Via de administração de Medicamentos - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)
Neymar
Neymar28 de Fevereiro de 2013

Via de administração de Medicamentos - Apostilas - Medicina, Notas de estudo de Medicina. Centro Universitário do Pará (CESUPA)

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Apostilas sobre o estudo da influência da via de administração de uma droga, em Rattus novergicus, sobre a intensidade de seus efeitos farmacológicos. Material, método e resultados.
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CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE BIOQUÍMICA E FARMACOLOGIA

FARMACOLOGIA PARA ENFERMAGEM

IMPORTÂNCIA DA VIA DE INTRODUÇÃO NA ABSORÇÃO DOS MEDICAMENTOS

INTRODUÇÃO

Um fármaco precisa estar presente em concentrações adequadas nos seus locais de ação para produzir seus efeitos característicos. A via de administração influencia nas variações de biodisponibilidade dos fármacos, isto é, a quantidade da droga que atinge seu local de ação (GILMAN, 1996). Assim, a escolha da via de administração de um medicamento é norteada pelos seguintes fatores: tipo de ação desejada, local ou geral; rapidez da ação desejada e natureza do medicamento. Deve-se lembrar que cada tipo de via de administração possui vantagens e desvantagens que dependem das propriedades farmacêuticas do medicamento e dos locais de absorção, além das características do paciente e do quadro patológico (SILVA, 1994).

Este relatório visa mostrar a influência da via de administração de uma droga, em Rattus novergicus, sobre a intensidade de seus efeitos farmacológicos.

MATERIAL E MÉTODO

O trabalho experimental foi realizado no Laboratório de Farmacologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Para tal, foram utilizados três animais da espécie Rattus novergicus, de variedade albina, dócil e de fácil manejo em laboratório. Utilizou-se tionembutal sódico, na concentração de 25mg/kg de peso do animal, pelas vias oral, venosa e intraperitonial. Cada via de administração foi utilizada em apenas um animal.

Inicialmente, ocorreu a pesagem das cobaias a fim de calcular a dose do fármaco a ser utilizado em cada um deles. Antes da administração da droga, analisou-se os parâmetros freqüência

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respiratória (movimentos respiratórios/minuto), reflexo palpebral (presente, diminuído ou ausente) e atitude do animal (normal, excitado, deprimido ou dormindo).

A administração oral em Rattus novergicus foi feita com auxílio de uma cânula introduzida na boca do animal até o estômago. Ao volume de droga a ser administrado, foi-se adicionado o volume do espaço morto da cânula, para evitar perdas e alterações no efeito da droga. A administração endovenosa ocorreu em outro animal e baseou-se na injeção do fármaco na veia peniana. A administração por via intraperitonial ocorreu em um terceiro animal, através de injeção na região abdominal. Por fim, então, repetiu-se a análise dos parâmetros explicitados 20 minutos após cada administração, para verificar as alterações provocadas pelos efeitos farmacológicos da droga.

RESULTADOS

TABELA 01: REGISTRO DE ALGUNS PARÂMETROS OBSERVADOS NA ESPÉCIE Rattus norvegicus ANTES E DEPOIS DA ADMINISTRAÇÃO DE TIONEMBUTAL SÓDICO (25mg/kg) POR VIA ORAL, INTRAVENOSA E INTRAPERITONEAL. TERESINA, 2005.

PARÂMETROSVIAS DE ADMINISTRAÇÃO | RESPIRAÇÃO REFLEXO PALPEBRAL ATITUDE A D A D A D |

ORALINTRAVENOSAINTRAPERITONEAL| 76 88 + + N De 78 81 + +- N De 62 80 + +- N De |

LEGENDA: A (ANTES), D (DEPOIS), + (PRESENTE), +- (DIMINUÍDO), N (NORMAL), De (DEPRIMIDO).

FONTE : LABORATÓRIO DE FARMACOLOGIA DA UFPI. ALUNOS DE ENFERMAGEM, 1O PERIODO DE 2005.

DISCUSSÃO

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Para alcançar seu local de ação, a droga na maioria dos casos é obrigada a atravessar diversas barreiras biológicas: epitélio grastrintestinal, endotélio vascular, membrana plasmática. Quando esta travessia leva a droga até o sangue, temos a absorção, que tem por finalidade transferir a droga do lugar onde é administrada para os fluidos circulantes, representados especialmente pelo sangue (SILVA, 1994). A absorção de um fármaco depende de muitas variáveis: fatores físico-químicos que afetam o transporte através das membranas, local de absorção, solubilidade do fármaco, velocidade de dissolução para os fármacos administrados na forma sólida, concentração do fármaco, fluxo sanguíneo no local de absorção e a área de superfícies absortiva a qual o fármaco é exposto, que é determinada em grande parte pela via de administração(GILMAN, 1996). A via de administração é especialmente importante pois determina as variáveis relacionadas com o local de absorção. A escolha da via de administração de um agente terapêutico está baseada no conhecimento das vantagens e desvantagens das diferentes vias (GILMAN, 1996).

