinfetadora com detergente enzimático, em ciclo regular a 90oC.

Itens de instrumentos laparoscópicos, da marca Karl Storz Endoskop Sverige AB: trocartes, mandril, cânulas, tesouras, tubos, pinças e válvulas.

Análise Suspensões bacterianas de Escherichia coli e Bacillus subitillis variedade níger.

Lemmer et al, 2004, Alemanha11

Desinfecção com hipoclorito de sódio, ácido peracético, limpador alcalino, hidróxido de sódio, ácido acético + hidróxido de sódio, tiocinato de guanidina, uréia + SDS.

Fios de aço DIN- nº 1.4301, Forestadent, com diâmetro de 0,25mm.

Western- Bloot e SDS- PAGE.

Proteínas-prion patogênicas PrPSc/PrP27-30.

Bergo e Graziano, 2003, Brasil12

Lavadora termodesinfectadora usando programas com diferentes tempos e temperaturas.

Raspa acetabular, raspa femoral, pinça Crile, pinça Kelly, pinça Hartman, pinça de Backey, Kerrison, pinça vascular Glover, entre outros.

Identificação de resíduos e proteínas e análise

Não houve contaminação artificial.

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Ransjö et al10 demonstraram que em todos os experi- mentos com Enterococcus faecallis, antes da desin- fecção, mostrou >106 bacterias/ml e pós-desinfecção não mostrou crescimento. Nos experimentos com Bacillus subitillis, trocarte grande, mandril grande, válvula fixa, trocarte pequeno, mandril pequeno, câ- nula e mandril Verres, tubos de tesouras, tubos de ganchos mostraram uma redução média de 710log quando conectados aos carros de lavagem por meio de funis ou outros conectores. Tesouras e pinças mostraram redução de 7-610log, caso pudessem ser desmontadas. Instrumentos de uma peça colocados na parte inferior do carro de lavagem demonstraram redução de 310log, mas isso melhorou significativa- mente quando esses instrumentos foram adaptados no carro de lavagem. Pequenos objetos (válvulas fixas, móveis e ganchos) mostraram redução média de 410log. Os tubos das tesouras foram limpos nos dois tipos de conexão. A colocação das tesouras nas caixas diminuiu a contaminação restante significati- vamente. Colocar as pinças nos adaptadores ou nas caixas não modificou a contaminação significativa- mente, em comparação com a bandeja.

Na Alemanha, um estudo realizado em 200411, analisou a contaminação residual sob diferentes condições e agentes químicos, em lotes de fios de aço reprocessados e posteriormente contaminados com 263K de fragmentos de cérebro de hamster, homogeneizado, contendo proteínas prion-patogê- nicas PrPSc/PrP27-30 e para a etapa de limpeza e desinfecção foram usados: hipoclorito de sódio, ácido peracético, limpador alcalino, NaOH, ácido acético com NaOH, tiocinato de guanidina e ureia com SDS . A diminuição total de PrPSc/PrP27-30 em cada corpo de prova foi monitorada por meio de SDS-PAGE e Western Blotting. Para isso, lotes de 30 fios foram incubados em porções de 500μl dos vários reagentes num termomixer a 400rpm em tempo e temperaturas específicos. Posteriormente, as soluções de limpe- za foram diretamente misturadas na proporção 1:1 com duas vezes uma solução-tampão e fervida por cinco minutos ou submetida à digestão por proteína- quinase (PK). Depois, 10μl das soluções de limpeza

foram diluídas em 42μl de TBS-Sarkosyl contendo 150mg de PKμl-1, incubados, então por uma hora a 30°C e misturados, subsequentemente, na proporção de 1:1 também com duas vezes a solução-tampão e finalmente, fervida por cinco minutos. SDS-PAGE e Westerning Blotting, foram então realizados, com alíquotas de 20μl dessas amostras. Os experimentos mostraram que, em condições apropriadas, reagen- tes leves como SDS 0,2% e MaOH 0,3%, limpadores alcalinos disponíveis comercialmente, desinfetante contendo 0,2% de ácido peracético e baixa con- centração de NaOH ou SDS 5% exercem potente ação desontaminante sobre PrPSc impregnado na superfície dos corpos de prova.