“A ingestão oral é o método mais comum de administração de fármacos. Também é o mais seguro, o mais conveniente e o mais econômico. As desvantagens da via oral incluem a incapacidade de absorver alguns fármacos por causa de suas características físicas (polaridade), o vômito resultante da irritação da mucosa gastrintestinal, a destruição de alguns fármacos por enzimas digestivas ou pelo baixo pH gástrico, irregularidades na absorção ou na propulsão na presença de alimentos ou outros fármacos e a necessidade de colaboração do

paciente. Além disso, os fármacos presentes no trato gastrintestinal podem ser metabolizados pelas enzimas da mucosa, pela flora intestinal ou pelo fígado, antes de terem acesso à circulação sistêmica” (GILMAN, 1996). Grande parte da absorção no trato gastrintestinal ocorre através de processos passivos, sendo o fármaco melhor absorvido na forma não-ionizada e mais lipofílica. Espera-se uma melhor absorção de ácidos fracos no meio ácido do estômago e de bases no meio relativamente alcalino do intestino delgado. A mucosa gástrica não é local primordial de absorção, mas sua mucosa pode absorver diversas drogas, especialmente se a velocidade de esvaziamento for diminuída (SILVA, 1994). A velocidade de esvaziamento gástrico é importante, também, no controle da absorção a nível do intestino delgado: o aumento do esvaziamento gástrico aumenta a velocidade de absorção de um fármaco enquanto que o retardamento do esvaziamento gástrico diminue a velocidade de absorção de um fármaco, independente das características do fármaco (GILMAN, 1996). Por sua estrutura, a mucosa do intestino delgado constitui a principal e mais extensa superfície de absorção do trato gastrintestinal. Com suas dobras e vilosidades, o epitélio do intestino delgado pode aumentar a superfície de absorção até cerca de 200m². No experiência com Rattus norvegicus, a administração oral de tionembutal sódico 25mg/kg levou a um aumento na freqüência respiratória, sem alterar o reflexo palpebral e levando a cobaia a uma atitude depressiva (TABELA 01). Assim, vê-se que, mesmo após 20 minutos, a droga ainda não havia provocado totalmente seus efeitos. Dessa forma, pode-se avaliar uma desvantagem da administração por via oral que é a sua lentidão em relação aos

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efeitos da droga, o que a impossibilita de ser usada quando de urgências, indicando-a para o uso em situações onde se deseja uma ação prolongada e lenta da droga.

A administração de drogas por infusão ou injeção diretamente na corrente sanguínea é particularmente útil quando se desejam efeitos imediatos ou concentrações sanguíneas exatas. Como não ocorre absorção, a injeção intravenosa evita os retardos e variações na resposta à droga caracteristicamente associados a outras formas de administração. Uma importante desvantagem da via intravenosa é que, uma vez injetada a droga, muito pouco pode ser feito para removê-la da corrente sanguínea e as reações tóxicas às drogas administradas por via intravenosa frequentemente são instantâneas e graves (NEIDLE, 1991). Assim, de maneira geral, a injeção intravenosa deve ser feita lentamente e com monitorização constante das respostas do paciente (GILMAN, 1996). Esta via é freqüentemente usada quando a via oral é impedida de ser utilizada pelas condições do paciente, quando é necessário um início rápido do efeito (caso das emergências médicas) ou quando são necessárias concentrações sanguíneas acima daquelas que podem ser obtidas por via enteral (NEIDLE, 1991). “Os fármacos em um veículo oleoso e aqueles que precipitam os componentes do sangue ou hemolisam os eritrócitos não devem ser administrados por essa via” (GILMAN, 1996). Outras complicações da via intravenosa incluem vasculite e embolia, febre, infecção e formação de hematoma. Na experiência com Rattus norvegicus, a administração de tionembutal sódico 25mg/kg levou a um leve aumento da freqüência respiratória, provocou diminuição do reflexo palpebrar e fez com que o animal se apresentasse deprimido após os 20 minutos da aplicação da droga (TABELA 01). Tais efeitos exemplificados foram obtidos de maneira imediata à administração do fármaco por via intravenosa, reforçando a importante característica da rapidez de ação dessa via de administração de fármacos.

A cavidade peritoneal oferece uma grande superfície de absorção a partir da qual os fármacos entram rapidamente na circulação, mas em especial através da veia porta; assim, é possível a ocorrência de perdas na primeira passagem pelo fígado (GILMAN, 1996). Embora a injeção intraperitoneal seja comumente empregada em experimentação animal, o risco de infecção geralmente impede o uso no homem (NEIDLE, 1991). Na experiência com Rattus novergicus, a administração de tionembutal sódico 25mg/kg levou a aumento da freqüência respiratória, provocou diminuição do reflexo palpebrar e fez com que o animal se encontrasse deprimido após os 20 minutos (TABELA 01). Assim, pode-se ver que a administração por via intraperitoneal produz efeitos rápidos e eficazes, os quais puderam ser comprovados após o intervalo de 20 minutos. No entanto, sua utilização em pacientes humanos não é recomendada, conforme explicitado acima.

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CONCLUSÃO

A experiência realizada em Rattus novergicus permite concluir que quantidades iguais de uma substância, aplicadas através de vias de administração diferentes levam a efeitos de diferentes intensidades e velocidade no organismo. Vê-se, assim, que a via de administração do fármaco influencia na sua absorção e, portanto, a escolha da via deve basear-se no tipo de ação que se deseja do fármaco e na rapidez da ação desejada. A comparação entre as vias intravenosa, oral e intraperitoneal permitiu avaliar as vantagens e desvantagens de cada uma dessas vias. Assim, vê-se que a via intravenosa produz efeitos mais rápidos e eficazes da droga, tendo em vista da aplicação do fármaco diretamente no sangue. A via oral, apesar de ser a mais utilizada, mostrou-se a mais lenta das vias comparadas, enquanto que a via intraperitoneal alcança resultados rápidos, mas não é indicada para a clínica tendo em vista a possibilidade de infecção.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GILMAN, A. G., GOODMAN, J. et all,. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. Cap. 01, p. 03-20.

NEIDLE, E. A. Farmacologia e Terapêutica para Dentistas. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. Cap. 2, p. 15-38.

SILVA, P. Farmacologia. 5ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1994. Cap. 5, p. 20-30.

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