Nos estudos realizados no Brasil5,12, o método de limpeza utilizado foi o automatizado, com lavadora termodesinfectadora. Foi avaliado o desempenho de equipamentos para limpeza e desinfecção de artigos, usando programas com diferentes tempos e temperaturas, preconizados por órgãos oficiais distintos. Foi feito o cálculo e a análise da taxa de letalidade mínima e do nível de segurança de desinfecção, comparando-as com o cálculo teórico requerido de acordo com a norma ISO 15883-1999 e do cálculo teórico e com termopares, de acordo com as normas BGA, DHSS/HTM, RIVM, SPRI/SIS e no ciclo com tempo e temperatura de pasteuriza- ção. A qualificação de desempenho do equipamento foi realizada por equipe especializada, com ciclos vazios e com carga. Realizaram contagem de UFC antes e depois da lavagem. Os testes para detecção de resíduos de sujidade e proteínas foram: Biotra- ce-Protect, Kit-proteína Miele e testes de resíduo Soil-Test. Bergo5 demonstrou que os resultados da média da carga microbiana viável inicial encontra- da dos AOMH que foram avaliados foram de 108

UFC e o da carga microbiana viável verificada na avaliação, após os processos de termodesinfecção pautados nos tempos e temperaturas estabelecidos nas diferentes normas. Foi observado também que no ciclo com tempo e temperatura de pasteurização não houve crescimento, com um resultado expresso por <10² UFC.

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Em relação aos instrumentos utilizados, os estudos usaram itens de instrumento laparoscópicos da marca Karl Storz Endoskop Sverige AB: trocartes, mandril, cânulas, tesouras, tubos, pinças e válvulas10; fios de aço DIN nº 1.4301, Forestadent, com diâme- tro de 0,25 mm, cortados em pequenos pedaços de 5mm11 e 514 instrumentais diversos12. Em Bergo5, os instrumentos escolhidos não são mencionados e são citados os instrumentos em que foram identificados resíduos de contaminação com o teste Soil-Test: Cizalia Ruskin, Goiva Leksell, Goiva Luer Stille, Ci- zalia e Kerrison.

No que se refere à metodologia, todos os estudos selecionados possuem metodologia reprodutível. Ransjö et al10 descreveram a metodologia de vali- dação microbiológica que pode ser reproduzida em estudo posterior. Lemmer et al11, usando técnicas de biologia molecular, descrevem todos os passos realizados para garantir a fixação do microrganismo no instrumental a ser testado no estudo e o processo de limpeza monitorado pelos métodos de SDS-PAGE e Western Blotting, caracterizando a reprodutibilidade do estudo. Os estudos brasileiros5,12 também trazem sistematizada a metodologia de realização dos tra- balhos, facilmente reprodutíveis.

DISCUSSÃO

Com os avanços da medicina moderna e a introdu- ção de novas técnicas cirúrgicas, torna-se cada vez mais importante e necessário garantir a segurança do paciente que é submetido a procedimentos inva- sivos, de forma a se evitar a transmissão de infec- ção decorrente do ato cirúrgico. Assim, todo AOMH utilizado deve estar esterilizado, livre de quaisquer microrganismos que possam vir a provocar infecção, mesmo que sejam considerados saprófitos ou não- patogênicos. Deve-se atentar para todas as etapas no reprocessamento do artigo, pois, para se obter sucesso no processo de esterilização, é necessário garantir sua limpeza.

Em três dos quatro estudos incluídos nesta revisão5,10-

11, observou-se ter sido realizada a contaminação artificial dos AOMH com diferentes microrganismos e com matéria orgânica. O estudo sueco10utilizou suspensões bacterianas de Escherichia coli e Ba- cillus subitillis variedade níger; o estudo feito na Alemanha11 utilizou tecido cerebral contaminado com proteínas-prion patogênicas PrPSc/PrP27-30 e o estudo brasileiro de Bergo5 utilizou sangue de placenta, após parto normal, para contaminação dos instrumentos.

Os estudos sugerem que, para haver garantia de que houve remoção das espécies de microrganismos presentes nos AOMH, é necessário o uso de micror- ganismos-controle. Após a contaminação artificial, para fixação das espécies, recomenda-se a secagem do artigo por tempos determinados em temperatura ambiente, sendo que Ransjö et al10, e Lemmer et al11 estabeleceram 30 minutos e Bergo e Graziano12 estabeleceram uma hora. Essa etapa é importante e deve ser seguida para garantir uma contaminação significativa dos instrumentos. Também pode simular a situação real do tempo que o material, após o uso, aguarda ser encaminhado ao expurgo para iniciar o processo de limpeza, a fim de remover a matéria orgânica aderida.

Ransjö et al10 usaram instrumentos que são utilizados em cirurgias laparoscópicas, quais sejam: trocartes grandes e pequenos com mandril, válvulas de mola e válvulas fixas, cânulas com mandril, pinças, tesouras e ganchos. Lemmer et al11 utilizaram fios de aço como corpos de prova, e Bergo e Graziano12 utilizaram os AOMH empregados em procedimentos cirúrgicos de rotina: raspa acetabular, raspa femoral, pinça Crile, pinça Kelly, pinça Hartman, pinça de Backey, Kerrison, pinça vascular Glover, entre outros que não foram mencionados no trabalho. Esses instrumentais caracterizam-se por apresentarem conformação complexa, o que poderia interferir no processo de limpeza.

Em relação aos processos de limpeza, a limpeza automatizada foi a metodologia mais utilizada, sendo

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realizada pela lavadora termodesinfectadora, equipa- mento com alto poder de limpeza e termodesinfecção. Os estudos que se utilizaram da lavadora para a lim- peza5,10,12 fazem uso de detergente enzimático como agente na desinfecção. Os testes de eficácia do equi- pamento foram realizados em ciclos regulares, com e sem carga, reproduzindo as etapas do processo de limpeza e desinfecção realizados nas instituições hospitalares. Nos estudos de Bergo e Graziano12 e de Bergo5 houve validação do equipamento por equipe especializada. Lemmer et al11 realizaram o processo de desinfecção química.

Para a limpeza automatizada, é importante enfatizar a necessidade de validação do equipamento utilizado por equipe especializada, para assegurar o correto funcionamento da lavadora.

Para validação dos processos de limpeza, consta- tou-se que as principais metodologias utilizadas são: técnicas de biologia molecular, análise microbiológica e teste de identificação de resíduos de matéria or- gânica e proteínas. Os testes de biologia molecular identificados foram aqueles que determinaram se houve degradação de príon-proteínas patogênica: Western-Bloot e SDS-PAGE11. É importante men- cionar que esses métodos são efetivos e seguros; no entanto, são caros. O que dificulta sua utilização nas instituições hospitalares. Os estudos de Bergo e Graziano12, Bergo5 e Ranjö et al10 apresentam análise microbiológica como método de escolha na validação de limpeza. Além da análise microbioló- gica, foi utilizada, nesses estudos, a identificação de resíduos e proteínas com a utilização de testes específicos. Os instrumentos utilizados como corpos de prova demonstram que sua complexidade e seu posicionamento no equipamento interferem no pro- cesso de limpeza10.

CONCLUSÃO

A seleção dos artigos científicos nas bases de dados pesquisadas (PubMed, LILACS, MedLine, SciELO e BDENF), com recorte temporal de dez anos, resul-

tou na análise de seis referências, sendo duas em português e quatro em inglês.

Os estudos encontrados possuem metodologias reprodutíveis para aplicação nos artigos e equi- pamentos descritos, por se tratarem de métodos rigorosos, em que os objetivos propostos foram alcançados, com níveis de evidência II e III. Porém, não existem, registrados na literatura, métodos para limpeza de AOMH que sejam padronizados e que estejam validados.

REFERÊNCIAS

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Autoras

Marília de Bastos Pinto Enfermeira Especialista em Controle de Infecção Hospitalar do Hospital e Maternidade Metropolitano de São Paulo. E-mail: mariliabastosp@gmail.com.

Vanessa Aparecida Vilas-Boas Enfermeira Mestre em Enfermagem, Enfermeira do Centro Cirúrgico do Hospital da Mulher “Prof. José Aristodemo Pinotti”, Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM/UNICAMP). E-mail: vanevilasboas@yahoo.com.br.

Maria Isabel Pedreira de Freitas Enfermeira Mestre e Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP), Professora Associada do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). E-mail: bell@fcm.unicamp.br.

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